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segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Que jornalismo é esse?

Os canais all news, como a Globo News, BandNews e CNN Brasil, suspenderam suas programações rotineiras de domingo e passaram a transmitir em tempo real, com reportagens e análises, o que ocorria na Capital Federal. Este não foi, contudo, o comportamento dos canais abertos, que por serem gratuitos, possuem uma audiência muito maior. 


Por Chico Sant’Anna*

Nos ensinam os bons manuais de Jornalismo, que notícia boa é aquela que traz um fato inusitado, de grande interesse na sociedade e que chega rápido aos cidadãos consumidores de informação – preferencialmente em tempo real. Também é sabido que o que potencializa os meios de comunicação é a amplitude da audiência. Quanto maior, melhor, pois isso gera prestigio e retorno publicitário. Entretanto, a maioria dos canais de televisão aberta do país ignorou o que acontecia na tarde de 8 de janeiro de 2023, quando uma turba de terrorista decidiu ocupar e depredar as sedes dos Três Poderes na Capital da República.

Jornais, revistas, agências de notícias nacionais e estrangeiras, portais informativos, prontamente enviaram seus profissionais para o front da notícia. Vários deles, em especial foto e cine jornalistas, foram alvo de agressões físicas perpetradas pelos terroristas. Os canais all news, como a Globo News, BandNews e CNN Brasil, suspenderam suas programações rotineiras de domingo e passaram a transmitir em tempo real, com reportagens e análises, o que ocorria na Capital Federal. 

Este não foi, contudo, o comportamento dos canais abertos, que por serem gratuitos, possuem uma audiência muito maior. Deixar de noticiar em tempo real sobre esse delicado tema é uma ação de desinformação. Milhões de brasileiros que não possuiam tv paga ficaram sem saber o que se passava em Brasília.

Portanto, levar a informação sobre aquele fato inusitado, de interesse de todos os cidadãos brasileiros, mais do que cumprir com a missão social do Jornalismo, era fazer jus às concessões que tais grupos econômicos receberam da sociedade.

Importantes emissoras privadas de canal aberto ignoraram em suas programações o ato terrorista que se desenrolava na Praça dos 3 Poderes. 

Canais abertos

Às 17 horas, quando o quebra-quebra terrorista já se desenrolava há pelo menos umas duas horas. As redes sociais estavam plenas de vídeos de autoria dos próprios terroristas e também das forças de segurança. Esse material foi usado por alguns meios de comunicação como forma de superar a impossibilidade de ter equipes no palco dos acontecimentos. Na telinha, a TV Bandeirantes exibia Mastechef, no SBT, o programa no ar era o da Eliana; e a Record difundia Hora do Faro. Mesmo a TV Globo, em seu canal aberto, demorou a priorizar esse conteúdo. Somente às 17h19 a emissora deixou de veicular o Domingão do Luciano Huck e decidiu transmitir simultaneamente o conteúdo de sua coirmã Globo News. Buscamos saber os motivos de tal comportamento editorial com os responsáveis sobre o comando dos departamentos de Jornalismo de cada uma dessas emissoras. Indagamos se foi uma opção editorial, compromissos publicitários ou dificuldades técnico-operacionais, mas reinou o silêncio como resposta.

Emissoras do Senado e da Justiça não alteraram suas programações de fim de semana. TV Brasil manteve a programação, mas inseriu boletins informativos.

Canais públicos

As três casas de Poder invadida por terroristas são detentoras de canais próprios de rádio e TV: TV Brasil, TVs Senado e Câmara, TV Justiça. Não tivemos a oportunidade de avaliar a programação da TV Câmara, mas no Senado e na Justiça é como se nada estivesse acontecendo lá fora. Numa Irônica coincidência, a TV Senado exibia o programa Que Brasil é esse? Na tela, não era nenhuma reportagem ou análise dos fatos que se desenrolavam. No lugar de comentários dos parlamentares, ação que poderia ser enviada por celulares, era exibida uma entrevista com Fafá de Belém. A ironia involuntária também se fez presente na programação da TV Justiça: estava no ar uma entrevista com o Procurador Geral da República, Augusto Aras, no programa "Interesse Público".

Apenas a TV Brasil, canal público da Empresa Brasileira de Comunicação – EBC, alterou o conteúdo pré-programado para o fim de semana. As alterações se deram por meio da inserção de flashes (boletins informativos). Não houve uma interrupção total, como o ocorrido na TV Globo. Entre 16 e 18 horas, a TV Brasil veiculava o filme Insônia. Mais uma ironia do destino.

Os canais públicos foram igualmente procurados. O departamento de Jornalismo da TV Brasil informou que está elaborando um relatório completo sobre a programação veiculada. Não explicou ainda a opção editorial adotada. A secretaria de Comunicação do Supremo Tribunal Federal não retornou nossos questionamentos sobre o comportamento editorial da TV Justiça. Já a diretora da secretaria de Comunicação do Senado, Érica Ceolin, informou que chegou a mobilizar equipes de jornalistas para cobrirem em tempo real o que ocorria no Senado Federal, mas que ao chegarem na sede do Senado, a polícia legislativa da Casa, por questões de segurança, não autorizou que os profissionais entrassem para pegar os equipamentos. Até mesmo o supervisor técnico de plantão teve que se retirar. O Senado possui um amplo sistema de câmeras, algumas robôs, instaladas nas salas de Comissões, e outras de segurança, internas e externas – inclusive uma no topo do Anexo 1 – que poderiam ser operadas à distância e ter suas imagens transmitidas. Entretanto, segundo Erica Ceolin, não foi possível, sequer adentrar as instalações da emissora que fica no subsolo do Anexo 2 e a opção foi informar a sociedade pelo site da Agência Senado de Notícias.

Questionamentos

Os canais de televisão são concessões públicas. O concessionário privado tem a obrigação de bem informar a sociedade. A não transmissão em tempo real dos acontecimentos terroristas na Esplanada dos Ministérios, obriga-nos ao questionamento semelhante ao que é feito sobre a ação das forças de segurança do governo do Distrito Federal. Houve incompetência ou foi conivência? Por que as emissoras detentoras de tecnologia de ponta, helicópteros, drones, antenas de micro-ondas, câmeras instaladas em motos, ignoraram o ocorrido, talvez o fato mais importante do país desde a redemocratização? A pandemia da Covid mostrou que até mesmo com celulares é possível prover uma cobertura dos fatos.

Para a coordenadora do sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF, Juliana Nunes, os episódios desse domingo evidenciaram a importância de se fortalecer a comunicação pública e governamental, bem como legislativa e judiciária. “Tudo para que a população seja devidamente informada e o patrimônio público, protegido. A sociedade brasileira precisa ter a correta dimensão dos crimes cometidos neste domingo” – complementa.

A história nos mostra que em vários momentos politicamente importantes do Brasil, as emissoras de televisão em transmissão aberta pecaram. Maior exemplo foi a campanha das Diretas Já e a reedição dos debates presidenciais entre Collor de Melo e Luís Inácio Lula da Silva. Algumas emissoras fizeram o mea culpa. Esperamos que o comportamento editorial adotado por diversos canais no fim de semana de 8 de janeiro não seja uma retomada do mau jornalismo. 

*Jornalista, documentarista, Doutor em Ciências da Informação e Comunicação, pela Universidade de Rennes 1, na França. Pesquisador associado ao Núcleo de Mídia e Política – Nemp, da Universidade de Brasília.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Líbano: a estratégia de comunicação do Hezbolá

Publicado originalmente no portal Al Manar Spanish

Hace mucho tiempo, Hezbolá empezó a invertir de manera significativa en el campo informativo, y sentó las bases para el uso efectivo de la guerra informativa y ha logrado una ventaja sobre sus adversarios a través de la gestión de la información, según un artículo publicado por Jpost.
JPost mencionó que las operaciones de Hezbolá han estado gobernadas durante mucho tiempo por el mantra: “Si no lo has filmado, no has luchado”. El grupo comprendió la importancia de documentar sus éxitos ya en 1994, cuando los combatientes de Hezbolá y un cámara se infiltraron en un complejo de ocupación militar israelí en el Sur del Líbano y colocaron una bandera dentro de la base, filmando el evento y esto supuso un gran éxito de propaganda”.
“Hezbolá mantiene una unidad exclusivamente dedicada a la guerra psicológica que se especializa en fortalecer la imagen pública de Hezbolá. Periódicos, Internet, los medios de comunicación social y la televisión comprenden el “arsenal de información” de Hezbolá. El grupo utiliza sus capacidades en el terreno de la información para anunciar sus muchos logros, incluyendo campamentos de verano para niños y un sólido programa de obras públicas” en el Líbano.
Para el periódico israelí, la “propaganda de Hezbolá está bien dirigida y enfocada y es específica. Ella enfatiza temas que incluyen la ideología de resistencia, el martirio y el establecimiento de legitimidad a través de la provisión de servicios sociales”, según el Jpost.
“La historia de los esfuerzos de la guerra de información de Hezbolá está tal vez mejor representada por la historia de su brazo mediático, Al Manar, una cadena de televisión por satélite que transmite desde Beirut y se puede ver en todo el mundo. Después de la primera emisión de Al Manar (El Faro) en 1991, el canal comenzó emisiones regulares tres años después y ahora desempeña un papel crítico como principal punto de difusión de las noticias e información de Hezbolá. Al Manar comenzó a intentar influir en la opinión pública israelí mediante la difusión de imágenes reales del campo de batalla mostrando a soldados israelíes muertos y mutilados”, agregó.
El periódico israelí considera que tan impresionante como la televisión y la producción de vídeos de Hezbolá es su extenso uso de Internet y las nuevas tecnologías de la información.
El diario señala que Hezbolá está constantemente trabajando para perfeccionar sus capacidades técnicas como muestra su uso de redes de fibra óptica más rápidas que pueden impulsar lasu capacidad de transmisión de datos en tiempo real y proporcionar una defensa más perfeccionada contra las capacidades israelíes de guerra electrónica.
“Hezbolá no sólo impidió a las unidades israelíes perturbar sus redes de comunicación al sur del Río Litani en la Guerra de Julio de 2006, sino que usó un equipo sobre el terreno para perturbar los radares y sistemas de comunicación israelíes”.
“Por razones operacionales de seguridad, Hezbolá emigró a circuitos telefónicos cerrados que operan independientemente de las redes del gobierno libanés. Durante los combates en la ciudad siria de Qusair en 2013, Hezbolá volvió a demostrar su inclinación por la seguridad operacional al diseñar un sistema complejo que permitió a sus combatientes hablar libremente en comunicaciones de radio abiertas sin tener que preocuparse demasiado por la interceptación de sus conversaciones”.
Hezbolá ha sido una realidad desde principios de los ochenta y, dada su notable capacidad para operar en el entorno de la información, probablemente seguirá siendo el movimiento más dominante y capaz de Oriente Medio durante décadas por venir, concluye el Jpost.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

França: Abertas as incrições para Escola de Verão em Mídia Internacional, Ação Política e Tecnologias de Comunicação

Benjamin Ferron, Doutor em Ciências da Informação e Comunicação,
é um dos coordenadores do projeto Escola de Verão em Mídia Internacional,
 Ação Política e Tecnologias da Comunicação.
Pelo terceiro ano consecutivo, a Universidade de Paris 12 promove a Escola de Verão em Mídia Internacional, Ação Política e Tecnologias de Comunicação.O curso. com duração de duas semanas (3 a 13 de julho) acontece em Paris e reúne importantes pesquisadores da área.

O curso é ministrado em inglês durante o Verão Europeu. Mais informações sobre os palestrantes da edição 2017 e os prazos de inscrição podem ser consultados aqui.

A jornalista Nina Santos participou da edição de 2015 e traz aqui o seu depoimento:
A experiência foi excelente. A sala era pequena, com estudantes de excelente nível e de diversos países, o que tornava o debate extremamente rico.Os professores eram muito bons e apresentavam diversas perspectivas teóricas e metodológicas sobre os temas abordados. Este curso foi a minha porta de entrada para o doutorado na França, me permitiu começar a criar uma rede de contatos e referências que duram até hoje.


Os coordenadores do curso, Stéphanie Wojcik e Benjamin Ferron, são importantes pesquisadores na área de democracia digital e estão disponíveis durante todo o curso para orientar os estudantes. A universidade de Paris 12 abriga a rede DEL (Democracia
Eletrônica), uma das mais ativas redes de debate e pesquisa nessa área em Paris.

sábado, 22 de outubro de 2016

Minas Gerais tem a sua "bancada parlamentar do rádio"​

Em 64  anos, rádio de Minas Gerais "elege" 24 parlamentares


Por Carlos Eduardo Cherem, publicado originalmente no portal UOL

Uma das rádios mais populares entre os mineiros, a rádio Itatiaia tem ajudado a alavancar a carreira política de vários profissionais que participam ou participaram de sua programação. Já são 24 os integrantes da "bancada da rádio" ao longo dos seus 64 anos de história.

Os dois últimos foram Álvaro Damião (PSB), repórter de esporte, e Catatau da Itatiaia (PSDC), comentarista sobre direitos do consumidor, que foram eleitos vereadores em Belo Horizonte no início do mês.Uma das rádios mais populares entre os mineiros, a rádio Itatiaia tem ajudado a alavancar a carreira política de vários profissionais que participam ou participaram de sua programação. Já são 24 os integrantes da "bancada da rádio" ao longo dos seus 64 anos de história.
Além dos novos vereadores, há atualmente o apresentador João Vítor Xavier (PSDB) e locutor esportivo Mário Henrique Caixa (PV) que são deputados estaduais, e o apresentador de programa policial Laudívio Carvalho (SD), que é deputado federal.
Fundada em 1952, já foram 12 profissionais de comunicação eleitos para a Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, outros seis eleitos para Assembleia Legislativa de Minas, três para a Câmara Federal e um para a Câmara Municipal e Assembleia.
Junia Marise, por exemplo, além de vereadora, foi deputada estadual e federal, senadora e vice-governadora de Minas Gerais. E um dos mais conhecidos integrantes políticos da rádio é o jornalista Hélio Costa (PMDB), que foi deputado federal por dois mandatos, senador e ministro das Comunicações. Costa também se candidatou ao governo em 2010, mas acabou perdendo para o senador Antonio Anastasia (PSDB)
 "A rádio (Itatiaia) não incentiva, nem coloca obstáculos", afirma o proprietário da Itatiaia Emanuel Carneiro. "É direito do profissional participar do processo democrático", diz o radialista.
 Para Carneiro, o fato de diversos nomes da rádio ter sido eleito revela a "intimidade" com que os locutores têm com a população de Belo Horizonte. "A atenção que damos, em toda a programação, sobretudo no jornalismo e esporte, à opinião das pessoas, faz com que tenhamos intimidade com a população", diz o executivo.

Essa relação de "intimidade" com o ouvinte, na avaliação de Carneiro, é reforçada pela possibilidade de opinião dos comentaristas nos programas, e pelo fato de os repórteres estarem sempre nas ruas da capital mineira.

As paróquias do município
"Eles (os repórteres e locutores) vão para as paróquias, vão para as feiras, acompanham os casos de polícia. Eles trabalham nas ruas, não ficam na redação. Isso reforça a relação com a população, estão sempre presentes aos fatos. Isso faz diferença entre ter ou não ter penetração", diz Carneiro.

"Não vejo problema nenhum, deles serem candidatos. Se voltam (para a rádio) ou não, se forem eleitos, é decisão de cada um".

"Quase todos que se candidataram e perderam (a eleição), voltaram para a rádio. Alguns que vencem a eleição, às vezes não voltam por causa do acúmulo de atividades. Porém, se quiser voltar, pode voltar", afirma o executivo.

"Faz parte do jogo democrático".
O deputado federal Laudívio Carvalho (SD) explica que, embora não consiga manter o programa diário "Itatiaia Patrulha", às 17h, que tinha na rádio, após sua eleição em 2014, com as atividades legislativas que teve de assumir, ele continua participando de diversos programas da Itatiaia, sempre que pode.

"Mantenho contato com as pessoas, através da rádio, isso é muito importante. Participo direto dos programas, sempre emitindo a minha opinião", afirma o deputado.

"Meu voto é de opinião. Meu voto é de quem ouviu durante 35 anos a minha opinião, sobretudo sobre segurança, na Itatiaia", diz Carvalho.

"Me enterrem com meu radinho ligado na Itatiaia"
A professora da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), Nair Prata, diretora da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares de Comunicação) e vice-presidente da Associação Brasileira de História da Mídia, conta que Juvenal Rosalvo Bispo, 87, morador de Belo Horizonte, poucas horas antes de morrer em 2008, teve frustrado seu último pedido em vida: ter um rádio na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) no hospital onde estava internado para ouvir a programação da Itatiaia.  O filho dele tentou, mas não conseguiu entrar com o aparelho "escondido" no hospital.

No dia seguinte, em 11 de novembro de 2008, o jornalismo da rádio Itatiaia deu ampla cobertura ao enterro de Bispo no Cemitério da Paz, em Belo Horizonte.

"O filho, com a concordância da viúva e de outros parentes, colocou no caixão, junto ao corpo do pai, um rádio ligado na Itatiaia, com pilhas novas", diz a professora.

"A Itatiaia representa Belo Horizonte. Representa Minas Gerais. Não há qualquer outro órgão de imprensa no Estado que tenha essa condição", afirma Prata.

A especialista explica que não é somente a audiência da rádio na região metropolitana de Belo Horizonte que, segundo ela, a Itatiaia tem o primeiro lugar há décadas (com 94% da audiência na programação esportiva), que explica o sucesso dos seus locutores nas urnas.

Prata lembra que Belo Horizonte não é sede de nenhuma das grandes redes de televisão, que estão concentradas no eixo Rio-São Paulo e isso incomoda a população. "A última emissora genuinamente mineira, com forte programação local e de jornalismo, a TV Itacolomi, acabou no fim da década de 1970, causando grande comoção na população, que se sentiu órfã", diz.

Assim, explica a professora, quando a Itacolomi acabou, a rádio Itatiaia soube assumir o papel de "representar" a população, identificando-se como defensora dos interesses de Minas Gerais.

"O slogan da TV Itacolomi era "a TV de Minas". A Itatiaia adotou o slogan "a rádio de Minas" e soube incorporar muito bem esse papel de representante dos interesses da cidade, dos moradores", afirma.

"Mas não é só isso", diz a especialista. "O fato de ter duas redações, de jornalismo e de esportes, funcionando 24 horas por dia, com diversas equipes de repórteres na rua, mantendo uma cobertura ágil e de qualidade das notícias locais, sustenta também o prestígio da Itatiaia que é alguma coisa inabalável, pelo menos até hoje", afirma.

"Qualquer líder político, empresário, sindicalista, morador de rua, dona de casa, motorista de táxi que vá falar com a cidade, o faz pela Itatiaia", afirma Prata.

"Os locutores, apresentadores e repórteres da rádio, por tudo isso, são bastante conhecidos e prestigiados. E alguns deles se candidatam e conseguem ser eleitos. Outros não. Há também muitos que se candidatam, mas perdem a eleição", diz a pesquisadora.

A bancada da rádio Itatiaia em 64 anos

1. Alberto Rodrigues – vereador

2. Aldair Pinto – vereador

3. Álvaro Damião – vereador

4. Antônio Roberto – deputado federal

5. Catatau da Itatiaia – vereador

6. Dênio Moreira – deputado estadual

7. Dirceu Pereira – deputado estadual

8. Edson Andrade – vereador

9. Eduardo Lima – vereador

10. Eli Diniz – vereador

11. Fernando Sasso – vereador

12. Hélio Costa – deputado federal, senador e ministro

13. João Vítor Xavier – vereador e deputado estadual

14. José Lino Souza Barros – vereador

15. Junia Marise – vereadora, deputada estadual e federal, senadora e vice-governadora

16. Laudívio Carvalho – deputado federal

17. Mário Henrique Caixa – deputado estadual

18. Mário de Oliveira – deputado federal

19. Nelson Carvalho – deputado estadual

20. Olavo Leite Kafunga Bastos – vereador

21. Tancredo Naves – deputado estadual

22. Vilibaldo Alves – vereador

23. Wânia Carvalho – vereadora

24. Wellington de Castro – deputado estadual

domingo, 26 de janeiro de 2014

Novos livros franceses analisam a Comunicação Social e a Política

Dois livros que falam de perto a quem gosta, trabalha e pesquisa a Comunicação Social e a Política acabam de ser lançados na França. 
São eles: "Communication et marketing de l’homme politique", ( em tradução livre, Comunicação e Marketing do Homem Político), de Philippe J. Maarek, ex-presidente do Comité de Recherches en Communication Politique de l'Association Internationale de Science Politique (AISP/IPSA). 
Trata-se da quarta edição da obra, toda atualizada e lançada pela editora LexisNexis.
O livro tem a ambição de mostrar como as campanhas eleitorais são vistas por aqueles que moram no interior da França. Em um de seus capítulos, ele se dedica a analisar as eleições municipais francesas.
Com 545 páginas, na França, o livro custa EU$ 32,00. Mais detalhes, em francês, sobre a obra, clique aqui.
O outro livro é "Les mondes de la communication publique. Légitimation et fabrique symbolique du politique", (em tradução livre,  Os mundos da Comunicação Pública. Legimização e fabricação do simbolismo do político). A obra, editada pela Editora da Universitaires de Rennes, é organizada por tres pesquisadores de ponta, Aldrin, Nicolas Hubé, Caroline Ollivier-Yaniv, 
Jean-Michel Utard, todos associados ao Crape - Centre de Recherche sur l'action politique en Europe (Centro de pesquisa sobre a ação política na Europa).

Segundo informe da editora, o livro busca compreender a ação de legitimizar as ações políticas pelo olhar da Comunicação Pública. São feitas análises das práticas discursivas e semióticas dos atores sociais. 
Com 180 páginas, na França, o livro custa EU$ 18,00. Mais informações, em francês, sobre este livro, clique aqui.

domingo, 23 de junho de 2013

Opinião: As manifestações de junho e a mídia

Por Venício A. de Lima*, em Carta Maior

Apesar da proximidade cronológica, parece razoável observar que o estopim para as manifestações populares que estão ocorrendo no país foi o aumento das tarifas do transporte coletivo e a repressão violenta da polícia (vitimando, inclusive, jornalistas no exercício de sua atividade profissional) – não só à primeira passeata realizada em São Paulo, mas também à manifestação realizada antes da abertura da Copa das Confederações, em Brasília. A partir daí, um conjunto de insatisfações que vinha sendo represado explodiu.

A primeira reação da grande mídia, bem como das autoridades públicas, foi de condenação pura e simples das manifestações que, segundo eles, deveriam ser reprimidas com ainda maior rigor. No entanto, à medida que o fenômeno se alastrou, autoridades e mídia alteraram a avaliação inicial.

A grande mídia, então, passa a cobrir os acontecimentos como se fosse apenas uma observadora neutra, que nada tem a ver com os fatos que desencadearam – para o bem ou para o mal – todo o processo.

Centralidade da mídia
Nas sociedades contemporâneas, apesar da velocidade das mudanças tecnológicas, sobretudo no campo das comunicações, a centralidade da mídia é tamanha que nada ocorre sem seu envolvimento direto e/ou indireto. Qual teria sido esse envolvimento no desencadeamento das atuais manifestações?

Um primeiro aspecto chama a atenção. Pelo que se sabe as manifestações têm sido convocadas por meio de redes sociais. Isto é, através de um sistema de comunicação independente do controle da grande mídia.

Na verdade, a se confirmar que a maioria dos participantes é de jovens (em Brasília, um dos “convocadores” da “Marcha do Vinagre” tem apenas 17 anos), trata-se de um segmento da população que se informa prioritariamente pelas redes sociais na internet e não pela grande mídia – jornais, revistas, radio, televisão.

Apesar disso, um aspecto aparentemente contraditório, mas fundamental – revelado inclusive em cartazes dispersos nas manifestações – é que os manifestantes se consideram “sem voz pública”, isto é, sem espaço para expressar e ter a voz ouvida.

Desnecessário lembrar que a grande mídia ainda exerce, na prática, o controle do acesso ao debate público, vale dizer, das vozes que se expressam e são ouvidas. Além disso, a cultura política que vem sendo construída e consolidada no Brasil, pelo menos desde que a televisão se transformou em “mídia de massa” hegemônica, tem sido de desqualificação permanente da política e dos políticos. E é no contexto dessa cultura política que as novas gerações estão sendo formadas – mesmo não se utilizando diretamente da velha mídia.

Emerge, então, uma questão delicada.

A mídia e o system blame
Independentemente das inúmeras e verdadeiras razões que justificam a expressão democrática de uma insatisfação generalizada por parte de parcela importante da população brasileira, não se pode ignorar o papel da grande mídia na construção dessa cultura política que desqualifica sistematicamente a política e os políticos. E mais importante: não se pode ignorar os riscos potenciais para o regime democrático da prevalência dessa cultura política.

Recorri inúmeras vezes, ao longo dos anos, a uma arguta observação da professora Maria do Carmo Campello de Souza (já falecida) ao tempo da transição para a democracia, ainda no final da década de 1980.

Em capítulo com o título "A Nova República brasileira: sob a espada de Dâmocles", publicado em livro organizado por Alfred Stepan Democratizando o Brasil (Paz e Terra, 1988), ela discute, dentre outras, a questão da credibilidade da democracia. Nas rupturas democráticas, afirma ela, as crises econômicas têm menor peso causal do que a presença ou ausência do system blame (literalmente, "culpar o sistema"), isto é, a avaliação negativa do sistema democrático responsabilizando-o pela situação.

Citando especificamente os exemplos da Alemanha e da Áustria na década de 1930, lembra Campello de Souza que "o processo de avaliação negativa do sistema democrático estava tão disseminado que, quando alguns setores vieram em defesa do regime democrático, eles já se encontravam reduzidos a uma minoria para serem capazes de impedir a ruptura".

A análise da situação brasileira, há mais de duas décadas, parece mais atual do que nunca. A contribuição insidiosa da mídia para o incremento do system blame é apontada como um dos obstáculos à consolidação democrática. Vale a pena a longa citação:

A intervenção da imprensa, rádio e televisão no processo político brasileiro requer um estudo linguístico sistemático sobre o "discurso adversário" em relação à democracia, expresso pelos meios de comunicação. Parece-nos possível dizer (...) que os meios de comunicação tem tido uma participação extremamente acentuada na extensão do processo de system blame (...). Deve-se assinalar o papel exercido pelos meios de comunicação na formação da imagem pública do regime, sobretudo no que se refere à acentuação de um aspecto sempre presente na cultura política do país – a desconfiança arraigada em relação à política e aos políticos – que pode reforçar a descrença sobre a própria estrutura de representação partidária-parlamentar (pp. 586-7). (...)

O teor exclusivamente denunciatório de grande parte das informações acaba por estabelecer junto à sociedade (...) uma ligação direta e extremamente nefasta entre a desmoralização da atual conjuntura e a substância mesma dos regimes democráticos. (...) A despeito da evidente responsabilidade que cabe à imensa maioria da classe política pelo desenrolar sombrio do processo político brasileiro, os meios de comunicação a apresentam de modo homogeneizado e, em comparação com os dardos de sua crítica, poupam outros setores (...). Tem-se muitas vezes a impressão de que corrupção, cinismo e desmandos são monopólio dos políticos, dos partidos ou do Congresso (...). (pp.588-9, passim).

Avanços e riscos
As manifestações populares devem, por óbvio, ser vistas por aqueles em posição de poder como uma oportunidade de avançar, de reconsiderar prioridades e políticas públicas.

Do ponto de vista da grande mídia, é indispensável que se reflita sobre o tipo de cobertura política que vem sendo oferecida ao país. Encontrar o ponto ideal entre a fiscalização do poder público e, ao mesmo tempo, contribuir para o fortalecimento e a consolidação democrática, não deveria constituir em objetivo da grande mídia? A quem interessa a ruptura democrática?

Apesar de ser um tema delicado e difícil – ou exatamente por essa razão – é fundamental que se considere os limites entre uma cobertura sistematicamente adversária da política e dos políticos e os riscos de ruptura do próprio sistema democrático.

A ver.




*Jornalista e sociólogo, professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado),
pesquisador do Centro de Estudos Republicanos Brasileiros (Cerbras) da UFMG.

Artigo publicado originalmente na revista Teoria & Debate.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

PTB-SP lança seu canal de TV na web

O PTB-SP apresentou na quinta-feira (20) às lideranças sociais, políticas e empresariais a TV PTB, ou TV 14. Com a inciativa, o partido quer mostrar que está conectado com a modernidade e a transparência. A TV 14 utilizará a plataforma Web para veicular uma programação inédita, com estúdio e produção próprios que levarão o nome do falecido senador Romeu Tuma que encerrou sua trajetória política no PTB.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

IV Encontro da Compolítica, Associação Brasileira dos Pesquisadores em Comunicação e Política.

Enviado por Alessandra Aldé (PPGC-UERJ)

Encontra-se aberta a inscrição de propostas de trabalho para o IV Encontro da Compolítica, Associação Brasileira dos Pesquisadores em Comunicação e Política. O Encontro será realizado entre 13 e 15 de abril de 2011, na UERJ, Universidade do Estado do Rio de Janeiro.Maiores informações sobre a Associação, o Encontro e a submissão de resumos podem ser obtidas no site www.compolitica.org