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sábado, 2 de maio de 2026

Morre Raimundo Rodrigues Pereira, o jornalista da imprensa alternativa

Aos 86, anos, morreu neste sábado, 2, no Rio de Janeiro, o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, ex-Opinião, ex-Movimento


Por Antônio Carlos Queiroz (ACQ)

O jornalista Raimundo Pereira, mestre genial do jornalismo independente, democrático e popular, foi um daqueles lutadores imprescindíveis referidos pelo poeta Bertolt Brecht.

Nos tempos da era de chumbo, era o jornalista da imprensa alternativa e combativa. Por meio do jornal Opinião, trouxe de volta ao centro do debate público a questão nacional. Por meio do jornal Movimento, fincou as bandeiras do fim das leis de exceção da ditadura militar, da Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, e da convocação da Constituinte Livre e Soberana. Se destacou pelo rigor profissional, coragem e compromisso com a democracia, atuando também em veículos como Realidade e Veja.

Radicalmente comprometido com a democratização republicana do País, e com a melhoria das condições de vida da população brasileira, o Raimundo foi também apaixonado pela divulgação das conquistas científicas.

Nascido em Exu (PE), quando estava no último ano de Engenharia Aeronáutica no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em 8 de abril de 1964, foi preso pelo DOPS, o que o levou a abandonar a Engenharia Aeronáutica no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) A e dedicar-se ao jornalismo após formar-se em Física.

Dizia que o bom jornalista deve acompanhar os acontecimentos do seu bairro, de sua cidade, de seu Estado, do seu País, do planeta e também do Universo. O mundo, dizia, pode ser conhecido e o conhecimento é o caminho inevitável para que possamos mudá-lo.

Socialista, o Raimundo Pereira foi também um fã da República Popular da China. O livro que conta grande parte da história de Raimundo Pereira foi disponibilizado pelos autores

A causa da morte não foi divulgada. Vou sentir saudades do mestre, com quem eu comia feijoada com vinho, enquanto falávamos mal dos inimigos do povo brasileiro!


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O papel da imprensa alternativa na realidade nacional. Entrevista a Raimundo Pereira

Por  FC Leite Filho, publicado originalmente no Café na Política

O Café na Política foi ouvir Raimundo Pereira, um dos ícones da imprensa alternativa, então chamada imprensa nanica. Este movimento, surgido em plena ditadura, produziu fenômenos editoriais como o Pasquim (que chegou a 220 mil exemplares), a Opinião. o Movimento, Binômio, Versus, Coorjornal, que faziam franca concorrência aos jornalões.
Eram tempos difíceis, porque, na época, não existia sequer o fax, para não falar da força descomunal da internet.
Os jornais tinham de ser distribuídos – vendidos e mantidos financeiramente, na imensidão de nosso território. Funcionava na base da articulação de uma militância – mais jornalística que política -, que chegava a reunir, como no caso do jornal Movimento, 285 pessoas, entre jornalistas, administradores e representantes, espalhados pelos diversos Estados da Federação.

Veja também a vídeo entrevista com Kiko Nogueira do Diário do Centro do Mundo

Nesta entrevista a FC Leite Filho, Raimundo Pereira, hoje aos 76 anos e revelando muito vigor e entusiasmo, conta a história desse movimento e de seu novo projeto de reunir uma nova equipe de 40 jornalistas, intelectuais e militantes para fazer uma nova experiência do tipo, agora tendo a internet como instrumento principal. Raimundo acredita na força atual dos blogs, sites e redes sociais que estão enfrentando o golpe, inclusive com manifestações de rua, as quais já começam a assustar o novo regime neoliberal. Ele pondera, contudo, que é preciso dar um rumo a esse movimento mais ou menos disperso.

Confira no vídeo a entrevista de Raimundo Pereira  Café na Política

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Opinião: A imprensa brasileira não é democrática

Por Emir Sader, publicado anteriormente no Pátria Latina


A imprensa tradicional brasileira, a velha mídia, não é democrática, de qualquer ponto de vista que seja analisada. 
Antes de tudo, porque não é pluralista. Do editorial à ultima página, a visão dos donos da publicação permeia tudo, tudo é editorializado. Não podem, assim, ter espaço para várias interpretações da realidade, deformada, esta, pela própria interpretação dominante na publicação, do começo ao fim.
Não é democrática porque não contém espaços para distintos pontos de vista nas páginas de debate, com pequenas exceções, que servem para confirmar a regra.
Não é democrática porque expressa o ponto de vista da minoria do país, que tem sido sistematicamente derrotada desde 2002, e provavelmente seguirá sendo derrotada. Não expressa a nova maioria de opinião política que elegeu e reelegeu Lula, elegeu e provavelmente reelegerá a Dilma. A imprensa brasileira expressa a opinião e os interesses da minoria do país.
Não é democrática, porque não se ancora em empresas públicas, mas em empresas privadas, que vivem do lucro. Assim, busca retorno econômico, o que faz com que dependa, essencialmente, não dos eventuais leitores, ouvintes ou telespectadores, mas das agências de publicidade e das grandes empresas que ocupam os enormes espaços publicitários.
São empresas que buscam rentabilidade para sobreviver. Que não se interessam por ter mais público, mas público “qualificado”, isto é, o de maior poder aquisitivo, para mostrar às agências de publicidade que devem anunciar aí. São financiadas, assim, pelas grandes empresas privadas, com quem têm o rabo preso, contra cujos interesses não vão atuar, o que seria dar um tiro no próprio pé.
Não bastasse tudo isso, as grandes empresas da mídia privada são empresas de propriedade familiar. Marinho, Civita, Frias, Mesquita – são não apenas os proprietários, mas seus familiares ocupam os postos decisivos dentro de cada empresa. Não há nenhuma forma de democracia no funcionamento da imprensa privada - são oligarquias, que escolhem entre seus membros os seus sucessores. Nem sequer pro forma há formas de rotatividade. Os membros das famílias ficam dirigindo a empresa até se aposentarem ou morrerem, e designam o filho para sucedê-los.
Tampouco há democracia, nem sequer formal, nas redações dessas empresas. Não são os jornalistas que escolhem os editores. São estes nomeados – e eventualmente demitidos – pelos donos da empresa, os que decidem as pautas, que têm que ser realizadas pelos jornalistas, com as orientações editorializadas da direção.
Uma mídia que quer classificar quem – partidos, governos etc. – é democrático, é autoritária, ditatorial, no seu funcionamento, tanto na eleição dos seus dirigentes, quanto na dinâmica das suas redações.
Como resultado, não é estranho que essa mídia tenha estado ferreamente contra os mais populares e os mais importantes dirigentes políticos do Brasil – Getúlio e Lula. Não por acaso estiveram contra a Revolução de 30 e a favor do movimento contrarrevolucionário de 1932 e o golpe de 1964, que instalou a mais a sangrenta ditadura da nossa história.
Coerentemente, apoiaram os governos de Fernando Collor e de FHC, e se erigiram em direção da oposição aos governos do Lula e da Dilma.
Em suma, a velha imprensa brasileira não é democrática, é um resquício sobrevivente do passado oligárquico do Brasil, que começa a ser superado por governos a que – obviamente – essa imprensa se opõem frontalmente.
A democratização do país começou pelas esferas econômica e social, precisa agora chegar urgentemente às esferas políticas – Congresso, Judiciário – e à imprensa.
País democrático não é só aquele que distribui de forma relativamente igualitária os bens que a sociedade produz, mas o que tem representações políticas eleitas pela vontade popular, e não pelo poder do dinheiro. E que forma suas opiniões de forma pluralista e não oligárquica. Um país em que ninguém deixa de falar, mas em que todos falam para todos.

[As opiniões aqui expressas são deresponsabilidade de seus autores]



quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Dez anos do Brasil de Fato: um jornal para nossa classe


Por Milton Pinheiro [*]

A história da imprensa no Brasil é pródiga por agir em duas direções: por um lado, no conluio do aparato de Estado com os meios de comunicação a serviço da burguesia, e por outro, a extrema repressão, desses mesmos agentes, aos instrumentos de divulgação e formação da classe trabalhadora.
O Partido Comunista Brasileiro mesmo com a extrema perseguição política e a ilegalidade a que esteve submetido por longos períodos da sua história, sempre teve jornais semanais e até mesmo diários, assim como revistas de circulação nacional. Outras organizações, já no término da ditadura burgo-militar de 1964, também construíram experiências de jornais alternativos para lutar pelos interesses dos trabalhadores na transição para o Estado de direito. Mas, a esquerda brasileira não avançou para ter um jornal de ampla circulação que unificasse os interesses da nossa classe.
Há dez anos surgia o Brasil de Fato , em 25 de janeiro de 2003. Hoje, esse instrumento unitário dos movimentos populares está fazendo aniversário. Trata-se de um espaço onde os trabalhadores, os diversos movimentos sociais e as lutas mais sentidas do povo brasileiro encontram a divulgação merecida. Os fatos do Brasil e do mundo são apresentados pela ótica da nossa classe, levando-se em conta a verdade, que é sempre revolucionária.
Essa forma comprometida de fazer a imprensa popular se consolidou no trabalho realizado pelo Brasil de Fato. Neste espaço plural da esquerda brasileira, encontramos o combate ao aparato burguês, e a informação básica para alimentar os lutadores sociais no seu caminhar pela trilha do acirramento da luta de classes. Esse jornal apresenta uma proposta contra-hegemônica, que procura contribuir com os trabalhadores na construção de outra sociabilidade humana.
Em um país historicamente marcado pelo déficit democrático, cujas raízes remontam o escravismo, à política racista como regulação social e o patrimonialismo como gestão de Estado, a caminhada dos trabalhadores é revestida de enorme esforço. A luta pela terra, a defesa do meio ambiente, a manifestação da cultura popular, o apoio irrestrito aos trabalhadores em seus confrontos e a defesa de uma educação emancipadora, encontram no espaço democrático do Brasil de Fato a repercussão que a luta precisa para prosseguir.
Queremos contribuir para que esse instrumento da imprensa popular seja um semanário que se transforme numa representação da frente de esquerda, tendo como horizonte próximo o projeto de tornar-se um jornal diário, para responder à necessidade da nossa classe de enfrentar a ideologia do capital, em um país onde a burguesia controla de forma violenta os meios de comunicação, contando com a leniência dos governos.
Esse projeto vigoroso de tornar-se diário será efetivado a partir da participação das forças políticas e sociais, da crítica fraterna e construtiva à linha editorial, possibilitando ao jornal encontrar a linha política mais conseqüente, que abrirá o caminho mais justo para representar o conjunto de forças que no Brasil luta pela transformação social de caráter anticapitalista, na perspectiva do socialismo.
Neste momento de comemoração, um registro se faz relevante: enviamos uma saudação fraterna e convicta ao coletivo de homens e mulheres, profissionais e militantes que, com a sua dedicação revolucionária, constroem esse instrumento da classe trabalhadora, que com acertos e, até mesmo, com problemas se mantém no destacamento de apoio as vanguardas em luta por todo o Brasil. Afinal, são dez anos de muitas batalhas de uma guerra em movimento. É dessa experiência de imprensa popular que as massas trabalhadoras necessitam, para fazer, com a sua agitação e propaganda, a pauta da luta social avançar por todos os rincões do país, ajudando a formar o “povo filosófico”.
Agora uma nova fase se apresenta para o Brasil de Fato. Precisamos avançar nas diversas frentes que, por ora, foram abertas pelo jornal. Consolidar uma linha editorial com profunda independência de classe, abrir espaços políticos nas diversas organizações da esquerda revolucionária brasileira, e ser um formador coletivo com capacidade real de contribuir para a direção moral e intelectual dos trabalhadores na sociedade brasileira.
Esse projeto, essa luta, esse compromisso faz do Brasil de Fato um jornal ao lado da nossa classe. Que a luta continue... 
Agora, mais forte do que antes.

[*] Professor de Ciência Política da Universidade do Estado da Bahia (UNEB),
editor da revista Novos Temas e membro do CC do PCB.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Jornais brasileiros são progressistas... nos EUA


Mídia de papel destaca discurso inclusivo de Barack Obama na posse de seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos; igualdade foi a palavra chave nas manchetes; no Brasil, porém, políticas de transferência de renda, cotas para minorias e diversidade sexual são publicadas na editoria do preconceito; progressismo só é bonito no quintal alheio?


Programas de inclusão social como o estabelecimento de cotas raciais para acesso ao ensino superior e ocupação do mercado de trabalho, ações de garantia de renda mínima como o bolsa família e iniciativas para a compreensão sobre a diversidade sexual e a integração de imigrantes à sociedade brasileira não são, exatamente, assuntos pelos quais a mídia de papel representada por jornais como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo morra de amores. Ao contrário. Praticamente todos os dias, o que se pode ler nas páginas desses jornais são ataques a programas como o ProUni, disparos em série contra o que é visto como assistencialismo representado pelas ações de concessão de renda como o Bolsa Família e uma cobertura bastante discreta, e pitoresca, sobre os direitos das minorias, entre as quais os gays e os imigrantes.

Na boca do presidente Barack Obama, no entanto, temas como esses ganharam status de bandeiras do melhor do progressismo de uma sociedade moderna. Dando grande destaque para os trechos do discurso feito ontem, em Washington D.C., pelo presidente americano durante a cerimônia de sua segunda posse no cargo, os três jornais coincidiram em elevar as promessas de redução das diferenças sociais feitas por Obama. Igualdade foi a palavra chave. Coberto de elogios, o discurso teve destaques nos trechos em que o presidente frisou a necessidade da redução das diferenças na sociedade americana.
No dia a dia da cobertura da cena brasileira, o trio de ferro da mídia de papel tem uma postura bastante diferente da mostrada hoje. Apesar da extensão e dos efeitos objetivos de programas sociais federais como o Bolsa Família e o ProUni, para ficar em dois exemplos, o que mais se mostra, aqui, são aspectos negativos dessas iniciativas. Muitas vezes eles são apontados como fatores de distorção, e não de equalização, do quadro social. Pode-se, também, enxergar muito de pitoresco e folclórico na cobertura cotidiana dada a questões referentes à diversidade sexual. À exceção de espaços abertos a eventos diferenciados como as paradas pelos direitos dos homossexuais e o tratamento consequente dedicado por alguns poucos colunistas, os problemas dos gays são relegados a um segundo plano pelos jornais. Questões diretamente afetas aos imigrantes legais e ilegais no Brasil, igualmente não frequentam a pauta corrente das publicações tradicionais.
A partir das manchetes rasgadas pelos jornais para o discurso de Obama, talvez um novo enfoque sobre esses temas venha a ser dado, no Brasil, por essa mídia mais tradicional. Pelo histórico da pauta, no entanto, a tendência é que eles voltem para a editoria do preconceito agora que a festa da reeleição do presidente americano já acabou.

segunda-feira, 26 de março de 2012

O olhar brasileiro sobre a chacina de Toulouse na análise de um jornal francês

O texto, em francês, de Amélie Perraud-Boulard e de Anne-Louise Sautreuil , publicado no lepetitjournal.com, traz um olhar francês de como a imprensa brasileira tratou a chacina de Toulouse, quando crianças judias foram assassinadas. Um dos pontos que chamaram a atenção das duas analistas é o fato do Brasil, um país onde não existem ações de terrorismo por motivações religiosas ou étnicas, ter dedicado muito espaço a cobertura de um fato que se registrou a mais de 10 mil Kms de distância. As analistas ficaram impressionadas com o volume de notícias sobre o tema ocorrido no Sul da França.

Le monde entier a vécu ces derniers jours au rythme de la traque de l’auteur présumé des assassinats de Toulouse et de Montauban. Au Brésil, sites internet, quotidiens, et journaux télévisés ont relayé minute par minute le fil des événements. Retour sur une semaine médiatique intense à 10.000 kilomètres de l’Hexagone

La traque de l’auteur présumé des tueries - qui ont coûté la vie à 7 personnes la semaine dernière à Toulouse et à Montauban - a tenu en haleine l’ensemble des rédactions brésiliennes ainsi que le public brésilien. Vendredi soir, sur Google News Brésil, près de 1.000 articles apparaissaient lorsque l'on tapait le mot clé : "Mohamed Merah", le nom de l’auteur présumé des assassinats. Le drame, amplement commenté par les médias locaux, contribue à façonner une autre image de la France et met en exergue de nouvelles problématiques. Ainsi O Globotitre sans détours: "Où va la France ?" Dans son dossier factuel, le quotidien de Rio de Janeiro, relate les événements français et publie un portrait de Mohammed Merah intitulé: "Français, Musulman et sans remords." D’autres publications passent au crible les faiblesses françaises : "La capacité des services de surveillance remise en cause" titre par exemple le magazine Veja sur son site internet. La même source avait déjà fait état des failles françaises en publiant un article intitulé: "La France se défend d’avoir échoué à contrôler Merah."

"Le djihad rencontre Tom Cruise"
Vu du Brésil, un pays épargné par le terrorisme islamiste, l’enchaînement meurtrier du sud de la France, ainsi que les mobiles avancés par l’accusé, intriguent et inquiètent. Sur leurs blogs, journalistes et éditorialistes n’ont pas manqué de commenter le drame. Christina Stephano de Queiroz se lance dans un parallèle hasardeux entre le film de Mathieu Kassovitz "La Haine" et la "tension raciale" au coeur de l’actualité depuis le drame de Toulouse. La journaliste évoque le film qui met en scène l’errance de trois jeunes de banlieue (un Noir, un Juif et un Arabe) après une intervention policière ayant blessé un des leurs. Les trois acolytes, la rage au ventre, envisagent une vengeance contre les policiers. "Ce film peut résumer les craintes (de tensions communautaires) exprimées par Nicolas Sarkozy après la révélation de l’information selon laquelle l’accusé était un Français d’origine algérienne."

Dans un autre blog rattaché au site de Folha de São Paulo, Sergio Malbergier, poste un article libellé : "Le djihad rencontre Tom Cruise (dans une rue près de chez vous)." La référence au cinéma hollywoodien met l’accent sur le côté spectaculaire de l’action du Raid français et des 32 heures de siège à l’issue desquelles le meurtrier a bondi par la fenêtre le doigt sur la gâchette. Le même éditorialiste traite d’un autre aspect des meurtres et évoque "un événement multimédia" : "Pour compléter l’événement multimédia, viral, Merah a filmé ses assassinats et a affirmé avoir enregistré un message sur une vidéo."

Comme la presse française, la presse brésilienne s’émeut de la menace de "cette nouvelle génération de terroristes" capables de semer la terreur en solitaire. "Les terroristes sont parmi nous", "Le terroriste dormait à côté"... sont autant de titres anxiogènes, qui se sont multipliés sur les blogs des journalistes. Les médias craignent l’émergence d’autres Mohammed Merah. O Globo relate à ce sujet les propos du Premier ministre François Fillon selon lequel des centaines d’autres jeunes français ont voyagé, comme Mohammed Merah, en Afghanistan et au Pakistan, pays où ils peuvent avoir été endoctrinés. Avec l’affaire Merah, ce sont les banlieues françaises, les jeunes délinquants, la montée des communautarismes et l’Islam radical qui se sont invités dans les gros titres de la presse nationale.

"Un revirement dans la campagne"

Si les Etats-Unis se sont rapidement intéressés aux conséquences politiques de ce fait divers sur la campagne électorale française, les Brésiliens ont attendu le dénouement de l’affaire pour rebondir sur cet aspect politique. Dans son édition du 23 mars, O Estado de São Paulo note que le cas Merah "est entré de plein fouet dans la campagne." Comme Folha de São Paulo, le même jour, le quotidien relaie la polémique qui agite déjà l’hexagone depuis plusieurs jours: "La tuerie de Toulouse aurait-elle pu être évitée ?"

Les journaux se passionnent notamment pour les passes d’armes entre les présidentiables. Les mêmes quotidiens mettent notamment en avant les propos de l’ancienne juge d’instruction Eva Joly qui estime que le tueur aurait "pu être arrêté avant les massacres." "Ce n’est pas un problème de texte mais d’efficacité" explique-t-elle, mettant en doute l'utilité d'une réforme du Code Pénal souhaitée par Nicolas Sarkozy, qui accentuerait la surveillance des personnes consultant des sites faisant l'apologie de la violence ou du terrorisme. En contrepoint, les articles citent François Fillon, interrogé par RTL, qui assure qu'il n'y avait "aucun élément permettant d'appréhender plus tôt Mohamed Merah".

O Estado de São Paulo pousse l' analyse et estime qu'il ne serait pas impossible que les événements récents servent la campagne du candidat Sarkozy. " Cela pourrait créer un revirement dans la campagne et favoriser le président Nicolas Sarkozy et aussi la candidate d’extrême droite Marine Le Pen." Le quotidien relaie également un récent sondage CSA donnant, pour la première fois, le président sortant en tête du premier tour. "Ses discours et ses interventions réalisés au cours des derniers jours, largement couverts par les médias, l’ont amené à avoir une plus grande visibilité et assumer le caractère solennel de la fonction présidentielle face au traumatisme vécu par le pays." L’auteur de l’article relève également que le fait divers pourrait servir la candidature de Marine Le Pen"connue pour ses discours contre l’Islam et l’immigration."