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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Empregados da EBC apontam greve para terça-feira, 10/11

A partir da zero hora da próxima terça-feira, 10/11, empregados da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) entrarão em greve. A EBC é a holding que opera em todo o País a TV Brasil, a Rádio Nacional e a Agência Brasil de Notícias. Está sob responsabilidade dela a produção, edição e apresentação da primeira meia hora do programa radiofônico A Voz do Brasil.
A decisão de paralisação foi aprovada na quinta-feira, 5/11, em assembleia nacional dos trabalhadores das quatro praças da empresa (Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e São Luís). Essa não é a primeira vez que a empresa enfrenta um movimento paredista. Em 2013 os profissionais de comunicação também tiveram que fazer greve.

O principal motivo que levou os empregados a decidirem parar foi a proposta de  apenas 2,5% de aumento salarial. O mesmo índice seria aplicado sobre todas as cláusulas econômicas do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) para este ano e para o ano de 2016.

Mordomia

Nas redes sociais, a Comissão de Empregados da Estatal afirma que “os empregados e empregadas da EBC estão sendo pressionados a abrirem mão de parte de seu salário, em função da perda inflacionária, enquanto cargos comissionados, vindos de indicações políticas, chegam a receber quase R$ 35 mil por mês na empresa.”
Essa elite de servidores da EBC contaria, ainda segundo a nota da Comissão de Empregados, de apartamento funcional, auxílio moradia, motorista e uma série de privilégios, tudo custeado com dinheiro do contribuinte.

“Nós acreditamos na importância de uma comunicação que não sirva aos interesses comerciais e nem partidários e, por isso, pedimos que você se junte a nós na defesa da EBC. O fim dos privilégios não vai ajudar só aos trabalhadores, mas vai garantir autonomia e moralidade para nossa comunicação pública. Com muitas assinaturas, podemos pressionar o Governo Federal a acabar com o aparelhamento da EBC!” conclui a nota.

Os trabalhadores de Brasília também analisaram todas as demais cláusulas não econômicas e decidiram aprovar o que já foi acordado pela mesa e manter a pauta dos empregados para divergência e propor novas redações pontuais. 


Moção
Os trabalhadores aprovaram também uma moção contra a utilização da comunicação institucional da empresa pública para difundir falsas informações sobre a negociação do ACT e um abaixo assinado contra os privilégios na EBC e pela valorização dos empregados do quadro permanente.

Lei do Direito de Resposta: palavra agora está com Dilma

Apresentado em 2011, o projeto de lei
que regula o Direito de Resposta
é de autoria do senador Roberto Requião
Da Agência Senado 

Vai à sanção da presidência da República, projeto de Lei (PLS 141/2011), aprovado na quarta-feira (4), que estabelece procedimentos para o exercício do direito de resposta por pessoa ou empresa em relação a matéria divulgada pela imprensa.
De acordo com o projeto, do senador Roberto Requião (PMDB-PR), o ofendido terá 60 dias para pedir ao meio de comunicação o direito de resposta ou a retificação da informação. O prazo conta a partir de cada divulgação. No caso de divulgações sucessivas e contínuas, conta a partir da primeira.

Veja também:

O texto considera ofensivo o conteúdo que atente contra a honra, a intimidade, a reputação, o conceito, o nome, a marca ou a imagem de pessoa física ou jurídica. A resposta deverá ser do mesmo tamanho e com as mesmas características da matéria considerada ofensiva, se publicada em mídia escrita ou na internet. Na TV ou na rádio, também deverá ter a mesma duração e o alcance territorial.
— É um direito da cidadania, o direito ao contraditório, de defesa de qualquer pessoa agredida por um meio de comunicação — ressaltou Requião, que dedicou o projeto ao senador Luiz Henrique da Silveira, falecido em maio deste ano pouco tempo após enfrentar denúncias do uso da sua influência para encaminhar pacientes a hospital público, furando a lista de espera do Sistema Único de Saúde (SUS) e prejudicando outros pacientes.
No projeto original, aprovado pelo Senado em setembro de 2013, a retratação espontânea do veículo cessaria o direito de resposta, mas não impediria a possibilidade de ação de reparação por dano moral. Na Câmara, os deputados alteraram esse trecho, determinando que a retratação ou a retificação espontânea não cessará o direito de resposta nem prejudicará a ação de reparação por dano moral.
Os senadores Humberto Costa (PT-PE) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) parabenizaram Requião pelo projeto, que consideraram uma contribuição para a democracia. Eles criticaram o abuso da liberdade de expressão e a certeza da impunidade para “atacar biografias, fazer jogo político rasteiro e divulgar calúnias”.
— Muitas vezes mais importante que a reparação é o restabelecimento imediato da verdade. É um posicionamento do Poder Judiciário especialmente em atividades políticas como a nossa, em que a credibilidade é o principal capital que cada um tem — afirmou Humberto Costa.

Emendas

O texto aprovado foi o parecer do relator, senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), que acolheu emenda da Câmara dos Deputados para garantir ao ofendido, se assim o desejar, o direito à retratação pelos mesmos meios em que se praticou a ofensa.
— Esta iniciativa está preenchendo um vazio profundo na legislação brasileira. As pessoas são atacadas e a mídia não leva a sério o sofrimento causado não só ao ofendido, como à sua família, sobre qualquer acusação que não esteja de acordo com a verdade.
O relator rejeitou emenda da Câmara que suprimia artigo do texto original e restabeleceu o direito ao ofendido de dar a resposta ou retificação no rádio ou na TV por meio de gravação de áudio ou vídeo autorizado pelo juiz.
Este entendimento não foi unânime entre os senadores e teve oito votos contrários. Na opinião de Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), o artigo configura abuso do direito de resposta transformado em instrumento de promoção pessoal ao ocupar o lugar do locutor ou apresentador de TV.
— A lei, sem esse dispositivo, garante já ao ofendido todas as condições de repor a verdade — defendeu Aloysio.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Direito de resposta: esta lei tem que pegar

Por Tereza Cruvinel, no Brasil 247


Com a última votação pelo Senado, depois do retorno da Câmara, onde sofreu algumas mudanças, vai agora à sanção da presidente Dilma Rousseff o projeto de lei do senador Roberto Requião que regulamenta o direito de resposta para quem se sentir ofendido por reportagem jornalística publicada ou exibida nos meios de comunicação. As grandes mídias, que sempre fingiram observar este direito democrático garantido pela Constituição, dissimulam mas estão incomodadas. Agora precisamos todos trabalhar para que esta lei "pegue". Vejo na Internet uma campanha inicial para que Dilma não vete o projeto. Nem considero tal hipótese. Sancionar é um imperativo para qualquer governo democrático e comprometido com igualdade de direitos. No caso, o direito à comunicação.
Como todo mundo sabe, aqui no Brasil o veículo que recebe uma reclamação contra conteúdos por ele publicados finge que atende o reclamante. Publica uma errata de três linhas numa página ou numa seção semi-ocultas, depois de ter cometido equívoco ou ofensa publicados com destaque, seja na primeira página ou na página interna em que a matéria saiu. Direito de resposta mesmo, no duro, só quando o ofendido busca a garantia do direito na Justiça. Foi o que fez o ex-governador Leonel Brizola contra a Rede Globo de Televisão, obtendo o direito de resposta mais célebre do jornalismo brasileiro na atual era democrática. Por longos três minutos o âncora de então do Jornal Nacional, Cid Moreira, teve que ler o texto-resposta de Brizola desancando com a própria Globo. Mas isso aconteceu porque a Justiça determinou.

O projeto de Requião prevê o direito de resposta se o conteúdo da reportagem atentar, “ainda que por equívoco de informação, contra a honra, a intimidade, a reputação, o conceito, o nome, a marca ou a imagem de pessoa física ou jurídica identificada ou passível de identificação”. O reclamante terá 60 dias a partir da veiculação para solicitar o direito de resposta diretamente ao órgão de imprensa ou à pessoa jurídica responsável. Caso a resposta não seja publicada sete dias após o pedido, o reclamante poderá recorrer à Justiça. A partir do ajuizamento da ação, o juiz terá 30 dias para proferir a sentença. Nesse período, vai citar o órgão de imprensa para que explique as razões pelas quais não veiculou a resposta e para que apresente contestação à reclamação.
Ao ofendido, é garantido direito de publicar a resposta com os mesmos “destaque, publicidade, periodicidade e dimensão” da reportagem, tanto no veículo que originalmente divulgou a reportagem quanto em outros que a tenham replicado.
“O direito de resposta ou retificação poderá ser exercido, de forma individualizada, em face de todos os veículos de comunicação social que tenham divulgado, publicado ou republicado, transmitido ou retransmitido o agravo original”, diz o projeto. O relator no Senado, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), manteve uma emenda feita pelos deputados garantindo ao ofendido que a resposta, além do mesmo destaque e importância, se dará através dos mesmos meios em que foi praticada. E isso alcança também a Internet.
O projeto de Requião sem dúvida representa um avanço. Normatiza uma garantia constitucional e cria obrigações legais claras para os grandes veículos, neste tempo em que a mídia é um poder cada vez mais central na esfera pública. Mas, como eu dizia, vamos ver se a lei vai pegar. Pois no Brasil tem disso: leis que viram leis e leis que não pegam, são ignoradas e fica por isso mesmo. Para que o direito de resposta vire garantia legal e comece a fazer parte de nossa cultura, cada um terá que fazer valer o seu direito, exigindo correções e retratações sempre que a mídia incorrer em ofensa, calúnia, acusação sem prova e quetais.  

Escrevi uma coluna por mais de 23 anos num grande jornal, O Globo, e sempre fiz questão de garantir, através de uma nota do mesmo tamanho, igualmente posicionada no corpo da coluna, a correção da informação equivocada ou o direito de resposta daqueles que, involuntariamente, eu tivesse citado de forma incorreta ou envolvido em notícia infundada ou mal fundamentada. Todo jornalista pode cometer erros e pode ser induzido a erros. Mas precisa ser honesto o bastante para reconhecer quando isso acontece. Mais tarde fui gestora pública, implantando e presidindo a EBC em seus primeiros quatro anos. Provei com frequência do veneno que sempre evitei servir. Muitas foram as matérias erradas, infundadas ofensivas. Raramente consegui um direito de resposta digno do nome.

[Veja o vídeo] Existe racismo na mídia brasileira?

Existe racismo na, mídia brasileira?
Os meios de comunicação retratam corretamente a diversidade racial do país?

Essas são algumas das perguntas colocadas à professora Renísia Garcia, coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade de Basília - UnB.


  • Veja também a vídeo entrevista:

Ela fala sobre mídia e preconceito contra os negros no Brasil ao jornalista Chico Sant'Anna, âncora do programa Cidadania, da TV Senadop.


A entrevista pode ser vista no vídeo abaixo.

Criada a Frente Parlamentar Mista do Audiovisual

Por Fernando Lauterjung

Foi criada nesta sexta, 30, em São Paulo, a Frente Parlamentar Mista do Audiovisual, presidida pelo deputado Orlando Silva (PCdoB/SP) e tendo como secretária geral a deputada Bruna Furlan (PSDB/SP). "Quando conversei com o Paulo (Schmidt, presidente da Apro) e com a Sonia (Regina Piassa, diretora executiva da Apro) sobre a frente, pensei que seria importante ter uma agenda concreta.
Apresentamos uma com 17 pontos. Temos que fazer avaliações periódicas e rever a agenda quando necessário. A frente precisa ter objetivo", destacou Orlando Silva na cerimônia de lançamento, que aconteceu no Museu da Imagem e do Som – MIS.
"Para nós, produtores, parlamento é uma coisa muito distante. Mas percebemos que se a gente não militar, não avançamos em nossas conquistas. Economia criativa representa apenas 2,7% do PIB, com potencial para chegar a 10%", disse Paulo Schmidt, da Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais (Apro), no evento. Participaram ainda das discussões e do lançamento da frente a Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão (ABPITV), Associação Brasileira das Produtoras de Fonogramas Publicitários (Aprosom), Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo (Siaesp) e Sindicato da Indústria Audiovisual (Sicav).
Felipe Trielle, da Aprosom, destacou a importância do recolhimento de direitos autorais para o setor de áudio. "Dependemos do cumprimento da lei do direito autoral. Estamos sofrendo muito, sobretudo no mundo online", disse, sobre um dos pontos a serem abordados pela frente.
Manoel Rangel, presidente da Ancine, também participou do lançamento. "Sem valentes que decidem abraçar essa causa no Congresso Nacional, não é possível fazer as conquistas necessárias para fazer do Brasil um grande centro produtor de conteúdo. A Ancine está à disposição de vocês, com um corpo técnico capaz. Contamos com vocês para as batalhas de afirmação do audiovisual brasileiro", disse.
Veja quais são os 17 pontos a serem trabalhados pela Frente Parlamentar Mista do Audiovisual:
  • Impulsionar a tramitação dos projetos de revisão da Lei de Direitos Autorais
  • Revisar a Lei 6.533/78 que regulamenta a profissão de artista e técnicos, incluindo profissões recentes não contempladas e eliminando outras que já não existem
  • Propor a inclusão de cotas de produção nacional para segmentos além da TV paga, bem como limitar o efeito de reprises para cumprimento das cotas
  • Desonerar a aquisição de equipamentos para o setor
  • Impulsionar a tramitação de projetos de lei que tratem da regionalização da produção para a TV
  • Atuar, junto ao Mnistério da Cultura, na criação do Laboratório de Desenvolvimento de Incubadoras de Projetos Culturais
  • Acompanhar quaisquer medidas legislativas e administrativas para regulamentar a exploração e veiculação de obras na Internet, VOD etc.
  • Garantir a destinação de recursos do Fundo do Setor Audiovisual (FSA)
  • Garantir os desembolsos do FSA já comprometidos nas chamadas públicas
  • Ampliar a quantidade de salas de exibição no país
  • Ações para equacionar a distribuição e exibição do audiovisual
  • Reforçar a importância do Conselho Superior de Cinema
  • Reforçar a importância da Cinemateca Brasileira
  • Ações para fortalecer a Secretaria do Audiovisual do MinC
  • Ampliar acordos de coprodução internacional
  • Ações para facilitar a emissão de vistos de trabalho para talentos estrangeiros
  • Ações para facilitar o uso de locações particulares e logradouros públicos em produções

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A mídia tradicional e a negação do projeto de direito de resposta

Câmara aprova PL que regulamenta Constituição e, antes de virar lei, texto já recebe ataque dos veículos contrários a qualquer regra para a imprensa. Proposta do senador Roberto Requião volta para segunda votação no Senado.
Por Bia Barbosa*

Não é fácil admitir que nós, jornalistas, também erramos. E que nosso erro pode fazer muito mal aos outros. Nos bancos das faculdades de comunicação, muito pouco se debate, com profundidade, sobre ética jornalística, sobre a responsabilidade que os meios de comunicação de massa devem ter ao divulgar fatos e dados. Muito menos sobre o direito que o outro, de quem falamos ou escrever, tem de ser ouvido e tratado com igual respeito.
Essa sensação de poder só se reforça quando chegamos às redações. Ali, o culto ao absolutismo da liberdade de imprensa é martelado cotidianamente em nossas cabeças pelos colegas “mais experientes”, pelos chefes e pelos donos do veículo. Qualquer restrição à atuação do jornalista – incluindo a necessidade de dar voz a todos os lados envolvidos numa história – é rapidamente tachada de censura.
Esta semana, uma vez mais, os tradicionais veículos de comunicação do país se levantaram contra um direito fundamental, consagrado internacionalmente muito antes da própria Constituição brasileira incorporá-lo em nosso ordenamento jurídico, alegando “risco à liberdade de expressão”. Liberdade de quem?
Depois de três anos tramitando no Congresso, a Câmara dos Deputados aprovou, no último dia 20, o PL 6446, que regulamenta a garantia do direito de resposta. Desde a revogação total, pelo Supremo Tribunal Federal, em 2009, da Lei de Imprensa, o dispositivo constitucional não conta com uma lei específica que detalhe como os meios de comunicação devem proceder em caso de erro ou ofensa praticada contra qualquer cidadão.
Por conta disso, são inúmeros os casos de pessoas que não conseguem exercer seu direito de resposta contra o mal jornalismo, mesmo que a Constituição o garanta. O texto, modificado, ainda voltará ao Senado, mas já vem sendo alvo de críticas contundentes daqueles que não querem respeitar qualquer regra para operar seu negócio (no caso, vender jornal e revista ou lucrar com os anúncios publicitários no rádio e na TV).
Em editorial do último domingo, o Estadão afirma que o projeto é um “verdadeiro instrumento de coação a quem queira se manifestar”. Isso porque, para o jornal, só teria direito de resposta aquele que fosse vítima de uma informação errada de um veículo, e não quem também fosse ofendido pela imprensa.
Acontece que a nossa legislação em vigor já garante que um veículo ou jornalista possa ser processado por injúria, calúnia ou difamação – condutas que, como se sabe, vão bem além da veiculação de informações comprovadamente inverídicas, e se enquadram nos chamados “crimes contra a honra”, que existem em todo o mundo.
O que não existe, aqui no Brasil, e o PL 6446/13, de autoria do senador Roberto Requião, propõe reestabelecer, é um rito para que o direito de resposta seja garantido, e não dependa do bel prazer dos veículos de comunicação. Ao contrário do que afirma o Estadão, os Códigos Civil e Penal do país não tem assegurado a reparação de dados advindos da atividade jornalística. Muito pelo contrário. Há casos que estão há mais de cinco anos à espera de um posicionamento da Justiça – que, aliás, nem precisaria ser acionada, caso os veículos fossem capazes de admitir seus erros e abrir espaço para o contraditório em suas páginas ou programas na TV e no rádio.
Caso o projeto venha a ser aprovado no Senado, o juiz poderá se manifestar nas 24 horas seguintes à citação, já determinando a data e demais condições para a veiculação da resposta. Ou seja, será garantida agilidade nos processos e, assim, efetividade na resposta do cidadão ofendido. Afinal, de que adianta um direito de resposta concedido cinco anos depois do dano causado? Muito pouco...
Além do prazo, o projeto também garante a resposta ou retificação na mesma proporção do agravo, com divulgação gratuita. Ou seja, não vale mais dar uma notinha no rodapé da última página do jornal para retratar um erro cometido em uma manchete de primeira página. Nem ler duas frases no telejornal para retificar uma reportagem de cinco minutos. Muito menos corrigir um erro cometido em horário nobre na programação da madrugada.
E isso é democrático; fundamental para estimular o exercício da boa prática jornalística, para um retorno à credibilidade da imprensa pela sociedade e para equilibrar minimamente o poder de divulgação dos meios de comunicação com os direitos dos cidadãos e cidadãs, reforçando a importância de uma mídia democrática e plural no país.
Lobby midiático
Não é só agora, pós-votação do projeto na Câmara, que os meios de comunicação estão se posicionando sobre o texto. Durante toda a tramitação do PL, as associações que representam os veículos impressos e de radiodifusão no país pressionaram fortemente os partidos políticos e parlamentares para que o direito de resposta continuasse desregulamentado. Além de prorrogar a votação do texto, que estava pronto há meses para ser apreciado pelo plenário, os donos da mídia convenceram parte importante dos deputados contra o texto.
Durante a votação, o deputado Miro Teixeira (Rede/RJ) chegou a declarar que os homens públicos já têm acesso aos meios de comunicação para responder aos erros e ofensas publicados, seja por meio de notas ou pela convocação de entrevistas coletivas. Mas e o cidadão comum, deputado, faz como? Para o deputado Sandro Alex (PPS/PR), a projeto é um retrocesso, e representa a censura, “o controle da mídia”. Como assim, se o direito de resposta só será veiculado após a publicação de um fato inverídico ou ofensa e depois de uma decisão judicial equilibrada?
É exatamente o contrário. Na prática, a regulamentação do direito de resposta garante mais diversidade de opiniões e mais pluralidade – e não menos. Nenhum jornalista ou veículos será impedido de investigar o que quiser e de publicar suas opiniões. Somente deverá abrir espaço para outros lados e para correções caso já não faça isso no próprio exercício de suas funções ou publique informação mentirosa. Do contrário, tudo continua como está.
O lobby midiático conquistou ainda os votos do DEM e do PSDB contrários ao projeto. E conseguiu alterar, na Câmara, um dos aspectos do texto que saiu do Senado: a possibilidade do próprio cidadão ofendido se pronunciar, pessoalmente, no rádio ou na TV para exercer sua resposta. Na versão que passou na Câmara, são os profissionais do veículo que devem divulgar a resposta. Por conta disso, a aprovação da lei foi prorrogada uma vez mais, tendo o PL que passar novamente no Senado.
Mas a medida deve ser celebrada. Em plena Semana Nacional pela Democratização da Comunicação – que aconteceu em 14 estados da federação, entre os dias 14 e 21 de outubro, com debates, atos culturais e audiências públicas sobre o tema –, o Congresso Nacional deu uma boa notícia para a sociedade brasileira. A de que os princípios constitucionais relacionadas à área da comunicação devem ser regulamentados, para se tornarem prática.
Agora só falta fazer o mesmo com os artigos que proíbem o monopólio dos meios de comunicação e a concentração de meios no setor privado (prevendo sua complementaridade com os canais públicos e estatais) e que garantem espaço para a programação regional e independente nos meios. A pressão contrária dos grandes meios continua, obviamente. Mas a aprovação do PL do direito de resposta na Câmara dos Deputados, presidida por Eduardo Cunha, mostra que nem tudo está perdido.

* Bia Barbosa é jornalista, integrante da Coordenação Executiva do Intervozes e do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação.
 

Comunicação em situação de risco reúne jornalistas e cientistas em Brasília

Seminário sobre Comunicação em situação de risco será realizado no dia 5 de novembro, no auditório da Fiocruz Brasília

Por Nathállia Gameiro, da Ascom Fiocruz
Ebola, Chikungunya, Dengue..., qual é o papel e a responsabilidade da mídia nos casos de epidemias? Os jornalistas estão treinados para cobrir casos de saúde pública? Qual é a qualidade das informações divulgadas pela mídia e pela autoridade sanitária em relação aos temas? Quais são as estratégias e dificuldades de cobertura e difusão de informações? Estes são alguns questionamentos que nortearão os debates da 4ª edição do Seminário As Relações da Saúde Pública com a Imprensa,que acontece em Brasília.
Com o surgimento de novos casos, doenças como dengue, chikungunya, zika e ebola estão sempre em pauta na mídia. Com o objetivo de discutir o papel e a responsabilidade da mídia, a Fiocruz Brasília promove a 4ª edição do Seminário As Relações da Saúde Pública com a Imprensa, com o tema central “Comunicação em situação de risco”, que será realizado no dia 5 de novembro. Por meio da iniciativa, pretende-se reunir profissionais da imprensa e da saúde, além da academia e estudantes, para analisar e discutir estratégias de comunicação e aspectos dessas doenças que causam impacto no país, além de comoção internacional.
“Esta é uma oportunidade única de tentar fazer diferente e construir em conjunto, colocar a grande mídia, os comunicadores da área da saúde e pesquisadores e gestores para discutir seu papel e suas responsabilidades em temas que impactam a saúde da população”, ressaltou a coordenadora da Assessoria de Comunicação da Fiocruz Brasília e uma das organizadoras do evento, Ana Carolina de Oliveira.
A cada dois anos, a Fiocruz Brasília promove seminários temáticos de Comunicação em Saúde para debater temas de relevância para a saúde pública. Em versões anteriores, abordou a cobertura da imprensa quanto à Febre Amarela, H1N1 e O SUS na mídia.
A programação deste ano conta com duas mesas de debate, que discutirão os temas “Ebola: o papel e a responsabilidade da mídia” e “Chikungunya, Dengue e Zika: epidemias anunciadas?”, com a participação de pesquisadores da Fiocruz e da Universidade de Brasília, jornalistas do Correio Braziliense, Observatório da Imprensa, Ministério da Saúde, Estado de S. Paulo e Viomundo
O evento, gratuito, é voltado para profissionais das áreas da saúde, imprensa, acadêmicos, estudantes e demais interessados no assunto. As inscrições estão abertas e podem ser feitas aqui. O encontro terá início às 10h, no auditório externo da Fiocruz Brasília.
Serviço
Seminário Temático As Relações da Saúde Pública com a Imprensa – Comunicação em situação de risco
Local: Auditório Externo Fiocruz Brasília – Avenida L3 Norte, Campus Universitário Darcy Ribeiro, Gleba A, SC 4 (atrás do HUB)
Data: 05 de novembro de 2015
Horário: 10h às 16h30
Informações: (61) 3329-4508 / 4581 – Assessoria de Comunicação | ascombrasilia@fiocruz.br