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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Crise: Portugal reduz verba da agência de notícias Lusa

Do Portugal Digital

O governo português decidiu rever o contrato que liga o Estado à agência noticiosa Lusa e que tecnicamente cessa a 31 de dezembro. A decisão foi comunicada pelo ministro Miguel Relvas. Atualmente, a Lusa recebe do Estado português um financiamento no valor de 12 milhões de euros líquidos. De acordo com a edição desta segunda-feira (9) do jornal "i", o presidente do Conselho de Administração da Lusa, Afonso Camões, confirmou a denúncia do contrato pelo governo. "Confirmo que o governo denunciou o contrato. Recebemos a carta na semana passada", disse Camões.
Segundo o jornal português, o governo quer mais cortes no financiamento estatal à agência de notícias. "Os números que circulam apontam para um corte de 15%, o equivalente a 2 milhões de euros – na prática, um valor que significa a perda de cerca de 75 salários médios por ano. Uma vez que 90% das despesas da agência são com o pessoal, o risco de um novo contrato com cortes drásticos nesta área é enorme", diz o "i".
O maior acionista da Lusa é o Estado, com 50,14%. Os maiores acionistas privados são a Controlinveste, proprietária do Diário de Notícias, Jornal de Notícias e TSF com 23,36%. A seguir, vem a Impresa, dona do semanário Expresso e da estação de televisão SIC, com 22,35%. Os acionistas minoritários são a NP-Notícias de Portugal com 2,72%, o jornal diário Público com 1,38%, a estação de televisão estatal RTP com 0,03%, o jornal Primeiro de Janeiro com 0,01% e a Empresa do Diário do Minho com 0,01%.
Depois de ter aberto uma empresa sucursal no Brasil, nos anos 90, a agência portuguesa abandonou o projeto, após uma série de erros comerciais e editoriais, entre eles a imposição de critérios desajustados à realidade brasileira e a submissão a objetivos particulares.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Agência Lusa encerra serviço no Brasil

Do portal Portugal Digital
A agência de notícias portuguesa Lusa encerrou o seu serviço no Brasil. O site do serviço brasileiro da agência estatal mantinha-se até esta quarta-feira (6) na Web com notícias do dia 31 de dezembro de 2009, sem qualquer explicação aos internautas.
Os conteúdos da Lusa no Brasil eram tratados pela empresa Primapagina, de São Paulo. De acordo com fonte da empresa, responsável pelo site, a Lusa decidiu não renovar o contrato, sem qualquer explicação. "Deve ter sido uma decisão estratégica", disse fonte da Primapagina contatada pelo Portugal Digital.
Segundo informação obtida pelo Portugal Digital, os parceiros da Lusa no Brasil, a estatal Agência Brasil e o portal UOL, participado da Portugal Telecom, não foram informados da decisão. A agência mantém no Brasil dois jornalistas brasileiros, como correspondentes em São Paulo e Brasíla.
O encerramento do serviço brasileiro acontece quase em simultâneo com declarações do ministro português dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, que, em recente entrevista ao jornal "Público", de Lisboa, defendeu a necessidade de Portugal "valorizar cada vez mais a relação com o Brasil" (ver notícia do Portugal Digital de 3 de janeiro 2010).
"Temos de valorizar cada vez mais, no eixo do Atlântico Sul, a relação com o Brasil e a relação com Angola. O futuro passa por valorizar muito o eixo Lisboa-Brasil, o eixo Lisboa-Washington e o eixo Lisboa-Luanda", afirmou o ministro na referida entrevista ao "Público".
O serviço brasileiro da Lusa foi inaugurado há dez anos com a abertura de uma Delegação em Brasília, chefiada por um jornalista português e integrada por uma equipe de jornalistas brasileiros, com o objetivo de desenvolver a circulação de informação entre os dois países e, simultaneamente, procurar viabilizar financeiramente a agência.
Dificuldades da administração da empresa e da sua diretoria de Informação, nomeadamente na definição de uma estratégia informativa adequada às realidades brasileiras, a par de interesses políticos, comerciais e pessoais, alheios ao projeto inicial, levaram ao encerramento da empresa na capital federal e à sua transferência para São Paulo.
Posteriormente, por iniciativa diplomática, foram feitas algumas tentativas para dar maior expressão ao serviço da Lusa no Brasil, que conduziram à sua terceirização, com entrega da gestão do site à empresa Primapagina, ao estabelecimento de um acordo de parceria com o provedor UOL e à revitalização de um acordo de cooperação, que já havia sido assinado por duas vezes, em anos anteriores, durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso, com a agência estatal Brasil.
A entrega, há quatro anos, da gestão do site brasileiro da Lusa - que veiculava publicidade e significativo número de matérias noticiosas relativas a instituições do governo chinês - foi acompanhada pela “migração" para a Primapagina do site Macauhub, ligado ao governo da região administrativa chinesa de Macau e dirigido, na altura, por um jornalista da Lusa.
Até ao momento, a Lusa não divulgou qualquer informação sobre a interrupção ou encerramento do serviço Brasil. A Agência Lusa é controlada a 50,14% pelo Estado português, tendo ainda vários grupos portugueses de mídia como acionistas de referência, entre os quais a Controlinveste, com 23,35%, e a Impresa, com 22,36%.