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terça-feira, 9 de junho de 2026

Contos futuristas de Maria Félix tensionam os limites entre a natureza e o artificial


Em “Labirintos do caos”, da escritora e jornalista Maria Félix Fontele, 14 histórias revelam os dilemas mais profundos da sociedade contemporânea
 

Quatorze histórias, movidas pelo desencanto e pela esperança em realidades que se transformam rapidamente, rompendo com tudo aquilo que antes era familiar. Se transformaram no mais novo livro da jornalista e escritora, Maria Félix Fontele: Labirintos do caos. Nesse trabalho, as personagens são pessoas comuns inseridas em contextos futuristas estranhos e caóticos, mas que se aproximam do cotidiano. Os quatorze contos retratam um futuro que até pode parecer distante da contemporaneidade, mas já faz parte do presente, muitas vezes sem que quase ninguém se dê conta.

Com uma veia distópica, a obra de ficção especulativa tenciona as relações entre a natureza e o artificial para refletir sobre os conflitos do ser humano frente a um mundo desconhecido que se anuncia como uma possibilidade. “Quando penso no caos, não imagino apenas ruína. Penso também no que ainda não ganhou forma, mas pulsa entre o desconexo, o obscuro e o imprevisível” - observa a autora ao ressaltar que essa visão está no cerne de Labirintos do caos, que começou a ser escrita durante a pandemia da Covid. “A obra serviu de válvula de escape diante da impotência de tempos sombrios, onde o espírito da criação se sobrepõe ao massacre de um cotidiano doente, e traz reflexões nem sempre positivas de nossa humanidade” - complementa.

Questões sociais

Sem a pretensão de ser pessimista, mas com uma perspectiva desencantada acerca das vilezas do mundo, a autora provoca em suas narrativas reflexões sobre questões sociais. Em “As memórias que ficaram na lata do lixo”, a protagonista lê cadernos sobre a infância da mãe, quando via os outros com medo do AI-5. Mas a personagem principal, decidida a viver somente o presente, passa por um procedimento para apagar memórias e esquece do passado familiar. Já em “A Indigenista e a Guerreira”, o ano é 2041, e um holograma de uma mulher é criado para disfarçar os impactos das grandes corporações no planeta.

Na madrugada seguinte, Belinda chegou à casa molhada de chuva e de lágrimas, levada por outra patriota. Estava desorientada. A confusão mental lhe fazia repetir o mantra: “Os generais vêm nos salvar”. A filha passou os dias enxugando o rosto da mãe louca que não sabia mais por que e por quem chorava, embora emitisse sinais de que, com o tempo, ficaria livre daquele pesadelo, após se submeter a várias desintoxicações e limpar a mente das lavagens cerebrais. (Labirintos do caos, p. 86)

Nos textos, Maria Félix Fontele também pondera sobre os relacionamentos possíveis em um mundo cada vez mais digital e transformado pelas inteligências artificiais. “O segredo” acompanha a decisão de Joaquim de revelar um segredo para a família sobre um vínculo amoroso criado a partir da tecnologia. Em “Seu nome é sensibilidade”, a trama foca em Luciana, uma mulher que, após uma separação traumática, começa a se envolver com um ciborgue.

A obra tem projeto gráfico de Jeferson Barbosa e Gabriele Oliveira, e cada conto inicia com ilustrações que buscam inserir o leitor no universo literário que será narrado. Publicado pela Mondru Editora, o livro apresenta orelha de Luigi Ricciardi, escritor, doutor em Literatura e professor da Universidade Federal do Amapá. Labirintos do caos foi publicado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), da secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.

A autora:

Maria Félix Fontele é jornalista, escritora e sócia-fundadora da Fontele Studios. Formada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), trabalhou como secretária-adjunta e coordenadora de Comunicação Social do Governo do Distrito Federal, além de ter sido a primeira coordenadora de Comunicação da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Atuou como repórter, chefe de reportagem, editora e colunista em diversos veículos de comunicação e em assessorias de imprensa. É autora dos livros “Versos que habitam” (2018) e “O barulho, o silêncio e a solidão de Deus” (2020), publicados pela Confraria do Vento Editora. Agora, lança Labirintos do caos pela Mondru Editora.

 

 

Serviço:
Título:
Labirintos do caos - Editora: Mondru Editora
Páginas: 114
Autora: Maria Félix Fontele
Lançamento: 10 de junho, a partir das 18h30, no Caferante, CLS 203

segunda-feira, 8 de junho de 2026

O Tardio: uma viagem aos tempos da ditadura e da contracultura, narrada por Maurício Melo Júnior

 


Um romance da busca e do desencontro: de um homem que chega sempre depois do tempo, como o irmão que nunca conheceu, como a era que nunca veio. 
Uma viagem ficcional no tempo de volta aos anos de chumbo da ditadura militar no Brasil, ao mesmo tempo um período da contracultura, do mvimento hipie.

 

 

 Por Chico Sant'Anna

O pano de fundo de O Tardio é o Brasil dos anos 1970, período mais duro da ditadura militar: o AI-5 em vigor, a tortura como prática de Estado. Em meio a isso, uma geração de jovens escolheu o caminho oposto — a estrada, a contracultura, a busca por paz e liberdade. Mas o que significa liberdade quando tudo ao redor conspira para impedi-la? Será que eles estão dispostos a pagar o preço que for para conquistá-la? 

O Tardio, de Maurício Melo Jr., é um romance que foca na busca e no desencontro: de um homem que chega sempre depois do tempo, como o irmão que nunca conheceu, como a era que nunca veio. Uma narrativa instigante, densa e profundamente brasileira, em que o passado e o presente se entrelaçam na estrada aberta de um país que ainda busca a sua própria liberdade.

O estilo literário de Maurício Melo é muito apreciado pela perícia em escrever. Nas palavras da escritora Ana Baggioto, ele tem “a paciência de um artesão que conhece o valor dos silêncios e a força dos detalhes quase imperceptíveis. Nada parece excessivo, nada parece faltar. As palavras chegam ao texto como pedras cuidadosamente escolhidas para erguer uma ponte sobre a solidão humana. Há uma precisão rara em sua linguagem: cada termo ocupa exatamente o lugar onde deveria estar, como se tivesse esperado toda uma vida para ser pronunciado”.

Depois do lançamento, na Feira do Livro, em São Paulo, a obra já tem data marcada para os apreciadores da boa literatura, em Brasília, nesta quarta-feira, dia 10. Vai ser no Bar Beirute, já tradicional nos lançamentos lietrários, com a presença do jornalista Maurício Melo, autor de 35 livros. Este é seu quarto romance.

O Livro

O Tardio retrata a vida de Sérgio, um pernambucano, cuja sina parecia seguir um caminho bastante tradicional. Uma infância e adolescência comuns, marcadas pela forte presença do catolicismo — à época, quase uma regra em todo o país, inclusive em Pernambuco, onde nasceu. Sua família já não possuía o status social de outrora, mas ele conseguiu se formar em Direito. Casou-se. A esposa, professora, dividia-se entre a casa, os estudos e as salas de aula. Tiveram filhas. Tudo dentro do convencional.

No entanto, a perda de um parente próximo fez reaparecer uma figura há muito aprisionada no silêncio familiar: a de Roberto, seu irmão.

Anos antes, a morte de Roberto e suas escolhas de vida sempre foram um tabu acobertado por seus pais e por todos. O caçula Sérgio, que sempre recebera poucas informações a respeito de seu irmão, agora tinha em mãos mais do que imaginara em toda a sua vida. Ainda assim não era suficiente. Ele precisava de mais. Tinha necessidade de descobrir novas peças da história de seu irmão, cuja morte coincidira com a data de seu próprio nascimento. Angustiado, Sérgio deixa tudo para trás e põe o pé na estrada.

A trajetória de Sérgio em busca de respostas é guiada por cartões-postais encontrados na casa de seu tio, logo após seu falecimento. As correspondências foram escritas por seu irmão durante suas andanças e enviadas ao tio ao longo dos anos.

Por onde passa, o advogado abandona a gravata, adota a bata indiana e o pano vermelho do artesanato, recolhe informações e vivências que o ajudam a montar o quebra-cabeças da história de Beto. Nesse percurso, Sérgio começa também a questionar suas próprias escolhas, desejos e certezas, colocando à prova tudo o que havia construído, inclusive o casamento e a vida profissional deixados para trás no Recife.

Aos poucos, a figura de Roberto ganha corpo: um rapaz calado e religioso que, no fim dos anos 1970, abandonou a casa dos pais em Palmares e se tornou hippie ao lado de Caliandra. Juntos, os dois percorreram o país em busca de um modo de viver mais livre. O rastro some no interior de Goiás. E é até lá que Sérgio precisa chegar.

O escritor Maurício Melo Júnior nos conduz por essa jornada na qual o protagonista atravessa cidades do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do país, refazendo o caminho do irmão. Sua maneira de nos apresentar esse mundo, transforma paisagem em estado de espírito:

o asfalto do sertão é uma cobra negra e rastejante,
o calor sobe do chão como nuvem,

cada lugar carrega o peso de quem passou por ele.

O Brasil que emerge das páginas de O Tardio, é místico e distante do modo de vida tradicional. Nessa leitura, fazemos uma travessia ao lado de andarilhos que esperam e buscam a chamada Era de Aquarius. Esse novo romance faz jus ao que Ana Baggioto fala sobre o autor: “não apenas conta uma história; revela as fissuras, as ausências e as possibilidades de redenção que habitam o coração dos homens sem a presunção de oferecimento de respostas, mas revelando uma humanidade mais vasta, mais complexa e mais verdadeira”.

O autor:

Maurício Melo Júnior é escritor, jornalista, crítico literário e documentarista. Pernambucano radicado em Brasília, formou-se em Comunicação Social, com pós-graduação em Economia e Ciência Política. Atuou em alguns dos principais veículos de comunicação do país, como o Correio Braziliense.

Há 25 anos apresenta o programa Leituras, na TV Senado, o primeiro dedicado à literatura brasileira. Assina resenhas literárias para o jornal Rascunho (Curitiba/PR) e é colaborador da revista literária Pernambuco (Companhia Editorial de Pernambuco. Recife/PE).

Presidiu o Instituto Casa de Autores, de Brasília, além de ser membro da Associação Nacional dos Escritores. É também autor de romances, contos, crônicas e livros infantojuvenis, com destaque para Não me empurre para os perdidos e Sujeito oculto.

Ao todo, já escreveu 35 livros e O Tardio é seu quinto romance. É curador da FLIPIRI curador (Festa Literária de Pirenópolis – GO) e da Flipenedo - Festa Literária de Penedo (GO). Como documentarista, dirigiu mais de 20 filmes e escreveu para o teatro, com peças encenadas em diversas regiões do país.

 

Serviço:
Livro: O Tardio
Autor: Maurício Melo Júnior
Páginas:
160
Editora Rua do Sabão
Lançamento em Brasília: Dia dia 10/6, 19 horas - Bar Beirute – CLS 109

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Os Corpos Estranhos do jornalista Sergio Leo


A obra acontece em meio à conjuntura instável e marcada pela desumanização, da inteligência artificial, das guerras irracionais e das relações humanas sob o pragmatismo liberal. Leo desenvolve uma ficção que trata de corpos reais, da singularidade dos indivíduos e sua relação com o mundo.


“Corpos Estranhos”é o mais recente trabalho do jornalista e escritor, Sérgio Leo. Após “Mentiras do Rio”, havia prometido um livro de contos sobre arte contemporânea, tema que serve de pano de fundo para algumas das histórias da nova obra. A maioria dos contos trata de relacionamentos humanos e suas expectativas, que têm em comum com a Arte, a dicotomia entre realidade e aparência, e os percalços da linguagem e da representação.

Em meio a histórias que vão da coragem de um combatente com pés de sete dedos em uma guerra perdida no Oriente Médio a desencontros amorosos e às angústias de um garoto perna de pau em um jogo de futebol, ansioso para atender às expectativas dos colegas de time, Leo explora também conceitos da própria literatura, enfrentando tabus acadêmicos como a repulsa aos adjetivos em narrativas de ficção ou desafios como um conto narrado extraordinariamente na segunda pessoa do singular.

A obra acontece em meio à conjuntura instável e marcada pela desumanização, da inteligência artificial, das guerras irracionais e das relações humanas sob o pragmatismo liberal. Leo desenvolve uma ficção que trata de corpos reais, da singularidade dos indivíduos e sua relação com o mundo.


O autor, como define a premiada escritora Rosa Amanda Strausz na orelha do livro, fala do corpo “não apenas como matéria, mas como território da experiência”. Ou como diz a editora Mirna Queirós, na contracapa do livro, são contos em que os leitores poderão entrever “a fricção dos personagens com o mundo que se ergue ou desmorona diante deles”.

O autor

Sergio Leo apresenta-se como ex-carioca; desde 1985 morador de Brasília, onde trabalhou na maioria dos grandes jornais e na TV Globo, até permanecer por 15 anos repórter e colunista do jornal Valor Econômico. Hoje, entre colaborações a outros veículos de comunicação, escreve crônicas para o Correio Braziliense.

Em seu primeiro livro de contos, “Mentiras do Rio” (ed. Record), vencedor do Prêmio Sesc de Literatura, dedicou-se ao Rio de Janeiro onde nasceu, com seus personagens e paragens, já observados através da mesma lente irônica e crítica que marca seu novo livro de contos, em lançamento: “Corpos Estranhos”.

Após seu livro de estreia, escreveu um livro de não-ficção, “Ascensão e Queda do Império X” (ed. Nova Fronteira), sobre a derrocada do empresário Eike Batista; e colaborou, com contos e artigos, em sites de Internet e coletâneas como “Conversas de Botequim”, (ed. Mórula) com contos baseados em músicas de Noel Rosa.

Formado em Jornalismo pela ECO-UFRJ, com especialização em Relações  Internacionais pela UnB, Sergio Leo é também formado em Artes Visuais na UnB, e participou, em Brasília de exposições coletivas como “Seu Museu Expoexperimento” e “Diálogos da Resistência”, no Museu Nacional de Brasília, e uma individual, “Radicalismos”, na Alfinete Fotogaleria.


Serviço

Em Brasília, Sergio Leo lançará seu “Corpos Estranhos” na noite de 5 de maio, a partir das 18h30, no bar Beirute da Asa Sul, na CLS 109.

terça-feira, 31 de março de 2026

Novo livro resgata os horrores dos 50 anos do golpe militar na Argentina.


Meio século após o golpe militar de 1976, na Argentina, livro traz o depoimentos de 24 homens e mulheres que sofreram na pele as atrocidades do regime de chumbo, O objetivo da obra, lançada em Buenos Aires, é manter a memoria viva e combater o negacionismo que tenta apagar os horrores perpetrados.

Por Chico Sant'Anna

A obra “50 años del golpe en Argentina, testimonios” reúne os depoimentos de 24 cidadãos e cidadãs que enfrentaram a dor, mas mantiveram acessa a resistência contra o arbítrio. Ela acaba de ser lançada em Buenos Aires e é avaliada como uma forma de enfrentamento do negacionismo, explica a jornalista Lídia Fagale, uma das responsáveis pelo projeto e autora de um dos depoimentos.

 “São relatos de vida, fundamentais para manter ativa a memória face às tentativas de negar as atrocidades do golpe de estado de 24 de março de 1976” - complementa. Nessa data, há 50 anos, as forças armadas argentinas depuseram o governo constitucional de Isabel Perón e instituíram no comando da nação uma Junta Militar, composta por Jorge Rafael Videla (Exército), Emilio Massera (Marinha) e Orlando Agosti (Aeronáutica). Tinha início alé um dos período dos mais obscuros da história do país vizinho.

Os movimentos sociais localizaram 814 centros clandestinos de detenção, tortura  extermínio daqueles e daquelas contrárias ao regime militar. Entre os desaparecidos estavam centenas de mulheres grávidas, mantidas em centros clandestinos de detenção. Muitas deram à luz em cativeiro e seus bebês foram retirados e entregues ilegalmente a outras famílias, configurando uma política sistemática de apropriação de crianças levada adiante pelo regime.

Organizada por Manuel Martínez e editada pela editora Manuel Capitán Cianuro, a obra, que traz testemunhos inéditos sobre a ditadura cívico-militar argentina, foi lançada em um local que não poderia ser mais iconográfico: a sede da Asociación Madres de Plaza de Mayo. Movimento de mães e avós que tentam localizar até hoje filhos e netos sequestrados ainda crianças ou mesmo bebês pela ditadura.


segunda-feira, 9 de março de 2026

Livro sobre a fabricação dos invisíveis na história do Brasil pode ser baixado gratuitamente


O livro “Quem somos nós na fila do pão? A fabricação dos invisíveis na história do Brasil” pode ser baixado e lido gratuitamente por meio desse link.


O livro “Quem somos nós na fila do pão? A fabricação dos invisíveis na história do Brasil”, lançado pelo jornalista José Cristian Góes em 2022 e com todas as edições impressas esgotadas, será agora distribuído gratuitamente no formato digital, pela Mangue Jornalismo de Sergipe.

Editado pela Edise, “Quem somos nós na fila do pão?” é parte da tese de Doutorado em Comunicação e Sociabilidade defendida pelo jornalista Cristian Góes na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No livro, ele propõe um percurso crítico para discutir o “Outro” e as identidades, recorrendo a alguns elementos da História.

“Busquei mergulhar na trajetória da formação nacional para pensar sobre quem é o Outro em nós”, informou Cristian.

No trabalho emergem discussões sobre as manipulações identitárias, genocídios, escravização indígena e africana, o nascimento dos ‘Ninguéns’. A violência e o racismo são temas vitais no livro. Cristian Góes trata da fantasia da nação e da pátria, da participação da igreja na pedagogia racista e a construção ideológica dos invisíveis para consolidar a ideia de país.

“O Outro é fabricado no Brasil como repulsa, prevalecendo como a Diferença contra nós, que será sempre pobre, indígena, negra, criminosa, suja, doente, ameaça constante em permanente controle e extermínio. Todavia, a elite brasileira também produziu um Outro como desejo, referência, a ser imitado”, analisa Cristian Góes.

Para o autor, há um acerto de contas histórico entre nós que ainda está em aberto e que precisa ser enfrentado. Além desse livro, a tese de Cristian Góes foi dividida em outros dois livros:

·        “A Comunidade Invisível”, editado pela Ponte Editora, em Portugal.

·        “O jornalismo e a experiência do invisível: teoria, método e estudo de caso”, pela Editora Appris, de Curitiba/PR.

O livro “Quem somos nós na fila do pão? A fabricação dos invisíveis na história do Brasil” pode ser baixado e lido gratuitamente por meio desse link.

O autor:

José Cristian Góes é jornalista, doutor em Comunicação pela UFMG, com doutoramento sanduíche na Universidade do Minho/Braga, Portugal. É mestre em Comunicação pela UFS. 

Foi repórter e colunista em jornais, revistas e portais e trabalhou em assessoria de comunicação. Foi secretário de Comunicação da prefeitura de Aracaju, presidente do Sindicato dos Jornalistas de Sergipe e membro da Comissão Nacional de Ética dos Jornalistas. 

É servidor público federal e coordena a Mangue Jornalismo.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Livro: biografia de Belchior no Beirute da Asa Sul

Por Chico Sant'Anna 

Cearense, de Sobral, Belchior ganhou o Brasil como apenas um jovem latino-americano. Em 1971, venceu o IV Festival Universitário da Canção Popular, realizado no Rio de Janeiro, com a música Na Hora do Almoço. De lá para cá, compôs 218 músicas, materializadas em 348 diferentes gravações dele e de outros intérpretes. Gravou, pelo menos 14 álbuns de estúdio, e lançou outros trabalhos ao longo de sua carreira, totalizando mais de 30 álbuns em sua discografia. Falecido em abril de 2017, ganha agora uma nova biografia, de autoria do jornalista Alberto Perdigão.

O livro Belchior: a construção de um mito na literatura de cordel é o resultado de uma pesquisa que analisa 28 biografias do Belchior, nove publicadas em livro e 19 em folhetos de cordel.

“Nesta síntese de biografias, trago o que há de mais picante e surpreendente na vida, obra, desaparecimento e morte do Belchior”, adianta Perdigão. “O estudo comparativo mostra que o Belchior do livro é uma construção simbólica bem diferente da que se vê no cordel”, completa. O cantor e compositor Antônio Carlos Belchior morreu em Santa Cruz do Sul (RS) em 30 de abril de 2017, com 70 anos, ao final de dez anos desaparecido da família, amigos, parceiros e fãs.

O livro

Belchior: a construção de um mito na literatura de cordel (RDS, 2025, 308 páginas) é o primeiro estudo sobre as biografias do cantor e compositor, cuja vida tem sido objeto de muitos livros e folhetos de cordel. “Talvez só o Rei do Baião Luiz Gonzaga tenha sido mais biografado em folhetos”, analisa o pesquisador. “A razão é que Belchior foi excêntrico  como cidadão e excepcional como artista, alguém fora da curva e passou a vida fazendo cavalo de pau”, conclui o autor. 


O autor

Também cearense, mas de Fortaleza, Alberto Perdigão é jornalista, mestre em Políticas Públicas e Sociedade. Desenvolve pesquisa sobre o folheto informativo da literatura de cordel e integra a Rede Folkcom de pesquisadores da folkcomunicação. É autor de sete livros, entre eles Política e Literatura de Cordel (2022) e Pretas e Pretos na Literatura de Cordel (2023).

Lançamento em Brasília

Belchior: a construção de um mito na literatura de cordel será lançado nesta quarta-feira (10), às 19 horas, no restaurante Beirute (109 Sul), como parte da programação Beira Literário. O autor conversará com leitores e autografará o livro. O exemplar custa R$ 70,00. O evento é aberto ao público.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Livro: Tereza Cruvinel conta história e bastidores da criação da EBC e reflete sobre mídia e comunicação pública

A história  da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) contada por quem esteve à frente da sua implantação e foi a sua primeira gestora. Memória de um Desafio – A guerra da TV pública e a criação do sistema EBC combina as memórias da jornalista Tereza Cruvinel, depoimentos e reflexões sobre mídia, democracia e comunicação pública.

Hoje quem liga a TV Brasil, houve a Rádio Nacional, ou mesmo lê uma notícia distribuída pela Agência Brasil, não tem ideia da dificuldade de se implantar essa estrutura pública de Comunicação. O livro de Tereza traz subsídios importantes para os que se interessam pelo tema e será, com certeza, uma boa contribuição para a história da radiodifusão pública no Brasil.

Tudo começou em 2007, quando a proposta de criação de uma TV pública nacional, lançada pelo então ministro da Cultura, Gilberto Gil, agitou a mídia e o meio político, e gerou o movimento social que realizou o Fórum da TV Pública. O presidente Lula, em seu segundo mandato, comprometeu-se com a criação da emissora, defendida por cineastas e produtores audiovisuais, personalidades da cultura e da academia e entidades defensoras da democratização das comunicações.·.

No Congresso Nacional, a proposta foi aprovada após uma dura disputa política. O jornalista Franklin Martins, que havia se tornado ministro-chefe da Secom, foi encarregado por Lula da implantação do projeto, incorporando membros da equipe de Gil. Ele e Tereza, bem sucedidos no setor privado, haviam discordado dos rumos de um jornalismo que foi tomado pelo antipetismo e o combate a Lula. No grupo Globo ele foi diretor em Brasília e comentarista do Jornal Nacional. Ela tinha uma influente coluna em O Globo e era comentarista da Globonews.

Tereza Cruvinel (foto) não exagera quando fala em guerra da TV pública. Nos quatro anos seguintes, a convite de Lula e Franklin, liderou o processo de implantação como primeira presidente e fundadora da EBC. O cineasta Orlando Senna, da equipe de Gil, foi o primeiro diretor-geral.

A iniciativa enfrentou a hostilidade de quase toda a mídia (o que ela chama de bullying midiático), dos partidos de oposição e da extrema direita em ascensão, afora as dificuldades técnicas para implantar uma TV pública tardia em relação às TVs comerciais hegemônicas.

No livro, ela conta a história da EBC e da TV Brasil, da criação aos dias de hoje, passando pelo desmonte sob o governo Temer e o aparelhamento por Bolsonaro, após desistir de privatizar a empresa. Lula acaba de nomear um novo presidente da EBC, o jornalista André Basbaum, que vem da TV Record.

Tereza faz seu relato com seu traquejo de colunista política. Junta na moldura elementos da conjuntura da época, revela bastidores e comenta os conflitos internos em sua gestão, escancara as disputas com o Conselho Curador e aponta os colegas que mais atacaram o projeto.  Escreve na primeira pessoa, mas reconhece o tempo todo a natureza coletiva do trabalho e o papel de seus colegas e de Franklin.


Serviço:

Que: Lançamento: Memória de um Desafio – A guerra da TV pública e a criação do sistema EBC  de Tereza Cruvinel, Tagore Editora (208 páginas, R$ 67,00),

Quando: 17 de setembro, em Brasília, 7 de outubro, no Rio.

Onde:  
- Brasília, Bar Beirute (109 sul), a partir das 18h30.

- Rio, sede da ABI no dia, a partir das 18 horas.

 

      

 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Leonel Brizola, a vida em livro


Jornalista Cleber Dioni Tentardini  escreve sobre o governador de dois estados do Brasil

 

Por Márcia Turcato

Único brasileiro eleito pelo voto popular para governar dois estados, o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro. Este feito cabe ao engenheiro Leonel de Moura Brizola (1922-2004), gaúcho da cidade de Carazinho. Menino pobre que trocou o interior pela capital, Porto Alegre, em 1936, em busca de trabalho e de estudo. Foi engraxate e ascensorista, e em 1946 ingressou no curso de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Isso mudou o rumo da sua própria história. Trocou a mesa de cálculos pela política e deu início a uma trajetória singular. A vida de Brizola é revelada página a página no mais novo livro do jornalista Cleber Dioni Tentardini, “No fio da história”, com lançamento nacional marcado para o mês de março e pré-venda já aberta nas plataformas digitais.

Deputado estadual, deputado federal, prefeito de Porto Alegre, governador do Estado, em dez anos – de sua estreia em 1947 à eleição espetacular de 1958. Brizola pagou o preço de permanecer fiel ao povo de onde emergiu. “Se o tivessem apanhado nos dias do golpe de 1964, ele teria sido morto”, conta o autor do livro.

Brizola voltou ao Brasil depois de 15 anos de exílio e perseguições que nunca cessaram, para retomar o fio de sua trajetória. Foi duas vezes governador do Rio de Janeiro, mas as elites mais uma vez o impediram de chegar à presidência da República. Esse personagem fascinante da história do Brasil ganha uma biografia, muito bem ilustrada, resultado de duas décadas de pesquisas, entrevistas e reportagens feitas por Tentardini.

O autor foi a campo vasculhar arquivos históricos, museus, bibliotecas, secretarias de escolas, igrejas e cartórios, até reconstituir a vida dos pais do menino que se tornou Brizola e da região onde nasceu e cresceu no Norte do Rio Grande do Sul. Tentardini foi o único a entrevistar os irmãos do político e a sobrinha, criada como sua irmã. Também encontrou outros familiares, colegas e professores das séries iniciais e amigos de infância.

A obra está recheada de curiosidades, vitórias, derrotas, decepções, amores, fúrias, perseguições, reconciliações, conchavos, e dezenas de fotos, antigas e atuais, charges e reproduções de jornais, inclusive um achado inédito, guardado em cofre: a histórica metralhadora com que o governador gaúcho se movimentava no Palácio Piratini, em Porto Alegre, sede do governo do estado, durante o Movimento da Legalidade, o maior acontecimento político que sacudiu o Brasil após a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961.

O livro remonta cenários e esclarece passagens marcantes da política nacional e internacional através de entrevistas e valiosos trabalhos acadêmicos, divulgados recentemente, e das memórias inabaláveis de jornalistas como Flávio Tavares e Carlos Bastos, e de militares como Emílio Neme e Pedro Alvarez. 

Sobre o autor

Gaúcho de Santana do Livramento, Cleber Dioni Tentardini é jornalista, com quase três décadas de carreira em jornais impressos, revistas e portais jornalísticos, com vários prêmios conquistados. É autor de Patrimônio Ameaçado, sobre as fundações gaúchas extintas; O menino que se tornou Brizola, livro-reportagem; e Usina Eólica Cerro Chato, a primeira usina de geração de energia a partir dos ventos construída no Pampa pela Eletrosul/Eletrobras. Coautor dos perfis parlamentares de João Goulart e Leonel Brizola, da Assembleia Legislativa do RS, e pesquisador de uma dúzia de livros, entre os mais recentes, História Ilustrada do Rio Grande do Sul e Viamão 300 anos. 

Serviço:

O livro está em pré-lançamento com valor promocional de R$ 80,00 por R$ 65,00.
Informações pelo e-mail dfatoeditora@gmail.com.
O lançamento, pela D’fato Editora Jornalística, está previsto para março deste ano.

 

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Pecados do conservadorismo católico: a visão poética da jornalista Raíssa Abreu


Na Capital Federal, jornalista e escritora mineira lança livro de poemas autobiográficos que expõe pecados do conservadorismo católico do interior


Objeto estranho, recém-editado pela Patuá editora, é uma obra autobiográfica que traz cenas da infância e da adolescência da escritora e jornalista, Raíssa Abreu, 43 anos, reelaboradas numa linguagem onírica a partir de objetos que evocam lembranças, como um snoopy de pelúcia, um clichê de jornal, um monóculo, um terço, um par de sapatos. O cenário é uma comunidade católica tradicional do Sul de Minas Gerais.

Num cenário sombrio-kitsch, de múltiplos silenciamentos e mortes anunciadas na torre da igreja, são esses seres inanimados o pretexto para falar, ainda que pelas beiradas, de assuntos incômodos - a pobreza, a misoginia, a meritocracia, a intolerância, o suicídio - e para insinuar visadas menos trágicas sobre as personagens.

Sinopse

A subversão maior é aquilo que escapa à língua, que fica em algum lugar entre o fim de um verso e o tropeço de outro. No desencontro entre palavra e imagem. O segredo da moça do cabelo alisado. A ave-maria perdida no terço.

A trajetória de um corpo estranho pela vidamorte de uma família cristã numa cidade do interior, marcada pela vigilância da tradição e pela meritocracia. O que pode acontecer à hierarquia bem marcada entre os pontos que giram ao redor do objeto totêmico quando alguém olha para a torre da igreja e enxerga a ponta de um lápis?

"A escrita de Abreu, afeita ao nervo da linguagem, estranhamente torna o simples algo escorregadio, que conduz a uma imersão em imagens pouco vistas, pois os objetos aqui são ricamente ativados pelo que extrapolam em relação às suas acepções, enviesando à imaginação o ordinário e o transformando em preciosidade" (da orelha de Léo Tavares).

A autora

Há 19 anos em Brasília, Raíssa Abreu é jornalista e estuda Letras na UnB. Nascida em em Pedralva, sul de Minas Gerais, teve uma infância em uma casa lotada de papel-jornal e de imagens de Nossa Senhora. Hoje, faz parte do coletivo de poesia cerratense Nexo Grupal.

Objeto estranho é seu livro inaugural. O lançamento acontece na quinta-feira (31/10), a partir das 19h, no Quanto Café, e contará com uma conversa mediada pelo escritor e artista plástico, Léo Tavares, (“Situações” e “O Congresso da Melancolia”) . O bate-papo será seguido de sessão de autógrafos.

Serviço:

  • O que?  Lançamento da obra Objeto Estranho - Ed. Patuá.
  • Quem?  Raíssa Abreu
  • Quando?  31/10, quinta-feira, às 19h
  • Onde?  Quanto Café CLN 103, Bl A

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Livro: a jornada sensorial da infância à maturidade do jornalista Hermes Coelho

 

Por Chico Sant'Anna

Da imensidão do Planalto Central, envolto na cobertura da política nacional, o jornalista Hermes Coêlho, da TV Senado, achou tempo para voltar à vista laaaaá pro seu Piauí e para a sua infância. Como diriam os antigos gráficos, já está no prelo “Violado”, seu mais novo livro.

Esse é o segundo livro de Hermes Coêlho e, segundo ele mesmo define, é uma jornada sensorial da infância à maturidade na busca das raízes arrancadas. Uma jornada em forma de poemas: 66 poemas divididos em seis capítulos.
"Dos abusos e invasões impostos ao menino que se refugiava nos versos, à entrega voluptuosa e desmedida aos excessos do desejo e da morte na vida adulta" - explica ele.

Eles relata uma trajetória que levou o poeta de Teresina a Brasília, inspirando-se ainda em passagens por oceanos, museus, becos, vielas e corpos masculinos em cidades como Paris, San Francisco, Nova Iorque, Cidade do México, San Cristóbal de las Casas, Tulum e Valparaíso. “Vivências que metamorfosearam a lagarta infante e deram asas ao homem. Violado é uma experiência crua, sensual, direta e, ao mesmo tempo, lírica e pungente, como a vida” - relata ele.

Aos 46 anos, Hermes Coelho lança
seu segundo livro.

O Autor

Jornalista, Hermes Coêlho nasceu em Teresina, Piauí, em 1977. Encantou-se cedo pelas artes em geral, pelo cinema, pela pintura, pela música (foi cantor do Madrigal Vox Populi, o mais tradicional madrigal teresinense) e, claro, pela literatura. Cursou e abandonou os cursos superiores de direito e de publicidade antes de encontrar a sina profissional: o jornalismo. Formado pela Universidade Estadual do Piauí, atuou nas afiliadas das TVs Globo, Record e Brasil em sua terra natal. Também fez parte da equipe da Rádio Antares e do Jornal O Dia, onde publicou crônicas sobre o cotidiano piauiense e nacional.

Desde 2010, é repórter e editor da TV Senado, em Brasília. “O jornalismo político veio de surpresa, imiscuindo-se aos poucos durante a carreira televisiva. Já a poesia sempre esteve nas veias” – confessa ele.

Os primeiros versos vieram tímidos, ainda na adolescência. Em 2000, ao vencer o Concurso Novos Autores, recebeu o prêmio Cidade de Teresina pelo livro “Nu”, publicado em 2002 pela Fundação Cultural Monsenhor Chaves. Atualmente, é chefe de reportagem da TV Senado e apresentador do programa Cidadania.

Pré-venda

A meta é lançar Violado, ainda esse mês na Festa Literária Internacional de Paraty, em dezembro na Capital Federal e Teresina, em fevereiro de 2024. Quem não consegui esperar até lá, pode aproveitar a pré-venda. Basta clicar nesse link do site da editora Patuá. A pré-venda, com “um preço camarada “, ajuda na materialização do livro um ajuda a obra a chegar a mais leitores.

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

As poesias de ACQ, agora em livro

 

*Peia por peia, ludopeia!*

 

Por Chico Sant'Anna

Goiano d’Anápolis, o jornalista da velha guarda na luta contra a ditadura militar, sindicalista, escritor, Antônio Carlos Queiroz, o ACQ, resolveu finalmente mostrar o dedo em poesia. 

ACQ é leitor e feitor de poemas desde a adolescência em Anápolis, Goiás, mas, “autocríticismo em excesso” (tirada assumida de efeito publicitário!), e uma boa dose de rebeldia, rasgou toda a produção anterior a 2015, por aí.

“Ecoei o conselho do Umberto Eco de jogar no lixo os poemas ruins. Não quer dizer que sejam bons os que agora publico!” - adverte ele.

Rebelde como sempre e contrário a rótulos, ACQ diz que não se identifica com nenhuma escola poética. “Mas prefiro a companhia do Lucrécio, do Ovídio, do Horácio, da Emily Dickinson, do Drummond – esse tipo de gente. É que também sigo a lição de outro guru, o Millôr Fernandes, que está completando agora o Centenário: em Ciência, leio sempre os livros mais novos. Em Literatura, os mais velhos” - ressalta.

Dizem os críticos literários que antes mesmo de entender o que um poema diz, ou mesmo entendê-lo, temos a impressão de senti-lo. É preciso identificar a existência da Melopeia (propriedade rítmica, musical e sonora do poema), da fanopeia (a imagem projetada na imaginação do leitor) e da logopeia (a unidade da imagem sonora e da cadência rítmica dentro do poema)? 

Quando indagado quais dessas propriedades se mostram mais presentes em seus poemas, a resposta é rápida:

– Nada de peia!
Hum, talvez a ludopeia...
O que importa é a gozação, a ironia, o sarcasmo, pra tornar mais leve a vida e evitar a depressão!

Serviço:

Livro: ACQ poemas & prósias
Lançamento: 18 de agosto, às 17h30
Local: Livraria Sebinho, 406 Norte
Contato: https://www.instagram.com/antonio_carlos_queiroz

terça-feira, 18 de outubro de 2022

Livro: A política contada e cantada no cordel versus a grande mídia

Por Chico Sant'Anna


O momento não podia ser melhor. Período eleitoral, discussão sobre o voto dos nordestinos, um cenário perfeito para se lançar o livro Política e Literatura de Cordel - o folheto de política como mídia informativa alternativa, popular e contra-hegemônica. Em tempos de redes sociais, zap zap, o pesquisador e jornalista cearense, Alberto Perdigão, mergulhou nos folhetins da literatura de cordel que tratam de política. A obra discute a poesia-reportagem como alternativa à notícia do jornal e analisa as narrativas do cordel sobre o golpe que destituiu a presidente Dilma Rousseff

Política e Literatura de Cordel - o folheto de política como mídia informativa alternativa, popular e contra-hegemônica (RDS, 2022, 352 p.) será lançado, com a presença do autor, em Brasília, nesta sexta-feira (21), às 17 horas, na livraria Sebinho (Comércio Local Norte 406, bloco. C, loja 44). A obra reúne uma coletânea de 12 artigos resultantes de uma pesquisa inédita, realizada por Perdigão, durante os anos de 2016 e 2021.

Dois dos capítulos analisam a narrativa de oito folhetos de cordel de autores nordestinos, publicados durante o processo de destituição da presidente Dilma Rousseff. Nas poesias-reportagens da amostra, os poetas-repórteres optam pela versão de golpe, diferentemente da perspectiva de impeachment apresentada pela mídia convencional. A amostra está reproduzida na íntegra em um dos anexos do livro.

“São mistos de notícia e de editorial perfeitos na rima e na métrica, e impecáveisl do ponto de vista da narrativa jornalísitica”, afirma Perdigão. Os artigos foram publicados em anais de congressos e em revistas científicas. A obra homenageia três pesquisadores da literatura de cordel já falecidos, que contribuíram com a pesquisa do autor: Joseph Luyten, que morreu em 2016, Gilmar de Carvalho (2021) e Arievaldo Viana (2021).

O autor

Alberto Perdigão (Fortaleza, 1963) - jornalista, mestre em políticas públicas e sociedade, pesquisa o folheto informativo da literatura de cordel, com ênfase no folheto de política. Atua como editor, apresentador em programas de jornalismo popular, e como professor de comunicação comunitária e alternativa. É autor dos livros Comunicação Pública e TV Digital (EdUece, 2010 - dissertação de mestrado), Comunicação Pública e Inclusão Política (RDS, 2014 - artigos jornalísticos) e Únicos (Editora Radiadora, 2021 - poesias). 


Serviço:
Livro
- Política e Literatura de Cordel - o folheto de política como mídia informativa alternativa, popular e contra-hegemônica
Autor -  Alberto Perdigão - 
Contato WhatsApp - (85) 99988.8638.
Capa: Rafael Limaverde.
Ilustração da capa: Hamurábi Batista
Lançamento no DF - Livraria Sebinho (Comércio Local Norte 406, bloco. C, loja 44) sexta-feira (21), às 17h
ISBN: 978-65-88668-36-8

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Jornalista lança livro de poesias para enfrentar a intolerância

 

A poesia de Viviane Viana se afasta da semiótica fria, que fez com que o gênero se distanciasse do interesse dos leitores, para contar histórias de forma compreensível e atraente, com poemas fluidos e musicais. 

Em tempos marcados pela intolerância, chega ao mercado o livro de poesia Cada um sabe onde o poema aperta (Caravana Editorial), da escritora e jornalista Viviane Viana. Dividido em três partes – Traço, Laço e Estilhaço –, a autora constrói um percurso que começa com a apresentação de seu traçado poético, passa pela fase do envolvimento, em que abraça o leitor com seu lirismo, e o conduz aos “apertos” finais, conforme o título sugere.

A poesia de Viviane Viana se afasta da semiótica fria, que fez com que o gênero se distanciasse do interesse dos leitores, para contar histórias de forma compreensível e atraente, com poemas fluidos e musicais. Aliás, o livro ganhou contrato de publicação porque a autora foi selecionada numa chamada de poesia, espécie de concurso realizado por algumas editoras.

De acordo com a professora Ana Jurkiewicz, que assina a orelha da obra, “a autora é contundente na denúncia da miséria, da desumanização, dos preconceitos e é também delicada e divide com o leitor suas feridas, parte do subterrâneo de sua alma”.

O livro, que já está em pré-venda, será lançado no dia 19 de novembro, em Teresópolis, no Rio de Janeiro. Na semana seguinte, em 26/11, a autora fará uma performance na Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, que nesta edição retoma as ruas e praças da cidade.


Sobre a autora

A jornalista e poetisa Viviane (de Paula) Viana nasceu no Rio de Janeiro, em 1975. Morou em Madri, São Paulo, Brasília e Natal. Hoje, se divide entre a capital fluminense e a cidade serrana de Teresópolis. 

A produção literária impressina. Publicou o livro-box Tirando de Letra, voltado ao público infantojuvenil, e participou da antologia Travessia: literatura para atravessar o fascismo, também lançado neste ano. 

Como jornalista, atuou nas redações dos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, Tribuna do Norte e agência de notícias EFE. 

Foi coordenadora da TV Escola e ghostwriter de dois presidentes da República.


Palinha para os leitores

Poema “bolacha da privação”, que está no livro.


Bolacha da privação


dois quilos de barro

uma colher de manteiga

sal a gosto


junte tudo

prense com as mãos

deixe secar ao sol


a receita não tem mistério

incompreensível é a miséria 


Uênio não conheceu o brigadeiro

Uênio não sobreviveu à primeira infância