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sexta-feira, 3 de maio de 2024

A “desoneração da folha” e o jornalismo em proveito próprio

 


Por Chico Sant’Anna[1]

A cobertura que a sociedade brasileira vem sendo obrigada a consumir sobre a chamada “desoneração da folha” nos leva a questionar que tipo de jornalismo está sendo ofertado. Pessoalmente, arrisco a dizer que seria um “jornalismo de interesse”, no qual os meios de comunicação buscam sensibilizar a opinião pública e, consequentemente, pressionar o parlamento e o governo a conceder o benefício de redução da contribuição previdenciária a um seleto grupo de 17 segmentos da economia nacional, dentre eles, a própria imprensa, em especial as emissoras de rádio e TV. Um jornalismo em proveito próprio.

Essa não seria a primeira vez que isso ocorre na esfera pública brasileira. Para citar um caso mais recente, o processo de privatização das empresas de telefonia e telecomunicações. Como várias das empresas jornalísticas tinham interesse econômico nessa privatização, em especial da Embratel, responsável à época por transmitir os sinais de rádio e TV, a cobertura sempre foi simpática ao processo, mesmo diante das denúncias de irregularidades que culminaram com a demissão do então ministro das Comunicações, Mendonça de Barros.

Há uns três anos, cotidianamente, a imprensa bate na mesma tecla. E apesar da insistência no tema, a abordagem editorial não é nem honesta, nem ampla o suficiente para o cidadão, o contribuinte, e muito menos, plural. Em nenhum momento, por exemplo, é dito qual a diferença dos valores a serem arrecadados por um método e pelo outro. A imprensa tão ciosa em reduzir o déficit público; que defendeu reformas previdenciárias que levaram ao arrocho dos trabalhadores, se cala sobre os efeitos dessas regras contributivas no caixa do INSS.

Contrato com o leitor

No jornalismo tradicional existiria um contrato com o leitor estipulando a responsabilidade das informações transmitidas serem autênticas. A noção de “contrat communicationnel”, desenvolvida pelo linguista francês e especialista em Análise do Discurso, Patrick Charaudeau[2], vincula implicitamente o jornalista ao leitor, determina um elo à veracidade, se não à verdade dos fatos, que não se faz presente na publicidade e na literatura. Embora o autor tenha se referido ao profissional, ao individuo, creio que a avaliação deve ser estendida ao meio de comunicação ao qual está vinculado, uma vez que trabalha sob normas editoriais, na maioria das vezes, feitas sob medida para atender ao grupo econômico que mantém a mídia, em questão.

Na mesma linha, Eugênio Bucci[3], afirma que a atividade jornalística tem como cliente o cidadão, o leitor, o telespectador. Nesse sentido, o jornalista se obriga – em virtude da qualidade do trabalho que vai oferecer – trazer a informação mais transparente e para isso, ouvir, por exemplo, lados distintos que tenham participação numa mesma história. Ouvir todos os envolvidos, buscar a verdade, fazer as perguntas mais incômodas para as suas fontes em nome da busca da verdade é um dever de todo jornalista.

Meu pirão primeiro

Reduzir os gastos com encargos sociais tem sido uma rotina das empresas midiáticas nacionais. Historicamente, muitas delas se apresentam ou se apresentaram, como inadimplentes costumaz para com o INSS. Grandes grupos, como o Jornal do Brasil, Manchete, Gazeta Mercantil, Tupi, dentre outros, ao falirem deixaram rombos impagáveis da Previdência Social – inclusive de valores que foram debitados do trabalhador - e também do FGTS. Sempre se valeram de “criatividade” para burlar essa responsabilidade patronal. Primeiro, foi a eternização dos free lancers, que ganhou a paradoxal alcunha de frelancer fixo. Ou seja, a informalidade permanente. Contrataram via empresas terceirizadas ou cooperativas de trabalho, que comiam parcela importante do salário do profissional. Por fim, investiram na transformação do trabalhador pessoa física em pessoa jurídica, em empresa, mesmo que fosse empresa de uma só pessoa.

As mudanças de legislação fomentadas pelos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro trouxeram mais segurança jurídica – termo que a mídia adora – permitindo que esse formato de contrato, até então considerado burla da legislação trabalhista, fosse reconhecido pelo STF. Dependendo das letrinhas do contrato como PJ - que deixa de ser trabalhista e passa a ser de relação comercial -, não haverá direitos tradicionais como Licença Gestante, de Saúde, 13º salário, FGTS, férias e até mesmo limites de jornadas de trabalho e pagamentos de hora extra, ou adicionais noturno, insalubridade ou periculosidade.

Nenhum desses detalhes é exposto pela mídia nacional ao contribuinte-espectador, em especial aos trabalhadores celetistas, que correm o risco de perderem no futuro mais benefícios securitários na hipótese de novo rombo na Previdência. A imprensa que é tão ciosa pelo chamado controle das contas públicas não revela em quanto isso pode impactar o equilíbrio orçamentário.

Empregos

O argumento pra defender tal benesse é o da geração de empregos e aumento de renda. Mesmo assim, não vem a público quanto novos empregos foram gerados e quanto o salário médio cresceu além da inflação nesses 17 setores, desde a concessão dessa isenção fiscal em 2012. Buscam sensibilizar informando que são os segmentos que mais empregam e ameaçam com demissões ou redução de salários se não forem atendidos. Nesse ponto, a comunicação governamental também falha. Deveria botar os detalhes em público.

Entretanto, a se pegar o setor jornalístico, segundo dados da Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj, a redução dos gastos previdenciários não resultou assim em mais empregos ou melhores salários, pelo menos não na mídia. Apesar do benefício da desoneração da folha, o mercado de trabalho formal de jornalistas encolheu 21% em nove anos (2013-2021) Mesmo o espectador mais desatento perceberá que grandes nomes do telejornalismo já não mais estão na telinha. Até nas novelas e na transmissão de eventos desportivos a faces e vozes são novas, algumas até então desconhecidas. Não sei que impacto isso tem dado no Ibope.

Segundo a presidente da Fenaj, Samira de Castro[4], com base em estudo do Dieese, houve um “um visível enxugamento dos empregos com carteira assinada, sobretudo nos veículos jornalísticos tradicionais”, a chamada mainstream media. Não consegui a variação da renda média do jornalista, no mesmo período. Mas a renda média em 2021 apresentava um rendimento (salários mais adicionais e gratificações) de R$ 5.745,30, bem modestos para um segmento empresarial que tanto fatura



[1] Jornalista, pesquisador científico, PhD em Ciências da Informação e Comunicação, pela Universidade de Rennes 1 - França e Mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília.

[2] CHARAUDEAU, Patrick. (1997). Le discours d’information médiatique – La construction du miroir social. Paris, Nathan

[3] BUCCI, Eugênio, (2006). Jornalistas & assessores de imprensa, profissões diferentes requerem códigos de ética diferente. In: Observatório da imprensa, Ano 11 – nº 397 – edição eletrônica de 5/9/2006, Disponível em http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=397JDB001

[4] In: Fenaj – News letter de 03/01/2024: Mesmo com desoneração da folha, mercado de trabalho formal de jornalistas encolhe 21% em nove anos

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Que jornalismo é esse?

Os canais all news, como a Globo News, BandNews e CNN Brasil, suspenderam suas programações rotineiras de domingo e passaram a transmitir em tempo real, com reportagens e análises, o que ocorria na Capital Federal. Este não foi, contudo, o comportamento dos canais abertos, que por serem gratuitos, possuem uma audiência muito maior. 


Por Chico Sant’Anna*

Nos ensinam os bons manuais de Jornalismo, que notícia boa é aquela que traz um fato inusitado, de grande interesse na sociedade e que chega rápido aos cidadãos consumidores de informação – preferencialmente em tempo real. Também é sabido que o que potencializa os meios de comunicação é a amplitude da audiência. Quanto maior, melhor, pois isso gera prestigio e retorno publicitário. Entretanto, a maioria dos canais de televisão aberta do país ignorou o que acontecia na tarde de 8 de janeiro de 2023, quando uma turba de terrorista decidiu ocupar e depredar as sedes dos Três Poderes na Capital da República.

Jornais, revistas, agências de notícias nacionais e estrangeiras, portais informativos, prontamente enviaram seus profissionais para o front da notícia. Vários deles, em especial foto e cine jornalistas, foram alvo de agressões físicas perpetradas pelos terroristas. Os canais all news, como a Globo News, BandNews e CNN Brasil, suspenderam suas programações rotineiras de domingo e passaram a transmitir em tempo real, com reportagens e análises, o que ocorria na Capital Federal. 

Este não foi, contudo, o comportamento dos canais abertos, que por serem gratuitos, possuem uma audiência muito maior. Deixar de noticiar em tempo real sobre esse delicado tema é uma ação de desinformação. Milhões de brasileiros que não possuiam tv paga ficaram sem saber o que se passava em Brasília.

Portanto, levar a informação sobre aquele fato inusitado, de interesse de todos os cidadãos brasileiros, mais do que cumprir com a missão social do Jornalismo, era fazer jus às concessões que tais grupos econômicos receberam da sociedade.

Importantes emissoras privadas de canal aberto ignoraram em suas programações o ato terrorista que se desenrolava na Praça dos 3 Poderes. 

Canais abertos

Às 17 horas, quando o quebra-quebra terrorista já se desenrolava há pelo menos umas duas horas. As redes sociais estavam plenas de vídeos de autoria dos próprios terroristas e também das forças de segurança. Esse material foi usado por alguns meios de comunicação como forma de superar a impossibilidade de ter equipes no palco dos acontecimentos. Na telinha, a TV Bandeirantes exibia Mastechef, no SBT, o programa no ar era o da Eliana; e a Record difundia Hora do Faro. Mesmo a TV Globo, em seu canal aberto, demorou a priorizar esse conteúdo. Somente às 17h19 a emissora deixou de veicular o Domingão do Luciano Huck e decidiu transmitir simultaneamente o conteúdo de sua coirmã Globo News. Buscamos saber os motivos de tal comportamento editorial com os responsáveis sobre o comando dos departamentos de Jornalismo de cada uma dessas emissoras. Indagamos se foi uma opção editorial, compromissos publicitários ou dificuldades técnico-operacionais, mas reinou o silêncio como resposta.

Emissoras do Senado e da Justiça não alteraram suas programações de fim de semana. TV Brasil manteve a programação, mas inseriu boletins informativos.

Canais públicos

As três casas de Poder invadida por terroristas são detentoras de canais próprios de rádio e TV: TV Brasil, TVs Senado e Câmara, TV Justiça. Não tivemos a oportunidade de avaliar a programação da TV Câmara, mas no Senado e na Justiça é como se nada estivesse acontecendo lá fora. Numa Irônica coincidência, a TV Senado exibia o programa Que Brasil é esse? Na tela, não era nenhuma reportagem ou análise dos fatos que se desenrolavam. No lugar de comentários dos parlamentares, ação que poderia ser enviada por celulares, era exibida uma entrevista com Fafá de Belém. A ironia involuntária também se fez presente na programação da TV Justiça: estava no ar uma entrevista com o Procurador Geral da República, Augusto Aras, no programa "Interesse Público".

Apenas a TV Brasil, canal público da Empresa Brasileira de Comunicação – EBC, alterou o conteúdo pré-programado para o fim de semana. As alterações se deram por meio da inserção de flashes (boletins informativos). Não houve uma interrupção total, como o ocorrido na TV Globo. Entre 16 e 18 horas, a TV Brasil veiculava o filme Insônia. Mais uma ironia do destino.

Os canais públicos foram igualmente procurados. O departamento de Jornalismo da TV Brasil informou que está elaborando um relatório completo sobre a programação veiculada. Não explicou ainda a opção editorial adotada. A secretaria de Comunicação do Supremo Tribunal Federal não retornou nossos questionamentos sobre o comportamento editorial da TV Justiça. Já a diretora da secretaria de Comunicação do Senado, Érica Ceolin, informou que chegou a mobilizar equipes de jornalistas para cobrirem em tempo real o que ocorria no Senado Federal, mas que ao chegarem na sede do Senado, a polícia legislativa da Casa, por questões de segurança, não autorizou que os profissionais entrassem para pegar os equipamentos. Até mesmo o supervisor técnico de plantão teve que se retirar. O Senado possui um amplo sistema de câmeras, algumas robôs, instaladas nas salas de Comissões, e outras de segurança, internas e externas – inclusive uma no topo do Anexo 1 – que poderiam ser operadas à distância e ter suas imagens transmitidas. Entretanto, segundo Erica Ceolin, não foi possível, sequer adentrar as instalações da emissora que fica no subsolo do Anexo 2 e a opção foi informar a sociedade pelo site da Agência Senado de Notícias.

Questionamentos

Os canais de televisão são concessões públicas. O concessionário privado tem a obrigação de bem informar a sociedade. A não transmissão em tempo real dos acontecimentos terroristas na Esplanada dos Ministérios, obriga-nos ao questionamento semelhante ao que é feito sobre a ação das forças de segurança do governo do Distrito Federal. Houve incompetência ou foi conivência? Por que as emissoras detentoras de tecnologia de ponta, helicópteros, drones, antenas de micro-ondas, câmeras instaladas em motos, ignoraram o ocorrido, talvez o fato mais importante do país desde a redemocratização? A pandemia da Covid mostrou que até mesmo com celulares é possível prover uma cobertura dos fatos.

Para a coordenadora do sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF, Juliana Nunes, os episódios desse domingo evidenciaram a importância de se fortalecer a comunicação pública e governamental, bem como legislativa e judiciária. “Tudo para que a população seja devidamente informada e o patrimônio público, protegido. A sociedade brasileira precisa ter a correta dimensão dos crimes cometidos neste domingo” – complementa.

A história nos mostra que em vários momentos politicamente importantes do Brasil, as emissoras de televisão em transmissão aberta pecaram. Maior exemplo foi a campanha das Diretas Já e a reedição dos debates presidenciais entre Collor de Melo e Luís Inácio Lula da Silva. Algumas emissoras fizeram o mea culpa. Esperamos que o comportamento editorial adotado por diversos canais no fim de semana de 8 de janeiro não seja uma retomada do mau jornalismo. 

*Jornalista, documentarista, Doutor em Ciências da Informação e Comunicação, pela Universidade de Rennes 1, na França. Pesquisador associado ao Núcleo de Mídia e Política – Nemp, da Universidade de Brasília.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Papa Francisco puxa orelha dos jornalistas

Bergoglio se suma a los jefes de Estado — él también lo es —
que culpan al mensajero de los hechos negativos.
La fuerte acusación del papa Francisco a los periodistas del mundo. El sumo pontífice usó el término "coprofilia" para definir uno de los cuatro pecados en los que, según su él, suelen caer los medios de comunicación.


Por Hugo Machin Fajardo (@MachínFajardo), publicado originalmente em español no site colombiano Las 2 Orillas, sob o título Periodistas bajo condena papal

 


Dice el papa Francisco— porque también es el jefe espiritual de millones de católicos—  que «los periodistas —así en genérico— suelen caer en «pecados», que de ser ciertas esas acusaciones constituirían delitos en dos casos, y deshonestidades en otros dos, como «la  desinformación, calumnias, difamación, coprofilia». Este último calificativo se traduce en atracción fetichista por los excrementos. Ni más, ni menos.

Ocurre que Bergoglio-Francisco cuando vierte opiniones sobre su prójimo habla desde esa doble condición, por lo que ofrece la dificultad de que la lógica reacción de los agredidos, en este caso los periodistas, pueda interpretarse como una ofensa hecha a millones de personas que profesan el catolicismo. Él lo sabe, y se escuda en ellos.

La religiosidad latinoamericana comprende muchas otras maneras de expresarse también: budismo, chamanismo, islamismo, judaísmo, pentecostalismos, protestantismos, santería, además de las diferentes manifestaciones de la religión popular.

La libertad religiosa es reconocida como uno de los «cimientos de la sociedad democrática» por la Corte Interamericana de DH en sentencia del 5 de febrero de 2001 (La última tentación de Cristo vs Chile).

La Declaración Americana de Derechos y Deberes del Hombre (DADDH), suscrita en 1948 en Bogotá, en su artículo 3°, proclamó el derecho a la liberta religiosa.

También la Convención Americana sobre Derechos Humanos (CADH) proclama la no discriminación religiosa (Arts.1 y 27, incisos1 y 2); la libertad religiosa, declarando la dimensión positiva y negativa de dicha libertad (Arts.12, incisos 1 y 2); la libertad de asociación religiosa (Art.16°). En síntesis, el sistema interamericano de DH garantiza el respeto a la libertad religiosa y el principio de no discriminación e igualdad de todas les creencias religiosas o no. La religiosidad de la persona es un derecho humano.

Y cabe mencionar especialmente el artículo 13° de la CADH que prohíbe el discurso de odio religioso, que Bergoglio aplica al revés cuando acusa y estigmatiza ante millones de sus seguidores a los trabajadores de la prensa.

Como Jefe de Estado, Bergoglio, quizás imbuido de la tradición peronista de hostigar a la prensa, se suma a los presidentes, ex presidentes y dictadores —Trump, Bolsonaro, Rafael Correa, López Obrador, Bukele, Daniel Ortega, Maduro, Cristina F. de Kirchner—, que culpabilizan, censuran y persiguen a periodistas por las situaciones negativas, o que les cuestionen, informadas por los medios de comunicación. Hechos por los cuales no poca veces los periodistas pagan con sus vidas ejercer el oficio de informar u opinar.

Especialmente sarcástico suena el principal del Vaticano si tenemos en cuenta que sobre la mayor tragedia del último tiempo como es la guerra de agresión desatada por Rusia contra Ucrania, Bergoglio no ha sido capaz de responsabilizar con nombre y apellido a Vladimir Putin por haber invadido a un vecino, drama que hoy registra crímenes de guerra, crímenes de lesa humanidad, torturas, desaparición forzada, violación de mujeres, desplazamiento forzado para millones de ucranianos, millones de niños expuestos a graves riesgos, la destrucción material de un país y perjuicios económicos y comerciales para el mundo.

Las imágenes y testimonios aportados desde suelo ucraniano por esos periodistas cuestionados por Bergoglio —algunos de los cuales murieron por informar en tanto decenas de corresponsables siguen en riesgo—  permiten a la opinión publica tener elementos para discernir aquella realidad. La agresión del papa Francisco supone un contraste muy fuerte entre quienes arriesgan su vida por informar y quien se limita a decir que «todos somos culpables» de la guerra, o a besar una bandera ucraniana y condenar a la masacre de Bucha sin mencionar a los culpables. Claro que siempre es algo mejor respecto a su antecesor Eugenio Pacelli (Pío XII) que bendijo las armas de Mussolini y se mantuvo ajeno al Holocausto.

Solamente en Latinoamérica, la segunda región con más periodistas asesinados, en 2021 murieron 14 periodistas y en lo que va del 2022, solo en México, —uno de los países más católicos de la región— suman ocho los periodistas asesinados en impunidad.

No es el mejor contexto para atacar desde el poder —y Bergoglio vaya si lo tiene— a quienes únicamente poseen su computadora o celular para desempeñarse y, paralelamente, ser tan benigno con los criminales.

Quizás, no es posible saberlo, la información documentada y confrontada que aportan periodistas y medios de prensa sobre el abuso sexual clerical contra menores en el mundo, genere ese encono en quien, respecto a esa otra tragedia humana, poco ha hecho en sus casi diez años de pontificado.

Precisamente, en estos días en que tuvo lugar la invectiva papal, el periódico El País de Madrid — diario leído por más de un millón de lectores y el más consultado digitalmente en habla hispana— ha sido premiado por su trabajo de información y documentación acerca del abuso sexual clerical sobre menores, destacado por el jurado por «el valor fundamental de una investigación de largo aliento, sobre unos hechos ocultos y ocultados durante décadas, dando voz a personas adultas quebradas por las terribles experiencias de la infancia». Asimismo, resalta que es «una investigación que impacta en la vida de las personas, moviendo a los poderes públicos y a la Iglesia a iniciar sus propias investigaciones». Por último, ha valorado la participación de los ciudadanos quienes, a través de un correo habilitado por el diario, «han nutrido una contabilidad de más de 600 casos de abusos con más de 1.200 víctimas».


quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Opinião: Jornalismo, verdades e ideologia

Posse de Bolsonaro. Foto de Jonas Pereira.
"Não posso mencionar um governo que tenha sido favorável à imprensa. Por vezes, ela é reprimida, hostilizada; por vezes, comprada."

Por José Tirésias

É natural o antagonismo entre imprensa e governo. E isso diz um pouco sobre as ambiguidades do site com nome derivado. São forças com papéis diferentes em um sistema político. Mas os espaços nunca são claramente delimitados.

Isso é o bê-a-bá.

Assim, sempre se estabelece um jogo de poder, cujo ingrediente complicador da atualidade são as tais "redes sociais".

Não me lembro de um governo, desde quando comecei a acompanhar a vida política, nem li sobre isso em livros de histórias...Não posso mencionar um governo que tenha sido favorável à imprensa. Por vezes, ela é reprimida, hostilizada; por vezes, comprada.

O atual governo e muitos de seus seguidores repetem o velho discurso de que a imprensa é inimiga das transformações em curso e está mancomunada com o 'ancien régime'.  E avisa que pode se comunicar diretamente com a população, o que deixaria o jornalismo sem função.

Como tudo na história humana, parece que em um determinado momento o que é "novo" vai engolir tudo o que é "velho" e estabelecer uma supremacia sem precedentes. Mas os sistemas humanos são cíclicos e tendem a acomodações, já que a mudanças constante é de índole revolucionária e, portanto, insustentável por prazos muito longos, como prova a história.

O atual governo é reformista - não revolucionário, apesar de um certo conjunto de declarações e atos. Não é impossível que a imprensa como a conhecemos encolha. Na verdade, isso tem se dado, mas o que é mais notável é a segmentação por meio de processos que se fundem com os das novas possibilidades midiáticas. Em 2013, houve quem acreditasse que a Mídia Ninja tinha substituído a mídia convencional. Esta soube, em parte se recompor. Ainda que menor, está muito mais qualificada do que os Ninjas, que permanecem no seu amadorismo.

Da mesma fora, acreditou-se que os novos atores políticos "horizontais, sem lideranças, bla bla blá" tinham vindo para varrer de cena os políticos tradicionais. Nada disso. É claro que ficou algo da ação fluida da mobilização em rede, mas tudo em benefício do que é mais tradicional com cara de moderninho.

Vamos passar por reformas de corte conservador. Até onde essa tendência se sustentar em mundo com seus ciclos muito curtos.

O momento não é de pluralismo. Sopram outros ventos, de um outro quadrante ideológico, que se diz não ideológico para dissimular sua ideologia. Jornalistas com suas ideologias têm atuado em regimes de todos os tipos desde que existe imprensa. Há até aquela frase que atribuem a Roberto Marinho em conversa com um militar: "deixe que dos meus comunistas cuido eu".

Essencial sempre será defender a liberdade de imprensa e combater a ideia de que agora ninguém mais precisa de jornalismo porque temos as redes sociais, onde macaquear e palrar é a tônica. Imprensa apura e se responsabilizar pelo que apura e publica. Por mais respeitável que seja a opinião de cada cidadão, ficar empoleirado no Facebook ou no Whatsapp repetindo memes não contribui para a construção de um julgamento político capaz de orientar a trajetória de um país rumo a um desenvolvimento em sentido amplo.

Essa deve ser uma das batalhas fundamentais do jornalismo. Mostrar que é insubstituível, na essência, embora possa encontrar formatos novos. O arremedo de informação e opinião deve ser constantemente confrontado com visão objetiva, de um lado, e argumentação fundamentada, do outro, esteja o jornalista em seu domínio propriamente dito, ou junto à massa das redes sociais.

Sem saudade do "ancien régime" nem adesão ao "new establishment", já que a situação do "antiestablshiment" apenas prepara o advento de um novo, o jornalista tem de procurar ser justo e crítico. De modo a sobreviver a esta e às próximas ondas ideológicas.

quinta-feira, 8 de março de 2018

A mídia não ouve as mulheres

Embora mais da metade dos jornalistas no Brasil sejam do sexo feminino, na hora de definir as fontes de informações, a mídia “esquece” as mulheres. Elas representaram apenas 24% das pessoas ouvidas, lidas ou vistas em jornais, televisão e rádio

Publicado anteriormente no Misto Brasília
O jornalista especializado em temas científicos Ed Yong percebeu há dois anos que suas reportagens continham uma distorção. Inspirado pela autora Adrienne LaFrance, sua colega na revista The Atlantic, que examinou o desequilíbrio de gênero em seus textos, ele analisou seu próprio trabalho e descobriu que, nas 23 reportagens que havia escrito desde janeiro, apenas 24% das pessoas citadas eram mulheres. Era preciso mudar sua forma de trabalhar.
"Eu acho que a tarefa dos jornalistas não é apenas refletir sobre o que está acontecendo na sociedade. Eles também têm a responsabilidade de se manifestar sobre essas questões", diz Yong à Agência DW.
"Nós criamos um mundo ao nosso redor por meio das histórias que escrevemos, além de informar sobre esse mundo. Adrienne expressou isso muito bem em seu texto quando constatou que estava contribuindo ativamente para um mundo em que as vozes das mulheres eram subestimadas. E suas contribuições, minimizadas. Esse não é um mundo no qual eu quero viver e com o qual quero contribuir."
Embora mais de metade da população mundial seja do sexo feminino, mulheres e meninas são sub-representadas na mídia. Os homens não apenas dominam o setor de imprensa, estabelecendo os objetivos editoriais, produzindo reportagens e expressando suas opiniões como especialistas: eles também são os protagonistas das histórias contadas.
As conclusões de Yong sobre seu próprio trabalho refletem a situação nos meios de comunicação em todo o mundo.
As mulheres também representaram apenas 24% das pessoas ouvidas, lidas ou vistas em notícias de jornais, televisão e rádio em 2015, de acordo com um relatório do Projeto de Monitoramento Global de Mídia (GMMP, na sigla em inglês) que abordou a desigualdade de gênero no noticiário.
A proporção se manteve a mesma de um relatório anterior do GMMP publicado em 2010. Ela também é comparável com outros estudos sobre a representação das mulheres na mídia. As estatísticas são semelhantes na própria Deutsche Welle.
Faltam realmente especialistas? - A jornalista americana Lauren Bohn enfrenta o desequilíbrio de gênero na mídia desde que se mudou para o Egito e começou a cobrir o Oriente Médio. Enquanto a Primavera Árabe varria a região, ela ficou impressionada com a falta de mulheres nas reportagens sobre as revoltas.
"Embora existissem tantas mulheres que pudessem opinar na Praça Tahrir ou na Síria ou na Tunísia, por algum motivo em minhas próprias reportagens – mesmo eu sendo tão consciente –, a maioria das pessoas citadas eram homens. E a maioria desses homens citados não eram apenas homens brancos, mas geralmente estavam em Washington ou em Nova York”, diz.
A partir daí ela começou a se esforçar para incluir mais mulheres em seu trabalho. Mas logo descobriu que buscar mulheres como fontes simplesmente não era suficiente.
"Lembro-me de perguntar a opinião de uma mulher egípcia, que tinha um doutorado de uma escola de elite ocidental e que tinha feito pesquisas de campo em toda a região, e ela me disse: ‘Esta não é minha área de especialização'. Lembro-me de responder: ‘Se essa não é sua área de especialização, não sei de quem então é essa área de especialização'.”
"Por outro lado, sempre que eu recorria a um homem, ele se prontificava não apenas a me fornecer opiniões, mas também para dar um ponto de vista condescendente, como se estivesse pronto para escrever um livro sobre um assunto que havia surgido apenas uma hora antes”.
Essas ideias levaram Bohn e o pesquisador turco-americano Elmira Bayrasli a iniciar o Foreign Policy Interrupted, um programa de bolsas de estudo e uma plataforma educacional que busca mudar a proporção de homens para mulheres falando sobre questões de política externa na mídia.
O programa reúne jornalistas e especialistas, editores, produtores, grupos de reflexão e organizadores de conferências e oferece treinamento de mídia e workshops sobre escrita e publicação de reportagens. O boletim semanal do grupo coloca em destaque o trabalho feito por mulheres e dissipa argumentos como, por exemplo, que não há especialistas em Coreia do Norte.
Quinze minutos a mais - Yong decidiu corrigir a relação homem-mulher em seu trabalho acompanhando seu progresso em uma planilha, enquanto buscava as pessoas certas, as mulheres certas, para incluir em suas reportagens. Isso acabou demandando um pouco mais de tempo, contou ele, foram mais ou menos 15 minutos extras para procurar especificamente por mulheres a serem incluídas nas reportagens. Mas, segundo Yong, isso não foi difícil. Após quatro meses de esforço extra, ele conseguiu aumentar a proporção de vozes femininas para 50%.
"Eu acho que os homens deveriam assumir a responsabilidade por coisas como esta de forma séria. Se você considera que os homens superam em número as mulheres nas redações e contam com todos os tipos de vantagens estruturais na mídia, assim como o fato de que as fontes masculinas são mais numerosas que as femininas, parece lógico apontar que os homens têm uma responsabilidade maior de corrigir esse desequilíbrio”.
Além da responsabilidade, o tema também deveria ser de interesse dos homens, afirma Lauren Bohn.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Por R$ 1,8 mi, Agência Brasil publicará conteúdo positivo do governo

A lei que criou a EBC afirma que “é vedada qualquer forma de proselitismo na programação das emissoras públicas de radiodifusão”, e que deve haver “autonomia em relação ao governo federal para definir produção, programação e distribuição de conteúdo no sistema público de radiodifusão”.

Por Eduardo Barretto, publicado originalmente no Poder360

A EBC (Empresa Brasil de Comunicação) usa seu braço público para vender conteúdo favorável ao próprio governo. Contrato de cerca de R$ 1,8 milhão com a ANA (Agência Nacional de Águas) de dezembro determina matérias positivas da Agência Brasil, por exemplo. A praxe era que isso fosse feito somente pela TV NBR e pelo programa Voz do Brasil. Funcionários da EBC ouvidos em reserva pelo Poder360 relatam desconforto com a negociação.
O contrato (eis a íntegra), que teve dispensa de licitação, foi assinado em 15 de dezembro de 2017 e custou R$ 1.799.750,93. A ANA, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, desembolsará o valor para promover o 8º Fórum Mundial da Água, que será realizada de 18 a 23 de março em Brasília. A EBC entregará o conteúdo de 31 de janeiro até 30 de abril, de veículos como Agência Brasil e TV Brasil, que deveriam ser livres de interferência editorial.
Será obrigatório o crivo da ANA antes da publicação para materiais mais elaborados, como matérias especiais e programas de estúdio –também pelo braço público da estatal. Esses conteúdos terão de ser “submetidos à aprovação da contratante [ANA] antes da veiculação”, diz o contrato.
A lei da EBC é de 2008 e teve algumas modificações no ano passado. A lei afirma que “é vedada qualquer forma de proselitismo na programação das emissoras públicas de radiodifusão”, e que deve haver “autonomia em relação ao governo federal para definir produção, programação e distribuição de conteúdo no sistema público de radiodifusão”.
Há dois braços da EBC: 1 considerado público, com veículos independentes editorialmente. Entre esses estão a Agência Brasil e a TV Brasil. Outro ramo da estatal vende serviços ao governo e é abertamente governamental, como a TV NBR e o programa de rádio obrigatório “Voz do Brasil”.
A ANA, agência reguladora vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, estabelece temas gerais para as matérias. Por exemplo: boas práticas em gestão da água e uso sustentável da água.

EBC nega interferência
Procurada, a estatal nega interferir na produção jornalística. “O jornalismo da EBC não está submetido à ANA ou à pauta do 8° Fórum. Muito ao contrário, a ANA é quem está contando com a força de um conglomerado de comunicação para potencializar o alcance de conteúdos noticiosos de interesse mútuo”. Ainda, diz que as pautas “são definidas pela direção de jornalismo, e não pelo contratante”. Contudo, o contrato estabelece que deve haver “aprovação” da ANA antes da veiculação.
A EBC também diz que o tema da água é de interesse “tanto da TV NBR, do governo federal, como das oito emissoras públicas de rádio, da Agência Brasil, TV Brasil e Voz do Brasil”. O contrato também foi defendido por conta dos “tempos de orçamento apertado”.

Leia a íntegra da nota da EBC:

“O contrato da EBC com a Agência Nacional de Águas (ANA) é único, porque trata do 8º Fórum Mundial da Água, evento que pela primeira vez acontece no Brasil. A decisão de firmá-lo tem amparo na Lei de Criação da EBC (Lei n°11.652, de 2008). Seu artigo 8º, inciso VI, diz expressamente que “compete à EBC prestar serviços no campo de radiodifusão, comunicação e serviços conexos, inclusive para transmissão de atos e matérias do governo federal”. A direção da empresa também entendeu que, a partir de um trabalho de excelência em torno de um evento internacional de grande repercussão, a EBC terá oportunidade inédita para reafirmar sua competência e relevância como empresa pública de comunicação.
A EBC é uma empresa pública, que tem compromisso com a cidadania e a missão de criar e difundir conteúdos que contribuam para a formação crítica das pessoas. Neste contexto, nada mais obrigatório que o engajamento de todos os seus veículos na causa do 8º Fórum, independentemente de haver ou não contrato. Mas nestes tempos de orçamento apertado em todo o setor público, é o contrato que cria condições financeiras para a produção e realização de programas especiais e grandes reportagens em todo o Brasil. Custos com programas e transmissões ao vivo, especialmente durante os sete dias de evento, também serão cobertos pelo contrato.
Estimular o debate e produzir informações sobre o bom e o mau uso da água, o reúso, o compartilhamento da água, a crise hídrica, o saneamento básico são tarefas das quais uma empresa pública de comunicação não pode se omitir. Estes temas são de interesse tanto da TV NBR (do governo federal), como das oito emissoras públicas de rádio, da Agência Brasil, TV Brasil e Voz do Brasil.
As ações de comunicação não se resumem à cobertura jornalística do evento internacional, que será realizado de 18 a 23 de março, em Brasília. Também estamos produzindo conteúdos jornalísticos, informativos e educativos para sensibilizar e mobilizar o cidadão para a importância do tema e do Fórum da Água. Pelo contrato, a EBC também produzirá programas de caráter educativo que a ANA pretende distribuir nas escolas da rede pública. A conscientização das crianças e jovens sobre o uso racional da água é fundamental para garantir a preservação deste bem para as gerações futuras.
O jornalismo da EBC não está submetido à ANA ou à pauta do 8°Fórum. Muito ao contrário, a ANA é quem está contando com a força de um conglomerado de comunicação para potencializar o alcance de conteúdos noticiosos de interesse mútuo. O contrato não limita a produção de matérias e reportagens sobre a questão da água. Não há interferência. As pautas são definidas pela direção de jornalismo, e não pelo contratante. O contrato não produziu nenhuma alteração na grade de programação dos veículos da EBC.”

domingo, 14 de janeiro de 2018

O que o brasileiro pensa sobre o viés partidário da imprensa

No Brasil, 48% acham que os órgãos de imprensa não reportam diferentes posições sobre as questões políticas do debate público.


Publicado originalmente em  El Pais



O brasileiro quer uma mídia imparcial, mas quando comparado aos cidadãos de outras nacionalidades, é um dos povos com maior tolerância ao viés partidário da imprensa, segundo pesquisa realizada pelo Pew Research Center. Apesar das diferenças nos meios de comunicação e estruturas políticas, três quartos dos entrevistados em 38 países concordam que nunca é aceitável para uma organização de notícias favorecer um partido político em detrimento de outro.

O Brasil ficou abaixo da média mundial: 60% dos participantes rejeitam o partidarismo da imprensa, um resultado que só é maior do que o registrado no Vietnã (57%), Filipinas (52%), Israel (47%) e Índia(25%).

Mesmo entre os brasileiros com maior nível de escolaridade (ensino médio ou mais), a porcentagem dos que não aceitam o partidarismo (72%) é mais baixa do que a média global (75%). E essa tolerância fica maior entre os entrevistados com menos estudo: 50% rejeitam o viés partidário.

A maior rejeição ao viés partidário da mídia foi identificada nos países europeus pesquisados. Espanha (89%), Grécia (88%), Polônia (84%) e Suécia (81%) são os países que apresentam uma oposição mais forte. Apesar de uma rejeição ainda alta, os europeus que censuram menos o partidarismo são os italianos (74%) e os franceses (76%).

Há uma tendência mundial em achar que a imprensa não cobre de maneira equilibrada os temas políticos. Na América Latina, esse aspecto é acentuado: na média, 54% acham que os órgãos de imprensa não reportam diferentes posições sobre as questões políticas do debate público. Na Argentina, 55% acham que a imprensa falha neste ponto. No Brasil, o índice atinge 48%.

Os dados são resultado de uma pesquisa com quase 42.000 pessoas realizada entre fevereiro e maio de 2017 e publicada nesta quinta-feira. No consenso global contra o viés da mídia, há exceções em países como Índia, Israel e Filipinas, onde quatro em cada 10 entrevistados consideram aceitável que um meio de comunicação, às vezes, favoreça um partido político. 27% dos brasileiros também aceitam o partidarismo "as vezes", um percentual superior ao da média mundial de 20%.

O trabalho diário da mídia, para leitores e espectadores, também foi abordado pela pesquisa. O estudo identificou uma satisfação geral em relação ao desempenho da mídia impressa, rádio e televisão –, 73% dos entrevistados consideram que a mídia faz um trabalho bom na cobertura de grandes acontecimentos. Mas o grau de satisfação muda em diferentes regiões pesquisadas, sendo os latinos são os mais críticos em relação à qualidade da cobertura de grandes eventos da imprensa.

Para uma parte dos chilenos (43%), argentinos (41%) e colombianos (41%), a mídia não faz uma cobertura adequada. Há apenas dois países em que a maioria dos entrevistados disse que a mídia não faz um bom trabalho no quesito acontecimentos: Grécia (57%) e Coreia do Sul (55%). No Brasil, 28% dos entrevistados afirmam que a imprensa não faz uma boa cobertura; 66% afirmam que a imprensa tem uma cobertura boa ou muito boa.

Embora sejam moderadas na maioria dos casos, as maiores críticas estão em relação a membros dos governos. Os gregos e os sul-coreanos são os mais críticos: 72% consideram que seus meios de comunicação não informam bem sobre o desempenho do Executivo e seus membros. A avaliação dos holandeses (82%), indonésios (85%) e tanzanianos (89%) nesse aspecto é mais positiva: a grande maioria considera que a imprensa faz seu trabalho “bem” ou "muito bem".

Entre os brasileiros, 37% criticam o trabalho de supervisão do Governo, enquanto 57% elogiam.

O estudo também avaliou o tipo de informação que é mais seguida. Mais de duas em cada três pessoas entrevistadas seguem notícias locais ou nacionais, uma proporção menor quando se trata de informações internacionais (com uma média de 57% em todo o mundo). O interesse informativo dos habitantes de outros países em relação aos Estados Unidos, a grande potência mundial, é ainda mais baixo: apenas 48% na média global.


A América Latina é a região com menor interesse nos EUA 32%, contra 53% da Ásia, 52% da África e 51% da Europa.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Líbano: a estratégia de comunicação do Hezbolá

Publicado originalmente no portal Al Manar Spanish

Hace mucho tiempo, Hezbolá empezó a invertir de manera significativa en el campo informativo, y sentó las bases para el uso efectivo de la guerra informativa y ha logrado una ventaja sobre sus adversarios a través de la gestión de la información, según un artículo publicado por Jpost.
JPost mencionó que las operaciones de Hezbolá han estado gobernadas durante mucho tiempo por el mantra: “Si no lo has filmado, no has luchado”. El grupo comprendió la importancia de documentar sus éxitos ya en 1994, cuando los combatientes de Hezbolá y un cámara se infiltraron en un complejo de ocupación militar israelí en el Sur del Líbano y colocaron una bandera dentro de la base, filmando el evento y esto supuso un gran éxito de propaganda”.
“Hezbolá mantiene una unidad exclusivamente dedicada a la guerra psicológica que se especializa en fortalecer la imagen pública de Hezbolá. Periódicos, Internet, los medios de comunicación social y la televisión comprenden el “arsenal de información” de Hezbolá. El grupo utiliza sus capacidades en el terreno de la información para anunciar sus muchos logros, incluyendo campamentos de verano para niños y un sólido programa de obras públicas” en el Líbano.
Para el periódico israelí, la “propaganda de Hezbolá está bien dirigida y enfocada y es específica. Ella enfatiza temas que incluyen la ideología de resistencia, el martirio y el establecimiento de legitimidad a través de la provisión de servicios sociales”, según el Jpost.
“La historia de los esfuerzos de la guerra de información de Hezbolá está tal vez mejor representada por la historia de su brazo mediático, Al Manar, una cadena de televisión por satélite que transmite desde Beirut y se puede ver en todo el mundo. Después de la primera emisión de Al Manar (El Faro) en 1991, el canal comenzó emisiones regulares tres años después y ahora desempeña un papel crítico como principal punto de difusión de las noticias e información de Hezbolá. Al Manar comenzó a intentar influir en la opinión pública israelí mediante la difusión de imágenes reales del campo de batalla mostrando a soldados israelíes muertos y mutilados”, agregó.
El periódico israelí considera que tan impresionante como la televisión y la producción de vídeos de Hezbolá es su extenso uso de Internet y las nuevas tecnologías de la información.
El diario señala que Hezbolá está constantemente trabajando para perfeccionar sus capacidades técnicas como muestra su uso de redes de fibra óptica más rápidas que pueden impulsar lasu capacidad de transmisión de datos en tiempo real y proporcionar una defensa más perfeccionada contra las capacidades israelíes de guerra electrónica.
“Hezbolá no sólo impidió a las unidades israelíes perturbar sus redes de comunicación al sur del Río Litani en la Guerra de Julio de 2006, sino que usó un equipo sobre el terreno para perturbar los radares y sistemas de comunicación israelíes”.
“Por razones operacionales de seguridad, Hezbolá emigró a circuitos telefónicos cerrados que operan independientemente de las redes del gobierno libanés. Durante los combates en la ciudad siria de Qusair en 2013, Hezbolá volvió a demostrar su inclinación por la seguridad operacional al diseñar un sistema complejo que permitió a sus combatientes hablar libremente en comunicaciones de radio abiertas sin tener que preocuparse demasiado por la interceptación de sus conversaciones”.
Hezbolá ha sido una realidad desde principios de los ochenta y, dada su notable capacidad para operar en el entorno de la información, probablemente seguirá siendo el movimiento más dominante y capaz de Oriente Medio durante décadas por venir, concluye el Jpost.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Foto-protesto, de TT Catalão: Controle Social da Mídia



Mídiacilada 

classemédia

Toma posse da opinião publicada

como se opinião pública fosse...

domingo, 11 de junho de 2017

A repercussão do "Ocupa Brasília" na mídia internacional

Portal do New York Times trouxe como manchete
“Presidente do Brasil convoca as tropas federais para reprimir protestos”


Na cobertura dos órgãos internacionais de imprensa sobre o “Ocupa Brasília”, no dia 24 de maio, destacam-se, por um lado, a violenta repressão e, particularmente, o decreto autorizando a utilização das Forças Armadas, que, como muitos jornais destacaram, não foi suficiente para conter as manifestações.
Por outro lado, e de forma mais significativa, praticamente jornais do mundo inteiro enfatizaram a crescente debilidade do governo Temer, os rachas em sua base aliada e a concreta possibilidade de que ele renuncie ou seja deposto através de um processo de impeachment ou como resultado dos processos que estão em curso na justiça eleitoral.
Em especial, chamam à atenção as análises feitas nos jornais e sites que enfatizam os aspectos econômicos. Nestes (vide particularmente os exemplos das agências Reuters e Bloomberg, abaixo), refletindo as preocupações do mercado e investidores estrangeiros, há comentários abertamente favoráveis ao afastamento de Temer, considerada a única de se conter a crescente instabilidade no país e, inclusive, de se garantir a aprovação das reformas exigidas pelos representantes do capital mundo afora.
A manchete da agência Britânica, que distribui notícias para todo o mundo,
foi sob a manchete “Temer, do Brasil, utiliza exército quando
manifestantes entram em batalha contra a polícia”. 
Reuters: Uma das principais agências de mídia do mundo noticiou a ocupação de Brasília sob a manchete “Temer, do Brasil, utiliza exército quando manifestantes entram em batalha contra a polícia”. E vale a pena reproduzir várias partes do artigo já que ele serviu como base para matérias publicadas em jornais do mundo inteiro.
Segundo a agência “manifestantes que exigem a renúncia do presidente brasileiro Michel Temer encenaram batalhas sem tréguas contra a polícia e atearam fogo em um prédio ministerial em Brasília na quarta-feira, levando o líder atingido por escândalos a mandar o exército para as ruas”.
Ainda segundo o texto, “a polícia disparou saraivadas de gás lacrimogêneo, granadas de atordoamento [de efeito moral] e balas de borracha para deter dezenas de milhares de manifestantes enquanto eles marchavam em direção ao Congresso para pedir a derrubada de Temer e o fim de seu programa de austeridade”.
Destacando que estes foram os protestos antigovernamentais mais violentos desde 2013, a Reuters afirma que a manifestação “forneceu mais combustível para a crise” detonada pelos escândalos de corrupção “que aumentaram as chances de que o Brasil assista à segunda queda de um presidente em menos de um ano”.
Como exemplo da crise política, a agência destacou que, enquanto os cordões policiais tentavam conter os manifestantes “o mais importante aliado de Temer, o PSDB, se encontrava para discutir se continua a apoiar o presidente e se preparar para uma transição pós-Temer”.
Mencionando que 49 pessoas foram feridas, o artigo relata que “Temer aprovou um decreto permitindo que as tropas auxiliassem a polícia a restaurar a ordem em Brasília (…) dando aos soldados poderes policiais e o direito de fazer prisões nas ruas”. Uma decisão que foi tomada pelo gabinete de Temer “depois de que a polícia foi subjugada”.
De forma bastante significativa, a Reuters utilizou como um dos subtítulos da matéria (ou seja, com destaque) a frase “Temer não está mais governando”, atribuída à analista política Sonia Fleury, da Fundação Getúlio Vargas, que também defendeu que a crise é profunda e que “mais protestos violentos podem ser esperados em um país onde o descrédito com os poderes políticos estabelecidos é generalizado”.
A Reuters também destaca que as acusações de corrupção “atingiram fortemente os mercados financeiros em função das dúvidas sobre se o Congresso irá aprovar as medidas de austeridade destinadas a tirar o país da pior recessão de sua história” e lembra que Temer pode ser destituído do cargo pelo Tribunal Eleitoral, no dia 6 de junho, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) irá julgar ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer.
E prossegue: “Os partidos dos principais aliados de Temer estão divididos entre abandonar sua coalizão imediatamente ou, primeiro, chegar a um acordo em torno de uma figura de consenso para substituí-lo e salvar seu projeto de reformas. As medidas favoráveis ao mercado são consideradas vitais para restaurar a credibilidade das empresas e o investimento necessário para acabar com uma recessão de dois anos”.
Por fim, lembrando que “não há nenhum candidato claro para substituir o presidente sob ataque”, o artigo destaca que, fora do prédio do congresso, contudo, “a mensagem cantada pelos manifestantes era bem clara: “Fora Temer! Eleições gerais, já!”.
Bloomberg: A empresa sediada em Nova York é um dos principais provedores mundiais de conteúdo para o mercado financeiro, com terminais de informações presentes em quase 100% dos bancos, fundos de investimentos, corretoras e seguradoras no mundo, o que faz dela uma das principais porta-vozes dos interesses do grande Capital e dos investidores estrangeiros.
Sob a manchete “Prédio ministerial brasileiro é incendiado quando protestos se tornam violentos” e o subtítulo “Protestos violentos contra Temer sacodem o mercado”, o site da investidora apresenta um vídeo com uma entrevista com Hernan Yellati, Diretor do Departamento de Estudos Estratégicos da Barclays Investiments (um banco multinacional e empresa financeira, sediado na Inglaterra). E a primeira pergunta que lhe é feita é bastante significativa e dá o tom para a entrevista: “Qual é a probabilidade de que Temer renuncie ou que seja obrigado a renunciar?” (pergunta que permanece no ar, como legenda, durante quase todos os seis minutos da entrevista).
A resposta: “Eu acredito que a pressão continuará a aumentar, como nós vimos na semana passada (…). Nós achamos que isto é um cenário ruim para a economia; é um cenário ruim para as reformas” que, obviamente, são defendidas pelo representante da Barclays.
Na sequência, uma das entrevistadoras, em tom bastante irônico, comenta que, mesmo que a Suprema Corte prove a culpa de Temer nos escândalos de corrupção, não é muito provável que Temer sofra um impeachment, em função, nas palavras dela, “das, digamos, características próprias do Congresso brasileiro”, o que leva Yelatti a afirmar: “Eu acho que o impeachment é o cenário menos provável (…). Eu acho que ou a Suprema Corte toma uma decisão contra o presidente ou haverá uma renúncia e, neste caso, haverá eleições indiretas, feitas no Congresso, e o principal evento será em outubro de 2018, quando o Brasil terá eleições gerais”.
Comentando que isto parece um tempo muito longo para que se chegue a uma decisão, as apresentadoras apresentam gráficos destacando a entrada e saída de capitais do país, que, na análise do investidor, mostram que a “questão chave, no momento, é a volatilidade [instabilidade]” e que o mercado continuará instável enquanto se espera pela renúncia ou por uma decisão da Suprema Corte, concluindo com uma afirmação contundente: “Obviamente, uma renúncia seria um acontecimento positivo e todo mundo está vendo isto como o cenário mais provável”, mas se isto significar um atraso ainda maior na agenda das reformas, isto levará a mais efeitos negativos pela frente.
No restante da entrevista, comentando dados sobre a desvalorização do Real e outros aspectos econômicos, o representante da Barclays defende a Reforma da Previdência como um dos aspectos fundamentais para dar segurança aos investidores estrangeiros.
New York Times: um dos principais jornais dos Estados Unidos trouxe como manchete “Presidente do Brasil convoca as tropas federais para reprimir protestos”, comentando que a decisão foi tomada depois do presidente ter sido “sitiado por protestos” pedindo por sua saída.
Citando fontes oficiais, o jornal noticiou que a manifestação contou com a participação de 35 mil pessoas motivadas principalmente pela divulgação das gravações da JBS que fizeram com que houvesse “acentuada queda no mercado financeiro brasileiro” e detonaram “uma investigação de Temer e apelos generalizados para que ele renuncie”.
Mencionando a evacuação dos prédios ministeriais e a suspensão das sessões no Congresso, o jornal fala sobre os violentos confrontos com a polícia e destaca que manifestantes foram feridos pelas bombas de gás ou balas de borracha (também nas manifestações que ocorreram no Rio de Janeiro).
Além disso, o NY Times destaca a impopularidade das reformas apresentadas por Temer, a realização da greve geral em abril e o fato de que o presidente está numa ofensiva contra os delatores da JBS, acusando-os de terem adulterado e manipulado as gravações.
Citando o professor de Ciências Políticas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Jairo Nicolau, o jornal destaca que protestos como os do dia 24 de maio podem se agravar: “Eu vejo estas manifestações como uma radicalização que irá se tornar ainda mais séria. Há uma enorme insatisfação”.
O também britânico, The Guardian, ressalta que
“Michel Temer está se recusando a renunciar, enquanto
 os protestos contra a sua permanência  no governo
 estão levando a confrontos físicos com as forças policiais."
The Guardian: Um dos principais jornais da Grã-Bretanha reproduziu o conteúdo distribuído pela agência internacional de notícias Associated Press. No artigo, intitulado “Presidente do Brasil luta para se manter no poder na medida em que a crise política se aprofunda”, é destacado que “Michel Temer está se recusando a renunciar” enquanto os protestos contra a sua permanência no governo estão levando a confrontos físicos com as forças policiais.
Lembrando que “mesmo antes dos escândalos virem à tona, a popularidade de Temer já estava em baixa, em parte em função da oposição às reformas econômicas”, o jornal destaca que vários de seus assessores foram pegos pelas investigações que já levaram lideranças empresariais e políticos de destaque para a cadeia.
O jornal também destaca que somente um dos cinco assessores especiais de Temer continua no cargo depois que Sandro Mabel (do PMDB de Goiás), igualmente envolvido em denúncias de corrupção, pediu exoneração, na véspera do protesto, alegando motivos familiares
Referindo-se aos protestos em Brasília como um “esforço pra barrar as reformas”, onde os manifestantes “gritavam ‘Fora Temer!’ e carregavam cartazes exigindo eleições presidenciais diretas imediatamente”, o artigo também descreve a repressão: “Policiais com equipamentos antimotim, alguns a pé, com escudos, e outro a cavalo, se alinharam próximos ao congresso. Nas imagens da TV, a polícia pode ser vista jogando gás lacrimogêneo e de pimenta contra os manifestantes e detendo outros que tentavam romper o cordão”.
Em um editorial (ou seja, num texto que expressa a opinião do jornal), publicado no dia anterior e intitulado “O ponto de vista do The Guardian sobre a corrupção no Brasil: o povo merece se expressar”, o jornal defende que, diante do crescente escândalo, “uma solução política rápida não resolverá os problemas” e faz uma análise da Operação Lava-jato e da atual situação de Temer.
Em um dos trechos, o jornal afirma que “Temer nega ter feito qualquer coisa de errado, insistindo que as gravações foram adulteradas e dizendo que renunciar seria uma admissão de culpa”, mas que, na verdade, outras “considerações estão, sem dúvida, pesando sobre sua cabeça – particularmente o fato de que ele iria perder as proteções legais”, que tem como presidente.
Depois de se referir a vários aspectos da Operação, desde a saída de Dilma, e afirmar que “a política brasileira tem sido inteiramente desacreditada”, o jornal traz a seguinte conclusão, referindo-se à capacidade de resolução da crise, seja através do Congresso Nacional ou do judiciário: “Muitos legisladores (parlamentares) têm segredos próprios para esconder e alguns já se queixam de que a investigação tem sido ruim para a reputação e a economia do Brasil”, o que tem feito que alguns busquem uma saída através da tentativa de “de persuadir o presidente a renunciar”.
E continua: “Mas o problema é o escândalo, não o inquérito, e será muito pior para o Brasil se ele for abafado. Os legisladores (parlamentares) também não deveriam escolher o substituto de Temer, pois foram eles que o escolheram e as pesquisas mostram uma demanda esmagadora por eleições. Um público já desencantado pode, de outra forma, afundar-se na apatia ou, a longo prazo, recorrer a uma figura autoritária de extrema-direita como Jair Bolsonaro, que joga o cartão da anti-política. Os políticos brasileiros jogaram o país nesta bagunça. Agora, deveriam deixar que os 143 milhões de eleitores tivessem uma palavra a dizer sobre como sair dela”.
ABC News: A agência que distribui conteúdo para jornais e emissoras de televisão nos Estados Unidos noticiou que “Tropas são chamadas na capital do Brasil. Presidente sob pressão”, relatando que o decreto autorizando colocar soldados nas ruas foi cancelado na quinta-feira, depois de críticas à decisão considerada “excessiva e meramente como um esforço para [o presidente] manter-se no poder enquanto há uma crescente exigência para que ele renuncie”.
O artigo, que fala em 45 mil pessoas nos protestos de quarta, refere-se ao incêndio em dois ministérios, à evacuação dos prédios federais, aos 49 feridos, “incluindo um a bala” e afirmando que “a popularidade de Temer está em queda livre desde que ele assumiu o poder”, em uma situação em que “alguns brasileiros consideram sua presidência ilegítima, devido à forma em que ele chegou ao poder e seus esforços para passar uma série de reformas econômicas para limitar o orçamento, afrouxar leis trabalhistas e reduzir os benefícios previdenciários fizeram dele uma figura ainda mais impopular”, para além das denúncias de corrupção envolvendo vários de seus assessores.
Destacando que “muitos brasileiros querem que o presidente saia de um jeito ou de outro e estão exigindo que ele renuncie ou sofra um impeachment”, o artigo relata os vários pedidos, neste sentido, encaminhados para o congresso, particularmente o feito pela Organização dos Advogados do Brasil (OAB).
No final, a ABC News ressalta que “alguns observadores estão preocupados com o fato de que, se Temer conseguir continuar na presidência, a crise política irá levar o governo brasileiro à paralisia exatamente no momento em que a o país tenta sair de uma profunda recessão”.
EFE: A principal distribuidora de serviços de informação para os países de língua espanhola traz um vídeo mostrando a “destruição” de um dos prédios ministeriais de Brasília sob a manchete “Violência explode durante protestos em Brasília e no Rio de Janeiro”, destacando que, na capital, a polícia “usou gás lacrimogêneo para conter dezenas de milhares de manifestantes que marcharam, na quarta-feira, para exigir a renúncia do sitiado presidente do Brasil”.
Abordando vários aspectos da Operação Lava-Jato, das delações da JBS e do esquema de propinas que envolve Temer e seus dois predecessores imediatos, Lula e Dilma, a agência afirma que a possibilidade de “permanência de Temer no poder parece ser bastante frágil dado que ele perdeu o apoio de um poderoso parlamentar de seu próprio partido, o PMDB”, referindo-se ao senador Renan Calheiros que, segundo o artigo, teria declarado para uma estação de rádio, na quinta, que Temer deveria renunciar.
A emissora de rádio e televisão da Grã-Bretanha, BBC News,
 
destacou as fortes críticas feitas em relação à medida.
BBC News: A emissora de rádio e televisão da Grã-Bretanha trouxe como manchete “Temer revoga decreto de envio de tropas para Brasília”, destacando as fortes críticas feitas em relação à medida.
Le Monde: um dos mais importantes jornais da França noticiou: “Brasil: exército é utilizado contra manifestações em oposição ao presidente Michel Temer”. Apesar de, erroneamente, afirmar que a manifestação foi convocada por vários sindicados e pelo PT, o artigo destaca o ato pelo “Fora Temer” reuniu cerca de 35 mil pessoas (ou 100 mil, segundo os organizadores) “que semearam o caos em Brasília” e cita o analista político da Consultoria Hold, André César, comentando o decreto que autorizava o envio do Exército: “é uma medida extrema que demonstra que o governo perdeu o controle”.
De linha editorial conservadora, o francês Le Figaro destaca
 que no “Brasil: as ruas querem a saída do presidente
”

O jornal ainda lembra que, colocado “no centro de graves acusações de corrupção, o presidente tenta se agarrar ao poder, tentando evitar a deserção de seus aliados políticos. Mas as negociações foram interrompidas por causa do caos em todo o Congresso, onde os parlamentares podiam ouvir as explosões de granadas de efeito moral na frente do prédio do Legislativo.”
Afirmando que as “exigências para que o chefe de estado se demita estão se multiplicando” e o que o presidente rejeita firmemente esta opção o artigo lembra que, no entanto, a continuidade de Temer no poder está “ameaçada em função de uma possível ruptura na sua coalizão”, além dos processos que correm no Supremo e dos vários pedidos de impeachment.
O artigo também destaca a crise está atrasando a implementação das reformas e tem produzido estragos na economia, dando como exemplos a queda das ações na Bolsa de Valores e a desvalorização do Real.
Le Figaro: Reproduzindo material distribuído pela Agence France-Presse (AFP), a principal agência de notícias em língua francesa, o jornal traz a manchete “Brasil: as ruas querem a saída do presidente”, destacando que a exigência para que Temer renuncie tem ganhado força diante das graves acusações de corrupção e a rejeição às propostas de reformas apresentadas pelo governo.
O espanhol El Pais trouxe uma sequência de fotos do confronto com a
 polícia e destaca que “o presidente brasileiro foi acusado de obstrução da justiça
El País: Sob a manchete “Uma manifestação multitudinária exige, em Brasília, o fim do governo Temer” o site do jornal espanhol destacou que “o presidente brasileiro foi acusado de obstrução da justiça e o Supremo está considerando condená-lo por corrupção”. Além disso, apresentando uma sequência de fotos do confronto com a polícia, o El País afirma que os protestos chegaram a paralisar a sessão da Câmara dos Deputados e que a decisão de colocar o Exército nas ruas causou críticas, dentro e fora do governo, sintetizando o dia 24 de maio em uma frase: “A tensão devido à crise política no Brasil balançou o coração político do país, convertido em campo de batalha”.
Em uma outra matéria publicada no final da noite juntamente com um vídeo sob o título “Os protestos contra o presidente Temer paralisam o governo do Brasil” , o jornal sintetiza o clima em Brasília: “Convocadas por sindicatos, movimentos sociais, dezenas de milhares de pessoas tomaram Brasília no início da tarde de quarta para protestar contra as reformas liberais do governo e exigir a renúncia do presidente Temer, que está sob suspeita de graves delitos de corrupção. Foi um dos maiores protestos dos últimos anos na capital do país, na imensa Esplanada dos Ministérios. Tudo acabou em uma paisagem quase bélica, com colunas de fumaça preta, pedras e balas de borracha voando em meio ao som de detonações de fuzis.”
O periódico argentino registrou na véspera das manifestações que
 “Debilitado, Michel Temer não consegue com que o Senado vote leis-chaves”.
El Clarin: O jornal argentino destacou “Michel Temer envia as Forças Armadas para conter a violência em Brasília”, noticiando que a multidão com cerca de 35 mil pessoas saiu de forma ordeira do estádio Mané Garrincha, mas foi detida por uma barreira, quando “a polícia começou a jogar gases lacrimogêneos” e também a disparar balas de borracha que ferindo vários manifestantes.
No dia anterior, em uma matéria intitulada “Debilitado, Michel Temer não consegue com que o Senado vote leis-chaves”, o jornal argentino destacou: “A continuidade do presidente brasileiro, Michel Temer, com uma sobrevivência mais prolongada do que se imaginava no início, tem seus reflexos não só na economia como também na vida parlamentar”, destacando como a tentativa de votar aspectos das reformas Trabalhista e Previdenciária, em comissões do Senado, acabaram em pancadaria.

O jornal cita um senador, sem identificá-lo, que teria afirmado que “este é o retrato de um governo que não pode se sustentar mais e precisa que se façam sessões e que se vote a toda a  velocidade, sem nenhum debate” para concluir que “o certo é que Temer nem sequer contar, no Senado, com todos os parlamentares de seu partido”, dando como exemplo Renan Calheiros (o líder do PMDB) que teria declarado: “É incrível que um governo com este nível de rejeição queira fazer uma reforma fundamental de forma unilateral. Isso não vai ocorrer. Não pode acontecer”.

*Graduado em História e Mestre em Ciências da Comunicação/Cinema  é professor universitário de História da Arte e Metodologia do Ensino de História.