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segunda-feira, 8 de junho de 2026

O Tardio: uma viagem aos tempos da ditadura e da contracultura, narrada por Maurício Melo Júnior

 


Um romance da busca e do desencontro: de um homem que chega sempre depois do tempo, como o irmão que nunca conheceu, como a era que nunca veio. 
Uma viagem ficcional no tempo de volta aos anos de chumbo da ditadura militar no Brasil, ao mesmo tempo um período da contracultura, do mvimento hipie.

 

 

 Por Chico Sant'Anna

O pano de fundo de O Tardio é o Brasil dos anos 1970, período mais duro da ditadura militar: o AI-5 em vigor, a tortura como prática de Estado. Em meio a isso, uma geração de jovens escolheu o caminho oposto — a estrada, a contracultura, a busca por paz e liberdade. Mas o que significa liberdade quando tudo ao redor conspira para impedi-la? Será que eles estão dispostos a pagar o preço que for para conquistá-la? 

O Tardio, de Maurício Melo Jr., é um romance que foca na busca e no desencontro: de um homem que chega sempre depois do tempo, como o irmão que nunca conheceu, como a era que nunca veio. Uma narrativa instigante, densa e profundamente brasileira, em que o passado e o presente se entrelaçam na estrada aberta de um país que ainda busca a sua própria liberdade.

O estilo literário de Maurício Melo é muito apreciado pela perícia em escrever. Nas palavras da escritora Ana Baggioto, ele tem “a paciência de um artesão que conhece o valor dos silêncios e a força dos detalhes quase imperceptíveis. Nada parece excessivo, nada parece faltar. As palavras chegam ao texto como pedras cuidadosamente escolhidas para erguer uma ponte sobre a solidão humana. Há uma precisão rara em sua linguagem: cada termo ocupa exatamente o lugar onde deveria estar, como se tivesse esperado toda uma vida para ser pronunciado”.

Depois do lançamento, na Feira do Livro, em São Paulo, a obra já tem data marcada para os apreciadores da boa literatura, em Brasília, nesta quarta-feira, dia 10. Vai ser no Bar Beirute, já tradicional nos lançamentos lietrários, com a presença do jornalista Maurício Melo, autor de 35 livros. Este é seu quarto romance.

O Livro

O Tardio retrata a vida de Sérgio, um pernambucano, cuja sina parecia seguir um caminho bastante tradicional. Uma infância e adolescência comuns, marcadas pela forte presença do catolicismo — à época, quase uma regra em todo o país, inclusive em Pernambuco, onde nasceu. Sua família já não possuía o status social de outrora, mas ele conseguiu se formar em Direito. Casou-se. A esposa, professora, dividia-se entre a casa, os estudos e as salas de aula. Tiveram filhas. Tudo dentro do convencional.

No entanto, a perda de um parente próximo fez reaparecer uma figura há muito aprisionada no silêncio familiar: a de Roberto, seu irmão.

Anos antes, a morte de Roberto e suas escolhas de vida sempre foram um tabu acobertado por seus pais e por todos. O caçula Sérgio, que sempre recebera poucas informações a respeito de seu irmão, agora tinha em mãos mais do que imaginara em toda a sua vida. Ainda assim não era suficiente. Ele precisava de mais. Tinha necessidade de descobrir novas peças da história de seu irmão, cuja morte coincidira com a data de seu próprio nascimento. Angustiado, Sérgio deixa tudo para trás e põe o pé na estrada.

A trajetória de Sérgio em busca de respostas é guiada por cartões-postais encontrados na casa de seu tio, logo após seu falecimento. As correspondências foram escritas por seu irmão durante suas andanças e enviadas ao tio ao longo dos anos.

Por onde passa, o advogado abandona a gravata, adota a bata indiana e o pano vermelho do artesanato, recolhe informações e vivências que o ajudam a montar o quebra-cabeças da história de Beto. Nesse percurso, Sérgio começa também a questionar suas próprias escolhas, desejos e certezas, colocando à prova tudo o que havia construído, inclusive o casamento e a vida profissional deixados para trás no Recife.

Aos poucos, a figura de Roberto ganha corpo: um rapaz calado e religioso que, no fim dos anos 1970, abandonou a casa dos pais em Palmares e se tornou hippie ao lado de Caliandra. Juntos, os dois percorreram o país em busca de um modo de viver mais livre. O rastro some no interior de Goiás. E é até lá que Sérgio precisa chegar.

O escritor Maurício Melo Júnior nos conduz por essa jornada na qual o protagonista atravessa cidades do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do país, refazendo o caminho do irmão. Sua maneira de nos apresentar esse mundo, transforma paisagem em estado de espírito:

o asfalto do sertão é uma cobra negra e rastejante,
o calor sobe do chão como nuvem,

cada lugar carrega o peso de quem passou por ele.

O Brasil que emerge das páginas de O Tardio, é místico e distante do modo de vida tradicional. Nessa leitura, fazemos uma travessia ao lado de andarilhos que esperam e buscam a chamada Era de Aquarius. Esse novo romance faz jus ao que Ana Baggioto fala sobre o autor: “não apenas conta uma história; revela as fissuras, as ausências e as possibilidades de redenção que habitam o coração dos homens sem a presunção de oferecimento de respostas, mas revelando uma humanidade mais vasta, mais complexa e mais verdadeira”.

O autor:

Maurício Melo Júnior é escritor, jornalista, crítico literário e documentarista. Pernambucano radicado em Brasília, formou-se em Comunicação Social, com pós-graduação em Economia e Ciência Política. Atuou em alguns dos principais veículos de comunicação do país, como o Correio Braziliense.

Há 25 anos apresenta o programa Leituras, na TV Senado, o primeiro dedicado à literatura brasileira. Assina resenhas literárias para o jornal Rascunho (Curitiba/PR) e é colaborador da revista literária Pernambuco (Companhia Editorial de Pernambuco. Recife/PE).

Presidiu o Instituto Casa de Autores, de Brasília, além de ser membro da Associação Nacional dos Escritores. É também autor de romances, contos, crônicas e livros infantojuvenis, com destaque para Não me empurre para os perdidos e Sujeito oculto.

Ao todo, já escreveu 35 livros e O Tardio é seu quinto romance. É curador da FLIPIRI curador (Festa Literária de Pirenópolis – GO) e da Flipenedo - Festa Literária de Penedo (GO). Como documentarista, dirigiu mais de 20 filmes e escreveu para o teatro, com peças encenadas em diversas regiões do país.

 

Serviço:
Livro: O Tardio
Autor: Maurício Melo Júnior
Páginas:
160
Editora Rua do Sabão
Lançamento em Brasília: Dia dia 10/6, 19 horas - Bar Beirute – CLS 109

sábado, 2 de maio de 2026

Morre Raimundo Rodrigues Pereira, o jornalista da imprensa alternativa

Aos 86, anos, morreu neste sábado, 2, no Rio de Janeiro, o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, ex-Opinião, ex-Movimento


Por Antônio Carlos Queiroz (ACQ)

O jornalista Raimundo Pereira, mestre genial do jornalismo independente, democrático e popular, foi um daqueles lutadores imprescindíveis referidos pelo poeta Bertolt Brecht.

Nos tempos da era de chumbo, era o jornalista da imprensa alternativa e combativa. Por meio do jornal Opinião, trouxe de volta ao centro do debate público a questão nacional. Por meio do jornal Movimento, fincou as bandeiras do fim das leis de exceção da ditadura militar, da Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, e da convocação da Constituinte Livre e Soberana. Se destacou pelo rigor profissional, coragem e compromisso com a democracia, atuando também em veículos como Realidade e Veja.

Radicalmente comprometido com a democratização republicana do País, e com a melhoria das condições de vida da população brasileira, o Raimundo foi também apaixonado pela divulgação das conquistas científicas.

Nascido em Exu (PE), quando estava no último ano de Engenharia Aeronáutica no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em 8 de abril de 1964, foi preso pelo DOPS, o que o levou a abandonar a Engenharia Aeronáutica no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) A e dedicar-se ao jornalismo após formar-se em Física.

Dizia que o bom jornalista deve acompanhar os acontecimentos do seu bairro, de sua cidade, de seu Estado, do seu País, do planeta e também do Universo. O mundo, dizia, pode ser conhecido e o conhecimento é o caminho inevitável para que possamos mudá-lo.

Socialista, o Raimundo Pereira foi também um fã da República Popular da China. O livro que conta grande parte da história de Raimundo Pereira foi disponibilizado pelos autores

A causa da morte não foi divulgada. Vou sentir saudades do mestre, com quem eu comia feijoada com vinho, enquanto falávamos mal dos inimigos do povo brasileiro!


terça-feira, 31 de março de 2026

Novo livro resgata os horrores dos 50 anos do golpe militar na Argentina.


Meio século após o golpe militar de 1976, na Argentina, livro traz o depoimentos de 24 homens e mulheres que sofreram na pele as atrocidades do regime de chumbo, O objetivo da obra, lançada em Buenos Aires, é manter a memoria viva e combater o negacionismo que tenta apagar os horrores perpetrados.

Por Chico Sant'Anna

A obra “50 años del golpe en Argentina, testimonios” reúne os depoimentos de 24 cidadãos e cidadãs que enfrentaram a dor, mas mantiveram acessa a resistência contra o arbítrio. Ela acaba de ser lançada em Buenos Aires e é avaliada como uma forma de enfrentamento do negacionismo, explica a jornalista Lídia Fagale, uma das responsáveis pelo projeto e autora de um dos depoimentos.

 “São relatos de vida, fundamentais para manter ativa a memória face às tentativas de negar as atrocidades do golpe de estado de 24 de março de 1976” - complementa. Nessa data, há 50 anos, as forças armadas argentinas depuseram o governo constitucional de Isabel Perón e instituíram no comando da nação uma Junta Militar, composta por Jorge Rafael Videla (Exército), Emilio Massera (Marinha) e Orlando Agosti (Aeronáutica). Tinha início alé um dos período dos mais obscuros da história do país vizinho.

Os movimentos sociais localizaram 814 centros clandestinos de detenção, tortura  extermínio daqueles e daquelas contrárias ao regime militar. Entre os desaparecidos estavam centenas de mulheres grávidas, mantidas em centros clandestinos de detenção. Muitas deram à luz em cativeiro e seus bebês foram retirados e entregues ilegalmente a outras famílias, configurando uma política sistemática de apropriação de crianças levada adiante pelo regime.

Organizada por Manuel Martínez e editada pela editora Manuel Capitán Cianuro, a obra, que traz testemunhos inéditos sobre a ditadura cívico-militar argentina, foi lançada em um local que não poderia ser mais iconográfico: a sede da Asociación Madres de Plaza de Mayo. Movimento de mães e avós que tentam localizar até hoje filhos e netos sequestrados ainda crianças ou mesmo bebês pela ditadura.


quarta-feira, 1 de abril de 2020

EBC: jornalistas dão um jeitinho pra fugir à censura

🎙️ *Jornalistas divulgam material produzido sobre a ditadura militar para furar censura na EBC*

📺 31 de março de 2020.
Há 56 anos o Brasil entrava em um dos períodos mais sombrios de sua história. Tantos anos depois, no entanto, é cada dia mais evidente que os crimes da ditadura não acabaram.
Eles seguem reverberando. Afinal, a posição de membros do governo de Jair Bolsonaro é de enaltecimento das mortes, torturas e crimes da ditadura militar brasileira. 📻

🖥️ Na *EBC*, a forma que jornalistas encontraram de furar a *censura* colocada na empresa - hoje impedida de se referir ao período como “ditadura militar” - foi *publicar os conteúdos* de quando ela era pública, pertencente à sociedade, não dirigida por militares.
Abaixo, você confere uma lista com esses materiais produzidos pelos jornalistas da casa.
Escolha suas preferidas e revisite a história nos termos em que ela deve ser revisitada: como *ditadura militar*.
Para que nunca esqueçamos. Para que nunca se repita. 📲
Para ver cada uma dessas produções, basta clicar sobre o respectivo título.

1) 1964: Um golpe na democracia

2) Vlado: resistir é preciso

3) Caminhos da Reportagem | Memórias da Ditadura

4) Ditadura Militar - Caminhos da Reportagem

5) Caminhos da Reportagem |Crimes da Ditadura

6) Caminhos da Reportagem | A questão racial: da ditadura à democracia

7) Especial traz seleção musical de ex-presos políticos na ditadura 

8) Máira Heinen fala sobre matéria ganhadora do Prêmio Vladimir Herzog

9) Reportagem da Rádio Nacional da Amazônia ganha prêmio

10) Repórter fala sobre reportagem que conquistou o Prêmio Vladimir Herzog

11) Ato em Salvador protesta contra impeachment com música e gritos de ordem

12) Integrante das Mães da Praça de Maio é homenageada em universidade em Salvador

13) Especial resgata histórias de centro de tortura na Amazônia 

14) Sobreviventes apontam major Curió como principal torturador 

15) Vítimas da ditadura eram obrigadas a trabalhar em Marabá 

Teatro

16) Série mostra como era a censura militar ao teatro

Cinema

17) Série mostra censura ao cinema durante a ditadura

Música

18) Série retrata a censura a produção musical brasileira durante a Ditadura Militar

Radio e TV

19) Série mostra censura militar ao rádio e à TV 

Imprensa

20) Série mostra censura sofrida pela imprensa

21) História Hoje: Há 48 anos campus da UnB era invadido por militares da ditadura 

22) História Hoje: Frei Tito foi preso político e lutou pelos direitos humanos 

23) História Hoje: Conheça a trajetória de Carlos Marighella no combate à ditadura

24) História Hoje: Morte de Edson Luís há 50 anos ficou marcada como Dia Nacional de Luta dos Estudantes

25) Comissão de Anistia pede desculpas a professores torturados

26) Comissão Estadual da Verdade apresenta provas do assassinato de Rubens Paiva

27) Debate discute resquícios da ditadura no Brasil atual

28) Comissão Nacional da Verdade ouve agentes da repressão no Rio de Janeiro

29) Professor diz que Anísio Teixeira pode ter sido morto por torturadores

30) Filhos e netos de perseguidos políticos debatem violência do regime militar

31) Documentos liberados provam que EUA sabiam de torturas durante ditadura militar

32) Série Operação Condor

33) Repórter Brasil apresenta série sobre Operação Condor

domingo, 26 de novembro de 2017

Jornalista faz vaquinha para custear livro sobre as Diretas Já no Piaui


Por Chico Sant'Anna


Muito se fala dos comícios e manifestações pró Diretas Já no Centro Sul do Brasil, mas este foi um movimento cívico que tomou conta de todo o país. A proposta era por fim à Ditadura Militar por meio de eleições diretas, que não ocorriam desde 3 de outubro 1960, quando Jânio Quadros ganhou a presidência da República.

Agora, para ajudar a preencher as lacunas da nossa história recente, o jornalista e escritor Kenard Kruel acaba de escrever mais um livro - Diretas Já no Piauí, abordando como foi naquele Estado o movimento criado em todo o País pela votação da Emenda Dante de Oliveira, que propunha eleições para presidente da República.

Segundo ele, que presidiu o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Piauí, foi naquele estado que se realizou, proporcionalmente, o comício com maior número de pessoas - cerca de 25 mil, sem contar com as tradicionais presenças de artistas consagrados.

O comício piauiense aconteceu em 13 de fevereiro de 1984, na Praça do Marquês, na Zona Norte de Teresina. Por isso, o local para o lançamento do livro será o mesmo. Diretas Já no Piauí tem previsão de chegar às mãos dos leitores e historiadores no dia 13 de fevereiro de 2018,  34 anos após a mobilização de Teresina

A obra conta com 276 páginas, “super bem ilustradas”, explica Kenard, e está sendo vendida antecipadamente ao preço de R$ 25,00, o exemplar. A venda antecipada é para ajudar no custeio das despesas de impressão. O preço normal de capa depois será de R$ 50,00.

Aqueles que desejarem garantir antecipadamente o seu exemplar e ajudar o autor Kenard Kruel podem fazê-lo mediante depósito na conta corrente Banco do Brasil, agência 5605 - 7 - conta corrente 4429 -6. Feito o depósito, enviar comprovante e os dados pessoais ao autor pelo correio eletrônico kenardkruel@yahoo.com.br

domingo, 18 de outubro de 2015

Jornalista piauiense lança em Brasília biografia de Petrônio Portella

O ex-ministro da Justiça, Petrônio Portella, é tema do livro que o jornalista piauiense Zózimo Tavares, lança nessa segunda-feira, 19/10, na sede do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, em Brasília. “Petrônio Portella, uma biografia” celebra os 90 anos de nascimento do ex-senador e ex-ministro Petrônio Portella, que foi um dos primeiros articuladores do processo de abertura política no Brasil, tendo contribuído para a elaboração da Anistia durante o governo do generalJoão Figueiredo.
O livro de autoria do jornalista Zózimo Tavares, membro da Academia Piauiense de Letras, conta a trajetória política de Petrônio Portella, que foi deputado estadual, prefeito de Teresina, governador do Piauí e senador, além de presidente do Congresso Nacional por duas vezes.
Morreu prematuramente aos 54 anos, empenhado na missão de conduzir o Brasil à democracia.  Pelo papel que desempenhou na transição política, passou à história como “Arquiteto da abertura”.
Com 268 páginas, o livro está dividido em três partes. Na primeira, destaca o papel de Petrônio Portella como articulador da transição política do regime militar para a democracia. A segunda mostra a sua ascensão em Brasília. Já a terceira é dedicada à sua atuação política no Piauí.
O texto apóia-se em fotografias de época, registros na imprensa, documentos oficiais e depoimentos de contemporâneos sobre a intensa atividade política do biografado.
Ao compor a biografia de um dos mais influentes líderes civis do regime militar implantado em 1964, o livro mergulha nos bastidores da ditadura e recompõe episódios marcantes do período, como o AI-5, a “Lei Falcão”, a censura, a tortura, o “Pacote de Abril”, o Colégio Eleitoral, a abertura, a anistia, a reforma partidária e a transição.
O lançamento acontece ao meio-dia, da segunda 19/10, no plenário, 3º andar do Edifício-Sede do Conselho Federal da OAB (SAUS Quadra 5,Lote 1, Bloco M, Brasília).

O AUTOR
Zózimo Tavares é jornalista e escritor. Conta 35 anos de experiência profissional em rádio, jornal, televisão e assessoria de comunicação. Presidiu o Sindicato dos Jornalistas do Piauí e foi secretário de Comunicação Social de Teresina em três administrações.

Já publicou livros de humor, cordel, jornalismo, literatura e biografias. Bacharel em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, pela Universidade Federal do Piauí, e licenciado em Letras–Português pela Universidade Estadual do Piauí. É pós-graduado em Comunicação e Marketing pela UFPI, onde foi também professor. Tem pós-graduação ainda em Linguística.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Documentário da TV Senado ganha Prêmio Herzog de Jornalismo

Da Agência Senado 
Com conteúdo impactante, comovente e, principalmente, real, a produção Em Busca da Verdade, da TV Senado, lançada em junho deste ano, conquistou o 37º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, na categoria Documentário de TV. O filme retrata as graves violações de direitos humanos ocorridos durante a ditadura militar (1964-1985) e que foram investigadas pela Comissão Nacional da Verdade (CNV).
Dirigido pelos jornalistas Deraldo Goulart e Lorena Maria, ambos da TV Senado, o documentário, com 58 minutos de duração, apresenta as principais investigações feitas pela CNV e pelas Comissões Estaduais da Verdade, revelando como funcionou a estrutura de repressão no país naquela época.
Entre os aspectos tratados no documentário, estão os casos do sapateiro Epaminondas, militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) que morreu sob tortura em 1971, do ex-deputado Rubens Paiva, dado como desaparecido, e do ex-militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), Stuart Angel, também morto durante o regime.

Trabalho coletivo

Lorena destaca que o trabalho é resultado de um esforço conjunto de toda a equipe: “É um prêmio da TV, como um todo. Não existe trabalho individual aqui”. Para compilar as cerca de 3,4 mil páginas produzidas pela CNV, foi necessário criar filtros para selecionar os conteúdos retratados na obra, explica a servidora.
— Os casos que entraram no documentário foram os que tinham o relatório oficial parcial na comissão. Ao todo, foram o de três pessoas e, em apenas um deles, havia sido encontrado o corpo da vítima — explicou.
Por sua vez, Deraldo destaca que a possibilidade de produzir esse trabalho é de extrema importância, e o reconhecimento advindo do prêmio é valioso.
— Se você não tem o reconhecimento, acaba desmotivado. Sem dúvida, esse prêmio fortalece o nosso núcleo, que, apesar de pequeno, é valoroso — afirmou.
Ao defender a premiação ao documentário da TV Senado, o professor Vitor Blotta , da Escola de Comunicações e Arte da Universidade de São Paulo (ECA-USP), elogiou o o trabalho, que “realmente cumpriu um serviço público fundamental de destrinchar questões ainda não tão claras do regime militar”.
— Louvo o esforço, que é tanto do poder público, dos meios de comunicação estatais, quanto deve ser também do jornalismo de meios sociais, principalmente porque há essa demanda pra questão do direito à informação, das pessoas que com certeza, a maioria, não conseguirá acessar os documentos diretamente do relatório da Comissão — destacou o professor.
O prêmio é organizado por um conjunto de entidades, tais como: Instituto Vladirmir Herzog, Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), entre outras. O resultado foi anunciado na quarta-feira (30) e a premiação acontece em 20 de outubro, às 20h, no Teatro Universidade Católica de São Paulo (Tuca).

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Sindicato exibe documentário sobre protesto de fotojornalistas

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Por Alan Marques

Documentário sobre protesto de fotojornalistas no governo Figueiredo será exibido nesta segunda, 28/9, na Cozinha Fotográfica do SJP-DF

Depois do sucesso da edição da Cozinha Fotográfica de agosto, Sindicato dos Jornalistas do DF fará evento de setembro para debater o curta “A culpa é da foto”, filme que tem a produção executiva de Eraldo Peres, a direção de conteúdo de André Dusek e a direção de fotografia de Joédson Alves.
O filme trata de um protesto realizado em janeiro de 1984, no governo militar do General Joāo Baptista Figueiredo, ocasião em que fotógrafos, cinegrafistas e repórteres baixaram suas máquinas na rampa do Palácio do Planalto em repúdio à proibição de registros dentro do gabinete presidencial.
A Culpa é da Foto traz o depoimento de profissionais que ousaram a participar do protesto em pleno governo militar. O grande objetivo dos fotógrafos foi contestar os atos de retaliação, assédio moral e censura utilizados contra a imprensa durante o Governo Figueiredo. O único registro do momento ficou sob a responsabilidade do repórter fotográfico José de Maria França, J.França (foto que ilustra esta matéria).  
O curta tem duração de 15 minutos e traz depoimentos de nove jornalistas que estavam na cena da fotografia, destes um era o fotografo oficial do presidente, Roberto Stuckert, o outro, Silvio Leite, era o presidente do comitê de imprensa do Palácio do Planalto em 1984. Ambos estavam na rampa, mas não são vistos na fotografia.
Entre esses depoimentos também estão o do repórter fotográfico André Dusek, que à época era presidente da Uniāo dos Fotógrafos de Brasília. Ele foi testemunha ocular do protesto do outro lado da rua e no documentário é Dusek quem faz a ligação dos fatos até o dia do protesto. Outro profissional que aparece no filme é Wilson Pedrosa, que teve várias desavenças com Figueiredo. Pedrosa teria feito uma foto do presidente com gesso e isso o teria irritado muito.
A Culpa é da Foto venceu na categoria de melhor curta metragem na Mostra Brasília do 48º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. 

Cozinha Fotográfica

A Cozinha fotográfica é um dos projetos do Sindicato de maior destaque, visto que já existe há mais de 30 anos. Direcionada para repórteres fotográficos, profissionais e estudantes da área de comunicação, a Cozinha também recebeu em 2014 alunos do ensino fundamental.
O objetivo da Cozinha fotográfica é mostrar o trabalho de fotojornalistas do DF como forma de incentivar o debate sobre fotografia e os desafios enfrentados por esses profissionais. Temas como direitos autorais, manipulação de imagem, novas tecnologias, dificuldades e desafios para a realização dos trabalhos são alguns pontos abordados durante as discussões.


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Documentos dos EUA apontam que Roberto Marinho (Rede Globo) foi principal articulador da Ditadura Militar





Por Wagner Francesco*, publicado originalmente em JusBrasil.


Em telegrama ao Departamento de Estado norte-americano, embaixador Lincoln Gordon relata interlocução do dono da Globo com cérebros do golpe em decisões sobre sucessão e endurecimento do regime.



No dia 14 de agosto do 1965, ano seguinte ao golpe, o então embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Lincoln Gordon, enviou a seus superiores um telegrama então classificado como altamente confidencial – agora já aberto a consulta pública. A correspondência narra encontro mantido na embaixada entre Gordon e Roberto Marinho, o então dono das Organizações Globo. A conversa era sobre a sucessão golpista.
Documentos dizem que Roberto Marinho Rede Globo foi principal articulador da Ditadura MilitarSegundo relato do embaixador, Marinho estava “trabalhando silenciosamente” junto a um grupo composto, entre outras lideranças, pelo general Ernesto Geisel, chefe da Casa Militar; o general Golbery do Couto e Silva, chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI); Luis Vianna, chefe da Casa Civil, pela prorrogação ou renovação do mandato do ditador Castelo Branco.
No início de julho de 1965, a pedido do grupo, Roberto Marinho teve um encontro com Castelo para persuadi-lo a prorrogar ou renovar o mandato. O general mostrou-se resistente à ideia, de acordo com Gordon.
No encontro, o dono da Globo também sondou a disposição de trazer o então embaixador em Washington, Juracy Magalhães, para ser ministro da Justiça. Castelo, aceitou a indicação, que acabou acontecendo depois das eleições para governador em outubro. O objetivo era ter Magalhães por perto como alternativa a suceder o ditador, e para endurecer o regime, já que o ministro Milton Campos era considerado dócil demais para a pasta, como descreve o telegrama. De fato, Magalhães foi para a Justiça, apertou a censura aos meios de comunicação e pediu a cabeça de jornalistas de esquerda aos donos de jornais.
Documentos dizem que Roberto Marinho Rede Globo foi principal articulador da Ditadura MilitarNo dia 31 de julho do mesmo ano houve um novo encontro. Roberto Marinho explica que, se Castelo Branco restaurasse eleições diretas para sua sucessão, os políticos com mais chances seriam os da oposição. E novamente age para persuadir o general-presidente a prorrogar seu mandato ou reeleger-se sem o risco do voto direto. Marinho disse ter saído satisfeito do encontro, pois o ditador foi mais receptivo. Na conversa, o dono da Globo também disse que o grupo que frequentava defendia um emenda constitucional para permitir a reeleição de Castelo com voto indireto, já que a composição do Congresso não oferecia riscos. Debateu também as pretensões do general Costa e Silva à sucessão.
Lincoln Gordon escreveu ainda ao Departamento de Estado de seu país que o sigilo da fonte era essencial, ou seja, era para manter segredo sobre o interlocutor tanto do embaixador quanto do general: Roberto Marinho.
O histórico de apoio das Organizações Globo à ditadura não dá margens para surpresas. A diferença, agora, é confirmação documental.
Wagner Francescoteólogo e acadêmico de Direito.
Página no Facebook: https://www.facebook.com/escritor.wagnerfrancesco

sexta-feira, 14 de março de 2014

Grupo Tortura Nunca Mais homenageia jornalista Luiz Cláudio Cunha

Jango, Amarildo e Wikileaks 
ganham Medalha Chico

Mendes 
no cinquentenário do golpe de 1964



O Grupo Tortura Nunca Mais, do Rio de Janeiro, acaba de divulgar a relação dos homenageados com a Medalha Chico Mendes de Resistência, que completa sua 26ª edição em 2014, no ano do cinquentenário do Golpe de 1964.
Foram agraciados 13 pessoas, cinco delas in memoriam, numa lista que inclui o ex-presidente João Goulart, o pedreiro Amarildo de Souza (desaparecido na UPP da Rocinha), o ex-deputado Luiz Maranhão (do Comitê Central do Partido Comunista, Adriano Fonseca Filho (guerrilheiro do PCdoB desaparecido no Araguaia) e Marcos Antônio da Silva Lima (marinheiro assassinado na ditadura).
Completam a lista o jornalista Julian Assange (fundador do WikiLeaks), o teatrólogo Amir Haddad (do grupo Grupo Tá na Rua), o cacique Ládio Veron (da Nação Guarani-Kaiowá), o advogado Manoel Martins (ex-preso-político), o morador de rua Rafael Braga (preso nas manifestação de junho passado), os promotores Raquel Dodge (subprocuradora da República) e Sérgio Suiama (procurador do Ministério Público Federal/RJ) e o jornalista Luiz Cláudio Cunha, autor do livro Operação Condor: o Sequestro dos Uruguaios.
O prêmio Chico Mendes foi criado em 1988 para homenagear pessoas e grupos engajados na luta por direitos humanos, em aberta reação à ‘Medalha do Pacificador’ regularmente concedida pelo Exército a nomes denunciados por violações aos direitos humanos. Alguns dos agraciados pelo Exército são o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, criador do DOI-CODI paulista, e os delegados do DOPS Sérgio Fleury (SP) e Pedro Seelig (RS), frequentemente responsabilizados por torturas em presos políticos durante o regime militar.
Desde 1989, alguns dos agraciados com a Medalha Chico Mendes são o cardeal Paulo Evaristo Arns, o promotor Hélio Bicudo, os jornalistas Barbosa Lima Sobrinho, Luís Fernando Veríssimo e Alceu Amoroso Lima, o arquiteto Oscar Niemeyer, o sociólogo Herbert de Souza, o educador Paulo Freire, a deputada Luíza Erundina e a estilista Zuzu Angel, além de entidades como Anistia Internacional, a Comissão de Justiça e Paz de SP, a Human Rights Watch e o Centro de Mídia Independente, entre outros.
A Medalha Chico Mendes tem como promotores, além do Grupo Tortura Nunca Mais, outras 14 entidades, entre elas a ABI, a Comissão de Direitos Humanos da OAB do Rio de Janeiro, o MST, o Centro pela Justiça e Direito Internacional (CEJIL), a Justiça Global, o PCB, a Rede de Movimentos e Comunidades contra a Violência e o Comitê Chico Mendes.

A entrega da 26ª Medalha Chico Mendes de Resistência de 2014 será realizada no dia 1º de abril, às 18h, no salão nobre da Faculdade de Direito da UFRJ – CACO -, na rua Moncorvo Filho, nº 8, Praça da República, no centro do Rio de Janeiro.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

[Veja o vídeo] Jornalistas detalham como era a tortura na Esplanada dos Ministérios

Na Audiência Pública do Senado Federal para receber as denúncias de torturas a Jornalistas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, profissionais de imprensa detalharam como agiam os militares durante o período da Ditadura.
A reportagem é de Andréa Alves, da TV Senado.


Veja também o vídeo e leia a reportagem:


Subcomissão da Verdade do Senado quer visitar locais onde jornalistas foram torturados

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

[Veja o vídeo] Subcomissão da Verdade do Senado quer visitar locais onde jornalistas foram torturados

Romário, Doyle, Capiberibe, Sant´Anna e Rollemberg, durante a audiência pública
Por Rodrigo Baptista da Agência Senado
Às vésperas do aniversário de 50 anos do golpe militar que tirou o mandato do presidente João Goulart e mais tarde ocasionou o fechamento do Congresso, a Comissão da Memória e Verdade dos Jornalistas do Distrito Federal apresentou relatório preliminar que aponta a existência, durante a ditadura militar (1964-1985), de centros de detenção e de tortura a pouco mais de 500 metros de distância do Palácio do Planalto.

Veja aqui a reportagem da TV Senado sobre o tema
O documento foi entregue nesta quarta-feira (19) ao presidente da Subcomissão Permanente da Memória, Verdade e Justiça, senador João Capiberibe (PSB-AP), que prometeu promover diligências aos locais para apurar as denúncias.
Porões da ditadura
Segundo o jornalista Chico Sant´Anna, profissionais da imprensa e outros cidadãos eram levados para dependências de dois prédios localizados na Esplanada dos Ministérios - na região central de Brasília -  que então sediavam os ministérios do Exército e da Marinha. Na avaliação de Sant´Anna, a proximidade com o centro do poder político evidencia o envolvimento dos chefes do governo militar com casos de violação de diretos humanos.

Assista aqui a íntegra da 1ª parte da audiência pública  na Subcomissão Permanente da Memória, Verdade e Justiça, 


- Pelo menos quatro relatos apontam a existência durante aquele período de centros de tortura a menos de 500 metros do Palácio do Planalto. É uma prova cabal de que era de conhecimento da cúpula do poder a ocorrência de tortura contra jornalistas - afirma Sant'Anna.
A Comissão da Memória e Verdade dos Jornalistas do Distrito Federal já ouviu ao todo 20 pessoas e dispõe de mais de 40 horas de gravações com depoimentos que relatam casos de ameaças, torturas e prisões durante o regime de exceção. Os relatos também apontam ocorrências de censura prévia em veículos de comunicação, presença de censores nas redações de jornais e violação de confidencialidade de correspondências de jornalistas, entre outros casos de repressão.
Helio Doyle, presidente da Comissão da Mémoria
e da 
Verdade do Sindicato dos Jornalistas doDistrito Federal.
Foto de José Cruz/Agência Senado
Hélio Doyle, que participou da audiência pública desta quarta-feira, é um dos jornalistas que revelaram a utilização de unidades das Forças Armadas em Brasília como centros de detenção.
— Estava indo de carro para a casa dos meus pais quando eu e minha então mulher fomos cercados por duas Veraneios e ali mesmo formos retirados do carro, colocados na Veraneio e levados para o Ministério do Exército. Quem me levou foi o pessoal do Dops [Departamento de Ordem Política e Social]. Fui levado sem capuz e colocado em uma pequena sala cercada de isolantes acústicos e com vidros. Eu não sei dizer quanto tempo durou, talvez algumas horas. Depois, fui retirado de lá e levado para o Setor Militar Urbano. Não voltei mais àquele local, mas para mim ficou muito claro que ali funcionava um centro de detenção — descreveu Hélio Doyle.
Armando Sobral Rollemberg, vice-presidente da Comissão
da Mémoria e Verdade do Sindicato dos Jornalistas
do Distrito Federal. 
Foto de José Cruz/Agência Senado
O jornalista Armando Rollemberg contou que foi encapuzado e jogado no porta-malas de um veículo modelo Veraneio e levado para um lugar que se assemelha a uma das garagens existentes nos subsolos dos prédios da Esplanada dos Ministérios.
— Nesse vão, muitas pessoas estavam sendo torturadas simultaneamente. Ao contrário do que se dizia, a cadeia de comando das Forças Amadas tinha sim conhecimento do que estava se passando nos chamados porões da repressão. Tanto havia conhecimento que o general [Antônio] Bandeira, que era responsável pelo  DOI-Codi, sabia da minha prisão, sabia que eu estava sendo torturado porque quando meu pai esteve com ele, ele tirou um dossiê para falar da minha militância universitária — narrou Rollemberg.
Ex-presidente do Sindicato dos
Jornalistas Profisionais do DF,
Romário Schettino, relata
em audiência a violação de
Direitos humanos praticada
contra 
jornalistas durante a ditadura
militar. 
Foto de José Cruz/Agência Senado
Resgate da memória
Segundo Romário Schettino, que foi submetido a tortura durante 25 dias, a identificação dos locais onde foram presos e torturados jornalistas e cidadãos ajudará no resgate da memória do período. Mesma opinião manifestaram a senadora Ana Rita (PT-ES) e o senador João Capiberibe.
— É fundamental que a sociedade brasileira tenha conhecimento de todo esse processo político — disse o senador, que apresentará requerimento para que a subcomissão agende visitas às sedes dos ministérios citados.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Livro do Jornalista Cid Benjamin com história da luta armada é lançado em Brasília

Com base no texto dLeticia Fernandes, publicado em O Globo


“Tá em cana”. Era 21 de abril de 1970 quando Cid Benjamin, líder estudantil e dirigente do segundo MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), ouviu as palavras do major Moacir Fontenelle. Num gesto instintivo, aplicou-lhe um golpe de judô — Cid era faixa preta e tinha sido campeão brasileiro juvenil —, fazendo com que o major caísse sobre o balcão da padaria no Lins de Vasconcelos, Zona Norte do Rio, “aparelho” onde Cid se encontraria com um companheiro.
É assim que o jornalista, de 64 anos, começa o seu livro de memórias, “Gracias a la vida — Memórias de um militante”, que será lançado na noite do dia 12/02, em Brasília, às 19h, na Livraria Cultura do Casa Park.
Cid Benjamin, ativista partidário, jornalista e professor universitário, militou na luta armada nas décadas de 60 e 70 e participou do sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, em 1969. Depois de preso, foi exilado e morou na Argélia, no Chile, em Cuba e na Suécia.
Sua exposição aos fatos nos garante estar diante de um dos mais consolidados e objetivos relatos sobre esses anos de nossa história. Em suas memórias, Cid apresenta ainda outros episódios importantes da história do PT na década de 1990, como as denúncias ao partido e ao ex-presidente Lula e dos fatos paralelos e comprometedores no episódio do assassinato do prefeito Celso Daniel, em Santo André, São Paulo..

Sobre o autor:

Nasceu em Recife, filho de militar, foi líder estudantil e dirigente do Movimento Revolucionário 8 de Outubro - MR8. Engajou-se na luta armada contra a ditadura militar e participou como protagonista do sequestro do embaixador dos Estados Unidos. Foi preso, torturado e libertado em troca embaixador da Alemanha. Ao retornar em 1979 ajudou a fundar o PT e é um dos fundadores do PSOL

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Argentina: Desenhos animados explicam ditadura para crianças

Por Marsílea Gombata da Carta Capital online, publicado anteriormente no Pátria Latina
O desenho "A Surpreendente Excursão de Zamba" mescla aventura com história para falar de episódios como a Guerra das Malvinas

Em uma viagem pelo tempo até a ditadura, a principal missão é resgatar o amigo das mãos militares e fazer a democracia voltar ao país com a ajuda das “urnas mágicas”. A ficção dá o tom fantasioso à aventura vivida pelo personagem Zamba, mas o roteiro do desenho animado La Asombrosa Excursión de Zamba (A Surpreendente Excursão de Zamba) tem um contexto amargo do passado argentino: o regime militar que vigorou entre 1976 e 1983.
Voltado para crianças de 6 a 12 anos, a série de animações é uma aposta do canal estatal argentino Paka Paka para ambientá-las a temas geralmente relegados aos livros de história nas salas de aula. Além do capítulo sobre a ditadura, entram no repertório episódios emblemáticos como a Guerra das Malvinas, no qual um soldado argentino explica ao pequeno Zamba que “há países que se sentem os reis do mundo” ao se referir à Grã Bretanha.
Zamba convida as crianças a fazerem perguntas e refletirem sobre o que veem”, explica Cielo Salviolo, ex-diretora e atual consultora do canal Paka Paka. “São temas mais complexos, que não são contestados muito nas escolas, mas que quisemos contar em um formato mais atrativo e inovador para as crianças”, explica ela sobre a estética de videogame presente na animação - que até agora possui 14 capítulos.




No episódio sobre a ditadura, o menino José, cujo apelido é Zamba, tem contato com o regime militar durante uma excursão à Casa Rosada. Ainda dentro da sede de governo, seu amigo desaparece e, ao dizer que precisará voltar no tempo para resgatá-lo, o busto que remete ao classicismo e representa a “República” explica que a ditadura começou em 1976 com os militares tomando o poder e “disseminou o terror por todo o País”. Zamba precisará voltar à “época mais escura” da história argentina para ajudar seu amiguinho, mas sem a “República” por lá para defendê-lo. Depois do contato com os militares – que falam ao telefone com os EUA para garantir que o “plano de ditadura em toda a América Latina será um êxito” – Zamba é detido, mas consegue sair vitorioso com com a ajuda das urnas eleitorais, símbolo das eleições diretas. No final do episódio, Zamba, seus amigos e até mesmo as “Mães de Maio” celebram o fim do período repressor.


Regionalismo. 
Além de resgatar passagens da história argentina, o desenhos traz características comuns a qualquer criança – como o sonho de ser astronauta – e uma série de elementos regionais. No início de cada capítulo, o protagonista explica que vive na cidade de Clorinda, na província de Formosa, e que sua comida preferida é o chipá, cuja massa é semelhante ao nosso pão de queijo. Ele tem como animal de estimação uma capivara, e na escola interage com outras crianças e com a professora, que veste o clássico avental branco.
O projeto, explica Cielo, surgiu pela necessidade do Ministério da Educação em fazer um desenho pensado para meninos e meninas argentinas. “Temos um problema comum a todos os países da América Latina. Tínhamos nos canais daqui produções feitas nos EUA para México, Brasil, Argentina. O ministério resolveu apostar em uma produção nacional como política de educação e cultura para as nossas crianças”, conta. O canal funciona desde 2010. Para alcançar a verossimilhança com o universo argentino, a produção conta com a supervisão de historiadores e educadores.
Desde que começou a produzir e distribuir as animações nas escolas públicas do país, o canal estatal se viu envolto em polêmicas e críticas. Historiadores e sociólogos acharam precoce tratar determinados temas entre os pequenos. Alguns condenaram a “versão oficial” contida na animação, feita pela produtora Perro en la Luna e dirigida por Sebastián Mignona.

Os produtores rebatem as críticas. “Na verdade, mostramos que é possível contar uma história de maneira divertida e reflexiva. E isso sempre gerará polêmica”, avalia Cielo. “Mas o importante é não subestimarmos as crianças e lembrarmos que elas também são capazes de compreender os processos históricos.”

sexta-feira, 29 de março de 2013

TV Cidade Livre de Brasília debate Golpe Militar de 64

Enviado por Beto Almeida

A TV Cidade Livre de Brasília,  canal 8 da Net, vai debater o Golpe de 64, que neste domingo completa 49 anos. O programa , ao vivo, contará com as presenças do Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ex-Ministro do Governo Lula, do Embaixador Arnaldo Carrilho ( foi representante do Brasil na China e na Coréia do Norte), e do jornalista e escritor Leite Filho, autor , entre outros, dos livros "Quem Tem Medo de Hugo Chávez?" e  "O Caudilho - Perfil Biográfico de Leonel Brizola". 
 
 O debate será ancorado pelo jornalista Beto Almeida, diretor da Telesur e tem por objetivos extrair lições daquele golpe de estado para a atualidade, especialmente porque as forças mais conservadoras da sociedade que, naquela época, se organizaram para interromper violentamente as reformas que o Brasil realizava, agora, também, se organizam com o intuito de travar, impedir e paralisar o processo de transformações que  o país experimenta deste a eleição de Lula, processo continuado pela eleição de Dilma Roussef à presidência.
 
Um olhar especial será lançado sobre o papel golpista desempenhado pelos meios de comunicação que, em 1964, participaram editorial e praticamente da organização política do golpe ditatorial,  sustentando suas  trágicas consequências para a vida política nacional, a destruição da vida democrática, a asfixia da arte e da cultura, o esmagamento dos sindicatos e das organizações estudantis, a entrega das riquezas nacionais aos poderes externos.
 
Hoje, quando o Brasil volta a priorizar o atendimento das legítimas reivindicações de sua população mais pobre, quando amplia os direitos trabalhistas, quando redistribui a renda nacional e valoriza o salário, quando pratica uma política externa soberana e pautada pela integração solidária com os povos que lutam por um mundo de cooperação, registram-se movimentos em segmentos conservadores, políticos e midiáticos, sempre em sintonia com os poderosos interesses imperiais, visando desestabilizar e  intimidar o governo de Dilma Roussef.
 
O programa  terá início as 11 horas da manhã e pode ser captado pelo Canal 8 da Net pelos assinantes de Brasília. Pela internet, o programa poderá ser assistido pelo site da TV Cidade Livre que é   www.tvcomunitariadf.com.br
 
TV Cidade Livre de Brasília, 15 anos democratizando a informação!!!!!