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segunda-feira, 11 de maio de 2026

O jornalista que virou empreendedor de café


Da antiga lauda de papel ao atelier do café especial: a trajetória de veteranos profissionais de imprensa para enfrentar as mudanças estruturais das redações e do jornalismo. Depois de 40 anos na Comunicação, o professor, jornalista e pesquisador acadêmico, Aldo Schmitz, e sua esposa mergulham na produção e comercialização on-line de um café diferenciado.


Por Chico Sant'Anna 

O avanço das novas tecnologias, as mudanças dos hábitos culturais, as plataformas de redes sociais e seus influencers.... tudo tem contribuído para uma mutação forte na imprensa e, principalmente, no mercado de trabalho dos jornalistas profissionais. Não tem sido fácil, mesmo para profissionais gabaritados, com experiência e até mesmo com passagem pelo mundo do ensino e da pesquisa científica. Profissionais, novos e veteranos, tem buscado alternativas, uma delas é se tornar empreendedor. E foi isso que fez o jornalista paranaense Aldo Schmitz.

Há 40 anos no ensino e pesquisa de Jornalismo, inclusive a nível de pós graduação, na gestão da comunicação e da produção cultural, Aldo Schmitz, que lecionou na Universidade Federal de Santa Catarina, e sua esposa, Jacqueline Brandalize, decidiram por uma nova pauta: deram início a uma nova atividade. Em comum com a Comunicação? Só o hábito das redações de sempre estar tomando um cafezinho. 

Isso mesmo, o casal decidiu mergulhar nos segredos dos someliers de café e acaba de implantar a Dripe Café, uma empresa de drip coffee de café especial. Pra quem não conhece o termo, trata-se de um café especial em dose individual, pronto para você. Mas ele não vem em capsulas nem precisa de máquinas. São sachês para filtrar direto na xícara a qualquer hora ou lugar. O casal aposta nesse novo método de extração: o drip coffee. Nele, o preparo é simples e prático: basta retirar o filtro do sachê, encaixar na xícara e adicionar água quente.

Pesquisa

Foram mais de dois anos de estudos, inclusive com ampla pesquisa realizada com mais de 700 apreciadores de café especial, conta Aldo, hoje radicado em Curitiba. O jornalista assegura que todo o processo é artesanal e sustentável, desde a colheita manual e seletiva até o beneficiamento natural de microlotes. A torra também é artesanal, assim como o envase. “Trata-se de um ateliê de café, um toque de curadoria que respeita a autenticidade do café especial, do plantio a xicara” – observa Jacqueline Brandaliza, esposa e parceira de Aldo nesse novo desafio.

A torra é fresca, e o café permanece protegido em embalagem laminada e hermeticamente lacrada. A nova empresa oferece somente cafés de origem certificada, com pontuação superior a 84 pontos, conforme os critérios internacionais da Specialty Coffee Association (SCA).

Trata-se de um café puro, sem defeitos ou impurezas, com certificação e rastreabilidade de origem, procedência e qualidade. A seleção prioriza terroirs reconhecidos pelo INPI, com destaque para Minas Gerais, especialmente a Serra da Mantiqueira e o Cerrado Mineiro.

Com as facilidades do comércio na internet, qualquer pessoa, em qualquer lugar do Brasil, poderá encomendar no site uma caixa de sachês de café. Cada caixa traz 25 sachês de 10 gramas. É ideal para o café da manhã e para qualquer momento do dia, em casa, no trabalho ou em viagem. O preço é, em média, 35% a 40% mais econômico do que o de outros drip coffees de café especial com pontuação acima de 84 pontos.

sábado, 2 de maio de 2026

Morre Raimundo Rodrigues Pereira, o jornalista da imprensa alternativa

Aos 86, anos, morreu neste sábado, 2, no Rio de Janeiro, o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, ex-Opinião, ex-Movimento


Por Antônio Carlos Queiroz (ACQ)

O jornalista Raimundo Pereira, mestre genial do jornalismo independente, democrático e popular, foi um daqueles lutadores imprescindíveis referidos pelo poeta Bertolt Brecht.

Nos tempos da era de chumbo, era o jornalista da imprensa alternativa e combativa. Por meio do jornal Opinião, trouxe de volta ao centro do debate público a questão nacional. Por meio do jornal Movimento, fincou as bandeiras do fim das leis de exceção da ditadura militar, da Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, e da convocação da Constituinte Livre e Soberana. Se destacou pelo rigor profissional, coragem e compromisso com a democracia, atuando também em veículos como Realidade e Veja.

Radicalmente comprometido com a democratização republicana do País, e com a melhoria das condições de vida da população brasileira, o Raimundo foi também apaixonado pela divulgação das conquistas científicas.

Nascido em Exu (PE), quando estava no último ano de Engenharia Aeronáutica no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em 8 de abril de 1964, foi preso pelo DOPS, o que o levou a abandonar a Engenharia Aeronáutica no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) A e dedicar-se ao jornalismo após formar-se em Física.

Dizia que o bom jornalista deve acompanhar os acontecimentos do seu bairro, de sua cidade, de seu Estado, do seu País, do planeta e também do Universo. O mundo, dizia, pode ser conhecido e o conhecimento é o caminho inevitável para que possamos mudá-lo.

Socialista, o Raimundo Pereira foi também um fã da República Popular da China. O livro que conta grande parte da história de Raimundo Pereira foi disponibilizado pelos autores

A causa da morte não foi divulgada. Vou sentir saudades do mestre, com quem eu comia feijoada com vinho, enquanto falávamos mal dos inimigos do povo brasileiro!


segunda-feira, 13 de abril de 2026

Os Corpos Estranhos do jornalista Sergio Leo


A obra acontece em meio à conjuntura instável e marcada pela desumanização, da inteligência artificial, das guerras irracionais e das relações humanas sob o pragmatismo liberal. Leo desenvolve uma ficção que trata de corpos reais, da singularidade dos indivíduos e sua relação com o mundo.


“Corpos Estranhos”é o mais recente trabalho do jornalista e escritor, Sérgio Leo. Após “Mentiras do Rio”, havia prometido um livro de contos sobre arte contemporânea, tema que serve de pano de fundo para algumas das histórias da nova obra. A maioria dos contos trata de relacionamentos humanos e suas expectativas, que têm em comum com a Arte, a dicotomia entre realidade e aparência, e os percalços da linguagem e da representação.

Em meio a histórias que vão da coragem de um combatente com pés de sete dedos em uma guerra perdida no Oriente Médio a desencontros amorosos e às angústias de um garoto perna de pau em um jogo de futebol, ansioso para atender às expectativas dos colegas de time, Leo explora também conceitos da própria literatura, enfrentando tabus acadêmicos como a repulsa aos adjetivos em narrativas de ficção ou desafios como um conto narrado extraordinariamente na segunda pessoa do singular.

A obra acontece em meio à conjuntura instável e marcada pela desumanização, da inteligência artificial, das guerras irracionais e das relações humanas sob o pragmatismo liberal. Leo desenvolve uma ficção que trata de corpos reais, da singularidade dos indivíduos e sua relação com o mundo.


O autor, como define a premiada escritora Rosa Amanda Strausz na orelha do livro, fala do corpo “não apenas como matéria, mas como território da experiência”. Ou como diz a editora Mirna Queirós, na contracapa do livro, são contos em que os leitores poderão entrever “a fricção dos personagens com o mundo que se ergue ou desmorona diante deles”.

O autor

Sergio Leo apresenta-se como ex-carioca; desde 1985 morador de Brasília, onde trabalhou na maioria dos grandes jornais e na TV Globo, até permanecer por 15 anos repórter e colunista do jornal Valor Econômico. Hoje, entre colaborações a outros veículos de comunicação, escreve crônicas para o Correio Braziliense.

Em seu primeiro livro de contos, “Mentiras do Rio” (ed. Record), vencedor do Prêmio Sesc de Literatura, dedicou-se ao Rio de Janeiro onde nasceu, com seus personagens e paragens, já observados através da mesma lente irônica e crítica que marca seu novo livro de contos, em lançamento: “Corpos Estranhos”.

Após seu livro de estreia, escreveu um livro de não-ficção, “Ascensão e Queda do Império X” (ed. Nova Fronteira), sobre a derrocada do empresário Eike Batista; e colaborou, com contos e artigos, em sites de Internet e coletâneas como “Conversas de Botequim”, (ed. Mórula) com contos baseados em músicas de Noel Rosa.

Formado em Jornalismo pela ECO-UFRJ, com especialização em Relações  Internacionais pela UnB, Sergio Leo é também formado em Artes Visuais na UnB, e participou, em Brasília de exposições coletivas como “Seu Museu Expoexperimento” e “Diálogos da Resistência”, no Museu Nacional de Brasília, e uma individual, “Radicalismos”, na Alfinete Fotogaleria.


Serviço

Em Brasília, Sergio Leo lançará seu “Corpos Estranhos” na noite de 5 de maio, a partir das 18h30, no bar Beirute da Asa Sul, na CLS 109.

terça-feira, 31 de março de 2026

Novo livro resgata os horrores dos 50 anos do golpe militar na Argentina.


Meio século após o golpe militar de 1976, na Argentina, livro traz o depoimentos de 24 homens e mulheres que sofreram na pele as atrocidades do regime de chumbo, O objetivo da obra, lançada em Buenos Aires, é manter a memoria viva e combater o negacionismo que tenta apagar os horrores perpetrados.

Por Chico Sant'Anna

A obra “50 años del golpe en Argentina, testimonios” reúne os depoimentos de 24 cidadãos e cidadãs que enfrentaram a dor, mas mantiveram acessa a resistência contra o arbítrio. Ela acaba de ser lançada em Buenos Aires e é avaliada como uma forma de enfrentamento do negacionismo, explica a jornalista Lídia Fagale, uma das responsáveis pelo projeto e autora de um dos depoimentos.

 “São relatos de vida, fundamentais para manter ativa a memória face às tentativas de negar as atrocidades do golpe de estado de 24 de março de 1976” - complementa. Nessa data, há 50 anos, as forças armadas argentinas depuseram o governo constitucional de Isabel Perón e instituíram no comando da nação uma Junta Militar, composta por Jorge Rafael Videla (Exército), Emilio Massera (Marinha) e Orlando Agosti (Aeronáutica). Tinha início alé um dos período dos mais obscuros da história do país vizinho.

Os movimentos sociais localizaram 814 centros clandestinos de detenção, tortura  extermínio daqueles e daquelas contrárias ao regime militar. Entre os desaparecidos estavam centenas de mulheres grávidas, mantidas em centros clandestinos de detenção. Muitas deram à luz em cativeiro e seus bebês foram retirados e entregues ilegalmente a outras famílias, configurando uma política sistemática de apropriação de crianças levada adiante pelo regime.

Organizada por Manuel Martínez e editada pela editora Manuel Capitán Cianuro, a obra, que traz testemunhos inéditos sobre a ditadura cívico-militar argentina, foi lançada em um local que não poderia ser mais iconográfico: a sede da Asociación Madres de Plaza de Mayo. Movimento de mães e avós que tentam localizar até hoje filhos e netos sequestrados ainda crianças ou mesmo bebês pela ditadura.


segunda-feira, 9 de março de 2026

Livro sobre a fabricação dos invisíveis na história do Brasil pode ser baixado gratuitamente


O livro “Quem somos nós na fila do pão? A fabricação dos invisíveis na história do Brasil” pode ser baixado e lido gratuitamente por meio desse link.


O livro “Quem somos nós na fila do pão? A fabricação dos invisíveis na história do Brasil”, lançado pelo jornalista José Cristian Góes em 2022 e com todas as edições impressas esgotadas, será agora distribuído gratuitamente no formato digital, pela Mangue Jornalismo de Sergipe.

Editado pela Edise, “Quem somos nós na fila do pão?” é parte da tese de Doutorado em Comunicação e Sociabilidade defendida pelo jornalista Cristian Góes na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No livro, ele propõe um percurso crítico para discutir o “Outro” e as identidades, recorrendo a alguns elementos da História.

“Busquei mergulhar na trajetória da formação nacional para pensar sobre quem é o Outro em nós”, informou Cristian.

No trabalho emergem discussões sobre as manipulações identitárias, genocídios, escravização indígena e africana, o nascimento dos ‘Ninguéns’. A violência e o racismo são temas vitais no livro. Cristian Góes trata da fantasia da nação e da pátria, da participação da igreja na pedagogia racista e a construção ideológica dos invisíveis para consolidar a ideia de país.

“O Outro é fabricado no Brasil como repulsa, prevalecendo como a Diferença contra nós, que será sempre pobre, indígena, negra, criminosa, suja, doente, ameaça constante em permanente controle e extermínio. Todavia, a elite brasileira também produziu um Outro como desejo, referência, a ser imitado”, analisa Cristian Góes.

Para o autor, há um acerto de contas histórico entre nós que ainda está em aberto e que precisa ser enfrentado. Além desse livro, a tese de Cristian Góes foi dividida em outros dois livros:

·        “A Comunidade Invisível”, editado pela Ponte Editora, em Portugal.

·        “O jornalismo e a experiência do invisível: teoria, método e estudo de caso”, pela Editora Appris, de Curitiba/PR.

O livro “Quem somos nós na fila do pão? A fabricação dos invisíveis na história do Brasil” pode ser baixado e lido gratuitamente por meio desse link.

O autor:

José Cristian Góes é jornalista, doutor em Comunicação pela UFMG, com doutoramento sanduíche na Universidade do Minho/Braga, Portugal. É mestre em Comunicação pela UFS. 

Foi repórter e colunista em jornais, revistas e portais e trabalhou em assessoria de comunicação. Foi secretário de Comunicação da prefeitura de Aracaju, presidente do Sindicato dos Jornalistas de Sergipe e membro da Comissão Nacional de Ética dos Jornalistas. 

É servidor público federal e coordena a Mangue Jornalismo.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Capacitação gratuita em IA para Youtubers e videomakers

As inscrições podem ser feitas até 29 de março de 2026, por meio desse link. Ao longo do programa, os participantes. A primeira lista de aprovados será divulgada entre 31 de março e 6 de abril, seguida por uma segunda chamada entre 8 e 12 de abril.

Por Chico Sant’Anna

Cinco mil bolsas integrais estão sendo ofertadas a criadores de conteúdo veiculados na plataforma Youtube para aprenderem a planejar, produzir e publicar vídeos com método e consistência com apoio da Inteligência Artificial (IA).

A capacitação é uma parceria da plataforma de educação aberta DIO e o banco Santander. Ela visa ensinar o uso da IA desde a organização das ideias, criação de roteiros mais envolventes, desenvolver identidade visual coerente e revisar conteúdos de forma estratégica.

Ela está formatada por meio de videoaulas, exercícios práticos e desafios hands-on (atividades práticas e imersivas em que os participantes aprendem fazendo, em vez de apenas consumirem conteúdo teórico). Ao todo, será uma jornada de 38 horas. Ao final do programa de treinamento intensivo e imersivo (bootcamp), os participantes terão um canal ativo e organizado de forma profissional, com o primeiro vídeo publicado, identidade visual aplicada e um sistema prático para manter a produção de conteúdo. Também receberão um banco de prompts estratégicos para apoiar a evolução contínua do canal.

As inscrições podem ser feitas até 29 de março de 2026, por meio desse link. Ao longo do programa, os participantes. A primeira lista de aprovados será divulgada entre 31 de março e 6 de abril, seguida por uma segunda chamada entre 8 e 12 de abril. A trilha de estudos será liberada em 20 de abril de 2026, e a conclusão do programa, com certificação, ocorrerá até 21 de junho de 2026.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Livro: biografia de Belchior no Beirute da Asa Sul

Por Chico Sant'Anna 

Cearense, de Sobral, Belchior ganhou o Brasil como apenas um jovem latino-americano. Em 1971, venceu o IV Festival Universitário da Canção Popular, realizado no Rio de Janeiro, com a música Na Hora do Almoço. De lá para cá, compôs 218 músicas, materializadas em 348 diferentes gravações dele e de outros intérpretes. Gravou, pelo menos 14 álbuns de estúdio, e lançou outros trabalhos ao longo de sua carreira, totalizando mais de 30 álbuns em sua discografia. Falecido em abril de 2017, ganha agora uma nova biografia, de autoria do jornalista Alberto Perdigão.

O livro Belchior: a construção de um mito na literatura de cordel é o resultado de uma pesquisa que analisa 28 biografias do Belchior, nove publicadas em livro e 19 em folhetos de cordel.

“Nesta síntese de biografias, trago o que há de mais picante e surpreendente na vida, obra, desaparecimento e morte do Belchior”, adianta Perdigão. “O estudo comparativo mostra que o Belchior do livro é uma construção simbólica bem diferente da que se vê no cordel”, completa. O cantor e compositor Antônio Carlos Belchior morreu em Santa Cruz do Sul (RS) em 30 de abril de 2017, com 70 anos, ao final de dez anos desaparecido da família, amigos, parceiros e fãs.

O livro

Belchior: a construção de um mito na literatura de cordel (RDS, 2025, 308 páginas) é o primeiro estudo sobre as biografias do cantor e compositor, cuja vida tem sido objeto de muitos livros e folhetos de cordel. “Talvez só o Rei do Baião Luiz Gonzaga tenha sido mais biografado em folhetos”, analisa o pesquisador. “A razão é que Belchior foi excêntrico  como cidadão e excepcional como artista, alguém fora da curva e passou a vida fazendo cavalo de pau”, conclui o autor. 


O autor

Também cearense, mas de Fortaleza, Alberto Perdigão é jornalista, mestre em Políticas Públicas e Sociedade. Desenvolve pesquisa sobre o folheto informativo da literatura de cordel e integra a Rede Folkcom de pesquisadores da folkcomunicação. É autor de sete livros, entre eles Política e Literatura de Cordel (2022) e Pretas e Pretos na Literatura de Cordel (2023).

Lançamento em Brasília

Belchior: a construção de um mito na literatura de cordel será lançado nesta quarta-feira (10), às 19 horas, no restaurante Beirute (109 Sul), como parte da programação Beira Literário. O autor conversará com leitores e autografará o livro. O exemplar custa R$ 70,00. O evento é aberto ao público.