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segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Livro: Tereza Cruvinel conta história e bastidores da criação da EBC e reflete sobre mídia e comunicação pública

A história  da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) contada por quem esteve à frente da sua implantação e foi a sua primeira gestora. Memória de um Desafio – A guerra da TV pública e a criação do sistema EBC combina as memórias da jornalista Tereza Cruvinel, depoimentos e reflexões sobre mídia, democracia e comunicação pública.

Hoje quem liga a TV Brasil, houve a Rádio Nacional, ou mesmo lê uma notícia distribuída pela Agência Brasil, não tem ideia da dificuldade de se implantar essa estrutura pública de Comunicação. O livro de Tereza traz subsídios importantes para os que se interessam pelo tema e será, com certeza, uma boa contribuição para a história da radiodifusão pública no Brasil.

Tudo começou em 2007, quando a proposta de criação de uma TV pública nacional, lançada pelo então ministro da Cultura, Gilberto Gil, agitou a mídia e o meio político, e gerou o movimento social que realizou o Fórum da TV Pública. O presidente Lula, em seu segundo mandato, comprometeu-se com a criação da emissora, defendida por cineastas e produtores audiovisuais, personalidades da cultura e da academia e entidades defensoras da democratização das comunicações.·.

No Congresso Nacional, a proposta foi aprovada após uma dura disputa política. O jornalista Franklin Martins, que havia se tornado ministro-chefe da Secom, foi encarregado por Lula da implantação do projeto, incorporando membros da equipe de Gil. Ele e Tereza, bem sucedidos no setor privado, haviam discordado dos rumos de um jornalismo que foi tomado pelo antipetismo e o combate a Lula. No grupo Globo ele foi diretor em Brasília e comentarista do Jornal Nacional. Ela tinha uma influente coluna em O Globo e era comentarista da Globonews.

Tereza Cruvinel (foto) não exagera quando fala em guerra da TV pública. Nos quatro anos seguintes, a convite de Lula e Franklin, liderou o processo de implantação como primeira presidente e fundadora da EBC. O cineasta Orlando Senna, da equipe de Gil, foi o primeiro diretor-geral.

A iniciativa enfrentou a hostilidade de quase toda a mídia (o que ela chama de bullying midiático), dos partidos de oposição e da extrema direita em ascensão, afora as dificuldades técnicas para implantar uma TV pública tardia em relação às TVs comerciais hegemônicas.

No livro, ela conta a história da EBC e da TV Brasil, da criação aos dias de hoje, passando pelo desmonte sob o governo Temer e o aparelhamento por Bolsonaro, após desistir de privatizar a empresa. Lula acaba de nomear um novo presidente da EBC, o jornalista André Basbaum, que vem da TV Record.

Tereza faz seu relato com seu traquejo de colunista política. Junta na moldura elementos da conjuntura da época, revela bastidores e comenta os conflitos internos em sua gestão, escancara as disputas com o Conselho Curador e aponta os colegas que mais atacaram o projeto.  Escreve na primeira pessoa, mas reconhece o tempo todo a natureza coletiva do trabalho e o papel de seus colegas e de Franklin.


Serviço:

Que: Lançamento: Memória de um Desafio – A guerra da TV pública e a criação do sistema EBC  de Tereza Cruvinel, Tagore Editora (208 páginas, R$ 67,00),

Quando: 17 de setembro, em Brasília, 7 de outubro, no Rio.

Onde:  
- Brasília, Bar Beirute (109 sul), a partir das 18h30.

- Rio, sede da ABI no dia, a partir das 18 horas.

 

      

 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Leonel Brizola, a vida em livro


Jornalista Cleber Dioni Tentardini  escreve sobre o governador de dois estados do Brasil

 

Por Márcia Turcato

Único brasileiro eleito pelo voto popular para governar dois estados, o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro. Este feito cabe ao engenheiro Leonel de Moura Brizola (1922-2004), gaúcho da cidade de Carazinho. Menino pobre que trocou o interior pela capital, Porto Alegre, em 1936, em busca de trabalho e de estudo. Foi engraxate e ascensorista, e em 1946 ingressou no curso de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Isso mudou o rumo da sua própria história. Trocou a mesa de cálculos pela política e deu início a uma trajetória singular. A vida de Brizola é revelada página a página no mais novo livro do jornalista Cleber Dioni Tentardini, “No fio da história”, com lançamento nacional marcado para o mês de março e pré-venda já aberta nas plataformas digitais.

Deputado estadual, deputado federal, prefeito de Porto Alegre, governador do Estado, em dez anos – de sua estreia em 1947 à eleição espetacular de 1958. Brizola pagou o preço de permanecer fiel ao povo de onde emergiu. Se o tivessem apanhado nos dias do golpe de 1964, ele teria sido morto”, conta o autor do livro.

Brizola voltou ao Brasil depois de 15 anos de exílio e perseguições que nunca cessaram, para retomar o fio de sua trajetória. Foi duas vezes governador do Rio de Janeiro, mas as elites mais uma vez o impediram de chegar à presidência da República. Esse personagem fascinante da história do Brasil ganha uma biografia, muito bem ilustrada, resultado de duas décadas de pesquisas, entrevistas e reportagens feitas por Tentardini.

O autor foi a campo vasculhar arquivos históricos, museus, bibliotecas, secretarias de escolas, igrejas e cartórios, até reconstituir a vida dos pais do menino que se tornou Brizola e da região onde nasceu e cresceu no Norte do Rio Grande do Sul. Tentardini foi o único a entrevistar os irmãos do político e a sobrinha, criada como sua irmã. Também encontrou outros familiares, colegas e professores das séries iniciais e amigos de infância.

A obra está recheada de curiosidades, vitórias, derrotas, decepções, amores, fúrias, perseguições, reconciliações, conchavos, e dezenas de fotos, antigas e atuais, charges e reproduções de jornais, inclusive um achado inédito, guardado em cofre: a histórica metralhadora com que o governador gaúcho se movimentava no Palácio Piratini, em Porto Alegre, sede do governo do estado, durante o Movimento da Legalidade, o maior acontecimento político que sacudiu o Brasil após a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961.

O livro remonta cenários e esclarece passagens marcantes da política nacional e internacional através de entrevistas e valiosos trabalhos acadêmicos, divulgados recentemente, e das memórias inabaláveis de jornalistas como Flávio Tavares e Carlos Bastos, e de militares como Emílio Neme e Pedro Alvarez. 

Sobre o autor

Gaúcho de Santana do Livramento, Cleber Dioni Tentardini é jornalista, com quase três décadas de carreira em jornais impressos, revistas e portais jornalísticos, com vários prêmios conquistados. É autor de Patrimônio Ameaçado, sobre as fundações gaúchas extintas; O menino que se tornou Brizola, livro-reportagem; e Usina Eólica Cerro Chato, a primeira usina de geração de energia a partir dos ventos construída no Pampa pela Eletrosul/Eletrobras. Coautor dos perfis parlamentares de João Goulart e Leonel Brizola, da Assembleia Legislativa do RS, e pesquisador de uma dúzia de livros, entre os mais recentes, História Ilustrada do Rio Grande do Sul e Viamão 300 anos. 

Serviço:

O livro está em pré-lançamento com valor promocional de R$ 80,00 por R$ 65,00.
Informações pelo e-mail dfatoeditora@gmail.com.
O lançamento, pela D’fato Editora Jornalística, está previsto para março deste ano.

 

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Reminiscências do jornalismo desportivo candango

 

Em pé, da esquerda para a direita, Raphanelli, Nelson Motta,
Marcus Vinicius Bucar, Irineu Tamanini, José Natal e Kleber. Agachados, 
Fernando Lemos, Irlam Rocha Lima, Roberto Bucar,
Marcos Lisboa, Mauro Naves e Sérgio Marques.
Por Irineu Tamanini

Depois de quase três anos fechado, o Estádio Valmir Campelo Bezerra, mais conhecido como Bezerrão, na cidade-satélite do Gama, será reaberto à população (21/10). 

O evento marca a nova fase do estádio, que passou por várias reformas estruturais. Ao ler a notícia voltei no tempo. Uma das partidas de futebol mais marcantes do nosso time de jornalistas do Correio Braziliense foi contra a equipe dos artistas da Tv Globo, na inauguração do estádio do Gama. Perdemos de um a zero, gol do ator global Nuno Leal Maia, que no passado chegou a atuar no Santos Futebol Clube.

Nuno Leal Maia chutou a bola do meio-campo e o nosso goleiro, José Natal, gritou: "deixa que é minha". Quando olhei, aconteceu o que esperava por jogar vários anos ao lado do vascaíno e editor de esportes do Correio Braziliense e da TV Globo: a bola passou como uma bala e foi parar dentro do gol.

Nunca tinha jogado para um estádio lotado. O problema é que a torcida – na maior parte feminina – torceu o tempo inteiro para os artistas globais. Houve até briga com o Eliezer Mota, o seu Batista do programa Viva o Gordo, estrelado pelo Jô Soares. Se não me engano o Mauro Naves, hoje comentarista de esportes do ESPN, atuou nessa partida. Ele jogava de beque central. Jogava muito bem por sinal.

Natal

Falando de José Natal, não faz muito tempo estava embarcando no aeroporto de Congonhas para o Rio quando encontro meu velho amigo sentado tranquilamente em um dos bancos, aguardando a chamada para entrar no avião e seguir para Brasília. De repente, surge o time do São Paulo que ia para Belo Horizonte jogar contra o Cruzeiro. O Rogerio Ceni passou próximo e pedi a ele que se aproximasse. Ele, gentilmente, veio ao nosso encontro e pude então apresentar o Natal. “Somos jornalistas antigos em Brasília e o Zé Natal é o goleiro do nosso time de futebol de campo. E tem mais: ele agarra igual a você. É um baita goleiro”. Ceni deu os parabéns. Natal, rindo muito, disse: “para com isso, Tamanini”. Rimos, então, os três juntos.

Todas essas histórias você encontra no Blog do Tamanini

sábado, 4 de junho de 2022

Livro resgata a história de Landell de Moura: o brasileiro que inventou o rádio

Landell, segundo explica o biógrafo, patenteou o rádio no Brasil e nos Estados Unidos. “Eu consegui aprofundar uma série de aspectos nessa nova pesquisa. Tem uma informação também que eu considero muito importante é que a invenção dele nos Estados Unidos foi reconhecida por outros inventores. Consegui encontrar provas disso (e estão no livro)”.


Acaba de sair do prelo a nova obra de Hamilton Almeida, ela versa sobre o padre Landell de Moura, inventor do rádio. O livro é uma produção independente. A história de Roberto Landell de Moura é “um retrato das vicissitudes que marcam a trajetória da ciência brasileira”, define o professor doutor Gildo Magalhães, da USP.

Com poucos recursos financeiros, foi pioneiro na transmissão da voz por ondas de rádio, projetou a televisão etc. Abriu a porta que, nos tempos modernos, viabiliza diversas invenções sem fio, como o telefone celular. Envolto, porém, no conflito secular entre obscurantismo e ciência, teve os sonhos despedaçados, ficando à margem da memória oficial.

Sobre Landell de Moura, leia também:

Este livro lança novas luzes sobre a sua biografia. Detalha a inédita experiência wireless, revelando o conteúdo da mais antiga mensagem via rádio. Mostra que, nos EUA, ele foi reconhecido por outros inventores e que o seu nome transita entre membros do renomado IEEE – Institute of Electrical and Electronics Engineers, a maior organização profissional técnica do mundo.

A obra postula um lugar na galeria dos gênios das telecomunicações para o brasileiro que inventou o wireless.

Você pode assistir aqui ao documentário sobre Landell de Moura, dirigido por Deraldo Goulart



O Autor

Hamilton Almeida é jornalista. Começou a pesquisar as façanhas do Padre Landell ainda estudante na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Não parou mais até esculpir esta obra-mestra. Iniciou a carreira profissional em São Paulo, como repórter da agência Telenotícias, do Grupo Visão. 

Em Porto Alegre, foi repórter de economia do jornal Zero Hora por mais de uma década. Em Buenos Aires, correspondente de ZH e, depois, da Gazeta Mercantil Latino-Americana, além de colunista da revista Imprensa e colaborador da rádio BBC, de Londres, para assuntos de economia. 

Investigações na capital do país vizinho levaram à escrita de Sob os olhos de Perón: o Brasil de Vargas e as relações com a Argentina (Record, 2005). De volta ao Brasil, atuou na CDN e é colaborador da revista Química e Derivados.

Serviço:

  • Título: Padre Landell: o brasileiro que inventou o wireless
  • Autor: Hamilton Almeida
  • Prefácio: Gildo Magalhães
  • Número de páginas: 344 - Formato: 16 x 23 cm
  • ISBN: 978-85-524-0224-4.

segunda-feira, 30 de maio de 2022

Documentário traz a fotografia do Brasil na ótica de Orlando Brito


Vítima de um câncer de intestino, o fotojornalista Orlando Brito, um dos gigantes do fotojornalismo contemporâneo,
nos deixou uma crônica visual das últimas décadas do Brasil. Registros que remontam aos anos de chumbo da Ditadura Militar. Não Nasci Para Meus Olhos Perderem Tempo, documentário sob a direção de Cláudio Moraes, resgata a alma desse que foi o grande cronista de nosso país.


Por Rita Nardelli              

                

Zé Ketti, compositor de músicas de enorme sucesso, como Máscara Negra, A Voz do Morro e Acender as Velas, terminou a vida num quartinho cedido por uma prostituta, cantando em bares da zona de prostituição em São Paulo em troca de um prato de comida.

João Cabral de Melo Neto, diplomata e poeta, autor de Morte e Vida Severina, tomava cachaça diariamente para disfarçar a dor de, em idade avançada e depois de ter acumulado tanto conhecimento, ter sido aposentado e não poder mais trabalhar pelo seu país.

Dois soldados comunicaram-se pelo olhar no momento que decidiram, por não haver outra opção, soltar-se de um cabo de aço que apresentou problemas durante um exercício militar realizado numa torre a uma altura correspondente a onze andares.

Num acidente de trânsito, Bruna, de 15 anos de idade, morre. A mãe explica assim a dor: “olha, quando eu perdi a minha filha, eu perdi também a noção das distâncias, eu perdi a precisão dos aromas, perdi a delícia dos sabores e eu perdi, sobretudo, a beleza das cores.”

Em 1977, o plenário da Câmara vazio – só havia ali um segurança da Casa, tomando conta daquele cenário – era o triste retrato de uma das medidas constantes do Pacote de Abril - o fechamento do Congresso Nacional.

Em 1989, Fernando Collor de Mello é eleito presidente da República. Todos em festa na Casa da Dinda. Menos o irmão do futuro chefe da Nação, Pedro Collor. O olhar dele já antecipava a tragédia que atingiria a família.

Em 2010, Dilma Rousseff é eleita presidente. Na transmissão da faixa presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva levanta o braço de sua sucessora. O vice-presidente eleito, Michel Temer, aplaude timidamente e sem entusiasmo a nova presidente. Já se podia antever, ali, a deterioração da relação entre os dois.

No Palácio da Alvorada, Dilma Rousseff chega de uma viagem. Os guardas demoram a hastear a bandeira – que estava rasgada. Um descaso que representava um prenúncio do impeachment da presidente, aprovado dias depois.

Essas personagens e essas histórias foram registradas pelo olhar aguçado e sensível do premiado fotógrafo Orlando Brito, protagonista do documentário Não nasci para deixar meus olhos perderem tempo – Uma fotografia do Brasil por Orlando Brito.

Sobre Orlando Brito, leia também:


O filme fez parte da Seleção Oficial do maior festival de documentário da América Latina, o É Tudo Verdade – It’s All True de 2020. É construído a partir das entrevistas feitas com Orlando Brito, das fotos que ele produziu, de imagens dele trabalhando no Congresso Nacional ou registrando o colorido e o místico no Vale do Amanhecer.

Repórter fotográfico desde 1966, Brito fotografou todos os presidentes da República desde Castelo Branco até hoje. Suas fotos retratam o regime militar, os bastidores da política, a solidão dos ocupantes do Palácio do Planalto. Edição do AI-5, assinatura da Lei da Anistia, renúncia do ex-presidente Collor, eleição do presidente Lula são fatos marcantes clicados pelo fotógrafo. Nas viagens a trabalho para a cobertura de fatos políticos, sempre aproveitou os momentos que seriam de descanso para registrar a vida, os costumes, as pessoas no interior do país, em povoados de nomes desconhecidos.

Autor de diversos livros, como O Perfil do Poder, Senhoras e Senhores, Poder – Glória e Solidão e Corpo e Alma, Brito recebeu o World Press Photo Prize concedido pelo Museu Van Gogh, em Amsterdam, na Holanda, em 1979. E conquistou onze vezes o Prêmio Abril de Fotografia - a partir de 1987, foi considerado hors-concours da premiação. Também mereceu os Prêmios de Aquisição da I Bienal de Fotografia do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e da Bienal Internacional de Fotografia de Curitiba. Participou de mais de quarenta exibições coletivas no Brasil e no exterior. Suas fotografias estão em acervos de colecionadores institucionais e privados.

Gravações tiveram lugar em diferentes sets, um deles foi no Vale do Amanhecer.
A equipe trabalhou, toda ela, de forma voluntária,
contaminada pela grandeza da trajetória de Orlando Brito
Nas entrevistas para o documentário, Brito não só relata as experiências que teve no Brasil e no exterior e que são reveladas em suas fotos, como fala sobre o papel do fotógrafo, a importância do domínio visual dos personagens fotografados e a dor do fotógrafo ao registrar a dor de alguém.

O documentário foi feito de forma independente. Todos os envolvidos no processo dedicaram-se ao filme gratuitamente, por paixão. O filme sobre o genial fotógrafo Orlando Brito já está disponível no Now, no Vivo Play e no Oi Play.


Ficha técnica:

  • Fotografia e Direção – Claudio Moraes
  • Roteiro e Entrevistas: Rita Nardelli
  • Montagem: Douro Moura
  • Produção Executiva: Claudio Moraes, Jimi Figueiredo e Ricardo Movits
  • Som Direto: Fernando Cavalcante
  • Finalização e DCP: Thiago Moysés
  • Assistente de Finalização: Radha Nicihoka
  • Fotografia Adicional: Elder Miranda e Alan Silva
  • Trilha Sonora Original: Assis Medeiros e Ricardo Movits
  • Gerência do Arquivo de Fotos de Orlando Brito: Rodrigo Botelho
  • Audiodescrição: Guilherme Bitencourt e Milena Maiave
  • Apoio: Vale do Amanhecer, Omeleteria Brasil, Mary Oliver e Ricardo Nunes Román

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

TV em (ou será a) cores faz 50 anos no Brasil

Em 1972, ocorria a primeira transmissão em cores na TV aberta brasileira, no evento histórico da Festa da Uva, em Caxias do Sul Por que vemos a imagem da TV colorida e quais tecnologias evoluíram com o tempo?


Por Larissa Leão


Habituados com uma tecnologia tão moderna e presente no nosso dia a dia, para os mais jovens chega a ser curioso imaginar que há apenas 50 anos ocorria a primeira transmissão em cores da TV aberta no Brasil. Foi uma jornada até esse dia, com estudos e testes, para que a TV analógica, antes preto e branco, ganhasse cores em 19 de fevereiro de 1972, conquistando seu marco na história da comunicação e da televisão brasileira. O evento da Festa da Uva, realizado em Caxias do Sul (RS), ficou popularmente conhecido como o início de uma nova era para a TV, com uma programação sendo transmitida em cores em circuito fechado. 

Segundo Elmo Francfort, diretor do Museu da TV, Rádio e Cinema, a Festa da Uva foi o pontapé inicial, mas apenas em 31 de março de 1972 aconteceu a estreia oficial da TV em cores no Brasil.

Mas, afinal, por que e como conseguimos enxergar as cores nos televisores?

O coordenador do Módulo Técnico do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (Fórum SBTVD), Luiz Fausto, explica que “o olho humano possui três tipos de receptores de cores diferentes que nos permitem distingui-las: um que absorve mais o vermelho, outro que absorve mais o verde e outro que absorve mais o azul. Assim, as telas coloridas combinam para cada ponto da imagem (chamado "pixel"), esses três componentes de cor (vermelho, verde e azul – ou RGB, do inglês red, green, blue)”. Além disso, Fausto ressalta que para que as telas possam exibir imagens coloridas, as câmeras também precisam ser capazes de separar esses três componentes de cor (RGB).

Evolução da tecnologia em cores

Ao longo do tempo, a tecnologia das telas e das câmeras evoluiu muito, permitindo uma maior precisão na representação das cores, como também, o uso de um espaço de cores maior.

O coordenador explica que na televisão colorida analógica (TV 1.5) o espaço de cores suportado compreendia cerca de 32% das cores visíveis. “Já na TV Digital, a resolução do vídeo melhorou muito (de 480 linhas para 1080 linhas). O espaço de cores também obteve uma melhora, compreendendo cerca de 35% das cores visíveis”, ressalta. Com o suporte opcional a HDR (High Dynamic Range) introduzido na TV 2.5, é possível um aumento do contraste suportado (de 1.000:1 para 200.000:1). Embora o espaço de cor ainda seja o mesmo, o volume de cores aumenta devido a uma faixa maior de ajuste de brilho.

A chegada da TV Digital no país apresentou novas possibilidades, com cores mais próximas da realidade, e, para quem se pergunta se terão novas tecnologias aprimorando o que conhecemos hoje, Luiz Fausto confirma que sim.

“A TV 3.0, além de suportar resoluções de vídeo maiores (incluindo 4K e 8K), vai suportar um espaço de cores ampliado (WCG, Wide Color Gamut), compreendendo cerca de 76% das cores visíveis. Combinando isso com HDR você terá um volume de cor tão grande como se a sua TV fosse uma janela para o mundo real (ou para o mundo das obras de ficção)”, explica.

Além disso, Fausto conta que aumentando o número de bits por componente de cor de 8 para 10, haverá ainda mais precisão na reprodução de cada tonalidade. Por fim, aumentando a taxa de quadros de 29,97 quadros por segundo para até 120 quadros por segundo (HFR – High Frame Rate), cenas com movimentos rápidos como esportes e filmes de ação vão ficar ainda mais nítidas.

Aos novos e mais velhos, definitivamente a maneira com que acompanhamos os conteúdos na televisão, promete ser ainda mais emocionante com as novas transformações.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Documentário: Repórter-fotográfico relembra a proclamação da Constituição de 1988

“Foi um exercício pleno de cidadania, de amor cívico esse processo de construção dessa relação povo-Congresso, povo-ruas, povo-poder”.


Por Lorena Silva


Na sexta, 05/10, a Constituição brasileira completou 30 anos e a TV Senado exibiu o episódio da série Testemunha da História com um personagem que viu muito de perto o desfecho da Assembleia Nacional Constituinte. Fernando Bizerra, um fotógrafo conhecido nos bastidores do Congresso, estava no Plenário do Senado quando Ulysses Guimarães deu a última coletiva antes da promulgação da carta.
Depois de 20 meses de trabalho intenso, fotógrafos e jornalistas finalmente puderam ver os primeiros exemplares da nova Constituição. Fernando Bizerra conta em detalhes o clima daquele encontro e como os fotógrafos quebraram o protocolo e tiraram de Ulysses o sorriso que se tornaria símbolo da Constituinte.
Bizerra também relembra uma foto histórica das mulheres reunidas para um registro da bancada feminina na instalação da  ANC. Ele fala da influência das parlamentares na elaboração da carta e dos momentos que marcaram sua memória nesse importante período da redemocratização do Brasil.
 Esse é o sétimo episódio da série Testemunha da História que traz o relato de jornalistas, fotógrafos(as) e parlamentares  sobre fatos marcantes da história recente do país. São pessoas que estiveram nos corredores, nos plenários, nas salas ou no cafezinho do Congresso quando grandes decisões e reviravoltas políticas aconteceram. Cada programa é narrado por um desses(as) personagens no cenário onde ele(a) presenciou um determinado fato histórico. O foco da série é o período da Assembleia Nacional Constituinte, que foi instalada em 1987 com a missão homérica de reescrever a constituição. Os próximos episódios serão com os deputados constituintes Aécio Neves, Rose de Freitas, Paulo Paim, Lídice da Mata, Benedita da Silva e o senador constituinte Edison Lobão.

Sinopse: Fernando Bizerra, fotógrafo conhecido nos bastidores do Congresso, estava no Plenário do Senado quando Ulysses Guimarães deu a última coletiva antes da promulgação da nova Constituição. Fernando Bizerra conta em detalhes o clima desse encontro e como os fotógrafos quebraram o protocolo e tiraram de Ulysses o sorriso que se tornaria símbolo da Constituinte.

Testemunha da História com Fernando Bizerra já está disponível no YouTube: Confira abaixo o vídeo com Fernando Bizerra


segunda-feira, 23 de abril de 2018

A história do JB, o jornal que amava a notícia, com Cézar Motta

Por FC Leite Filho

O Jornal do Brasil, JB para os íntimos, marcou época na imprensa brasileira, principalmente pela maneira que tratava a notícia. Longe do facciosismo e da intolerância que marcam os dias de hoje, a redação do JB procurava retratar a realidade a partir de um ponto de vista factual. E o fazia com extrema elegância e até um certo lirismo. 

Seus jornalistas e patrões, quaisquer que fossem as posições ideológicas e injunções empresariais de cada um, priorizavam os fatos, antes de mais nada. 

A poesia desses profissionais - jornalistas, escritores, artistas plásticos e outros sonhadores que sofreram com a censura política, a auto-censura, os desmandos e a megalomania dos patrões, ainda produziu outro efeito colateral: uma certa revolução na cultura e mesmo nos hábitos daquele Brasil que parece não voltar mais.


Leia também:

O dia em que o JB voltou a circular


Veja bem, não estamos falando de um jornal alternativo. Nada, o JB  pertencia à grande imprensa, ou mídia hegemônica, como dizemos hoje. Estava sujeito às pressões do poder e dos negócios, mas sempre fazia prevalecer o primado da notícia.

O jornalista Cézar Motta, 68 anos, ex-JB, ex-O Globo, ex-TV Globo, ex-Veja, é o nosso entrevistado do programa Café na Política. Ele conta como pôs a mão nesta história, que rendeu um livro de 564 páginas, recentemente editado pela Objetiva. Seu título: "Até a última página - Uma história do Jornal do Brasil". 

Minucioso e detentor de farto material, cedido pelos donos do jornal e testemunhos vivos de mais de uma centena repórteres e editores, políticos e administradores, ele nos relata, como era este grande jornal, por muitos considerado como um The New York Times ou um Le Monde brasileiro.


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domingo, 26 de novembro de 2017

Jornalista faz vaquinha para custear livro sobre as Diretas Já no Piaui


Por Chico Sant'Anna


Muito se fala dos comícios e manifestações pró Diretas Já no Centro Sul do Brasil, mas este foi um movimento cívico que tomou conta de todo o país. A proposta era por fim à Ditadura Militar por meio de eleições diretas, que não ocorriam desde 3 de outubro 1960, quando Jânio Quadros ganhou a presidência da República.

Agora, para ajudar a preencher as lacunas da nossa história recente, o jornalista e escritor Kenard Kruel acaba de escrever mais um livro - Diretas Já no Piauí, abordando como foi naquele Estado o movimento criado em todo o País pela votação da Emenda Dante de Oliveira, que propunha eleições para presidente da República.

Segundo ele, que presidiu o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Piauí, foi naquele estado que se realizou, proporcionalmente, o comício com maior número de pessoas - cerca de 25 mil, sem contar com as tradicionais presenças de artistas consagrados.

O comício piauiense aconteceu em 13 de fevereiro de 1984, na Praça do Marquês, na Zona Norte de Teresina. Por isso, o local para o lançamento do livro será o mesmo. Diretas Já no Piauí tem previsão de chegar às mãos dos leitores e historiadores no dia 13 de fevereiro de 2018,  34 anos após a mobilização de Teresina

A obra conta com 276 páginas, “super bem ilustradas”, explica Kenard, e está sendo vendida antecipadamente ao preço de R$ 25,00, o exemplar. A venda antecipada é para ajudar no custeio das despesas de impressão. O preço normal de capa depois será de R$ 50,00.

Aqueles que desejarem garantir antecipadamente o seu exemplar e ajudar o autor Kenard Kruel podem fazê-lo mediante depósito na conta corrente Banco do Brasil, agência 5605 - 7 - conta corrente 4429 -6. Feito o depósito, enviar comprovante e os dados pessoais ao autor pelo correio eletrônico kenardkruel@yahoo.com.br

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O papel da imprensa alternativa na realidade nacional. Entrevista a Raimundo Pereira

Por  FC Leite Filho, publicado originalmente no Café na Política

O Café na Política foi ouvir Raimundo Pereira, um dos ícones da imprensa alternativa, então chamada imprensa nanica. Este movimento, surgido em plena ditadura, produziu fenômenos editoriais como o Pasquim (que chegou a 220 mil exemplares), a Opinião. o Movimento, Binômio, Versus, Coorjornal, que faziam franca concorrência aos jornalões.
Eram tempos difíceis, porque, na época, não existia sequer o fax, para não falar da força descomunal da internet.
Os jornais tinham de ser distribuídos – vendidos e mantidos financeiramente, na imensidão de nosso território. Funcionava na base da articulação de uma militância – mais jornalística que política -, que chegava a reunir, como no caso do jornal Movimento, 285 pessoas, entre jornalistas, administradores e representantes, espalhados pelos diversos Estados da Federação.

Veja também a vídeo entrevista com Kiko Nogueira do Diário do Centro do Mundo

Nesta entrevista a FC Leite Filho, Raimundo Pereira, hoje aos 76 anos e revelando muito vigor e entusiasmo, conta a história desse movimento e de seu novo projeto de reunir uma nova equipe de 40 jornalistas, intelectuais e militantes para fazer uma nova experiência do tipo, agora tendo a internet como instrumento principal. Raimundo acredita na força atual dos blogs, sites e redes sociais que estão enfrentando o golpe, inclusive com manifestações de rua, as quais já começam a assustar o novo regime neoliberal. Ele pondera, contudo, que é preciso dar um rumo a esse movimento mais ou menos disperso.

Confira no vídeo a entrevista de Raimundo Pereira  Café na Política

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Memória: Governo põe à venda prédio onde funcionou Rádio Nacional no Rio

Do Estadão Conteúdo
Aos 80 anos, completados nesta segunda-feira, 12, a Rádio Nacional, principal veículo de comunicação brasileiro nas décadas de 40 e 50 do século passado, recebeu uma má notícia: o prédio onde funcionou até quatro anos atrás, A Noite, na Praça Mauá, será vendido e seu auditório histórico, por onde passaram todos os grandes nomes da chamada era de ouro do rádio, não deverá ser preservado.
Inicialmente, o edifício foi sede do jornal “A Noite”, que em tempos bem anteriores a internet fazia a função de noticiar o que acontecia no final dos dias. Devido à força do nome do veículo de comunicação, o nome original da construção caiu em desuso.
A estrutura de 22 andares e uma altura de 102 metros – o que corresponde a 30 andares de um edifício atual – foi calculada por Emílio Henrique Baumgart, engenheiro que posteriormente se tornou responsável pelo Ministério da Educação e Cultura. Até os anos 1930, foi considerado o prédio mais alto da América Latina, até ser ultrapassado pelo Martinelli, que fica em São Paulo e foi inaugurado em 1934.
Pertencente ao governo federal, o edifício A Noite, primeiro arranha-céu da América Latina, foi inaugurado em 1929 e está vazio. Com o processo de revitalização da zona portuária e a derrubada do Elevado Perimetral, a construção, passou a destoar da paisagem, que inclui a vista livre para a Baía de Guanabara, o Museu de Arte do Rio (MAR), o Museu do Amanhã e o Boulevard Olímpico.
A Rádio Nacional, hoje abrigada no prédio da TV Brasil, na Lapa, ocupava quatro dos andares do edifício e o Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (Inpi), os outros 18. A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) está preparando o edital de alienação, a ser lançado em novembro. A ideia é fazer permuta com outro prédio, que abrigará os funcionários do Inpi, atualmente instalado em imóvel alugado. O A Noite viraria então um hotel, um prédio comercial ou residencial. “A preservação do patrimônio histórico é uma das prioridades, mas os encargos do comprador ainda não foram definidos”, informou, em nota ao Estado, a SPU.
Não há indicativo de que o edital trará como cláusula a manutenção dos três antigos estúdios e do auditório, reformados entre 2003 e 2004, ao custo de R$ 2,5 milhões, e reabertos com a presença de artistas da Era do Rádio. Por ali já passaram os cantores Francisco Alves (1898-1952), Sílvio Caldas (1908-1998), Cauby Peixoto (1931-2016), Marlene (1922-2014) e Emilinha Borba (1923-2005). “O emblemático edifício A Noite, hoje sem utilização, será alienado a um empreendedor privado”, informou a SPU
A companhia americana Tishman Speyer, dona de prédios icônicos de Nova York como o Rockefeller Center e o Chrysler, é um dos possíveis interessados. O edifício foi avaliado em 2015 em R$ 137 milhões.
Crime. Com fachada e foyer em estilo art déco, o prédio foi projetado pelo francês Joseph Gire, o mesmo arquiteto do Hotel Copacabana Palace, e foi um dos principais mirantes da cidade. Está em mal estado de conservação há anos – o Inpi não dispõe de verba para reformá-lo na totalidade -, o que ficou mais evidente com a reabertura da praça, há um ano, e com a movimentação maior na região, tomada por milhões de pessoas no período da Olimpíada, em agosto, e agora na Paraolimpíada.
O aspecto atual da edificação de 87 anos não é bom. Ainda bastante alto em comparação com outros edifícios da zona portuária, o arranha-céu está cercado por tapumes de madeira amparados em estacas de ferro cobertas de ferrugem. O contraste com a nova Praça Mauá é nítido.
“A prefeitura conversa com o governo federal desde 2010 sobre a necessidade de resolver o problema do prédio. O auditório está sem uso, e tenho medo de que a exigência de manter o espaço da rádio trave o empreendimento. Isso tem de ser tratado com bom senso. É preciso ver o que é melhor para a cidade”, disse Alberto Silva, presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp).
Já os defensores da memória da rádio temem a destruição de sua memória. “É mais um absurdo que comprova a falta de interesse do poder público pela cultura. É um crime de lesa-memória que um dia a história vai condenar”, disse o compositor Edino Krieger, que fez arranjos para orquestras da rádio nos anos 1960 e segue seu ouvinte. “Podiam pelo menos colocar uma placa. É muita história ali para ser jogada fora”, afirmou o sambista Tantinho da Mangueira, que se apresentou ali nos anos 50, ainda garoto.
“Além do auditório e do estúdio de radioteatro, ainda estão lá o piano do Radamés Gnattali (1906-1988) e a cabine telefônica que recebia ligações diretas do presidente Getúlio Vargas. Se a preservação desses andares não estiver contemplada no edital, vão destruir tudo”, teme o engenheiro Luiz Murilo Tobias, vice-presidente do Instituto Funjor, que trabalha pela preservação da memória artística brasileira e faz campanha no Facebook pela causa da Rádio Nacional.
Repórter Esso. A rádio foi estatizada por Getúlio em 1937. Em 1940, estreou a primeira radionovela do País, Em Busca da Felicidade. Dali para a frente, pertencer ao elenco da rádio se transformou no sonho de todo artista. Radialistas e atores como Paulo Gracindo (1911-1995), Mário Lago (1911-2005) e César de Alencar (1917-1990) tornaram-se nacionalmente conhecidos a partir do sucesso da Nacional. Em 1941, a Nacional poria no ar o Repórter Esso, que viria a ser o noticiário mais acompanhado pelos brasileiros. A decadência chegaria a partir dos anos 1960, com a popularização da televisão.

sábado, 25 de junho de 2016

Depois de 176 anos, estúdio fotográfico mais antigo do mundo é fechado

Fonte: BokehThe Hyndu


Fundado em 1840, o estúdio Bourne and Shepherd, em Calcutá (Índia), o mais antigo do mundo ainda em funcionamento fechará suas portas. Ele acaba de perder uma batalha judicial pelo prédio original. O estúdio ficou conhecido por ter produzido retratos de conhecidas figuras religiosas da Índia, governantes e grandes celebridades do país como o vencedor do prêmio nobel de literatura Rabindranath Tagore e cineasta Satyajit Ray, ganhador de um Oscar.
Um dos grandes motivos alegados para a decadência final do estúdio foi a chegada da fotografia digital. “Como você pode esperar que um estúdio opere nesta geração onde todos estão clicando fotos de seus celulares e câmeras digitais?”, disse um funcionário do estúdio ao jornal The Hyndu. Antes disso ainda, em 1991, um incêndio não só complicou o estúdio financeiramente, mas destruiu preciosos registros históricos armazenados em forma de negativo.
O anúncio do encerramento de atividades se dá justamente uma semana após a exposição “Bourne and Shepherd: Figures in Time” (Bourne e Shepherd: Figuras do Tempo), em Deli, mostrando a história e de alta qualidade da produção realizada. O estúdio fotográfico leva o nome dos seus criadores, os britânicos Charles Shepherd e Samuel Bourne.
Na última década, o estúdio esteve envolvido em uma longa batalha judicial contra a Life Insurance Corporation of India (LIC), proprietária original do edifício. “Nós só tinhamos o edifício em locação e devido a um problema de espaço, e uma discrepância sobre o aluguel, eles queriam de volta. Abrimos um processo em 2002 e, finalmente, perdemos a batalha na justiça”, disse Jayant Gandhi, proprietário desde 1964. Agora, o futuro e legado do estúdio está nas mãos da LIC. Espera-se apenas que a instituição saiba preservar o legado histórico não só indiano, mas da fotografia mundial.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

[Veja o vídeo] Cidadania debate passado, presente e futuro da imprensa brasileira

Os jornalistas Chico Sant'Anna e Belisa Ribeiro
debatem o passado, presente e futuro
da imprensa no Brasil
7 de abril é o Dia do Jornalista.
Pra comemorar a data, trago aqui a íntegra do programa Cidadania da TV Senado que recebeu a jornalista Belisa Ribeiro. Ela acaba de lançar seu novo livro, Jornal do Brasil, História e Memória, sobre o veículo que completa 125 anos.

Leia também:

  • Livro narra o fim do Jornal do Brasil e analisa o futuro da mídia impressa


O programa navega sobre o passado da imprensa brasileira e os novos rumos da mídia impressa, em tempos de redes sociais.
A entrevista trata ainda da postura editorial da mídia nos dias atuais face à conjuntura política nacional.
Para Belisa, ainda vai demorar para o jornal impresso morrer, desaparecer. Na opinião dela, o jornal é sinônimo de credibilidade.

Confira abaixo o Cidadania , O Futuro da Mídia Impressa. 


sexta-feira, 1 de abril de 2016

Livro narra o fim do Jornal do Brasil e analisa o futuro da mídia impressa

Em Brasilia, o livro, será lançado por Belisa Ribeiro  no dia 06/04, no Restaurante Carpe Diem.


O ano de 2015 foi especialmente doloroso para os jornalistas brasileiros: houve registros de mais de 1400 demissões no país, em veículos impressos, online, de TV e rádio.  Neste cenário de mudanças nos meios de produção, de fechamento de veículos, de predomínio do digital, uma coisa parece certa: o jornalismo, como função social e profissão, não pode e não deve acabar. É essa a impressão que “Jornal do Brasil – Memória e história”, de Belisa Ribeiro, deixa ao leitor.
               
O livro registra depoimentos de alguns dos mais importantes jornalistas brasileiros que, em épocas diferentes, marcaram a trajetória do jornal e contribuíram para torná-lo um dos maiores de seu tempo. O JB, que em março completa 125 anos e foi criado para defender a monarquia, passou pela fase popular de jornal de classificados e pelas reformas editoriais que modernizaram a imprensa, foi trincheira muitas vezes para o combate à censura, para a denúncia de corrupção e maus feitos com o dinheiro público, má administração e outras mazelas da República. Foi também veículo de vanguarda, ditando moda, descobrindo tendências e revelando culturas.

Em suas 400 páginas, a jornalista Belisa Ribeiro conta histórias de edições corajosas, como a que noticiou a morte do presidente chileno Salvador Allende na primeira página inteira do jornal (sem manchete, como mandara a censura); de grandes reportagens, como a que revelou a reunião, no interior do Rio, de um grupo nazista, ou a que desvendou a farsa militar da bomba no Riocentro; e um pouco da trajetória de alguns de seus jornalistas.

A ideia para escrever o livro surgiu de um dos encontros dos jotabeninos, como se chamam os profissionais que lá trabalharam. Durante um ano e meio, Belisa manteve no ar um site para recolher depoimentos:
“Ouvindo os colegas relembrarem seus “feitos”, os casos do passado, as reportagens históricas, decidi escrever não somente sobre a história do Jornal do Brasil, mas sobre as memórias de quem tornou o veículo inesquecível. E contar também quem são ou quem foram essas pessoas.”

O livro, que teve patrocínio da Petrobras, chega às livrarias, pela editora Record, será lançado por Belisa Ribeiro em Brasilia, no dia 06/04, no Restaurante Carpe Diem.


A Orelha do livro é assinada por Alberto Dines

Um jornal não muda o mundo, diz Belisa Ribeiro no seu prólogo. Está certa. Mas ao longo deste verdadeiro filme Belisa sutilmente comprova o contrário: aqueles doidos e doidas envolvidos na preparação do jornal do dia seguinte são possuídos pela mesma obsessão – fazer daquela edição algo único, especial, capaz de transformar o leitor, movimentar sua vida, alterar o seu olhar, enfiá-lo na história.
A “última profissão romântica” foi assim definida por conta da penosa dualidade que sujeita as emoções do relato à frieza da razão. No caso do jornalismo, a contradição se manifesta entre a imutável, implacável rotina diária e a sensação de transcendência que vai se filtrando, infiltrando à medida que as circunstâncias captadas tornam-se palavras, relatos, imagens, percepções.
As edições marcantes deste livro poderiam ser outras – jornadas grandiosas ou deprimentes.
Os protagonistas poderiam ser diferentes, também as plataformas e páginas onde ficariam hospedadas. De qualquer forma, persistiria a cruel ilógica deste romantismo que tenta fazer do cotidiano algo trepidante, nobre, memorável, ajustando-o ao dever de torná-lo apenas justo e verdadeiro.
Alberto Dines



Lista de depoimentos colhidos pela autora

Affonso Romano de Sant’Anna, jornalista e escritor, Rio de Janeiro
Aguinaldo Ramos, fotógrafo, Rio de Janeiro
Alberto Dines, jornalista, Rio de Janeiro
Alberto Jacob, fotógrafo, Rio de Janeiro
Armando Strozenberg, jornalista, Rio de Janeiro
Carlos Lemos, jornalista, Rio de Janeiro
Chico Caruso, chargista, Rio de Janeiro
Cristina Lemos, jornalista, Marselha, França
Edilson Martins, jornalista, Rio de Janeiro
Elio Gaspari, jornalista, São Paulo
Emília Silveira, jornalista, Rio de Janeiro
Esdras Pereira, fotógrafo, Campos, Rio de Janeiro
Evandro Teixeira, fotógrafo, Rio de Janeiro
Fernanda Pedrosa, jornalista, Rio de Janeiro
Iesa Rodrigues, jornalista, Rio de Janeiro
Ique, chargista, Rio de Janeiro
Jamari França, jornalista e crítico musical, Rio de Janeiro
Janio de Freitas, jornalista, Rio de Janeiro
Jorge Antônio Barros, jornalista, Rio de Janeiro
José Carlos Avellar, diagramador e crítico de cinema, Rio de Janeiro
José Carlos de Assis, jornalista e professor de economia, Rio de Janeiro
José Silveira, jornalista, Rio de Janeiro
Luiz Morier, fotógrafo, Rio de Janeiro
Luiz Orlando Carneiro, jornalista, Brasília
Malu Fernandes, jornalista, Rio de Janeiro
Marina Colasanti, jornalista e escritora, Rio de Janeiro
Norma Couri, jornalista, São Paulo
Paulo Henrique Amorim, jornalista, São Paulo
Ricardo Boechat, jornalista, São Paulo
Roberto Quintaes, jornalista, Rio de Janeiro
Tânia Malheiros, jornalista, Rio de Janeiro
Tarcísio Baltar, jornalista, Rio de Janeiro
Virgínia Cavalcanti, jornalista, Rio de Janeiro
Walter Fontoura, jornalista, São Paulo
Wilson Figueiredo, jornalista, Rio de Janeiro



“No cursinho do JB, com o Mauro Santayana, ele falou: “Vocês estão pensando que vão fazer jornalismo e vão dar a metade da vida de vocês? Não, vocês vão dar muito mais da metade das suas vidas, se não derem a vida inteira.” Nunca esqueci disso e ele tinha razão. Porque jornalismo é uma coisa que toma conta de você. Sempre que algum pai, alguma mãe me pede: “Tira essa coisa da cabeça da menina, a gente está falando para ela fazer administração de empresas, em que ela vai ter trabalho, vai ganhar dinheiro”, eu respondo para a filha: “Vai ser jornalista, por favor, vai, é a melhor coisa que você pode fazer.” Eles procuram a pessoa errada, porque eu acho que jornalismo é uma profissão maravilhosa.” 
(Norma Couri)

“O Jornal do Brasil me deu uma ideia de como o jornalismo é muito mais do que fazer jornal. O jornalismo é uma maneira de você viver e você conceber o todo. É uma maneira tolerante, é uma maneira ampla, é uma maneira democrática de ver o mundo.” (Wilson Figueiredo)

“O jornal me fez jornalista. Eu me fiz escritora no jornal, aprendi a escrever no jornal, para o jornal. Mudou a minha vida. Além de me dar um marido. Era muito emocionante, porque nós nos sentíamos farejando o tempo inteiro, como uma raposa, como um animal farejando. A colheita era muito viva, muito intensa. Não era um trabalho de funcionário público, não era uma marcação de ponto, era uma entrega vital. Foi muito bom.” 
(Marina Colasanti)

“Era muita gente de alto quilate. Houve um momento em que essas pessoas, esses corações e mentes se juntaram e fizeram do Jornal do Brasil o jornal de referência nacional e internacional. Nós passamos a ser o The New York Times do Brasil. O jornal se consolidou com pessoas criativas que se uniram. E foi isso que fez um grande jornal. As pessoas. Corpo e alma. É muito difícil explicar. Muito mal comparando... Como é que surgiu o universo? É muito fácil dizer que foi o Big Bang. Mas quem é que apertou aquele negócio para dar o Big Bang?”
(Luiz Orlando Carneiro)

“O Jornal do Brasil era um dos jornais mais importantes do mundo. Era o símbolo do jornalismo moderno no Brasil. E nós tínhamos 45 fotógrafos, era um negócio de louco. Eu acho que viajei o mundo inteiro fazendo Copa do Mundo, Jogos Olímpicos, moda em Paris. Mas tinha porrada, também. Ditadura, passeata. Emoção. Esse romantismo, esse jornalismo sério, o jornalismo investigativo, nada disso existe mais. O que é uma pena, mas o mundo não acabou. Estamos vivendo outras épocas e vamos tocar o barco para a frente. A fotografia para mim sempre valeu a pena e vale a pena. O jornal acabou para mim, morreu. Mas eu estou vivo, estou fotografando.” 
(Evandro Teixeira)


Sobre Belisa Ribeiro

Belisa Ribeiro começou sua carreira como estagiária no Jornal do Brasil, na década de 70 e voltou ao jornal 30 anos mais tarde como editora de Cidade. Testemunhou o fechamento da sede da Av. Brasil e mudou-se para Brasília, onde chefiou a sucursal e foi titular da coluna Informe JB, no início dos anos 2000.
Na imprensa escrita, trabalhou em O Globo, Gazeta Mercantil e revista Época, sempre como repórter. Na TV, foi a primeira mulher a ser comentarista econômica, na TV Globo, onde se tornou também pioneira na apresentação de telejornais, integrando a primeira bancada de âncoras jornalistas, no Jornal da Globo, em 1981.
Escreveu o livro Bomba no Riocentro, esgotado em suas duas edições, a primeira no ano do atentado, 1981 e a segunda, na ocasião da primeira reabertura do inquérito, em 1999.

Filha de mãe professora de português e pai desportista e sambista, adora escrever, caminhar cercada pela natureza e ouvir música. É mãe coruja de dois cantores e compositores, Gabriel o Pensador e Tiago Mocotó, que lhe deram quatro netos. Os únicos com quem admite dividir o computador.