Um romance da busca e do desencontro: de um homem que chega sempre depois do tempo, como o irmão que nunca conheceu, como a era que nunca veio. Uma viagem ficcional no tempo de volta aos anos de chumbo da ditadura militar no Brasil, ao mesmo tempo um período da contracultura, do mvimento hipie.
O pano de fundo de O Tardio é o Brasil dos anos 1970, período mais duro da ditadura militar: o AI-5 em vigor, a tortura como prática de Estado. Em meio a isso, uma geração de jovens escolheu o caminho oposto — a estrada, a contracultura, a busca por paz e liberdade. Mas o que significa liberdade quando tudo ao redor conspira para impedi-la? Será que eles estão dispostos a pagar o preço que for para conquistá-la?
O Tardio, de Maurício Melo Jr., é um romance
que foca na busca e no desencontro: de um homem que chega sempre depois do
tempo, como o irmão que nunca conheceu, como a era que nunca veio. Uma
narrativa instigante, densa e profundamente brasileira, em que o passado e o
presente se entrelaçam na estrada aberta de um país que ainda busca a sua
própria liberdade.
O
estilo literário de Maurício Melo é muito apreciado pela perícia em escrever. Nas
palavras da escritora Ana Baggioto, ele tem “a paciência de um artesão que
conhece o valor dos silêncios e a força dos detalhes quase imperceptíveis. Nada
parece excessivo, nada parece faltar. As palavras chegam ao texto como pedras
cuidadosamente escolhidas para erguer uma ponte sobre a solidão humana. Há uma
precisão rara em sua linguagem: cada termo ocupa exatamente o lugar onde
deveria estar, como se tivesse esperado toda uma vida para ser pronunciado”.
Depois
do lançamento, na Feira do Livro,
em São Paulo, a obra já tem data
marcada para os apreciadores da boa literatura, em Brasília, nesta quarta-feira,
dia 10. Vai ser no Bar Beirute, já tradicional nos lançamentos lietrários, com
a presença do jornalista Maurício Melo, autor de
35 livros. Este é seu quarto romance.
O Livro
O Tardio retrata a vida de Sérgio, um pernambucano,
cuja sina parecia seguir um caminho bastante tradicional. Uma infância e
adolescência comuns, marcadas pela forte presença do catolicismo — à época,
quase uma regra em todo o país, inclusive em Pernambuco, onde nasceu. Sua
família já não possuía o status social de outrora, mas ele conseguiu se formar
em Direito. Casou-se. A esposa, professora, dividia-se entre a casa, os estudos
e as salas de aula. Tiveram filhas. Tudo dentro do convencional.
No
entanto, a perda de um parente próximo fez reaparecer uma figura há muito
aprisionada no silêncio familiar: a de Roberto, seu irmão.
Anos antes,
a morte de Roberto e suas escolhas de vida sempre foram um tabu acobertado por
seus pais e por todos. O caçula Sérgio, que sempre recebera poucas informações a
respeito de seu irmão, agora tinha em mãos mais do que imaginara em toda a sua
vida. Ainda assim não era suficiente. Ele precisava de mais. Tinha necessidade
de descobrir novas peças da história de seu irmão, cuja morte coincidira com a
data de seu próprio nascimento. Angustiado, Sérgio deixa tudo para trás e põe o
pé na estrada.
A
trajetória de Sérgio em busca de respostas é guiada por cartões-postais encontrados
na casa de seu tio, logo após seu falecimento. As correspondências foram escritas
por seu irmão durante suas andanças e enviadas ao tio ao longo dos anos.
Por
onde passa, o advogado abandona a gravata, adota a bata indiana e o pano
vermelho do artesanato, recolhe informações e vivências que o ajudam a montar o
quebra-cabeças da história de Beto. Nesse percurso, Sérgio começa também a
questionar suas próprias escolhas, desejos e certezas, colocando à prova tudo o
que havia construído, inclusive o casamento e a vida profissional deixados para
trás no Recife.
Aos
poucos, a figura de Roberto ganha corpo: um rapaz calado e religioso que, no
fim dos anos 1970, abandonou a casa dos pais em Palmares e se tornou hippie ao
lado de Caliandra. Juntos, os dois percorreram o país em busca de um modo de
viver mais livre. O rastro some no interior de Goiás. E é até lá que Sérgio
precisa chegar.
O
escritor Maurício Melo Júnior nos conduz por essa jornada na qual o
protagonista atravessa cidades do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do país,
refazendo o caminho do irmão. Sua maneira de nos apresentar esse mundo,
transforma paisagem em estado de espírito:
o asfalto do sertão é uma cobra
negra e rastejante,
o calor sobe do chão como nuvem,
cada lugar carrega o peso de quem passou por ele.
O
Brasil que emerge das páginas de O
Tardio, é místico e distante do modo de vida tradicional. Nessa leitura,
fazemos uma travessia ao lado de andarilhos que esperam e buscam a chamada Era
de Aquarius. Esse novo romance faz jus ao que Ana Baggioto fala sobre o autor: “não
apenas conta uma história; revela as fissuras, as ausências e as possibilidades
de redenção que habitam o coração dos homens sem a presunção de oferecimento de
respostas, mas revelando uma humanidade mais vasta, mais complexa e mais
verdadeira”.
O autor:
Maurício
Melo Júnior é
escritor, jornalista, crítico literário e documentarista. Pernambucano radicado
em Brasília, formou-se em Comunicação Social, com pós-graduação em Economia e
Ciência Política. Atuou em alguns dos principais veículos de comunicação do
país, como o Correio Braziliense.
Há 25
anos apresenta o programa Leituras, na TV Senado, o primeiro dedicado à
literatura brasileira. Assina
resenhas literárias para o jornal Rascunho
(Curitiba/PR) e é colaborador da
revista literária Pernambuco (Companhia Editorial de Pernambuco. Recife/PE).
Presidiu o Instituto Casa de
Autores, de Brasília, além de ser membro da Associação Nacional dos Escritores.
É também autor de romances,
contos, crônicas e livros infantojuvenis, com destaque para Não me empurre
para os perdidos e Sujeito oculto.
Ao
todo, já escreveu 35 livros e O Tardio é seu quinto romance. É curador da FLIPIRI
curador (Festa Literária de Pirenópolis – GO) e da Flipenedo - Festa Literária
de Penedo (GO). Como documentarista, dirigiu mais de 20 filmes e escreveu para
o teatro, com peças encenadas em diversas regiões do país.
Serviço:
Livro: O
Tardio
Autor: Maurício Melo Júnior
Páginas: 160
Editora Rua do Sabão
Lançamento em Brasília: Dia dia 10/6, 19 horas - Bar Beirute – CLS 109













