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segunda-feira, 16 de junho de 2025

A Flotilha que virou navio fantasma na mídia nacional

 

Por Chico Sant’Anna*

Nas redes sociais foi possível acompanhar dia-a-dia a jornada de doze jovens que desejaram singrar as águas do Mediterrâneo para denunciar um genocídio que se perpetra contra o povo palestino na Faixa de Gaza. O barco partiu da Itália em 1º de junho para conscientizar sobre as condições de fome em Gaza. Mais do que levar donativos, alimentos, próteses ortopédicas infantis, a meta era elevar o conhecimento público sobre o sofrimento do povo palestino de Gaza, submetido há mais de uma década a um bloqueio injusto e desumano por Israel. Segundo dados do Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), 1,3 milhões de habitantes de Gaza dependem da ajuda internacional para sobreviver

Originalmente, era para ser outra embarcação. Entretanto, o barco Conscience, da coalizão internacional Flotilha da Liberdade, foi atacado por drones na madrugada da sexta-feira (2/5), na ilha de Malta. Os ativistas deram sequência em um veleiro de nome Madeleine. O nome é atribuído a uma pescadora artesanal palestina, que ainda busca no Mediterrâneo alimentos para seu povo. Mas chama a atenção o fato de Madalena ter sido a mais importante das mulheres que seguiram a jornada de Jesus Cristo, desde a Galiléia, e que ao lado de Maria presenciou a crucificação pelos romanos.

Grande mídia brasileira, praticamente, ignorou os dias
que sucederam à tomada de assalto pelos forças de Israel
da Flotinha da Liberdade, Nem a presença de uma brasileiro
dentre os ativistas presos motivou
uma cobertura de melhor qualidade.
A jornada de Madeleine não foi ignorada pelos militares de Israel. Relatos postados nas redes sociais pelos integrantes da jornada davam conta que ainda em águas internacionais foram alvo de ataques de drones que, segundo suas denúncias, lançavam sobre o veleiro Madelein líquidos químicos.

Faltando um dia para chegar a Gaza, novo ataque aéreo precedeu a tomada do barco. Embora estivessem em águas internacionais, todos foram detidos por forças de assalto israelenses. Desde então, o tema praticamente desapareceu na mídia brasileira, embora um dos tripulantes fosse o comunicador brasiliense Thiágo Ávila, um dos coordenadores da missão.

De diferentes nacionalidades, essa dúzia de Dons Quixotes colocou sob risco a própria integridade física para demover os moinhos da indiferença das grandes potencias internacionais. Queriam dar um grito em alto e bom som, capaz de ser ouvido nos cinco continentes. Sua missão pacifica: denunciar mundialmente o que se passa com dois milhões de palestinos, muitas mulheres e crianças, que lutam cotidianamente contra a fome e as balas. Ao lançar-se nessa jornada esperavam pautar na chamada mainstream media mundial um tenebroso tema que parece estar se naturalizando cotidianamente nas páginas de jornais, nas telas do telejornalismo e nas ondas radiofônicas.

A grande imprensa brasileira deu pouco ou quase nenhum espaço à missão dos pacifistas. Provavelmente Gandhi sofreu da mesma indiferença quando lutava pela independência da Índia, ocupada pelos britânicos. A cobertura da jornada foi praticamente inexistente. Apenas as redes sociais, em especial o Instagram, cobriam o cotidiano da Flotilha da Liberdade. O telejornal de maior audiência do Brasil, o Jornal Nacional da TV Globo, se limitou a dar uma “lapada” – termo que designa uma nota jornalística curta, com narração em off, no dia em que as tropas israelenses tomaram de assalto o pequeno veleiro.

Com correspondentes no mundo inteiro, inclusive em Israel, não trouxe nenhuma repercussão. Imagens disponíveis nas redes sociais, praticamente, não foram usadas. Um vídeo compartilhado pela Coalizão Flotilha da Liberdade (FFC) mostrou os ativistas sentados com coletes salva-vidas e as mãos levantadas ao ar enquanto as forças israelenses entravam no barco. Os passageiros podiam ser vistos jogando celulares ao mar.

No dia seguinte, o Jornal Hoje, da mesma emissora, se limitou a noticiar a libertação da ativista ambiental sueca Greta Thunberg, também presa pelas tropas israelenses. Nem mencionou o nome de Thiago Ávila. Israel foi inteligente em deportar a pessoa com maior visibilidade internacional, dessa maneira, contribuía para desmobilizar correspondentes das grandes agências internacionais.

A tática parece ter dado o resultado esperado. Dois dias depois, mesmo com a manutenção da prisão do brasiliense Thiago Ávila – agora em solitária – o tema não mais sensibilizava os gatekepers tupiniquins que, parece, desagendaram as notícias sobre os onze pacifistas que permaneceram presos. Nem mesmo as agendas e iniciativas oficiais do governo brasileiro, no Itamaraty e no Palácio do Planalto, sensibilizaram jornalisticamente as principais mídias brasileiras. Salva e honrada exceção do Correio Braziliense e, em parte o portal Metropoles, veículos da Capital Federal, onde nasceu e mora Thiago Ávila com sua família.

A postura da maioria dos veículos da imprensa brasileira rasga todos os livros de técnica jornalística. Ineditismo e proximidade geográfica são regrinhas básicas de noticiabilidade que se aprende nos manuais universitários. Além disso, ensino os especialistas, a seleção das informações a serem divulgadas deverem ser guiadas por valores sociais,[1] mas no interior da imprensa, os conteúdos são avaliados em função da origem dos fatos, da fonte que disponibiliza as informações e pode se dizer também em função de quem será incomodado com a difusão de determinado tema.[2] A ingerência externa no processo de newsmaking acontece com maior ênfase quanto aos aspectos de propriedade, de noticiabilidade, e de inclinação, o ângulo de abordagem da informação.[3]

O que se viu na jornada da Flotilha da Liberdade foi mais do que um caminhada pelo bem estar dos palestinos. Nas águas do Mediterrâneo uma segunda batalha se fez presente. A luta pela visibilidade pública. Ao se lançarem ao mar, os ativistas queriam interferir nos critérios de noticiabilidade, forçar a porta vigiada pelos gatekeeper. 

Para subverter o padrão de relações, garantir o êxito de ter selecionado um tema de seu interesse e obter a aparência midiática, alguns atores sociais elaboram estratégias bastante complexas. Tradicionalmente, se valem de uma técnica denominada pelos pesquisadores em Comunicação de image choque. Buscavam apelar aos sentimentos, às emoções, a sensibilidade e a simpatia do espectador/leitor/internauta. Tais técnicas visam dotar o discurso do sentido desejado, tocar dimensões sensoriais e cognitivas do cidadão comum e, por via de consequência dos meios de Comunicação.

A grande mídia brasileira, contudo, ignorou as regras das cartilha de jornalismo. Curiosamente, o site da BBC Brasil – veículo britânico – foi um dos principais a produzir e difundir noticiário denso, inclusive focando em ativistas não europeus que estavam a bordo.

Por que será que o é notícia para a BBC difundir para todos os continentes não sensibiliza a mídia nacional? Certamente não foi pela falta de matéria prima, de informações e mesmo de imagens, pois além das agências internacionais de notícias, a Coalizão Flotilha da Liberdade (FFC) cotidianamente disponibilizava material via plataformas de redes sociais. Não foram poucos os veículos que fizeram entrevistas com os ativistas nos dias que antecederam o ataque de Israel.

 Na grande maioria dos veículos da mídia nacional,
a prisão em solitária, a deportação e a chegada
de Thiago Ávila ao Brasil foram
fatos ignorados ou tratados como registros de menor
importância. Pior, ignorou-se as marcas
 e hematomas no corpo dele,
cicatrizes atribuídas a sessões de tortura
física a que teria sido submetido,
inclusive com uso de aparelhos de eletrochoque.
Imagens do Instagram de Thiago Ávila
A jornada de Thiago Ávila, que pela proximidade e pelo fato de ele ser um dos coordenadores, deveria ter sido melos acompanhada pela imprensa tradicional. Essa ignorou, na grande maioria, sua prisão solitária, a deportação e sua chegada ao Brasil. Pior, ignorou as marcas e hematomas em seu corpo que parecem indicar tortura física com uso de aparelhos de eletrochoque.

Mesmo as emissoras de TV e grande parte da imprensa local da Capital Federal - exceto casos especiais como o do Correio Braziliense - onde vive Thiago Ávila e onde estão os órgãos federais e a Embaixada de Israel, pouco ou nada informaram sobre os desdobramentos pós prisão por Israel.

Será que essa invisibilidade proporcionada pela imprensa brasileira fruto de uma eventual postura de maior simpatia a Israel do que aos Palestinos? Porquê ignorar ações que se opõe ao Estado Judeu? Serão interesses econômicos? Xenofobia? Lucratividade?

Não tenho a resposta, mas num mundo em que a circulação de informação é cada vez mais um ação de poder político e econômico, como numa luta de David contra Golias, os pequenos, recomenda o sociólogo francês Olivier Voirol, recorrer cada vez mais a métodos de obtenção de visibilidade, formas de criação de eventos, que perturbem os arranjos político midiáticos em vigor.[4]


* Jornalista Profissional, Mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília e Doutor em Ciências da Informação e da Comunicação pela Universidade de Rennes 1, na França

[1] FERRY, Jean-Marc, (1991). Les transformations de la publicité politique. In: Hermes, N° 4, Le nouvel espace public, pp. 15 – 26, Paris, CNRS, p.25.

[2] MATHIEN, Michel, (1992). Les journalistes et le système médiatique, Paris, Hachete, p. 180-81.

[3] RIEFFEL, Rémy, (1984). L’élite des journalistes, Paris, PUF, p 130

[4] VOIROL, Olivier, (2005). Les luttes pour la visibilité – Esquisse d’une problématique. In : Visibilité/Invisibilité, Réseaux vol. 23, n° 129-130, pp 89-121, Paris, FT R&D/Lavoisier. p.103.

domingo, 11 de junho de 2017

A repercussão do "Ocupa Brasília" na mídia internacional

Portal do New York Times trouxe como manchete
“Presidente do Brasil convoca as tropas federais para reprimir protestos”


Na cobertura dos órgãos internacionais de imprensa sobre o “Ocupa Brasília”, no dia 24 de maio, destacam-se, por um lado, a violenta repressão e, particularmente, o decreto autorizando a utilização das Forças Armadas, que, como muitos jornais destacaram, não foi suficiente para conter as manifestações.
Por outro lado, e de forma mais significativa, praticamente jornais do mundo inteiro enfatizaram a crescente debilidade do governo Temer, os rachas em sua base aliada e a concreta possibilidade de que ele renuncie ou seja deposto através de um processo de impeachment ou como resultado dos processos que estão em curso na justiça eleitoral.
Em especial, chamam à atenção as análises feitas nos jornais e sites que enfatizam os aspectos econômicos. Nestes (vide particularmente os exemplos das agências Reuters e Bloomberg, abaixo), refletindo as preocupações do mercado e investidores estrangeiros, há comentários abertamente favoráveis ao afastamento de Temer, considerada a única de se conter a crescente instabilidade no país e, inclusive, de se garantir a aprovação das reformas exigidas pelos representantes do capital mundo afora.
A manchete da agência Britânica, que distribui notícias para todo o mundo,
foi sob a manchete “Temer, do Brasil, utiliza exército quando
manifestantes entram em batalha contra a polícia”. 
Reuters: Uma das principais agências de mídia do mundo noticiou a ocupação de Brasília sob a manchete “Temer, do Brasil, utiliza exército quando manifestantes entram em batalha contra a polícia”. E vale a pena reproduzir várias partes do artigo já que ele serviu como base para matérias publicadas em jornais do mundo inteiro.
Segundo a agência “manifestantes que exigem a renúncia do presidente brasileiro Michel Temer encenaram batalhas sem tréguas contra a polícia e atearam fogo em um prédio ministerial em Brasília na quarta-feira, levando o líder atingido por escândalos a mandar o exército para as ruas”.
Ainda segundo o texto, “a polícia disparou saraivadas de gás lacrimogêneo, granadas de atordoamento [de efeito moral] e balas de borracha para deter dezenas de milhares de manifestantes enquanto eles marchavam em direção ao Congresso para pedir a derrubada de Temer e o fim de seu programa de austeridade”.
Destacando que estes foram os protestos antigovernamentais mais violentos desde 2013, a Reuters afirma que a manifestação “forneceu mais combustível para a crise” detonada pelos escândalos de corrupção “que aumentaram as chances de que o Brasil assista à segunda queda de um presidente em menos de um ano”.
Como exemplo da crise política, a agência destacou que, enquanto os cordões policiais tentavam conter os manifestantes “o mais importante aliado de Temer, o PSDB, se encontrava para discutir se continua a apoiar o presidente e se preparar para uma transição pós-Temer”.
Mencionando que 49 pessoas foram feridas, o artigo relata que “Temer aprovou um decreto permitindo que as tropas auxiliassem a polícia a restaurar a ordem em Brasília (…) dando aos soldados poderes policiais e o direito de fazer prisões nas ruas”. Uma decisão que foi tomada pelo gabinete de Temer “depois de que a polícia foi subjugada”.
De forma bastante significativa, a Reuters utilizou como um dos subtítulos da matéria (ou seja, com destaque) a frase “Temer não está mais governando”, atribuída à analista política Sonia Fleury, da Fundação Getúlio Vargas, que também defendeu que a crise é profunda e que “mais protestos violentos podem ser esperados em um país onde o descrédito com os poderes políticos estabelecidos é generalizado”.
A Reuters também destaca que as acusações de corrupção “atingiram fortemente os mercados financeiros em função das dúvidas sobre se o Congresso irá aprovar as medidas de austeridade destinadas a tirar o país da pior recessão de sua história” e lembra que Temer pode ser destituído do cargo pelo Tribunal Eleitoral, no dia 6 de junho, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) irá julgar ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer.
E prossegue: “Os partidos dos principais aliados de Temer estão divididos entre abandonar sua coalizão imediatamente ou, primeiro, chegar a um acordo em torno de uma figura de consenso para substituí-lo e salvar seu projeto de reformas. As medidas favoráveis ao mercado são consideradas vitais para restaurar a credibilidade das empresas e o investimento necessário para acabar com uma recessão de dois anos”.
Por fim, lembrando que “não há nenhum candidato claro para substituir o presidente sob ataque”, o artigo destaca que, fora do prédio do congresso, contudo, “a mensagem cantada pelos manifestantes era bem clara: “Fora Temer! Eleições gerais, já!”.
Bloomberg: A empresa sediada em Nova York é um dos principais provedores mundiais de conteúdo para o mercado financeiro, com terminais de informações presentes em quase 100% dos bancos, fundos de investimentos, corretoras e seguradoras no mundo, o que faz dela uma das principais porta-vozes dos interesses do grande Capital e dos investidores estrangeiros.
Sob a manchete “Prédio ministerial brasileiro é incendiado quando protestos se tornam violentos” e o subtítulo “Protestos violentos contra Temer sacodem o mercado”, o site da investidora apresenta um vídeo com uma entrevista com Hernan Yellati, Diretor do Departamento de Estudos Estratégicos da Barclays Investiments (um banco multinacional e empresa financeira, sediado na Inglaterra). E a primeira pergunta que lhe é feita é bastante significativa e dá o tom para a entrevista: “Qual é a probabilidade de que Temer renuncie ou que seja obrigado a renunciar?” (pergunta que permanece no ar, como legenda, durante quase todos os seis minutos da entrevista).
A resposta: “Eu acredito que a pressão continuará a aumentar, como nós vimos na semana passada (…). Nós achamos que isto é um cenário ruim para a economia; é um cenário ruim para as reformas” que, obviamente, são defendidas pelo representante da Barclays.
Na sequência, uma das entrevistadoras, em tom bastante irônico, comenta que, mesmo que a Suprema Corte prove a culpa de Temer nos escândalos de corrupção, não é muito provável que Temer sofra um impeachment, em função, nas palavras dela, “das, digamos, características próprias do Congresso brasileiro”, o que leva Yelatti a afirmar: “Eu acho que o impeachment é o cenário menos provável (…). Eu acho que ou a Suprema Corte toma uma decisão contra o presidente ou haverá uma renúncia e, neste caso, haverá eleições indiretas, feitas no Congresso, e o principal evento será em outubro de 2018, quando o Brasil terá eleições gerais”.
Comentando que isto parece um tempo muito longo para que se chegue a uma decisão, as apresentadoras apresentam gráficos destacando a entrada e saída de capitais do país, que, na análise do investidor, mostram que a “questão chave, no momento, é a volatilidade [instabilidade]” e que o mercado continuará instável enquanto se espera pela renúncia ou por uma decisão da Suprema Corte, concluindo com uma afirmação contundente: “Obviamente, uma renúncia seria um acontecimento positivo e todo mundo está vendo isto como o cenário mais provável”, mas se isto significar um atraso ainda maior na agenda das reformas, isto levará a mais efeitos negativos pela frente.
No restante da entrevista, comentando dados sobre a desvalorização do Real e outros aspectos econômicos, o representante da Barclays defende a Reforma da Previdência como um dos aspectos fundamentais para dar segurança aos investidores estrangeiros.
New York Times: um dos principais jornais dos Estados Unidos trouxe como manchete “Presidente do Brasil convoca as tropas federais para reprimir protestos”, comentando que a decisão foi tomada depois do presidente ter sido “sitiado por protestos” pedindo por sua saída.
Citando fontes oficiais, o jornal noticiou que a manifestação contou com a participação de 35 mil pessoas motivadas principalmente pela divulgação das gravações da JBS que fizeram com que houvesse “acentuada queda no mercado financeiro brasileiro” e detonaram “uma investigação de Temer e apelos generalizados para que ele renuncie”.
Mencionando a evacuação dos prédios ministeriais e a suspensão das sessões no Congresso, o jornal fala sobre os violentos confrontos com a polícia e destaca que manifestantes foram feridos pelas bombas de gás ou balas de borracha (também nas manifestações que ocorreram no Rio de Janeiro).
Além disso, o NY Times destaca a impopularidade das reformas apresentadas por Temer, a realização da greve geral em abril e o fato de que o presidente está numa ofensiva contra os delatores da JBS, acusando-os de terem adulterado e manipulado as gravações.
Citando o professor de Ciências Políticas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Jairo Nicolau, o jornal destaca que protestos como os do dia 24 de maio podem se agravar: “Eu vejo estas manifestações como uma radicalização que irá se tornar ainda mais séria. Há uma enorme insatisfação”.
O também britânico, The Guardian, ressalta que
“Michel Temer está se recusando a renunciar, enquanto
 os protestos contra a sua permanência  no governo
 estão levando a confrontos físicos com as forças policiais."
The Guardian: Um dos principais jornais da Grã-Bretanha reproduziu o conteúdo distribuído pela agência internacional de notícias Associated Press. No artigo, intitulado “Presidente do Brasil luta para se manter no poder na medida em que a crise política se aprofunda”, é destacado que “Michel Temer está se recusando a renunciar” enquanto os protestos contra a sua permanência no governo estão levando a confrontos físicos com as forças policiais.
Lembrando que “mesmo antes dos escândalos virem à tona, a popularidade de Temer já estava em baixa, em parte em função da oposição às reformas econômicas”, o jornal destaca que vários de seus assessores foram pegos pelas investigações que já levaram lideranças empresariais e políticos de destaque para a cadeia.
O jornal também destaca que somente um dos cinco assessores especiais de Temer continua no cargo depois que Sandro Mabel (do PMDB de Goiás), igualmente envolvido em denúncias de corrupção, pediu exoneração, na véspera do protesto, alegando motivos familiares
Referindo-se aos protestos em Brasília como um “esforço pra barrar as reformas”, onde os manifestantes “gritavam ‘Fora Temer!’ e carregavam cartazes exigindo eleições presidenciais diretas imediatamente”, o artigo também descreve a repressão: “Policiais com equipamentos antimotim, alguns a pé, com escudos, e outro a cavalo, se alinharam próximos ao congresso. Nas imagens da TV, a polícia pode ser vista jogando gás lacrimogêneo e de pimenta contra os manifestantes e detendo outros que tentavam romper o cordão”.
Em um editorial (ou seja, num texto que expressa a opinião do jornal), publicado no dia anterior e intitulado “O ponto de vista do The Guardian sobre a corrupção no Brasil: o povo merece se expressar”, o jornal defende que, diante do crescente escândalo, “uma solução política rápida não resolverá os problemas” e faz uma análise da Operação Lava-jato e da atual situação de Temer.
Em um dos trechos, o jornal afirma que “Temer nega ter feito qualquer coisa de errado, insistindo que as gravações foram adulteradas e dizendo que renunciar seria uma admissão de culpa”, mas que, na verdade, outras “considerações estão, sem dúvida, pesando sobre sua cabeça – particularmente o fato de que ele iria perder as proteções legais”, que tem como presidente.
Depois de se referir a vários aspectos da Operação, desde a saída de Dilma, e afirmar que “a política brasileira tem sido inteiramente desacreditada”, o jornal traz a seguinte conclusão, referindo-se à capacidade de resolução da crise, seja através do Congresso Nacional ou do judiciário: “Muitos legisladores (parlamentares) têm segredos próprios para esconder e alguns já se queixam de que a investigação tem sido ruim para a reputação e a economia do Brasil”, o que tem feito que alguns busquem uma saída através da tentativa de “de persuadir o presidente a renunciar”.
E continua: “Mas o problema é o escândalo, não o inquérito, e será muito pior para o Brasil se ele for abafado. Os legisladores (parlamentares) também não deveriam escolher o substituto de Temer, pois foram eles que o escolheram e as pesquisas mostram uma demanda esmagadora por eleições. Um público já desencantado pode, de outra forma, afundar-se na apatia ou, a longo prazo, recorrer a uma figura autoritária de extrema-direita como Jair Bolsonaro, que joga o cartão da anti-política. Os políticos brasileiros jogaram o país nesta bagunça. Agora, deveriam deixar que os 143 milhões de eleitores tivessem uma palavra a dizer sobre como sair dela”.
ABC News: A agência que distribui conteúdo para jornais e emissoras de televisão nos Estados Unidos noticiou que “Tropas são chamadas na capital do Brasil. Presidente sob pressão”, relatando que o decreto autorizando colocar soldados nas ruas foi cancelado na quinta-feira, depois de críticas à decisão considerada “excessiva e meramente como um esforço para [o presidente] manter-se no poder enquanto há uma crescente exigência para que ele renuncie”.
O artigo, que fala em 45 mil pessoas nos protestos de quarta, refere-se ao incêndio em dois ministérios, à evacuação dos prédios federais, aos 49 feridos, “incluindo um a bala” e afirmando que “a popularidade de Temer está em queda livre desde que ele assumiu o poder”, em uma situação em que “alguns brasileiros consideram sua presidência ilegítima, devido à forma em que ele chegou ao poder e seus esforços para passar uma série de reformas econômicas para limitar o orçamento, afrouxar leis trabalhistas e reduzir os benefícios previdenciários fizeram dele uma figura ainda mais impopular”, para além das denúncias de corrupção envolvendo vários de seus assessores.
Destacando que “muitos brasileiros querem que o presidente saia de um jeito ou de outro e estão exigindo que ele renuncie ou sofra um impeachment”, o artigo relata os vários pedidos, neste sentido, encaminhados para o congresso, particularmente o feito pela Organização dos Advogados do Brasil (OAB).
No final, a ABC News ressalta que “alguns observadores estão preocupados com o fato de que, se Temer conseguir continuar na presidência, a crise política irá levar o governo brasileiro à paralisia exatamente no momento em que a o país tenta sair de uma profunda recessão”.
EFE: A principal distribuidora de serviços de informação para os países de língua espanhola traz um vídeo mostrando a “destruição” de um dos prédios ministeriais de Brasília sob a manchete “Violência explode durante protestos em Brasília e no Rio de Janeiro”, destacando que, na capital, a polícia “usou gás lacrimogêneo para conter dezenas de milhares de manifestantes que marcharam, na quarta-feira, para exigir a renúncia do sitiado presidente do Brasil”.
Abordando vários aspectos da Operação Lava-Jato, das delações da JBS e do esquema de propinas que envolve Temer e seus dois predecessores imediatos, Lula e Dilma, a agência afirma que a possibilidade de “permanência de Temer no poder parece ser bastante frágil dado que ele perdeu o apoio de um poderoso parlamentar de seu próprio partido, o PMDB”, referindo-se ao senador Renan Calheiros que, segundo o artigo, teria declarado para uma estação de rádio, na quinta, que Temer deveria renunciar.
A emissora de rádio e televisão da Grã-Bretanha, BBC News,
 
destacou as fortes críticas feitas em relação à medida.
BBC News: A emissora de rádio e televisão da Grã-Bretanha trouxe como manchete “Temer revoga decreto de envio de tropas para Brasília”, destacando as fortes críticas feitas em relação à medida.
Le Monde: um dos mais importantes jornais da França noticiou: “Brasil: exército é utilizado contra manifestações em oposição ao presidente Michel Temer”. Apesar de, erroneamente, afirmar que a manifestação foi convocada por vários sindicados e pelo PT, o artigo destaca o ato pelo “Fora Temer” reuniu cerca de 35 mil pessoas (ou 100 mil, segundo os organizadores) “que semearam o caos em Brasília” e cita o analista político da Consultoria Hold, André César, comentando o decreto que autorizava o envio do Exército: “é uma medida extrema que demonstra que o governo perdeu o controle”.
De linha editorial conservadora, o francês Le Figaro destaca
 que no “Brasil: as ruas querem a saída do presidente

O jornal ainda lembra que, colocado “no centro de graves acusações de corrupção, o presidente tenta se agarrar ao poder, tentando evitar a deserção de seus aliados políticos. Mas as negociações foram interrompidas por causa do caos em todo o Congresso, onde os parlamentares podiam ouvir as explosões de granadas de efeito moral na frente do prédio do Legislativo.”
Afirmando que as “exigências para que o chefe de estado se demita estão se multiplicando” e o que o presidente rejeita firmemente esta opção o artigo lembra que, no entanto, a continuidade de Temer no poder está “ameaçada em função de uma possível ruptura na sua coalizão”, além dos processos que correm no Supremo e dos vários pedidos de impeachment.
O artigo também destaca a crise está atrasando a implementação das reformas e tem produzido estragos na economia, dando como exemplos a queda das ações na Bolsa de Valores e a desvalorização do Real.
Le Figaro: Reproduzindo material distribuído pela Agence France-Presse (AFP), a principal agência de notícias em língua francesa, o jornal traz a manchete “Brasil: as ruas querem a saída do presidente”, destacando que a exigência para que Temer renuncie tem ganhado força diante das graves acusações de corrupção e a rejeição às propostas de reformas apresentadas pelo governo.
O espanhol El Pais trouxe uma sequência de fotos do confronto com a
 polícia e destaca que “o presidente brasileiro foi acusado de obstrução da justiça
El País: Sob a manchete “Uma manifestação multitudinária exige, em Brasília, o fim do governo Temer” o site do jornal espanhol destacou que “o presidente brasileiro foi acusado de obstrução da justiça e o Supremo está considerando condená-lo por corrupção”. Além disso, apresentando uma sequência de fotos do confronto com a polícia, o El País afirma que os protestos chegaram a paralisar a sessão da Câmara dos Deputados e que a decisão de colocar o Exército nas ruas causou críticas, dentro e fora do governo, sintetizando o dia 24 de maio em uma frase: “A tensão devido à crise política no Brasil balançou o coração político do país, convertido em campo de batalha”.
Em uma outra matéria publicada no final da noite juntamente com um vídeo sob o título “Os protestos contra o presidente Temer paralisam o governo do Brasil” , o jornal sintetiza o clima em Brasília: “Convocadas por sindicatos, movimentos sociais, dezenas de milhares de pessoas tomaram Brasília no início da tarde de quarta para protestar contra as reformas liberais do governo e exigir a renúncia do presidente Temer, que está sob suspeita de graves delitos de corrupção. Foi um dos maiores protestos dos últimos anos na capital do país, na imensa Esplanada dos Ministérios. Tudo acabou em uma paisagem quase bélica, com colunas de fumaça preta, pedras e balas de borracha voando em meio ao som de detonações de fuzis.”
O periódico argentino registrou na véspera das manifestações que
 “Debilitado, Michel Temer não consegue com que o Senado vote leis-chaves”.
El Clarin: O jornal argentino destacou “Michel Temer envia as Forças Armadas para conter a violência em Brasília”, noticiando que a multidão com cerca de 35 mil pessoas saiu de forma ordeira do estádio Mané Garrincha, mas foi detida por uma barreira, quando “a polícia começou a jogar gases lacrimogêneos” e também a disparar balas de borracha que ferindo vários manifestantes.
No dia anterior, em uma matéria intitulada “Debilitado, Michel Temer não consegue com que o Senado vote leis-chaves”, o jornal argentino destacou: “A continuidade do presidente brasileiro, Michel Temer, com uma sobrevivência mais prolongada do que se imaginava no início, tem seus reflexos não só na economia como também na vida parlamentar”, destacando como a tentativa de votar aspectos das reformas Trabalhista e Previdenciária, em comissões do Senado, acabaram em pancadaria.

O jornal cita um senador, sem identificá-lo, que teria afirmado que “este é o retrato de um governo que não pode se sustentar mais e precisa que se façam sessões e que se vote a toda a  velocidade, sem nenhum debate” para concluir que “o certo é que Temer nem sequer contar, no Senado, com todos os parlamentares de seu partido”, dando como exemplo Renan Calheiros (o líder do PMDB) que teria declarado: “É incrível que um governo com este nível de rejeição queira fazer uma reforma fundamental de forma unilateral. Isso não vai ocorrer. Não pode acontecer”.

*Graduado em História e Mestre em Ciências da Comunicação/Cinema  é professor universitário de História da Arte e Metodologia do Ensino de História.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

BBC News utiliza foto feita em 2002 no Iraque para ilustrar "matança na Síria"

Publicado originalmente em Irã News
Se hizo en todos los conflictos bélicos de la historia más reciente. En Rumanía, en Irak, en Kuwait, en Irán, en Libia o en Surcorea. Ya en la primera mitad del siglo XX la propaganda antisoviética recurrió a utilizar imágenes de las hambrunas de una época para hacerlas pasar por las de otra.
En la propia Siria ya han empleado en otras ocasiones imágenes de video correspondientes a otro contexto espacio-temporal bien distinto. Hace más de cuatro años, la trampa se preparó a propósito de los disturbios “espontáneos y pacíficos” en Tíbet. Nos mostraron manifestaciones y disturbios de países asiáticos como India o Pakistán, con explicaciones de que todo eso estaba pasando en la tierra de los Lamas.
Cuando los medios mendaces son sorprendidos, a veces pronto, a veces tarde, en sus montajes fríamente planificados y orientados a sucios fines, o bien se escudan en alegaciones relacionadas con simples “errores” humanos, con la consiguiente (e incómoda para ellos) rectificación, o bien insisten, y ello es inútil, en que los equivocados somos los que denunciamos sus malas y obscenas artes.
Pero la propaganda no se detiene. Buscarán otro falaz pretexto para atraer adhesiones populares para sus causas belicistas. Sigamos desenmascarando todas las farsas que detectamos y divulguemos al máximo todo aquello que coadyuve a la desacreditación de los portavoces del devorador imperialismo, el cual es la antítesis misma de cualquier labor básicamente humanitaria.
foto-de-lauro-en-bbc
La foto, la que realmente fue tomada el 27 de marzo del 2003, muestra a un niño irakí saltando sobre docenas de bolsas blancas que contenían esqueletos encontrados en un desierto al sur de BagdadLa BBC enfrenta críticas luego que
La BBC enfrenta críticas luego que “accidentalmente” utilizara una fotografía tomada en Irak en el 2003 para ilustrar la “una insensible masacre de niños” en Siria.
El autor de esta fotografía, Marco di Lauro, dijo que casi se “cayó de la silla” cuando vio la imagen. Expresó que estaba “asombrado” por la falla de la empresa para chequear sus fuentes.
La foto, la cual realmente fue tomada el 27 de marzo del 2003, muestra a un niño irakí saltando sobre docenas de bolsas blancas que contenían esqueletos encontrados en un desierto al sur de Bagdad.
Sin embargo, fue publicada este lunes en el sitio web de noticias de la BBC bajo el título “Condenan la masacre de Siria en Houla mientras crece la indignación”. La leyenda indica que la fotografía fue proporcionada por un activista y no puede ser independientemente verificada, pero dice que “se cree que muestra los cuerpos de niños en Houla esperando ser sepultados”.

Porta voz da BBC afirma que foto já foi retirada.

Por su parte, Di Lauro, quien trabaja para la empresa Getty Images, expresó: “Me fui a casa como a las 3 a.m. y abrí la página de la BBC, la cual tenía una noticia en el portal acerca de lo que pasó en Siria y casi me caí de la silla”.”Una de mis fotos de Irak fue utilizada por el sitio web de la BBC como ilustración de portada afirmando que esos eran los cuerpos de la masacre del domingo en Siria y que la foto fue enviada por un activista”.
“Sin embargo, la foto la tomé yo y está en mi página web, en la sección especial en relación a una historia que hice en Irak durante la guerra llamada Irak, después de Sadam“.
“De lo que realmente estoy asombrado es de que una organización de noticias como la BBC no chequea sus fuentes y está dispuesta a publicar cualquier foto enviada por cualquiera: activista, periodista o lo que sea. Eso es todo”, precisó.
Agregó que le preocupaba menos una disculpa o el uso de la imagen sin su consentimiento, añadiendo: “Lo que es asombroso es que una organización de noticias tiene una foto que prueba una masacre que sucedió ayer en Siria y sin embargo es una foto que fue tomada en el 2003 de una masacre totalmente diferente”.
“Alguien está utilizando la foto de otro para propaganda a propósito”, dijo.
Un vocero de la BBC indicó: “Tuvimos conocimiento de esta imagen siendo ampliamente difundida en Internet en las primeras horas de esta mañana después de las atrocidades más recientes en Siria”.
“La usamos con una advertencia clara diciendo que no pudo ser independientemente verificada”.
“Se hicieron esfuerzos para rastrear la fuente original de la imagen y cuando se estableció que la imagen era inexacta la retiramos de inmediato

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Para reduzir despesas, Portugal extingue assessoria de imprensa na sua embaixada no Brasil

Com base no Portugal Digital

 Dentre as medidas de corte de gastos para o enfrentamento da crise econômica em que se encontra, o governo português decidiu extinguir o serviço de imprensa que operava em sua embaixada em Brasília e que estava sob responsabilidade do veterano Jornalista Carlos Fino, nome conhecido do Jornalismo Internacional, tendo sido um dos primeiros repórteres a noticiar o bombadeio de Bagdad, quando atuava para a Rádio e Televisão de Portugal.
A decisão portuguesa já trouxe resultados negativos. Pedidos de entrevistas e de informações ficam sem respostas. A extinção do serviço de imprensa e o, consequente cancelamento da contratação de Carlos Fino, que exercia as funções há cerca de seis anos -, gerou uma reação de acadêmicos e jornalistas em todo o Brasil, que decidiram enviar uma carta de protesto ao chefe de Estado português.
É inédita em Brasília a existência de uma embaixada com a importância de Portugal sem o funcionamento de um serviço de imprensa. A medida só contribui para reduzir o já pequeno espaço noticioso concedido pela imprensa brasileira aos temas lusitanos.
Vale ressaltar, que há pouco tempo, a Lusa, agência estatal de notícias, também reduziu seu contingente no Brasil, fechando alguns escritórios.
O noticiário Portugal Digital publicou na íntegra a carta enviada por dezenas de professores, jornalistas e intelectuais brasileiros e portugueses ao governo português em protesto contra a extinção da função der conselheiro de imprensa da Embaixada de Portugal em Brasília 


Exmo. Sr. Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Dr. Paulo Portas,

O ano de 2012 é estratégico para as relações luso-brasileiras, na medida em que a partir de setembro será celebrado o ano de Portugal no Brasil e vice-versa, momento adequado para o lançamento de bases de uma cooperação cada vez mais permanente que transforme retórica em práticas e atitudes.

Nesse sentido, nós, abaixo-assinados, gostaríamos de contar com a decisão de Vossa
Excelência no sentido de manter a presença do jornalista Carlos Fino à frente das
atividades como Conselheiro de Imprensa na Embaixada de Portugal em Brasília.

Uma eventual saída de Carlos Fino, agora, precisamente quando se prepara aquele
evento, poderia colocar em risco uma série de esforços e articulações, umas já em curso, outras em começo de projeto, promissoras de impactos humanos, científicos e económicos positivos no relacionamento entre os dois países.

Ao longo dos últimos sete anos, pudemos testemunhar o esforço de Carlos Fino em abrir espaço para a relação luso-brasileira nos órgãos de comunicação social, destacando sua atividade na assessoria da imprensa e na série de programas "Lá e Cá", trabalho realizado em parceria da RTP com a TV Cultura, que tem plenas possibilidades de prosseguir, agora numa nova série em acordo com a TV Brasil.

Cumpre relatar também que, como atestam os jornalistas que recorreram à Embaixada em busca de informação, é importante destacar a eficiência, o profissionalismo e a extrema correção com que ele sempre desempenhou sua tarefa. Na prática, isso também colaborou para o aprofundamento das relações bilaterais, na medida em que os meios de comunicação passam a veicular mais informações e abrir mais espaço sobre Portugal.

Ademais, são incontáveis as colaborações de Carlos Fino ao intercâmbio entre Brasil e Portugal, por meio de sua presença em encontros audiovisuais (a exemplo do Festlatino, em Pernambuco), eventos acadêmicos (LUSOCOM, em São Paulo), palestras, cursos (como o por ele realizado na Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro e também em São Paulo, na Bienal Internacional do Livro e sob os auspícios da Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa - FJLP) promoção de acordos de cooperação e participação em debates com estudantes, pesquisadores e professores de graduação e pós-graduação de prestigiosas instituições de ensino brasileiras, tais como, entre outras, Universidade de Brasília, Universidade Católica de Brasília, Universidade de Fortaleza, Universidade de São Paulo, Itaú Cultural, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal Fluminense, e portuguesas como Universidade do Minho, Universidade Lusíada, Universidade de Coimbra, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Universidade Portucalense.

Sabemos que o momento econômico português exige medidas de contenção que
sacrificarão necessariamente muitas iniciativas e comprometerão muitos planos
anteriormente definidos. No entanto, julgamos que, mesmo neste contexto, a ligação de Portugal ao Brasil deve não só ser protegida como até fortalecida. Numa altura em que as notícias dão abundantemente conta da intensificação dos fluxos de emigração de Portugal para o Brasil, apelamos à especial sensibilidade do Governo Português, no sentido de, com este gesto, encorajar uma relação entre dois países a que não faltam razões para reforçar os seus laços.

São motivações de ordem histórica, económica, política e simbólica que fundamentam o nosso entendimento de que a presença de Carlos Fino em Brasília, pelo menos até ao termo do Ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal, se traduziria em ganho efectivo para ambos os países, em termos de visibilidade, ação e promoção de uma cooperação cada vez mais alicerçada e com resultados que podem ser aferidos.

Encerrar o posto de conselheiro de imprensa na embaixada e afastar uma pessoa que desfruta de reconhecido prestígio junto dos media e dos meios universitários da comunicação no Brasil, e que, além disso, tem dado provas de grande empenho no fomento das relações bilaterais, não será certamente, Senhor Ministro, a melhor forma de começar o Ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal.

Estamos à disposição para quaisquer esclarecimentos.

Com os melhores cumprimentos,

Prof. Dr. Fernando Oliveira Paulino

Faculdade de Comunicação

Universidade de Brasília


Os signatários

1) Fernando Oliveira Paulino, professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB)
2) Vera Souto, jornalista, Editora -TV Globo
3) Rogério Santos, professor da Universidade Católica Portuguesa
4) Madalena Oliveira, professora da Universidade do Minho
5) Giovana Teles, jornalista
6) Moisés de Lemos Martins, presidente da Associação Portuguesa de Ciências da
Comunicação (SOPCOM), e também da Federação Internacional de Comunicação
Lusófona (LUSOCOM)
7) Dad Squarisi, jornalista
8) Laurindo Leal Filho, professor da Universidade de São Paulo
9) Zélia Leal Adguirni, professora da Universidade de Brasília
10) Lúcio Flávio Vale da Silva, Coordenador Externo da Escola Internacional de Futebol
da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - EIF-CPLP-FEF-UnB
11) Humberto França, vice-presidente para Relações Internacionais da Fundação
Biblioteca Brasileira de Nova York e Presidente e fundador do Movimento Festlatino
12) Ricardo Noblat, jornalista
13) Francisco Câmpera, repórter da TV Bandeirantes
14) Samy Leal Adguirni, repórter da Folha de S. Paulo, correspondente em Teerã
15) Paulo Markun, jornalista
16) Antonio Hohlfeldt, Presidente da INTERCOM - Sociedade Brasileira de Estudos
Interdisciplinares da Comunicação
17) Dione Moura, professora da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília
18) Luiz Martins da Silva, prof. da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília
19) Viviane dos Santos Brochardt, mestranda da Faculdade de Comunicação da
Universidade de Brasília
20) Guiomar de Grammont, professora da Universidade Federal de Ouro Preto, Minas Gerais
21) Pedro Rafael Vilela Ferreira, mestrando da Faculdade de Comunicação da
Universidade de Brasília
22) Luana Spinillo Poroca, mestranda do Programa de Pós Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília
23) Rodrigo Garcia Vieira Braz, doutorando da Faculdade de Comunicação da UnB
24) Eduardo Hollanda - Revista Brasileiros - Editor Especial
25) Márcia Marques, professora da Faculdade de Comunicação da Universidade de
Brasília
26) Roberto Petti, Gestão de Direitos e de Beneficiamento de Conteúdo TV Globo
27) José Carlos Torves, Diretor executivo da Federação Nacional de Jornalistas
28) Rolemberg Estevão de Souza, Conselheiro da Carreira de Diplomata do Ministério das Relações Exteriores
29) Sylvia Moretzsohn, professora de jornalismo na Universidade Federal Fluminense (Niterói/RJ)
30) Leyberson Lelis Chaves Pedrosa, jornalista e mestrando em Comunicação Social pela Universidade de Brasília.
31) José Eduardo Barella, jornalista
32) Paulo Caruso, Revista Época e Fundação Padre Anchieta - TV Cultura , São Paulo
33) José Brandão Coelho, Presidente Honorífico,Câmara de Comércio Brasil Portugal-Paraná
34) Sérgio Dayrell Porto, professor da Faculdade de Comunicação da UnB
35) Alfredo Prado, jornalista, diretor dos portais Portugal Digital e África21 Digital
36) Kátia Cubel, jornalista, presidente do Prêmio Engenho de Comunicação – O Dia em que o Jornalista Vira Notícia
37) Carlos Manuel Pedroso Neves Cristo, Diretor da "Flecha de Lima Associados"
38) Alexandre Jorge Cavalcanti Ayres, médico do Hospital Universitário de Brasília
39) Humberto Netto, Assessor de Imprensa da Delegação da União Europeia no Brasil
40) Alcimir Antonio do Carmo, secretário executivo da Federação dos Jornalistas de
Língua Portuguesa – FJLP
41) Osvaldo Ferreira, Maestro Titular - Orquestra Sinfônica do Paraná, Programador
Musical - Allgarve 2011, Director Artístico - Oficina de Música de Curitiba
42) Ana Elisa Santana, jornalista e funcionária da TV Escola
43) Carlos Alberto Ribeiro De Xavier - Assessor Especial do Ministério da Educação
44) Manuel Fernando Lousada Soares, Diretor da LS – Net, Ex Secretário de Estado
Adjunto de Tecnologia Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,
45) Liziane Guazina, Professora da Faculdade de Comunicação da UnB.
46) Ana Lúcia Prado Reis dos Santos, professora da Universidade da Amazônia, Belém-Pará e doutoranda da Universidade Fernando Pessoa, Porto-Portugal.
46) Victor Gentilli, jornalista, professor da Universidade Federal do Espírito Santo
47) Rogério Christofoletti, professor da Universidade Federal de Santa Catarina
48) Luiz Egypto de Cerqueira, jornalista, redator-chefe do Observatório da Imprensa (Brasil)
49) Ray Cunha, escritor e jornalista
50) Fábio Henrique Pereira, professor da Faculdade de Comunicação da UnB.
51) Flávia Rocha, jornalista
52) Walter Guimarães, jornalista
53) Paulo Victor Chagas, estudante e extensionista do Programa Comunicação
Comunitária
54) Emily Almeida Azarias, estudante de Comunicação da Universidade de Brasília
55) Luiz Motta, professor da Faculdade de Comunicação da UnB, ex-secretário de
Comunicação do Distrito Federal
56) Francisco Sant'Anna, jornalista, editor responsável do programa Diplomacia da TV Senado.
57) Lúcia Helena Alves de Sá, Presidente da Associação Casa Agostinho da Silva
58) Amândio Silva, Presidente da Associação Mares Navegados
59) Silvestre Gorgulho, Jornalista e ex-secretário de Estado de Cultura do Distrito Federal
60) Mariana Martins de Carvalho, doutoranda do Programa de Pós Graduação da
Universidade de Brasília