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segunda-feira, 16 de junho de 2025

A Flotilha que virou navio fantasma na mídia nacional

 

Por Chico Sant’Anna*

Nas redes sociais foi possível acompanhar dia-a-dia a jornada de doze jovens que desejaram singrar as águas do Mediterrâneo para denunciar um genocídio que se perpetra contra o povo palestino na Faixa de Gaza. O barco partiu da Itália em 1º de junho para conscientizar sobre as condições de fome em Gaza. Mais do que levar donativos, alimentos, próteses ortopédicas infantis, a meta era elevar o conhecimento público sobre o sofrimento do povo palestino de Gaza, submetido há mais de uma década a um bloqueio injusto e desumano por Israel. Segundo dados do Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), 1,3 milhões de habitantes de Gaza dependem da ajuda internacional para sobreviver

Originalmente, era para ser outra embarcação. Entretanto, o barco Conscience, da coalizão internacional Flotilha da Liberdade, foi atacado por drones na madrugada da sexta-feira (2/5), na ilha de Malta. Os ativistas deram sequência em um veleiro de nome Madeleine. O nome é atribuído a uma pescadora artesanal palestina, que ainda busca no Mediterrâneo alimentos para seu povo. Mas chama a atenção o fato de Madalena ter sido a mais importante das mulheres que seguiram a jornada de Jesus Cristo, desde a Galiléia, e que ao lado de Maria presenciou a crucificação pelos romanos.

Grande mídia brasileira, praticamente, ignorou os dias
que sucederam à tomada de assalto pelos forças de Israel
da Flotinha da Liberdade, Nem a presença de uma brasileiro
dentre os ativistas presos motivou
uma cobertura de melhor qualidade.
A jornada de Madeleine não foi ignorada pelos militares de Israel. Relatos postados nas redes sociais pelos integrantes da jornada davam conta que ainda em águas internacionais foram alvo de ataques de drones que, segundo suas denúncias, lançavam sobre o veleiro Madelein líquidos químicos.

Faltando um dia para chegar a Gaza, novo ataque aéreo precedeu a tomada do barco. Embora estivessem em águas internacionais, todos foram detidos por forças de assalto israelenses. Desde então, o tema praticamente desapareceu na mídia brasileira, embora um dos tripulantes fosse o comunicador brasiliense Thiágo Ávila, um dos coordenadores da missão.

De diferentes nacionalidades, essa dúzia de Dons Quixotes colocou sob risco a própria integridade física para demover os moinhos da indiferença das grandes potencias internacionais. Queriam dar um grito em alto e bom som, capaz de ser ouvido nos cinco continentes. Sua missão pacifica: denunciar mundialmente o que se passa com dois milhões de palestinos, muitas mulheres e crianças, que lutam cotidianamente contra a fome e as balas. Ao lançar-se nessa jornada esperavam pautar na chamada mainstream media mundial um tenebroso tema que parece estar se naturalizando cotidianamente nas páginas de jornais, nas telas do telejornalismo e nas ondas radiofônicas.

A grande imprensa brasileira deu pouco ou quase nenhum espaço à missão dos pacifistas. Provavelmente Gandhi sofreu da mesma indiferença quando lutava pela independência da Índia, ocupada pelos britânicos. A cobertura da jornada foi praticamente inexistente. Apenas as redes sociais, em especial o Instagram, cobriam o cotidiano da Flotilha da Liberdade. O telejornal de maior audiência do Brasil, o Jornal Nacional da TV Globo, se limitou a dar uma “lapada” – termo que designa uma nota jornalística curta, com narração em off, no dia em que as tropas israelenses tomaram de assalto o pequeno veleiro.

Com correspondentes no mundo inteiro, inclusive em Israel, não trouxe nenhuma repercussão. Imagens disponíveis nas redes sociais, praticamente, não foram usadas. Um vídeo compartilhado pela Coalizão Flotilha da Liberdade (FFC) mostrou os ativistas sentados com coletes salva-vidas e as mãos levantadas ao ar enquanto as forças israelenses entravam no barco. Os passageiros podiam ser vistos jogando celulares ao mar.

No dia seguinte, o Jornal Hoje, da mesma emissora, se limitou a noticiar a libertação da ativista ambiental sueca Greta Thunberg, também presa pelas tropas israelenses. Nem mencionou o nome de Thiago Ávila. Israel foi inteligente em deportar a pessoa com maior visibilidade internacional, dessa maneira, contribuía para desmobilizar correspondentes das grandes agências internacionais.

A tática parece ter dado o resultado esperado. Dois dias depois, mesmo com a manutenção da prisão do brasiliense Thiago Ávila – agora em solitária – o tema não mais sensibilizava os gatekepers tupiniquins que, parece, desagendaram as notícias sobre os onze pacifistas que permaneceram presos. Nem mesmo as agendas e iniciativas oficiais do governo brasileiro, no Itamaraty e no Palácio do Planalto, sensibilizaram jornalisticamente as principais mídias brasileiras. Salva e honrada exceção do Correio Braziliense e, em parte o portal Metropoles, veículos da Capital Federal, onde nasceu e mora Thiago Ávila com sua família.

A postura da maioria dos veículos da imprensa brasileira rasga todos os livros de técnica jornalística. Ineditismo e proximidade geográfica são regrinhas básicas de noticiabilidade que se aprende nos manuais universitários. Além disso, ensino os especialistas, a seleção das informações a serem divulgadas deverem ser guiadas por valores sociais,[1] mas no interior da imprensa, os conteúdos são avaliados em função da origem dos fatos, da fonte que disponibiliza as informações e pode se dizer também em função de quem será incomodado com a difusão de determinado tema.[2] A ingerência externa no processo de newsmaking acontece com maior ênfase quanto aos aspectos de propriedade, de noticiabilidade, e de inclinação, o ângulo de abordagem da informação.[3]

O que se viu na jornada da Flotilha da Liberdade foi mais do que um caminhada pelo bem estar dos palestinos. Nas águas do Mediterrâneo uma segunda batalha se fez presente. A luta pela visibilidade pública. Ao se lançarem ao mar, os ativistas queriam interferir nos critérios de noticiabilidade, forçar a porta vigiada pelos gatekeeper. 

Para subverter o padrão de relações, garantir o êxito de ter selecionado um tema de seu interesse e obter a aparência midiática, alguns atores sociais elaboram estratégias bastante complexas. Tradicionalmente, se valem de uma técnica denominada pelos pesquisadores em Comunicação de image choque. Buscavam apelar aos sentimentos, às emoções, a sensibilidade e a simpatia do espectador/leitor/internauta. Tais técnicas visam dotar o discurso do sentido desejado, tocar dimensões sensoriais e cognitivas do cidadão comum e, por via de consequência dos meios de Comunicação.

A grande mídia brasileira, contudo, ignorou as regras das cartilha de jornalismo. Curiosamente, o site da BBC Brasil – veículo britânico – foi um dos principais a produzir e difundir noticiário denso, inclusive focando em ativistas não europeus que estavam a bordo.

Por que será que o é notícia para a BBC difundir para todos os continentes não sensibiliza a mídia nacional? Certamente não foi pela falta de matéria prima, de informações e mesmo de imagens, pois além das agências internacionais de notícias, a Coalizão Flotilha da Liberdade (FFC) cotidianamente disponibilizava material via plataformas de redes sociais. Não foram poucos os veículos que fizeram entrevistas com os ativistas nos dias que antecederam o ataque de Israel.

 Na grande maioria dos veículos da mídia nacional,
a prisão em solitária, a deportação e a chegada
de Thiago Ávila ao Brasil foram
fatos ignorados ou tratados como registros de menor
importância. Pior, ignorou-se as marcas
 e hematomas no corpo dele,
cicatrizes atribuídas a sessões de tortura
física a que teria sido submetido,
inclusive com uso de aparelhos de eletrochoque.
Imagens do Instagram de Thiago Ávila
A jornada de Thiago Ávila, que pela proximidade e pelo fato de ele ser um dos coordenadores, deveria ter sido melos acompanhada pela imprensa tradicional. Essa ignorou, na grande maioria, sua prisão solitária, a deportação e sua chegada ao Brasil. Pior, ignorou as marcas e hematomas em seu corpo que parecem indicar tortura física com uso de aparelhos de eletrochoque.

Mesmo as emissoras de TV e grande parte da imprensa local da Capital Federal - exceto casos especiais como o do Correio Braziliense - onde vive Thiago Ávila e onde estão os órgãos federais e a Embaixada de Israel, pouco ou nada informaram sobre os desdobramentos pós prisão por Israel.

Será que essa invisibilidade proporcionada pela imprensa brasileira fruto de uma eventual postura de maior simpatia a Israel do que aos Palestinos? Porquê ignorar ações que se opõe ao Estado Judeu? Serão interesses econômicos? Xenofobia? Lucratividade?

Não tenho a resposta, mas num mundo em que a circulação de informação é cada vez mais um ação de poder político e econômico, como numa luta de David contra Golias, os pequenos, recomenda o sociólogo francês Olivier Voirol, recorrer cada vez mais a métodos de obtenção de visibilidade, formas de criação de eventos, que perturbem os arranjos político midiáticos em vigor.[4]


* Jornalista Profissional, Mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília e Doutor em Ciências da Informação e da Comunicação pela Universidade de Rennes 1, na França

[1] FERRY, Jean-Marc, (1991). Les transformations de la publicité politique. In: Hermes, N° 4, Le nouvel espace public, pp. 15 – 26, Paris, CNRS, p.25.

[2] MATHIEN, Michel, (1992). Les journalistes et le système médiatique, Paris, Hachete, p. 180-81.

[3] RIEFFEL, Rémy, (1984). L’élite des journalistes, Paris, PUF, p 130

[4] VOIROL, Olivier, (2005). Les luttes pour la visibilité – Esquisse d’une problématique. In : Visibilité/Invisibilité, Réseaux vol. 23, n° 129-130, pp 89-121, Paris, FT R&D/Lavoisier. p.103.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Jornalismo: Boa notícia é também notícia?

Do Congresso em Foco

Dois espaços na internet subvertem o princípio geral do jornalismo de não dar destaque para fatos positivos e resolvem publicar apenas boas novas para seus leitores

Há um velho princípio usado pelos jornalistas para definir o que é ou não notícia. Por esse princípio, não é notícia um cachorro que morda alguém. Mas será notícia o dia em que alguém morder um cachorro. Notícia, assim, é aquilo que não é rotina, que é inusitado. Ao longo do tempo, esse princípio derivou para uma outra prática nos jornais, de um modo geral: notícia passou a ser sempre algo negativo, especialmente quando se fala de política. O bom seria rotina, o mero cumprimento da obrigação.

E a verdade é que a atividade política no Brasil, com todos os seus vícios e defeitos, não costuma mesmo produzir boas notícias. Para a maioria dos veículos de imprensa, é até difícil passar um dia sequer sem abordar assuntos que, ao menos indiretamente, tenham ligação com qualquer modalidade de corrupção ou malfeitos, como gosta de expressar a presidenta Dilma Rousseff. Essa má imagem resulta da ação de uma espécie de político sem competência, qualificação moral ou comprometimento social necessários ao exercício da função pública. Ferem o propósito da política e, em casos extremos, acabam por deslocá-la para as páginas policiais. Mas e o contrário? Será que nunca nada de bom é proposto ou acontece?

No mundo das mídias digitais, que buscam diversificar e ampliar a pauta muitas vezes mais estreita da imprensa tradicional, há alguns que agora se dedicam a buscar essas boas notícias. Cansados de ver apenas a má política ganhar espaço na imprensa, gerando um clima de descrédito generalizado na população, alguns sites e blogs resolveram lançar luzes no outro lado – o positivo, das boas práticas parlamentares, que costumam trazer benefícios à sociedade. E eles estão conseguindo encontrar essas boas práticas. “Eu estava lendo um jornal e tive um insight: nunca ninguém fala bem dos políticos porque quem fala bem parece que está fazendo propaganda”, relata a blogueira Paula Filizola, uma carioca de 23 anos que, depois da repercussão do caso que levou à queda do ex-ministro Antonio Palocci (da Casa Civil), em junho, teve a ideia de criar o blog “Política do Bem”, que vasculha o que há de bom no poder Legislativo.

O blog está longe de ser um espaço edulcorado, com uma visão panglossiana de mundo. Em seus últimos posts, por exemplo, Paula dedica-se a falar da II Marcha contra a Corrupção, ocorrida no último dia 12 de outubro. Ou seja, o espaço criado pela jornalista, que trocou o Rio por Brasília, reconhece as mazelas do cenário político brasileiro, mas esforça-se para mudá-lo.

Em linhas gerais, trata-se de uma iniciativa que, em vez de enfocar os desvios éticos, os procedimentos legislativos complexos e siglas por vezes enigmáticas, prefere compartilhar com a opinião pública as iniciativas benéficas dos nossos representantes. Há pouco mais de um mês morando em Brasília, Paula teve a ideia quando ainda morava no Rio, antes da mudança para a capital federal. Jornalista, ela lembrou que, antes de criar o blog, produzia perfis sobre políticos – trabalho que a colocou a par dos projetos elaborados pelas excelências.

“A gente nunca faz nada elogiando ninguém, mesmo que a gente acredite que aquilo é uma coisa legal. Jornal sempre destaca as coisas ruins, até porque isso faz parte do nosso trabalho. Então eu pensei: por que não criar no blog um espaço para divulgar projetos legais, com os políticos que eu considero pessoas que têm um trabalho legal? Enfim, o blog surgiu para tentar estimular essas boas ações”, explica Paula, descrevendo propósito semelhante ao do Prêmio Congresso em Foco, promovido por este site. Na sua edição deste ano, o Prêmio Congresso em Foco tem como tema a construção da democracia, enfatizando que não basta criticar: a melhoria do país é uma construção de todos nós, cobrando, fiscalizando, escolhendo nossos representantes. O Prêmio Congresso em Foco distingue, a cada ano, os deputados e senadores que mais se destacaram na atividade legislativa. E, aliás, foi uma das inspirações para a iniciativa de Paula.

Tudo sobre o Prêmio Congresso em Foco

Boas novas

Para usar uma metáfora que enfatiza a riqueza de ideias, o blog pode ser visto como um garimpo de boas proposições parlamentares. Além das iniciativas legislativas que valem ouro, também há materiais e vídeos sobre temas em voga, como a reforma política, o Código Florestal e a Emenda 29, que aumenta os percentuais de gastos com a saúde – aqui, Paula promove a reflexão: “A Emenda 29 é a solução para o caos na saúde?”.

Pode ser conferido entre os posts mais recentes um vídeo em que o deputado Reguffe (PDT-DF) defende o voto distrital. Em outro filmete, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva e os senadores Randolfe Rodrigues (Psol-AP) e Lindbergh Farias (PT-RJ) aparecem perfilados posicionando-se contra o texto aprovado na Câmara sobre o Código Florestal. A propósito, entre os projetos “do bem” está um apresentado em 2007 pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF) que, em resumo, determina a matrícula de filhos de políticos em escolas pública. Seria uma maneira, avalia o parlamentar, de promover a valorização do ensino público.

Criado há cinco meses, o blog cresce em um instante de engajamento dos jovens contra a corrupção, em que se destaca a marcha que levou milhares de manifestantes ao desfile de 7 de Setembro. Ou seja, novos ares por uma nova política. É como explica a própria autora, na seção “quem sou” localizada no canto direito superior do blog. “Sou otimista antes de tudo.”

Notícia boa

Paula não é a única na internet na busca por notícias positivas. O recém-criado site “Só Notícia Boa”, segue na mesma linha. A ideia é ir na contramão da enxurrada de tragédias e denúncias que enchem as páginas dos jornais. No site, não há apenas assuntos de política. Ontem (20), por exemplo, o site informava que as células-tronco do leite materno poderão ajudar no combate ao Mal de Parkinson e à diabetes. Dizia ainda que 70% dos brasileiros acreditam que seus filhos terão uma vida melhor. E que a Universidade de São Paulo (USP) está entre as 200 melhores universidades do mundo.

Responsável pelo site, o jornalista Rinaldo Oliveira é âncora nos telejornais da TV Bandeirantes. “Eu mesmo já estou cansado de dar notícia ruim…”, diz Rinaldo, referindo-se à sua atividade oficial na televisão. Há dois anos, Rinaldo lançou um blog em que só reproduzia notícias boas. Agora, resolveu transformá-lo em um site, que estreou no último dia 9 de outubro. O jornalista diz acreditar que, como ele, as pessoas não aguentam mais “tanta violência na cabeça”. “Essa é a resposta que eu vejo à medida que eu posto as notícias no site. As pessoas vêm com depoimentos. Sabe aquele ditado de que dinheiro atrai dinheiro? Eu acredito que notícia boa atrai notícia boa.”

Rinaldo diz que diversos motivos o levaram a dar atenção exclusiva às boas novas. Entre elas a própria profissão de jornalista, que o obriga a lidar com o mundo cão (e isso pesa na cabeça, diz), e até questões familiares – como o pai que, às voltas com depressões, piorava diante do noticiário. “Eu percebi que quanto mais ele assistia às notícias ruins na TV, programas populares etc, pior ele ficava.” Outro episódio caseiro contribuiu para a ideia do site. Rinaldo disse que um dia sua filha pré-adolescente o interpelou e disse: “Papai, não dá pra assistir ao seu [jornal]. Só tem notícia ruim”.

O mundo feliz está presente em outras manchetes: “Desmatamento na Amazônia cai 38% em agosto”; “Medida Provisória tira impostos e deixa tablets até 36% mais baratos”; “Japão: doador deixa R$ 130 mil em banheiro para vítimas do tsunami”; “Cidade de Deus cria moeda própria e alavanca a ‘economia solidária’”; e “Paris começa a alugar carros elétricos”.

Segundo Rinaldo, as pessoas “entram numa catarse” quando compartilham notícias positivas. Ele citou o exemplo de Susan Boyle, a doméstica mal-vestida que, causando estranhamento inicial na plateia, abriu o vozeirão em um concurso musical na televisão e virou celebridade inglesa do dia para a noite. Rinaldo postou no site um vídeo com história semelhante, em que um rapaz mutilado também arrebatou os espectadores de um programa de TV parecido.

“Da mesma forma que a notícia má se espalha, a notícia boa também. As pessoas gostam de notícia boa, o problema é que estão mal acostumadas. A mídia enfia notícia ruim na cara das pessoas”, lamenta o jornalista.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Agência Senado: leitores têm interesse diferente da agenda midiática

Na semana da Consciência Negra webleitores da Agência Senado demonstram maior interesse sobre as notícias que tratam de racismo, xenofobia e da própria temática negra. As estatísticas sobre os acessos às matérias disponibilizadas revelam um interesse popular diferente daquele que a agenda midiática da grande mídia vem potencializando nas suas páginas do noticiário político.
Segundo levantamento feito pela a Agência Senado de Notícias, as matérias mais lidas nos dias 18 e 19/11 demonstravam interesse sobre o projeto que criminaliza a homofobia e o preconceito contra idosos e deficientes (5.962 acessos). Em seguida, o destaque ficou com o noticiário referente à celebração pelo Senado Federal do Dia Nacional da Consciência Negra (2397 acessos)
Logo a seguir, o interesse se concentrou sobre o noticiário relativo à vigília dos aposentados em defesa ao fim do fator previdenciário e pela concessão de reajustes iguais ao do salário mínimo, temas abordados pelo senador Paulo Paim e retratados em duas notas (1952 acessos).
Estes temas superaram em interesse as notícias sobre a reforma administrativa do Senado Federal, que vem sendo propalada pela grande mídia, mas que ficou em quarto lugar na prioridade de leituras dos leitores da Agência Senado (1442 acessos). O noticiário sobre as medidas legislativas referentes às mudanças climáticas e ao aquecimento global (três matérias) foi o quinto tema a despontar maior curiosidade, praticamente empatado com a reforma administrativa do SF (1441 acessos).
A aprovação do projeto que regulamenta o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos (alvo do noticiário da Rede Globo durante toda a semana) não conquistou muitos leitores, ficou em 6º lugar (751 acessos).

Veja abaixo a relação das matérias mais acessadas no portal da Agência Senado, nos dias 18/11/2009 e 19/11/2009, até as 17h21.

1º - Adiada votação de projeto que criminaliza preconceito contra idosos, deficientes e homossexuais (5962 acessos).
2º - Senado celebra Dia Nacional da Consciência Negra (2397).
3º - Paim comanda vigília por aposentados no Plenário do Senado (1952)
4º - Sarney: reforma administrativa deve ser votada este ano (1442).
5º - Relatório enumera sugestões para reduzir emissão de gases de efeito estufa (1.441)
6º - Aprovado projeto que regulamenta Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos (751)
7º - CCJ analisa decisão do TCU sobre aposentadoria especial de policial (404).
8º - Lido no Plenário requerimento de criação da CPI da Previdência Social (404).
9º - Propaganda de alimentos é discutida no Senado (327)