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domingo, 3 de junho de 2012

"Jornalismo em Debate" analisa a mídia e a informação sobre meio ambiente e sustentabilidade

Por José Hüntemann, acadêmico de Jornalismo da UFSC.

Na semana que antecede a Rio + 20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, o programa "Jornalismo em Debate" irá discutir a forma como a mídia trata as informações sobre meio ambiente e sustentabilidade. Já estão confirmados para a discussão o coordenador do Comitê Facilitador da Sociedade Civil Catarinense para a Rio + 20, professor Daniel José da Silva, o diretor do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, professor João de Deus Medeiros, a presidente da associação FloripAmanhã, Zena Becker, o jornalista Fabrício Escandiuzzi, o professor do Departamento de Jornalismo da UFSC Eduardo Meditsch e o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Celso Schröder. Até o dia do programa, próxima terça-feira, 5 de junho, outros participantes devem confirmar a presença. 
O programa será apresentado ao vivo, a partir das 16h, pelo site da Rádio Ponto UFSC em  www.radio.ufsc.br. Perguntas e colocações podem ser enviadas, desde já, para o e-mail jornalismoemdebateufsc@gmail.com ou pelo twitter @radioponto. 
“Jornalismo em Debate” é uma produção quinzenal de estudantes do Curso de Jornalismo da UFSC, sob a orientação da professora Valci Zuculoto. Com mediação do professor Áureo Moraes, a atividade faz parte da Cátedra FENAJ/UFSC de Jornalismo para a Cidadania, uma parceria entre o Curso de Jornalismo da Universidade e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), com o apoio do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina (SJSC). Desde a estreia, em abril de 2011, foram discutidos temas como jornalismo internacional, corrupção no futebol, crise econômica mundial, coberturas de tragédias, como a do Realengo, de questões do gênero feminino, da homofobia, da função das redes sociais, da abertura dos arquivos da ditadura, entre outros assuntos que estão na ordem do dia. 
No site da Rádio Ponto ( www.radio.ufsc.br ) é possível baixar e ouvir todas as edições anteriores de “Jornalismo em Debate”. E não esqueçam: os ouvintes e internautas podem participar, antes e durante o programa, encaminhando perguntas pelo e-mail: jornalismoemdebateufsc@gmail.com ou pelo twitter @radioponto.

Band pode responder na Justiça por programa humilhante

Publicado originalmente no Observatório do Direito à Comunicação e no Pátria Livre

O caso da repórter Mirella Cunha, do programa Brasil Urgente Bahia, da TV Bandeirantes, está na mira da justiça. Após uma onda de críticas nas redes sociais e de manifestações de entidades civis à matéria da jornalista, o episódio pode gerar processos contra a repórter, o programa e a emissora por violar direitos constitucionais e os direitos humanos.
Por Jeronimo Calorio*
A coordenação do Núcleo de Criminal do Ministério Público Federal da Bahia apresentou na quarta-feira (23) uma representação pedindo a investigação do caso e a tomada de medidas cabíveis. Já o Ministério das Comunicações eximiu-se da responsabilidade de punir a Bandeirantes.
A reportagem feita dias atrás pela jornalista Mirella Cunha com um rapaz suspeito de crime sexual causou indignação de diversos setores da sociedade. Durante a matéria, feita dentro da 12ª Delegacia de Itapoã, em Salvador (BA), a repórter acusa o jovem de ter tentado estuprar uma pessoa e faz piadas com o fato de o detido ter confundido exame de corpo de delito com exame de próstata, além de debochar dos erros de português do acusado. Enquanto a jornalista conversa com o preso, embaixo da tela aparece a frase “Chororô na delegacia: acusado de estupro alega inocência”.
O procurador Vladimir Aras, autor da representação, alega haver indícios de abuso de autoridade, mau uso da concessão pública por parte da emissora e dano à honra do preso. “Presos têm direitos também, e um deles é a presunção de inocência até ser julgado”, diz o procurador. Ele também aponta para outros riscos subsequentes à matéria veiculada pela Band. “O caso nem foi apurado, mas sabe-se muito bem o que se faz com esses suspeitos na cadeia”, observa Aras, se referindo à violência física, incluindo estupro, comumente exercida contra acusados de violência sexual. A representação foi encaminhada à Secretaria de Segurança do governo da Bahia e ao Ministério Público estadual, que também recebeu denúncias de entidades da sociedade civil a respeito do caso.
Minicom não se posiciona
O jornalista Pedro Caribé, do Coletivo Intervozes e um dos representantes da sociedade civil no Conselho de Comunicação da Bahia, lembra que casos como esses não são raros, e diz que não só as emissoras, mas também o Estado tem responsabilidade nessa questão. “Esse exemplo espelha bem a relação histórica entre empresas de comunicação e o aparato policial. Ele demonstra como esses parceiros atuam sem controle social devido, passando por cima dos direitos individuais e da Constituição”. Caribé também diz que o Conselho Estadual de Comunicação, implementado há um mês, pode servir como ponte entre esses casos e os entes jurídicos, mas observa que isso é insuficiente. “É necessário uma reformulação no marco regulatório, a fim de facilitar reivindicações da sociedade”, opina.
Em carta manifesto divulgada na terça-feira (22), diversos jornalistas baianos relembram que, além de violação constitucional, o caso também infringe o artigo 6° do Código de Ética dos jornalistas brasileiros, que diz ser “dever do jornalista: opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos”. O documento também denuncia “uma evidente vinculação entre esses programas e o campo político, com muitos dos apresentadores buscando, posteriormente, uma carreira pública, sendo, portanto, uma ferramenta de exploração popular com claros fins político-eleitorais.”
A grave violação aos direitos humanos identificada por milhares de pessoas, movimentos sociais e órgãos da justiça parece não ter sensibilizado o Ministério das Comunicações, responsável por aplicar sanções aos concessionários de rádio e TV quando cometem abusos. Em nota, a assessoria do Minicom afirmou simplesmente que não cabe ao órgão se posicionar quanto ao caso.
Audiências públicas
O governo tem respaldo legal para agir, caso tenha interesse. Cabe lembrar que o Decreto Presidencial nº 52.795, de 1963, institui no Art. 28 (incluído em outro decreto de 1983) que cabe às emissoras concessionárias “não transmitir programas que atentem contra o sentimento público, expondo pessoas a situações que, de alguma forma, redundem em constrangimento, ainda que seu objetivo seja jornalístico”. A multa para estes casos chega até 50 salários mínimos.
“Acredito que eles escolhem a nós, negros oriundos da periferia, para suas matérias, pois acreditam que somos ignorantes, e que se ao menos sabemos falar, para eles, não saberemos nossos direitos”, denuncia Enderson Araújo, diretor do grupo Mídia Periférica, um dos organizadores do tuitaço realizado essa semana em protesto contra o episódio. O procurador Vladimir Aras concorda com a análise fazendo uma comparação com a cobertura da mídia em relação ao caso Carlinhos Cachoeira. Segundo ele, o caso do bicheiro também há um interesse público em interrogar o suspeito, mas seus direitos foram resguardados. “Enquanto um aparece na TV respondendo apenas o que lhe convém, o outro é exposto algemado”, compara ele.
Já a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em nota, declarou que “programas policialescos, irresponsáveis e sensacionalistas não podem ser tolerados pela sociedade por se travestirem de produções jornalísticas. Na verdade, estes programas ferem os princípios e a ética do Jornalismo e configuram abuso das liberdades de expressão e de imprensa, por violarem os direitos constitucionais da cidadania”. A Fenaj ainda defende a aplicação de medidas cabíveis aos profissionais envolvidos, mas também aponta para a “necessidade de responsabilização das empresas da mídia, que definem os formatos de seus programas e os impõem aos profissionais e ao público”.
Apesar da grande visibilidade atingida pelos manifestos feitos pelas redes sociais Twitter e Facebook, Enderson reconhece a importância de se tomar medidas reais. Ele aponta como uma das possíveis ações a realização de audiências públicas sobre esse tipo de programa, além da intenção de ajudar o jovem acusado. “Ele cometeu um crime, sim, mas não sabemos a realidade deste jovem, nem podemos julgar, como fez a repórter. Vamos tentar ressocializá-lo, para que ele volte à sociedade.”

Alcantara Cyclone Space seleciona jornalista para sua assessoria


A Base espacial de Alcantara é o local onde a ACS atua no Maranhão.
A empresa bi-nacional Alcantara Cyclone Space - ACS, uma joint-veture que nasceu do acordo internacional entre o Brasil e a Ucrânia para dinamizar o programa espacial brasileiro, está selecionando jornalista para a sua assessoria de imprensa.
Embora não cite o nome do empregador, o anúncio classificado foi publicado neste domingo no Correio Brasiliense.

O profissional deverá ter disponibilidade para viagens constantes e suas bases de trabalho serão Brasília, onde está a matriz, e o Maranhão, onde se encontra o projeto espacial, na base de Alcântara.
Além de formado em Jornalismo, o candidato deverá ser fluente no inglês, oral e escrito. Candidatos com experiência no jornalismo científico e ou espacial terão preferências. O salário e a jornada de trabalho não foram informados.
Os interessados devem enviar, até o dia 8/6, o cv para o correio eletrônico srh.gerad@gmail.com . Pede que sejam informadas duas referências profissionais pregressas.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

38% dos brasileiros têm internet em casa

Do Teletime news

A presença do computador e da internet seguem  em expansão nos domicílios brasileiros. Os números melhoraram, mas ainda mostram um grande desafio de inclusão digital a ser vencido. A proporção de domicílios com computador no país passou de 35%, em 2010, para 45%, em 2011, enquanto a presença de internet saltou de 27% para 38%, segundo dados da 7ª Pesquisa TIC Domicílios 2011, divulgada nesta quinta-feira, 31, pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br), ligado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
A pesquisa aponta que os computadores de mesa (desktops) estão perdendo espaço para os portáteis. Entre as residências com computador, 79% possuem desktops, enquanto 39% utilizam PCs portáteis. Em 2008, os computadores de mesa eram utilizados em 95% dos domicílios e os portáteis em apenas 10%. Na classe C, a proporção de portáteis praticamente dobrou em relação a 2010, o que corresponde à presença em um quarto dos domicílios com computador que pertencem a essa faixa socioeconômica (28%). Já na classe A, a presença de PCs portáteis (81%) nos domicílios com computador é equivalente à de desktops (82%). Em 2011, a TIC Domicílios também passou a medir o uso de tablets: apesar de ter presença tímida no total dos domicílios com computador (1%), na classe A, a proporção já chega a 10%.
Com relação às conexões de banda larga no país, de maneira geral, em 2011 a banda larga fixa esteve presente nos lares brasileiros com internet em proporções superiores à banda larga móvel (modem 3G): 68%, contra 18%, respectivamente. O estudo indica que o acesso à banda larga móvel apresentou crescimento de 8% em relação a 2010.
O local mais citado para acesso à internet continua sendo o domicílio (67%), quase duas vezes e meia maior do que o acesso em centros públicos de acesso pago (lanhouses), local citado por 28% dos usuários de internet. Enquanto o acesso domiciliar apresentou um crescimento de 20% em relação a 2010, o uso nas lanhouses decresceu 18% nesse mesmo período. Já o uso da internet via celular avançou 12% entre os usuários de celulares passando de 5% para 17%, aumento que ocorreu principalmente entre os entrevistados que possuem aparelhos pré-pagos.
Dentre as principais atividades realizadas na internet no ano passado, 69% dos brasileiros declararam acessar sites de relacionamento como o Facebook ou Orkut. Destacam-se os acréscimos no uso de microblogs, como o Twitter, que passou de 14% em 2010 para 22% em 2011, e o uso de programas de voz sobre IP como o Skype, cuja adoção foi de 17%, em 2010, para 23%, em 2011. A atividade de lazer mais realizada na internet foi assistir filmes ou vídeos (58%), seguida por fazer download de músicas (51%).
Os dados do estudo TIC Domicílios 2011 foram coletados por meio de entrevistas realizadas em 25 mil domicílios no Brasil, incluindo áreas rurais. Apesar do crescimento nos indicadores de posse e uso das TIC no Brasil, em 2011 foi identificado que 55% dos domicílios não possuem computador e 62% não dispõem de internet - na área rural o índice é de 90%.

Canais latino-americanos coproduzem série infantil sobre meio ambiente

Do Telaviva news
O Goethe-Institut de Buenos Aires convidou cinco canais latino-americanos para realizar uma microssérie sobre os pequenos problemas ecológicos que mobilizam a vida das crianças e as pequenas soluções que elas criaram para melhorar a vida do planeta. “Senha Verde” é uma coprodução entre Colômbia (señalcolombia), Argentina (Canal Paka Paka), Uruguai (Tevé Ciudad), Brasil (TV Brasil) e Vale TV (Venezuela).
Os canais assumiram a responsabilidade de produção das eco-histórias a partir dos seus respectivos países. O Goethe-Institut criou mecanismos para garantir um diálogo fluído e um intercâmbio permanente entre todos os envolvidos. O Instituto ainda assumiu funções específicas de tradução, dublagem e transcodificação.
Aldana Duhalde (Argentina) e Beth Carmona (Brasil), reconhecidas especialistas latinoamericanas, acompanharam e supervisionaram o projeto desde o seu princípio, garantindo coerência e identidade, em apoio permanente aos produtores.
A série, composta por treze filmes, será lançada em São Paulo no dia 2 de junho (sábado), às 14h30, na Matilha Cultural (Centro), durante a Virada Sustentável e no Rio de Janeiro no dia 4 de junho (segunda) durante o Green Nation Fest. O site do projeto (www.senha.com.br) será lançado no dia 5 de junho.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Argentina: o que há por trás de um jornal chamado Clarín (I)

Por Eric Nepomuceno, de Buenos Aires, publicado originalmente em Carta Maior.

No dia 7 de dezembro de 2012, o todo-poderoso grupo Clarín, que além do jornal de maior circulação da Argentina (e um dos maiores da América do Sul) detém, na prática, um império de comunicações no país, terá que começar a de desfazer de vários canais de televisão aberta e a cabo, além de um bom punhado de emissoras de rádio. O grupo tentou denunciar a nova legislação, aprovada por esmagadora maioria no Congresso, mas acumulou derrotas, inclusive da Suprema Corte argentina.
Buenos Aires - O prazo final foi dado: dezembro. Ou, para quem aprecia precisão e detalhe, dia sete de dezembro de 2012, uma quarta-feira. É quando o todo-poderoso grupo Clarín, que além do jornal de maior circulação da Argentina (e um dos maiores da América do Sul) detém, na prática, um império de comunicações no país, terá de se enquadrar na nova legislação – ou seja, começar a de desfazer de vários canais de televisão aberta e a cabo, além de um bom punhado de emissoras de rádio. Num estranho neologismo, a questão é tratada, na Argentina, como ‘desenvestimento’. Ora, na verdade a questão é outra: o grupo terá de começar a se desfazer de um patrimônio que é ilegal. Terá de abrir mão de concessões de licenças para operar rádio AM, FM, televisão aberta e televisão fechada. 

O grupo Clarín tentou, de todo jeito, denunciar essa nova legislação – aprovada, aliás, por esmagadora maioria no Congresso –, questionando sua constitucionalidade e alegando que atingia o direito à liberdade de expressão. A Suprema Corte disse que na nova legislação não há nenhum cerceamento à liberdade de expressão. 

Denunciar atentados à liberdade de expressão cada vez que seus interesses empresariais são ameaçados é característica dos grupos de comunicação que, na América Latina, funcionam como grandes monopólios e, ao mesmo tempo, como ferozes escudeiros do poder econômico. Cada vez que um desses grupos se sente ameaçado, todos, em uníssono, denunciam que os governos estariam fazendo aquilo que, na verdade, esses mesmos grupos praticam descaradamente em seu dia a dia: o cerceamento à liberdade de expressão. À diversidade de informação. 

O caso do grupo Clarín é típico do que ocorre em um sem-fim de países, a começar pelo Brasil, onde um seleto punhado de quatro ou cinco famílias controla ferreamente a distribuição de informação. Na Argentina, como no Brasil, esses conglomerados de comunicação funcionam como a verdadeira oposição ao governo. E não no sentido de vigiar, pressionar, denunciar erros e desvios, mas de lançar mão de todas as armas e ferramentas, por mais venais que sejam, para atacar qualquer governo que atente contra os seus interesses e os interesses de determinado poder econômico, que os monopólios das comunicações defendem movidos a ferro, fogo e ausência total de escrúpulos. 

Vale a pena recordar como atua o grupo Clarín, fervoroso defensor do sacrossanto direito à liberdade de expressão. Sua prática, na defesa desse credo, é no mínimo esdrúxula: controla 56% do mercado de canais de televisão aberta e a cabo, e uma parcela ainda maior das emissoras de rádio; manipula contratos de publicidade impedindo que os anunciantes comprem espaço na concorrência; e, como se fosse pouco, ainda briga na Justiça para continuar exercendo o monopólio da produção e distribuição do papel de imprensa no país. 

Não se trata de discutir o conteúdo – incrivelmente manipulado, aliás – dos meios de informação controlados pelo Clarín em todas as suas variantes. Trata-se apenas e tão somente de discutir até que ponto é lícito que um determinado grupo exerça semelhante controle sobre o volume de informação que chega aos argentinos. 

Diante desse quadro, é fácil entender que o que fez o governo de Cristina Fernández de Kirchner é, para o grupo Clarín, algo inadmissível. Afinal, além da intervenção na fábrica Papel Prensa, fazendo com que o Estado assumisse o controle da produção, distribuição e venda de papel a jornais e revistas, o governo baixou uma lei, aprovada pelo Congresso, que dividiu o espaço da transmissão de televisão aberta e fechada em três partes iguais. 

Um terço desse espaço permanece em mãos de grupos privados, como o próprio Clarín. Outro terço passa a ser dividido entre emissoras públicas (nacionais e estaduais), e o terço final passa a emissoras que estarão sob controle da sociedade civil, através de organizações sociais. Quem está atuando além desses limites terá de abrir mão de licenças e concessões, que na Argentina – como no Brasil – são públicas.

Além disso, quem for dono de canais abertos não poderá ser dono de distribuidoras de canais a cabo numa mesma região. O grupo Clarín tem superposição de canais abertos e fechados em Buenos Aires, Córdoba, Mar del Plata e Bahía Blanca. Vai ter de escolher. Além disso, ao fundir duas distribuidoras de canais a cabo, a Calevisión e a Multicanal, estourou todos os limites de concessões estabelecidos pela lei (são cerca de 225 canais em mãos do grupo, e isso, para não mencionar as estações de rádio AM e FM). 

A nova legislação foi questionada, é claro, por várias corporações que foram e serão atingidos. A gigantesca Telefônica espanhola, por exemplo, controla nove canais de televisão aberta no país. Terá abrir mão de todos, a menos que aceite integrar alguma cooperativa junto a organizações sociais.

Ninguém, em todo caso, fez o estardalhaço que o grupo Clarín está fazendo. Há uma explicação: o grupo decidiu partir, altaneiro, para o tudo ou nada. Confiou no próprio poder e na fraqueza do governo. 
Tropeçou feio: Cristina Kirchner se reelegeu em 2011, e agora a Justiça decidiu que a nova lei tem data, sete de dezembro de 2012, para que seja cumprida.

A fúria do Clarín é evidente e é compreensível. Fez todas as apostas erradas, e está perdendo uma por uma. 

A mais delicada dessas apostas foi a que fez no segundo semestre de 1976, quando ganhou – na base de uma cumplicidade sórdida com a ditadura militar que sufocava o país – o controle da produção e da distribuição de papel de jornais e revistas na Argentina. Foi o auge de seu poder, que agora começa a ser rapidamente minado. Já não há torturadores e militares corruptos e sanguinários a quem recorrer. Restou recorrer à Justiça. Foi quando o grupo começou a perder.

BBC News utiliza foto feita em 2002 no Iraque para ilustrar "matança na Síria"

Publicado originalmente em Irã News
Se hizo en todos los conflictos bélicos de la historia más reciente. En Rumanía, en Irak, en Kuwait, en Irán, en Libia o en Surcorea. Ya en la primera mitad del siglo XX la propaganda antisoviética recurrió a utilizar imágenes de las hambrunas de una época para hacerlas pasar por las de otra.
En la propia Siria ya han empleado en otras ocasiones imágenes de video correspondientes a otro contexto espacio-temporal bien distinto. Hace más de cuatro años, la trampa se preparó a propósito de los disturbios “espontáneos y pacíficos” en Tíbet. Nos mostraron manifestaciones y disturbios de países asiáticos como India o Pakistán, con explicaciones de que todo eso estaba pasando en la tierra de los Lamas.
Cuando los medios mendaces son sorprendidos, a veces pronto, a veces tarde, en sus montajes fríamente planificados y orientados a sucios fines, o bien se escudan en alegaciones relacionadas con simples “errores” humanos, con la consiguiente (e incómoda para ellos) rectificación, o bien insisten, y ello es inútil, en que los equivocados somos los que denunciamos sus malas y obscenas artes.
Pero la propaganda no se detiene. Buscarán otro falaz pretexto para atraer adhesiones populares para sus causas belicistas. Sigamos desenmascarando todas las farsas que detectamos y divulguemos al máximo todo aquello que coadyuve a la desacreditación de los portavoces del devorador imperialismo, el cual es la antítesis misma de cualquier labor básicamente humanitaria.
foto-de-lauro-en-bbc
La foto, la que realmente fue tomada el 27 de marzo del 2003, muestra a un niño irakí saltando sobre docenas de bolsas blancas que contenían esqueletos encontrados en un desierto al sur de BagdadLa BBC enfrenta críticas luego que
La BBC enfrenta críticas luego que “accidentalmente” utilizara una fotografía tomada en Irak en el 2003 para ilustrar la “una insensible masacre de niños” en Siria.
El autor de esta fotografía, Marco di Lauro, dijo que casi se “cayó de la silla” cuando vio la imagen. Expresó que estaba “asombrado” por la falla de la empresa para chequear sus fuentes.
La foto, la cual realmente fue tomada el 27 de marzo del 2003, muestra a un niño irakí saltando sobre docenas de bolsas blancas que contenían esqueletos encontrados en un desierto al sur de Bagdad.
Sin embargo, fue publicada este lunes en el sitio web de noticias de la BBC bajo el título “Condenan la masacre de Siria en Houla mientras crece la indignación”. La leyenda indica que la fotografía fue proporcionada por un activista y no puede ser independientemente verificada, pero dice que “se cree que muestra los cuerpos de niños en Houla esperando ser sepultados”.

Porta voz da BBC afirma que foto já foi retirada.

Por su parte, Di Lauro, quien trabaja para la empresa Getty Images, expresó: “Me fui a casa como a las 3 a.m. y abrí la página de la BBC, la cual tenía una noticia en el portal acerca de lo que pasó en Siria y casi me caí de la silla”.”Una de mis fotos de Irak fue utilizada por el sitio web de la BBC como ilustración de portada afirmando que esos eran los cuerpos de la masacre del domingo en Siria y que la foto fue enviada por un activista”.
“Sin embargo, la foto la tomé yo y está en mi página web, en la sección especial en relación a una historia que hice en Irak durante la guerra llamada Irak, después de Sadam“.
“De lo que realmente estoy asombrado es de que una organización de noticias como la BBC no chequea sus fuentes y está dispuesta a publicar cualquier foto enviada por cualquiera: activista, periodista o lo que sea. Eso es todo”, precisó.
Agregó que le preocupaba menos una disculpa o el uso de la imagen sin su consentimiento, añadiendo: “Lo que es asombroso es que una organización de noticias tiene una foto que prueba una masacre que sucedió ayer en Siria y sin embargo es una foto que fue tomada en el 2003 de una masacre totalmente diferente”.
“Alguien está utilizando la foto de otro para propaganda a propósito”, dijo.
Un vocero de la BBC indicó: “Tuvimos conocimiento de esta imagen siendo ampliamente difundida en Internet en las primeras horas de esta mañana después de las atrocidades más recientes en Siria”.
“La usamos con una advertencia clara diciendo que no pudo ser independientemente verificada”.
“Se hicieron esfuerzos para rastrear la fuente original de la imagen y cuando se estableció que la imagen era inexacta la retiramos de inmediato