A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura - FAO seleciona profissional de Comunicação Social na condição de consultor para elaborar propostas de melhorias da estratégia de divulgação e articulação junto a órgãos da administração pública municipal e estadual, dentro de uma política de fortalecimento da agricultura familiar.
Há apenas uma vaga, o contrato é temporário, com a duração de 11 meses, e poderão se candidatar profissionais de nível superior com diploma em Jornalismo, Radialismo, Publicidade ou Relações Públicas. É necessário possuir experiência profissional em comunicação pública federal, no âmbito dos poderes Executivo, Legislativo ou Judiciário.
No período de 24 a 30 de julho, os interessados deverão inserir seus currículos no portal da FAO, onde serão oferecidas mais informações;
Um espaço para os campos da Informação e da Comunicação e sobre eles abrir um debate com os leitores. Análises, artigos, avisos, concursos, publicações... Aqui você encontrará de tudo um pouco. Os textos poderão ser em português, espanhol, inglês ou francês.
domingo, 23 de julho de 2017
segunda-feira, 10 de julho de 2017
Pesquisa avalia credibilidade popular da imprensa
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| Coletiva no Senado; Foto de Chico Sant'Anna |
Segundo a pesquisa, 60% dos brasileiros acreditam nas notícias que leem ou ouvem.
Publicado originalmente em O Estado de S.Paulo, em 10 de Julho de 2017
Levantamento realizado pelo Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, vinculado à universidade inglesa de Oxford, revela que os cidadãos continuam confiando nos meios de comunicação para se manterem informados.
Intitulada Relatório de Jornalismo Digital 2017, a pesquisa também mostra que o Brasil é um dos países em que essa confiança é mais acentuada.
Segundo ela, 60% dos brasileiros entrevistados afirmaram que acreditam nas notícias que leem ou ouvem e que reconhecem a responsabilidade das empresas na filtragem das informações que veiculam.
Ao todo, foram entrevistadas mais de 70 mil pessoas, num total de 36 países. A média de confiança nos meios de comunicação entre os países pesquisados foi de 43%. O país em que o nível de confiança é mais alto é a Finlândia, com 62%, seguido pelo Brasil. Os índices de confiança também são expressivos em Portugal, Polônia e Holanda. Nos Estados Unidos, o índice é de 38%. Entre os países em desenvolvimento, a Coreia do Sul é o que registra um dos índices mais baixos, de 23%.
A tendência é de crescimento dos níveis de confiança. Levantamento realizado no ano passado com mais de 33 mil pessoas de 28 países, pela consultoria americana de relações públicas Edelman, mostrou que a confiança cresceu globalmente de 45%, em 2015, para 47%, em 2016. Esse foi o índice mais alto desde a eclosão da crise financeira de 2007-2008, quando 380 bancos de pequeno e médio portes quebraram e grandes instituições, como o Lehman Brothers, faliram. No Brasil, o índice pulou de 51% para 54%, entre 2015 e 2016.
Alertando para os efeitos das novas tecnologias sobre a qualidade da informação, a pesquisa mostra que 40% dos entrevistados consideram que as empresas de comunicação estão no caminho certo, criando blogs especializados para investigar a veracidade das notícias publicadas na internet. Revela, igualmente, o impacto negativo da proliferação de mensagens caluniosas e de notícias falsas - as chamadas fake news - nas redes sociais. Segundo a pesquisa, os aplicativos que têm ganhado mais espaço são os que permitem comunicação mais privada, como o WhatsApp. Já os aplicativos que utilizam algoritmos para definir quais informações terão maior visibilidade, como o Facebook, têm perdido espaço.
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quinta-feira, 6 de julho de 2017
PressTV, TV iraniana em inglês, completa 10 anos de existência
Por Samaneh Kachui,da HispanTV
A rede de notícias iraniana, PressTV, que transmite via satélite para todo o mundo com programação em inglês, completa dez anos de existência. Embora o sinal seja gratuito, no Brasil, operadoras de TV Paga não oferecem o conteúdo aos seus assinantes. O canal segue o estilo "all news": informações 24 horas por dia.
Los medios de comunicación de la República Islámica de Irán transmiten la voz de los oprimidos. Con estas palabras del presidente de la Organización de la Radio y Televisión de Irán (IRIB, en inglés), Abdolali Ali Asgari, se ha celebrado el décimo aniversario del lanzamiento de la cadena de noticias PressTV.
A rede de notícias iraniana, PressTV, que transmite via satélite para todo o mundo com programação em inglês, completa dez anos de existência. Embora o sinal seja gratuito, no Brasil, operadoras de TV Paga não oferecem o conteúdo aos seus assinantes. O canal segue o estilo "all news": informações 24 horas por dia.
Los medios de comunicación de la República Islámica de Irán transmiten la voz de los oprimidos. Con estas palabras del presidente de la Organización de la Radio y Televisión de Irán (IRIB, en inglés), Abdolali Ali Asgari, se ha celebrado el décimo aniversario del lanzamiento de la cadena de noticias PressTV.
A partir de la victoria de la Revolución Islámica de Irán en 1979 se lanzaron varias emisoras y canales televisivos con el fin de transmitir su mensaje; la lucha contra la opresión y por la justicia. Un esfuerzo para contrarrestar los intentos de los medios occidentales de difundir la iranofobia y la influencia cultural negativa en el país.
Lanzado en 2007, PressTV se ha convertido en un medio alternativo bajo el lema: “la noticia desde una nueva visión”. Hoy, tiene 50 corresponsales en diversas partes del mundo, y varios han caído mártires mientras cumplan su misión de ser “la voz de los sin voces del mundo”.
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La cobertura de las noticias de la resistencia contra los ocupadores extranjeros en Oriente Medio, la revelación de las políticas dualistas de Gobiernos occidentales en apoyo a regímenes despóticos de la región, entre otros, han generado obstáculos para PressTV, no obstante, la audiencia de este estratégico canal iraní sigue aumentando.
Actualmente, en el servicio exterior de la IRIB, más de 40 emisoras y canales en casi todas las lenguas vivas están haciendo llegar al mundo la voz de la verdad, mostrando una cara de los eventos que mayormente es omitida por otros medios de comunicación internacionales.
Veja aqui o informe da HispanTV, outro canal público iraniano, este em espanhol.
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quarta-feira, 14 de junho de 2017
Documentário registra o papel do rádio na libertação de Guiné-Bissau e Cabo Verde
Canhão de Boca é um documentário de 52 minutos, realizado por Ângelo Lopes e produzido por Samira Pereira, da produtora O2, que aborda a construção da liberdade em Cabo Verde a partir dos programas de rádio.
No contexto de luta de libertação de Guiné-Bissau e Cabo Verde, Amílcar Cabral usava a expressão “Canhão de Boca” para se referir à Rádio Libertação como arma mais poderosa do que todo o arsenal de guerra que pudessem possuir.
A partir da experiência cabo-verdiana e com um olhar sobre o mundo, o documentário “Canhão de Boca” ficciona um programa de rádio com Amélia Araújo, uma das vozes da Rádio Libertação que deu corpo aos programas de difusão dos ideais da luta entre 1964 e 1973; e Rosário da Luz, voz que incorpora a informação crítica como luta da desconstrução contemporânea em Cabo Verde. As suas lutas são próprias de cada tempo, mas são, na sua essência, lutas comuns.
Hoje porque lutamos? Um dos maiores legados filosóficos da luta pela independência é o princípio de que, para sermos livres, precisamos pensar pelas nossas cabeças. Para isso, é essencial combater qualquer tipo de colonialismo e a nossa subjugação a este(s).
Este documentário elege a rádio, meio de comunicação e expressão vinculado à voz, como veículo da discussão contemporânea em torno da utopia da liberdade. A partir de eventuais confrontos, interessam as relações que o espectador reconstrua a partir do seu próprio pensamento.
O filme de Ângelo Lopes combina dois tempos: o presente e o passado históricos. O documentário conta com a participação de Amélia Araújo, a principal locutora e animadora da Rádio Libertação, emissora criada em 1967 e utilizada pelo PAIGC para difundir as suas ideias durante o conflito que opôs o Partido ao Exército Português na luta pela independência (1963/1974).
Além de Amélia Araújo, participam também do filme a economista e comentarista cabo-verdiana Rosário Luz e o diretor da Rádio Morabeza de Cabo Verde, Nuno Andrade Ferreira.
Além de Amélia Araújo, participam também do filme a economista e comentarista cabo-verdiana Rosário Luz e o diretor da Rádio Morabeza de Cabo Verde, Nuno Andrade Ferreira.
CPLP
Canhão de Boca foi produzido e está sendo exibido no âmbito
do programa CPLP Audiovisual, que tem o objetivo de estimular o intercâmbio
cultural entre os povos dos países membros da Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa. O programa busca apoiar o desenvolvimento, produção e difusão de
telefilmes de ficção, baseados em adaptações audiovisuais de obras literárias
nacionais, bem como a produção e teledifusão de documentários.
Ficha Técnica
Inédito 52 minutos Realização Ângelo Lopes
Produção Samira Pereira Diretor de Fotografia Mamadou Diop Assistente de Câmara
e Edição de Imagem Edson Silva D. Captação, Edição e Mixagem de Som David
Medina Sonoplastia Kisó Oliveira
Correção de Cor Manuel Pinto Barros Investigadora Celeste Fortes Assistente de
Produção Vanísia Fortes Assistente Administrativa e Financeira Aldina Simão
Design Gráfico Oficina de Utopias.
Serviço:
Canhão de Boca vai ser exibido pela TV Brasil no sábado (dia 17), às 23h30.
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domingo, 11 de junho de 2017
A repercussão do "Ocupa Brasília" na mídia internacional
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| Portal do New York Times trouxe como manchete “Presidente do Brasil convoca as tropas federais para reprimir protestos” |
Na cobertura dos órgãos internacionais de
imprensa sobre o “Ocupa Brasília”, no dia 24 de maio, destacam-se, por um lado,
a violenta repressão e, particularmente, o decreto autorizando a utilização das
Forças Armadas, que, como muitos jornais destacaram, não foi suficiente para
conter as manifestações.
Por outro lado, e de forma mais significativa,
praticamente jornais do mundo inteiro enfatizaram a crescente debilidade do
governo Temer, os rachas em sua base aliada e a concreta possibilidade de que
ele renuncie ou seja deposto através de um processo de impeachment ou como resultado
dos processos que estão em curso na justiça eleitoral.
Em especial, chamam à atenção as análises
feitas nos jornais e sites que enfatizam os aspectos econômicos. Nestes (vide
particularmente os exemplos das agências Reuters e Bloomberg, abaixo), refletindo
as preocupações do mercado e investidores estrangeiros, há comentários
abertamente favoráveis ao afastamento de Temer, considerada a única de se
conter a crescente instabilidade no país e, inclusive, de se garantir a
aprovação das reformas exigidas pelos representantes do capital mundo afora.
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| A manchete da agência Britânica, que distribui notícias para todo o mundo, foi sob a manchete “Temer, do Brasil, utiliza exército quando manifestantes entram em batalha contra a polícia”. |
Reuters: Uma das principais agências de mídia
do mundo noticiou a ocupação de Brasília sob a manchete “Temer, do Brasil,
utiliza exército quando manifestantes entram em batalha contra a polícia”. E
vale a pena reproduzir várias partes do artigo já que ele serviu como base para
matérias publicadas em jornais do mundo inteiro.
Segundo a agência “manifestantes que exigem a
renúncia do presidente brasileiro Michel Temer encenaram batalhas sem tréguas
contra a polícia e atearam fogo em um prédio ministerial em Brasília na
quarta-feira, levando o líder atingido por escândalos a mandar o exército para as
ruas”.
Ainda segundo o texto, “a polícia disparou
saraivadas de gás lacrimogêneo, granadas de atordoamento [de efeito moral] e
balas de borracha para deter dezenas de milhares de manifestantes enquanto eles
marchavam em direção ao Congresso para pedir a derrubada de Temer e o fim de
seu programa de austeridade”.
Destacando que estes foram os protestos antigovernamentais
mais violentos desde 2013, a Reuters afirma que a manifestação “forneceu mais
combustível para a crise” detonada pelos escândalos de corrupção “que
aumentaram as chances de que o Brasil assista à segunda queda de um presidente
em menos de um ano”.
Como exemplo da crise política, a agência
destacou que, enquanto os cordões policiais tentavam conter os manifestantes “o
mais importante aliado de Temer, o PSDB, se encontrava para discutir se
continua a apoiar o presidente e se preparar para uma transição pós-Temer”.
Mencionando que 49 pessoas foram feridas, o
artigo relata que “Temer aprovou um decreto permitindo que as tropas
auxiliassem a polícia a restaurar a ordem em Brasília (…) dando aos soldados
poderes policiais e o direito de fazer prisões nas ruas”. Uma decisão que foi
tomada pelo gabinete de Temer “depois de que a polícia foi subjugada”.
De forma bastante significativa, a Reuters
utilizou como um dos subtítulos da matéria (ou seja, com destaque) a frase
“Temer não está mais governando”, atribuída à analista política Sonia Fleury,
da Fundação Getúlio Vargas, que também defendeu que a crise é profunda e que
“mais protestos violentos podem ser esperados em um país onde o descrédito com
os poderes políticos estabelecidos é generalizado”.
A Reuters também destaca que as acusações de
corrupção “atingiram fortemente os mercados financeiros em função das dúvidas
sobre se o Congresso irá aprovar as medidas de austeridade destinadas a tirar o
país da pior recessão de sua história” e lembra que Temer pode ser destituído
do cargo pelo Tribunal Eleitoral, no dia 6 de junho, quando o Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) irá julgar ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer.
E prossegue: “Os partidos dos principais
aliados de Temer estão divididos entre abandonar sua coalizão imediatamente ou,
primeiro, chegar a um acordo em torno de uma figura de consenso para
substituí-lo e salvar seu projeto de reformas. As medidas favoráveis ao mercado
são consideradas vitais para restaurar a credibilidade das empresas e o
investimento necessário para acabar com uma recessão de dois anos”.
Por fim, lembrando que “não há nenhum
candidato claro para substituir o presidente sob ataque”, o artigo destaca que,
fora do prédio do congresso, contudo, “a mensagem cantada pelos manifestantes
era bem clara: “Fora Temer! Eleições gerais, já!”.
Bloomberg: A empresa sediada em Nova York é um
dos principais provedores mundiais de conteúdo para o mercado financeiro, com
terminais de informações presentes em quase 100% dos bancos, fundos de
investimentos, corretoras e seguradoras no mundo, o que faz dela uma das
principais porta-vozes dos interesses do grande Capital e dos investidores
estrangeiros.
Sob a manchete “Prédio ministerial brasileiro
é incendiado quando protestos se tornam violentos” e o subtítulo “Protestos
violentos contra Temer sacodem o mercado”, o site da investidora apresenta um
vídeo com uma entrevista com Hernan Yellati, Diretor do Departamento de Estudos
Estratégicos da Barclays Investiments (um banco multinacional e empresa
financeira, sediado na Inglaterra). E a primeira pergunta que lhe é feita é
bastante significativa e dá o tom para a entrevista: “Qual é a probabilidade de
que Temer renuncie ou que seja obrigado a renunciar?” (pergunta que permanece
no ar, como legenda, durante quase todos os seis minutos da entrevista).
A resposta: “Eu acredito que a pressão
continuará a aumentar, como nós vimos na semana passada (…). Nós achamos que
isto é um cenário ruim para a economia; é um cenário ruim para as reformas”
que, obviamente, são defendidas pelo representante da Barclays.
Na sequência, uma das entrevistadoras, em tom
bastante irônico, comenta que, mesmo que a Suprema Corte prove a culpa de Temer
nos escândalos de corrupção, não é muito provável que Temer sofra um
impeachment, em função, nas palavras dela, “das, digamos, características
próprias do Congresso brasileiro”, o que leva Yelatti a afirmar: “Eu acho que o
impeachment é o cenário menos provável (…). Eu acho que ou a Suprema Corte toma
uma decisão contra o presidente ou haverá uma renúncia e, neste caso, haverá
eleições indiretas, feitas no Congresso, e o principal evento será em outubro
de 2018, quando o Brasil terá eleições gerais”.
Comentando que isto parece um tempo muito
longo para que se chegue a uma decisão, as apresentadoras apresentam gráficos
destacando a entrada e saída de capitais do país, que, na análise do
investidor, mostram que a “questão chave, no momento, é a volatilidade
[instabilidade]” e que o mercado continuará instável enquanto se espera pela
renúncia ou por uma decisão da Suprema Corte, concluindo com uma afirmação
contundente: “Obviamente, uma renúncia seria um acontecimento positivo e todo
mundo está vendo isto como o cenário mais provável”, mas se isto significar um
atraso ainda maior na agenda das reformas, isto levará a mais efeitos negativos
pela frente.
No restante da entrevista, comentando dados
sobre a desvalorização do Real e outros aspectos econômicos, o representante da
Barclays defende a Reforma da Previdência como um dos aspectos fundamentais
para dar segurança aos investidores estrangeiros.
New York Times: um dos principais jornais dos
Estados Unidos trouxe como manchete “Presidente do Brasil convoca as tropas
federais para reprimir protestos”, comentando que a decisão foi tomada depois
do presidente ter sido “sitiado por protestos” pedindo por sua saída.
Citando fontes oficiais, o jornal noticiou que
a manifestação contou com a participação de 35 mil pessoas motivadas
principalmente pela divulgação das gravações da JBS que fizeram com que
houvesse “acentuada queda no mercado financeiro brasileiro” e detonaram “uma
investigação de Temer e apelos generalizados para que ele renuncie”.
Mencionando a evacuação dos prédios
ministeriais e a suspensão das sessões no Congresso, o jornal fala sobre os
violentos confrontos com a polícia e destaca que manifestantes foram feridos
pelas bombas de gás ou balas de borracha (também nas manifestações que
ocorreram no Rio de Janeiro).
Além disso, o NY Times destaca a
impopularidade das reformas apresentadas por Temer, a realização da greve geral
em abril e o fato de que o presidente está numa ofensiva contra os delatores da
JBS, acusando-os de terem adulterado e manipulado as gravações.
Citando o professor de Ciências Políticas da
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Jairo Nicolau, o jornal destaca que
protestos como os do dia 24 de maio podem se agravar: “Eu vejo estas
manifestações como uma radicalização que irá se tornar ainda mais séria. Há uma
enorme insatisfação”.
The Guardian: Um dos principais jornais da
Grã-Bretanha reproduziu o conteúdo distribuído pela agência internacional de
notícias Associated Press. No artigo, intitulado “Presidente do Brasil luta
para se manter no poder na medida em que a crise política se aprofunda”, é
destacado que “Michel Temer está se recusando a renunciar” enquanto os
protestos contra a sua permanência no governo estão levando a confrontos
físicos com as forças policiais.
Lembrando que “mesmo antes dos escândalos
virem à tona, a popularidade de Temer já estava em baixa, em parte em função da
oposição às reformas econômicas”, o jornal destaca que vários de seus
assessores foram pegos pelas investigações que já levaram lideranças
empresariais e políticos de destaque para a cadeia.
O jornal também destaca que somente um dos
cinco assessores especiais de Temer continua no cargo depois que Sandro Mabel
(do PMDB de Goiás), igualmente envolvido em denúncias de corrupção, pediu
exoneração, na véspera do protesto, alegando motivos familiares
Referindo-se aos protestos em Brasília como um
“esforço pra barrar as reformas”, onde os manifestantes “gritavam ‘Fora Temer!’
e carregavam cartazes exigindo eleições presidenciais diretas imediatamente”, o
artigo também descreve a repressão: “Policiais com equipamentos antimotim,
alguns a pé, com escudos, e outro a cavalo, se alinharam próximos ao congresso.
Nas imagens da TV, a polícia pode ser vista jogando gás lacrimogêneo e de
pimenta contra os manifestantes e detendo outros que tentavam romper o cordão”.
Em um editorial (ou seja, num texto que
expressa a opinião do jornal), publicado no dia anterior e intitulado “O ponto
de vista do The Guardian sobre a corrupção no Brasil: o povo merece se
expressar”, o jornal defende que, diante do crescente escândalo, “uma solução
política rápida não resolverá os problemas” e faz uma análise da Operação
Lava-jato e da atual situação de Temer.
Em um dos trechos, o jornal afirma que “Temer
nega ter feito qualquer coisa de errado, insistindo que as gravações foram
adulteradas e dizendo que renunciar seria uma admissão de culpa”, mas que, na
verdade, outras “considerações estão, sem dúvida, pesando sobre sua cabeça –
particularmente o fato de que ele iria perder as proteções legais”, que tem
como presidente.
Depois de se referir a vários aspectos da
Operação, desde a saída de Dilma, e afirmar que “a política brasileira tem sido
inteiramente desacreditada”, o jornal traz a seguinte conclusão, referindo-se à
capacidade de resolução da crise, seja através do Congresso Nacional ou do
judiciário: “Muitos legisladores (parlamentares) têm segredos próprios para
esconder e alguns já se queixam de que a investigação tem sido ruim para a
reputação e a economia do Brasil”, o que tem feito que alguns busquem uma saída
através da tentativa de “de persuadir o presidente a renunciar”.
E continua: “Mas o problema é o escândalo, não
o inquérito, e será muito pior para o Brasil se ele for abafado. Os
legisladores (parlamentares) também não deveriam escolher o substituto de
Temer, pois foram eles que o escolheram e as pesquisas mostram uma demanda
esmagadora por eleições. Um público já desencantado pode, de outra forma,
afundar-se na apatia ou, a longo prazo, recorrer a uma figura autoritária de
extrema-direita como Jair Bolsonaro, que joga o cartão da anti-política. Os
políticos brasileiros jogaram o país nesta bagunça. Agora, deveriam deixar que
os 143 milhões de eleitores tivessem uma palavra a dizer sobre como sair dela”.
ABC News: A agência que distribui conteúdo
para jornais e emissoras de televisão nos Estados Unidos noticiou que “Tropas
são chamadas na capital do Brasil. Presidente sob pressão”, relatando que o
decreto autorizando colocar soldados nas ruas foi cancelado na quinta-feira,
depois de críticas à decisão considerada “excessiva e meramente como um esforço
para [o presidente] manter-se no poder enquanto há uma crescente exigência para
que ele renuncie”.
O artigo, que fala em 45 mil pessoas nos
protestos de quarta, refere-se ao incêndio em dois ministérios, à evacuação dos
prédios federais, aos 49 feridos, “incluindo um a bala” e afirmando que “a
popularidade de Temer está em queda livre desde que ele assumiu o poder”, em
uma situação em que “alguns brasileiros consideram sua presidência ilegítima,
devido à forma em que ele chegou ao poder e seus esforços para passar uma série
de reformas econômicas para limitar o orçamento, afrouxar leis trabalhistas e
reduzir os benefícios previdenciários fizeram dele uma figura ainda mais
impopular”, para além das denúncias de corrupção envolvendo vários de seus assessores.
Destacando que “muitos brasileiros querem que
o presidente saia de um jeito ou de outro e estão exigindo que ele renuncie ou
sofra um impeachment”, o artigo relata os vários pedidos, neste sentido,
encaminhados para o congresso, particularmente o feito pela Organização dos
Advogados do Brasil (OAB).
No final, a ABC News ressalta que “alguns
observadores estão preocupados com o fato de que, se Temer conseguir continuar
na presidência, a crise política irá levar o governo brasileiro à paralisia
exatamente no momento em que a o país tenta sair de uma profunda recessão”.
EFE: A principal distribuidora de serviços de
informação para os países de língua espanhola traz um vídeo mostrando a
“destruição” de um dos prédios ministeriais de Brasília sob a manchete “Violência
explode durante protestos em Brasília e no Rio de Janeiro”, destacando que, na
capital, a polícia “usou gás lacrimogêneo para conter dezenas de milhares de
manifestantes que marcharam, na quarta-feira, para exigir a renúncia do sitiado
presidente do Brasil”.
Abordando vários aspectos da Operação
Lava-Jato, das delações da JBS e do esquema de propinas que envolve Temer e
seus dois predecessores imediatos, Lula e Dilma, a agência afirma que a
possibilidade de “permanência de Temer no poder parece ser bastante frágil dado
que ele perdeu o apoio de um poderoso parlamentar de seu próprio partido, o
PMDB”, referindo-se ao senador Renan Calheiros que, segundo o artigo, teria
declarado para uma estação de rádio, na quinta, que Temer deveria renunciar.
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| A emissora de rádio e televisão da Grã-Bretanha, BBC News, destacou as fortes críticas feitas em relação à medida. |
BBC News: A emissora de rádio e televisão da
Grã-Bretanha trouxe como manchete “Temer revoga decreto de envio de tropas para
Brasília”, destacando as fortes críticas feitas em relação à medida.
Le Monde: um dos mais importantes jornais da
França noticiou: “Brasil: exército é utilizado contra manifestações em oposição
ao presidente Michel Temer”. Apesar de, erroneamente, afirmar que a
manifestação foi convocada por vários sindicados e pelo PT, o artigo destaca o
ato pelo “Fora Temer” reuniu cerca de 35 mil pessoas (ou 100 mil, segundo os
organizadores) “que semearam o caos em Brasília” e cita o analista político da
Consultoria Hold, André César, comentando o decreto que autorizava o envio do
Exército: “é uma medida extrema que demonstra que o governo perdeu o controle”.
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| De linha editorial conservadora, o francês Le Figaro destaca que no “Brasil: as ruas querem a saída do presidente” |
O jornal ainda lembra que, colocado “no centro de graves acusações de corrupção, o presidente tenta se agarrar ao poder, tentando evitar a deserção de seus aliados políticos. Mas as negociações foram interrompidas por causa do caos em todo o Congresso, onde os parlamentares podiam ouvir as explosões de granadas de efeito moral na frente do prédio do Legislativo.”
Afirmando que as “exigências para que o chefe de estado se demita estão se multiplicando” e o que o presidente rejeita firmemente esta opção o artigo lembra que, no entanto, a continuidade de Temer no poder está “ameaçada em função de uma possível ruptura na sua coalizão”, além dos processos que correm no Supremo e dos vários pedidos de impeachment.
O artigo também destaca a crise está atrasando a implementação das reformas e tem produzido estragos na economia, dando como exemplos a queda das ações na Bolsa de Valores e a desvalorização do Real.
Le Figaro: Reproduzindo material distribuído
pela Agence France-Presse (AFP), a principal agência de notícias em língua
francesa, o jornal traz a manchete “Brasil: as ruas querem a saída do presidente”,
destacando que a exigência para que Temer renuncie tem ganhado força diante das
graves acusações de corrupção e a rejeição às propostas de reformas
apresentadas pelo governo.
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| O espanhol El Pais trouxe uma sequência de fotos do confronto com a polícia e destaca que “o presidente brasileiro foi acusado de obstrução da justiça |
El País: Sob a manchete “Uma manifestação
multitudinária exige, em Brasília, o fim do governo Temer” o site do jornal
espanhol destacou que “o presidente brasileiro foi acusado de obstrução da
justiça e o Supremo está considerando condená-lo por corrupção”. Além disso,
apresentando uma sequência de fotos do confronto com a polícia, o El País
afirma que os protestos chegaram a paralisar a sessão da Câmara dos Deputados e
que a decisão de colocar o Exército nas ruas causou críticas, dentro e fora do
governo, sintetizando o dia 24 de maio em uma frase: “A tensão devido à crise
política no Brasil balançou o coração político do país, convertido em campo de
batalha”.
Em uma outra matéria publicada no final da
noite juntamente com um vídeo sob o título “Os protestos contra o presidente
Temer paralisam o governo do Brasil” , o jornal sintetiza o clima em Brasília:
“Convocadas por sindicatos, movimentos sociais, dezenas de milhares de pessoas
tomaram Brasília no início da tarde de quarta para protestar contra as reformas
liberais do governo e exigir a renúncia do presidente Temer, que está sob
suspeita de graves delitos de corrupção. Foi um dos maiores protestos dos
últimos anos na capital do país, na imensa Esplanada dos Ministérios. Tudo
acabou em uma paisagem quase bélica, com colunas de fumaça preta, pedras e
balas de borracha voando em meio ao som de detonações de fuzis.”
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| O periódico argentino registrou na véspera das manifestações que “Debilitado, Michel Temer não consegue com que o Senado vote leis-chaves”. |
El Clarin: O jornal argentino destacou “Michel
Temer envia as Forças Armadas para conter a violência em Brasília”, noticiando
que a multidão com cerca de 35 mil pessoas saiu de forma ordeira do estádio
Mané Garrincha, mas foi detida por uma barreira, quando “a polícia começou a
jogar gases lacrimogêneos” e também a disparar balas de borracha que ferindo
vários manifestantes.
No dia anterior, em uma matéria intitulada
“Debilitado, Michel Temer não consegue com que o Senado vote leis-chaves”, o
jornal argentino destacou: “A continuidade do presidente brasileiro, Michel
Temer, com uma sobrevivência mais prolongada do que se imaginava no início, tem
seus reflexos não só na economia como também na vida parlamentar”, destacando
como a tentativa de votar aspectos das reformas Trabalhista e Previdenciária,
em comissões do Senado, acabaram em pancadaria.
O jornal cita um senador, sem identificá-lo,
que teria afirmado que “este é o retrato de um governo que não pode se
sustentar mais e precisa que se façam sessões e que se vote a toda a velocidade, sem nenhum debate” para concluir
que “o certo é que Temer nem sequer contar, no Senado, com todos os
parlamentares de seu partido”, dando como exemplo Renan Calheiros (o líder do
PMDB) que teria declarado: “É incrível que um governo com este nível de
rejeição queira fazer uma reforma fundamental de forma unilateral. Isso não vai
ocorrer. Não pode acontecer”.
*Graduado em História e Mestre em Ciências da
Comunicação/Cinema é professor universitário de História da Arte e Metodologia do
Ensino de História.
terça-feira, 6 de junho de 2017
Livro analisa o isolamento e o preconceito em torno da Lepra no Brasil
Por Daniela Arbex
Praga e isolamento perpétuo cercam uma simples palavra que designa uma doença por todos temida: a lepra. Durante milênios, o leproso foi isolado da sociedade, abandonado para ser morto em florestas e cavernas, deteriorado a tal ponto que simplesmente olhá-lo era considerado mau agouro.
Vinda da Ásia e do Oriente Médio, a doença penetrou na Europa devido às conquistas de Alexandre, o Grande, e às jornadas orientais das cruzadas pró-cristianismo. A discriminação e o medo sempre a cercaram.
No Brasil, a lepra chegou marcada por todos os antecedentes negativos e não teve destino diferente. A cura da doença surgiu nos anos 1940, mas o isolamento compulsório em leprosários prosseguiu até 1986.
Os resultados do preconceito se firmaram na sociedade a ponto de, mesmo curados, os ex-leprosos carregarem o estigma para todo o sempre. Libertos, continuaram presos às dificuldades. Até hoje buscam familiares que ficaram perdidos por causa dos anos de isolamento social.
São profissionalmente rejeitados e ainda temidos por muita gente não saber que a lepra — denominada “hanseníase” a partir dos anos 1960 — é uma doença como outra qualquer, com tratamento e cura. Em uma conversa com Artur Custódio, coordenador do Morhan (Movimento de Reintegração de Pessoas Atingidas pela Hanseníase), a repórter Manuela Castro, da TV Brasil, descobriu realidades tristes dos doentes e dos antigos leprosários, que funcionavam como verdadeiras cidades autônomas, cercadas e isoladas do resto do mundo.
Essas descobertas foram divulgadas no programa Caminhos da Reportagem, no episódio “Hanseníase, a história que o Brasil não conhece”, que foi agraciado com o prêmio Jornalista Tropical e com a Menção Honrosa do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Casas de Saúde do Município do Rio de Janeiro.
A partir do programa, Manuela idealizou este livro, que traz, com fartas ilustrações e depoimentos ora comoventes ora alarmantes, toda a realidade das famílias desintegradas, das práticas desumanas e do preconceito que insiste em condenar os ex-internos ao isolamento social que já sofriam na Idade Média e nos tempos bíblicos.
Esses depoimentos, os inúmeros dados históricos e as reações dos doentes, que ainda sofrem com o estigma arraigado na sociedade, configuram um documento da maior importância, escrito com fluência e de fácil compreensão para todos os leitores. O poder de impacto dessa leitura poderá exercer efeitos bastante benéficos e esclarecedores sobre esse grande mal.
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| Leprosos expulsos da cidade de Bauru (SP), acampados na beira da estrada, no início do século XX |
Holocausto brasileiro
O medo envolve esta praga a partir do nome: lepra. Para vencê-lo, foi necessário vencer a palavra, substituindo-a por “hanseníase” no Brasil a partir dos anos 1960. Palavra que carrega um significado de pavor e isolamento inumano desde milênios, atravessando a Bíblia, a história do Oriente Médio, da Ásia e da Europa, atingindo indiferentemente reis e pobres da mais baixa classe, ela abriga uma doença que passou a ter cura nos anos 1940. Mas o Brasil, com seu atraso científico e social, ignorou ou subestimou isso. O pavor brasileiro se espalhou facilmente entre as políticas de saúde, os médicos interessados apenas em lucro, a ignorância, a pobreza, as regiões desassistidas e as famílias em pânico. Conheça esse contexto e depoimentos alarmantes acerca de uma realidade ainda presente no país, neste livro documento da repórter Manuela Castro. É outra das muitas pragas que o Brasil ainda não venceu.
A Autora
Manuela Castro é apresentadora e repórter da TV Brasil desde 2008. Com experiência em coberturas especiais no Brasil e no mundo, recebeu diversos prêmios com o programa Caminhos da Reportagem. Além de duas premiações com o episódio “Hanseníase, a história que o Brasil não conhece”, também foi agraciada com os prêmios Sebrae de Jornalismo, Ministério do Meio Ambiente e CNBB de Comunicação.
“Quando o silêncio e o preconceito se unem o resultado é a chaga do esquecimento. Neste livro, Manuela Castro dá visibilidade ao drama de brasileiros que foram condenados à exclusão por causa da hanseníase, doença que atravessou a vida de milhares de pessoas, criando um abismo entre elas e suas famílias. Ao resgatar o drama dos leprosários no Brasil, a jornalista desvenda uma realidade surpreendente, na qual o mal não é a doença, mas a forma de a sociedade lidar com ela.”
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Livro: Literatura infanto-juvenil é tema de análise da jornalista Graça Ramos
Graça Ramos lança livro de reflexão e referência para pais e educadores
A jornalista e escritora Graça Ramos lança seu mais novo livro “Habitar a Infância: como ler literatura infantil“, no próximo dia 6 de junho, no Carpe Diem (104 sul). Mestre em Literatura e doutora em História da Arte, ela reuniu todo o seu instrumental teórico e experiência pessoal para preparar uma obra que é pura declaração de amor à leitura e aos pequenos leitores. Publicado pela Tema Editorial, o livro reúne textos dedicados à literatura infantil e juvenil. Mais do que um guia para os chamados intermediários – aqueles que se colocam entre o livro e a criança – Graça buscou envolver os adultos no jogo de imaginação e sentidos proposto nas obras que abordou.
Os 68 textos que assina, publicados originalmente no blog “A pequena leitora”, não subestimam, em nenhum momento, a inteligência e a complexidade das crianças a que se destinam as obras analisadas. Sua linguagem coloquial e envolvente convida os leitores a visitarem temas variados, leves ou densos, que tanto podem ser sugestões de leitura para as férias da criançada como uma delicada incursão pelo tabu da morte. Cada artigo é pontuado por livros relacionados ao principal tema abordado, o que torna “Habitar a Infância” de uma riqueza bibliográfica singular.
O cardápio é bem variado. São mais de 300 obras de literatura infantil organizadas nas referências bibliográficas completas que compõem a edição. O índice onomástico é outro recurso inserido no livro para facilitar a experiência dos pais e educadores em busca de autores que possam enriquecer e diversificar o universo infantil. “Quisemos oferecer orientação, sempre valorizando a inteligência do adulto e da criança”, explica Graça Ramos, que ilumina com seu olhar crítico e amoroso os textos literários que comenta.
“Concentração e fruição”
Na era da comunicação digital, o fascínio que as telas exercem sobre as crianças e jovens pode ser melhor equilibrado com o estímulo à leitura de livros impressos, um formato que se modernizou e também tem seus trunfos para atrair atenção. As imagens coloridas e inteligentes que costumam acompanhar as boas publicações de literatura infantil merecem atenção especial da autora, até por sua formação em História da Arte. No mundo conectado e dispersivo em que vivemos, a leitura é ato de “concentração e fruição”, observa a autora.
Uma sugestão valiosa que ela apresenta aos adultos é que não imponham a leitura às crianças. De maneira diferente da educação formal nas escolas, o ambiente familiar deve ser estimulante para conquistar a adesão das crianças à leitura. Dispor livros nas prateleiras mais baixas das estantes para que os pequenos possam alcançá-los e se interessar pelas obras é também bom começo para uma jornada de descobertas. Aproximar o objeto-livro das crianças, desde bebês, é o caminho mais recomendado.
Na visão de Graça Ramos, não se trata de induzir os pais a uma visão utilitarista da leitura, como se interessasse apenas formar futuros profissionais bem-sucedidos. O que ela quer mesmo é liberar o imaginário infantil, deixar que as mentes levantem voo graças a textos e imagens irresistíveis. Reconhecidas em toda sua complexidade existencial, as crianças podem encontrar na leitura caminhos para entender a diversidade do mundo e construir um repertório que lhes permita alcançar toda sua potencialidade como cidadãos.
Os quatro capítulos que compõem o livro reservam um olhar atento também às políticas públicas voltadas para a educação do público infantojuvenil. Graça Ramos aponta a carência de bibliotecas especializadas nesse segmento e a ausência de espaços conhecidos como “bebetecas”, comuns em países desenvolvidos e destinados aos muito pequenos. A palestra que proferiu na Academia Brasileira de Letras sobre a nova crítica da literatura infantojuvenil é o fecho de um livro que representa um presente a todos que se interessam pela melhor formação das crianças brasileiras.
Ficha técnica
Título: Habitar a infância: como ler literatura infantilAutora: Graça RamosCapa, ilustrações e projeto gráfico: Sérgio LuzEditora: Tema Editorial
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