Caros leitores e leitoras.
Mostrando postagens com marcador Imprensa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Imprensa. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de maio de 2023

Correio da Manhã inicia sua operação para ser um jornal de Brasília

Depois de uma sequência de veículos de comunicação fechando redações ou reduzindo seus plantéis na Capital Federal, enfim, uma boa notícia. O jornal carioca, Correio da Manhã, que desde outubro já imprimia um reparte local para Brasília, na própria cidade, passa a contar com uma sucursal no Distrito Federal.

Quem relata os planos do jornal no Planalto Central, em texto na 3ª pessoa, é o jornalista Rudolfo Lago, que será o diretor da sucursal candanga.


Durante boa parte do século passado, o Correio da Manhã, fundado em 1903, foi o jornal mais importante do país. Tinha a vocação de ser o grande jornal da capital do país. Até a perseguição sofrida durante a ditadura militar, que levou então sua proprietária à época, Niomar Moniz Sodré Bittencourt, a fechar as portas do jornal. Agora, sob o comando do jornalista Claudio Magnavita, o Correio da Manhã voltará a ser um jornal da capital, produzido e impresso em Brasília. 

Magnavita adquiriu o título Correio da Manhã e retomou a circulação do jornal no Rio de Janeiro em 20 de setembro de 2019, inicialmente como um jornal semanal. Aos poucos, o jornal foi crescendo no Rio e hoje é um jornal diário, com circulação entre segunda e sexta-feiras (quando circula uma edição especial de fim de semana). 

Com um tipo de diagramação em módulos, que permite que manchetes e matérias possam ser trocadas sem nova diagramação, o jornal ampliou-se para novos títulos. Hoje, além do Correio da Manhã do Rio de Janeiro, circula o Correio Petropolitano (com sede em Petrópolis), o Correio Sul-Fluminense (com sede em Volta Redonda), o Correio Norte-Fluminense (com sede em Campos). E desde outubro do ano passado o Correio da Manhã Edição Nacional, com sede em Brasília. 

Em todas essas regiões, o jornal é impresso em gráficas próprias. Em Brasília, está montada uma gráfica com duas rotativas de oito unidades, instalada no Núcleo Bandeirante. Até agora, porém, a produção de conteúdo da edição nacional estava sendo feita no Rio de Janeiro. 

Há três semanas, começou a funcionar a redação de Brasília, que está sendo instalada no Setor Hoteleiro Norte, no Edifício Le Quartier Hotel&Bureau. Inicialmente, será uma estrutura enxuta, formada por um diretor, um repórter e dois estagiários. 

O jornalista Rudolfo Lago, com 37 anos de experiência na cobertura política em Brasília, comandará a redação. Que tem como repórter Gabriela Gallo. 

Segundo Claudio Magnavita, no início a produção local se concentrará mais na produção própria de conteúdo político, assuntos do Congresso e do governo. Mas em breve o jornal também terá conteúdo próprio de cultura. 

O antigo Correio da Manhã foi o pioneiro na produção de um Segundo Caderno cultural. E hoje essa segue sendo uma de suas características. O próprio Magnavita é autor e produtor cultural. Entre outros, ele é o autor do musical Constellation, sucesso que conta a história do voo inaugural Rio/Nova York do avião Super Constellation, na década de 1950.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

O Canhoto: um jornal de esquerda para quem mora na periferia

A cidade do Gama, no Distrito Federal, é a sede do mais recente periódico com uma visão de esquerda dos fatos no Brasil e no mundo. 
O Canhoto nasceu em versão impressa em setembro de 2019, com o propósito de falar sobre política e cultura, dando voz à periferia de Brasília e dos municípios goianos que forma o chamado Entorno do DF
Antes da pandemia da Covid-19, ele era impresso mensalmente, chegando a ter uma tiragem de mil exemplares por mês, graças à colaboração dos próprios leitores e parceiros, possibilitando a sua distribuição gratuita, por meio de pontos voluntários que começavam a surgir pelo DF.
"Trata-se de um jornal nitidamente de esquerda, que costuma fazer edições temáticas, como o Canhoto Negro de novembro de 2019, em comemoração ao mês da consciência negra, ou a edição de Carnaval, em fevereiro de 2020, e outra com textos totalmente escritos por mulheres em março desse ano. Marxismo, classismo, antirracismo, feminismo, pautas LGBTs, antifascistas e periféricas estão sempre presentes nos textos, colunas e poemas" - explica o advogado Juan Ritcheli, um dos responsáveis por fazer acontecer a "Gazeta Gamense de cultura e política".
O Canhoto desse mês de julho, número 8, já está circulando e por conta do Coronavírus é o primeiro a ser distribuído de forma totalmente digital. Os editores esperam a normalização do pós pandemia para que o mesmo volte a ser impresso e distribuído por meio dos eventos culturais e políticos que ocorriam no Gama.
Quem desejar, pode seguir os perfis do Canhoto no Instagram e no Facebook via @canhotodogama

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Livro: Jornalista bahiano lança "Os cadernos de viagem de Valter Xeu: a culpa é de Fidel"

Por Carlos Alberto Vittorio




O título do livro difere muito do seu conteúdo. A intenção do jornalista baiano Valter Xeu era, originalmente, festejar a história do “Pátria Latina” que começou como um jornal impresso e, seguindo os trilhos da modernidade – ou a fatalidade da maioria dos impressos –, virtualizou-se nesta era digital. Se ele consegue isto? Consegue, sim. Mas nesse caminho de contação da vida do Pátria Latina, Xeo nos guia pelas ruas de Havana, nos conduz com maestria pela história dos bares, restaurantes e hotéis habaneros a ponto de nos sentirmos lá.
São experiências vívidas que temos ao passear com Valter Xeu ao longo do Malecón, o calçadão que se tornou o símbolo da cidade sem deixar de protegê-la das ondas provocadas pelos ciclones e tempestades caribenhas. Histórias como as dos astros norte-americanos que frequentavam (e se embriagavam) nos restaurantes que  também eram frequentados pelos mafiosos que saiam dos Estados Unidos para gerenciar seus negócios em Cuba.
Valter Xeu transita com facilidade pelos pontos de Havana e aproveita para contar histórias das dezenas e dezenas de amigos e colegas de labuta que levou para conhecer a ilha de Fidel. E é a partir dessas histórias que ele relata a nascença, a gênese do Pátria Latina, uma ideia semeada na sua cabeça e na cabeça de dois outros jornalistas que o acompanhavam por Fidel Castro durante uma entrevista que, no caso de Fidel, durou quase uma noite inteira.
Nesse livro, o jornalista que saiu de Feira de Santana, na Bahia, pra correr o mundo sem falar outra língua que não a sua, conta também outras histórias e defende suas bandeiras com leveza feroz como um Quixote do século 21.
Perambulando pela Rússia, pelo Irã, a paixão desse baiano cosmopolita só não comporta os Estados Unidos, alvo constante de suas críticas. Xeu defende países e povos como se defendesse a própria casa. É a sua ‘raison d’être’. Mas isso não faz dele um “esquerdopata” indigesto. Muito pelo contrário. Ele é provocativo e faz pensar.
Neste “A culpa é de Fidel” Xeu compila várias entrevistas extremamente interessantes, alguns artigos instigantes assinados por ele e por outros jornalistas e publicados no Pátria Latina. O livro respira política mas traz passagens românticas envolvendo o próprio autor como o caso da cubana que o trocou por um guapo espanhol ou a paixão que lhe rendeu uma filha caribenha. Traz também trechos hilariantes como o da ocasião em que ele decidiu presentear alguns amigos cubanos com a legítima farinha copioba que o sertão da Bahia generosamente produz e quase acaba preso no aeroporto José Marti.
Este é um livro incomum resultado das mais de cinquenta viagens do seu autor cruzando o Atlântico em direção a Cuba, ao Irã, à Rússia, à Coreia do Norte ou mesmo à África da sua ancestralidade e vale a pena ser lido de cabeça leve e coração tranquilo.
O livro de Valter Xeu é assim bem como ele: pleno, cheio de altos e baixos porém generosamente humano, generosamente político, generosamente gentil.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Contra "coronéis", jornalistas de Alagoas entram em greve por melhores salários


As empresas de comunicação se negaram a repor a inflação nos salários dos seus empregados e ainda decidiram reduzir em 40% o piso salarial da categoria, que em Alagoas significa teto salarial.





Os jornalistas de Alagoas entraram em greve, nesta terça-feira, 25/6, motivados pelo desrespeito dos empresários da Comunicação para com os seus trabalhadores. 


Em resposta à pauta de reivindicação dos jornalistas, que pleiteavam a correção salarial com base na inflação dos últimos doze meses, todos os veículos de Alagoas propuseram a redução dos salários de seus jornalistas em R$1.400,00. Em relação ao piso salarial a proposta é reduzi-lo dos atuais R$ 3.565,27 para R$ 2.150,00.
Além disso, o patronato formado, em grande parte, por representantes das tradicionais oligarquias de Alagoas, propôs que o novo acordo salarial contemplasse os seguintes pontos:

  • acabar com o pagamento de hora extra.
  • acabar com gratificações extras de exercício de atividade de produtor
  • acabar com gratificações extras de exercício de atividade de editor
  • estabelecer o tele-trabalho ou Home Office
  • autorização para tirar a negociação com sindicato e passar a negociar diretamente com os empregados.

   

É forte a adesão dos jornalistas que atuam nas empresas de comunicação do grupo Organização Arnom de Mello, Rádio e TV Gazeta, do senador Fernando Collor de Mello (PROS/AL); do Sistema de Comunicação Pajuçara (TV Pajuçara e TNH1) de propriedade do ex-governador, Guilherme Palmeira, do ex-vice-governador, José Thomaz Nonô e do industrial Emerson Tenório; e na TV Ponta Verde, do grupo Hap Vida. Segundo o Sindicato dos Jornalistas, mais de 90% dos jornalistas aderiram ao movimento.
No último domingo, a presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (TRT/AL), desembargadora Anne Inojosa, indeferiu liminar requerida pela TV Ponta Verde para manter em funcionamento as atividades na empresa durante a greve. 
Para colocar no ar o Bom Dia Brasil, a TV Gazeta, afiliada da Rede Globo reprisou matérias e teve que gravar o programa na noite de segunda-feira. 

Hastag

Os jornalistas criaram então a hastag #QuemPagaFazAoVivo, que já é um dos temas mais comentados nacionalmente no Twitter, juntamente com a hastag #ReduçãoSalarialNão.

Exatamente na data base do acordo salarial dos jornalistas as empresas se negaram a repor a inflação nos salários dos seus empregados e ainda decidiram reduzir em 40% o piso salarial da categoria, que em Alagoas significa teto salarial.

Jornalistas votam pela greve contra
a redução do piso da categoria. Foto: Jon Lins
Em assembleia realizada no início da noite de 24/6, os jornalistas definiram estratégias de mobilização que incluem piquetes em frente às sedes das emissoras de televisão na capital e no interior do estado. A assembleia contou com a presença da presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Maria José Braga, que chegou a Maceió para reforçar a luta dos jornalistas alagoanos. 
A paralisação acontece após uma série de tentativas do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal) para composição de um acordo com as empresas propositoras da redução.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

É permitido filmar uma ação policial?

O avanço da criminalidade urbana e o incremento das novas tecnologias tem provocado um novo fenômeno social que é a possibilidade, cada vez maior, de documentar em vídeo ações policias. Possibilidade que se apresenta não só aos profissionais de imprensa, repórteres=cinematográficos, mas também ao cidadão comum, que vem se transformando em testemunhas oculares do mundo do crime. Afinal,é permitido filmar uma ação policial? A resposta você acompanha no artigo do advogado criminalista,Felipe Rocha de Medeiros.
As mudanças que a tecnologia acarreta continuamente na sociedade são tão abruptas que, em alguns casos, geram conflitos e dúvidas nos diferentes estratos sociais. Vivemos em uma época na qual cada pessoa é o seu próprio veículo de comunicação. Um vídeo despretensioso pode se tornar viral e se espalhar pelo mundo em questão de segundos. Na mesma velocidade, a reputação de uma pessoa pode ser destruída para sempre. Por esse motivo, é uma época perigosa para quem filma e para quem é filmado.
Somado a isso, a população tem um acesso cada vez maior a informações e, consequentemente, se torna mais consciente de seus direitos. Se torna consciente ainda sobre o poder que detêm na palma de sua mão. Atualmente, a primeira resposta à uma violação de direitos, é filmar ou gravar para obtenção de provas. Esse é um comportamento cada vez mais comum e que apresenta uma eficácia probatória enorme. Se antes a confissão era considerada a rainha das provas, hoje com certeza é o vídeo.
As filmagens se tornam ainda mais instintivas quando estamos nos defrontando com uma violação de direitos perpetrada pelo Estado. Se os funcionários públicos possuem presunção de legitimidade e veracidade em seus relatos, quem vai acreditar em nossos relatos?
Por esse motivo, se espalharam pela internet inúmeros vídeos que demonstram policiais cometendo abusos de autoridade das mais diversas ordens. Em alguns desses vídeos, é possível observar que alguns impedem as filmagens sob o pretexto de que seu direito à imagem estaria sendo violado.
Outros simplesmente alegam que é necessária autorização. Para entender melhor ou apenas para ver um exemplo concreto, peço que o leitor interrompa um pouco a leitura e veja o vídeo que está no final do artigo (o vídeo é um exemplo prático muito rico e que tem potencial para várias discussões que não podem ser limitadas à um único artigo).
Mas afinal, o que é esse direito tão alegado pelos policiais do vídeo? O direito à imagem é previsto principalmente no art. X da Constituição Federal e art. 20 do Código Civil. Veja-se:
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
(..)
Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais.
Da leitura dos artigos, fica claro que existe a necessidade de um dano para que seja possível se falar em uma violação à imagem. E ainda, que haja também nexo causal entre a ação (filmar) e o dano. Se o policial estiver prejudicando a própria imagem, agredindo uma pessoa por exemplo, não há nexo causal. Situação completamente diversa seria filmar a ação do policial e o xingar enquanto filmar. Nesse caso, o dano foi causado por quem estava filmando.
Portanto, devem ser adotados alguns cuidados ao filmar uma ação policial:
1 – Não falar nada enquanto filma.
2 – Se possível, borrar o rosto do policial na edição do vídeo.
3 – Não cortar o vídeo para evitar que o conteúdo seja retirado de contexto (ou sofrer acusações de fazer isso).
Além desses cuidados, é preciso ter muita discrição, ninguém gosta de ser filmado e certas represálias ilegais estão se tornando comuns nesse tipo de situação (ameaças, conduções coercitivas, apreensão do celular/câmera e agressões). A liberdade de expressão é um direito fundamental, mas você não anda com um juiz sempre ao seu lado.
Deve ser ressaltado que o policial é um funcionário público! Logo, está sujeito à fiscalização da população. Caso esteja cometendo algum ato ilegal, deve ser filmado e o vídeo deve ser encaminhado à Corregedoria. Se tudo estiver conforme a lei, não existe dano à imagem.
Resumidamente, filmar uma ação policial é o exercício pleno do direito fundamental da liberdade de expressão e de fiscalização da atuação do poder público. Adotando-se alguns cuidados básicos, não há como falar em violação ao direito à imagem. Se o policial estiver agindo conforme a lei, é o maior interessado em ter uma prova de sua atuação exemplar.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Jornal Brasil Popular completa 3 anos de vida


O Jornal Brasil Popular completa três anos de existência, nesse período foram 66 edições, de em média 20 mil exemplares, as vezes mais. Tudo distribuído gratuitamente em todo o país, principalmente em concentrações populares, como a Rodoviária de Brasília.
O jornal é fruto da iniciativa colaborativa de jornalistas e de cidadãos, militantes progressistas, preocupados com o rumo do Brasil. Tanto no seu custeio, criação e circulação, todos participam. A redação principal fica na Capital Federal, mas ele é impresso em diferentes cidades do país.
Abaixo uma reflexão dessa experiência pelo editor executivo, Eduardo Ramos.


Por Eduardo Ramos
A decisão de montar um jornal, em tempos de crise política que o Brasil vem vivendo nos últimos anos, não é decisão fácil. Sobretudo por ser um jornal democrático, dirigido a defender as causas populares, os interesses nacionais e, principalmente, por ter nascido para alertar para um golpe de Estado que visava derrubar – como derrubou – a presidenta eleita, Dilma Roussef.
Mais do que isto, o Jornal Brasil Popular denunciava que o golpe de Michel Temer visava entregar o petróleo, desnacionalizar a economia e, fundamentalmente, prender Lula. Alertamos para a necessidade, estando no governo, de se organizar uma resistência para defender a democracia, com o uso corajoso dos meios de comunicação, de acordo com a lei que condena a conspiração ilegal, e, fundamentalmente, convocando o povo a sair às ruas e defender a presidenta eleita pelo voto.
O governo Dilma não organizou a resistência, não organizou meios de comunicação em defesa da legalidade democrática – como fizera Leonel Brizola, em 1961, derrotando o golpismo.  Ao contrário, minimizou o perigo, manteve o financiamento da mídia golpista, não investiu em uma comunicação democrática, não mobilizou o povo. Assim, a derrota foi inevitável.
Ao completar 3 anos de vida, o nosso Jornal Brasil Popular lamenta a falta de prioridade das forças progressistas em relação à comunicação, mas se compromete a seguir lutando para que esta dificuldade seja superada, bem como se compromete a fazer um jornalismo visando a defender o Brasil das garras do capital estrangeiro, pela recuperação dos direitos trabalhistas perdidos e a promover a união do povo brasileiro para reconstruir uma democracia plena, com justiça social.

________________________
Nota de Roda-pé.
O Jornal Brasil Popular aceita doações financeiras.
  • Banco do Brasil.
    Ag. 2901-7
    CC 41129-9

    ou
  • BRB
    Ag. 105
    CC 105-031566-6

CNPJ 23147573/0001-48


segunda-feira, 23 de abril de 2018

A história do JB, o jornal que amava a notícia, com Cézar Motta

Por FC Leite Filho

O Jornal do Brasil, JB para os íntimos, marcou época na imprensa brasileira, principalmente pela maneira que tratava a notícia. Longe do facciosismo e da intolerância que marcam os dias de hoje, a redação do JB procurava retratar a realidade a partir de um ponto de vista factual. E o fazia com extrema elegância e até um certo lirismo. 

Seus jornalistas e patrões, quaisquer que fossem as posições ideológicas e injunções empresariais de cada um, priorizavam os fatos, antes de mais nada. 

A poesia desses profissionais - jornalistas, escritores, artistas plásticos e outros sonhadores que sofreram com a censura política, a auto-censura, os desmandos e a megalomania dos patrões, ainda produziu outro efeito colateral: uma certa revolução na cultura e mesmo nos hábitos daquele Brasil que parece não voltar mais.


Leia também:

O dia em que o JB voltou a circular


Veja bem, não estamos falando de um jornal alternativo. Nada, o JB  pertencia à grande imprensa, ou mídia hegemônica, como dizemos hoje. Estava sujeito às pressões do poder e dos negócios, mas sempre fazia prevalecer o primado da notícia.

O jornalista Cézar Motta, 68 anos, ex-JB, ex-O Globo, ex-TV Globo, ex-Veja, é o nosso entrevistado do programa Café na Política. Ele conta como pôs a mão nesta história, que rendeu um livro de 564 páginas, recentemente editado pela Objetiva. Seu título: "Até a última página - Uma história do Jornal do Brasil". 

Minucioso e detentor de farto material, cedido pelos donos do jornal e testemunhos vivos de mais de uma centena repórteres e editores, políticos e administradores, ele nos relata, como era este grande jornal, por muitos considerado como um The New York Times ou um Le Monde brasileiro.


-- 

sexta-feira, 9 de março de 2018

O dia em que o JB voltou a circular

Por Romário Schettino 

Mal acabou o carnaval da Tuiuti, surge no Rio de Janeiro o “muso” do verão de 40 graus/2018: A volta do Jotabê. Hoje, domingo, 25 de fevereiro, os cariocas tiveram a felicidade de se reencontrar com o seu jornal mais querido: o velho/novo Jornal do Brasil impresso.

Quem que já nasceu com o smartphone nas mãos pode achar estranho tanta festa por um jornal impresso. E comemoração foi o que se viu neste domingo nas ruas do Rio. Diante dos montinhos de jornais colocados no asfalto liberado a pedestres, por toda a Orla de Ipanema, muita gente se surpreendia: "O Jornal do Brasil voltou!" E levava seu exemplar para folhear na praia, como nos velhos tempos.

E o “muso” veio cheio de novidades, prometendo a tão esperada diversidade de opiniões, as versões dos fatos como eles são, tudo escrito por um time de jornalistas da pesada: Hildegard Angel, Jan Theophilo, Otávio Costa, Romildocomemoração  Guerrante, Gilberto Menezes Côrtes, Marcelo Auler. Muitos já de cabeça branca, mas com o espírito em pleno século XXI. Hildegard diz que se sente uma Benjamin Button. 

Ziraldo, o caratinguense à esquerda, fala em defesa de espaços para a juventude. O JB pode ser de novo a porta de entrada inteligente para a invenção jornalística, tão perdida na grande imprensa de nossos dias.

Os artigos de estreia, todos de saudação à volta do jornal, são assinados por gente de esquerda e de direita, além de detentores de cargos públicos. Tem Lula, Benedita da Silva, Lindbergh Farias, Sarney, Rodrigo Maia, Crivela, Temer, Marco Aurélio e muitos outros. O artigo de Lula diz que a "democracia precisa de muitas vozes" e torce para que o JB volte a ser referência de jornalismo que um dia foi "e que a democracia brasileira tanto necessita". A edição é uma retrospectiva histórica relevante para o momento, e foi redigida por personagens contemporâneos dessa trajetória.

A coluna da Tereza Cruvinel como sempre, certeira. Profissional qualificada, é dela a frase de estreia que destaco: “O Brasil da polarização raivosa precisa reaprender o convívio na divergência e libertar-se das bolhas de pensamento único”.

Acho que não será apenas mais um jornal na banca pra gente escolher. O conteúdo deve ser a diferença. O editorial de primeira página afirma: “Estamos de volta sem qualquer vínculo ou comprometimento com setores da economia, o que dará ao leitor a certeza de que praticamos um jornalismo profissional e isento”. Esse é o grande desafio, pois na economia neoliberal a independência tem um preço elevado. Mesmo assim, numa espécie de carta ao povo brasileiro, o JB, na palavra de seu presidente Omar Resende Peres, promete: "Defenderemos a livre economia".

Todos nós vivemos e aprendemos com o JB. A novidade editorial se esgotou nas bancas antes do meio-dia. Nas calçadas de Ipanema a surpresa empolgou quem não sabia do lançamento. Muita gente queria saber: “Como faço para fazer uma assinatura?”

Embora, seja um jornal de âmbito nacional, o JB é essencialmente carioca. O ritual de comprar jornal no jornaleiro faz parte da rotina de qualquer um até pela facilidade urbanística do Rio, que tem uma banca em cada esquina.


Já o brasiliense, informado pelas redes sociais, ficou esperando o jornal chegar. Disseram que o Jornal do Brasil será impresso na gráfica do Jornal de Brasília e estará nas bancas a partir desta segunda-feira (26/2). Que seja bem-vindo lá também!

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Semanário Brasília Capital sofre ataque de hackers

O portal do semanário Brasília Capital foi alvo de ataques de hackers no dia 9 de janeiro e só conseguiu voltar à normalidade dezesseis dias depois. No ar desde março de 2010, aumenta a audiência a cada mês. Em junho de 2016 foi modernizada a plataforma e passou-se a contar com  conteúdos exclusivamente para o veículo virtual, fortalecendo o trabalho em redes sociais. 
Em setembro de 2017 toda a equipe de redação foi treinada para que os textos, legendas e imagens ficassem melhor posicionados organicamente nos sites de buscas, como o Google. Isto aumentou consideravelmente o número de visitas e fez crescer o olho dos invejosos.
As reportagens ficaram cada vez mais “quentes”, exclusivas e, certamente, dolorosas para alguns. Esta agressividade editorial é vista pelos responsáveis da publicação como a potencial razão para que o semanário seja alvo de hackers. 


Leia também:



Retrospectiva

No dia 5 de fevereiro de 2018 foi dado um alerta do Jetpack (software utilizado para monitorar o site) de que o portal havia caído (saído do ar) por sobrecarga. Desconfiando de um ataque DDos, foi instalado imediatamente no servidor um software de segurança, e o site voltou a funcionar normalmente.
No dia 9, outro alerta de integridade, desta vez, envolvendo a entrevista com o Professor João Carlos Teatini, sobre queda do viaduto do Eixão Sul. O texto foi alterado externamente. Nova varredura com antivírus e alguns testes de funcionamento: nada foi encontrado.
No dia 10 de fevereiro (sábado de Carnaval) a equipe foi alertada novamente de que o site estava com Erros 403. Isso acontece quando um software instalado bloqueia um usuário por segurança. Reiniciamos o servidor e nada voltou ao normal porque alguns arquivos estavam corrompidos (destruídos). Na tentativa de resgatar os arquivos, foi feita a restauração do site para o dia anterior, o que chamamos de Snapshot Restore. Sem sucesso.
Depois de mais de um dia fora do ar e o servidor ainda com problemas, tomou-se a decisão de mudar de servidor e restaurar o backup que tínhamos localmente para evitar que o site ficasse por mais tempo offline. Por este motivo o site ficou com o layout e notícias de anos atrás. Como o banco de dados é muito grande, demorou alguns dias até a página inicial voltar ao normal.

Somente no dia 21 de fevereiro, dezesseis dias após o primeiro ataque, tudo voltou ao normal e 90% dos dados publicados durante todos esses anos estão intactos.

domingo, 14 de janeiro de 2018

O que o brasileiro pensa sobre o viés partidário da imprensa

No Brasil, 48% acham que os órgãos de imprensa não reportam diferentes posições sobre as questões políticas do debate público.


Publicado originalmente em  El Pais



O brasileiro quer uma mídia imparcial, mas quando comparado aos cidadãos de outras nacionalidades, é um dos povos com maior tolerância ao viés partidário da imprensa, segundo pesquisa realizada pelo Pew Research Center. Apesar das diferenças nos meios de comunicação e estruturas políticas, três quartos dos entrevistados em 38 países concordam que nunca é aceitável para uma organização de notícias favorecer um partido político em detrimento de outro.

O Brasil ficou abaixo da média mundial: 60% dos participantes rejeitam o partidarismo da imprensa, um resultado que só é maior do que o registrado no Vietnã (57%), Filipinas (52%), Israel (47%) e Índia(25%).

Mesmo entre os brasileiros com maior nível de escolaridade (ensino médio ou mais), a porcentagem dos que não aceitam o partidarismo (72%) é mais baixa do que a média global (75%). E essa tolerância fica maior entre os entrevistados com menos estudo: 50% rejeitam o viés partidário.

A maior rejeição ao viés partidário da mídia foi identificada nos países europeus pesquisados. Espanha (89%), Grécia (88%), Polônia (84%) e Suécia (81%) são os países que apresentam uma oposição mais forte. Apesar de uma rejeição ainda alta, os europeus que censuram menos o partidarismo são os italianos (74%) e os franceses (76%).

Há uma tendência mundial em achar que a imprensa não cobre de maneira equilibrada os temas políticos. Na América Latina, esse aspecto é acentuado: na média, 54% acham que os órgãos de imprensa não reportam diferentes posições sobre as questões políticas do debate público. Na Argentina, 55% acham que a imprensa falha neste ponto. No Brasil, o índice atinge 48%.

Os dados são resultado de uma pesquisa com quase 42.000 pessoas realizada entre fevereiro e maio de 2017 e publicada nesta quinta-feira. No consenso global contra o viés da mídia, há exceções em países como Índia, Israel e Filipinas, onde quatro em cada 10 entrevistados consideram aceitável que um meio de comunicação, às vezes, favoreça um partido político. 27% dos brasileiros também aceitam o partidarismo "as vezes", um percentual superior ao da média mundial de 20%.

O trabalho diário da mídia, para leitores e espectadores, também foi abordado pela pesquisa. O estudo identificou uma satisfação geral em relação ao desempenho da mídia impressa, rádio e televisão –, 73% dos entrevistados consideram que a mídia faz um trabalho bom na cobertura de grandes acontecimentos. Mas o grau de satisfação muda em diferentes regiões pesquisadas, sendo os latinos são os mais críticos em relação à qualidade da cobertura de grandes eventos da imprensa.

Para uma parte dos chilenos (43%), argentinos (41%) e colombianos (41%), a mídia não faz uma cobertura adequada. Há apenas dois países em que a maioria dos entrevistados disse que a mídia não faz um bom trabalho no quesito acontecimentos: Grécia (57%) e Coreia do Sul (55%). No Brasil, 28% dos entrevistados afirmam que a imprensa não faz uma boa cobertura; 66% afirmam que a imprensa tem uma cobertura boa ou muito boa.

Embora sejam moderadas na maioria dos casos, as maiores críticas estão em relação a membros dos governos. Os gregos e os sul-coreanos são os mais críticos: 72% consideram que seus meios de comunicação não informam bem sobre o desempenho do Executivo e seus membros. A avaliação dos holandeses (82%), indonésios (85%) e tanzanianos (89%) nesse aspecto é mais positiva: a grande maioria considera que a imprensa faz seu trabalho “bem” ou "muito bem".

Entre os brasileiros, 37% criticam o trabalho de supervisão do Governo, enquanto 57% elogiam.

O estudo também avaliou o tipo de informação que é mais seguida. Mais de duas em cada três pessoas entrevistadas seguem notícias locais ou nacionais, uma proporção menor quando se trata de informações internacionais (com uma média de 57% em todo o mundo). O interesse informativo dos habitantes de outros países em relação aos Estados Unidos, a grande potência mundial, é ainda mais baixo: apenas 48% na média global.


A América Latina é a região com menor interesse nos EUA 32%, contra 53% da Ásia, 52% da África e 51% da Europa.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Pesquisa avalia credibilidade popular da imprensa

Coletiva no Senado; Foto de Chico Sant'Anna
Segundo a pesquisa, 60% dos brasileiros acreditam nas notícias que leem ou ouvem.


Publicado originalmente em O Estado de S.Paulo, em 10 de Julho de 2017

Levantamento realizado pelo Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, vinculado à universidade inglesa de Oxford, revela que os cidadãos continuam confiando nos meios de comunicação para se manterem informados. 
Intitulada Relatório de Jornalismo Digital 2017, a pesquisa também mostra que o Brasil é um dos países em que essa confiança é mais acentuada. 
Segundo ela, 60% dos brasileiros entrevistados afirmaram que acreditam nas notícias que leem ou ouvem e que reconhecem a responsabilidade das empresas na filtragem das informações que veiculam.

Ao todo, foram entrevistadas mais de 70 mil pessoas, num total de 36 países. A média de confiança nos meios de comunicação entre os países pesquisados foi de 43%. O país em que o nível de confiança é mais alto é a Finlândia, com 62%, seguido pelo Brasil. Os índices de confiança também são expressivos em Portugal, Polônia e Holanda. Nos Estados Unidos, o índice é de 38%. Entre os países em desenvolvimento, a Coreia do Sul é o que registra um dos índices mais baixos, de 23%.

A tendência é de crescimento dos níveis de confiança. Levantamento realizado no ano passado com mais de 33 mil pessoas de 28 países, pela consultoria americana de relações públicas Edelman, mostrou que a confiança cresceu globalmente de 45%, em 2015, para 47%, em 2016. Esse foi o índice mais alto desde a eclosão da crise financeira de 2007-2008, quando 380 bancos de pequeno e médio portes quebraram e grandes instituições, como o Lehman Brothers, faliram. No Brasil, o índice pulou de 51% para 54%, entre 2015 e 2016.

Alertando para os efeitos das novas tecnologias sobre a qualidade da informação, a pesquisa mostra que 40% dos entrevistados consideram que as empresas de comunicação estão no caminho certo, criando blogs especializados para investigar a veracidade das notícias publicadas na internet. Revela, igualmente, o impacto negativo da proliferação de mensagens caluniosas e de notícias falsas - as chamadas fake news - nas redes sociais. Segundo a pesquisa, os aplicativos que têm ganhado mais espaço são os que permitem comunicação mais privada, como o WhatsApp. Já os aplicativos que utilizam algoritmos para definir quais informações terão maior visibilidade, como o Facebook, têm perdido espaço.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Semanário Brasília Capital chega a 300ª edição

     
Em meio a crise que alcança a imprensa em todo o Brasil, Em Brasília, na semana de 25 de fevereiro a 3 de março, em pleno Carnaval, circulou a edição de número 300 do jornal Brasília Capital. O feito marca sete anos de circulação desse semanário de distribuição gratuita e também disponível na internet.

O primeiro número do tablóide foi às ruas no início de abril de 2010. A proposta inicial era fazer uma cobertura das cidades de Taguatinga, Águas Claras, Vicente Pires e Riacho Fundo.
Com o passar do tempo, e influenciado pelas experiências profissionais do editor Orlando Pontes, o periódico ganhou força e vem se firmando como um dos mais influentes semanários na cobertura da política do Distrito Federal, preenchendo inclusive uma lacuna temática deixada pela chamada grande imprensa.

A equipe conta com cinco jornalistas, duas estagiárias e três funcionários na parte burocrática. E conta com diversos colaboradores, que atuam como colunistas. O plantel além de fazer o semanário tem a missão de acompanhar o noticiário local, atualizando diariamente o portal e focada na produção semanal da versão impressa, que além das cidades anteriormente citadas passou a ser distribuída também no Plano Piloto, Lagos Sul e Norte, Sudoeste, Noroeste, Octogonal e cidades do Entorno e de Minas Gerais.

“É um grande desafio editar e manter uma publicação de linha independente. Mas, graças a uma gama de colaboradores e à confiança de nossos leitores e anunciantes, temos conseguido sobreviver num mercado cada vez mais concorrido”, diz o jornalista Orlando Pontes. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O papel da imprensa alternativa na realidade nacional. Entrevista a Raimundo Pereira

Por  FC Leite Filho, publicado originalmente no Café na Política

O Café na Política foi ouvir Raimundo Pereira, um dos ícones da imprensa alternativa, então chamada imprensa nanica. Este movimento, surgido em plena ditadura, produziu fenômenos editoriais como o Pasquim (que chegou a 220 mil exemplares), a Opinião. o Movimento, Binômio, Versus, Coorjornal, que faziam franca concorrência aos jornalões.
Eram tempos difíceis, porque, na época, não existia sequer o fax, para não falar da força descomunal da internet.
Os jornais tinham de ser distribuídos – vendidos e mantidos financeiramente, na imensidão de nosso território. Funcionava na base da articulação de uma militância – mais jornalística que política -, que chegava a reunir, como no caso do jornal Movimento, 285 pessoas, entre jornalistas, administradores e representantes, espalhados pelos diversos Estados da Federação.

Veja também a vídeo entrevista com Kiko Nogueira do Diário do Centro do Mundo

Nesta entrevista a FC Leite Filho, Raimundo Pereira, hoje aos 76 anos e revelando muito vigor e entusiasmo, conta a história desse movimento e de seu novo projeto de reunir uma nova equipe de 40 jornalistas, intelectuais e militantes para fazer uma nova experiência do tipo, agora tendo a internet como instrumento principal. Raimundo acredita na força atual dos blogs, sites e redes sociais que estão enfrentando o golpe, inclusive com manifestações de rua, as quais já começam a assustar o novo regime neoliberal. Ele pondera, contudo, que é preciso dar um rumo a esse movimento mais ou menos disperso.

Confira no vídeo a entrevista de Raimundo Pereira  Café na Política

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Segundo mais antigo do Brasil, Jornal do Commercio encerra atividades após quase 200 anos

Fundado pelo francês Pierre Plancher em 1827, veículo foi comprado pelo Grupo Diários Associados em 1959. A publicação é a mais antiga do Rio e a segunda mais antiga do Brasil.

Da  Agência Brasil

Jornal do Commercio e o Diário Mercantil, do Grupo Diários Associados, encerraram, dia 29/4, suas atividades. Fundado pelo francês Pierre Plancher em 1º de outubro de 1827, o Jornal do Commercio foi comprado pelo Grupo Diários Associados, de Assis Chateaubriand, em 1959. A publicação é a mais antiga do Rio e a segunda mais antiga do Brasil, depois do Diário de Pernambuco.
Na capa da edição de 29/4, o jornal ressalta que é o veículo de comunicação há mais tempo em circulação ininterrupta no país. “Nesses quase dois séculos foi testemunho de todos os episódios que marcaram a história”, diz o comunicado aos leitores. 
O texto também lembra que o veículo sobreviveu às mais “severas e dolorosas” crises políticas da sociedade brasileira, mas que não teve êxito em superar a atual crise financeira, que classificou como a “mais dramática e mortífera já vivenciada pelo país”.
“Não foi possível suportar a tempestade dentro da qual o Brasil, ferido, se debate, e que deu seus primeiros sinais em 2014”, diz o comunicado, que também homenageia funcionários, leitores, anunciantes e fornecedores. A edição online do Jornal do Commercio também foi extinta.
Jornal do Commercio surgiu com foco na economia, com base nas publicações Preços CorrentesNotícias Marítimas e Movimento de Importação e Exportação, editadas por Plancher desde sua chegada ao Rio.
Várias personalidades colaboraram para o jornal ao longo de quase 200 anos, entre elas, Dom Pedro II, Rui Barbosa, José Veríssimo, Visconde de Taunay, Alcindo Guanabara, Barão do Rio Branco e Félix Pacheco. No fim de 2015, o Grupo Diários Associados fechou a Rádio Nativa FM. A Rádio Tupi é o único veículo do conglomerado no Rio de Janeiro que continua funcionando.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Imprensa do Brasil incita a queda do governo, diz Repórter sem Fronteiras

A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) constata a permanência de conflitos de interesse na mídia brasileira e segue preocupada com os atos de violência perpetrados contra os jornalistas no país


O Brasil se encontra agora na 104a posição no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa estabelecido pela Repórteres sem Fronteiras, publicado no dia 20 de abril de 2016. Essa posição, entre os 180 países que aparecem no ranking, não está à altura de um país que deveria ser uma referência regional. É o quinto ano consecutivo de queda do Brasil na classificação da RSF. Em 2010, o país se encontrava na 58a posição.

Quais são os motivos por detrás desse tombo? O aumento de casos de violência contra os jornalistas e a ausência de vontade política para desenvolver mecanismos de proteção mais eficientes para os comunicadores estão entre as principais razões. Não se trata de uma queda relativa à situação dos outros países presentes no ranking, mas sim uma piora em absoluto. 

Seu índice de desempenho passou de 25,78 em 2014 a 31,93 em 2015, o que corresponde à uma importante degradação. Ainda assim, o gigante da América Latina continua na frente de países como o Equador (109a), a Guatemala (121a) e ainda bem acima da Colômbia (134a), da Venezuela (139a), do México (149a) e de Cuba (174a).

Liberdade de Imprensa

No Brasil, os principais obstáculos à liberdade de imprensa, assim como o clima de desconfiança em relação aos jornalistas, se aprofundaram ainda mais com a recessão econômica e a instabilidade política que atravessa o país.

O cenário midiático continua caracterizado pela grande concentração da propriedade dos meios de comunicação, nas mãos de algumas poucas grandes famílias e industriais, que em muitos casos têm relações estreitas com políticos ou ainda que detém eles mesmos, direta ou indiretamente, cargos eletivos, como governadores e parlamentares.

Assim, o fenômeno do “coronelismo eletrônico”, descrito pela RSF no seu relatório “O país dos 30 Berslusconis” (2013), segue como uma realidade premente no cenário brasileiro.

Como consequência, existe uma forte dependência dos meios de comunicação em geral em relação aos centros de poder.

A cobertura midiática da crise política, em particular a partir do início do ano, evidencia essa situação. Os principais meios de comunicação nacionais agem de forma a incitar suas audiências a precipitarem a saída da Presidenta Dilma Rousseff do poder. 

É difícil para os jornalistas de grandes conglomerados de comunicação trabalharem de forma serena, sem sofrer influências de interesses privados e partidários. Esses conflitos de interesse permanentes são evidentemente prejudiciais à qualidade da informação difundida.

A ausência de mecanismos nacionais de proteção aos jornalistas ameaçados e o clima de impunidade, alimentado por uma corrupção onipresente, também ajuda a explicar a queda do país no ranking da RSF. 

O Brasil é o terceiro país mais mortífero das Américas para os jornalistas, atrás apenas do México e de Honduras. Em 2015, sete jornalistas foram assassinados no país. Todos eles investigavam temas sensíveis, como a corrupção local ou o crime organizado. 

O grau de violência em algumas regiões, em particular as mais distantes dos grandes centros urbanos, torna a cobertura desses assuntos ainda mais perigosa. A impunidade que prevalece na maioria desses casos favoriza a multiplicação desses crimes.

Finalmente, as ações violentas perpetradas por agentes da polícia militar contra jornalistas durante manifestações também persistem. Os jornalistas locais, assim como os correspondentes internacionais que cobrem essas manifestações são frequentemente insultados, ameaçados e detidos arbitrariamente, quando não se tornam alvos dos próprios manifestantes que os associam aos proprietários dos meios de comunicação para os quais trabalham.

Publicado desde 2002 pela Repórteres sem Fronteiras, o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa mede o grau de liberdade dos jornalistas em 180 países a partir de uma série de indicadores (pluralismo, independência dos meios de comunicação, ambiente e autocensura, quadro legislativo, transparência, infraestrutura e violência).


Entenda a metodologia e encontre o Ranking da Liberdade de Imprensa de 2016 no site RSF.org.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

[Veja o vídeo] Cidadania debate passado, presente e futuro da imprensa brasileira

Os jornalistas Chico Sant'Anna e Belisa Ribeiro
debatem o passado, presente e futuro
da imprensa no Brasil
7 de abril é o Dia do Jornalista.
Pra comemorar a data, trago aqui a íntegra do programa Cidadania da TV Senado que recebeu a jornalista Belisa Ribeiro. Ela acaba de lançar seu novo livro, Jornal do Brasil, História e Memória, sobre o veículo que completa 125 anos.

Leia também:

  • Livro narra o fim do Jornal do Brasil e analisa o futuro da mídia impressa


O programa navega sobre o passado da imprensa brasileira e os novos rumos da mídia impressa, em tempos de redes sociais.
A entrevista trata ainda da postura editorial da mídia nos dias atuais face à conjuntura política nacional.
Para Belisa, ainda vai demorar para o jornal impresso morrer, desaparecer. Na opinião dela, o jornal é sinônimo de credibilidade.

Confira abaixo o Cidadania , O Futuro da Mídia Impressa. 


sexta-feira, 1 de abril de 2016

Livro narra o fim do Jornal do Brasil e analisa o futuro da mídia impressa

Em Brasilia, o livro, será lançado por Belisa Ribeiro  no dia 06/04, no Restaurante Carpe Diem.


O ano de 2015 foi especialmente doloroso para os jornalistas brasileiros: houve registros de mais de 1400 demissões no país, em veículos impressos, online, de TV e rádio.  Neste cenário de mudanças nos meios de produção, de fechamento de veículos, de predomínio do digital, uma coisa parece certa: o jornalismo, como função social e profissão, não pode e não deve acabar. É essa a impressão que “Jornal do Brasil – Memória e história”, de Belisa Ribeiro, deixa ao leitor.
               
O livro registra depoimentos de alguns dos mais importantes jornalistas brasileiros que, em épocas diferentes, marcaram a trajetória do jornal e contribuíram para torná-lo um dos maiores de seu tempo. O JB, que em março completa 125 anos e foi criado para defender a monarquia, passou pela fase popular de jornal de classificados e pelas reformas editoriais que modernizaram a imprensa, foi trincheira muitas vezes para o combate à censura, para a denúncia de corrupção e maus feitos com o dinheiro público, má administração e outras mazelas da República. Foi também veículo de vanguarda, ditando moda, descobrindo tendências e revelando culturas.

Em suas 400 páginas, a jornalista Belisa Ribeiro conta histórias de edições corajosas, como a que noticiou a morte do presidente chileno Salvador Allende na primeira página inteira do jornal (sem manchete, como mandara a censura); de grandes reportagens, como a que revelou a reunião, no interior do Rio, de um grupo nazista, ou a que desvendou a farsa militar da bomba no Riocentro; e um pouco da trajetória de alguns de seus jornalistas.

A ideia para escrever o livro surgiu de um dos encontros dos jotabeninos, como se chamam os profissionais que lá trabalharam. Durante um ano e meio, Belisa manteve no ar um site para recolher depoimentos:
“Ouvindo os colegas relembrarem seus “feitos”, os casos do passado, as reportagens históricas, decidi escrever não somente sobre a história do Jornal do Brasil, mas sobre as memórias de quem tornou o veículo inesquecível. E contar também quem são ou quem foram essas pessoas.”

O livro, que teve patrocínio da Petrobras, chega às livrarias, pela editora Record, será lançado por Belisa Ribeiro em Brasilia, no dia 06/04, no Restaurante Carpe Diem.


A Orelha do livro é assinada por Alberto Dines

Um jornal não muda o mundo, diz Belisa Ribeiro no seu prólogo. Está certa. Mas ao longo deste verdadeiro filme Belisa sutilmente comprova o contrário: aqueles doidos e doidas envolvidos na preparação do jornal do dia seguinte são possuídos pela mesma obsessão – fazer daquela edição algo único, especial, capaz de transformar o leitor, movimentar sua vida, alterar o seu olhar, enfiá-lo na história.
A “última profissão romântica” foi assim definida por conta da penosa dualidade que sujeita as emoções do relato à frieza da razão. No caso do jornalismo, a contradição se manifesta entre a imutável, implacável rotina diária e a sensação de transcendência que vai se filtrando, infiltrando à medida que as circunstâncias captadas tornam-se palavras, relatos, imagens, percepções.
As edições marcantes deste livro poderiam ser outras – jornadas grandiosas ou deprimentes.
Os protagonistas poderiam ser diferentes, também as plataformas e páginas onde ficariam hospedadas. De qualquer forma, persistiria a cruel ilógica deste romantismo que tenta fazer do cotidiano algo trepidante, nobre, memorável, ajustando-o ao dever de torná-lo apenas justo e verdadeiro.
Alberto Dines



Lista de depoimentos colhidos pela autora

Affonso Romano de Sant’Anna, jornalista e escritor, Rio de Janeiro
Aguinaldo Ramos, fotógrafo, Rio de Janeiro
Alberto Dines, jornalista, Rio de Janeiro
Alberto Jacob, fotógrafo, Rio de Janeiro
Armando Strozenberg, jornalista, Rio de Janeiro
Carlos Lemos, jornalista, Rio de Janeiro
Chico Caruso, chargista, Rio de Janeiro
Cristina Lemos, jornalista, Marselha, França
Edilson Martins, jornalista, Rio de Janeiro
Elio Gaspari, jornalista, São Paulo
Emília Silveira, jornalista, Rio de Janeiro
Esdras Pereira, fotógrafo, Campos, Rio de Janeiro
Evandro Teixeira, fotógrafo, Rio de Janeiro
Fernanda Pedrosa, jornalista, Rio de Janeiro
Iesa Rodrigues, jornalista, Rio de Janeiro
Ique, chargista, Rio de Janeiro
Jamari França, jornalista e crítico musical, Rio de Janeiro
Janio de Freitas, jornalista, Rio de Janeiro
Jorge Antônio Barros, jornalista, Rio de Janeiro
José Carlos Avellar, diagramador e crítico de cinema, Rio de Janeiro
José Carlos de Assis, jornalista e professor de economia, Rio de Janeiro
José Silveira, jornalista, Rio de Janeiro
Luiz Morier, fotógrafo, Rio de Janeiro
Luiz Orlando Carneiro, jornalista, Brasília
Malu Fernandes, jornalista, Rio de Janeiro
Marina Colasanti, jornalista e escritora, Rio de Janeiro
Norma Couri, jornalista, São Paulo
Paulo Henrique Amorim, jornalista, São Paulo
Ricardo Boechat, jornalista, São Paulo
Roberto Quintaes, jornalista, Rio de Janeiro
Tânia Malheiros, jornalista, Rio de Janeiro
Tarcísio Baltar, jornalista, Rio de Janeiro
Virgínia Cavalcanti, jornalista, Rio de Janeiro
Walter Fontoura, jornalista, São Paulo
Wilson Figueiredo, jornalista, Rio de Janeiro



“No cursinho do JB, com o Mauro Santayana, ele falou: “Vocês estão pensando que vão fazer jornalismo e vão dar a metade da vida de vocês? Não, vocês vão dar muito mais da metade das suas vidas, se não derem a vida inteira.” Nunca esqueci disso e ele tinha razão. Porque jornalismo é uma coisa que toma conta de você. Sempre que algum pai, alguma mãe me pede: “Tira essa coisa da cabeça da menina, a gente está falando para ela fazer administração de empresas, em que ela vai ter trabalho, vai ganhar dinheiro”, eu respondo para a filha: “Vai ser jornalista, por favor, vai, é a melhor coisa que você pode fazer.” Eles procuram a pessoa errada, porque eu acho que jornalismo é uma profissão maravilhosa.” 
(Norma Couri)

“O Jornal do Brasil me deu uma ideia de como o jornalismo é muito mais do que fazer jornal. O jornalismo é uma maneira de você viver e você conceber o todo. É uma maneira tolerante, é uma maneira ampla, é uma maneira democrática de ver o mundo.” (Wilson Figueiredo)

“O jornal me fez jornalista. Eu me fiz escritora no jornal, aprendi a escrever no jornal, para o jornal. Mudou a minha vida. Além de me dar um marido. Era muito emocionante, porque nós nos sentíamos farejando o tempo inteiro, como uma raposa, como um animal farejando. A colheita era muito viva, muito intensa. Não era um trabalho de funcionário público, não era uma marcação de ponto, era uma entrega vital. Foi muito bom.” 
(Marina Colasanti)

“Era muita gente de alto quilate. Houve um momento em que essas pessoas, esses corações e mentes se juntaram e fizeram do Jornal do Brasil o jornal de referência nacional e internacional. Nós passamos a ser o The New York Times do Brasil. O jornal se consolidou com pessoas criativas que se uniram. E foi isso que fez um grande jornal. As pessoas. Corpo e alma. É muito difícil explicar. Muito mal comparando... Como é que surgiu o universo? É muito fácil dizer que foi o Big Bang. Mas quem é que apertou aquele negócio para dar o Big Bang?”
(Luiz Orlando Carneiro)

“O Jornal do Brasil era um dos jornais mais importantes do mundo. Era o símbolo do jornalismo moderno no Brasil. E nós tínhamos 45 fotógrafos, era um negócio de louco. Eu acho que viajei o mundo inteiro fazendo Copa do Mundo, Jogos Olímpicos, moda em Paris. Mas tinha porrada, também. Ditadura, passeata. Emoção. Esse romantismo, esse jornalismo sério, o jornalismo investigativo, nada disso existe mais. O que é uma pena, mas o mundo não acabou. Estamos vivendo outras épocas e vamos tocar o barco para a frente. A fotografia para mim sempre valeu a pena e vale a pena. O jornal acabou para mim, morreu. Mas eu estou vivo, estou fotografando.” 
(Evandro Teixeira)


Sobre Belisa Ribeiro

Belisa Ribeiro começou sua carreira como estagiária no Jornal do Brasil, na década de 70 e voltou ao jornal 30 anos mais tarde como editora de Cidade. Testemunhou o fechamento da sede da Av. Brasil e mudou-se para Brasília, onde chefiou a sucursal e foi titular da coluna Informe JB, no início dos anos 2000.
Na imprensa escrita, trabalhou em O Globo, Gazeta Mercantil e revista Época, sempre como repórter. Na TV, foi a primeira mulher a ser comentarista econômica, na TV Globo, onde se tornou também pioneira na apresentação de telejornais, integrando a primeira bancada de âncoras jornalistas, no Jornal da Globo, em 1981.
Escreveu o livro Bomba no Riocentro, esgotado em suas duas edições, a primeira no ano do atentado, 1981 e a segunda, na ocasião da primeira reabertura do inquérito, em 1999.

Filha de mãe professora de português e pai desportista e sambista, adora escrever, caminhar cercada pela natureza e ouvir música. É mãe coruja de dois cantores e compositores, Gabriel o Pensador e Tiago Mocotó, que lhe deram quatro netos. Os únicos com quem admite dividir o computador.