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sábado, 4 de junho de 2022

Livro resgata a história de Landell de Moura: o brasileiro que inventou o rádio

Landell, segundo explica o biógrafo, patenteou o rádio no Brasil e nos Estados Unidos. “Eu consegui aprofundar uma série de aspectos nessa nova pesquisa. Tem uma informação também que eu considero muito importante é que a invenção dele nos Estados Unidos foi reconhecida por outros inventores. Consegui encontrar provas disso (e estão no livro)”.


Acaba de sair do prelo a nova obra de Hamilton Almeida, ela versa sobre o padre Landell de Moura, inventor do rádio. O livro é uma produção independente. A história de Roberto Landell de Moura é “um retrato das vicissitudes que marcam a trajetória da ciência brasileira”, define o professor doutor Gildo Magalhães, da USP.

Com poucos recursos financeiros, foi pioneiro na transmissão da voz por ondas de rádio, projetou a televisão etc. Abriu a porta que, nos tempos modernos, viabiliza diversas invenções sem fio, como o telefone celular. Envolto, porém, no conflito secular entre obscurantismo e ciência, teve os sonhos despedaçados, ficando à margem da memória oficial.

Sobre Landell de Moura, leia também:

Este livro lança novas luzes sobre a sua biografia. Detalha a inédita experiência wireless, revelando o conteúdo da mais antiga mensagem via rádio. Mostra que, nos EUA, ele foi reconhecido por outros inventores e que o seu nome transita entre membros do renomado IEEE – Institute of Electrical and Electronics Engineers, a maior organização profissional técnica do mundo.

A obra postula um lugar na galeria dos gênios das telecomunicações para o brasileiro que inventou o wireless.

Você pode assistir aqui ao documentário sobre Landell de Moura, dirigido por Deraldo Goulart



O Autor

Hamilton Almeida é jornalista. Começou a pesquisar as façanhas do Padre Landell ainda estudante na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Não parou mais até esculpir esta obra-mestra. Iniciou a carreira profissional em São Paulo, como repórter da agência Telenotícias, do Grupo Visão. 

Em Porto Alegre, foi repórter de economia do jornal Zero Hora por mais de uma década. Em Buenos Aires, correspondente de ZH e, depois, da Gazeta Mercantil Latino-Americana, além de colunista da revista Imprensa e colaborador da rádio BBC, de Londres, para assuntos de economia. 

Investigações na capital do país vizinho levaram à escrita de Sob os olhos de Perón: o Brasil de Vargas e as relações com a Argentina (Record, 2005). De volta ao Brasil, atuou na CDN e é colaborador da revista Química e Derivados.

Serviço:

  • Título: Padre Landell: o brasileiro que inventou o wireless
  • Autor: Hamilton Almeida
  • Prefácio: Gildo Magalhães
  • Número de páginas: 344 - Formato: 16 x 23 cm
  • ISBN: 978-85-524-0224-4.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

TV em (ou será a) cores faz 50 anos no Brasil

Em 1972, ocorria a primeira transmissão em cores na TV aberta brasileira, no evento histórico da Festa da Uva, em Caxias do Sul Por que vemos a imagem da TV colorida e quais tecnologias evoluíram com o tempo?


Por Larissa Leão


Habituados com uma tecnologia tão moderna e presente no nosso dia a dia, para os mais jovens chega a ser curioso imaginar que há apenas 50 anos ocorria a primeira transmissão em cores da TV aberta no Brasil. Foi uma jornada até esse dia, com estudos e testes, para que a TV analógica, antes preto e branco, ganhasse cores em 19 de fevereiro de 1972, conquistando seu marco na história da comunicação e da televisão brasileira. O evento da Festa da Uva, realizado em Caxias do Sul (RS), ficou popularmente conhecido como o início de uma nova era para a TV, com uma programação sendo transmitida em cores em circuito fechado. 

Segundo Elmo Francfort, diretor do Museu da TV, Rádio e Cinema, a Festa da Uva foi o pontapé inicial, mas apenas em 31 de março de 1972 aconteceu a estreia oficial da TV em cores no Brasil.

Mas, afinal, por que e como conseguimos enxergar as cores nos televisores?

O coordenador do Módulo Técnico do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (Fórum SBTVD), Luiz Fausto, explica que “o olho humano possui três tipos de receptores de cores diferentes que nos permitem distingui-las: um que absorve mais o vermelho, outro que absorve mais o verde e outro que absorve mais o azul. Assim, as telas coloridas combinam para cada ponto da imagem (chamado "pixel"), esses três componentes de cor (vermelho, verde e azul – ou RGB, do inglês red, green, blue)”. Além disso, Fausto ressalta que para que as telas possam exibir imagens coloridas, as câmeras também precisam ser capazes de separar esses três componentes de cor (RGB).

Evolução da tecnologia em cores

Ao longo do tempo, a tecnologia das telas e das câmeras evoluiu muito, permitindo uma maior precisão na representação das cores, como também, o uso de um espaço de cores maior.

O coordenador explica que na televisão colorida analógica (TV 1.5) o espaço de cores suportado compreendia cerca de 32% das cores visíveis. “Já na TV Digital, a resolução do vídeo melhorou muito (de 480 linhas para 1080 linhas). O espaço de cores também obteve uma melhora, compreendendo cerca de 35% das cores visíveis”, ressalta. Com o suporte opcional a HDR (High Dynamic Range) introduzido na TV 2.5, é possível um aumento do contraste suportado (de 1.000:1 para 200.000:1). Embora o espaço de cor ainda seja o mesmo, o volume de cores aumenta devido a uma faixa maior de ajuste de brilho.

A chegada da TV Digital no país apresentou novas possibilidades, com cores mais próximas da realidade, e, para quem se pergunta se terão novas tecnologias aprimorando o que conhecemos hoje, Luiz Fausto confirma que sim.

“A TV 3.0, além de suportar resoluções de vídeo maiores (incluindo 4K e 8K), vai suportar um espaço de cores ampliado (WCG, Wide Color Gamut), compreendendo cerca de 76% das cores visíveis. Combinando isso com HDR você terá um volume de cor tão grande como se a sua TV fosse uma janela para o mundo real (ou para o mundo das obras de ficção)”, explica.

Além disso, Fausto conta que aumentando o número de bits por componente de cor de 8 para 10, haverá ainda mais precisão na reprodução de cada tonalidade. Por fim, aumentando a taxa de quadros de 29,97 quadros por segundo para até 120 quadros por segundo (HFR – High Frame Rate), cenas com movimentos rápidos como esportes e filmes de ação vão ficar ainda mais nítidas.

Aos novos e mais velhos, definitivamente a maneira com que acompanhamos os conteúdos na televisão, promete ser ainda mais emocionante com as novas transformações.

sábado, 25 de junho de 2016

Depois de 176 anos, estúdio fotográfico mais antigo do mundo é fechado

Fonte: Bokeh, The Hyndu


Fundado em 1840, o estúdio Bourne and Shepherd, em Calcutá (Índia), o mais antigo do mundo ainda em funcionamento fechará suas portas. Ele acaba de perder uma batalha judicial pelo prédio original. O estúdio ficou conhecido por ter produzido retratos de conhecidas figuras religiosas da Índia, governantes e grandes celebridades do país como o vencedor do prêmio nobel de literatura Rabindranath Tagore e cineasta Satyajit Ray, ganhador de um Oscar.
Um dos grandes motivos alegados para a decadência final do estúdio foi a chegada da fotografia digital. “Como você pode esperar que um estúdio opere nesta geração onde todos estão clicando fotos de seus celulares e câmeras digitais?”, disse um funcionário do estúdio ao jornal The Hyndu. Antes disso ainda, em 1991, um incêndio não só complicou o estúdio financeiramente, mas destruiu preciosos registros históricos armazenados em forma de negativo.
O anúncio do encerramento de atividades se dá justamente uma semana após a exposição “Bourne and Shepherd: Figures in Time” (Bourne e Shepherd: Figuras do Tempo), em Deli, mostrando a história e de alta qualidade da produção realizada. O estúdio fotográfico leva o nome dos seus criadores, os britânicos Charles Shepherd e Samuel Bourne.
Na última década, o estúdio esteve envolvido em uma longa batalha judicial contra a Life Insurance Corporation of India (LIC), proprietária original do edifício. “Nós só tinhamos o edifício em locação e devido a um problema de espaço, e uma discrepância sobre o aluguel, eles queriam de volta. Abrimos um processo em 2002 e, finalmente, perdemos a batalha na justiça”, disse Jayant Gandhi, proprietário desde 1964. Agora, o futuro e legado do estúdio está nas mãos da LIC. Espera-se apenas que a instituição saiba preservar o legado histórico não só indiano, mas da fotografia mundial.

domingo, 8 de março de 2015

Denúncia: Memória da imprensa gaúcha pede socorro

Por Rafael Lapuente. Texto publicado originalmente no blog O fato e a História.

Memória gaúcha entre goteiras e farelos:
 o acervo do museu Hipólito da Costa pede socorro

O descaso do setor público com a preservação da memória não é novidade no Brasil nem nos demais estados que compõe a federação. Deste descaso, não escapa nem o Rio Grande do Sul, onde é muito comum gaúchos propalarem aos quatro ventos o orgulho por sua história, por seu passado e por sua cultura. O leitor mais atento a atuação dos grandes meios de comunicação e as ações promovidas pelo Governo do Estado, certamente, poderia me desmentir ao argumentar as comemorações que, anualmente, tomam o estado para relembrar a guerra republicana de 1835, onde os membros do tradicionalismo gaúcho explanam seu culto ao que chama de valores e tradições do estado, ou outras ações nem sempre encabeçadas pelo governo estadual, como a anual Feira do Livro de Porto Alegre promovida pela prefeitura municipal.
Todavia, se fizermos uma análise mais profunda – que desconsidere a criação de novos memoriais como o dopinha e o de Luiz Carlos Prestes, onde não sabemos como o estado atuará no longo prazo em sua manutenção - é calamitosa a situação dos patrimônios já existentes que deveriam preservar a memória gaúcha. Além de estarmos com a centenária Biblioteca Pública estadual em reforma desde 2006 e sem previsão para conclusão, com todo seu acervo deslocado em um atendimento improvisado na Casa de Cultura Mário Quintana, o funcionamento arcaico e limitado do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul sem nenhuma perspectiva de informatização dos catálogos e com incapacidade para receber mais do que quatro pesquisadores por turno, a venda do centenário Castelo de Pedras Altas com uma riquíssima biblioteca e documentos pessoais importantes para conhecer a história econômica e política regional, oferecido ao governo do estado e procrastinada uma posição de compra e conservação dos materiais presentes no castelo, também o maior acervo de jornais do Rio Grande do Sul, que possui periódicos de desde o início do século XIX está em situação periclitante.
Goteiras atingem o acervo
O Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa, localizado bem no centro da cidade e antiga sede do jornal republicano A Federação, vem passando por severas dificuldades em manter a integridade do seu acervo e o funcionamento do setor, que atende pesquisadores pertencentes desde o ensino médio ao doutorado, abarcando diversas áreas, como direito, jornalismo, história, publicidade e propaganda, sociologia, marketing, ciência política e muitos outros cursos. 
A imensidão da tarefa de manter o acervo hoje é atendida com apenas um funcionário, encarregado de tomar conta da organização dos periódicos no arquivo e do atendimento ao público externo, sendo provavelmente o setor que mais recebe visitas no museu – vale lembrar que o museu tem outros setores importantíssimos, como de fotografia, cinema, rádio, exposições temporárias e permanentes e atendimento a comunidade em geral, recebendo atividades artísticas e culturais diversas durante todos os dias da semana.
Cupins em cima de jornais, como este exemplar de 1989 do Pioneiro.
Além disso, a falta de estrutura é particularmente a pior que este pesquisador já viu. Com umidade e nenhum controle termostato, o prédio sofre fortes infiltrações nas paredes, que acelera o processo de decomposição dos jornais. Não obstante, os pesquisadores que frequentam o museu não recebem a estrutura adequada para realizar suas atividades científicas: Hoje o Museu não dispõe de luvas descartáveis, máscaras ou álcool em gel para os profissionais que acessam jornais com ácaros e fungos, muitos deles com mais de 70, 80, 100 anos desde sua circulação.

Infiltrações tomam as paredes que abrigam os periódicos.
A situação estrutural do museu é tão preocupante que centenas de jornais estão expostos na sala de pesquisa, secando de goteiras advindas de um forte temporal que assolou Porto Alegre e atingiu periódicos como o Pasquim, Correio do Povo, Folha da Tarde, Diário de Notícias, A Ordem, O Pioneiro, Zero Hora, A Federação e outros jornais, sendo que muitos dos jornais atendidos, provavelmente, sejam os últimos exemplares disponíveis para a pesquisa, como possivelmente ocorreria se fossem destruídos os exemplares do  periódico O Povo, jornal Farrapo raríssimo que compõe o estoque do Museu. 
Sua extinção, assim como de outros jornais que tiveram duração extensa ou efêmera significaria a inacessibilidade para pesquisas futuras.
Jornais secando da chuva. Jornais esfarelados e tomados pela umidade.

Afora estes problemas, os jornais manuseados sofrem danificações naturais dos usos constantes. Muitos jornais estão se esfacelando sem nenhum projeto de restauro. Outros, esfarelados a ponto de serem retirados da disponibilidade dos pesquisadores, se encontram em separado para uma futura e imprevista restauração. 
O Museu Hipólito ainda conta com alguns jornais microfilmados, porém, a máquina de microfilme se encontra com defeito.
Jornais esfarelados pelo excesso de uso, mas ainda em acesso. Sem previsão de restauro.

A realidade que passa o Museu de Comunicação é bastante preocupante. O desleixo do executivo estadual com a manutenção dos jornais – que não são apenas do Rio Grande do Sul. 
Há jornais do centro do país e de diversos países nas mais variadas épocas – é enorme, o que demonstra também que o pouco interesse pela preservação da memória pelas instituições do estado. Até mesmo uma ação do Ministério Público que percorre contra o governo gaúcho se perlonga desde 2008.  
Neste ponto, não há dúvidas que o Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa pede socorro.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Uberlândia sedia Seminário Nacional sobre os 90 anos de Rádio no Brasil.

Neste ano de 2013, o rádio comemora 90 anos de sua instalação oficial no Brasil. E para comemorar a Universidade Federal de Uberlândia realiza nos próximos dias 3 e 4 de dezembro de 2013, o Seminário Nacional 90 anos de Rádio no Brasil. O evento é fruto da iniciativa do POPULIS – Núcleo de Pesquisa em Cultura Popular Imagem e Som, da Faculdade de Educação- Curso de Comunicação Social - Jornalismo da UFU e da Universidade Federal do Piauí – Departamento de História. 

Temos a honra de contar com a participação da Dra. Ana Baumworcel da UFF, da coordenadora dos programas de Educomunicação do Instituto GENS de Educação e Cultura e do Projeto Cala-boca já morreu, Dra. Grácia Lopes Lima, de Júlio de Paula da Rádio Cultura de São Paulo, da Dra. Nair Prata da UFOP, do Dr. Francisco Nascimento da UFPI, da Dra. Nélia Del Bianco da UNB e do Dr. José Geraldo Vinci de Moraes da USP.

Haverá sessões de comunicação com a apresentação de trabalhos de estudantes de graduação e de pós-graduação, professores e pesquisadores da área. Ao final do evento, os resumos serão disponibilizados através de anais e os trabalhos completos poderão compor uma publicação.

As inscrições serão cobradas no ato do evento e para participar basta acessar aqui e se cadastrar.

domingo, 23 de junho de 2013

Como os EUA conquistaram o Brasil usando a mídia

Por Leandro Severo*, publicado anteriormente em Carta Maior

Em 1957, uma CPI da Câmara dos Deputados, comprovou que O Estado de São Paulo, O Globo e Correio da Manhã foram remunerados pela publicidade estrangeira para moverem campanhas contra a nacionalização do petróleo. 
Em momentos cruciais para o país se inclinaram para o golpismo e a traição aos interesses nacionais: contra Getúlio, a Petrobrás, JK, contra Jango, apoiando a ditadura, Collor, FHC e suas privatizações, atacando Lula.
Em 1941, enquanto milhões de homens e mulheres derramavam seu sangue pela liberdade nos campos da Europa e da União Soviética, a elite dos círculos financeiros dos Estados Unidos já traçava seus planos para o pós-guerra.
Como afirmou Nelson Rockefeller, filho do magnata do petróleo John D. Rockefeller, em memorando que apresentava sua visão ao presidente Roosevelt: “Independente do resultado da guerra, com uma vitória alemã ou aliada, os Estados Unidos devem proteger sua posição internacional através do uso de meios econômicos que sejam competitivamente eficazes…” (COLBY, p.127, 1998).
Seu objetivo: o domínio do comércio mundial, através da ocupação dos mercados e da posse das principais fontes de matéria-prima.
Anos mais tarde o ex-secretário de imprensa do Congresso americano, Gerald Colby, sentenciava sobre Rockefeller: “No esforço para extrair os recursos mais estratégicos da América Latina com menores custos, ele não poupava meios” (COLBY, p.181, 1998).
Neste mesmo ano, Henry Luce, editor e proprietário de um complexo de comunicações que tinha entre seus títulos as revistas Time, Life e Fortune, convocou os norte-americanos a “aceitar de todo o coração nosso dever e oportunidade, como a nação mais poderosa do mundo, o pleno impacto de nossa influência para objetivos que consideremos convenientes e por meios que julguemos apropriados” (SCHILLER, p.11, 1976).
Ele percebeu, com clareza, que a união do poder econômico com o controle da informação seria a questão central para a formação da opinião pública, a nova essência do poder nacional e internacional.
Evidentemente para que os planos de ocupação econômica pelas corporações americanas fossem alcançados havia uma batalha a ser vencida: como usurpar a independência de nações que lutaram por seus direitos? Como justificar uma postura imperialista do país que realizou a primeira insurreição anticolonial?
A resposta a esta pergunta foi dada com rigor pelo historiador Herbert Schiller: “Existe um poderoso sistema de comunicações para assegurar nas áreas penetradas, não uma submissão rancorosa, mas sim uma lealdade de braços abertos, identificando a presença americana com a liberdade – liberdade de comércio, liberdade de palavra e liberdade de empresa. Em suma, a florescente cadeia dominante da economia e das finanças americanas utiliza os meios de comunicação para sua defesa e entrincheiramento onde quer que já esteja instalada e para sua expansão até lugares onde espera tornar-se ativa” (SCHILLER, p.13, 1976).
Foi exatamente ao que seu setor de comunicações se dedicou. Estava com as costas quentes, já que as agências de publicidade americanas cuidavam das marcas destinadas a substituir as concorrentes europeias arrasadas pela guerra.
O setor industrial dos EUA havia alcançado um vertiginoso aumento de 450% em seu lucro líquido no período 1940-1945, turbinado pelos contratos de guerra e subsídios governamentais.

Com esta plataforma invadiram a América Latina e o mundo.
Com o suporte do coordenador de Assuntos Interamericanos (CIIA), Nelson Rockefeller, mais de mil e duzentos donos de jornais latinos recebiam, de forma subsidiada, toneladas de papel de imprensa, transportada por navios americanos.
Além disso, milhões de dólares em anúncios publicitários das maiores corporações eram seletivamente distribuídos. É claro que o papel e a publicidade não vinham sozinhos, estavam acompanhados de uma verdadeira enxurrada de matérias, reportagens, entrevistas e releases preparadas pela divisão de imprensa do Departamento de Estado dos EUA.
A vontade de conquistar as novas “colônias” e ocupar novos territórios como haviam feito no século anterior, no velho oeste, não tinha limites.
No Brasil, circulava desde 1942, a revista Seleções (do Reader’s Digest), trazida por Robert Lund, de Nova York.
A revista, bem como outras publicações estrangeiras, pagavam os devidos direitos aduaneiros por se tratarem de produtos importados, mas solicitou, e foi atendida pelo procurador da República, Temístocles Cavalcânti, o direito de ser editada e distribuída no Brasil, com o argumento de ser uma revista sem implicações políticas e limitada a publicar conteúdos culturais e científicos. Assim começou a tragédia.
Logo chegou o grupo Vision Inc., também de Nova York, com as revistas Dirigente Industrial, Dirigente Rural, Dirigente Construtor e muitos outros títulos que vinham repletos de anúncios das corporações industriais.
Um fato bastante ilustrativo foi o da revista brasileira Cruzeiro Internacional, concorrente da Life International, que apesar de possuir grande circulação, nunca foi brindada com anúncios, enquanto a concorrente americana anunciava produtos que, muitas vezes, nem sequer estavam à venda no Brasil.
Ficava claro que os critérios até então estabelecidos para o mercado publicitário, como tempo de circulação efetiva, eficiência de mensagem e comprovação de tiragem, de nada adiantavam. O que estava em jogo era muito maior.
Um papel importantíssimo na ocupação dos novos mercados foi desempenhado pelas agências de publicidade americanas. McCann-Erickson e J. Warter Thompson eram as principais e tinham seu trabalho coordenado diretamente pelo Departamento de Estado. Para se ter uma ideia a McCann-Erickson , nos anos 60, possuía 70 escritórios e empregava 4619 pessoas, em 37 países, já a J. Warter Thompson tinha 1110 funcionários, somente na sede de Londres.
Os Estados Unidos tinham 46 agências atuando no exterior, com 382 filiais. Destas 21 agências em sociedade com britânicos, 20 com alemães ocidentais e 12 com franceses. No Brasil atuavam 15 agências, todas elas com instruções absolutamente claras de quem patrocinar.
No início dos anos 50, Henry Luce, do grupo Time-Life, já estava luxuosamente instalado em sua nova sede de 70 andares na área mais nobre de Manhattan, negócio imobiliário que fechou com Nelson Rockefeller e seu amigo Adolf Berle, embaixador americano no Brasil na época do primeiro golpe contra o presidente Getúlio Vargas.
Luce mantinha fortes relações com os irmãos Cesar e Victor Civita, ítalo-americanos nascidos em Nova Iorque. Cesar foi para a Argentina em 1941 onde montou a Editorial Abril, como representante da companhia Walt Disney, já Victor, em 1950, chega ao Brasil e organiza a Editora Abril.
Neste mesmo período seu filho, Roberto Civita, faz um estágio de um ano e meio na revista Time, sob a tutela de Luce e logo retorna para ajudar o pai.

Poucos anos depois, o mercado editorial brasileiro está plenamente ocupado por centenas de publicações que cantavam em prosa e verso o american way of life.
Somente a Abril, financiada amplamente pelas grandes empresas americanas, edita diversas revistas: Claudia, Quatro Rodas, Capricho, Intervalo, Manequim, Transporte Moderno, Máquinas e Metais, Química e Derivados, Contigo, Noiva, Mickey, Pato Donald, Zé Carioca, Almanaque Tio Patinhas, a Bíblia Mais Bela do Mundo, além de diversos livros escolares.
Em 1957, uma Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara dos Deputados, comprova que O Estado de São Paulo, O Globo e Correio da Manhã foram remunerados pela publicidade estrangeira para moverem campanhas contra a nacionalização do petróleo.
Em 1962, o grupo Time-Life encontra seu parceiro ideal para entrar de vez no principal ramo das comunicações, a Televisão. A recém-fundada TV Globo, de Roberto Marinho. Era uma estranha sociedade.
O capital da Rede Globo era de 600 milhões de cruzeiros, pouco mais de 200 mil dólares, ao câmbio da época. O aporte dado “por empréstimo” pela Time-Life era de seis milhões de dólares e a empresa tinha um capital dez mil vezes maior.
Como denunciou o deputado João Calmon, presidente da Abert (Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão): “Trata-se de uma competição irresistível, porque além de receber oito bilhões de cruzeiros em doze meses, uma média de 700 milhões por mês, a TV Globo recebe do Grupo Time-Life três filmes de longa metragem por dia – por dia, repito… Só um ‘package’, um pacote de três filmes diários durante o ano todo, custa na melhor das hipóteses, dois milhões de dólares” (HERZ, p.220, 2009).
O Brasil e o mundo estão em efervescência. A tensão é crescente com revoluções vitoriosas na China e em Cuba. A luta pela independência e soberania das nações cresce em todos continentes e os EUA colocam em marcha golpes militares por todo o planeta. A Guerra Fria está em um ponto agudo.
É nesse quadro que a Comissão de Assuntos Estrangeiros do Congresso dos EUA, em abril de 1964, no relatório “Winning the Cold War. The O.S. Ideological Offensive” define: “Por muitos anos os poderes militar e econômico, utilizados separadamente ou em conjunto, serviram de pilares da diplomacia. Atualmente ainda desempenham esta função, mas o recente aumento da influência das massas populares sobre os governos, associado a uma maior consciência por parte dos líderes no que se refere às aspirações do povo, devido às revoluções concomitantes do século XX, criou uma nova dimensão para as operações de política externa. Certos objetivos dessa política podem ser colimados tratando-se diretamente com o povo dos países estrangeiros, em vez de tratar com seus governos. Através do uso de modernos instrumentos e técnicas de comunicação, pode-se hoje em dia atingir grupos numerosos ou influentes nas populações nacionais – para informá-los, influenciar-lhes as atitudes e, às vezes, talvez, até mesmo motivá-los para uma determinada linha de ação. Esses grupos, por sua vez, são capazes de exercer pressões notáveis e até mesmo decisivas sobre seus governos” (SCHILLER, p.23, 1976).
A ordem estava dada: “informar”, influenciar e motivar. A rede está montada, o financiamento definido.
O jornalista e grande nacionalista, Genival Rabelo, exatamente nesta hora, denuncia no jornal Tribuna da Imprensa do Rio de Janeiro: “Há, por trás do grupo (Abril), recursos econômicos de que não dispõem as editoras nacionais, porém muito mais importante do que isso está o apoio maciço que a indústria e as agências de publicidade americanas darão ao próximo lançamento do Sr. Victor Civita, a exemplo do que já fizeram com as suas 18 publicações em circulação, bem como as revistas do grupo norte-americano Vision Inc.” (RABELO, p.38, 1966)
Mas é necessário mais. É preciso enfraquecer, calar e quebrar tudo que seja contrário aos interesses dos monopólios, tudo que possa prejudicar os interesses das corporações. A General Eletric, General Motors, Ford, Standard Oil, DuPont, IBM, Dow Chemical, Monsanto, Motorola, Xerox, Jonhson & Jonhson e seus bancos J. P. Morgan, Citibank, Chase Manhattan precisam estar seguros para praticar sua concorrência desleal, para remeter lucros sem controle, para desnacionalizar as riquezas do país se apossando das reservas minerais.
Várias são as declarações, nesta época, que deixam claro qual o caminho traçado pelos EUA. Nas palavras de Robert Sarnoff, presidente da RCA – Radio Corporation of America – “a informação se tornará um artigo de primeira necessidade equivalente a energia no mundo econômico e haverá de funcionar como uma forma de moeda no comércio mundial, convertível em bens e serviços em toda parte” (SCHILLER, p.18, 1976).
Já a Comissão Federal de Comunicações (FCC), em informe conjunto dos Ministérios do Exterior, Justiça e Defesa, afirmava: “As telecomunicações evoluíram de suporte essencial de nossas atividades internacionais para ser também um instrumento de política externa” (SCHILLER, p.24, 1976).
É esclarecedor o pensamento do delegado dos Estados Unidos nas Nações Unidas, vice-ministro das Relações Exteriores, George W. Ball, em pronunciamento na Associação Comercial de Nova Iorque: 

“Somente nos últimos vinte anos é que a empresa multinacional conseguiu plenamente seus direitos. Atualmente, os limites entre comércio e indústria nacionais e estrangeiros já não são muito claros em muitas empresas. Poucas coisas de maior esperança para o futuro do que a crescente determinação do empresariado americano de não mais considerar fronteiras nacionais como demarcação do horizonte de sua atividade empresarial” (SCHILLER, p.27, 1976).
A ação desencadeada pelos interesses externos já havia produzido a falência de muitos órgãos de imprensa nacionais e, por outro lado, despertado a consciência de muitos brasileiros de como os monopólios utilizam seu poder de pressão e de chantagem.
Em 1963, o publicitário e jornalista Marcus Pereira afirmava em debate na TV Tupi, em São Paulo: “Em última análise, a questão envolve a velha e romântica tese da liberdade de imprensa, tão velha como a própria imprensa. Acontece que a imprensa precisa sobreviver, e, para isso, depende do anunciante. Quando esse anunciante é anônimo, pequeno e disperso não pode exercer pressão, por razões óbvias. É o caso das seções de ‘classificados’ dos jornais. Mas poucos jornais têm ‘classificados’ em quantidade expressiva. A maioria dos jornais e a totalidade das revistas vivem da publicidade comercial e industrial, dos chamados grandes anunciantes. Acho que posso parar por aqui, porque até para os menos afoitos já adivinharam a conclusão” (RABELO, p.56, 1966).
Não é difícil perceber o quanto a submissão aos interesses econômicos estrangeiros levou a dita “grande mídia” brasileira a se afastar da nação. A se tornar, ao longo dos anos, em uma peça chave da política do Imperialismo.
Em praticamente todos os principais momentos da vida nacional se inclinaram para o golpismo e a traição. Já no primeiro golpe contra Getúlio, depois, contra sua eleição, contra sua posse, contra a criação da Petrobrás, contra a eleição de Juscelino, contra João Goulart, contra as reformas de base, apoiando a Ditadura, apoiando a política econômica de Collor, apoiando Fernando Henrique e suas privatizações, atacando Lula.
Hoje, ela novamente tem lado: o das concessões de estradas, portos e aeroportos, o dos leilões de privatização do petróleo e da necessidade da elevação das taxas de juros, do controle do déficit público com evidentes restrições aos investimentos governamentais, ou seja, da aceitação de um neoliberalismo tardio.

Porque atuam desta forma?
Genival Rabelo deu a resposta: “Um industrial inteligente desta cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro me fez outro dia, esta observação, em forma de desafio: ‘Dou-lhe um doce, se nos últimos cinco anos você pegar uma edição de O Globo que não estampe na primeira página uma notícia qualquer da vida americana, dos feitos americanos, da indústria americana, do desenvolvimento científico americano, das vitórias e bombardeios americanos. A coisa é tão ostensiva que, muita vez, sem ter o que publicar sobre os Estados Unidos na primeira página, estando o espaço reservado para esse fim, o secretário do jornal abre manchete para a volta às aulas na cidade de Tampa, Miami, Los Angeles, Chicago ou Nova Iorque. Você não encontra a volta às aulas em Paris, Nice, Marselha, ou outra cidade qualquer da França, na primeira pagina de O Globo, porque, de fato, isso não interessa a ninguém. Logo, não pode deixar de haver dólar por trás de tudo isso…’ Outro amigo presente, no momento, e sendo homem de publicidade concluiu, deslumbrado com seu próprio achado: ‘É por isso que O Globo não aceita anúncio para a primeira página. Ela já está vendida. É isso. É isso!’. ‘E muito bem vendida, meu caro – arrematou o industrial – A peso de ouro’ ” (RABELO, p.258, 1966).
* Secretário Municipal de Comunicação em São Carlos entre 2007 e 2012 .

Referências:


§          COLBY, G; DENNETT, C. Seja feita a vossa vontade: a conquista da Amazônia, Nelson Rockefeller e o evangelismo na idade do Petróleo. Tradução: Jamari França. Rio de Janeiro: Record, 1998.
§          HERZ, D. A história secreta da Rede Globo. Porto Alegre: Dom Quixote, 2009. Coleção Poder, Mídia e Direitos Humanos.


§          RABELO, G. O Capital Estrangeiro na Imprensa Brasileira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966 
§          SCHILLER, H. I. O Império norte-americano das comunicações. Tradução: Tereza Lúcia Halliday Petrópolis: Vozes, 1976.


sábado, 18 de maio de 2013

Terminam neste domingo inscrições ao 9º Encontro Nacional de História da Mídia


Enviado por Nair Prata
Terminam neste domingo, 19, as inscrições ao 9º Encontro Nacional de História da Mídia, que será realizado de 30/5 a 1º/6, em Ouro Preto (MG), numa realização da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia (Alcar) e Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).
A conferência de abertura será feita pelo prof. Venício Lima, que falará sobre o tema central do evento: História da comunicação ou história da mídia? Fronteiras conceituais e diferenças.
O evento contará com intensa programação científica e cultural. Além disso, quem se inscrever no 9º ENHM poderá participar também, livremente, do Fórum das Letras, evento que será realizado de 29/05 a 02/06, também em Ouro Preto.
A realização do 9º ENHM coincide, ainda, com o feriado de Corpus Christi, uma das festas religiosas mais tradicionais de Ouro Preto, quando a cidade é coberta de vistosos tapetes de serragem colorida e abriga procissões que atraem turistas do mundo inteiro.
A programação científica inclui as sessões dos oito Grupos de Trabalho (GTs) e também:
·     8 mesas temáticas: Mídia e Ditadura, 25 anos da morte de Henfil, Mídia e História Oral, Imprensa e Século XX, Interfaces da História da Mídia no Brasil e em Portugal, PensaCom Brasil, História da Imprensa em MG e Imprensa Eclesial em Mariana.
·       6 conferências:História da comunicação ou história da mídia? Fronteiras conceituais e diferenças, NINJA – Narrativas Integradas de Jornalismo e Ação, A Visualidade na Mídia, Mídia e Redes da Sociedade: Questões Contemporâneas,  História do Ensino em Jornalismo e Comunicação: limitações e perspectivas, Mídia e Direitos Humanos.
·    11 minicursos: História da Telenovela, Mitos e Mídia Impressa, Convergência de Mídias e Comunicação Organizacional, TV Digital, Curso básico de edição de vídeo – “Reportagem televisiva”, Panorama histórico da fotografia documental, Reflexão sobre o tratamento dado pela mídia televisão ao público criança (6 a 10 anos): uma abordagem histórica,Comunicação para a transformação social, La crítica musical, qué es, para qué sirve, O Correio da Manhã e a crítica literária.
·   8 oficinas: Livro e eternidade: o lugar da reportagem, Cobertura Colaborativa, O perfil no jornalismo, Jornalismo e Literatura, Apuração e redação jornalística para a internet, Stop Motion – meio de expressão, experimentação e produção audiovisual.
Entre os convidados para participar das atividades estão, dentre muitos outros: Audálio Dantas (Comissão Nacional da Verdade), Chema García Martinez (El País), Rogério Santos (Universidade Católica Portuguesa), Marialva Barbosa (UFRJ), Chantal Herskovic (quadrinista), Eduardo Meditsch (UFSC), Carlos Andreazza (Editora Record), Elias Machado (UFSC) , João Alegria (Canal Futura), Paulo Markun (Brado Retumbante), João Gabriel de Lima (Revista Época), Lúcia Araújo (Canal Futura), Leonardo Sakamoto (ONG Repórter Brasil), Lucas Figueiredo (Comissão Nacional da Verdade), Jorge Rocha (UNA) e Sergio Esteves (TV Brasil).
Já a programação cultural inclui exposições de livros, jornais, caricaturas, artesanato mineiro e apresentações artísticas.
A programação completa e as inscrições podem ser aqui.

Livro analisa evolução histórica do jornalismo brasileiro


O jornalista cachoeirense (ES) e radicado em Brasília, Sergio Garschagen, lança o livro Cemitério dos elefantes, editado pela Booklink Publicações, no dia 24 de maio, sexta-feira, de 15h às 18h, por ocasião do seminário “Novas mídias, novas comunicações, novas educações”, que acontece no Auditório Dois Candangos, da Faculdade de Educação da UNB.
O evento é iniciativa do Laboratório Ábaco de Pesquisas Interdisciplinares sobre Informática e Educação da FE/UNB. Tem por objetivo analisar o impacto dos novos meios de informação e comunicação na produção de informações, notícias e conhecimentos. A pauta tem tudo a ver como livro. Serão debatedores: o jornalista Hugo Costa, secretário de comunicação social da UnB; o promoter e blogueiro Tiago Correia; a jornalista Dadi Squarisi, doCorreio Brasiliense; a professora Mariana Letti, da Secretaria de Educação do DF; além do autor do livro; e atuando como mediador Gilberto Lacerda Sant os, professor associado da Faculdade de Educação da UnB e coordenador do Ábaco. Os autógrafos ocorrerão logo após o encerramento do evento, a partir das 18h, na Livraria Hildebrando, localizado no hall do auditório.
Livro
Cemitério dos elefantes, originariamente tese de mestrado em Ciências Políticas defendida por Garschagen no Centro Universitário Unieuro, aborda a evolução histórica do jornalismo brasileiro, a começar pela liberdade de imprensa. Mostra que o atrelamento da mídia ao Estado, em termos publicitários, além de limitar o conteúdo dos veículos, tem levado ao fechamento de vários deles, sempre que a “mina”, por interesses políticos, seca. Outra crise, mais recente, é o advento da internet, com a notícia em tempo real – concorrência que também contribui para enxugar o número de veículos impressos, incentivando o pensamento único e reduzindo o mercado de trabalho. Os grandes expulsos dele são os profissionais mais experientes, substituídos pelos mais jovens, em nome de mais agilidade e menores custos.
 O autor
Sergio Garschagen tem 30 anos de dedicação ao jornalismo, dos quais boa parte exercita em Brasília, onde se formou em Comunicação e fez mestrado em Ciências Políticas. Atuou na Gazeta Mercantil, em O Globo e no Jornal de Brasília, assim como nas assessorias de imprensa do Ministério do Planejamento e Orçamento e do Banco Central do Brasil. Com o selo da BOOKLINK, o livro foi editado pelos jornalistas e editores Glauco de Oliveira e Bruno Torres Paraiso, com prefácio do experiente jornalista Valério Fabris, que hoje preside, em Belo Horizonte, a Rádio Inconfidência, do governo de Minas Gerais.

terça-feira, 12 de março de 2013

Jornalista Abdias Silva é tema de livro



Romance biográfico será lançado em Brasília no próximo dia 15

Caríssimo Abdias é um romance inspirado na vida do jornalista Abdias Silva. Basicamente, o livro conta a história de uma viagem a bordo do Ita entre o Maranhão e o Rio Grande do Sul, mas é dentro desse navio que, por meio de diálogos entre um jovem jornalista e um jornalista já aposentado, a narrativa é construída. Essas duas personagens têm íntima relação com a figura real que motivou o trabalho.

Abdias era piauiense e fez carreira numa das folhas mais tradicionais do Rio Grande do Sul: O Correio do Povo. A vida de Abdias como gaúcho nasceu no ano de 1939, a partir de uma carta que escreveu ao escritor Erico Verissimo com um pedido de emprego. O escritor, que já era nacionalmente famoso, mandou buscar o jovem estudante e lhe deu um emprego na Revista do Globo. Depois disso, Abdias viveu quase 30 anos em Porto Alegre, e saiu do Sul apenas quando se mudou para Brasília, em 1967.

A autora do livro é formada em publicidade e em jornalismo pela Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, além de ser neta do biografado. O tema foi o alvo da monografia final de conclusão do curso. Depois de mais de dois anos de pesquisa, projeto final de curso em Jornalismo pela UnB, o livro reúne, além do romance, uma série de fotos e textos do biografado, numa espécie de memória fotográfica e textual. A parte de arquivo aparece para complementar e apresentar ao leitor as referências reais do romance que ele tem em mãos. A própria direção de arte do livro, desenvolvida pela designer Flora Egécia, contribui compor um projeto único que reúne o romance biográfico,por um lado, e a memória de crônicas, fotografias e cartas de Abdias Silva,por outro.

A primeira edição do livro, a ser lançada no próximo dia 15, em Brasília, saiu pela Editora Casa das Musas, de Brasília.

Serviço:

Lançamento: “Caríssimo Abdias,um romance biográfico”  
Data e horário: sexta-feira, 15/03/2013, às 19h.  
Local: Restaurante Carpe Diem, 104 sul, Brasília, DF      
Preço: O livro será vendido por R$ 30,00.
Contato com a autora: marianacapelo@gmail.com; (061) 92311803.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Croniqueta - O raio que produz jornalista - parte 2


Por Tão Gomes Pinto 
Dizia eu: estava no bar, tomando um cafezinho, levanto os olhos e quem vejo? O próprio Almir ao vivo e a cores, diante da Telefônica, na Sete de Abril. O Almir que, naquela altura do championship, deveria estar sendo procurado por todos os repórteres esportivos de São Paulo, Santos, e adjacências.


Leia aqui:

Croniqueta - O raio que produz jornalista - parte 1


Devo esclarecer que somos temperamentos opostos, ele e eu. 
Sou tímido de nascença. Tenho vergonha de tudo, especialmente de me meter na vida dos outros, que é basicamente o que faz um repórter. Num certo sentido, sou um anti-repórter. 
Detesto perguntar. Prefiro prestar atenção. 
O Almir era o contrário. Voluntarioso seria pouco para ele. 
Tempos depois, o Augusto Saraiva, diretor do Santo F.C., me contaria que naquela final contra o Milan, o Almir estava tão dopado que saiam faíscas da sua chuteira. 
Antes do jogo, ele insistia em subir pelas paredes ladrilhadas do vestiário do Maracanã. 
Noutra ocasião, jogando no Flamengo, numa final contra o Bangu, que dava um baile no pessoal do Mengão, um diretor perguntou ao Almir: Eles não vão dar a volta olímpica, não é? 
Faltavam poucos minutos para terminar o jogo, o Almir dá uma tesoura voadora num adversário e provoca um dos maiores sururus (termo técnico) da história do Maracanã. Claro. Não havia clima para voltas olímpicas. 
Eu, atingido pela maldição do raio, teria que abordar esse indivíduo ali, descendo a calçada da Rua Marconi, dizer a ele boa tarde, sou jornalista, e gostaria de... 
Almir parou, me olhou debaixo para cima (era baixinho, a fera) e perguntou: Gostaria do que? De saber se você vai para o Santos. Ele: olha cara, no momento estou indo no alfaiate. E dá o fora rápido antes que eu me irrite. E saiu em direção da Barão de Itapetininga. 
Se um gari passasse por ali naquela hora, e me varresse para o bueiro mais próximo, eu diria obrigado, gentileza sua. Me sentia um lixo. Tivera nas mãos um tesouro e deixara ele escapar. Estava ali na esquina, paralisado, quando o raio voltou.
Porra, esse cara tem que ser jornalista, já pus ele na relação. Esse imbecil, covarde, cagão não vai me escapar assim. 
Dito o que, eu respirei fundo, atravessei a Barão e fui, de prédio em prédio, indagando na portaria: tem alfaiate nesse prédio? Não. 
Tem. Qual o andar. Sétimo. Subia. Não era ali. Talvez no vizinho. Meu Vulcabrás espantado com a minha determinação.
Até que, no edifício da Galeria Guatapará, no quarto andar, abre a porta do elevador e eu vejo, faiscante como um luminoso de Las Vegas, o letreiro Lamback Alfaiate. Abro a porta e com quem eu topo?
Com o Mauro Ramos de Oliveira, meu ídolo no São Paulo, que por desleixo da diretoria fora negociado com o Santos. 
Pronto. O Almir estava, de novo, ao meu alcance. Eu sabia que, atrás daquela cortina, tirando as medidas para um terno novo, estaria o meu personagem... 
Mauro Ramos de Oliveira, com quem eu aprendera o que é ser elegante no campo ou fora dele (é simples, basta não fazer gestos inúteis). O homem que levantou a Taça do Mundo 1982 com um movimento que eu definiria como sublime, e que estava ali para , junto com o maldito raio, me
fazer um jornalista pelo resto da vida.

(final da parte 2 - amanhã, se calhar, conto a 3)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Ouro Preto sedia 9º Encontro Nacional de História da Mídia


Enviado por  Nair Prata
O 9º Encontro Nacional de História da Mídia será realizado de 30 de maio a 1º de junho de 2013, no Centro de Convenções de Ouro Preto (MG), sobre o tema central “História da Comunicação ou História da Mídia? – Fronteiras conceituais e diferenças”, numa realização da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia (Alcar).  O evento também vai realizar a segunda edição do Prêmio José Marques de Melo de Estímulo à Memória da Mídia, uma exposição de trabalhos científicos para alunos de graduação.
A organização do evento é do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) que realizou este ano, com grande sucesso, o Intercom Sudeste 2012. A Comissão Organizadora está preparando uma densa programação acadêmica e cultural com o objetivo de realizar um congresso de qualidade. 
Já estão sendo finalizadas parcerias com a rede hoteleira de Ouro Preto para facilitar a hospedagem dos congressistas. Para quem preferir ficar nas tradicionais repúblicas da cidade, muitas delas vão receber os participantes do evento pela diária de 15 reais, incluindo o café da manhã.
As inscrições estarão abertas de 1º de março a 19 de maio de 2013 e o valor da taxa varia de acordo com a data, titulação e filiação à Alcar. A submissão de trabalhos estará aberta de 1º de março a 22 de abril de 2013. Os artigos para apresentação no evento podem ser inscritos em um dos Grupos de Trabalho da Alcar (relação abaixo).
 
 Todas as informações sobre o 9º Encontro Nacional de História da Mídia  estão disponíveis aqui ou pelo e-mail historiadamidia@icsa.ufop.br. O evento também já está nas redes sociais: Facebook e Twitter (HistoriaMidia). O blog mapeia Ouro Preto para o congressista, com dicas de alimentação, hospedagem, pontos turísticos, transporte e saúde.
 


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Enciclopédia do Rádio Esportivo Brasileiro é lançada em BH

A Enciclopédia do Rádio Esportivo Brasileiro será lançada no próximo dia 24 de outubro, a partir das 20h, no Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), rua Diamantina, 567, bairro Lagoinha. O livro, organizado pelas jornalistas e professoras mineiras Nair Prata e Maria Cláudia Santos, tem prefácio do presidente da Intercom, Antonio Hohlfeldt. O trabalho é mais uma investigação coletiva do Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom e conta com a colaboração de 121 autores.
Publicada pela Editora Insular, com o apoio da Intercom, a Enciclopédia apresenta as biografias – com fotos – dos 231 mais importantes radialistas esportivos de todos os Estados brasileiros, incluindo o Distrito Federal. Segundo a professora Nair, “o livro nasceu da necessidade de se contar a história de uma das facetas mais ricas e mais populares da radiofonia, a programação esportiva, mas não de uma forma linear. Buscamos contar essa história por meio da recuperação da trajetória dos personagens que a construíram”.
A professora Maria Cláudia explica: “Certamente, se fôssemos levantar e biografar os nomes mais importantes do rádio esportivo brasileiro, uma saída óbvia seria apenas o eixo Rio-São Paulo, além de alguns radialistas mais visados aqui e ali. Assim, decidimos fazer uma pesquisa em que cada Estado pudesse definir e biografar os seus nomes mais importantes. O resultado é um rico panorama de biografias de radialistas com representação real para a sua região de origem e, certamente, para o país como um todo”.
A primeira etapa da pesquisa consistiu na formação do grupo de investigadores, com pelo menos um representante de cada Estado e também do Distrito Federal. Ao final, participaram da Enciclopédia 84 pesquisadores, que contaram com a colaboração de 37 estudantes de graduação - ao todo, 121 pessoas envolvidas.
Depois de montado o grupo de pesquisadores, cada Estado fez um levantamento dos nomes mais importantes do rádio esportivo da sua região. A orientação era que cada grupo biografasse as principais pessoas – vivas ou falecidas – que, de forma decisiva, contribuíram para a construção e consolidação da programação esportiva radiofônica do seu Estado.
Reunida a grande lista dos nomes a serem biografados, os pesquisadores saíram a campo e realizaram entrevistas, buscaram livros, procuraram sites, vasculharam arquivos de fotos. O resultado, apresentado na Enciclopédia do Rádio Esportivo Brasileiro, é a trajetória de 231 profissionais que, de Norte a Sul, marcaram - ou ainda marcam – o cenário esportivo radiofônico do país.
Em Minas Gerais, foram biografados 19 radialistas esportivos: Adelchi Ziller, Alberto Rodrigues, Aldair Pinto, Carlyle Guimarães, Chico Maia, Dirceu Pereira, Emanuel Carneiro, Gil Costa, Jairo Anatólio Lima, Januário Carneiro, João Bosco Torres, Luiz Carlos Alves, Mário Henrique, Milton Naves, Osvaldo Faria, Roberto Abras, Waldir de Castro, Waldir Rodrigues e Willy Gonser.
O grupo de pesquisadores de Minas Gerais é formado por 13 profissionais: Andreza Gischewsky (TV Bandeirantes), Ângela de Moura (PBH), Bruno Torres (Rádio Líder e Univiçosa), Carolina Fernandes (TV Betim), Daniel Seabra (Jornal Aqui Betim), Jacqueline Moura (Rádio Itatiaia), Jaqueline Morelo (UniBH), Leopoldo Siqueira (TV Alterosa), Marcos Guiotti (Rádio CBN), Maria Cláudia Santos (Rádio Itatiaia), Nair Prata (UFOP), Waldiane Fialho (UniBH) e Wanir Campelo (UniBH) e ainda a aluna do curso de Administração da PUC Minas Yasmim Martins.
O livro teve o lançamento nacional em Fortaleza, em setembro e agora vários lançamentos regionais estão sendo realizados em diversos estados brasileiros.
Serviço
Lançamento do livro: Enciclopédia do Rádio Esportivo Brasileiro
Local: Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH)
Endereço: Rua Diamantina, 567 – Bairro Lagoinha
Data: 24 de outubro (quarta-feira) - Horário: 20h às 22h
Contatos: (31)9985-5826 – Nair Prata, (31)9757-8756 – Maria Cláudia Santos