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quarta-feira, 23 de março de 2016

Radiodifusão: MiniCom lançará editais de rádios comunitárias focadas em povos de matriz africana


A rádio comunitária Zumbi dos Palmares é uma
 
das poucas emissoras voltadas ao público afrodescendente


Do Ministério das Comunicações
O ministério das Comunicações anunciou que as comunidades afrodescendentes do Brasil vão ser beneficiadas com novas rádios comunitárias, além de contar com um reforço nas políticas de inclusão digital. A revelação foi feita durante Comissão Geral da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (22), para discutir o tema Discriminação Racial no Brasil e comemorar o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.
Os editais a serem lançados compreenderão a seleção de instituições para operarem 60 rádios comunitárias voltadas especificamente a populações de matriz africana, ribeirinhas, quilombolas, residentes em assentamentos rurais ou colônias agrícolas. A idéia é que radiodifusão também seja um espaço para contribuir com toda a discussão, divulgação e manifestação cultural dessas comunidades tradicionais.

A iniciativa faz parte das políticas públicas de inclusão digital e têm como objetivo reduzir todo tipo de desigualdade. Atualmente, o Ministério das Comunicações conta com 98 pontos do programa Governo Eletrônico - Serviço de Atendimento ao Cidadão (Gesac), que dão acesso à internet, em comunidades quilombolas de 22 estados brasileiros. Além disso, há previsão de ativar outros 39 pontos de conexão à rede.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

[Veja o vídeo] Existe racismo na mídia brasileira?

Existe racismo na, mídia brasileira?
Os meios de comunicação retratam corretamente a diversidade racial do país?

Essas são algumas das perguntas colocadas à professora Renísia Garcia, coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade de Basília - UnB.


  • Veja também a vídeo entrevista:

Ela fala sobre mídia e preconceito contra os negros no Brasil ao jornalista Chico Sant'Anna, âncora do programa Cidadania, da TV Senadop.


A entrevista pode ser vista no vídeo abaixo.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Brasil: Pouca presença de negros na TV leva a racismo na infância, dizem especialistas

Para especialistas, representação na mídia está
aquém da proporção de negros no Brasil
“Em um país de maioria negra, não se justifica uma televisão totalmente branca, como nós temos [no Brasil]", afirma escritora.


 Da Agência Brasil

O estudante Anderson Ramos passou boa parte da 4ª série (hoje 5º ano) sendo chamado de “macaco”, “preto fedido”, “sujo” e ouvindo “piadas” por causa do cabelo crespo. As ofensas vinham de colegas da escola que, assim como ele, tinham 10 anos. O menino relatava os casos para a professora, que nada fez, e para a mãe, que demorou a entender que o filho estava sendo vítima de injúrias raciais.

“Quando comecei a chorar muito para não ir à escola e pedi para raspar o cabelo, minha mãe percebeu que eu estava sofrendo com aquilo, mesmo sem eu saber direito o que era”, afirma Ramos, hoje com 20 anos. “Quando a gente é criança, não tem maturidade para fazer a leitura do que aconteceu, mas sente a dor que o racismo causa. E não é brincadeira de criança, é racismo”, diz o estudante.

Apesar de pouco discutido, o racismo na infância e nas escolas existe e precisa ser enfrentado, na opinião de professores e especialistas ouvidos pela Agência Brasil. Eles destacam a pouca representação de crianças negras nos meios de comunicação como uma das causas do problema.

Professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da instituição, Renísia Garcia Filice acredita que o racismo existe dentro das escolas e ocorre de forma cruel, efetiva e naturalizada. Para ela, essa atitude na infância é fruto do que a criança viu ou vivenciou fora do ambiente escolar.

“A criança pode ter vivenciado isso numa postura dos pais, em algum comentário ou até em algo que os professores fizeram ou deixaram de fazer”, diz Renísia. Segundo ela, alguns professores se omitem em situações de racismo pela falta de informação, por naturalizar os casos ou achar que não é um problema. “Por isso, são necessárias práticas pedagógicas para que as crianças se percebam iguais e com iguais direitos”, acrescenta.

Ildete Batista dá aula para crianças de 5 anos em uma escola no Distrito Federal. Ela afirma que as questões raciais aparecem principalmente no momento de disputa e durante as brincadeiras. Professora há mais de 20 anos, Ildete afirma que faltam referências para as crianças. “O que fica como belo é o que aparece na TV, nos livros – inclusive nos materiais didáticos. A gente vê muitas propagandas, livros de histórias infantis em que os personagens são brancos.”
Desde cedo, crianças têm problemas de
auto-representatividade com modelo midiático atual
A professora desenvolve, na escola, um trabalho contra o racismo e para colocar mais referências africanas na educação. Isso, segundo Ildente, vem dando resultados. “No início do ano, uma menina me disse que não gostava do cabelo dela, por ser crespo. Em um desenho, por exemplo, ela se fez loira do olho azul. Agora, no final do ano, ela se desenha uma criança negra com cabelo enrolado. Isso mostra que o trabalho tem que ser feito e, se ele é feito com respeito, a gente consegue vencer esses problemas”, acredita.

Segundo o professor do curso de direito da UnB Johnatan Razen, quando há ofensas entre crianças, no colégio, os pais devem relatar o caso à escola, para a que a instituição promova ações educativas. “Se o caso envolver um professor ou a ofensa vier da instituição – como obrigar uma aluna a alisar o cabelo –, cabe acionar a Justiça”, orienta. Se tiver conhecimento de atitudes racistas dentro do espaço e se omitir, a escola também pode ser responsabilizada penalmente, de acordo com Razen.

Representação

Para a professora do curso de comunicação social da Universidade Católica de Brasília (UCB) Isabel Clavelin, há uma tendência de aumento na representação de crianças negras nos meios de comunicação, nos últimos anos. "Mas elas figuram em papéis de coadjuvantes, e a representação está aquém da proporção de negros no Brasil", diz a pesquisadora.
“Isso tem um efeito devastador, porque a criança se vê ausente ou não se vê como ela realmente é. Ela está sempre atrás. A interpretação dessas mensagens tem um efeito muito danoso, que é a recusa, de se retirar do espaço da centralidade”, afirma Isabel. “Enfrentar o racismo na infância é crucial e deve mobilizar toda a sociedade brasileira, porque ali estão sendo moldadas todas as possibilidades de identidade das pessoas”, acrescenta.
Estudantes sofrem bullying nas escolas
 por conta de injúrias raciais
A escritora Kiussam de Oliviera, que trabalha com a literatura infantil com o objetivo de fortalecer a identidade das crianças negras, afirma que falta representação positiva. “Em um país de maioria negra, não se justifica uma televisão totalmente branca, como nós temos. A partir do momento que as emissoras entenderem que o público negro é grande, nós viveremos uma fase diferente desta que estamos passando, onde há violência por conta da cor da pele, agressões focadas na raça – cada vez mais banalizada."

O estudante João Gabriel, de 11 anos, sente falta de mais crianças negras na televisão. “Nos desenhos e nos programas de TV, quem é gordo e negro está sempre sendo xingado, é sempre tímido e os outros zoam dele. Aí a gente vê isso e acha que é sempre assim. Os colegas acham que todos precisam ser iguais e ser diferente é ruim.”

Novo Programa

Com a maioria dos personagens negros, começa hoje a ser exibido na TV Brasil o desenho colombiano "Guilhermina e Candelário". Para marcar a passagem do Dia da Criança, a emissora exibirá quatro episódios em sequência, às 9h45 e às 13h. A partir daí, o desenho será transmitido de segunda a sábado, na Hora da Criança, faixa de programação de segunda a sexta das 8h15 às 12h e das 12h30 às 17h; e no sábado, das 8h15 às 12h.

A série mostra o cotidiano dos dois irmãos, cuja capacidade de sonhar transforma cada dia em aventura. A cada dia, eles esperam ansiosamente a chegada do Vô Faustino, a quem contam suas aventuras. O avô desfruta das histórias narradas pelos netos e compartilha sua experiência de vida e sabedoria.

Coproduzida pelo Señal Colombia e pela Fosfenos Media, a animação "Guilhermina e Candelário" é um dos primeiros desenhos do gênero com protagonistas negros a ser exibido na TV aberta brasileira.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Encontro debate racismo na mídia

Da Fenaj

O 1º Encontro Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial (Enjira) abriu, na manhã de quarta-feira (2) a programação do 36º Congresso Nacional dos Jornalistas, que acontece até o próximo domingo, no Centro de Convenções de Maceió, reunindo cerca de 500 profissionais de todo o Brasil.

Com foco na construção da igualdade racial na mídia e o papel dos jornalistas nesse processo, o encontro trouxe a tona questões como a visibilidade da cultura e das demandas relacionadas à população negra, além da troca de experiência sobre a abertura de espaços para o jornalismo especializado nas questões de gênero, como o Portal Áfricas e cadernos especiais na mídia impressa.

O encontro contou com a participação de profissionais do mais alto gabarito na mídia étnica nacional, a exemplo de Cleidiana Ramos, repórter especial do jornal A Tarde (BA), especializada em questões de identidade e religiosidade afro-brasileira; o jornalista Washington Andrade, diretor-geral do Portal Áfricas; e Rosane Borges, doutora em Ciências da Comunicação, coordenadora do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra.

Eles discorreram sobre questões como o tabu de falar no racismo na imprensa brasileira; das relações diferenciadas da informação com o público negro; da importância de fomentar o debate sobre etnia e raça na mídia brasileira, entre outros assuntos.

Na opinião de Rosane Borges, falar de racismo no Brasil é como olhar diretamente para o sol, pois é algo que cega imediatamente as pessoas. “É algo muito presente e que nos negamos a encarar. O que precisamos é trabalhar para promover a igualdade social e a mídia possui um papel fundamental nisso”, disse ela.

O evento contou com a participação de integrantes das Comissões de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojiras) de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Alagoas, Paraíba e Bahia, além do Núcleo de Jornalistas Afrobrasileiros do Rio Grande do Sul, que agregam profissionais engajados na discussão da temática, além de representantes dos demais sindicatos da categoria em outros Estados do Brasil.

Na avaliação do presidente da FENAJ, Celso Schröder, foi uma grande honra ter o ENJIRA abrindo o Congresso Nacional dos Jornalistas. “Isto era uma coisa que nós devíamos ao jornalismo brasileiro. Este é um assunto que deve ser extremamente debatido em todas as redações pelo Brasil afora”, afirmou.

Valdice Gomes, presidenta do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal) e coordenadora da Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial (Conajira) da FENAJ, falou da grande emoção em ver o primeiro Enjira acontecer Alagoas. “Não é de hoje que lutamos por isso, pois sabemos do quanto é fundamental implementar ações voltadas à igualdade racial em todas as esferas da comunicação social”, disse ela.

O Congresso dos Jornalistas é um evento promovido pela FENAJ, este ano realizado pelo Sindicato dos Jornalistas de Alagoas, com patrocínio do Governo de Alagoas, Prefeitura de Maceió, Sebrae, Petrobras, Federação da Indústria do Estado de Alagoas e Governo Federal, por meio da Caixa Econômica Federal, Ministério do Esporte e Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Mulheres negras: Imagem na mídia é esteriotipada.

Por Cristina Lima, foto de Juliana Gonçalves

As participantes da III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir) avaliaram que a imagem da mulher negra continua sendo estereotipada pela mídia. Para elas, a conferência deve ser um espaço privilegiado para a criação de novas estratégias.

Silvana Veríssimo, do Fórum Nacional de Mulheres Negras e representante da religião de matriz africana, por exemplo, afirma que a imagem da mulher negra na mídia ainda é estigmatizada.

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III Conapir: Mulheres negras querem políticas de comunicação e tratamento de gênero igualitário


“Nós continuamos como as mulheres que são boas para sexo. A gente precisa pensar uma estratégia mais forte para poder quebrar este estigma. Mesmo na televisão, ainda não conseguimos ver uma família negra completa. Sempre aparece a mulher negra sozinha, sem família, Não podemos aceitar mais isto. Temos atrizes negras que tem um potencial muito bom e que precisam ser valorizadas pela mídia”, afirmou Silvana.

Marta Cesária, militante do Fórum de Mulheres Negras, integrante da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Dandara no Cerrado) e da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) do estado de Goiás, concorda que a imagem da mulher negra precisa mudar e que a conferência é um espaço privilegiado para este debate. “Apesar de as mulheres negras apareceram mais na propaganda e nas novelas, sua imagem ainda está distante da realidade das mulheres negras brasileiras” analisa.

A coordenadora de Cidadania LGBT e Racial da Prefeitura de João Pessoa, na Paraíba, Socorro Pimentel, considera a comunicação como uma discussão necessário e central para a população negra, na perspectiva de democratizar a comunicação no Brasil. “Queremos uma mídia que tenha o elemento negro em seu conteúdo temático, fazendo campanhas de combate ao racismo e à intolerância religiosa, tornando nossa pauta prioritária, tanto na mídia institucional como na mídia particular”, diz a gestora de João Pessoa.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

III Conapir: Mulheres negras querem políticas de comunicação e tratamento de gênero igualitário

Por Angelica Basthi

Como estimular uma agenda para as mulheres e de promoção da igualdade racial nos meios de comunicação no Brasil?
Como pensar as políticas de comunicação a partir de temas como convergência tecnológica, marco regulatório e universalidade de acesso? 
Qual a relação entre as políticas de comunicação, as mulheres negras e a III CONAPIR?
Para garantir respostas a essas e outras questões, um grupo de comunicadoras negras (jornalistas e ativistas da área de comunicação) das cinco regiões do país estão desde último domingo em Brasília.
Elas chegaram com o objetivo de sensibilizar os cerca de mil delegadosas da III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir), que ocorre de 5 a 7 de novembro, no Centro de Convenções Brasil 21. As integrantes entendem a comunicação como eixo estratégico a ser contemplado nas políticas da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e dos demais órgãos governamentais.

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Mulheres negras: Imagem na mídia é esteriotipada.


A ideia é solicitar o apoio das delegações para as estratégias políticas de comunicação debatidas durante uma reunião de mulheres negras ocorrida em São Paulo no mês de agosto. A meta, com base na plataforma de comunicação das mulheres negras, é fortalecer o debate que vem sendo construído pelosas delegadosas nos estados.
“O regimento não permite criar propostas novas, mas sempre é possível agregar um termo ou um conceito”, afirma Nilza Iraci, presidenta do Geledés – Instituto da Mulher Negra e uma das articuladoras do encontro.
Estratégias
O grupo fará várias ações para dialogar, sobretudo, com as propostas do GT 8 (Comunicação) do subtema 2, intitulado Políticas de Igualdade Racial: avanços e desafios, que integra o eixo Estratégias para o desenvolvimento e enfrentamento ao racismo. “Além disso, vamos fazer uma cobertura jornalística diferenciada do evento, buscando destacar como a questão das mulheres é abordada. Para isso, criamos uma página no Facebook e no Twitter para garantir uma maior visibilização”, explica Mara Vidal, do Instituto Patrícia Galvão.
Entre as instituições representadas no grupo presente em Brasília, estão: Pretas Candangas; Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT); SOS Corpo − Instituto Feminista para a Democracia, Coletivo Leila Diniz / Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB); Instituto Negra do Ceará (Inegra) / Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB); Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA); Instituto Flores de Dan; Cunhã − Coletivo Feminista; o Núcleo de Jornalistas Afro-Brasileiros do Rio Grande do Sul e as Comissões de Jornalistas de Igualdade Racial de Alagoas, do Distrito Federal, do Rio de Janeiro e de São Paulo (COJIRA AL, DF, RJ e SP), vinculados aos Sindicatos dos Jornalistas dos respectivos estados.

Conheça a Plataforma das Comunicadoras Negras:

1) Instituir um órgão regulador independente para supervisionar as atividades relacionadas à radiodifusão e às telecomunicações, garantindo mecanismos de participação cidadã no acompanhamento e na regulação do sistema de comunicações;

2) Criar o Conselho Nacional de Comunicação deliberativo, autônomo e representativo de toda a diversidade nacional, garantindo a diversidade étnico-racial, de gênero, de orientação sexual e regional − composto por uma esfera nacional articulada com esferas estaduais e municipais;

3) Criar uma Política Nacional de Comunicação para o Enfrentamento ao Racismo e pela Democratização da Mídia, instituindo um Observatório Nacional para o desenvolvimento de estudos sobre mídia e racismo;

4) Fortalecer a mídia comunitária:
- alocando maior parcela do espectro de frequência FM para essas emissoras, simplificando e acelerando o processo de outorgas, abolindo características limitantes em relação à cobertura, à potência e ao número de estações por localidade;
- criando um fundo de financiamento geral às radiodifusoras comunitárias e de territórios quilombolas, garantindo condições de sustentabilidade para essas emissoras; e
- assegurando a liberação de concessões para comunidades tradicionais, com recorte para as de matriz africana, paridade racial e de gênero; e com acesso ao fundo de financiamento geral;

5) Estimular a produção regional e independente, de modo a garantir a veiculação (Regulamentação do art. 221, da Constituição Federal, sobre finalidades da programação):
- assegurando cotas para a produção nacional – regionais e locais – e independente na programação dos diferentes meios de comunicação (TV aberta, rádio, TV por assinatura, catálogos de Video on Demand VOD), contemplando a diversidade de gênero, raça, etnia e orientação sexual e incluindo veiculação desses conteúdos em horário nobre;
- implementando políticas públicas que estimulem a produção e viabilizem a veiculação em todos os meios de comunicação, por meio de aulas, programas e campanhas voltadas para a construção da cidadania e o combate ao sexismo, ao racismo, à homofobia, à lesbofobia, à intolerância religiosa e a todas as formas de discriminação, considerando as Leis n. 10.639/2003 e n. 11.645/ 2008;

6) Criar fundos de fomento e incentivo à produção de conteúdo audiovisual independente por meio de editais e ampliação dos percentuais de fundos setoriais de apoio e investimento, levando em consideração as produções locais e regionais e garantindo o acesso das mulheres e da população negra à produção de conteúdo, com especial atenção as mulheres negras;
- Promover chamadas regulares de editais públicos destinados especificamente ao financiamento de empreendedores e empreendedoras, produtores e produtoras negros e negras de comunicação que tenham como foco a diversidade étnicorracial, degênero, religiões de matrizes africanas, cultural, regional e geracional como ferramenta de enfrentamento ao racismo e a todas as formas de discriminação;

7) Implementar políticas públicas de formação, acesso e inclusão digital para a população negra, povos indígenas, quilombolas, ciganos, comunidades de matriz africana e mulheres negras;

8) Fortalecer o sistema público (regulamentação do art.223, sobre complementaridade entre os sistemas): Reservar, em todos os serviços analógicos e digitais, um terço das frequências para o sistema público, entendido como aquele integrado por meios comunitários e organizações de caráter público, geridos de maneira participativa, a partir da possibilidade de acesso universal do(s) cidadão(s) à suas estruturas dirigentes, e submetidos a controle social;
- Fortalecer a Empresa Brasil de Comunicação, garantindo ampliação significativa de sua abrangência, autonomia política e editorial em relação ao governo, mecanismos de gestão participativa e financiamento público;
- Implantar cotas raciais na programação das emissoras de rádio e TV públicas;
- desenvolver campanhas e programas de combate ao racismo e à intolerância religiosa, e disseminar as Leis 10.639/2013 e 11.645/2008;

9) Estabelecer que 30% do orçamento do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações tenha recorte étnicorracial, priorizando a realização de projetos na área de tecnologia da informação e comunicação, garantindo a inserção cidadã da juventude e mulheres negras;

10) Mudar o processo de concessão de outorgas, instituindo mecanismos de transparência, regras e procedimentos democráticos nos processos de concessão e renovação que atendam aos objetivos da pluralidade e da diversidade informativa e cultural, sem privilegiar critérios econômicos.
- As regras do licenciamento devem conter exigências quanto ao cumprimento de padrões de conteúdo, garantindo a diversidade étnico-racial, de gênero, etária, religiosa, de orientação sexual e regional. A renovação das outorgas não deve ser automática;
- Deve ser efetivado o fim das concessões para políticos, com a proibição da exploração direta ou indireta dos serviços por ocupantes de cargos públicos eletivos ou seus parentes até o segundo grau, e para instituições religiosas de qualquer natureza;
- Regular a sublocação da grade, evitando a ocupação indiscriminada do espectro por programas religiosos, proibir as transferências diretas ou indiretas de outorgas, e impedir o arrendamento total ou parcial ou qualquer tipo de especulação sobre frequências;
- Garantir a participação efetiva da população negra e povos indígenas, como forma de assegurar o direito à comunicação, informação e cultura próprias, com prioridade para juventude, mulheres, comunidades de matriz africana, quilombolas.



quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Cinegrafista negra da CNN é vítima de racismo em convenção republicana nos EUA

Com base no Opera Mundi

O primeiro dia da convenção do partido Republicano dos Estados Unidos foi marcado por um episódio de racismo. O evento se destinava a homologar a candidatura do ex-governador de Massachusetts Mitt Romney à presidência daquele país.
Segundo informações da rede norte-americana TPM, um homem jogou amendoins em uma cinegrafista negra da CNN e disse à ela: “é assim que alimentamos os animais” durante a conferência. O republicano, que não foi identificado, foi retirado do local pela administração do evento. A convenção aconteceu em Tampa, na Flórida.
Já a agência France Press informa que o incidente foram com dois convencionais dos Republicanos ."Dois participantes da convenção republicana foram expulsos depois de jogar amendoins em uma cinegrafista negra da CNN, dizendo que estavam "alimentando os animais", informou a cadeia nesta quarta-feira" - registro a AFP.
A administração da CNN não providenciou detalhes sobre o ocorrido, mas confirmou por meio de um comunicado que houve um “incidente” com uma de suas funcionárias na cobertura em Tampa. “A CNN trabalhou com os funcionários da convenção para resolver esse problema e não tem outros comentários”.

Autoridades do Partido Republicano e os responsáveis pelo evento não se pronunciaram sobre o ataque e nem responderam às ligações da TPM. O ocorrido foi divulgado na noite de terça (28/08) na página do Twitter do apresentador da TPM, David Shuster, e logo, centenas de seguidores reproduziram sua mensagem.

sábado, 21 de maio de 2011

Homenagem aos 60 anos da jornalista Jacira da Silva.

Do SJP-DF

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal congratula a jornalista Jacira da Silva pelos seus 60 anos, a serem comemorados neste sábado, dia 21 de maio. Primeira e única mulher a comandar o SJPDF, entre 1995 e 1998, ela segue na luta pela categoria, sendo ativa participante das atividades sindicais.

Jacira é uma das fundadoras da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do DF (http://cojiradf.wordpress.com/), que desenvolve importante trabalho de apoio aos profissionais negros/as e sensibilização das redações para as políticas públicas de combate ao racismo e promoção da igualdade racial.

Militante do PT, a ex-presidente do SJPDF faz parte do Movimento Negro Unificado (MNU), do Coletivo de Articulação em Defesa das Cotas Raciais no Ensino Superior, do Fórum de Mulheres Negras do DF e do Fórum de Educação e Diversidade Étnico-Racial do DF. Jacira da Silva também edita o blog Negritude DF (www.negritudedf.blogspot.com)

O SJPDF agradece suas contribuições para o movimento sindical e para a população do DF de forma geral. Desejamos que os próximos anos sejam repletos de saúde e energia para conquistas pessoais, familiares e coletivas.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Seminário “Qual a face negra da mídia”?

O Centro de Excelência em Turismo da UnB (CET/UnB) apoia e convida para o evento “Qual é a face negra da mídia?”, promovido pela Fundação Cultural Palmares para celebrar o Dia Nacional da Cultura, no próximo dia 5 de novembro. Na ocasião, serão exibidos três longa-metragens inéditos no circuito nacional que, em comum, abordam aspectos da cultura afro-brasileira: Trampolim do Forte, Jardim das Folhas Sagradas e Bróder.

Cada filme exibido será objeto de debate entre gestores da Fundação Palmares, artistas, profissionais ligados à cultura e público em geral, no Museu Nacional Honestino Guimarães, a partir das 9 horas do dia 5 de novembro. A atividade está alinhada com as diretrizes da política do Ministério da Cultura (MinC) que estabelecem o reconhecimento e a valorização da cultura negra como a matriz do processo de formação do povo brasileiro.

O pré-roteiro do seminário, sujeito a alterações e confirmações, prevê a presença do presidente da Palmares, Zulu Araújo, e de Newton Guimarães Cannito, da Secretaria do Audiovisual, além de artistas, cineastas e profissionais ligados à cultura, como Pola Ribeiro, João Mattos, Jeferson De, Joel Zito Araújo, João Gabriel, Luís Miranda, Marcélia Cartaxo, Zeu Brito, Antônio Godi, Harildo Deda, Evelin Buchegger, João Miguel, Aurístela Sá, Zezé Motta, Jonatas Haagensen e Caio Blat.

Serviço

O quê
: Seminário Qual é a face negra da mídia? e mostra de filmes inéditos no circuito comercial

Data: 5 de novembro de 2010

Horário: A partir das 9h

Local: Museu Nacional Honestino Guimarães

Endereço: Conjunto Cultural da República - Esplanada dos Ministérios - Brasília/DF

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Livro retrata a Imprensa negra no Brasil do séxulo XIX

Ao ressaltar momentos marcantes da imprensa negra oitocentista, o livro debate as formas de resistência negra e contribui para o enfrentamento da discriminação racial no Brasil.
Ao longo do século XIX, indivíduos e grupos negros letrados criaram espaços na imprensa para tratar dos assuntos que consideravam importantes e expor suas ideias sobre os rumos do país. Experiências cotidianas e variadas de enfrentamento do racismo, a criação de redes de sociabilidade e o uso de instrumentos legais para promover a cidadania foram registradas nas páginas de jornais assinados por "homens de cor" e dirigidos a eles.
No livro Imprensa negra no Brasil do século XIX (184 p., R$ 21,00), quinto volume da Coleção Consciência em Debate, da Selo Negro Edições, a historiadora Ana Flávia Magalhães Pinto resgata títulos da imprensa negra oitocentista publicados em cidades e períodos diferentes. Pioneira, a obra aborda a experiência da liberdade e da cidadania, destacando a utilização da imprensa como um instrumento de resistência negra em pleno sistema escravagista.
O lançamento acontece no dia 14 de outubro, quinta-feira, das 19h às 22h, na Livraria Cultura de Brasília (Casa Park Shopping Center - SGCV - Sul - Lote 22 - Loja 4ª - Zona Industrial - Guará - DF).
Fruto do trabalho de homens negros livres, cuja cidadania era reconhecida pelas Constituições de 1824 e 1891, os periódicos denunciaram e combateram os entraves criados à garantia desse direito em variados espaços da sociedade da época - ainda organizada com base na escravidão de africanos e de seus descendentes. "Dirigidas a outros cidadãos, que teriam a mesma aparência dos redatores, aquelas palavras afirmavam talentos e virtudes e pretendiam contribuir para a solução de problemas enfrentados por aquelas pessoas", conta a autora.
Resultado de uma pesquisa historiográfica de mais de dez anos, a obra reúne oito títulos que, apesar dos intervalos, compreendem o período de setembro de 1833 a agosto de 1899. São eles: O Homem de Cor ou O Mulato, Brasileiro Pardo, O Cabrito e O Lafuente, do Rio de Janeiro (RJ), em 1833; O Homem: Realidade Constitucional ou Dissolução Social, de Recife (PE), em 1876; A Pátria - Órgão dos Homens de Cor, de São Paulo (SP), em 1889; O Exemplo, de Porto Alegre (RS), de 1892; e O Progresso - Órgão dos Homens de Cor, também de São Paulo (SP), em 1899.
Dividido em quatro capítulos, o livro apresenta um panorama dos jornais e revela a atuação de um razoável número de negros letrados capazes de gerar e absorver as ideias emitidas nos periódicos, além de disseminá-las entre os pares iletrados.
O primeiro capítulo aborda o material dos pasquins negros publicados no Rio de Janeiro de 1833, no período regencial. Com base em dados sobre personalidades envolvidas na produção desses periódicos e da imprensa fluminense - como Francisco de Paula Brito e Maurício José de Lafuente -, mostra-se uma rede de solidariedade negra à qual interessavam a conservação de garantias individuais e a construção de uma voz coletiva direcionada ao fortalecimento do grupo. Saindo da Corte Imperial, o estudo centra-se em Recife, onde se deu a publicação dos doze números do jornal O Homem nos primeiros meses de 1876.
O segundo capítulo traz o exame da vasta argumentação do impresso acerca de assuntos de interesse da população negra local. "Além de ser o primeiro jornal negro de Pernambuco, O Homem é tido como primeiro periódico abolicionista daquela província", revela a autora.
A democracia racial em nome do progresso da pátria é o tema do terceiro capítulo, que traz dois exemplares da imprensa negra paulista: os jornais A Pátria e o Progresso.
No último capítulo, a autora fala sobre o primeiro jornal negro do Rio Grande do Sul, iniciado em 1892, destacando a multiplicidade das questões tratadas como alvo de grande interesse para a população negra gaúcha. "Nesses novos tempos de lutas contra o racismo, o livro fortalece a discussão de ações pela cidadania dos negros no Brasil", conclui Flávia.

Consciência em Debate

A Coleção Consciência em Debate , coordenada por Vera Lúcia Benedito, mestre e doutora em Sociologia/Estudos Urbanos pela Michigan State University (EUA) e pesquisadora dos movimentos sociais e da diáspora africana no Brasil e no mundo, tem como objetivo debater temas prementes da sociedade brasileira, tanto em relação ao movimento negro como no que concerne à população geral.

Outros volumes:

Relações raciais e desigualdade no Brasil • Políticas públicas e ações afirmativas • História da África e afro-brasileira • Literatura negro-brasileira.
A autoraAna Flávia Magalhães Pinto nasceu em Planaltina, Distrito Federal, em 1979. Graduou-s e em Comunicação Social/Jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (2001), concluiu o mestrado em História pela Universidade de Brasília (2006) e atualmente é doutoranda também em História pela Universidade Estadual de Campinas, desenvolvendo pesquisa sobre experiências de intelectuais negros na imprensa brasileira do século XIX.
É colunista do jornal Ìrohìn.

SERVIÇO

Título: Imprensa negra no Brasil do século XIX - Coleção Consciência em Debate
Autor: Ana Flávia Magalhães Pinto
Coordenadora da coleção: Vera Lúcia Benedito
Editora: Selo Negro Edições
Preço: R$ 21,00Páginas: 184 (12,5 x 17,5)
ISBN: 978-85-87478-41-2
Atendimento ao consumidor: 11-3865-9890
Site: www.selonegro.com.br

sábado, 15 de maio de 2010

Concurso de cartazes celebra a Consciência Negra

Do M&M Online

O dia 13 de maio - data em que se celebra a abolição da escravidão no Brasil - foi escolhido pelo governo de São Paulo para o lançamento Campanha da Consciência Negra 2010. Neste ano, o objetivo é antecipar os preparativos para as celebrações do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de Novembro. Para isso, o governo estadual lançou o concurso "Consciência Negra em cartaz - O que é Consciência Negra para Você?"
A iniciativa já começou e será válida até o dia 1º de setembro. Para participar, é preciso criar um cartaz a respeito do tema e entregá-los nas agências dos Correios ou, então, mandá-los através do próprio sítio da campanha. que ainda não está no ar. Qualquer pessoa pode participar enviando a sua sugestão de cartaz e, em novembro, a secretaria irá selecionar as melhores peças. O cartaz vencedor será utilizado para divulgar o grande show da Consciência Negra, que acontecerá na Praça da Sé, em São Paulo, no dia 20 de novembro.
Afora o concurso, a Assessoria de Cultura para Gêneros e Etnias também prepara outras iniciativas para ressaltar os valores e a cultura da população negra. Entre os planos está o edital de apoio a cidades para a celebração do Dia da Consciência Negra, um curso de capacitação para o edital de hip hop e o 4º Encontro Paulista de Hip Hop, que deve acontecer em 27 de novembro, no Memorial da América Latina.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Opinião: Repórteres no pelourinho

Por Leandro Fortes, no Observatório da Imprensa, enviado por Sandra Martins

A direção da Folha de S.Paulo, simplesmente, autorizou a um elemento estranho à redação (mas não aos diretores), o sociólogo Demétrio Magnoli, a chamar de "delinquentes" dois repórteres do jornal, autores de matéria sobre a singular visão do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) da miscigenação racial no Brasil. Vocês, não sei, mas eu nunca vi isso na minha vida, nesses 24 anos de profissão. Nunca. Por tabela, também o colunista Elio Gaspari, que desceu a lenha no malfadado discurso racista de Demóstenes Torres, acabou no balaio da delinquência jornalística montado por Magnoli.

Das duas uma: ou a Folha dá direito de resposta aos repórteres insultados (Laura Capriglione e Lucas Ferraz), como, imagino, deve prever o seu completíssimo Manual de Redação, ou encerra as atividades. Isso porque Magnoli, embora frequente os saraus do Instituto Millenium, não entende absolutamente nada de jornalismo e confundiu reportagem com opinião.

A matéria de Laura e Lucas nada tem de ideológica, nem muito menos é resultado de "jornalismo engajado" (contra o DEM, na Folha??). A impressão que se tem é que houve falha nos filtros internos da Redação e deixaram passar, por descuido ou negligência, uma matéria cujas conseqüências aí estão: o senador Torres, sujeito oculto da farsa do grampo montada em consórcio entre a Veja e o STF, virou, também, o símbolo de um revisionismo histórico grotesco, no qual se estabelece como consensual o estupro de mulheres negras nas senzalas da Colônia e do Império do Brasil.

Rumos finais
A reação interna à repercussão de uma matéria elaborada por dois repórteres da sucursal de Brasília, terceirizada por Demétrio Magnoli, é emblemática (e covarde), mas não diz respeito somente à Folha de S.Paulo. O artigo "Jornalismo delinquente" [ver íntegra abaixo], publicado na edição de terça-feira (9/3), na seção "Tendências/Debates" da pág. 3 do jornal, nada tem a ver com políticas de pluralidade de opiniões, mas com intimidação pura e simples voltada para o enquadramento de repórteres e editores – e não só da Folha – para os tempos de guerra que se aproximam.

A recusa de Aécio Neves em ser vice de José Serra deverá jogar o DEM, outra vez, no vácuo dos tucanos, a reviver a dobradinha iniciada entre Fernando Henrique Cardoso e o PFL, de triste lembrança. O imenso mal estar causado pela fala de Demóstenes Torres na tribuna do Senado Federal, resultado do trabalho rotineiro de dois repórteres, acabou interpretado como inaceitável fogo amigo. Capaz, inclusive, agora, de a dupla de jornalistas correr perigo de empregabilidade, para usar um termo caro à equipe econômica tucana dos tempos de FHC.

Demétrio Magnoli, impunemente, chama a reportagem da Folha de S.Paulo de "panfleto disfarçado de reportagem", afirmação que jamais faria, e muito menos a publicaria, sem autorização da direção do jornal, precedida de uma avaliação editorial e política bastante criteriosa. O fato de se ter permitido a Magnoli, um dos arautos da tese conceitualmente criminosa de que não há racismo no Brasil, insultar dois repórteres e o principal colunista da Folha, em espaço próprio dentro de uma edição do jornal, deixa a todos – jornalistas e leitores – perplexos com os rumos finais da velha mídia e de seu inexorável suicídio editorial em nome de uma vingança ideológica, ora baseada em doutrina, ora em puro estado de ódio racial e de classe.

As opiniões aqui postadas são de responsabilidade de seus autores

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Imprensa negra no Brasil e nos Estados Unidos é tema de debate

Por Sandra Martins

Comparações entre as imprensas produzidas por negros no Brasil e nos Estados Unidos, bem como as suas relações com os movimentos sociais negros nos dois países, tendo como destaque os programas de ações afirmativas. Este é um dos temas a serem abordados no ciclo de palestras e lançamento do livro “Movimento Negro: escritos sobre os sentidos, democracia e justiça social”, organizado pelos professores Amauri Mendes Pereira e Joselina da Silva.

Em destaque, a relevância para a chamada “imprensa negra fluminense” do jornal SINBA que circulou em fins dos anos setenta durante a ditadura civil-militar. Segundo lembrou o jornalista e pesquisador Togo Yoruba, os militantes do movimento negro manifestaram- se nesta época lançando algumas publicações, entre as quais o SINBA, o Jornegro em São Paulo e a revista Tição em Porto Alegre, que teve entre os seus fundadores o jornalista Jorge Freitas integrante da direção do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ).

Conforme nos recorda o jornalista José Reinaldo Marques, “nos anos oitenta surgiram publicações como a revista paulista “Ébano”, ( NR: que teve na sucursal fluminense a participação do jornalista Miro Nunes, membro da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-SJPMRJ) ) e o jornal carioca “Maioria Falante”, que circulou entre 1987 e 1996 e fundado também por Togo Yoruba. Em 1991, foi lançada no Rio a revista Nós, we around the world e, cinco anos depois, em São Paulo, a revista Raça Brasil, que completa 14 anos de em circulação”.

As palestras e o lançamento do livro “Movimento Negro: escritos sobre os sentidos, democracia e justiça social” acontecem no Centro Cultural Municipal Oduvaldo Viana Filho, na Praia do Flamengo 158 (esquina com rua Dois de Dezembro e próximo ao Largo do Machado), Flamengo, Rio de Janeiro, nesta terça-feira, 2 de março, às 19h.

sábado, 10 de outubro de 2009

Seminário na ABI discute dias 14 e 15 o papel da mídia no debate sobre igualdade racial

Que causa poderia unir o arquiteto Oscar Niemeyer, o cineasta Nelson Pereira dos Santos, os antropólogos Roberto da Matta e Otávio Velho, o jurista Fábio Konder Comparato, os ministros do STF Marco Aurélio Mello, Joaquim Barbosa Gomes, Celso Mello e Carlos Ayres Britto, os jornalistas Miriam Leitão, Elio Gaspari e Ancelmo Góis, os atores Lázaro Ramos, Wagner Moura e Taís Araújo, os compositores e cantores Gilberto Gil e Martinho da Vila?
Resposta: as políticas de ação afirmativa, que incluem as polêmicas cotas para negros nas universidades.
Por que, então, essas personalidades tão importantes não costumam ser entrevistadas sobre esse tema? Seria isso produto de uma ação deliberada de grande parte da mídia brasileira, possivelmente interessada em fabricar uma opinião pública contrária a essas políticas?
Esse é o tema central do seminário Comunicação e Ação Afirmativa: O Papel da Mídia no Debate sobre Igualdade Racial, que será realizado nos dias 14 e 15 de outubro no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (Rua Araújo Porto Alegre, 71 – Centro), de 13h30 às 17h30.
Com a presença de grandes nomes da mídia brasileira, ao lado de especialistas acadêmicos e ativistas do movimento social, o seminário – fruto da parceria entre a ABI, o Conselho Municipal dos Direitos do Negro (Comdedine) e a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira), com apoio da Coordenadoria Especial de Promoção da Igualdade Racial do Município do Rio de Janeiro (CEPIR) – pretende suscitar um debate que vai além dos limites de seu tema, pois envolve o papel da mídia numa sociedade democrática, suas responsabilidades e limites.

SEMINÁRIO COMUNICAÇÃO E AÇÃO AFIRMATIVA:O PAPEL DA MÍDIA NO DEBATE SOBRE IGUALDADE RACIAL.

PROGRAMAÇÃO
Dia 14 de outubro
14h – Mesa de Abertura com representantes das entidades organizadoras.
15h30 – Cobertura da Ação Afirmativa no Brasil.
Ancelmo Gois (O Globo), Kássio Motta (autor de pesquisa acadêmica sobre a cobertura do tema pelo Globo) e João Feres (IUPERJ)

Dia 15 de outubro
13h30 – A Responsabilidade Social da Mídia e o Debate sobre Raça
Muniz Sodré (professor da ECO/UFRJ e presidente da Biblioteca Nacional), Maurício Pestana (revista Raça), Márcia Neder (revista Cláudia)
15h30min - Da Opinião Publicada à Opinião Pública: A Fabricação de um Consenso Anticotas no Brasil
Miriam Leitão (O Globo), Rosângela Malachias (Ceert), Carlos Alberto Medeiros (Cepir)

sábado, 26 de setembro de 2009

O NEGRO NA MÍDIA

Texto de Alexandre Costa extraído do sítio do Sindjors

Discriminação racial e o uso estratégico dos dados dos censos foram temas de seminários de jornalistas afrodescendentes em Porto Alegre

"Historicamente os meios de comunicação têm reproduzido o racismo no Brasil". Esta é apenas uma das conclusões dos 120 participantes que lotaram o auditório da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) durante o Seminário Estadual O Negro na Mídia: a Invisibilidade da Cor e o Encontro Latino-americano de Comunicação, Afrodescendentes e Censos de 2010, realizados em Porto Alegre nos dias 17 e 18 de setembro. Mais de 120 participantes compareceram aos eventos que integram a programação dos 67 anos do Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul.
O presidente da entidade, José Maria Nunes, ressaltou a importância de promover discussões sobre o tema. "Encontros como este são fundamentais para multiplicar as informações relativas à discriminação em relação aos colegas negros que enfrentam inúmeras dificuldades para se colocarem no mercado de trabalho. Mas, também porque é preciso alertar a sociedade sobre esta questão, que é invisível na mídia e por extensão na sociedade".
Nunes lembrou que a data do seminário também é de extrema importância para os jornalistas porque neste dia completa exatamente três meses da decisão do STF que abolia a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. "Esta é uma decisão que atinge a todos e fundamentalmente aos jornalistas negros, pois se já é difícil um emprego tendo diploma, imaginem sem a obrigatoriedade do mesmo".
O presidente do Sindicato dos Jornalistas lembrou que é fundamental a participação dos representantes dos núcleos de afrodescendentes na Conferência Nacional de Comunicação, que será realizada em Brasília nos dias 1, 2 e 3 de dezembro. O presidente da ARI, Ercy Torma, afirmou que a realização do evento é uma honra para a entidade, que foi criada em 1935 e sempre esteve presentes nas discussões de temas relevantes para a sociedade gaúcha.
Já Valdice Gomes da Silva, da Comissão de Igualdade Racial de Alagoas, diretoria da FENAJ e presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas, lembrou que havia um discurso no meios das empresas de comunicação de que o negro não produzia, não trabalhava. "Criamos o nosso grupo, com um site e podemos observar a quantidade de material que é postado, desmontando este argumento. Na verdade, o que nós todos sabemos é que os veículos de comunicação deste país reproduzem o racismo", avaliou.

Alerta para discriminação racial e exclusão de jornalistas negros na mídia brasileira

José Carlos Torves, diretor do Departamento de Mobilização, Negociação Salarial e Direito Autoral da Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ), advertiu os presentes para a importância da realização de pesquisas científicas, no sentido de colher dados confiáveis para que os mesmos sejam utilizados das mais diversas formas, tanto nos trabalhos acadêmicos quanto em estudos voltados às políticas democráticas e que buscam a igualdade social.
Torves lembrou que para a realização deste seminário foi necessário percorrer um longo caminho até sua realização e que o mesmo deve acontecer em relação a 1ª Conferência Nacional de Comunicação. "A Conferência vai acontecer, apesar de todos os boicotes por parte dos representantes dos grandes veículos de comunicação de massa do país, e, de imediato, nada vai mudar, porque trata-se de uma luta de grandes proporções e de muita paciência e de empenho".
O representante da FENAJ foi enfático ao lembrar da importância das pesquisas. "Quando elaboramos o livro a Invisibilidade do Negro na Negro, aqui no Sindicato dos Jornalistas do RS, sabíamos que os negros não ocupavam espaços nas redações e principalmente nas mídias de imagem como a TV, porém quando recebemos os dados oficiais da pesquisa, elaborada pelo Departamento de Sociologia da PUC, e constatamos que em todo o Rio Grande do Sul havia apenas 5% de apresentadores ou repórteres negros. Portanto, com os dados foi possível constatar que o nosso estado é um dos que mais discrimina.

Políticas afirmativas

Outra palestrante, Maria Inês Barbosa, coordenadora do programa de Gênero, Raça e Etnia do UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas) Brasil e Cone Sul, lembrou que durante muitos anos prevaleceu no mundo "uma supremacia branca e eurocêntrica.
A representante do UNIFEM foi enfática ao afirmar que é preciso rescrever a história e citou um pensamento de Martin Luther King: "para abrir as feridas, primeiro é preciso aceitar que existem feridas".
Na opinião de Maria Inês, uma das formas de rescrever a história é promover e implementar políticas afirmativas. "Estamos promovendo uma série de políticas públicas para redução da pobreza e também de para promoção da igualdade de gênero e raça. Temos cursos de capacitação em 11 universidade brasileiras", concluiu.

Refletir sobre o racismo

A equatoriana Sonia Viveros foi a primeira a falar na continuação do encontro. Ela ressaltou a importância de reconhecer a existência do racismo, por parte dos governos e organismos internacionais, principalmente em convenções e acordos. Para ela, este reconhecimento significa um grande avanço para o povo negro. Outra questão abordada por Viveros diz respeito ao uso estratégico das estatísticas oficiais para desmantelar a discriminação racial, por meio das variações é tnicas.
"Temos como objetivo incidir sobre os institutos de estatísticas para incorporar perguntas de autoidentificação étnico-racial que contabilizem qualitativamente quantitativamente os afrodescendesntes nos países da América Latina e Caribe", afirmou.
A equatoriana argumenta que é preciso refletir sobre o racismo, porque ele se constitui em um dos fundamentos para a estruturação e hierarquização racial das sociedade, colocando os afrodescendentes nas posições mais baixas da pirâmide social, política e econômica.

Espaços de afirmação

Esaúd Urrutia Noel é jornalista e presidente da Associação Nacional de Jornalistas Afrocolombianos (Colômbia) e diretor da Revista Ébano Latinoamérica. Noel falou das experiências de comunicação, voltadas à população afro, que são realizadas na Colômbia, com a publicação de revistas, jor nais, boletins e programas de rádio e TV. Nestas experiências se dá visibilidade ao povo negro, valorizando as mais diversas iniciativas como forma de amenizar a imagem negativa que durante anos foi passada pelos meios de comunicação de massa para o imaginário coletivo.
Esaúd afirmou que foram esforços importantes, capazes de garantirem um salto de qualidade que permitiu maior impacto sobre a opinião pública no país. Bogotá, como a capital da Colombia, deu exemplos de como criar espaços de afirmação e inclusão, com diálogos e políticas públicas para melhorar a situação das comunidades pobres, por meios de comunicação diferenciada. Esaúd afirma que a Associação de Jornalistas Afrocolombianos está decidida a abrir fronteiras para criar espaços para a divulgação de informações de interesse ao povo negro, possibilitando a realização de encontros de jornalistas de toda a América.

Evolução histórica

Para Elói Ferreira, secretário-adjunto da Secretaria Especial de Políticas de Promação da Igualdade Racial (SEPPIR), o tema da invisibilidade é determinante para o país. Ferreira fez um apanhado de datas e traçou a evolução e as conquistas dos negros na sociedade. Os primeiros negros chegaram ao Brasil em 1511, nos porões do navios. Há uma data que é o Dia de Consciência Negra que é uma referência ao extermínio do Quilombo de Palmares, no dia 20 de novembro de 1695, ocasião em que os negros que vivam neste locais foram exterminados. Ferreira contou que quando era menino o dia 13 de maio tinha um grande significado, porque era a data referente à Abolição da Escravatura.
"Temos que ter consciência que a abolição da escravatura foi um dos maiores movimentos políticos do país. Naquele 13 de maio de 1888, a Câmara dos Deputados do Rio de Janeiro, que era capital do país, foi cercada pela população que queria o fim da escravidão. Havia uma grande campanha abolicionista nas ruas, na época", diz.
O secretário-adjunto da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial informou que o primeiro censo realizado no país foi em 1872 e contabilizou 1,6 milhões de escravos, negros ou pardos. Ele ainda fez referência ao ano de 1950, quando o racismo tornou-se um crime, uma contravenção penal. Já no período da ditadura militar não houve nenhum avanço no Brasil, porque os militares consideravam que não existia racismo no Brasil, não havia censo e tema não interessa ao Brasil. Mas o movimento negro ressurge junto com o movimento sindical nos anos 80 e uma da vitória foi a criação da lei 7.716 que torna o racismo crime inafiançável?, lembra.
Elói Ferreira cita ainda outras vitórias do movimento negro: o direito de titulação das terras de remanescentes de quilombos, a criação da Fundação Palmares, o decreto do presidente FHC que determina a ocupação de cargos públ icos por negros, como forma de reparação histórica, além da a criação da Secretaria Especial de Políticas de Promação da Igualdade Racial (SEPPIR), já no governo Lula.

Censo e recursos públicos

O representante da Seppir considera que o censo é fundamental para determinar a dotação orçamentária para as políticas públicas voltadas à reparação em relação ao negros e também como forma de superar as desigualdades criadas ao longo dos 350 anos de escravidão. Um processo discriminatório que estabeleceu a partir da chegada no Brasil dos primeiros negros e que apesar dos avanços é necessário fazer muito mais, definiu.
Ana Lúcia Sabóia, socióloga e chefe da Divisão de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), explicou que a partir de ano 2000 se consolidou a publicação anual do IBGE. Era a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) - "Uma Análise das Condições de Vida da População Brasileira, que incluia um capítulo específico sobre desigualdades raciais, analisando diversos indicadores socio-econômicos relativos a educação, renda, organização familiar, entre outros." Esta publicação tem tido bastante repercussão nacional e se converteu numa referência em matéria de informações e estudos das desigualdades raciais no país, afirma Sabóia, lembrando que a SIS 2009 será divulgada em 9 de outubro próximo.

Avanços para o Censo de 2010

A representante do IBGE considera um grande avanço a inclusão da pergunta de classificação racial, no questionário básico do Censo Demográfico de 2010, e que será aplicada em todos os domicílios do país. Ela informa que para a categoria indígena, se perguntará também a etnia e a língua falada. A finalidade é obter informações atualizadas acerca do processo social de construção e utilização das categorías de clasificação racial.
Sabóia lembra que em 2008 foi implementada uma pesquisa sobre as Características Étnico-Raciais da População. Trata-se de uma proposta de investigação inédita no IBGE quanto ao seu conteúdo, abrangência e metodología, observa, afrimando que os resultados desta investigação serão utilizados para pensar uma possível revisão do atual sistema de classificação racial do IBGE.
A socióloga diz que entre os objetivos da pesquisa estão questões importantes como levantar as dimensões mais relevantes da categorização por cor ou raça das pessoas, respeitando rigorosamente o princípio da auto-declaração como forma exclusiva de identificação. Neste sentido, a pesquisa traz uma inovação metodológica: a seleção exclusiva de um entrevistado por domicílio que responde sobre a sua identificação racial.
Outra intenção, segundo a chefe da Divisão de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é compreender o processo social de construção e utilização das categorias de identificação étnico-racial da população brasileira, além de fornecer uma base empírica que permita subsidiar a elaboração de uma proposta alternativa para aprimorar o atual sistema de classificação de cor/raça utilizado nas pesquisas do IBGE.

Contra-ponto

Rosane Borges, jornalista, doutora em Comunicação pela ECA/USP e secretária executiva da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN) fez questão de fazer um contra-ponto à afirmação de Elói Ferreira, secretário-adjunto da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial em relação à importância do 13 de mais. Para Rosane, o momento é de conquista, porém é extremamente constrangedor o trabalho para desconstituir os avanços do negro na sociedade. Na minha opinião, o 13 de maio é um marco histórico vergonhoso. Quando pensamos a questão contemporânea do negro, quando pensamos em censo, pensamos em um retrato de uma realidade".
Rosane lembrou aos participantes da força do negro brasileiro: "somos um exército e estamos incidindo na opinião pública de forma positiva, com alegria, com trabalho, com cultura". Ela citou a questão das cotas e os argumentos utilizados por quem é contrário às mesmas. "Tentam tratar a questão como estrutural para esconder o racismo. Um dos argumentos é de que com as cotas o nível da educação vai baixar. Outra é de que estamos disseminando o ódio racial, o que é um absurdo", finalizou.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

ENCONTRO PROPÕE REFLEXÃO SOBRE O NEGRO NA MÍDIA

Evento organizado pelo Sindicato dos Jornalistas do RS começa dia 17.
Maria Inês Barbosa, do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher, Ana Lucia Sabóia, do IBGE, e Giancarlos Suma, do Centro de Informação da ONU, estão entre os nomes confirmados para painelistas do 2º Seminário Estadual O Negro na Mídia - a Invisibilidade da Cor, que será realizado nos 17 e 18 de setembro, no auditório da ARI (Associação Riograndense de Imprensa).
O evento terá palestrantes especialistas em indicadores sócio-econômicos e jornalistas da Colômbia, Equador, Porto Rico, Espanha, Organização das Nações Unidas e governo brasileiro. A entrada é franca e o prazo para inscrições encerra-se no dia 15.
Estarão em debate temas como Indicadores da Negritude e os Meios de Comunicação e em paralelo serão realizado o Encontro Latino-americano de Comunicação, afrodescendentes e a Rodada dos Censos de 2010. De acordo com Jeanice Dias Ramos, integrante da diretoria do sindicato e coordenadora do Núcleo dos Jornalistas Afro-brasileiros,um dos objetivos dos encontros "é refletirsobre o que significa para os profissionais da mídia ter em mãos informes e indicadores sobre a população negra, ou seja, representa a oportunidade de dominar com maior propriedade a temática étnica racial".

Interessados em participar devem enviar e-mail solicitando ficha de inscrição para secretaria1@jornalistasrs.brte.com.br.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Seminário ‘O negro na Mídia’

Do Boletim Informativo do SJP-RS

A invisibilidade da população negra na mídia brasileira e a desagregação de dados por raça/etnia nos censos nacionais de 2010 da América Latina e Caribe são assuntos do II Seminário Estadual O Negro na Mídia: a invisibilidade da Cor - que nesta segunda edição tem como temática os indicadores da negritude e os meios de comunicação – e do Encontro Latino-americano de Comunicação, Afrodescendentes e Censos de 2010.
Agendados para os dias 17 e 18 de setembro no auditório da Associação Riograndense de Imprensa – ARI, Avenida Borges de Medeiros, 8º andar, centro de Porto Alegre, os dois eventos estão com inscrições abertas até 15/09, podendo as fichas de inscrições serem solicitadas pelo e-mail: web@jornalistasrs.brte.com.br. Os encontros reunirão técnicos de institutos internacionais de pesquisa, especialistas em indicadores socioeconômicos das Nações Unidas e do governo brasileiro.
Os dois eventos são uma realização do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, através do Núcleo de Jornalistas Afro-brasileiros, com apoio da Associação Riograndense de Imprensa, ARI, da Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj, do UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher), do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e do Centro de Informação das Nações Unidas – UNIC. Com inscrição gratuita, os organizadores esperam a adesão de representantes das Comissões de Jornalistas Pela Igualdade Racial – Cojiras - de Brasília, Alagoas, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Alagoas, além de ongs e movimento social negro.
Marcado para dia 17/9, às 18h30min, o II Seminário Estadual O Negro na Mídia: a Invisibilidade da Cor ao propor o tema Indicadores da Negritude e os Meios de Comunicação, quer proporcionar aos jornalistas, universitários dos cursos de Comunicação e Jornalismo e público em geral um repensar sobre as diferenças étnico-raciais, práticas de discriminação e racismo, a identidade e auto-estima da população negra brasileira. Já o Encontro Latino-americano de Comunicação, Afrodescendentes e Censos de 2010 acontecerá na manhã da sexta-feira, 18/9, com início previsto para as 8h30min.
A intenção dos organizadores é dar visibilidade estatística de afrodescendentes na região das Américas, como uma ação política que garanta a coleta e análise de dados desagregados por raça/etnia nos censos de 2010/2012. A desagregação de dados por raça/etnia pode resultar no aperfeiçoamento das políticas públicas de combate ao racismo e promoção da igualdade racial, de acordo com os compromissos assumidos pelos Estados da região e reiterados na Conferência de Revisão de Durban, realizada em Genebra, em abril de 2009.

Quem estará presente:

Para participar dos dois seminários virá Maria Inês Barbosa, coordenadora do programa de Gênero, Raça e Etnia do UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas) Brasil e Cone Sul; um outro convidado é Mário Lisboa Theodoro, Diretor de Cooperação e Desenvolvimento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA-Brasília /DF; também confirmaram suas presenças: Giancarlo Summa, Diretor do Centro de Informação da Organização das Nações Unidas no Brasil – RJ/RJ e José Carlos Torves – Diretor do Departamento de Mobilização,Negociação Salarial e Direito Autoral da Federação Nacional de Jornalistas – Fenaj.

Datas: 17 e 18 de Setembro (quinta e Sexta-feira)
Horário: 18h30min (dia 17/9 - quinta-feira) e às 8h30min (dia 18/9 - sexta-feira)
Local: Auditório da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) – Av. Borges de Medeiros, 915/ 8 º andar – Centro
Entrada franca
Inscrições: web@jornalistasrs.brte.com.br ( p/ solicitar a ficha de inscrição)