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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A Rádio Senado está na final da 19ª edição do Prêmio CNT de Jornalismo

A equipe da Rádio Senado é uma dos cinco finalistas da 19ª edição do Prêmio CNT de Jornalismo, com a série de reportagens "Globo da Morte - Os perigos do trânsito para os motociclistas". 
A série especial aborda em cinco episódios os altos índices de acidentes envolvendo motociclistas no Brasil, e foi veiculada no programa Conexão Senado de 13 a 17 de agosto. O primeiro capítulo "Retrato de uma epidemia" traz dados sobre acidentes e mortes de motociclistas e a visão de setores ligados à saúde pública. Em seguida, "Profissionais do Guidom" mostra a realidade das condições de trabalho de motofretistas e mototaxistas.
A série segue com "Lazer ou transporte", que é centrado nos motociclistas amadores e ainda no uso de álcool e drogas. "Circuito Fechado" explica as deficiências na formação de condutores. E, por fim, "Luz no fim do túnel" traz a importância das motos para o transporte e propostas para aumentar a segurança. A série mescla reportagens com depoimentos e entrevistas exclusivas. 
A Rádio Senado é a única emissora pública a chegar à final na categoria Rádio e também a única do Distrito Federal, concorrendo contra emissoras privadas de São Paulo, parte delas especializadas em trânsito.
O prêmio da Confederação Nacional de Transportes tem como objetivo estimular a produção de material jornalístico a respeito do setor transportador e de sua importância para o desenvolvimento social e econômico do Brasil. O resultado final deve sair na primeira quinzena de novembro. 
Equipe:
Reportagem - Roberto Fragoso
Produção - Rodrigo Resende
Áudio - André Menezes e Josevaldo Souza
Edição - Jefferson Dalmoro
Participação Especial - Raquel De Melo Teixeira Lula, Tiago Medeiros, Alexandre e Olivio Calabria 
Concorrentes categoria Rádio:
Ana Luiza Silvestrini da Costa - Rádio SulAmérica Trânsito (SP) – “O desafio de se tornar um bom motorista”
Carolina Ercolin - Rádio Bandeirantes (SP) – “O ABC do trânsito”
Claudio Junqueira – Rádio Bandeirantes (SP) – “Os descaminhos do transporte de carga no Brasil”
Michelle Trombelli - Rádio Bandnews FM (SP) – “Cidade viciada”
Roberto da Rocha Fragoso - Rádio Senado (DF) – “Globo da morte - Os perigos do trânsito para os motociclistas”

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Programa da Rádio Senado ganha dupla premiação no Ceará

O jornalista Alcebíades Muniz Neto (na foto, de blusa quadriculada), produtor e apresentador do programa Escala Brasileira da Rádio Senado, foi agraciado em Tianguá - Ceará com dois troféus em homenagem ao Programa. O dois troféus recebidos são o Sabiá - para homenagear divulgação cultural - e o Chico Anysio para comunicadores que valorizam a cultura Cearense.
O programa traz músicas e entrevistas, e é veiculado aos sábados  às oito da noite e reprisado nas quintas às onze da noite. Há onze anos no ar, ele já está na edição de número 430. 
O Festival da União da Ibiapaba, o FUI, está na quinta edição e seu objetivo é promover a cultura na região da Serra da Ibiapaba, que fica a 400km de Fortaleza, perto da Divisa com o Piaui. O Festival é itinerante nas 9 cidades, sendo que Tianguá é a maior delas e está a 780 metros de altura.
Para conhecer a coletânea de programas Escala Brasileira, clique aqui.


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Unesco e EBC promovem debate sobre indicadores de qualidade nas emissoras públicas

Enviado pela Unesco

“Indicadores de qualidade nas emissoras públicas: uma avaliação contemporânea” é o título da publicação de autoria de Eugênio Bucci, Marco Chiaretti e Ana Maria Fiorini, que será lançada, em debate na Sede da EBC, nesta quinta-feira (28/06), às 10h. O lançamento, que faz parte da Série Debates da UNESCO no Brasil, terá a presença de dois autores – Bucci e Chiaretti - e do membro do Conselho Curador da EBC, Murilo César Ramos.

A publicação analisa mais de uma centena de indicadores que podem ser, em seu conjunto, uma ferramenta de grande utilidade para o desenvolvimento de um debate acerca do trabalho desempenhado pelas emissoras públicas de radiodifusão.

Além de serem úteis para atores externos às emissoras públicas, certamente serão ferramentas importantes para as próprias empresas públicas de radiodifusão.

As estratégias de Responsabilidade Social Corporativa, o diálogo com os públicos interessados, o trabalho dos órgãos de governança tendem, também, a se valer deste conjunto de indicadores. Os autores da publicação fizeram amplo uso da literatura internacional existente, bem como da experiência de Bucci – ex- presidente da Radiobras - como gestor e especialista na área de radiodifusão pública.

Este texto insere-se em um conjunto de iniciativas coordenadas pela Representação da UNESCO no Brasil que têm o objetivo de oferecer à sociedade brasileira elementos concretos para uma discussão cada vez mais ampla e plural sobre os pilares de um sistema midiático desenvolvido.

Para a UNESCO, a radiodifusão de serviço público é um componente vital de um sistema midiático efetivamente plural, livre e independente. Um aparato robusto de radiodifusão pública, em linha com as melhores práticas internacionais, constitui-se em elemento complementar aos atores privados e comunitários que configuram os ecossistemas midiáticos, o que é da mais alta relevância para a democracia.

Por meio de documentos como os “Indicadores de Desenvolvimento da Mídia” e de estudos comparativos internacionais como “Serviço Público de Radiodifusão: um estudo de direito comparado”, de Toby Mendel (recentemente lançado em português, em parceria com a EBC – Empresa Brasil de Comunicação), a Organização tem sublinhado as características fundamentais de serviços de radiodifusão que possam ser, de fato, categorizados como públicos, bem como tem posto em relevo a sua centralidade para o desenvolvimento das comunicações.

A Radiodifusão Pública conta com distintos modelos em funcionamento em várias nações. Entretanto, algumas características são ou deveriam ser comuns: independência editorial e financeira; autonomia dos órgãos de governança; pluralidade, diversidade e imparcialidade da programação; claro mandato de serviço público, estabelecido em documentos legais pertinentes; prestação de contas (accountability) junto ao público e aos órgãos reguladores independentes.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Opinião: Programação das rádios públicas está distante dos interesses da sociedade

Por Candice Cresqui, do FNDC

Embora as programações das cerca de 400 rádios públicas brasileiras estejam voltadas para a educação, a cultura, o exercício da cidadania e o interesse público, elas ainda estão distantes dos interesses da sociedade. Falta de recursos, equipamentos precários, descontinuidade dos programas e interferência de governantes são as principais causas do distanciamento. A constatação é da jornalista e pesquisadora Valci Zuculoto, que estudou as programações dessas emissoras, em sua tese de doutoramento. O trabalho realiza um resgate histórico das programações e abarca o período que vai do advento do sistema educativo de rádio até os esforços recentes pela concretização de um sistema público.

Defendida em março último no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul, a tese intitula-se A construção histórica da programação de rádios públicas brasileiras e demonstra de que maneira, sob quais influências, diretrizes e concepções foram se estabelecendo e consolidando as programações das emissoras do campo público – conceito ainda em construção, segundo a autora.

Valci Zuculoto é jornalista, professora da área de rádio do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e diretora da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina e do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ). Já trabalhou nos jornais Zero Hora e O Globo, na revista Isto É e na emissora Rádio Gaúcha. Valci foi também diretora da rádio FM Cultura de Porto Alegre, que integra a Fundação Cultural Piratini Rádio e Televisão, vinculada ao governo do estado do Rio Grande do Sul.

O que motivou a sua pesquisa sobre a história e a construção das programações de emissoras de rádios pública brasileiras?
Valci - A história das emissoras estatais, culturais, educativas, universitárias, que até os anos 90 eram designadas como integrantes do sistema educativo de rádio, ainda não foi resgatada no seu conjunto, especialmente com foco na programação. Contamos com pouquíssimos estudos sobre este grupo de rádios não comerciais, e menos ainda com estes recortes.

Isto perdura, a implementação do sistema público de rádio no país seja um debate que ganhou força a partir da década de 80, com o desenvolvimento da comunicação alternativa e a entrada em vigor da atual Constituição Federal (de 1988) que estabeleceu para a radiodifusão brasileira três sistemas, o privado, o estatal e o público, e sua complementaridade.

Estas emissoras já somam centenas no país e prosseguem na sua busca, já de décadas, por perfil e missão mais definidos e claros dentro de suas naturezas de rádios não comerciais. Também pelo fato das próprias emissoras terem passado a se autoproclamar públicas e de o governo federal, com a criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), ter se proposto, por meio de suas emissoras, a contribuir na constituição do sistema de radiodifusão pública. Por tudo isso e pelo meu envolvimento profissional e acadêmico com rádio vinha sentindo necessidade de contribuir com uma pesquisa científica com estes recortes.

Quais as emissoras estudadas? Quantas existem no país?
Valci - A abrangência proposta foi nacional. Até a década de 90, este segmento não chegava a contar com 100 emissoras. Hoje, estas rádios somam em torno de 400, num cálculo aproximado, já que nem o Ministério das Comunicações oferece um quadro exato, pois ainda não realiza uma classificação adequada aos três sistemas constitucionais. Apenas as FMs são identificadas como educativas ou comerciais para demarcar a diferenciação das suas naturezas. Não há categorização distinta para as demais, mas existem rádios estatais, culturais, educativas e universitárias entre as emissoras de Ondas Médias e de Ondas Tropicais. Várias operam em AM, inclusive em canais comerciais. Isto acontece principalmente com as emissoras mais antigas, porque receberam as concessões antes da legislação de 1962, quando não havia nem mesmo a distinção entre comerciais e educativas.

Mas dentro do primeiro grupo focado pela minha tese, estabeleci como “corpus” as emissoras referenciais histórica e nacionalmente neste segmento da radiodifusão: as duas rádios Cultura da Fundação Padre Anchieta, uma AM e outra FM, que operam em São Paulo. Embora se apresentem como veículos não governamentais, conceituando-se como emissoras públicas, elas foram instituídas pelo governo estadual; e a MEC do Rio de Janeiro, constituída por três emissoras – a MEC AM, a MEC FM e a MEC SAT.

O segundo foco do nosso “corpus” procurou veículos de expressão de norte a sul do país, representativos tanto das estações concedidas a governos quanto das ligadas a universidades. Selecionei as emissoras Rádio Inconfidência de Minas Gerais, vinculada ao governo mineiro; Educadora FM de Salvador, integrante do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), mantido pelo governo daquele estado; FM Cultura de Porto Alegre, integrante da Fundação Cultural Piratini Rádio e Televisão, ligada ao governo do estado do Rio Grande do Sul.
Outra selecionada para ilustrar o panorama de vinculação governamental foi a Educativa FM de Campinas, daquela cidade paulista.

Entre os veículos universitários, consideramos que constituem exemplos representativos a Rádio FM Universitária do Maranhão, concessão da Universidade Federal do Maranhão (UFMA); a Educativa do Ceará, vinculada à Universidade Federal daquele estado (UFC), além da Rádio da Universidade Federal de Goiás (UFG). No decorrer da pesquisa foi necessário ainda compor o “corpus” com uma das mais novas emissoras universitárias, a UFMG Educativa, da Universidade Federal de Minas Gerais. Isto, justamente por constituirem um exemplo de como as universitárias mais recentes buscam iniciar suas trajetórias de programação.

Seu estudo classifica o desenvolvimento da programação das rádios públicas em cinco fases. O que as caracteriza?
Valci - Essa recuperação temporal teve como base e fio condutor, uma periodização singularizada da história do rádio público brasileiro que elaborei a partir de pioneira, e única até então, construída pela pesquisadora Marlene Blois (confira aqui) para o rádio educativo. E como a própria pesquisadora afirma que a referida periodização é passível de revisão, assim procedi, fazendo uma categorização adequada à minha pesquisa. Nesta periodização, sublinhei transformações de maior destaque e mais expressivas e emissoras referenciais, em especial aquelas determinantes para as linhas e modelos de programação. Ressaltei os grandes períodos históricos deste segmento radiofônico ao estilo Linha do Tempo.

A primeira fase, que chamo de Pioneira, embora tenha seu início histórico demarcado em 1936, precisa ser analisada desde os anos 1920, quando a radiofonia geral é implantada no Brasil. As concepções de Roquette-Pinto para o então novo meio de comunicação, de transmitir educação e cultura para o povo brasileiro, são aplicadas por todas as emissoras pioneiras no país. Isto mesmo nos primeiros anos que se seguiram à implantação do rádio comercial e ao início do sistema educativo, com a doação da emissora de Roquette-Pinto, a Rádio Sociedade, para o Ministério da Educação e Saúde (MES), em 1936.

Classificada como Ensino pelas ondas radiofônicas, a segunda fase tem início em meados dos anos 1940 e vai até o início dos 1970. É nela que o sistema efetivamente começa a se desenvolver e se firmar como educativo. O segmento passa a incluir produção e transmissão de programas de educação formal, instrucionais, com incremento de aulas pelas ondas radiofônicas.

Como se desenvolvem as fases seguintes?
Valci - O período entre o início dos anos 1970 até final da década de 1980, compreende a terceira fase, classificada com Era de Ouro do Rádio Educativo. Nesse momento houve a consolidação da radiofonia educativa mais voltada para o ensino instrucional, sob a influência da legislação, dos avanços das tecnologias da comunicação e da intensificação das políticas dos governos militares. É o período de muitos projetos de ensino pelo rádio, com destaque para o Minerva.

Esta igualmente é a fase de avanço da educação não formal como linha de programação, com cadeias retransmissoras, possibilitadas pelo satélite, tendo a Rádio MEC-Rio como a cabeça de rede principal e a Cultura AM de São Paulo, agora já operando como não comercial, como referência em franca consolidação. Este avanço tem como principal expressão a instituição do SINRED - Sistema Nacional de Radiodifusão Educativa que reúne emissoras educativas em co-produções e em transmissões de programas em cadeia nacional.

Nos anos 1990 há uma explosão das FMs educativas e universitárias, e as próprias emissoras passam a se autodenominar rádios públicas, consolidando a quarta fase. O grande crescimento do número das FMs também no campo público, e as concessões principalmente para as Universidades, constitui as emissoras universitárias. O chamado sistema educativo busca organizar-se contando tanto com as estatais quanto com as culturais e universitárias.

Nos 2000 se inicia a quinta fase, com a busca do sistema público de rádio. Essa fase é a de implantação do rádio digital, que havia começado na anterior, no que tange a produção. É o período do debate e testes do padrão a ser adotado no Brasil. Imbricada com esta grande transformação, outra é aprofundada pela busca de uma definição sobre, afinal, quais emissoras efetivamente compõem o sistema público, quais realmente são as rádios públicas e cumprem o papel de atender, com sua programação, ao interesse público.

Como está o cenário atual das rádios públicas no Brasil?
Valci - Vivemos a quinta fase da radiodifusão pública. Aprofunda-se o debate sobre sistema público e sistema estatal de rádio. Em 2004 fundou-se a Associação das Rádios Públicas do Brasil (ARPUB). Nos dias atuais estão fervilhando discussões, polêmicas e tentativas de definições. Em especial a partir do Governo Federal que, depois de instituir a TV Pública, criando a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), busca liderar a constituição do Rádio Público.

Qual é o traço predominante na programação das rádios públicas? A programação atende as demandas sociais?
Valci - Suas linhas amplas e gerais consistem na produção de programação educativa, cultural e voltada ao interesse público, estimuladora e disseminadora do exercício da cidadania. Esta é a missão que as próprias emissoras se propõem a seguir nas suas grades e em cada um dos seus programas. Entretanto, a programação que veiculam cotidianamente, a produção diária de seus programas, vistas a partir de uma observação bem geral, se distanciam desse propósito. As emissoras ainda não colocaram em prática a maior parte da sua disposição de construir uma programação realmente de rádio público. Os resultados práticos, não só na atualidade, mas em todas as fases dos seus 70 anos de história, evidenciaram que elas estiveram, e ainda estão, aquém das linhas e concepções autoproclamadas.

Na pesquisa, foi possível observar que as programações destas rádios permanecem atreladas às definições dos governos e instituições que detêm suas concessões, e não totalmente voltadas ao efetivo interesse público. Em boa parte ainda são semelhantes aos modelos comerciais e a propalada diferenciação ainda não se sobressai no conjunto, ficando reduzida a alguns espaços, experiências ou programas. Continuam a transmitir programas elitistas, no sentido de excluírem as audiências populares, e mantendo ainda reduzidos seus conceitos do que é cultural e educativo.

A minha pesquisa se debruçou exclusivamente sobre a programação, mas como esta também depende de condições técnicas e operacionais, acabou igualmente observando um pouco estes cenários. E quanto a estes quesitos é possível avaliar que problemas técnicos e operacionais estão também entre as principais causas das dificuldades enfrentadas pelas emissoras. As próprias rádios, nos seus fóruns, encontros e seminários, atribuem à falta de recursos e de investimentos suas deficiências para produzir programações de mais qualidade, mais voltadas ao seu papel social.

Como se define a radiodifusão pública no Brasil?
Valci - Considero que o rádio público no Brasil ainda não possui uma definição, embora tenham transcorrido 70 anos de história. Ela continua em construção e ao longo de todo este tempo sempre esteve emaranhada, em especial pelo sombreamento com o rádio estatal. Mas, com certeza, constitui uma parte essencial e determinante do que ainda virá a ser o rádio público brasileiro.

A tese não tinha como meta maior concluir se já existe um modelo brasileiro de rádio público ou quais são as emissoras nacionais realmente públicas. Mesmo focada apenas na programação – e não na gestão ou no financiamento, outros requisitos também fundamentais para um sistema público – a pesquisa oferece observações essenciais para, ao menos, serem colocadas no debate tão atual sobre a instituição do rádio público no país. E assim, estimular suas reivindicadas e necessárias ampliações e aprofundamentos.

Estudei este grupo de emissoras como públicas, mesmo que a maioria seja estatal. Não só porque se colocam como tal. Mas principalmente porque podem e devem, pelo modelo de programação que adotam, ser produzidas, ouvidas e analisadas como possíveis construtoras da radiodifusão pública no Brasil, mesmo que não o sejam nos modelos gestão e financiamento. Além disso, essas estações, pelas suas naturezas, muito mais que as comerciais, têm uma missão profunda e essencialmente pública e obrigatoriamente precisam cumprir o papel de atender ao interesse público a que está sujeita toda a comunicação. No decorrer da investigação, observou-se com mais clareza e compreensão o quanto, no Brasil, a construção histórica do rádio público está estreitamente ligada com as dos rádios educativo e estatal. Portanto, também se confundem as trajetórias das suas programações, justamente o objeto maior da tese.

A Constituição Federal estabelece os sistemas público, privado e estatal de radiodifusão, mas os artigos específicos não estão regulamentados. Quais as consequências disto para a radiodifusão?
Valci - Para a radiodifusão como um todo as conseqüências são prejudiciais, mas muito mais ao rádio público-estatal. Esta não regulamentação, aliada à defasagem da legislação brasileira para a radiodifusão, é uma das principais causas das confusas, polêmicas e ainda inconclusas definições e práticas de concepções, linhas e modelos de rádio público no país. A legislação da radiodifusão, incluída no Código Brasileiro de Telecomunicações, é insuficiente, ambígua e, por isso, conflitante. No seu livro “A história secreta da Rede Globo”, publicado em 1987. Daniel Herz já chamava a atenção para o problema e para a essencial necessidade de reorganização da radiodifusão brasileira.

Concordo com ele na avaliação de que a legislação nasceu problemática e divorciada da realidade brasileira. Além de defasada, é ambígua e maleável, assim sendo com propósito de submeter o público ao privado.
Objetivo que entendo perdurar até hoje, destacadamente pela inexistência de legislações e definições políticas atualizadas democrática e claramente para o setor.

Como você avalia as ações da Empresa Brasil de Comunicação, relativamente ao rádio público?
Valci - A EBC tem proclamado o anseio de começar a efetiva constituição do rádio público no Brasil. Mas conta com apenas oito das cerca de 400 emissoras existentes no país. E está recém se movimentando para implementar um sistema ao modo de rede, incluindo as emissoras de universidades federais e as demais rádios do campo.

Para conseguir colocar em prática sua disposição, a EBC precisa se debruçar sobre a história da radiodifusão pública. Percebendo, por exemplo, que os momentos de maior organização e perfil de programação mais próximo do público foram aqueles em que as redes, os sistemas, as parcerias se deram numa perspectiva mais horizontal, mais democrática.
Isto é, quando as emissoras não apenas repetiram programações das cabeças de rede, mas também produziram e influenciaram as concepções, as linhas editoriais.

Além deste desafio, há outro a ser enfrentado, não apenas a EBC, mas por todas as rádios do segmento: é o da descontinuidade na programação. Embora os traços mais amplos e gerais das suas programações possam até evidenciar continuidades, minha pesquisa ressaltou muitas rupturas provocadas pelas sucessivas trocas de gestões.

De que maneira as rádios públicas podem contribuir para democratização da comunicação?
Valci - Estas emissoras podem cumprir um efetivo e destacado papel para a construção da democracia nas comunicações. Esta deveria ser uma das suas principais funções e possuem potencial para desempenhá-la.
Basta imaginar o poder de comunicação de uma rede com boa parte das centenas de emissoras existentes neste segmento. E caminhariam neste sentido se construíssem um modelo efetivamente público de programação.
Neste modelo as programações devem realmente traduzir as necessidades da população e estimular o exercício cidadão do seu público. Devem ser praticadas num sentido mais amplo de educação e com uma concepção mais alargada de cultura. Por exemplo, cultural não pode ser entendido como contrário do popular.

Além disso, a programação deve ter abrangência universal, atingindo os diversos segmentos e níveis socioculturais que compõem a audiência brasileira. Neste sentido, conteúdo, linguagem, programação musical, por exemplo, não podem ser nivelados apenas pela elite. A regionalização também deve ser compreendida como base fundamental para o rádio público. As programações devem ser abertas e traduzirem a cultura local, regional e nacional com respectiva inserção no seu continente e no mundo contemporâneo. Outro requisito fundamental é, evidentemente, a independência editorial.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Rádios e TVs públicas: emissoras públicas ou ferramentas estatais?

Por Cristiano Castilho, da Gazeta do Povo, em 24/10/2009

Criação de conselhos curadores pode limitar intervenção dos governos na gestão das estações de rádio públicas.

“As rádios públicas brasileiras hoje enfrentam hoje um dilema. Porque não está muito bem definido o que é público e o que é estatal.” A afirmação de Orlando Gui­­lhon, presidente da Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub), revela o ponto em que comunicadores, estudiosos da área e mesmo ouvintes de rádio encontram maior discordância.
Mantidas com recursos de governo – federal, estadual ou municipal –, as rádios públicas podem ser classificadas como educativas, culturais e universitárias. E o fato de estarem atrelados ao poder estatal é, ao mesmo tempo e sob diferentes perspectivas, positivo e negativo.

De acordo com Orlando Guilhon, presidente da Associação de Rádios Públicas do Brasil, alguns bons exemplos de emissoras de caráter público podem ser encontrados no país.
Confira também a programação cultural da Rádio Paraná Educativa
Fundação Piratininga (Rio Grande do Sul) e Fundação Padre Anchieta (São Paulo)
As duas entidades desenvolvem trabalhos radiofônicos e televisivos de caráter educativo. Instituídas pelo governo de seus estados, gozam de autonomia intelectual, política e administrativa. Os programas valorizam o conteúco cultural e de interesse público, sem maiores comprometimentos comerciais. Além disso, têm conselhos curadores, formados por integrantes vitalícios e eletivos.
“As emissoras públicas são juridicamente vinculadas a algum po­­der público e dependem fundamentalmente desses recursos. Esse vínculo ainda é muito forte no Brasil, ao contrário do que acontece na experiência europeia e norte-americana”, explica Guilhon.
A Arpub foi fundada em 2004 por dez rádios públicas brasileiras. Hoje são 24 empresas filiadas – um total de 63 emissoras. A Rádio Educativa do Paraná, segundo Guilhon, foi uma das primeiras a demonstrar interesse em entrar para a associação.
Desvincular o poder político da linha editorial de rádios públicas e fazer com que sua missão seja “difundir, irradiar e produzir cultura, educação, cidadania, entretenimento, informação e prestação de serviços, buscando atingir um público cada vez mais amplo da sociedade” é o objetivo da Arpub.
“O governo tem o direito de ter uma comunicação própria, mas isso não pode se confundir com comunicação pública. Esse é o centro do nosso debate hoje”, diz Guilhon, também superintendente de rádio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Para Sandra de Deus, jornalista e professora de Radiojornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o panorama das rádios públicas brasileiras ainda não é satisfatório. “Há muita teoria e pouca prática. Se observarmos a programação dessas emissoras vamos verificar que aquelas que pertencem aos governos são verdadeiras assessorias de imprensa e as das universidades, mesmo as mais antigas, ainda não encontraram seu caminho. Além disso, a audiência é pequena”, declara Sandra.
Uma mudança benéfica, ainda segundo a professora, seria separar definitivamente – ou criar, em alguns casos – rádios públicas e estatais, estas com função exclusiva de atender ao setor de comunicação de seu governo gestor. “Não vejo qual a saída para isso se a cada quatro anos se troca a forma de fazer rádio ‘pública’. Se reinventa a roda. Uma emissora pública deveria ser entendida como rádio capaz de cumprir a sua função já definida pela associação [Arpub]. Outras seriam estações que se constituissem como órgãos de divulgação de governo e possuíssem uma programação para atender o partido de plantão.”
As rádios públicas seguiriam também a tendência da evolução tecnológica e se modificariam, sempre em função da demanda da sociedade. “Elas têm um papel fundamental porque as sociedades modernas querem emissoras públicas. Mas nós ainda não chegamos à metade do caminho. Na verdade não iniciamos o caminho”, lamenta Sandra.
Pós-Doutora em Comunicação pela Maison des Sciences de l’Homme – Paris Nord (França) e mestre em Educação pela Univer­­sidade Federal do Paraná, a professora Rosa Maria Dalla Costa relembra a importância das rádios públicas na democratização da informação. Segundo Rosa, com uma visão mais otimista, as rádios, mesmo as comerciais, já cumprem importante papel na prestação de serviços públicos.
“Acredito que os meios contribuem para a democracia e para um maior acesso às informações. Claro que esses meios têm problemas, interesses, não falam sobre tudo... mas garantem maior acesso à informação ainda assim. Por isso, penso que se temos problemas, eles não estão apenas nos meios, estão também em outras instituições, como na escola e no poder público.”
O ponto de convergência das opiniões dos entrevistados se dá quando surgem as possíveis soluções para que a rádio pública exerça seu papel integralmente. Seria necessária a criação de conselhos gestores, de uma equipe de curadores [como o conselho da TV Cultura, de São Paulo] e até a inserção de um ombudsman – o que já existe em rádios (e tevês) públicas dos Estados Unidos, por exemplo.
“Estamos em um país em que leis não funcionam. Elas modificam um papel e não modificam a cultura do povo nem sua forma de pensar. Por isso é preciso que a população se apropie das rádios. Que diga e pense: essa rádio é minha e eu tenho que fazer cobranças e exigências”, diz Orlando Guilhon.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Seminário Nacional Rádios Publicas de 22 a 23 de outubro na UnB

O LapCom da UnB e a ARPUB, em parceria com as Rádios EBC e apoio da Fundação Ford, promovem o Seminário Nacional Rádios Públicas Brasileiras, juntamente com o III Encontro Nacional das Rádios Públicas, com o objetivo de subsidiar a formulação de propostas para o setor a serem apresentadas na I Conferência Nacional de Comunicação (CONFECOM).
Durante o evento serão discutidas as condições de funcionamento e gestão emissoras públicas, os impasses e oportunidades para sua manutenção como parte integrante do sistema de comunicação do país. Participam do Seminário dirigentes de emissoras públicas, pesquisadores, profissionais e estudantes de Comunicação.

Programação
Local do Evento: Auditório do Instituto de Ciências Biológicas

Dia 22/09/09
09h00 - Perfil das Rádios Públicas Brasileiras Resultado preliminar das pesquisas: “Rádio Digital” e “Diagnóstico das Rádios Públicas Brasileiras” Nelia Del Bianco (UnB) e Carlos Eduardo Esch ( UnB)
10h45 – Debate sobre a pesquisa “Diagnóstico das Rádios Públicas Brasileiras”
14h00 – Mesa redonda: “Rádios Públicas no Brasil – seguida de debate
Dia 23/09/09
9h00 – Apresentação de teses para a I Conferência Nacional de Comunicação
10h45 – Plenária para definir teses e propostas para a I Conferência Nacional de Comunicação. 15h45 – Apresentação de teses aprovadas para a I Conferência Nacional de Comunicação
Inscrições abertas até o dia 19 de outubro. Vagas limitadas.
Mias informações: lapcom@lapcom.unb.br