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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A mídia tradicional e a negação do projeto de direito de resposta

Câmara aprova PL que regulamenta Constituição e, antes de virar lei, texto já recebe ataque dos veículos contrários a qualquer regra para a imprensa. Proposta do senador Roberto Requião volta para segunda votação no Senado.
Por Bia Barbosa*

Não é fácil admitir que nós, jornalistas, também erramos. E que nosso erro pode fazer muito mal aos outros. Nos bancos das faculdades de comunicação, muito pouco se debate, com profundidade, sobre ética jornalística, sobre a responsabilidade que os meios de comunicação de massa devem ter ao divulgar fatos e dados. Muito menos sobre o direito que o outro, de quem falamos ou escrever, tem de ser ouvido e tratado com igual respeito.
Essa sensação de poder só se reforça quando chegamos às redações. Ali, o culto ao absolutismo da liberdade de imprensa é martelado cotidianamente em nossas cabeças pelos colegas “mais experientes”, pelos chefes e pelos donos do veículo. Qualquer restrição à atuação do jornalista – incluindo a necessidade de dar voz a todos os lados envolvidos numa história – é rapidamente tachada de censura.
Esta semana, uma vez mais, os tradicionais veículos de comunicação do país se levantaram contra um direito fundamental, consagrado internacionalmente muito antes da própria Constituição brasileira incorporá-lo em nosso ordenamento jurídico, alegando “risco à liberdade de expressão”. Liberdade de quem?
Depois de três anos tramitando no Congresso, a Câmara dos Deputados aprovou, no último dia 20, o PL 6446, que regulamenta a garantia do direito de resposta. Desde a revogação total, pelo Supremo Tribunal Federal, em 2009, da Lei de Imprensa, o dispositivo constitucional não conta com uma lei específica que detalhe como os meios de comunicação devem proceder em caso de erro ou ofensa praticada contra qualquer cidadão.
Por conta disso, são inúmeros os casos de pessoas que não conseguem exercer seu direito de resposta contra o mal jornalismo, mesmo que a Constituição o garanta. O texto, modificado, ainda voltará ao Senado, mas já vem sendo alvo de críticas contundentes daqueles que não querem respeitar qualquer regra para operar seu negócio (no caso, vender jornal e revista ou lucrar com os anúncios publicitários no rádio e na TV).
Em editorial do último domingo, o Estadão afirma que o projeto é um “verdadeiro instrumento de coação a quem queira se manifestar”. Isso porque, para o jornal, só teria direito de resposta aquele que fosse vítima de uma informação errada de um veículo, e não quem também fosse ofendido pela imprensa.
Acontece que a nossa legislação em vigor já garante que um veículo ou jornalista possa ser processado por injúria, calúnia ou difamação – condutas que, como se sabe, vão bem além da veiculação de informações comprovadamente inverídicas, e se enquadram nos chamados “crimes contra a honra”, que existem em todo o mundo.
O que não existe, aqui no Brasil, e o PL 6446/13, de autoria do senador Roberto Requião, propõe reestabelecer, é um rito para que o direito de resposta seja garantido, e não dependa do bel prazer dos veículos de comunicação. Ao contrário do que afirma o Estadão, os Códigos Civil e Penal do país não tem assegurado a reparação de dados advindos da atividade jornalística. Muito pelo contrário. Há casos que estão há mais de cinco anos à espera de um posicionamento da Justiça – que, aliás, nem precisaria ser acionada, caso os veículos fossem capazes de admitir seus erros e abrir espaço para o contraditório em suas páginas ou programas na TV e no rádio.
Caso o projeto venha a ser aprovado no Senado, o juiz poderá se manifestar nas 24 horas seguintes à citação, já determinando a data e demais condições para a veiculação da resposta. Ou seja, será garantida agilidade nos processos e, assim, efetividade na resposta do cidadão ofendido. Afinal, de que adianta um direito de resposta concedido cinco anos depois do dano causado? Muito pouco...
Além do prazo, o projeto também garante a resposta ou retificação na mesma proporção do agravo, com divulgação gratuita. Ou seja, não vale mais dar uma notinha no rodapé da última página do jornal para retratar um erro cometido em uma manchete de primeira página. Nem ler duas frases no telejornal para retificar uma reportagem de cinco minutos. Muito menos corrigir um erro cometido em horário nobre na programação da madrugada.
E isso é democrático; fundamental para estimular o exercício da boa prática jornalística, para um retorno à credibilidade da imprensa pela sociedade e para equilibrar minimamente o poder de divulgação dos meios de comunicação com os direitos dos cidadãos e cidadãs, reforçando a importância de uma mídia democrática e plural no país.
Lobby midiático
Não é só agora, pós-votação do projeto na Câmara, que os meios de comunicação estão se posicionando sobre o texto. Durante toda a tramitação do PL, as associações que representam os veículos impressos e de radiodifusão no país pressionaram fortemente os partidos políticos e parlamentares para que o direito de resposta continuasse desregulamentado. Além de prorrogar a votação do texto, que estava pronto há meses para ser apreciado pelo plenário, os donos da mídia convenceram parte importante dos deputados contra o texto.
Durante a votação, o deputado Miro Teixeira (Rede/RJ) chegou a declarar que os homens públicos já têm acesso aos meios de comunicação para responder aos erros e ofensas publicados, seja por meio de notas ou pela convocação de entrevistas coletivas. Mas e o cidadão comum, deputado, faz como? Para o deputado Sandro Alex (PPS/PR), a projeto é um retrocesso, e representa a censura, “o controle da mídia”. Como assim, se o direito de resposta só será veiculado após a publicação de um fato inverídico ou ofensa e depois de uma decisão judicial equilibrada?
É exatamente o contrário. Na prática, a regulamentação do direito de resposta garante mais diversidade de opiniões e mais pluralidade – e não menos. Nenhum jornalista ou veículos será impedido de investigar o que quiser e de publicar suas opiniões. Somente deverá abrir espaço para outros lados e para correções caso já não faça isso no próprio exercício de suas funções ou publique informação mentirosa. Do contrário, tudo continua como está.
O lobby midiático conquistou ainda os votos do DEM e do PSDB contrários ao projeto. E conseguiu alterar, na Câmara, um dos aspectos do texto que saiu do Senado: a possibilidade do próprio cidadão ofendido se pronunciar, pessoalmente, no rádio ou na TV para exercer sua resposta. Na versão que passou na Câmara, são os profissionais do veículo que devem divulgar a resposta. Por conta disso, a aprovação da lei foi prorrogada uma vez mais, tendo o PL que passar novamente no Senado.
Mas a medida deve ser celebrada. Em plena Semana Nacional pela Democratização da Comunicação – que aconteceu em 14 estados da federação, entre os dias 14 e 21 de outubro, com debates, atos culturais e audiências públicas sobre o tema –, o Congresso Nacional deu uma boa notícia para a sociedade brasileira. A de que os princípios constitucionais relacionadas à área da comunicação devem ser regulamentados, para se tornarem prática.
Agora só falta fazer o mesmo com os artigos que proíbem o monopólio dos meios de comunicação e a concentração de meios no setor privado (prevendo sua complementaridade com os canais públicos e estatais) e que garantem espaço para a programação regional e independente nos meios. A pressão contrária dos grandes meios continua, obviamente. Mas a aprovação do PL do direito de resposta na Câmara dos Deputados, presidida por Eduardo Cunha, mostra que nem tudo está perdido.

* Bia Barbosa é jornalista, integrante da Coordenação Executiva do Intervozes e do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação.
 

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Internet: CCJ da Câmara aprova 'direito ao esquecimento' .

Da Agência Brasil
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira o projeto de lei 215/20125, que modifica o Marco Civil da Internet e permite o chamado "direito ao esquecimento". A proposta segue agora para votação no plenário.
O projeto do deputado Juscelino Filho (PRP-MA) permite a qualquer pessoa requerer na Justiça a remoção de conteúdo que "associe o seu nome ou imagem a crime de que tenha sido absolvido, com trânsito em julgado, ou a fato calunioso, difamatório ou injurioso". O texto conta com o apoio do presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que acelerou sua tramitação na Casa.
O PL 215/20125 também amplia as informações de identificação de usuários da internet, como CPF, conta de e-mail e telefone, que podem ser solicitadas sem autorização da Justiça, assim como filiação e endereço do autor de páginas ou comentários.
Críticas - Para relator do Marco Civil na Câmara, deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), o projeto representa um risco para a construção da memória e da história brasileira. Molon argumenta que informações sobre processados criminalmente, mesmo que absolvidos, são importantes para a construção da memória nacional. Molon usou como exemplo o caso do ex-presidente Fernando Collor, que foi afastado pelo Congresso, mas absolvido no Supremo Tribunal Federal.
"A informação de que ele foi processado no Supremo, mesmo que tenha sido absolvido, é uma informação relevante do ponto de vista histórico e você não pode apagar e fingir que isso não existiu", disse o deputado.
O Conselho de Comunicação do Congresso Nacional também se posicionou contra o projeto, assim como o Comitê Gestor da Internet no Brasil que, na semana passada, editou uma resolução que diz que o texto subverte "os princípios e conceitos fundamentais da Internet" ao propor o estabelecimento de "práticas que podem ameaçar a liberdade de expressão, a privacidade dos cidadãos e os direitos humanos em nome da vigilância, bem como desequilibrar o papel de todos os atores da sociedade envolvidos no debate".

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Câmara aprova isenção fiscal na importação de equipamento fotográfico profissional

Reportagem: Marcello Larcher, edição - Regina Céli Assumpção, da Agência Câmara
A proposta autoriza o Executivo a conceder a isenção por cinco anos,mas falta votação no Senado Federal



A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (18/8) a proposta que autoriza o Executivo a conceder por cinco anos isenção de impostos e contribuições a fotógrafos, repórteres fotográficos e cinematográficos, cinegrafistas e operadores de câmera para importação de equipamentos de uso exclusivo na atividade profissional.
Pelo texto, a isenção abrange o Imposto de Importação, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), oPIS/Pasep/Importação; e aCofins/Importação e só vale para produtos sem similares nacionais.
Como tramita em caráter conclusivo, o projeto será enviado ao Senado, caso não haja recurso.
O texto aprovado tem como base o substitutivo da Comissão de Finanças e Tributação para o Projeto de Lei 2114/11, que estendeu o benefício da renúncia fiscal a repórteres fotográficos, cinematográficos e operadores de câmera, os quais, segundo ele, merecem igual tratamento. O projeto original previa renúncia fiscal automática, mas apenas para fotógrafos e cinegrafistas.
Autorização
A comissão também alterou o caráter da norma para autorizativo para adequá-la às exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF - Lei Complementar 101/00). De acordo com a LRF, qualquer medida que implique redução de receita precisa vir acompanhada do impacto orçamentário-financeiro e da respectiva compensação. O texto original do PL é omisso quanto a essas informações.
O relator da proposta na CCJ, deputado Felipe Maia (DEM-RN), argumentou, no entanto, que a Constituição não permite conceder isenções por decreto, e somente confere legitimidade Executivo para expedir decretos regulamentares. "Por isso a CCJ considera que projetos autorizativos são inócuos, pois não criam obrigação e nem sanção em caso de descumprimento de parte do Poder Executivo", disse.
Benefício
Segundo o texto aprovado, para obter o benefício, os profissionais terão de comprovar o exercício da profissão em sua carteira de trabalho ou certidão, no caso de servidores públicos.
Para permitir a fruição do benefício por prestador de serviço autônomo ou Pessoa Jurídica, o substitutivo exige a apresentação, respectivamente, da inscrição no INSS ou do contrato social da empresa, assim como o recolhimento da contribuição previdenciária respectiva.
Há ainda um dispositivo para evitar possíveis desvios de finalidade e abusos. Os produtos não podem ser vendidos por um prazo mínimo de dois anos, e as compras devem ter um teto de R$ 50 mil.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Câmara dos Deputados: Comissão de Segurança Pública rejeita federalização de crimes contra jornalistas

De O Jornalista

A impunidade dos crimes cometidos contra jornalistas ganhou um belo incentivo. A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados decidiu ontem (20/05), rejeitar o Projeto de Lei Nº 191, de 2015 de autoria do deputado federal Vicentinho (PT/SP), que federaliza os crimes contra jornalistas não resolvidos em 90 dias, e aprovar um parecer contrário à proposta, apresentado pelo coronel deputado Alberto Fraga (DEM-DF).
Parlamentar do Democratas do Distrito Federal
apresentou parecer contrário à federalização
dos crimes contra jornalistas.
O coronel da PMDF, deputado Alberto Fraga (DEM-DF), autor do parecer contrário ao Projeto de Lei Nº 191, de 2015, argumentou que "a aprovação da federalização não contribuirá para uma melhor taxa de resolução de crimes, pois a Policia Federal não tem conseguido concluir as investigações e exercer de forma devida as funções que lhe são atribuídas pela Constituição Federal, dentre elas a de prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, e de exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras".
A rejeição capitaneada pelo coronel deputado Alberto Fraga (DEM-DF) causou surpresa nas entidades de defesa dos jornalistas. 
Esperava-se que uma Comissão composta majoritariamente por ex-policiais tivessem plena consciência que a violência contra jornalistas é uma ameaça à democracia e a impunidade destes crimes inaceitável.
O parecer do deputado Alberto Fraga venceu contra o voto do Deputado Silas Freire e o parecer do deputado Laudivio Carvalho (PMDB/MG) que passou a constituir voto em separado. Participaram da decisão os seguintes deputados: José Priante - Presidente; Capitão Augusto, Marcos Reategui e Laudívio Carvalho - Vice-Presidentes; Adelmo Carneiro Leão, Alberto Fraga, Alexandre Leite, Cabo Daciolo, Cabo Sabino, Caetano, Delegado Edson Moreira, Delegado Waldir, Eduardo Bolsonaro, Eliziane Gama, Fábio Mitidieri, Fernando Monteiro , Gilberto Nascimento, Guilherme Mussi, Laerte Bessa, Major Olimpio, Moema Gramacho, Moroni Torgan e Pastor Eurico - Titulares; Aluisio Mendes, Lincoln Portela, Moses Rodrigues, Onyx Lorenzoni, Ronaldo Martins, Rubens Otoni e Silas Freire - Suplentes.

Apesar da a rejeição na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, a proposta seguirá para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara, onde espera-se tenha melhor destino.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Câmara aprova regulamentação da profissão de DJ

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, em caráter conclusivo, um projeto que regulamenta a profissão de DJ. O texto, que segue para o Senado, exige curso de 800 horas para exercer a profissão, exceto para quem atua na área há mais de cinco anos.
A regulamentação da profissão de DJs já havia sido aprovada em 2010, mas o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou a lei. No projeto anterior, a atividade de DJ havia sido incluída entre as carreiras de artistas.
O projeto define o DJ como aquele que “cria seleções de obras fixadas e de fonogramas, impressos ou não, organizando e dispondo seu conteúdo, executando essas seleções e divulgando-as ao público”.
O curso de capacitação para a profissão deverá ser realizado em instituição credenciada ao Ministério da Educação por cidadãos acima de 16 anos e com Ensino Médio ou em curso. Com a diplomação, o DJ poderá pedir o registro profissional junto à Superintendência Regional do Trabalho.

O projeto prevê carga horária máxima de seis horas diárias para o profissional e 30 semanais, ficando assegurado intervalo para a refeição e descanso de pelo menos 45 minutos.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Zoofilia: Câmara quer proibir animais em filmes pornográficos

Da Anda - Agência de Notícias dos Direitos dos Animais

A Câmara dos Deputados deve votar, nos próximos dias, uma proposta que proíbe e torna crime a exploração sexual de animais em filmes pornográficos. Caso o projeto vire lei, será proibida em todo o país a comercialização, exibição e circulação de filmes com cenas de sexo entre seres humanos e animais.
Quem infringir a norma estará sujeito ao pagamento de multa e a pena de três meses a um ano de prisão, que poderá ser aumentada em até um terço, conforme a gravidade do caso.
Há acordo entre os líderes partidários para acelerar a votação da proposta. A análise do requerimento de urgência, que puxará o texto diretamente das comissões para o plenário, estava entre as prioridades da Casa nesta semana. Mas, assim como outros itens, acabou tendo a votação adiada para a próxima semana.
“Esse projeto é um anseio da sociedade, que não tolera ver animais, que não optam por esse trabalho, serem explorados e violados sexualmente nessas práticas de zoofilia”, defende o autor da proposição (PL 6267/13), deputado Ricardo Izar (PSD-SP), presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Direito Animal e do Conselho de Ética da Casa.
Crise de risos
A inclusão do assunto na pauta da Casa gerou crise de risos entre as lideranças partidárias no momento em que discutiam quais projetos seriam examinados no chamado esforço concentrado. “Quer dizer que pessoas podem fazer pornô, mas animais, não?”, brincou um deles.
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), chegou a perder a fala de tanto rir. “Quando propus a votação do projeto na reunião de líderes, todos riram. Até brinquei: alguém aí gosta? Então, todos aceitaram incluir a proposta na pauta”, contou Izar ao Congresso em Foco.
Crimes ambientais
Pela proposta do deputado, quem utilizar animais em cenas de sexo, comercializar, exibir em local público ou fizer circular filmes pornográficos com animais poderá ter agravada, de um sexto a um terço, da pena prevista atualmente para abusos e maus-tratos a animais, que é de até um ano de prisão, estipulada pela Lei dos Crimes Ambientais (9605/98).
O agravamento é o mesmo estabelecido para os casos que resultam na morte do animal. Caberá às autoridades locais competentes definir o valor da multa a ser aplicada, de acordo com a gravidade do ato lesivo aos animais e o lucro obtido pelos infratores.
Para virar lei, após aprovação na Câmara, a proposta precisa ser referendada pelo Senado e sancionada pela presidenta Dilma Rousseff.
Em outro projeto, Ricardo Izar tenta aumentar a pena para os casos de zoofilia. Não há na lei brasileira a tipificação desse tipo de prática, que pode ser enquadrada na Lei de Crimes Ambientais como abuso ou mau-trato a animal. Pela proposta do deputado (PL 3141/12), que não está pronta para ir a plenário, a punição será aumentada de um sexto a um terço quando houver abuso de natureza sexual.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Fotógrafos e cinegrafistas poderão importar equipamentos sem impostos

Postado no facebook por Alan Marques


A Comissão de Finanças e Tributação aprovou, dia 11/12, proposta que autoriza o Executivo a conceder por cinco anos isenção de impostos e contribuições a fotógrafos, repórteres fotográficos e cinematográficos, cinegrafistas e operadores de câmera para importação de equipamentos de uso exclusivo na atividade profissional.

Pelo texto, a isenção abrange Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PIS/PASEP/Importação; e Cofins/Importação e só vale para produtos sem similares nacionais.

Foi aprovado substitutivo do relator, deputado Lucio Vieira Lima (PMDB-BA), para o Projeto de Lei 2114/11. Lima explicou que decidiu alterar o caráter da norma para autorizativo para adequá-la às exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF - Lei Complementar 101/00).

De acordo com a LRF, qualquer medida que implique redução de receita precisa vir acompanhada do impacto orçamentário-financeiro e da respectiva compensação. O texto original do PL é omisso quanto a essas informações. Sendo autorizativa, caberá ao Poder Executivo, por meio de decreto, conceder a isenção, mas depois de demonstrado o impacto orçamentário-financeiro.

Extensão do benefício
Além de tornar a proposta autorizativa, o relator estendeu o benefício da renúncia fiscal a repórteres fotográficos, cinematográficos e operadores de câmera, os quais, segundo ele, merecem igual tratamento. O projeto original previa renúncia fiscal automática, mas apenas para fotógrafos e cinegrafistas.

Para conseguir o benefício, os profissionais terão de comprovar o exercício da profissão em sua carteira de trabalho ou certidão, no caso de servidores públicos. Para permitir a fruição do benefício por prestador de serviço autônomo ou Pessoa Jurídica, o substitutivo exige a apresentação, respectivamente, da inscrição no INSS ou do contrato social da empresa, bem como o recolhimento da contribuição previdenciária respectiva.

Prazo de dois anos
Vieira Lima também incluiu no novo texto dispositivo para evitar possíveis desvios de finalidade e abusos. “Incluímos uma salvaguarda segundo a qual os equipamentos adquiridos com os benefícios devem permanecer com os proprietários, ou a sua disposição, pelo prazo mínimo de dois anos, bem como resolvemos fixar o teto de R$ 50 mil para o total das aquisições”, disse.

Outra alteração do relator autoriza a reposição, em caso de acidente, extravio, perda, furto ou roubo, do equipamento antes do prazo de dois anos. A reposição, porém, somente será efetuada por equipamento idêntico e nos termos e condições estipulados em ato do Poder Executivo.

Tramitação
A proposta tem caráter conclusivo e ainda será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Em seguida, a mesma terá que ir ao Senado Federal para análise e votação.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

CCJ da Câmara aprova PEC do Diploma

A Comissão de Constituição, de Justiça e de Cidadania - CCJC da Câmara dos Deputados aprovou, em sessão realizada na tarde de 12/11, a admissibilidade da PEC 206/2012, a PEC do Diploma. A matéria segue, agora, para encaminhamentos da Mesa Diretora da Casa.
Antes de iniciar a sessão da CCJC, o deputado Esperidião Amin (PP/SC) solicitou novamente a inversão da pauta, o que viabilizou a inclusão da PEC do Diploma como quarto ponto de discussão. Por volta das 15h30, após a leitura do relatório de vistas do deputado Sérgio Zveiter (PP/RJ) e de algumas inscrições para debate, o presidente da CCJC, Décio Lima (PT/SC) procedeu a votação.
Mais tarde, no plenário da Câmara, Lima registrou a aprovação da PEC na Comissão e pediu urgência na instalação de Comissão Especial para analisar o mérito e na tramitação final da matéria.
A votação de ontem foi mais uma etapa noprocesso de restabelecer a formação acdêmica como requisito para oexercício daprofissão de Jornalista, condições retirada pelo Suremo Tribunal Federal. Em 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a exigência do diploma para jornalistas, mas não havia regra explícita sobre o assunto na Constituição Federal.
A PEC já foi aprovada pelo Senado e agora será analisada por uma comissão especial antes de ir ao plenário da Câmara. Se for alterada, terá de retornar ao Senado. Pelo texto, a exigência do diploma será dispensada para “colaboradores” de meios de comunicação, como colunistas, e os profissionais que já atuam no setor.
Na Câmara dos Deputados, a PEC ainda será analisada por comissão especial antes de ir ao plenário. A FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas buscarão agora contatos com a Mesa Diretora da Câmara e com a Frente Parlamentar em Defesa do Diploma para agilizar a votação. 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Sonia Carneiro e mais 19 jornalistas são homenageados pela cobertura jornalística da Constituinte


A jornalista Sonia Carneiro, Soninha para os amigos, que teve sua trajetória profissional marcada pela cobertura política para a extinta Rádio JB, hoje representante do Governo da Bahia, em Brasília, foi condecorada com a medalha Assembléia Nacional Constituinte, em reconhecimento da cobertura jornalística por ela realizada quando dos trabalhos de elaboração da Carta de 88, que tomaram 20 meses do Congresso Nacional.
Além de Soninha, 19 outros jornalistas fizeram parte da relação de agraciados, dentre eles, Cristiana Lobo, Ricardo Noblat, Tereza Cruvinel, Raimundo Costa, Rubem Azevedo Lima, Luiz Gutemberg, Tarcísio e Haroldo Hollanda.  
Sonia Carneiro cobriu a Constituinte como repórter da Rádio Jornal do Brasil e do Jornal do Brasil. De Brasília, comandou programa de debate da Rádio JB “Encontro com a Imprensa” entrevistando personalidades da sociedade civil e os parlamentares que participaram dos trabalhos  colocando em debate as constantes disputas ocorridas no interior da sociedade em torno dos temas envolvendo as liberdades democráticas, os direitos sociais, e todos os avanços defendidos pelas organizações sociais.
Para a jornalista, a principal conquista da nova Constituição foi a garantia da liberdade de imprensa e de expressão do pensamento, e do respeito à cidadania sem discriminação de raça, sexo, cor ou religião. Para ela, sem o trabalho da imprensa a Constituinte não teria os avanços de hoje. Ela lembra que não havia celular nem as redes sociais. E destacou que os jornalistas trabalhavam dia e noite para dar conta do trabalho. As votações eram nominais, pois não havia painel eletrônico. “Era muito mais trabalhoso, mas valeu cada minuto”, disse.
Ao abrir a sessão solene que homenageou os 25 anos de promulgação da Constituição de 1988, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, ressaltou que a Carta marca o fim do período autoritário no Brasil. “Há 25 anos, o Brasil transpôs um momento sombrio da sua história, quando as liberdades não eram respeitadas e a cidadania representava um sonho distante”, disse. Segundo ele, o Parlamento resistiu ao regime autoritário e “manteve viva a chama da democracia”

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Câmara dos Deputados: PEC do Diploma recebe parecer favorável de relator

Com base no portal O Jornalista

O deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA) apresentou no dia, 24/6, parecer favorável à PEC 206/2012, que tem o objetivo de restituir a exigência da formação superior para o exercício da profissão de jornalista. Conhecida como PEC do Diploma, a matéria já aprovada no Senado Federal no ano passado, chegou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados no ano passado.

No parecer, o deputado aponta que:
"Com efeito, respeitosamente, ousamos discordar do entendimento firmado pela excelsa Corte da Justiça, pois não vislumbramos que a referida obrigatoriedade de diplomação para o exercício da atividade profissional ofende a liberdade de pensamento, de expressão ou de comunicação, independentemente de licença (Art. 5º, incisos IV e IX da CF)".



Depois de apresentado o parecer de admissibilidade do relator, a PEC terá que ser votada na CCJ. Se for aprovada, será criada uma comissão especial para analisar o mérito da PEC, que ainda terá que ser votada em dois turnos pelo Plenário da Câmara dos Deputados.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Câmara discute marco legal para computação em nuvem

Fonte: Convergência Digital
Começou a tramitar na Câmara dos Deputados um primeiro passo para a regulamentação da computação em nuvem no Brasil. O objetivo, como defende o projeto, evitar o isolamento jurídico do país, notadamente na disputa pelo mercado de datacenters.
Nesse sentido, o PL 5344/2013, apresentado pelo deputado Ruy Carneiro (PSDB-PB), busca um patamar mínimo de segurança aos interessados em explorar essa atividade. Segundo ele, “o fato de no Brasil não existir um marco regulatório sobre nuvem computacional já está a prejudicar o país, que tem sido preterido por outros da América Latina para esses investimentos”.
Ao justificar a proposta, Carneiro sustenta que “o Brasil deve ambicionar ser um importante player na Nuvem Computacional a nível global” e que, para isso, “um ambiente regulatório adequado – que não isole o Brasil, mas que garanta segurança jurídica aos cidadãos, empresas e governo – é, atualmente, fundamental”. A proposta foi apresentada no fim de abril deste ano e ainda aguarda um primeiro parecer na Comissão de Defesa do Consumidor.
A ideia, assim, é definir direitos e deveres de cada parte, como ao definir que a reponsabilidade civil e penal do conteúdo colocado na “nuvem” é do depositante. já aquele que oferece o serviço garante a preservação dos dados, sob pena de indenizar o cliente “mediante devolução em dobro dos valores recebidos para o depósito nos últimos 12 meses anteriores à ocorrência”.
O projeto também prevê que ao fim do contrato, não pode o ofertante do serviço manter nenhum dado ou mesmo cópia do conteúdo que ficou sob sua responsabilidade. De forma semelhante, há previsões sobre o eventual tratamento dos dados por terceiros – o que é vedado a não ser que expresso de outra forma.
Copyright
Mas pelo menos um artigo do PL tem potencial para controvérsia: o que permite que ao ‘depositário’ reter o conteúdo armazenado. Uma das possibilidades previstas é via ordem judicial. Mas o texto também menciona “motivo razoável de suspeitar que o conteúdo do depósito foi dolosa e ilegalmente obtido em violação às leis de proteção de dados e propriedade intelectual”.
De outra parte, embora já busque adotar premissas como a “extraterritorialidade do armazenamento” ou o “caráter não geográfico do serviço”, o próprio texto indica a necessidade de outros instrumentos legais. Entre elas, “ações coordenadas entre países para diretrizes uniformes e comuns sobre a matéria”, ou especialmente uma lei que trate da proteção dos dados.
E, ainda, uma das premissas pode ‘importar’ uma disputa até aqui concentrada no Marco Civil da Internet. É que o projeto prevê a “garantia da neutralidade tecnológica e de rede”, sendo considerada a “não discriminação no processo de transmissão, empacotamento ou roteamento de informações em razão de conteúdo, origem, destino, serviço ou aplicativo ou qualquer outra forma, excetuado os casos previstos em lei ou normas”.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Câmara rejeita descriminalização de radiodifusão de baixa potência sem autorização


Do Telaviva news

O uso de drogas poderá vir a ser descriminalizado mas a exploração de rádios comunitárias está fora de cogitação. Com apoio de deputados do PT, PCdoB e parte dos parlamentares do PSB, a maioria dos deputados da Câmara votou pela retirada do artigo 8º da Medida Provisória das Parcerias Público-Privadas (PPPs), MP 575/2012, que dava nova redação ao artigo nº 70 do Código Brasileiro de Telecomunicações (lei 4.117). 
O objetivo da Emenda oriunda do Senado era de descriminalizar a operação de rádios e TVs clandestinas com potência inferior a 100 watts no País, além de reduzir a pena de detenção para o mínimo de seis meses e máximo de dois anos, sem agravantes. 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Câmara cria portal multimídia dos veículos de comunicação da Casa

Da Agência Câmara


A partir desta segunda-feira (26), os veículos de comunicação da Câmara dos Deputados passam a ter seus conteúdos integrados em um portal único na internet. Toda a produção da Agência, do Jornal, da Rádio e da TV – reportagens, programas e documentários – estará em destaque na homepage do Câmara Notícias. O objetivo é oferecer, de forma complementar, uma ampla cobertura das atividades legislativas da Casa, com textos, áudios, vídeos, fotos e infografias.
O noticiário da Agência Câmara, que há 12 anos leva aos cidadãos, em tempo real, um panorama detalhado das votações e debates entre os deputados, será reforçado no portal Câmara Notícias pelas reportagens produzidas pela Rádio Câmara e pela TV Câmara. Além disso, as principais estreias de programas da Rádio e da TV terão espaço no Câmara Notícias, para ampliar o acesso aos diversos conteúdos produzidos pelas equipes desses dois veículos.
Assista ao vídeo que resume as principais características do portal Câmara Notícias.
Menu temático
O internauta também poderá continuar procurando informações sobre um assunto específico ao navegar pelo menu temático, do lado esquerdo da tela. Além de encontrar as notícias produzidas pela Agência Câmara, conteúdos da Rádio e da TV sobre aquele tema também estarão em destaque.
Aqueles que desejarem ler a versão digital do Jornal da Câmara continuarão tendo acesso a uma página com todo o seu conteúdo. Rádio e TV também manterão seus sites para permitir a navegação por todos os programas de jornalismo, entrevistas, debates e cultura; documentários, radionovelas e campanhas.
Serviços como o “Baixe e use”, da TV, a Radioagência e os podcasts da Rádio, também continuarão disponíveis para que os internautas encontrem rapidamente o que for de seu interesse.
A agenda da Agência Câmara; as notas sobre discursos doss deputados, publicadas pelo Jornal da Câmara; e o banco de imagens são outros serviços que permanecerão disponíveis na internet.
Pesquisa avançada
Já a busca por todos esses conteúdos ganha o reforço de uma página de pesquisa com mais opções, em que será possível procurar por palavra-chave; tema; programas da TV e da Rádio; ou formato de mídia (texto, vídeo, áudio e infográfico), dentro do período de tempo desejado.
Os boletins eletrônicos da Agência, da Rádio e da TV continuarão a ser enviados por e-mail, e as páginas dos veículos nas redes sociais, como Facebook e Twitter, também serão mantidas, para atender os milhares de assinantes e seguidores.
Transparência e cidadania
Com essas mudanças, a Secretaria de Comunicação Social da Câmara dos Deputados dá mais um passo para levar aos brasileiros informações completas e multimídia sobre os acontecimentos da Casa, buscando sempre a transparência e o fortalecimento da cidadania. E, a fim de continuar aperfeiçoando esse trabalho de comunicação pública, convida a todos para enviar sugestões, elogios e críticas por meio dos serviços de participação popular da Câmara, como o Disque-Câmara (0800 619619) e o Fale Conosco do Portal da Câmara.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Projeto exige legenda e audiodescrição em filmes exibidos no Brasil

Tramita na Câmara projeto de lei que exige o uso de audiodescrição e de legenda em português nos filmes exibidos nos cinemas e nos canais de televisão aberta e por assinatura e nos distribuídos pelas locadoras. O objetivo do projeto (PL 4248/12), de autoria do deputado José Chaves (PTB-PE), é estimular o acesso de pessoas com deficiência visual e auditiva às produções artísticas e culturais.
Atualmente, o serviço é oferecido em alguns filmes e seriados em DVD ou exibidos na televisão digital, por meio de canal de áudio opcional, ou ainda em salas de cinema que ofereçam fones de ouvido com receptor sem fio, semelhantes aos usados em eventos com tradução simultânea.
Uma norma do Ministério das Comunicações (Portaria 188/10) determina o uso da audiodescrição em, pelo menos, duas horas semanais na programação das emissoras de televisão aberta que operam em sinal digital. A Portaria 188 também prevê o aumento gradual da quantidade de horas com audiodescrição.
Carência
O deputado José Chaves argumenta que o Brasil precisa evoluir no assunto, apesar de reconhecer que a legislação em vigor já estabeleça medidas válidas. Os filmes distribuídos no território nacional, diz ele, raramente oferecem recursos técnicos que facilitem seu acesso pelas pessoas com deficiência, principalmente a visual.
Lei da Acessibilidade
O projeto de José Chaves altera a Lei da Acessibilidade (10.098/00), que já prevê a existência de espaços específicos para pessoas com deficiência auditiva e visual nas salas de espetáculos, de conferências e de aulas. A lei também estabelece a adoção, pelas emissoras de rádio e televisão, de medidas que permitam o uso da linguagem de sinais ou de outra específica, a fim de garantir o acesso à informação de pessoas com deficiência auditiva.
Tramitação
O projeto será analisado em conjunto com o PL 3979/00, que aguarda inclusão na pauta do Plenário.
Íntegra da proposta:

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Voz do Brasil e o novo Conselho: a estranha aliança entre a Abert e a Câmara dos Deputados

Por  Beto Almeida
 

A aprovação dos novos membros do Conselho de Comunicação Social do Congresso é uma jogada da Abert para preencher as condições legislativas visando aprovar o projeto de lei da flexibilização da Voz do Brasil
Um dos problemas técnicos que o projeto de lei apoiado pela ABERT possui é exatamente o fato de não ter sido examinado, em nenhum momento, pelo Conselho de Comunicação Social, obrigação expressa na Constituição para a aprovação de qualquer matéria legislativa relativa à questão midiática. Sem exame do Conselho, a flexibilização da Voz do Brasil poderia ser embargada, inclusive por configurar uma  inconstitucionalidade, já que o CCS foi criado pela Constituição de 1988 e regulamentado no governo Collor.
Depois de um período breve de funcionamento, estava desativado e é agora acionado quando a ABERT, com o apoio do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, que  estabeleceu como sua prioridade a aprovação da flexibilização, medida que abre caminho para a extinção do mais antigo programa de rádio do mundo. 
O deputado Jilmar Tato, líder do PT na Câmara, retirou o projeto de pauta argumentando, corretamente, que a Voz do Brasil cumpre relevantes serviços à sociedade, sobretudo à população mais carente, sem acesso à leitura de jornais e revistas, além de ser informativo eficiente e abrangente sobre programas sociais de grande valia a grande massa da população. Refere-se a informações sobre o Fundeb, o PAA e os preços mínimos do Ministério da Agricultura, os programas do Ministério da Pesca, sobre o preço da borracha, as datas de vacinação etc, que somente pela Voz do Brasil têm sua divulgação realizada de modo adequado. Ao contrário do rádio comercial. 
Com o campo empresarial  fortemente representado na nova composição do CCS e com o período de esvaziamento parlamentar em razão das eleições municipais, é importante que os partidos progressistas e os movimentos que defendem a regulamentação democrática da comunicação estejam atentos e mobilizados para não serem novamente surpreendidos pela eliminação de um espaço público radiofônico que deveria ser fortalecido e qualificado, nunca suprimido.
[As opiniões aqui postadas são de responsabilidade de seus autores]

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Opinião: Voz do Brasil: uma regulamentação a favor do povo

“Nós somos os cantores do rádio

Nossas canções cruzando o espaço azul

Vão reunindo, num grande abraço

Corações de norte a sul...”

Braguinha

Por Beto Almeida e Chico Sant’Anna

O líder do PT na Câmara Federal, deputado Jilmar Tato tomou uma atitude corajosa de bloquear a votação do projeto que flexibiliza o horário de transmissão da Voz do Brasil, Cavalo de Tróia que traz consigo o sonho neoliberal de extinguir o programa o proporcionar uma hora a mais de rádio-baixaria, alienante e de um jornalismo precário, comandado pela ditadura do mercado.

Os argumentos do líder petista são corretos: o objetivo e acabar com o programa. Tentaram por via judicial, mas não tiveram êxito. Milhões de brasileiros o escutam assiduamente, para a grande maioria dos municípios brasileiros, sem a presença de jornalismo, nem impresso nem de rádio ou TV local, é a Voz do Brasil a única oportunidade de ter acesso a informações relevantes que decidem na vida do cidadão. Ou seja, as decisões do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Tato tem razão, sobretudo se considerarmos que o rádio comercial não oferece pluralidade informativa alguma, submetido que está aos poderes e interesses econômicos , além de sonegar ou deformar, não informa sobre os atos dos poderes públicos, já que parte de um fanatismo editorial anti-estado.

O grande empresariado de mídia, maior interessado no suculento horário a ser vendido, lança inúmeros preconceitos contra o programa radiofônico, hoje o mais antigo do mundo em veiculação. Entre eles o de tentar criticar, injustamente, criticar sua inutilidade. Certamente não escutam a veiculação já que a Voz do Brasil presta inúmeras informações importantes à sociedade brasileira, em sua maioria sem qualquer acesso à leitura de jornais que, como sabemos, registram credibilidade e circulação decadentes. Alguns exemplos: informações sobre o Fundeb, fazendo com que a população de cada município saiba que os recursos já estão em mãos do prefeito, possibilitando a cobrança cidadã de sua aplicação.

A missão pública do rádio

A Voz do Brasil veicula também, e amplamente, as informações sobre os recursos de cada programa do Ministério da Saúde, possibilitando controle e participação dos conselhos locais. Igualmente, informações sobre os projetos ligados ao Ministério da Pesca chegam, diariamente, ao litoral e às populações ribeirinhas pelo rádio, alcançando as embarcações onde estiverem. Há ainda a divulgação sistemática, pela Voz do Brasil, de informações sobre programas como o Pronaf, o PAA, ou sobre o Pronera, todos destinados à famílias que vivem no campo, nos assentamentos ou em grotões isolados, alcançados , em horário adequado, pelo sinal do rádio. O camponês também se informa sobre os preços mínimos. Basta que se consulte aos parlamentares da região amazônica que divulgam o preço da borracha da tribuna porque sabem que a Voz do Brasil será captada pelos seringueiros. Tem ou não utilidade social, cumprindo a missão pública do rádio.

Que pode ser aperfeiçoado, não há a menor dúvida. Mas, certamente não serão os editorialistas do Estadão ou da Fundação Milenium os maiores interessados neste aperfeiçoamento democrático do rádio, num país onde , recorde-se, é praticamente proibida da leitura de jornais. Aliás, sobre o Estadão, vale recordar que o inesquecível Monteiro Lobato, levou aos proprietários do jornalão a proposta de que aderisse e veiculasse uma nobre campanha para combater o analfabetismo. A resposta de um de seus proprietários é lapidar e deve ser para sempre lembrada: “ô Lobato, mas se todos aprenderem a ler e a escrever, quem é que vai pegar na enxada??” Não surpreende que argumentem agora contra o papel social desenvolvido pela Voz do Brasil.

Aperfeiçoar, não flexibilizar

O aperfeiçoamento da Voz do Brasil tem por base o fato de ser uma bem sucedida experiência de regulamentação democrática, podendo, por exemplo, ter sua versão televisiva, tal como foi o Diário da Constituinte, de 10 minutos diários na TV quando se escrevia a Constituição Cidadã. E pode também, sempre apoiada do fato de que é uma regulamentação, permitir que a Voz de mais brasileiros ecoe pelo Programa. Criar uma espécie de Direito de Antena na Voz do Brasil, por meio da qual seja ouvida também a voz das entidades da sociedade brasileira. Talvez seja este um dos fatores a tirar o sono da oligarquia midiática brasileira, pois em vários países da América Latina, por meio da regulamentação democrática e apoiados no voto popular, governos estão possibilitando a prática da pluralidade informativa, sonegada quando a mídia é exclusivamente e ditatorialmente comercial. Para compensar o predomínio esmagador do rádio comercial, uma hora de programação diária, e apenas no rádio, é até uma cota tímida, embora democrática.

Conspiração?

Também para aperfeiçoar, pode-se por meio de medidas administrativas no âmbito da EBC fazer os ajustes necessários para que a veiculação do programa seja para o horário mais adequado nos estados com fuso horário. Não é necessário alterar a lei para isto. Fica claro que o objetivo é outro: tornar impossível a fiscalização sobre 7 mil emissoras de rádio - a Anatel não tem a mais mínima estrutura para isto - e levar o programa a ser inaudível, esquecido, facilitando sua extinção posterior. Sobre dificuldades de fiscalização, basta dizer que a esmagadora maioria das rádios brasileiras hoje não cumprem a legislação no que toca a produzir, obrigatoriamente, um percentual de programação jornalística local. A Voz do Brasil é , para a maioria das emissoras, o único espaço jornalístico. Sua estrutura e redação deveriam ser ampliadas, com sucursais em todas as capitais, trazendo ao conhecimento de toda a sociedade, a multifacética aventura sócio-economica do povo brasileiro em todos os quadrantes deste continente. A palavra de ordem justa não é flexibilizar mas, sim, fortalecer, qualificar, aperfeiçoar, expandir o jornalismo público. Exatamente na linha contrária do defendido por certas fundações financiadas por recursos de sinistras instituições estrangeiras, como a Usaid, de países que querem a diluição do estado nacional, que interferem na vida de outros povos e até mesmo podem conspirar com a ideia da fragmentação do Brasil.

Era Vargas

É tola a argumentação de que a Voz do Brasil seria resquício da Era Vargas como se isto fosse negativo. Também a CLT é um “resquício” salutar da Era Vargas, tanto é que aquele ex-presidente pretendeu demolir a Era Vargas e , até hoje, periodicamente, surgem tentativas conspirativas do grande capital para “flexibilizar” a CLT. Também são produto desta mesma Era Vargas o Instituto Nacional do Cinema Educativo, dirigido pelos geniais Roquete Pinto e Humberto Mauro, a Rádio Nacional, o Instituto Nacional de Música, dirigido por Villa-Lobos, gênio da raça. E claro, é também fruto da Era Vargas o direito de voto à mulher, a licença maternidade que agora foi expandida para 6 meses, a Escola Nova de Anísio Teixeira, a indústria naval, a Cia Siderúrgica de Volta Redonda, a Petrobrás, a Vale do Rio Doce, cuja reestatização vem sendo defendida aplicadamente pelo MST, numa dialética aliança histórica com o baixinho dos pampas. Assim, afirmar que é resquício da Era Vargas não desqualifica, ao contrário, como vimos é parte de um processo de conquistas do povo brasileiro. Claro, não é o que pensa o capital estrangeiro, as oligarquias e os novos sucedâneos da UDN. Que já se deram conta de que o presidente Lula fez importantes e significativas revisões sobre a avaliação que tinha sobre o papel de Vargas na história. A presidenta Dilma também valoriza sobremaneira o papel de Vargas, como tantas vezes já declarou.

Esta investida dos empresários do rádio não é a única. Há anos deixaram de veicular o Projeto Minerva, dedicado à nobre causa da alfabetização à distância, via rádio, com 30 minutos diários, que era veiculado logo após a Voz do Brasil. Em troca, temos hoje mais meia hora de rádio comercial e alienante.

Água potável

Vale lembrar ainda que quando pleitearam a concessão para a exploração de serviços de radiodifusão, os empresários firmaram contratos comprometendo-se a cumprir com todas as obrigações deles decorrentes. Estariam tentando agora uma quebra de contrato, o que pode ensejar uma perda da concessão. Comparando: como reagiria a sociedade se uma concessionária para o fornecimento de água potável, no meio do contrato, deixasse de adicionar flúor ou cloro no produto?

O projeto de lei que flexibiliza a Voz do Brasil , como apontou o líder petista, precisa ser muito melhor examinado. Ele não foi submetido ao plenário na Câmara e teve sua tramitação no Senado durante o ano eleitoral em que a Casa encontrava-se com menor atividade. Além disso, padece de um problema de técnica legislativa crucial: toda matéria legislativa sobre comunicação deve obrigatoriamente ser examinada pelo Conselho de Comunicação Social, e isto não foi observado até o momento.

Finalmente, não pode ser mais passional e fanático o argumento do campo do grande empresariado da comunicação afirmando que a Voz do Brasil humilha o povo brasileiro. O que humilha e desrespeita o povo brasileiro é um rádio comercial que agride a constituição diuturnamente, com práticas de anti-jornalismo, com o culto ao mórbido e à violência, muitas vezes casos xenófobo aos países sul-americanos, com os quais querente uma integração solidária. Ou, simplesmente, com a regular ausência de informações educativas, civilizatórias e humanizadoras. Em muitos casos, apenas durante a exibição da Voz do Brasil se vê algo de informativo, real e não aviltante.

Os jornalistas Beto Almeida e Chico Sant’Anna
são coordenadores do
Movimento em Defesa da Voz do Brasil

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Projeto que flexibiliza a Voz do Brasil é retirado de pauta

Na última terça-feira, 26/6, o líder do PT na Câmara, Jilmar Tato, conseguiu bloquear a votação do projeto de lei que flexibiliza a veiculação do programa A Voz do Brasil, nas emissoras de rádio de todo o Brasil. O projeto que é patrocinado pela Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV - Abert é visto pelos analistas como uma pedra de sal no programa que é considerado o informativo mais antigo do rádio mundial.
O líder do PT na Câmara dos Deputados, Jilmar Tatto SP, declarou ser contra o projeto que flexibiliza o horário de veiculação do programa A Voz do Brasil, que transmite notícias sobre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Veiculado desde a década de 30 e produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a atração é transmitida obrigatoriamente das 19 às 20h, em todas as emissoras de rádio do País.

Em reunião de pauta de líderes partidários com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), Tatto foi desfavorável a votação da proposta.De acordo com o projeto, as emissoras poderão exibir o programa entre às 19h e 22h.

Tatto argumenta que a flexibilização é uma tentativa de acabar com o programa, que, para ele, faz parte da identidade nacional. “O povo está ouvindo, tem cidade que para na hora da A Voz do Brasil. Quem não quer ouvir, coloca um CD. Pobre gosta de ouvir”, disse durante a reunião. Segundo o petista, o programa tem 18 milhões de ouvintes.

Ainda segundo Tatto, as emissoras querem o horário nobre para ganhar dinheiro com publicidade. “As empresas têm concessão e podem ceder esse horário”, disse. Ele marcou uma reunião da bancada petista na próxima terça-feira para definir a posição do partido.
 

Do lado oposto a Abert e os donos de emissoras de rádio foi criado a partir de lideranças da Capital Federal, o movimento Em Brasília 19 horas, em defesa da manutenção do programa. O movimento inciado por entidades representativas de jornalistas, já conta com a adesão de importantes entidades, tais como a CUT Nacional, a Contag e a Comissão de Justiça e Paz da CNBB. 
O Movimento  lançou esta semana mais uma carta aberta aos deputados federais, pedindo que eles não acabem com a Voz do Brasil.
Confira abaixo a íntegra do documento.


Carta Aberta aos Membros da Câmara dos Deputados
Em Defesa da Voz do Brasil
 Senhores e senhoras parlamentares,
Encontra-se em análise na Câmara Federal o projeto de lei No. 595/03 que flexibiliza o horário  de exibição do mais antigo programa de rádio do mundo, a Voz do Brasil, criado em 1932. 
Como qualquer produto midiático ele também sofreu as influências das diferentes épocas políticas pelas quais o Brasil atravessou, mas, mesmo com isto, não deixou de constituir-se num importante instrumento de informação para uma imensa massa de brasileiros, sua esmagadora maioria, que não dispõe de outra forma para receber informações relevantes sobre as atividades do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. 
Pesquisa recente realizada por Instituto de alta notoriedade aponta que um entre cada três brasileiros ouve rotineiramente A Voz do Brasil. Outra enquete indica que 73 por cento dos entrevistados concordam com a continuidade da veiculação da Voz do Brasil no horário das 19 horas, além de confirmarem a importância do programa para a sua informação. Como sabemos, o Brasil registra uma baixíssima taxa de leitura de jornal e revista, o que faz com que a Voz do Brasil represente, para milhões e milhões de compatriotas, a única forma de obter informações. 
Nos últimos anos, a Voz do Brasil vem registrando modificações importantes em sua forma e conteúdo, tornando-se mais adequada a atualidade, além de veicular, também, informações muito relevantes sobre programas governamentais, especificamente, os  do Ministério da Educação (Fundeb), do Ministério da Agricultura (Programa de Aquisição de Alimentos), do Ministério da Pesca  e também do Ministério do Desenvolvimento Agrário (Pronaf e Pronera) e do Ministério da Previdência Social. Tal característica pode, perfeitamente, ser aperfeiçoada para oferecer aos brasileiros uma possibilidade mais eficaz ainda para  sua informação, acerca de temas de altíssima relevância, nem sempre con templados adequadamente pela esmagadora maioria das emissoras de rádio espalhadas pelo território nacional, que sequer dispõe de estrutura suficiente para cumprir a exigência de noticiário jornalístico prevista em lei. 
Para os integrantes do Legislativo e do Judiciário, a Voz do Brasil é uma rara opção de interação com a sociedade sem as distorções já tradicionais na mídia. Diversas pesquisas científicas já demonstraram que a cobertura jornalística destes dois Poderes da República não representa fidedignamente os fatos que acontecem no seu interior. Além disso, a Voz do Brasil trata igualitariamente a todos os parlamentares, sem as distorções editoriais que privilegiam o segmento já classificado de "alto clero" do Congresso Nacional. 
Para uma grande massa de brasileiros que vivem nos chamados grotões do campo e da cidade, sem acesso a leitura de jornais, a Voz do Brasil é o que lhe resta como única opção informativa para saber das decisões dos poderes públicos, da atuação dos seus representantes no Congresso e das deliberações do judiciário. Na atualidade, este programa radiofônico se transformou num importante instrumento de transparência dos feitos públicos, habilitando ao cidadão exercer seu papel de fiscal do Estado. Tal característica não é valorizada pelos grandes empresários da comunicação interessados, fundamentalmente, na exploração comercial do horário, para mais exibição do mesmo, em prejuízo do jornalismo e da  direito de comunicação de nos so povo
Considerando a inexistência de qualquer capacidade fiscalizadora dos órgãos competentes, a flexibilização do horário de apresentação da Voz do Brasil poderá constituir-se, de fato,  numa alteração que , na prática, levará à sua não veiculação, portanto, ao desaparecimento do mais antigo programa de rádio do mundo atual. O que interessa apenas aos conglomerados empresariais da comunicação. 
Assim sendo, como o referido projeto teve uma tramitação muito rápida durante o ano de 2010, ano eleitoral, com significativo esvaziamento do Congresso, entendemos que a matéria pode não ter sido examinada com  suficiente profundidade, especialmente nos aspectos aqui mencionados. É sabido que nem o Conselho de Comunicação do Congresso Nacional teve oportunidade de se posicionar sobre o tema e que o plenário da Câmara dos Deputados não foi ouvido. Sua aprovação poderia constituir-se na eliminação de uma positiva experiência de regulamentação informativa e, com isso, representar um grave prejuízo para uma imensa maioria de brasileiros que têm na Voz do Brasil uma alternativa consolidada para informar-se acerca das mais relevantes decisões dos poderes públicos e de seus membros. 
Face a isto, solicitamos que a tramitação do referido projeto seja sustada e que a matéria seja objeto de novas análises, inclusive com a convocação de audiências públicas nas quais sejam ouvidos não apenas especialistas em comunicação, mas, também, representantes das diferentes comunidades tais como pescadores, ribeirinhos, trabalhadores rurais, caminhoneiros, população de fronteira, militares ou civis, povos das florestas, quilombolas, militares, que nos mais inóspitos rincões de imenso país tem na Voz do Brasil um fundamental instrumento para sua informação e, com isto, para formarem-se com cidadãos brasileiros.
Brasília, 15 de agosto de 2011
  • Central Única dos Trabalhadores – CUT
  • Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura – CONTAG
  • Central Geral dos Trabalhadores do Brasil  - CGTB
  • Federação Nacional dos Jornalistas -  FENAJ
  • Federação Interestadual de Trabalhadores em Empresas de Rádio e TV – FITERT
  • Comissão Brasileira Justiça e Paz - CBJP
  • Movimento em Defesa da Voz do Brasil