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sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Rádio: FM Nacional chega em mais dez cidades brasileiras


Serviço vai garantir mais acesso à informação, cultura e lazer para quase 4 milhões de habitantes
 


Por Chico Sant'Anna

A Rádio Nacional, emissora da Empresa Brasileira de Comunicações, com sede em Brasília vai poder agora ser sintonizada em Frequência Modulada em dez outros municípios brasileiros, como se fosse uma emissora local. As portarias autorizado esse funcionamento foram publicadas pelo Ministério das Comunicações (MCom), no Diário Oficial da União (DOU), na sexta- feira (8/12)

Os estados com maior número de autorizações foram Mato Grosso do Sul e Alagoas, contemplando moradores das cidades sul-mato-grossenses de Dourados, Corumbá e Andradina e os alagoanos de Batalha, Marechal Deodoro e Penedo.

Também fazem parte da lista de contemplados a população de Palotina (PR) e Niterói (RJ), além do município mineiros de Januária e do sergipano de Poço Redondo. Ao todo, são quase quatro milhões de habitantes com acesso à informação, cultura e lazer.

O funcionamento de cada estação está condicionado à autorização para uso da radiofrequência e emissão da licença de funcionamento.

UF

Município

Canal

-AL

Batalha

260

AL

Marechal Deodoro

236

AL

Penedo

244

MG

Januária

217

MS

Corumbá

231

MS

Dourados

219

MS

Nova Andradina

196

RJ

Niterói

194

SE

Poço Redondo

207

PR

Palotina

237

 

domingo, 18 de junho de 2023

Rádio: Nova Brasil FM ganha um toque candango

Apesar de a Constituição Federal determinar a obrigatoriedade da regionalização da produção de conteúdos jornalísticos, são poucas as redes nacionais de radiodifusão que cumprem à norma. Na maioria dos casos, essas redes geram seus conteúdos padronizados para todo o Brasil, a partir de uma cabeça de rede, no Rio de Janeiro ou São Paulo. Dessa forma, na Amazônia sabe-se mais sobre as águas do Rio Tietê do que do Rio Negro.

Vários teóricos da comunicação não se cansam de colocar que a saída para uma boa rede nacional ou mesmo internacional de informação é priorizar o local. E esse parece ser agora o caminho a ser trilhado pela Nova Brasil FM. 

A rede nasceu, em 2.000, dos escombros da Rede Manchete FM, cujas emissoras foram adquiridas pelo ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, já falecido. As cinco emissoras da Manchete, inclusive a de Brasília, estavam na ocasião arrendadas à Igreja Renascer em Cristo.

Com os novos proprietários, a programação deixou a pregação de lado e passou a focar fortemente a MPB, samba e outros grandes ritmos da música nacional. O jornalismo nunca foi uma marca registrada, apenas algumas notas informativas, muitas vezes desatualizadas e, ainda assim, com um viés paulistano, já que a chamada cabeça de rede sempre foi em São Paulo.

Agora, o ventos parecem estar mudando. O slogan Nova Brasil FM: mais moderna, mais brasileira, ganha um novo adjetivo: mais brasiliense. A iniciativa, além de propiciar ao ouvinte brasiliense informações sobre fatos mais próximos de sí mesmo, é importante para revitalizar o combalido mercado de trabalho de jornalistas e comunicadores da Capital Federal.
Mas quem nos traz - na terceira pessoa - os detalhes de toda essa empreitada é o jornalista Diego Amorim, ex-Antagonista, que acumula a direção da emissora na Capital Federal e o trabalho tradicional de jornalista.
Confira.

 

Do Setor de Rádio e TV Sul, todas as manhãs, Diego Amorim
 e Hariane Bittencourt comandam o Jornal Nova Brasil Brasília.
Prestes a completar 22 anos em Brasília, no próximo dia 29, a Nova Brasil FM tem oxigenado a sua programação local e conquistado uma identidade cada vez mais brasiliense. De 8h às 9h, o jornalista Diego Amorim, que acumula o cargo de diretor-executivo da rádio desde agosto de 2022, ancora o Jornal Nova Brasil Brasília ao lado de Hariane Bittencourt, uma das melhores repórteres de sua geração, que também atua na Record TV.

O toque brasiliense mais acentuado fica por conta
 de Marcia Zarur, ex-Globo, na coluna Nossa Cidade.
Em junho, houve a estreia de uma série de colunas dentro do jornal local, com destaque para um reforço de peso no time: Marcia Zarur, ex-Globo, e que, ao lado da jornalista Samanta Salu lideraram o movimento "Mexeu com Brasília, Mexeu Comigo", em defesa da preservação da Capital Federal.

Ela, agora, está todas as segundas-feiras no dial da emissora: assina a coluna "Nossa cidade".

Há sete meses, a nova sede da Nova Brasil FM em Brasília foi inaugurada, em um espaço arrojado e moderno, com dois estúdios no último andar da torre comercial do shopping Pátio Brasil, no coração do Plano Piloto.

Desde a aquisição da Nova Brasil FM pelo Grupo Thathi de Comunicação, a rádio tem se modernizado e há um grande investimento na praça de Brasília, de onde reportagens e colunas são produzidas para veiculação também na rede e nas TVs do grupo, no interior de São Paulo.

Bárbara Lins, antes na CBN, agora ancora
o Mesa pra Dois Brasília.
Outra novidade recente na Nova Brasil FM da capital federal foi a contratação de Bárbara Lins, um fenômeno nas redes sociais e conhecida na cidade por seu site Descobertas Bárbaras. Na internet ela revela todos os melhores cantinhos do DF e do Entorno para curtir aquele fim de semana, um feriado prologado, tudo com as raízes na natureza do Planalto Central.

Na emissora, Bárbara assumiu, em maio, o comando do Mesa pra Dois Brasília, programa que alia informação leve, boas entrevistas e muita música brasileira, claro.

"A Nova Brasil FM é uma marca já consagrada e com rejeição praticamente zero. Não há quem não goste da Nova Brasil. Temos conseguido fazer com que a rádio seja um lugar de bons contrastes, por onde passam autoridades locais e nacionais, políticos influentes e gente da cena cultural do nosso quadradinho. A rádio é da cidade", comentou o diretor-executivo da rádio, Diego Amorim.

De acordo com os levantamentos mensais do Kantar Ibope, a Nova Brasil FM em Brasília costuma ser a rádio mais feminina da cidade -- com o maior percentual de mulheres entre os ouvintes -- e uma das líderes de afinidade com o público das classes A e B da capital, ou seja, a rádio com a qual essa audiência mais se identifica.

Em Brasília, a sintonia da Nova Brasil é a 97,5 FM. A rádio está nas redes sociais (Instagram, Tik Tok, Twitter e YouTube) e toda a programação local é também transmitida ao vivo com imagens. A Nova Brasil FM tem, ainda, o seu aplicativo próprio, disponível para os sistemas Android e IOS.

A programação da rede conta com outros nomes consagrados no jornalismo e no rádio, como Heródoto Barbeiro, Mauro Tagliaferri, Michelle Trombelli, Lorena Calabria, Roberta Tiepo, Luciano Oliva, Ana Pellicer, Fabiane Pereira e Didi Couto.

Sendo a maior rede de rádio do país de música 100% brasileira, a Nova Brasil FM tem entre as suas bandeiras a brasilidade, a inclusão, a pluralidade e a valorização da identidade nacional, temas explorados nos programas da faixa das 22h. O Samba Nova, aos fins de semana, faz tanto sucesso que agora está também na programação da semana, de 20h às 21h.

Nova Brasil FM: mais moderna, mais brasileira, ... mais brasiliense.

domingo, 11 de setembro de 2022

Cem anos da rádio cubana. O som de um país dentro da pele

Cem anos de transmissões continuadas, mais de 60 sendo – nas palavras de Fidel – «a artilharia pesada da Revolução». A rádio em Cuba é o som de um país dentro de sua pele.

Por Laura Mercedes Giraldez informacion@granmai.cu, publicado anteriormente em Prensa Latina

Está raiando o dia. Antes que seja posta no fogo a primeira cafeteira do dia, um lar se aproxima ao mundo exterior através do éter. Fora da hora, o dial indica que o pacto do motorista com a solidão do caminhão terminou. Ao mesmo tempo em que vigia a frigideira, alguém procura uma emissora à espera de sua novela favorita. Enquanto do outro lado da porta uiva o vento, em torno de uma rádio, as pessoas escutam novidades acerca da trajetória de um furacão. Com a esperança fixa no escopo desse meio de comunicação, um músico jovem espera sua estreia.

Desde que, em 22 de agosto de 1922, Luis Casas Romero e seu filho Luis Casas Rodríguez puseram no ar a primeira transmissão de rádio em Cuba, o cotidiano da Ilha maior das Antilhas abriu um espaço vital à radiodifusão.

Com uma emissora de reduzida potência, situada na rua Ánimas No. 99, a 2lc se converteu na emissora que, após as 21 horas, iniciava a sua programação musical, acompanhada pela informação da previsão do tempo. Única em nosso país, das primeiras no continente. Seríamos pioneiros também na locução feminina na América Latina: Zoila Casas Rodríguez aderiu à façanha familiar. Mais tarde legaríamos ao mundo a radionovela.

A rádio é a proximidade que se cria entre o locutor e seu ouvinte. É a intimidade do sussurro, a história que, através da palavra, penetra nas mentes, a voz acompanhante, a possibilidade de escutar imagens, os caminhos tresandados pelas pessoas.

Cem anos de transmissões continuadas, mais de 60 sendo – nas palavras de Fidel – «a artilharia pesada da Revolução». A rádio em Cuba é o som de um país dentro de sua pele.

sábado, 4 de junho de 2022

Livro resgata a história de Landell de Moura: o brasileiro que inventou o rádio

Landell, segundo explica o biógrafo, patenteou o rádio no Brasil e nos Estados Unidos. “Eu consegui aprofundar uma série de aspectos nessa nova pesquisa. Tem uma informação também que eu considero muito importante é que a invenção dele nos Estados Unidos foi reconhecida por outros inventores. Consegui encontrar provas disso (e estão no livro)”.


Acaba de sair do prelo a nova obra de Hamilton Almeida, ela versa sobre o padre Landell de Moura, inventor do rádio. O livro é uma produção independente. A história de Roberto Landell de Moura é “um retrato das vicissitudes que marcam a trajetória da ciência brasileira”, define o professor doutor Gildo Magalhães, da USP.

Com poucos recursos financeiros, foi pioneiro na transmissão da voz por ondas de rádio, projetou a televisão etc. Abriu a porta que, nos tempos modernos, viabiliza diversas invenções sem fio, como o telefone celular. Envolto, porém, no conflito secular entre obscurantismo e ciência, teve os sonhos despedaçados, ficando à margem da memória oficial.

Sobre Landell de Moura, leia também:

Este livro lança novas luzes sobre a sua biografia. Detalha a inédita experiência wireless, revelando o conteúdo da mais antiga mensagem via rádio. Mostra que, nos EUA, ele foi reconhecido por outros inventores e que o seu nome transita entre membros do renomado IEEE – Institute of Electrical and Electronics Engineers, a maior organização profissional técnica do mundo.

A obra postula um lugar na galeria dos gênios das telecomunicações para o brasileiro que inventou o wireless.

Você pode assistir aqui ao documentário sobre Landell de Moura, dirigido por Deraldo Goulart



O Autor

Hamilton Almeida é jornalista. Começou a pesquisar as façanhas do Padre Landell ainda estudante na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Não parou mais até esculpir esta obra-mestra. Iniciou a carreira profissional em São Paulo, como repórter da agência Telenotícias, do Grupo Visão. 

Em Porto Alegre, foi repórter de economia do jornal Zero Hora por mais de uma década. Em Buenos Aires, correspondente de ZH e, depois, da Gazeta Mercantil Latino-Americana, além de colunista da revista Imprensa e colaborador da rádio BBC, de Londres, para assuntos de economia. 

Investigações na capital do país vizinho levaram à escrita de Sob os olhos de Perón: o Brasil de Vargas e as relações com a Argentina (Record, 2005). De volta ao Brasil, atuou na CDN e é colaborador da revista Química e Derivados.

Serviço:

  • Título: Padre Landell: o brasileiro que inventou o wireless
  • Autor: Hamilton Almeida
  • Prefácio: Gildo Magalhães
  • Número de páginas: 344 - Formato: 16 x 23 cm
  • ISBN: 978-85-524-0224-4.

sábado, 17 de abril de 2021

Opinião: Ditadura do Mercado sobre a Comunicação


Num país em que o povo não tem acesso a leitura de jornais e revistas e onde o noticiário de rádio e tv é marcado por uma linha editorial escandalosamente a favor da demolição dos direitos trabalhistas, previdenciários e da comunicação, a defesa da Voz do Brasil deveria ser parte da agenda de lutas dos sindicatos dos jornalistas e trabalhadores em geral, da Fenaj, da ABI e dos partidos progressistas, tendo em vista que somente naquela uma hora os cidadãos têm acesso à totalidade de informações  sobre atos oficiais que decidem sobre sua vida, 


Por Beto Almeida*

A Voz do Brasil é a primeira experiência bem sucedida de regulamentação informativa no Brasil, determinando que pelo menos uma hora ao dia, em cadeia nacional, seja destinada pelas emissoras de rádio (concessionárias da União), à transmissão de informações dos poderes constituídos, o que, frequentemente, é negado pelas mentalidade editorial dos empresários da comunicação, submetida aos ditames do mercado. Em sua gana insaciável por acumulação, estes magnatas da comunicação pressionam pela flexibilização do horário de exibição da Voz do Brasil, sempre com o intuito extinguir o programa, pois nele vêm um exemplo exitoso e perigoso de regulamentação informativa, tese que abominam, em favor de uma absoluta ditadura do mercado sobre a comunicação. Nesta pressão que exercem sobre os poderes constituídos, os magnatas da mídia já tiveram o apoio até de um Ministro da Comunicação do PT, Paulo Bernardo, que, presente a um Congresso da ABERT, defendeu , lamentavelmente, a flexibilização da Voz do Brasil, durante o governo Dilma Rousseff.

Num país em que o povo não tem acesso a leitura de jornais e revistas e onde o noticiário de rádio e tv é marcado por uma linha editorial escandalosamente a favor da demolição dos direitos trabalhistas, previdenciários e da comunicação, a defesa da Voz do Brasil deveria ser parte da agenda de lutas dos sindicatos dos jornalistas e trabalhadores em geral, da Fenaj, da ABI e dos partidos progressistas, tendo em vista que somente naquela uma hora os cidadãos têm acesso à totalidade de informações  sobre atos oficiais que decidem sobre sua vida, ao contrário dos noticiosos das emissoras privadas, sempre manipulados pelos interesses dos anunciantes e dos proprietários das empresas de comunicação, jamais dispostos a reconhecer o direito à comunicação como um direito constitucional da sociedade.

Portaria

A portaria do Ministério das Comunicações autoriza a veiculação fora do intervalo de 19h às 22h quando as emissoras optarem por transmitir jogos da seleção brasileira de futebol ou jogos de equipes brasileiras em campeonatos estaduais, nacionais, sul americanos ou internacionais. Se o início do jogo estiver marcado entre 19h e 20h30, o programa poderá ser retransmitido, sem cortes, com início até as 23h do mesmo dia. Se o início do jogo estiver marcado para depois de 20h30, A Voz do Brasil poderá ser transmitida, sem cortes, antes do jogo ou com início até 23h30 do mesmo dia.

Dispensa de retransmissão

Está prevista a dispensa da retransmissão do programa nos casos em que o jogo que estiver sendo transmitido vá para prorrogação ou resulte em decisão por cobrança de pênaltis, impedindo seu término até os horários limites fixados para o início da retransmissão; ou caso ocorra “alguma situação de força maior durante o jogo que impeça seu término até os horários limites fixados para início da retransmissão”.

*Beto Almeida é jornalista

sábado, 13 de março de 2021

A regionalização da produção pelas mãos do Cade

 

Programa Carrosel, na TV Brasília, marcou época na
transmissão local de conteúdos na Capital Federal

Avaliando as chamadas “condutas anticompetitivas” nos segmentos de TV aberta e por assinatura, o Cade aponta que a estruturação em redes, para efeitos de concentração, "é negativa, pois limita a variedade de conteúdo, sendo transmitida menos programação do que existiria, se cada geradora fosse diretamente responsável pelos produtos audiovisuais transmitidos".


Por Chico Sant’Anna*
Publicado originalmente no Observatório da Imprensa

 

 A Constituição Federal definiu, após mobilização da Fenaj, Fitert e Fitel, que a produção educativa, cultural e jornalística no rádio e na televisão deve ser regionalizada. O artigo 221, porém, nunca vigorou devido à falta de regulamentação. Não por falta de iniciativas. A pressão de grandes redes midiáticas e a chamada bancada da mídia nunca permitiram que isso acontecesse. Agora, estudo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica – Cade, órgão do ministério da Justiça com poder de avaliar a existência de cartéis e monopólios na economia brasileira, pode fazer com que a regionalização venha acontecer.

Desde 1988, a concentração da produção midiática se exacerbou, chegando ao rádio. Pela lei, não existe emissora repetidora de rádio. Todas são geradoras e, como tal, obrigadas a produzir localmente seus conteúdos. O modelo da TV, contudo, migrou pro rádio. Emissoras regionais passaram a ser simples retransmissoras da produção do Centro-Sul, notadamente, do Rio de Janeiro e São Paulo.

Avaliando as chamadas “condutas anticompetitivas” nos segmentos de TV aberta e por assinatura, o Cade aponta que a estruturação em redes, para efeitos de concentração, "é negativa, pois limita a variedade de conteúdo, sendo transmitida menos programação do que existiria, se cada geradora fosse diretamente responsável pelos produtos audiovisuais transmitidos".

Para o Cade, a concorrência pela audiência das programações só ocorre entre as cabeças de rede de abrangência nacional. "Historicamente, a última entrada significativa no mercado de cabeças de rede nacionais se deu em 1999, com a entrada da Rede TV. Portanto, tal mercado não é dinâmico. O mercado é também altamente verticalizado, uma vez que para se tornar uma cabeça de rede nacional, a empresa deve atuar simultaneamente nas etapas de transmissão de conteúdo, programação e produção de conteúdo", aponta o órgão.

Embora o Cade não mencione, há o inciso II, do artigo 221, até hoje desrespeitado, que prevê a produção independente que objetive a divulgação da cultura nacional e regional.

A bandeira da regionalização, levantada na década de 80 pelos trabalhadores do setor, tinha como pano de fundo preservar as diferentes culturas regionais, dar espaço a valores locais, evitar a pasteurização da informação, e fomentar maior geração de emprego e renda.

Gerações que nasceram após o advento das transmissões via satélite não vivenciaram os telejornais locais, que tratavam de temas locais, nacionais e internacionais. Tão pouco os programas musicais e humorísticos das diversas cidades. Aqui mesmo no DF, a TV Brasília embalou gerações com programas do tipo Carrossel, Quem Sabe Viaja. Nomes como Carranquinha e Titio Darlan encantaram milhares de crianças. Hoje, não teriam espaço na grade de programação.

Na música, valores locais como Ney Matogrosso, Cassia Eller, Paralamas do Sucesso, dentre tantos outros, só conseguiram vingar depois que migraram para o Rio e São Paulo e lá obter a visibilidade midiática que só as cabeças-de-rede propiciam. Até no Jornalismo, do Planalto Central, muita gente foi buscar espaço no Rio e São Paulo. Vide os casos recentes de Poliana Abrita e Tadeu Schmidt, mas no passado teve também Amália Rocha, Mauro Naves, Ana Paula Padrão, Leilane Neubarth, dentre vários e várias outras.

Para as empresas é mais barato produzir e mais fácil gerir uma só grade de programação, difundida nacionalmente. Se reduz custos, este modelo diminui a oferta de trabalho, a diversificação cultural e informativa e fortalece uma agenda temática formulada a partir de uma única perspectiva. Com as grandes redes, o caboclo da Amazônia sabe mais das enchentes do Tietê do que as dos igarapés amazônicos.

O Cade aponta ainda como condutas anticompetitivas os contratos de direito de transmissão de eventos esportivos. "Principalmente com relação ao abuso de poder econômico, abuso de posição dominante e acordo de exclusividade". Nos anos 70, em Brasília, podia se ver o futebol do Rio, na Globo, o paulista, na Bandeirantes, e o do Rio Grande do Sul, na TV Nacional – hoje TV Brasil – já que os generais de plantão apreciavam o futebol gaúcho. Hoje, na maioria dos casos, o jogo é um só para todo o Brasil. O espectador é obrigado a torcer ou secar times que não lhe dizem nada culturalmente.

Não se sabe até onde o Cade pretende levar suas conclusões. Pautaria o governo a disciplinar a regionalização da produção de rádio e TV? O momento atual, em que o Palácio do Planalto tem se bicado com a maioria dos grandes conglomerados midiáticos, pode ser um elemento motivador para que o Executivo proponha um novo modelo.

Pensar num país com as dimensões do Brasil com um só cardápio de conteúdos midiáticos é ruim e joga contra a criatividade regional. Entretanto, mudar de supetão as regras da produção teleradiofônica, principalmente depois dos efeitos econômicos da Covid, pode ser nocivo à maioria dos meios de comunicação e levar alguns à sucumbência.

Regulamentar o artigo 221 por “canetada”, seja medida provisória ou norma do Cade, não seria de bom alvitre. O Congresso Nacional é que deveria tomar à frente a responsabilidade. Junto com a regionalização, a exemplo do que ocorre em países como a França, deveria pensar também na regulamentação da distribuição de verbas publicitárias, públicas e privadas, para que mídias locais, regionais e nacionais sobrevivam. Lá, canais nacionais de TV, por exemplo, não veiculam propaganda do varejo. Essa publicidade cabe às mídias locais, impressas, radiofônicas ou televisivas. 

Mas esse é um debate mais profundo, que fica para outro artigo.

 

 

*Chico Sant’Anna é jornalista, documentarista e pesquisador em Comunicação, com Doutorado pela Universidade de Rennes 1 – França. Durante a Constituinte, era vice-presidente Regional da Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj, tendo atuado diretamente nas gestões para a redação do Capítulo da Comunicação Social, na Constituição de 1988.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Musical recupera a Era de Ouro do Rádio brasileiro

Por Chico Sant'Anna


Uma trupe de Brasília se lançou no desafio de recuperar para o teatro um pouco do que foi a era de ouro de No tempo de Noel Rosa, o musical. Quando o ator Gilson Montblanc, que pessoalmente teve experiências em rádio comunitária, decidiu escrever o roteiro, tomou por base a biografia homônima de Almirante, que era grande amigo de Noel Rosa, ou seja, o texto narra toda a vida do compositor de forma não-linear e recria o clima carioca da Era do Rádio.
Os dados históricos que compõem o espetáculo servem de apoio para retratar um Noel Rosa enquanto pessoa e não do mito musical. Segundo o ato e roteirista Gilson Montblanc – que é habitué do casarão do samba da Escola de Samba, Aruc, em Brasília, o musical é o primeiro a ser realizado aqui em Brasília tendo o samba como foco.
Coincidência, ou não, a homenagem a Noel acontece poucos meses antes de Brasília ser lembrada na Sapucaí pela Escola de Samba Vila Isabel (escola do Noel Rosa) pela passagem do seu 60º aniversário será homenageada.
A peça
O espetáculo é uma oportunidade de conhecer o universo do compositor e sambista Noel. Ele que teve papel de importância para a transição da música popular brasileira. A plateia poderá visitar o que foi o cenário carioca daquela época, já que o cenário será inspirado nos Arcos da Lapa, bairro onde Noel Rosa compôs grande parte de suas obras.

Na trilha sonora estão presentes sucessos como “Fita Amarela”, “Com que Roupa”, “Vamos falar do Norte”, “O orvalho vem caindo”, “Conversa de botequim” e marchinhas de carnavais cantadas pelo cantor e compositor Braguinha.
A peça será encenada ao longo dos meses de novembro e dezembro nos barracões das duas principais escolas de samba de Brasília, Aruc e Acadêmicos da Asa Norte e teatros do Plano Piloto, Taguatinga, e Samambaia.

           
Serviço: 
Peça: No tempo de Noel Rosa, o musical
Companhia: Cia Teatral Hablado
Autor: Gilson Montblanc

Direção: Rai Melodia


Elenco:
Carlos Neves (Almirante), Gilson Montblanc (Ademar Casé), Marcelo Felga (Braguinha), Yago Queiroz (Cartola), Sérgio Souza (Wilson Batista), Revacy Moreira (Aracy adulta), Júlia Sagatiba (Aracy jovem), Daniel Fernandes (Violão e voz), Jane Azevedo (Ceci), Mônica Fernandes (Margot), Sara Lima (Neyde), Marcelo Dorini (Severino) e Cris Santos (Neidoca)
Iluminação e sonoplastia: Albergue D’Lima
Datas:
  • 09 novembro/19 às 20h, no Teatro da Praça – Taguatinga
  • 10 novembro/19 às 15h, na Escola de Samba Acadêmicos da Asa Norte
  • 16 e 17 de novembro/19, às 20h no Brasília Shopping
  • 23 e 24 de novembro/19, às 20h no Teatro Mapati – Asa Norte
  • 08 dezembro, às 16h na Aruc – Cruzeiro Velho
  • 13 dezembro. Às 21h Complexo Cultural Samambaia



Informações: CiaTeatralHablado@gmail.com ou pelos fones 61 99827-8553 (Gilson) ou 61 98334--1333 (Rai)


quinta-feira, 15 de agosto de 2019

GDF decide privatizar gestão da Rádio Cultura FM

Por Chico Sant'Anna


Esse ano de 2019 de fato não está sendo um bom ano para a radiodifusão pública. Depois do governo federal decidir fechar a legendária Rádio MEC, do Rio de Janeiro,  e de nomear um general para dirigir a Empresa Brasileira de Comunicação, holding da Rádio Nacional e da TV Brasil,  agora é a vez da radiodifusão pública da Capital Federal ser atacada.
O governador Ibaneis Rocha decidiu privatizar a gestão do único veículo do comunicação pública do Distrito Federal, a Rádio Cultura FM.
Para saber mais sobre esse tema, continue a leitura aqui:

segunda-feira, 8 de julho de 2019

FNDC condena decisão de Bolsonaro de fechar a Rádio Mec

Rádio mais antiga do Brasil será extinta por Bolsonaro. A extinção da emissora é arbitrária, antidemocrática e fere a diversidade e a pluralidade previstas na Constituição Federal.



O governo de Jair Bolsonaro planeja extinguir a Rádio MEC AM, do Rio de Janeiro, emissora mais antiga do país, e que atualmente compõe o sistema de radiodifusão da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A informação foi dada na semana passada pelo jornalista Lauro Jardim, colunista do diário O Globo. Segundo ele, a emissora fica no ar até o próximo dia 31 de julho, quando deverá ser desligada. Embora não tenha havido ainda um anúncio oficial da extinção, trabalhadores da emissora já estão sendo informados da decisão, que se configura no mais recente e grave ataque do atual governo contra a comunicação pública e o patrimônio histórico e cultural do país.   

A MEC é a primeira rádio do Brasil, no ar desde 1923. Sua história de pioneirismo começou como Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, criada pelo antropólogo Edgard Roquette-Pinto, considerado o pai da radiodifusão nacional. Com cerca de 50 mil registros e produções, a emissora possui um patrimônio de gravações de depoimentos que vão de Getúlio Vargas a Monteiro Lobato, passando por crônicas de Cecília Meireles e Manuel Bandeira.

A programação é totalmente voltada para a difusão da cultura brasileira. Contempla toda a diversidade da música nacional, de gêneros como o choro, a música regional, a música instrumental e de concerto. Tem ainda programas dedicados a literatura, cinema, dramaturgia e as artes como um todo. A Rádio MEC AM preenche, portanto, uma demanda de programação de qualidade que não é oferecida, nem de longe, pelas emissoras comerciais. Por causa disso, possui um público fiel e entusiasta de ouvintes. A extinção da emissora atenta gravemente contra o direito à comunicação da população brasileira, e carioca, em particular, de poder contar com alternativas de programação no rádio que tenham relevância cultural e artística. Ao mesmo tempo, é uma decisão que agride o segmento artístico e cultural do país, ao encerrar um espaço importantíssimo de projeção desse patrimônio brasileiro, sem contar o próprio ataque à memória, já que a história dessa emissora fala por si e justifica não apenas sua existência, mas a necessidade de sua preservação e promoção.

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) repudia com veemência a eventual extinção da Rádio MEC AM, por considerar que isso prejudicará a diversidade e pluralidade que devem guiar o sistema de mídia no Brasil, além de ser uma decisão arbitrária e antidemocrática, mais um capítulo do desmonte da EBC e da comunicação pública. Não há justificativa plausível para essa decisão. O argumento de que é preciso "cortar custos" da EBC não encontra respaldo na realidade, já que a empresa fechou o ano de 2018 com lucro líquido de mais R$ 20 milhões. Além disso, a EBC, por lei, deveria contar com receita extraordinária de mais de R$ 2 bilhões, oriunda da Contribuição para Fomento da Radiodifusão Pública (CFRP), que são recursos arrecadados das empresas de telecomunicações para financiar a comunicação pública no país, como prevê a Lei 11.652/2007. Esses recursos, no entanto, têm sido usados pelo governo para fazer superávit primário, desvirtuando por completo sua destinação original prevista na legislação.

Além disso, é completamente irracional a decisão de eliminar um ativo que agrega audiência relevante e qualificada e ajuda a manter uma importante referência de comunicação pública na sociedade. Nesse sentido, reafirmamos nossa disposição em defesa da EBC e lutaremos para que a decisão de extinguir a rádio MEC AM seja revertida. A comunicação pública é um pilar democrático e atacá-la dessa forma é atacar a própria democracia. Não nos calaremos.

Brasília, 8 de julho de 2019.

Acadêmicos de Comunicação Social protestam contra o fechamento da Rádio MEC

Pesquisadores e professores da área de Comunicação representados pelas entidades abaixo assinadas vêm a público repudiar a notícia de que a Rádio MEC AM será extinta no fim do mês, conforme publicado pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, na última sexta-feira, dia 5 de julho de 2019. A Rádio MEC AM é a mais antiga emissora em operação contínua, figurando entre as primeiras iniciativas de radiodifusão no país, ao lado da Rádio Clube de Pernambuco, criada em 1919. 

Com o nome Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, foi inaugurada em 1923 por um grupo de intelectuais liderados pelo antropólogo Edgard Roquette-Pinto, um dos pioneiros da divulgação científica no Brasil. 

Em 1936, Roquette-Pinto doou a emissora ao Ministério da Educação, com a condição de que fosse assegurada sua preservação como rádio educativa e cultural. Com a extinção de sua fundação mantenedora, a MEC AM foi transferida na última década para a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), holding de comunicação pública do governo federal.

O fim da Rádio MEC AM, portanto, é injustificável pois configura o rompimento de um contrato de cessão da emissora ao governo federal.. Além disso, ofende a memória de Roquette-Pinto, que se dedicou por décadas à educação e à cultura nacional. Por seus estúdios e redações, passaram grandes nomes da cultura nacional, como os maestros Villa-Lobos, Isaac Karabtchevsky e Guerra Peixe, os escritores Mário de Andrade, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Fernando Sabino e Manuel Bandeira, a atriz Fernanda Montenegro, a cantora Bidú Saião e o jornalista e ex-senador Arthur da Távola.

Entendemos que, após o decreto que autorizou a migração de emissoras AM para a Frequência Modulada, em 2014, a sustentabilidade de quem permanecesse nas ondas médias ficaria comprometida. Apesar dos apelos de pesquisadores e professores de rádio, a EBC não solicitou a migração da MEC AM. 

É trágico que não tenha sido buscada uma solução para assegurar a viabilidade desse importante canal de comunicação pública e educativa, mantido por uma equipe de alto nível, a despeito de todas as dificuldades decorrentes da falta de investimentos básicos em infra-estrutura na EBC nos últimos anos.

Solicitamos ao governo federal, na figura do secretário de Governo da Presidência da República, general Luiz Eduardo Ramos, que reveja a decisão e busque uma alternativa para a emissora, que há 96 anos promove a educação e a cultura, ajudando a integrar o território nacional. Sugere-se que a emissora seja realocada em FM e que retome sua denominação original, Rádio Sociedade do Rio de Janeiro.

Respeitosamente,
Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom
Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom)
Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação (Socicom)
Rede de Rádios Universitárias do Brasil (RUBRA)
Rede de Pesquisa em Radiojornalismo (RadioJor)
Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia (ALCAR) 
Grupo de Trabalho História da Mídia Sonora (Associação Brasileira de História da Mídia - Rede Alcar)
Associação Brasileira de Professores de Jornalismo (ABEJ) 

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Rádio Senado é finalista do prêmio CNBB

Larissa Bortoni, Maurício de Santi e Rodrigo Resende
 concorrem ao prêmio CNBB
A Rádio Senado é finalista do prêmio CNBB “Microfone de Prata” e, neste ano, temos uma inovação no prêmio: a escolha de uma menção honrosa por categoria feita pela internet.
Nossa reportagem finalista trata do crime do Estupro. Contamos a história de Inês Etienne, uma jovem que foi torturada e estuprada em um local conhecido como Casa da Morte, na Ditadura Militar, e também falamos sobre uma Proposta de Emenda à Constituição que torna o crime de estupro imprescritível, ou seja, a vítima não terá prazo para fazer a denúncia.
Com esse prêmio, podemos dar uma visibilidade ainda maior para a discussão desse tema que aflige tantas pessoas no Brasil. Assim, pedimos que você possa dar um like na nossa reportagem, seja no Instagram ou no Facebook, nos links a seguir e espalhar esse pedido pelos seus contatos.

Descrição da reportagem:

Em 1971, a jovem Inês Etienne, que lutava contra o regime militar, foi levada até a Casa da Morte: uma estrutura montada em Petrópolis para torturar opositores à ditadura. Entre as torturas enfrentadas por Inês uma delas marcou o resto de sua vida: o estupro. O crime sofrido por Inês ainda é extremamente comum no Brasil. De acordo com dados do IPEA, são mais de 500 mil estupros por ano no país, dados em projeção, já que incluem muitos que nem chegam a ser denunciados.


Autores:

O trabalho foi feito pelo trio de jornalistas: Larissa Bortoni, Maurício de Santi e Rodrigo Resende. Os jornalistas já foram finalistas do prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos e conquistaram menção honrosa no mesmo prêmio. Foram também finalistas de outras premiações nacionais como Prêmio Embratel, Abdias Nascimento e Prêmio de Direitos Humanos OAb- Rio Grande do Sul.


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sábado, 6 de janeiro de 2018

Radiodifusão: Suspeita de irregularidades causa demissão no Ministério

Secretária de Radiodifusão, do antigo Ministério das Comunicações, hoje MCTIC, deixa o cargo após de ser acusada de favorecer empresas e fundações na concessão de repetidoras de canais de rádio e TV


Da redação do semanário Brasília Capital

Depois de questionamentos feitos por empresas de comunicação de São Paulo sobre a violação de exigências técnicas e jurídicas em dezenas de concessões de canais de rádio TV, a secretária de Serviços de Radiodifusão do Ministério de Ciências, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Vanda Jugurtha Bonna Nogueira, foi exonerada do cargo no dia 2 de janeiro. Mas o ato publicado no Diário Oficial da União diz que a demissão foi “a pedido”.
O MCTIC respondeu, em nota enviada ao Brasília Capital, na quinta-feira (4), que o desligamento de Vanda deve-se apenas “a questões particulares e de trajetória profissional”. E elogiou o trabalho da ex-secretária. “Vanda exerceu com competência e lisura as tarefas à frente da Secretaria, como ações em favor da migração das emissoras de rádio de AM a FM, a desburocratização do setor e a progressiva implementação do sinal digital de televisão no país, entre diversas outras ações que contribuíram com o setor de radiodifusão e sua função social no Brasil”.
No dia 21 de dezembro, o portal Brasília Capital noticiou a situação da agora ex-secretária.  As irregularidades atribuídas a Vanda Jugurtha entre 2016 e 2017 foram apresentadas às comissões de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) do Senado Federal, e de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados.
De acordo com a denúncia protocolada nos três órgãos, as Autorizações de RTV assinadas pela secretária de Serviços de Radiodifusão violam exigências técnicas e jurídicas. De acordo com a denúncia, um grupo específico de empresas e fundações estaria sendo beneficiado. Entre elas, são citadas as entidades Fundação Educacional Comendador Avelar Pereira de Alencar, Fundação Guilherme Muller, Fundação de Fátima e Fundação Padre Luiz Bartholomeu, além das empresas Miller Propaganda e Marketing Ltda  e Emmanuel Telecomunicações Ltda-EPP.
Antes de assumir o cargo no MCTIC, Vanda Jugurtha advogou para vários grupos de comunicação no País. Notícia publicada pela Folha de S. Paulo em 2016 dá conta de que entre esses veículos estão afiliadas da Rede Globo, como a TV Diário, de Mogi das Cruzes (SP). Na Secretaria, Vanda Jugurtha tinha a competência de supervisionar a “regulamentação da outorga para exploração dos diversos serviços de radiodifusão” e “acompanhar a exploração dos serviços”.

Procurado pelo Brasília Capital, em dezembro o MCTIC respondeu que “recebeu as notificações” e esclareceu que “todos os assuntos pertinentes às denúncias serão auditados”. A secretária Vanda Jugurtha não atendeu o jornal nas várias tentativas de contato. A reportagem também não conseguiu contato com as entidades citadas na denúncia. O MCTIC não respondeu, quinta-feira (4), se os atos irregulares atribuídos a Vanda Jugurtha serão anulados após seu afastamento da função.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Comunicação Pública: Se eleito presidente, Alckmin promete acabar com EBC

Texto publicado na página da Jovem Pan

Diante do aperto financeiro e da baixa audiência, a Empresa Brasil de Comunicação aposta na redução da folha de pagamentos para equilibrar suas contas e na mudança da programação para atrair mais público no ano que vem.

A empresa é a holding da TV Brasil, Radio Nacional, AM e FM, e da Agência Brasil de Notícias. E opera para o governo federal o Canal satelital NBR.
A maior parte das estruturas da EBC está em Brasília, seguida do Rio e São Luís, já que quando da sua criação, incorporou a TV E do Rio e do Maranhão, que eram federais.

A empresa participará de grandes coberturas como a Copa do Mundo da Rússia e a sucessão presidencial, no entanto, com investimento R$ 20 milhões menor que o previsto em 2017.
Com gastos obrigatórios, a expectativa caiu R$ 10 milhões.

Mas tudo isso pode nem se tornar um problema nos anos seguintes caso o atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), provável candidato do partido à Presidência da República, seja eleito no ano que vem.

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, da Rádio Jovem Pan, o também presidente nacional do PSDB foi claro: “hoje está nos jornais sobre a EBC. Eu, se for presidente, vou acabar com isso”.

 “É a TV do Lula. Gasta um dinheirão e não dá audiência. Temos que modernizar. A população entende. Governo tem papel regulador e fiscalizador. O que não podem é agências ficarem a serviço de políticos ou de partidos. Brasil tem tudo para passar por processo de modernização”, defendeu o tucano.

Confira a entrevista completa com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin: