Caros leitores e leitoras.
Mostrando postagens com marcador Voz do Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Voz do Brasil. Mostrar todas as postagens

sábado, 17 de abril de 2021

Opinião: Ditadura do Mercado sobre a Comunicação


Num país em que o povo não tem acesso a leitura de jornais e revistas e onde o noticiário de rádio e tv é marcado por uma linha editorial escandalosamente a favor da demolição dos direitos trabalhistas, previdenciários e da comunicação, a defesa da Voz do Brasil deveria ser parte da agenda de lutas dos sindicatos dos jornalistas e trabalhadores em geral, da Fenaj, da ABI e dos partidos progressistas, tendo em vista que somente naquela uma hora os cidadãos têm acesso à totalidade de informações  sobre atos oficiais que decidem sobre sua vida, 


Por Beto Almeida*

A Voz do Brasil é a primeira experiência bem sucedida de regulamentação informativa no Brasil, determinando que pelo menos uma hora ao dia, em cadeia nacional, seja destinada pelas emissoras de rádio (concessionárias da União), à transmissão de informações dos poderes constituídos, o que, frequentemente, é negado pelas mentalidade editorial dos empresários da comunicação, submetida aos ditames do mercado. Em sua gana insaciável por acumulação, estes magnatas da comunicação pressionam pela flexibilização do horário de exibição da Voz do Brasil, sempre com o intuito extinguir o programa, pois nele vêm um exemplo exitoso e perigoso de regulamentação informativa, tese que abominam, em favor de uma absoluta ditadura do mercado sobre a comunicação. Nesta pressão que exercem sobre os poderes constituídos, os magnatas da mídia já tiveram o apoio até de um Ministro da Comunicação do PT, Paulo Bernardo, que, presente a um Congresso da ABERT, defendeu , lamentavelmente, a flexibilização da Voz do Brasil, durante o governo Dilma Rousseff.

Num país em que o povo não tem acesso a leitura de jornais e revistas e onde o noticiário de rádio e tv é marcado por uma linha editorial escandalosamente a favor da demolição dos direitos trabalhistas, previdenciários e da comunicação, a defesa da Voz do Brasil deveria ser parte da agenda de lutas dos sindicatos dos jornalistas e trabalhadores em geral, da Fenaj, da ABI e dos partidos progressistas, tendo em vista que somente naquela uma hora os cidadãos têm acesso à totalidade de informações  sobre atos oficiais que decidem sobre sua vida, ao contrário dos noticiosos das emissoras privadas, sempre manipulados pelos interesses dos anunciantes e dos proprietários das empresas de comunicação, jamais dispostos a reconhecer o direito à comunicação como um direito constitucional da sociedade.

Portaria

A portaria do Ministério das Comunicações autoriza a veiculação fora do intervalo de 19h às 22h quando as emissoras optarem por transmitir jogos da seleção brasileira de futebol ou jogos de equipes brasileiras em campeonatos estaduais, nacionais, sul americanos ou internacionais. Se o início do jogo estiver marcado entre 19h e 20h30, o programa poderá ser retransmitido, sem cortes, com início até as 23h do mesmo dia. Se o início do jogo estiver marcado para depois de 20h30, A Voz do Brasil poderá ser transmitida, sem cortes, antes do jogo ou com início até 23h30 do mesmo dia.

Dispensa de retransmissão

Está prevista a dispensa da retransmissão do programa nos casos em que o jogo que estiver sendo transmitido vá para prorrogação ou resulte em decisão por cobrança de pênaltis, impedindo seu término até os horários limites fixados para o início da retransmissão; ou caso ocorra “alguma situação de força maior durante o jogo que impeça seu término até os horários limites fixados para início da retransmissão”.

*Beto Almeida é jornalista

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Em defesa da Voz do Brasil

Por Ana Rita*

A Voz do Brasil volta a correr sério risco. É por defender “a minha voz, a sua voz, a nossa voz” que vou lutar, quando a Medida Provisória 648/14 retornar ao Senado, pela rejeição das alterações aprovadas na Comissão Especial que analisou a MP. Das 19h às 20h. Este é o horário tradicional que milhões de pessoas, pelo Brasil afora, recebem notícias por meio de um importante e indispensável instrumento de informação para a imensa massa de brasileiras e de brasileiros que vive no campo e na cidade, sem acesso a jornais e revistas e que não dispõe de outra forma de saber com transparência dos atos e realizações públicas.

Leia também


Tais características, evidentemente, não agradam a setores da grande mídia. Motivados por interesses econômicos, voltados apenas à exploração comercial do horário nobre no qual vai ao ar A Voz do Brasil, os defensores da flexibilização, tentam enfraquecer o caráter democrático e transparente do programa. É uma forma disfarçada de relegar ao segundo plano A Voz do Brasil.

Não é fato como se propaga por aí que o “Brasil não é mais um país rural” e que “a população aprova a alteração do horário”. Pesquisa encomendada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República identificou que 66% dos moradores da Região Norte e 50% das regiões Nordeste e Centro-Oeste têm o programa como à única ou quase única informação do que acontece no Brasil.

Na verdade é no aumento da audiência e consequentemente no aumento do faturamento que os defensores do fim da Voz do Brasil estão de olho. Este é o pano de fundo da batalha que se arrasta, desde 2006, em seguidas tentativas no Congresso Nacional. A alteração proposta na MP é mais destes embates.

Vamos lutar para que a alteração proposta na MP seja derrubada. Flexibilizar por três horas é um erro crasso. O objetivo de fato é inviabilizar. Na prática, representa o fim da Voz do Brasil a médio e longo prazo. Em nosso País, existem quase 10 mil emissoras de rádios. Quem irá fiscalizar se A Voz do Brasil está sendo transmitida por todas essas emissoras?

Outro ponto a se pensar: apesar do significativo número de emissoras de rádio, o conteúdo é segmentado e pouco variado. Enfraquecer e progressivamente extinguir A Voz do Brasil representaria reforçar o monopólio da informação que chega aos ouvintes. 

Considero A Voz do Brasil patrimônio da sociedade brasileira. Portanto, fortalecê-la, é tarefa de todas e todos que compreendem que o acesso à comunicação é um dos pressupostos básicos para consolidação da democracia.

E, é bom lembrar as empresas de radiodifusão: a obrigatoriedade da veiculação do programa no horário tradicional é garantida pela Lei que instituiu o Código Brasileiro de Telecomunicações. Estamos de olho e vigilantes: “em Brasília, 19 horas”!

*Ana Rita é senadora da República pelo Espirito Santo
e presidenta da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa
do Senado Federal


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Voz do Brasil: entidades da sociedade são contra a proposta de flexibilização defendida pela Abert

Representante do  movimento Em Defesa da Voz do Brasil, o jornalista
Chico Sant'Anna (à direita) defendeu a aprovação do projeto de lei,
 da ex-senadora Marinor Brito, que considera A Voz do Brasil patrimônio
imaterial cultural do Brasil. O informativo é o mais antigo existente no mundo.
Por Elina Rodrigues Pozzebom, da Agência Senado. Foto de Geraldo Magela
A possibilidade de flexibilizar o horário de transmissão do programa A Voz do Brasil, hoje veiculado obrigatoriamente às 19h, dividiu opiniões na audiência pública realizada pelo Conselho de Comunicação Social (CCS) nesta segunda-feira (7). De um lado, os defensores do horário atual afirmam que o programa é o meio mais democrático de obter informação variada de todas as esferas do governo, especialmente nos rincões do país. De outro, representantes das emissoras comerciais garantem que o horário diferenciado pode aumentar a audiência da 'Voz' para adaptá-la aos interesses do ouvinte de cada rádio.
A reunião foi marcada para colher argumentos que subsidiarão comissão criada pelo CCS para analisar dois projetos em tramitação no Congresso que versam sobre o tema. O PLS 19/2011confirma a obrigatoriedade de transmissão de segunda a sexta-feira, das 19h às 20h, e propõe que o programa se torne parte do patrimônio imaterial do país. Já o PL 595/2003 torna possível para as emissoras escolher o horário de transmissão entre 19h30 e 00h30. O relatório sobre o assunto está a cargo dos conselheiros Walter Ceneviva, Nascimento Silva e Ronaldo Lemos.
Patrimônio
Para o jornalista Chico Sant’Anna, do Movimento dos Defensores da Voz do Brasil, o programa é o único que integra o Brasil do Oiapoque ao Chuí. Ele também destacou o fato de se tratar do mais antigo informativo radiofônico no ar em todo o mundo. Para grande parte das Regiões Norte e Nordeste, salientou, é o único meio de obter informação jornalística atualizada e diária dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, sem escolha apenas dos personagens fortes dos partidos, dando voz ao chamado “baixo clero” e detalhando minúcias que nunca estariam na “grande mídia”, como a liberação de recursos de merenda para prefeituras e prestação de contas regionalizada, além de outros direitos sociais.
Empresários da Radiodifusão foram ao Congresso Nacional
defender a flexibiização do horário de veiculação do programa
a Vozdo Brasil. A medida é vista pelo representante do
 movimento Em Defesa da Voz do Brasil, jornalista
Chico Sant'Anna (útimo à direita) como o início do
fim do programa, a exemplo do que aconteceu com
o Projeto Minerva, programa de alfabetização
à distância via o rádio.
Segundo afirmou, alterar o horário afetaria principalmente os trabalhadores mais pobres e os moradores de regiões distantes dos grandes centros que não têm smartphone ou internet banda larga para se informar por outro meio, especialmente porque a cobertura radiofônica jornalística de locais como o Parlamento não é grande. Com a mudança do horário, "haverá estreitamento dos temas tratados, a cobertura parlamentar se restringirá aos grandes fatos, catástrofes e acidentes, e a prestação de contas do dia a dia deixará de existir", opinou.
– O trabalhador que dorme cedo e acorda cedo não vai ligar o rádio 21h30 para ouvir a Voz ou qualquer outro programa – disse.
Sant’Anna também informou que o Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu ser constitucional a legislação acerca da Voz do Brasil e que sua transmissão não afeta a liberdade de escolha e de expressão, um dos principais argumentos dos favoráveis à flexibilização.

Veja aqui a reportagem feita pela TV Senado sobre a Audiência Pública

Audiência
Para o diretor-geral da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Luís Roberto Antonik, é necessário atualizar a forma como a Voz é transmitida, dadas as inovações que o mundo viveu desde que ela foi criada, em 1935. Como repetiu várias vezes, não há intenção de acabar com o programa, mas sim de melhorar a sua audiência, deslocando-a na programação conforme o interesse do ouvinte durante o período de 19h às 22h, nas emissoras comerciais e comunitárias, e mantendo o horário das 19h para as emissoras educativas.
– Não se trata de jogar para a madrugada – ressaltou.
De acordo com Antonik, quando A Voz do Brasil foi criada, o país estava quase todo dormindo às 22h. Hoje, acrescentou ele, é preciso levar em consideração que mais de dois terços dos cursos superiores têm aulas noturnas, o que leva muitos a dormirem mais tarde e ouvirem rádio depois das 22h. Outro ponto que não se pode negligenciar, na opinião dele, é a existência de interesses segmentados – como os daqueles ouvintes interessados no trânsito para a sua residência ou local de trabalho no horário de pico, às 19h.
Ele também citou pesquisa da Abert segundo a qual apenas um terço das rádios mudou o horário da Voz durante a realização da Copa do Mundo, aproveitando-se de brecha legal aberta por meio de medida provisória. A grande maioria, enfatizou Antonik, optou por manter o programa no mesmo horário "porque o público quis que assim permanecesse".
– Se a Voz não conseguir se adaptar, vai prejudicar o rádio e, por consequência, a população – afirmou.
Com a mesma opinião, Rodrigo Neves, presidente da Associação das Emissoras de Rádio e TV de São Paulo (Aesp) citou pesquisa encomendada pela Abert e realizada pelo Datafolha em que 68% dos entrevistados se disseram a favor da flexibilização, que só seria realizada pelas emissoras comerciais. Neves lembrou ainda que o governo controla centenas de emissoras, incluindo educativas, e que a EBC faz um serviço relevante ao cobrir a Amazônia Legal, com as rádios em ondas curtas, ondas médias e FM.
– Flexibilizar a Voz é dar ao cidadão o direito de escolha – defendeu.
Governo
O secretário-executivo da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Roberto Messias, disse que o governo defende qualquer discussão que leve à "qualificação do conteúdo de acesso à informação e a liberdade de expressão". Ele acrescentou que o governo federal não se opõe à flexibilização do horário e não criará dificuldades para implantá-la caso ela venha a ser aprovada.
Moção
Já o conselheiro Murilo Ramos, da EBC, afirmou que o Conselho Curador da empresa elaborou uma moção em defesa da manutenção do atual horário da Voz do Brasil, por acreditar que a flexibilização comprometeria o espaço informativo dos cidadãos do país.
Segundo disse, a população só tem acesso a informações detalhadas do poder público por meio da Voz do Brasil. Ele alertou ainda que, admitida a hipótese da flexibilização, o poder público não terá condições de fiscalizar e impor sanções para fazer valer o que estiver na lei.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Voz do Brasil: Dilma flexibiliza transmissão durante a Copa

Fonte: Gazetaweb
Medida que autoriza veiculação em horário alternativo foi publicada no DOU. Durante o Mundial, rádios poderão retransmitir noticiário das 19h às 22h
A presidente Dilma Rousseff autorizou as emissoras de rádio do país a retransmitir o programa A Voz do Brasil em horário alternativo durante a Copa do Mundo, entre os dias 12 de junho e 13 de julho. A flexibilização na obrigatoriedade de retransmitir diariamente o noticiário oficial às 19h ocorreu por meio de uma medida provisória (MP) publicada na edição desta quarta-feira (4) do "Diário Oficial da União".
Com a mudança, as rádios brasileiras poderão optar, somente durante o Mundial da Fifa, por retransmitir a Voz do Brasil entre as 19h e 22h. No ar desde 1935, o programa oficial do governo tem 1 hora de duração, na qual são noticiadas informações dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
A MP editada por Dilma também prevê que, "em casos excepcionais de interesse público", um ato conjunto da Casa Civil e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República poderá flexibilizar, "por tempo determinado", o horário de retransmissão de A Voz do Brasil.
Até então, a lei que regulamenta a veiculação do noticiário oficial, editada em 1962, não previa mudanças no horário de retransmissão. As únicas exceções previstas pela legislação eram em relação a sábados, domingos e feriados, dias em que as emissoras de rádio não são obrigadas a veicular o programa.
Projeto de lei
Reinvindicação antiga das emissoras, a possibilidade de retransmitir A Voz do Brasil em horários flexíveis diariamente está sendo discutida pelo Congresso Nacional. De autoria da deputada federal Perpétua Almeida (PC do B-AC), o projeto de lei n° 595, de 2003, prevê autorização para que as rádios escolham o início da transmissão do programa entre as 19h e 22h.
O texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados em 2006, mas, como sofreu alteração ao ser discutido no Senado, teve que retornar à Casa em dezembro de 2010. A proposta aguarda votação no plenário da Câmara e, caso aprovado, dependerá apenas de sanção presidencial.
Segundo a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), existem atualmente 30 requerimentos na Câmara solicitando a inclusão do projeto na pauta de votações. Um abaixo-assinado que reivindica a flexibilização de A Voz do Brasil, informou a Abert, já reúne mais de 65 mil assinaturas.
 

terça-feira, 1 de abril de 2014

Comissão do Senado aprova transformação de 'A Voz do Brasil' em patrimônio cultural imaterial

O projeto foi apresentado
pela ex-senadora Marinor
Brito do Psol/PA, como
forma e assegurar a
continuidade da Voz
do Brasil e a garantir
a difusão de informações
aos moradores dos
rincões brasileiros.
Com base na Agência Senado


Projeto que transforma o programa de rádio A Voz do Brasil em patrimônio cultural imaterial foi aprovado nesta terça-feira (1º) pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT). O PLS 19/2011 segue agora para decisão final da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).
O projeto foi apresentado pela ex-senadora Marinor Brito, a pedido do Movimento em Defesa da Voz do Brasil "Em Brasília, 19 horas". Coordenado pelos jornalistas Chico Sant'Anna e Beto Almeida, o movimento conta com apoio de organizações nacionais, tais como a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Associação Brasileira de Imprensa, sindicatos dos jornalistas e dos radialistas do Distrito Federal, dentre outras entidades.
A proposta também obriga que o programa seja transmitido em todas as rádios públicas e privadas de segunda a sexta-feira, das 19h às 20h.
“Mais antigo programa radiofônico do gênero no mundo, há 78 anos no ar, A Voz do Brasil constitui inestimável canal de acesso à informação para parcelas significativas da população brasileira”, disse o senador.
De acordo com o texto aprovado pela CCT, "cabe aos órgãos competentes do poder público zelar pela preservação do programa, para fins históricos e de pesquisa da memória nacional”.
Flexibilização
Há um outro projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados que versa sobre a Voz do Brasil. patrocinado pela Abert, ele propõe a flexibilização do horário do programa radiofônico. Tal matéria já foi aprovada pelo Senado, como PLC 109/2006, no final de 2010. Em seguida, retornou à Câmara -onde teve origem - e ainda aguarda ser votado, como PL 595/2003.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

[Veja o Vídeo] Voz do Brasil: informativo radiofônico mais antigo do mundo

O Projeto de lei  PLS 19/2011, de autoria da senadora Marinor Brito, Psol-PA, estabelece que o programa A Voz do Brasil seja considerado patrimônio cultural e imaterial do Brasil. Além de ser o programa radiofônico em funcionamento contínuo mais antigo do Brasil ele é, também, o mais antigo do planeta. 
O projeto tem como relatora na Comissão de Educação a senadora Ana Rita (PT-ES. A parlamentar aproveitou que preside a Comissão de Direitos Humanos, para convocar uma Audiência Pública que contou com a presença de representes da Abert, da secretaria de Comunicação da Presidência da República, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Brasil - Iphan, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF e da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias.
Representando o Movimento em Defesa de A Voz do Brasil, esteve presente o jornalista Chico Sant'Anna, que fez um relato histórico sobre o programa, sua importância sócio política e condenou a intenção da Abert em flexibilizar o horário de divulgação do programa, hoje fixado nacionalmente às 19 horas, pelo horário de Brasília.



Veja abaixo a exposição do jornalista Chico Sant'Anna.




Leia também:










terça-feira, 21 de maio de 2013

Voz do Brasil: Senadora Ana Rita quer votar projeto que declara programa patrimônio cultural



Em audiência pública realizada na segunda-feira (20/5) sobre tornar o programa A Voz do Brasil em patrimônio cultural e imaterial do país, proposto pelo PLS 19/2011, de autoria da senadora Marinor Brito Psol-PA, a senadora Ana Rita (PT-ES), relatora do projeto na Comissão de Educação, criticou outro projeto de lei que tramita pela Câmara e pretende flexibilizar o horário da transmissão. 
Por exigência legal, a Voz do Brasil é programa de notícias veiculado em todas as rádios do país a partir das 19h.

Ouça aqui a rádio-reportagem feita pela repórter Hérica Christian, da Rádio Senado. 



 Se preferir, leia a reportagem no script abaixo.


LOC: A PRESIDENTE DA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS QUER VOTAR PROJETO QUE DECLARA O PROGRAMA A VOZ DO BRASIL PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL.

LOC: A INICIATIVA PODE INVIABILIZAR A PROPOSTA QUE FLEXIBILIZA O HORÁRIO DE TRANSMISSÃO DO NOTICIÁRIO EXIBIDO ÀS SETE HORAS DA NOITE. A REPORTAGEM É DE HÉRICA CHRISTIAN.

TÉC: Na audiência da Comissão de Direitos Humanos, o representante da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV, Alexandre Jobim, defendeu o projeto que permite a exibição da Voz do Brasil entre as 7 e 10 da noite. Hoje, o noticiário dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário vai ao ar de segunda a sexta-feira às 7 da noite. Alexandre Jobim afirmou que essa flexibilização vai permitir que as emissoras de rádio ofereçam noticiário de utilidade pública, como a situação do trânsito, em horário nobre. Segundo ele, o projeto pode ajudar no aumento da audiência da Voz do Brasil.

(Jobim) Não somos contrários à Voz do Brasil, que exerce um papel muito grande para a sociedade. O fato é que não há mais nos dias de hoje o que se justifique a manutenção de uma imposição estatal de os ouvintes às 19 horas terem que ouvir essa propaganda, esse informativo do estado.

REPÓRTER: O coordenador do Movimento em Defesa da Voz do Brasil, Chico Sant’Anna, citou uma pesquisa de 2010 que revelou que 56% dos entrevistados consideram muito importante a veiculação do noticiário às 7 da noite, e que 22%, ou 31 milhões de pessoas, acompanham o programa diariamente. Na avaliação de Chico Sant’Anna, a flexibilização do horário da Voz do Brasil vai acabar com o programa que ajuda a população fiscalizar o gasto público.

(Chico) Através da Voz do Brasil, o ouvinte sabe não apenas das decisões do Poder Judiciários, dos seus direitos, das novas leis aprovadas pelo Congresso, mas também fica sabendo do cotidiano do Poder Executivo. A chegada de dinheiro do Fundo da Saúde e da merenda escolar, assim ele poderá fazer fiscalização junto ao prefeito e à Câmara Municipal para que aquele benefício que veio do Poder Central seja efetivamente aplicado na comunidade.

REPÓRTER: A presidente da Comissão de Direitos Humanos, senadora Ana Rita do PT do Espírito Santo, quer votar o projeto que declara A Voz do Brasil patrimônio cultural imaterial porque vai obrigar a exibição do noticiário às 7 horas da noite.

(Ana) Eu vou retomar o relatório. O relatório será reapresentado na Comissão de Educação.

REPÓRTER: Se aprovado pela Comissão de Educação, o projeto seguirá direto para a Câmara dos Deputados.


[Veja o vídeo] Senadora Ana Rita é contra projeto que flexibiliza horário de 'A Voz do Brasil'

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa realizou audiência pública para discutir o papel do programa Voz do Brasil como instrumento de concretização do direito à informação. Mesa (E/D): presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Jurema de Sousa Machado; representante do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, Jonas Valente; conselheiro da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Alexandre Kruel Jobim; presidente da CDH, senadora Ana Rita (PT-ES); secretário de Imprensa da Presidência da República, José Ramos; representante do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação, José Sóter; coordenador do Movimento em Defesa do Programa A Voz do Brasil, Chico Sant’Anna

Da Agência Senado

Em audiência pública realizada nesta segunda-feira (20) sobre tornar o programa Voz do Brasil em patrimônio cultural e imaterial do país, proposto pelo PLS 19/2011, de auoria da senadora Marinor Brito Psol-PA, a senadora Ana Rita (PT-ES), relatora do projeto na Comissão de Educação, criticou outro projeto de lei que tramita pela Câmara e pretende flexibilizar o horário da transmissão. Por exigência legal, a Voz do Brasil é programa de notícias veiculado em todas as rádios do país a partir das 19h.
Ana Rita, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado (CDH), declarou que a proposta que permite mudar o horário "é motivada por interesses meramente econômicos de setores da grande mídia, preocupados apenas com a exploração comercial do horário nobre em que o programa é veiculado".
– A flexibilização é uma forma disfarçada de relegar a segundo plano A Voz do Brasil. Sou terminantemente contra essa iniciativa – reiterou.


Veja aqui a reportagem da TV Senado sobre a audiência pública


O projeto de lei foi aprovado pelo Senado, como PLC 109/2006, no final de 2010. Em seguida, retornou à Câmara, onde teve origem e ainda aguarda ser votado, como PL 595/2003. De acordo com o texto, as rádios poderiam escolher, na faixa de 19h a 22h, em qual horário transmitir o programa.
A proposta de flexibilizar o horário é defendida pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Representante da associação, o advogado Alexandre Kruel Jobim reconhece a importância da Voz do Brasil, mas argumenta que a flexibilização do horário é necessária devido aos prejuízos que as rádios enfrentam com a "brutal" queda de audiência durante a transmissão do programa.
Jobim diz que a imposição da transmissão às 19 horas "não faz sentido em pleno século 21, quando existem meios de comunicação como a internet" e vários ouvintes prefeririam ter informações sobre o trânsito local, música ou outros programas de entretenimento, como a transmissão de jogos de futebol. Segundo ele, a flexibilização pode beneficiar, inclusive, a própria Voz do Brasil, devido às diferenças dos vários públicos das rádios nesse horário.
– Não somos, de forma alguma, contra a Voz do Brasil. O que queremos é a flexibilização – repetiu.
Coordenador do Movimento em Defesa
do programa A Voz do Brasil,
Chico Santanna fala à CDH sobre o papel do
programa Voz do Brasil
como instrumento de concretização
do direito à informação. 

Foto deJosé Cruz/Agência Senado
Mas, para Chico Sant'Anna, jornalista do Senado e coordenador do Movimento em Defesa do Programa Voz do Brasil, "na prática a flexibilização levará ao fim do programa". Ele afirma que, se cada rádio fizer a transmissão no horário que desejar, será impossível ao governo fiscalizar quem está efetivamente veiculando ou não o programa "e aos poucos ele irá desaparecer".
– O horário das 19 horas já está no imaginário da população – assinalou.
Concessão e população rural
Chico Sant'Anna lembrou que a transmissão da Voz do Brasil "é uma das poucas contrapartidas que as emissoras têm de oferecer em troca da concessão que utilizam" (as rádios não são propriedade privada; seu uso é outorgado pelo governo). Ele acusou a Abert de ter acabado com o Projeto Minerva, de alfabetização a distância, que era produzido pelo governo e tinha transmissão obrigatória em todas as rádios. Também disse que as contrapartidas feitas por meio de campanhas institucionais de saúde ou educação "praticamente não existem mais e programas como o do Zé Gotinha, para serem veiculados, têm de pagar às rádios e às tevês".
Outro ponto ressaltado pelos defensores da Voz do Brasil foi o público que o programa alcança – principalmente o rural – e que não é atendido pela imprensa do setor privado. Citando um levantamento, o secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, Jonas Valente, frisou que "a grande demanda pela Voz do Brasil vem das pessoas que estão no campo, no interior, que têm pouca renda e não têm, por exemplo, acesso a internet e TV a cabo".
– São brasileiros que não têm outra alternativa – salientou.
Chico Sant'Anna acrescentou que, com a flexibilização, o programa seria "jogado para mais tarde", prejudicando os trabalhadores rurais ou das periferias das cidades, que acordam de madrugada para trabalhar e se informam por meio da Voz do Brasil. Ao ser transmitido no final da noite, diz o jornalista, o programa deixaria de ser ouvido por essas pessoas.
Ao concordar com essa avaliação, Ana Rita disse que "a Voz do Brasil precisa ser preservada e cabe à Câmara, onde tramita o projeto, fazer esse debate".

quarta-feira, 8 de maio de 2013

ABI apoia tombar a Voz do Brasil como patrimônio cultural do País


A Associação Brasileira de Imprensa - ABI decidiu apoiar o projeto de lei de autoria da ex-senadora Marinor Brito (PSOL-PA), que transforma o programa A Voz do Brasil, em patrimônio cultural imaterial do Brasil. A Voz do Brasil é o programa radiofônico informativo mais antigo do planeta, com transmissão obrigatória às 19 horas para todas as emissoras de rádio do território brasileiro. 
Veja abaixo a íntegra da nota da ABI
Associados da ABI apoiam a Voz do Brasil como
Patrimônio Cultural Imaterial do Povo Brasileiro

Em assembleia-geral que antecedeu a eleição da diretoria e dos Conselhos Deliberativo e Fiscal, realizada a 25 de abril último, os associados da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) aprovaram moção de apoio ao projeto, neste momento em tramitação no Senado, de tombamento do programa Voz do Brasil como Patrimônio Cultural Imaterial do Povo Brasileiro .
Entendem os associados da ABI que o histórico programa, o mais antigo do mundo, deve ser mantido no seu horário tradicional de 19 às 20 horas. Durante este espaço de tempo, milhões de brasileiros, nos mais diversos Estados, sobretudo no interior, sintonizam, de segunda a sexta-feira, o programa, muitas vezes única fonte de informação de segmentos da população que vivem no interior .
Além de histórico, a Voz do Brasil tem se destacado pela qualidade jornalística e, segundo recentes pesquisas, uma delas do Data Folha, de grande audiência nos mais diversos rincões do país, sobretudo nas regiões Nordeste e Centro Oeste.
Os associados da ABI exortam os representantes do povo, no Senado e na Câmara dos Deputados, a priorizarem a votação no sentido de aprovar a Voz do Brasil como Patrimônio Cultural Imaterial do Povo Brasileiro.
proposta de tombar a Voz do Brasil como Patrimônio Cultural Imaterial do Povo Brasileiro foi apresentada pela ex-senadora Marinor Brito (PSOL-PA), em forma de projeto de lei, que conta com o apoio pluripartidário, entre outros, dos senadores Roberto Requião (PMDB-PR), Benedito de Lira (PP-AL) e Vanessa Graziotin (PcdoB-AM).

domingo, 28 de abril de 2013

Voz do Brasil: senadora retira parecer contrário e quer ouvir a sociedade


Está em análise no Senado Federal um projeto apresentado, em 2011, pela ex-senadora Marinor Brito, PSOL/PA, a pedido do Movimento em Brasília 19 horas - em Defesa da Voz do Brasil, que classifica o programa radiofônico em Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. 
A iniciativa é uma forma de evitar a extinção do programa - o mais antigo informativo radiofônico do planeta - que pode acontecer caso seja aprovado outro projeto, patrocinado pela Abert, que flexibiliza o horário de transmissão de A Voz do Brasil.
Inicialmente, a relatora do projeto, na Comissão de Educação,a senadora Ana Rita - PT/ES, havia apresentado um parecer contrário ao tombamento de A Voz do Brasil. Agora, ela decidiu retirar seu relatório e auscutar o que a sociedade tem a dizer sobre a iniciativa. É possível que aconteça um Audiência Pública para tratar do tema. Os senadores Randolfe Rodrigues - PSOL/AP, e Roberto Requião - PMDB/PR, também pensam emconvocar uma Audiência Públcia

Abaixo, um artigo sobre o tema, de autoria da senadora Ana Rita, em seu blog, explicando sua iniciativa.



Artigo da senadora – Em defesa da Voz do Brasil


A Voz do Brasil, o mais antigo programa radiofônico do gênero no mundo, completa 78 anos, no dia 22 de julho deste ano. O programa é um importante e indispensável instrumento de informação para a imensa massa de brasileiras e de brasileiros que vive no campo e na cidade, sem acesso a jornais e revistas e que não dispõe de outra forma de saber com transparência dos atos e realizações públicas.
Não à toa pesquisa do Ibope sobre o perfil da audiência radiofônica em nosso País aponta que um em cada três brasileiros ouve rotineiramente o programa. Outra enquete indica que 73% dos entrevistados concordam com a continuidade da veiculação da Voz do Brasil às 19h.
Sem distorcer informações e fatos, a Voz do Brasil cumpre um dos mais importantes papéis do jornalismo ao tratar igualmente as notícias dos poderes públicos e não privilegiar nenhum segmento. Com isso, faz chegar aos ouvintes a verdadeira e real informação.
Tais características, evidentemente, não agradam a setores da grande mídia. Motivados por interesses meramente econômicos, voltados apenas à exploração comercial do horário nobre no qual é veiculada a Voz do Brasil, muitos tentam enfraquecer o caráter democrático e transparente do programa com propostas como a que tramita na Câmara dos Deputados, de “flexibilização” do horário do programa. Uma forma disfarçada de relegar a segundo plano a Voz do Brasil. Sou terminantemente contra este projeto de lei!
No Senado, sou relatora de outro projeto de lei que trata da Voz do Brasil: o que transforma o programa radiofônico em Patrimônio Imaterial e Cultural do Povo Brasileiro. Ele tramita na Comissão de Educação, Cultura e Esporte onde tem caráter terminativo, ou seja, se aprovado, não passa no plenário, indo direto à Câmara dos Deputados.
Em que pese o meu relatório se basear nos argumentos contidos no parecer  da assessoria técnica do Senado, que aponta o Executivo como o único poder com competência técnica para declarar a Voz do Brasil Patrimônio Cultural Imaterial, retirei a matéria de pauta. O parecer técnico leva em conta o decreto presidencial 3.551 de 2000.
A razão para a retirada de pauta é que considero essencial ouvir a respeito do assunto os mais amplos segmentos da sociedade – sindicatos, movimentos sociais, órgãos governamentais, entidades que lutam pela democratização da comunicação. Quero construir coletivamente um parecer adequado aos anseios da maioria. Considero a Voz do Brasil patrimônio da sociedade brasileira e, portanto, fortalecê-la é tarefa de todas e todos que compreendem que o acesso à comunicação é um dos pressupostos básicos para consolidação da democracia. O meu total compromisso é com a nossa voz: a Voz do Brasil!
Ana Rita é senadora da República e preside a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Conselho Curador da EBC apoia projeto que torna a Voz do Brasil Patrimôniio Cultural Imaterial do Povo Brasileiro


O Conselho Curador da Empresa Brasileira de Comunicação - EBC, em sua reunião do último dia 17 de abril, aprovou, por unanimidade, moção a ser encaminhada à Comissão de Educação do Senado Federal e ao CCS (Conselho de Comunicação Social) do Congresso, de apoio ao projeto de tornar a Voz do Brasil Patrimônio Cultural Imaterial do Povo Brasileiro, que está tramitando no Senado.  
Por sua trajetória histórica, importância para a integração nacional e contribuição para a construção da cidadania brasileira, teve início em Brasília um movimento de preservação da Voz do Brasil. Nascido entre jornalistas e radialistas da cidade, o movimento conta com apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Federação Interestadual dos Radialistas (Fitert), sindicatos dos jornalistas do Distrito Federal e do Estado do Rio, sindicato dos radialistas do DF, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Central Geral de Trabalhadores do Brasil (CGT-B), CNBB, MST e outras entidades civis.

O movimento "Em Brasília 19 Horas" defende a preservação desse importante instrumento de comunicação e o seu tombamento como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. O país não pode perder seu informativo radiofônico mais antigo do mundo. A proposta foi abraçada pela ex-senadora Marinor Brito (PSOL-PA), que em 2011 apresentou na forma de projeto de lei. Este conta com apoio pluripartidário, dentre outros, do senador Roberto Requião (PMDB-PR), Benedito de Lira (PP-AL) e da senadora Vanessa Graziotin (PCdoB-AM).
O projeto está para análise na Comissão de Educação do Senado Federal, a relatora é a senadora Ana Rita (PT-ES)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Voz do Brasil: STF reafirma obrigatoriedade de transmissão

Da Agência Brasil
O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a obrigatoriedade de transmissão do programa A Voz do Brasil pelas emissoras de rádio de todo o país no horário das 19h às 20h, de segunda a sexta-feira. A decisão foi do ministro Antonio Dias Toffoli que acolheu recurso da União e considerou legal a determinação de que empresas de radiodifusão sejam obrigadas a retransmitir diariamente o programa no horário determinado.
Esse entendimento já foi firmado pela Suprema Corte em apreciação da Ação Direta de Inconstitucionalidade, a Adin 561.
O recurso da União contestava decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) que permitiu à Rádio FM Independência transmitir A Voz do Brasil em horário alternativo. A rádio também entrou com recurso no STF para alegar violação do Artigo 220, que prevê que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição”. O recurso da rádio foi negado e a decisão do TRF4, reformada por Dias Toffoli.
Com uma hora de duração, o programa A Voz do Brasil está no ar há mais de 70 anos. Os primeiros 25 minutos são produzidos pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e levam aos cidadãos as notícias sobre o Poder Executivo. Os 35 minutos restantes são divididos e de responsabilidade dos Poderes Judiciário e Legislativo.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Voz do Brasil e o novo Conselho: a estranha aliança entre a Abert e a Câmara dos Deputados

Por  Beto Almeida
 

A aprovação dos novos membros do Conselho de Comunicação Social do Congresso é uma jogada da Abert para preencher as condições legislativas visando aprovar o projeto de lei da flexibilização da Voz do Brasil
Um dos problemas técnicos que o projeto de lei apoiado pela ABERT possui é exatamente o fato de não ter sido examinado, em nenhum momento, pelo Conselho de Comunicação Social, obrigação expressa na Constituição para a aprovação de qualquer matéria legislativa relativa à questão midiática. Sem exame do Conselho, a flexibilização da Voz do Brasil poderia ser embargada, inclusive por configurar uma  inconstitucionalidade, já que o CCS foi criado pela Constituição de 1988 e regulamentado no governo Collor.
Depois de um período breve de funcionamento, estava desativado e é agora acionado quando a ABERT, com o apoio do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, que  estabeleceu como sua prioridade a aprovação da flexibilização, medida que abre caminho para a extinção do mais antigo programa de rádio do mundo. 
O deputado Jilmar Tato, líder do PT na Câmara, retirou o projeto de pauta argumentando, corretamente, que a Voz do Brasil cumpre relevantes serviços à sociedade, sobretudo à população mais carente, sem acesso à leitura de jornais e revistas, além de ser informativo eficiente e abrangente sobre programas sociais de grande valia a grande massa da população. Refere-se a informações sobre o Fundeb, o PAA e os preços mínimos do Ministério da Agricultura, os programas do Ministério da Pesca, sobre o preço da borracha, as datas de vacinação etc, que somente pela Voz do Brasil têm sua divulgação realizada de modo adequado. Ao contrário do rádio comercial. 
Com o campo empresarial  fortemente representado na nova composição do CCS e com o período de esvaziamento parlamentar em razão das eleições municipais, é importante que os partidos progressistas e os movimentos que defendem a regulamentação democrática da comunicação estejam atentos e mobilizados para não serem novamente surpreendidos pela eliminação de um espaço público radiofônico que deveria ser fortalecido e qualificado, nunca suprimido.
[As opiniões aqui postadas são de responsabilidade de seus autores]