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terça-feira, 7 de junho de 2022

TCU teme apagão televisivo em regiões remotas do Brasil

Com o fim das transmissões de TV pelo sistema analógico, famílias de baixa renda poderão ficar sem acesso à TV digital e desconectadas do que acontece no Brasil. O Tribunal de Contas da União estima que 1.300 municípios - praticamente, 1/4 das cidades brasileiras - podem ficar sem qualquer conexão com o Brasil, pois não terão mais sinal de TV. 

Texto e foto por Chico Sant'Anna

Muitas famílias de baixa renda, beneficiárias do Programa Bolsa Família correm o risco de ficar sem acesso à televisão aberta digital. Tudo em decorrência da implantação da Internet 5G no Brasil, que vai usar frequências hoje utilizadas pelas transmissões analógicas de televisão. Essas localidades perderão a transmissão analógica e ainda não contam com a digital. O Tribunal de Contas da União estima que 1.300 municípios - praticamente, 1/4 das cidades brasileiras - podem ficar sem qualquer conexão com o Brasil, pois não terão mais sinal de TV. São Municípios de pequeno e médio porte, desprovidos de meios de comunicação próprios e dependentes das transmissões satelitais de rádio e tv.

Isso é que os técnicos denominam apartheid tecnológico. O sinal analógico é de fácil captação pelas antigas antenas parabólicas. Muitas cidades não possuem canal local. Outras, as prefeituras criaram canais repetidores para redifundir o sinal captado nos satélites. Mas com o sinal digital, também as prefeituras teriam que comprar novos equipamentos para se adequarem às mudanças tecnológicas.

Há ainda problemas geográficos. Localidades em que o relevo ou a vegetação, como na Amazônia, não favorecem a transmissão do sinal digital. Na França, quando da implantação da TV digital, cerca de 500 lares ficaram sem acesso a TV. O governo criou uma espécie de bolsa televisão, concedendo a essas famílias um abono que permitissem que elas assinasse serviços pagos de televisão.

Nos Estados Unidos, também houve esse fenômeno. Em 2009, 2,8 milhões de lares no país não conseguiram se adaptar para receber os sinais de transmissão digital. O Impacto também afetou 21 pequenas e médias emissoras locais, que sem dinheiro para se adaptar à nova tecnologia, tiveram que encerrar suas transmissões.

Para evitar que isso aconteça, o TCU recomendou ao ministério das Comunicações, que crie um planejamento para o desligamento do sinal analógico dos municípios que ainda não possuem a transmissão de TV digital, viabilizando às populações que contam atualmente com a transmissão analógica da televisão aberta a continuidade de acesso, no mínimo, aos mesmos canais em tecnologia digital.

Para mais detalhes sobre a migração para o canal digital, leia também:

TV digital: 500 mil lares sem televisão, na França

TV Digital: Governo francês teme apartheid tecnológico

TV Digital: Término da transmissão em sistema analógico deixa milhões de lares sem sinal de TV nos EUA

TV Digital: Emissoras pedem adiamento do fim do sinal analógico

TV Digital: fim da TV analígica pode ser prorrogado

Japão completa transição do sistema de TV analógica para digital

Para o TCU se o cenário atual permanecer da forma que está, após ocorrer a migração da transmissão analógica para digital prevista para o final de 2023, cerca de 1.300 municípios ficarão sem qualquer sinal de TV, deixando seus moradores sem acesso à TV aberta.

domingo, 29 de maio de 2016

Na América Latina, 80% escutam rádio pela internet ao menos uma vez por semana

Pesquisa analisou realidade do Brasil, México, Colômbia, Argentina e Peru.

Oito em cada dez pessoas escutam rádio pela internet pelo menos uma vez por semana. Esse dado faz parte de uma pesquisa sobre o mercado e o consumo de rádio tradicional, rádio pela internet e áudio digital realizado pela Audio.ad no Brasil, México, Colômbia, Chile, Argentina e Peru.
Dos cinco mil entrevistados, 94% escutam áudio digital, seja rádio online, serviços de streaming ou outras mídias online. Além disso, 46% dos entrevistados consome áudio digital quando navegam ou quando estão trabalhando. Com relação à visualização, 46% dos que escutam rádio na internet compartilham conteúdos e interagem em redes sociais enquanto estão escutando.
E os PCs ainda são o meio através do qual a maioria (52%) consome o conteúdo. Os smartphones são a opção de 45% e os tablets para 19%. Um ouvinte padrão escuta, pelo menos, 10 horas de áudio digital por semana. A faixa etária de 35 a 44 representa 49% dos entrevistados, enquanto 33% têm idade entre 18 e 34 anos e 18% com mais de 45 anos.
Entre os conteúdos mais consumidos estão música (65%), notícias (33%) e esportes (20%). A rádio é considerada uma parte importante de suas vidas para 97% dos entrevistados. Enquanto isso, 50% esperam escutar mais rádio durante 2016.
Os serviços de streaming mais populares entre os entrevistados são Spotify, representando 32% das opiniões, Soundcloud (24%) e Deezer (22%). De acordo com a pesquisa, seis em cada dez entrevistados consome áudio através de serviços de streaming de música.
Comércio

A influência que o rádio exerce na vida dos consumidores também foi analisada. Com isso, 63% compram dois e cinco produtos divulgados pelo rádio por ano. Para 55%, pelo menos um produto anunciado pelo rádio no último ano foi comprado. Os eletrônicos (51%) são os produtos/serviços de maior interesse para o consumidor de áudio digital.  Na sequência estão moda e acessórios (39%), eletrodomésticos (35%), entradas para eventos (33%) e passagens (31%). A publicidade na rádio pela internet, por sua vez, não é considerada excessiva para 90% dos entrevistados.

segunda-feira, 14 de março de 2016

[veja o vídeo] Cidadania, TV e Sociedade, debate a regionalização da produção na TV

Passados 30 anos, diversos dispositivos da Constituição Federal ainda não entraram em vigor pela falta de regulamentação em lei ordinária. Dois desses dispositivos são os incisos II e III do art. 221 da Constituição Federal, que versam sobre à presença da produção independente em emissoras de televisão e à regionalização da programação audiovisual em televisão aberta. A regionalização, segundo a Constituição, deve abrigar as produções culturais, artísticas e jornalísticas.


Para trata dessa regulamentação, o programa Cidadania, da TV Senado, TV e Sociedade, recebeu o senador Walter Pinheiro (PT-BA), autor, quando ainda era deputado federal, do projeto de lei que trata desse tema. No Cidadania também são analisados os avanços da tecnologia e mobilidade na área de comunicações e seus efeitos sobre a sociedade.

O Cidadania TV e Sociedade está disponível no youtube e pode ser visto aqui, abaixo.


domingo, 24 de novembro de 2013

Sistema Brasileiro de Radio Digital é tema de conferência, no Rio

De 26 a 28 de novembro, acontecerá na PUC-Rio a Conferência Internacional Espectro, Sociedade e Comunicação 2 (ESC2). O foco do evento será o futuro Sistema Brasileiro de Radio Digital (SBRD) e as possibilidades de interatividade desse meio. O evento inclui sessões de apresentação de artigos, oficinas práticas de rádio digital e mesas de debate.

A Conferência acontece em um contexto de discussões fundamentais para o futuro do rádio no Brasil. O momento é de construção do SBRD e o ponto central é a escolha por um padrão técnico. Uma escolha entre o sistema Digital Radio Mondiale (DRM), desenvolvido por um consórcio aberto com membros de todo globo, e o sistema HD Radio, propriedade de uma empresa estadunidense. Diante desse panorama, o ESC2 reúne pesquisadores do Brasil e da Europa buscando, por meio das experiencias trazidas pelos participantes, fomentar as discussões em torno do desenvolvimento e regulamentação do SBRD.
 
   

A exemplo que aconteceu com o processo de adoção da TV digital, a implementação do sistema digital de rádio trará novas possibilidades para o meio radiofônico no país. A digitalização do sistema otimizará a ocupação do espectro eletromagnético, permitindo o aumento do número de emissoras, além da possibilidade da multiprogramação e da interatividade para o ouvinte. O Brasil já adotou para a TV digital o Ginga, uma sistema 100% nacional que permite a transmissão e execução de aplicativos interativos no receptor. A Conferência contará com palestras e oficinas de pesquisadores da PUC-Rio especialistas em Ginga, que irão discutir as possibilidades de interatividade para o rádio digital brasileiro.
  

Ou seja, assim como na TV digital, a implementação do sistema digital irá trazer para o meio do rádio várias funcionalidades já conhecidas pelo ouvinte na internet. É por isso que não se deve confundir rádio digital com webrádio, que são transmissões, ao vivo ou não, de programas sonoros pela internet. A diferença fundamental entre webrádio e rádio digital está no meio de transmissão. As webrádios funcionam na internet, na estrutura de cabos óticos e telefônicos, propriedade de empresas de comunicação. Já o rádio digital continuará funcionando por meio de ondas eletromagnéticas, emitidas e captadas no espectro radioelétrico, bem comum dos cidadãos. O rádio digital é uma evolução do rádio como conhecemos.  
   

Esse assunto ganha ainda mais relevância diante do cenário legal que propicia. Atualmente discussões sobre as novas possibilidades de regulamentação são intensas tanto no Brasil como em outros países da América Latina. Na Argentina, por exemplo acaba de ser aprovada a Lei de Mídia que limita as propriedades cruzadas de meios de comunicação por grandes conglomerados de mídia. Recentemente o Governo Federal brasileiro decretou a migração das rádios AM para FM, aumentando a ocupação dessa faixa de frequência. Um projeto de lei de iniciativa popular da comunicação social eletrônica, conhecido como “Lei da Mídia Democrática”, está em plena discussão nas Comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, Cultura e Educação do Congresso Nacional. Tal projeto propõe uma nova lei geral de comunicação buscando garantir mecanismos democráticos de regulamentação dos meios. Junto com a proposta do Marco Civil da Internet, esses projetos constituem início de amadurecimento nessa área no Brasil, que ainda está em uma estágio muito atrasado.
   
   
PROGRAMAÇÃO
Terça, 26 de Novembro de 201309h00-09h30    Inscrição
0
9h30-10h10 


Mesa de Abertura * Prof. Dr. Luiz da Silva Mello – Decano do CETUC * Dr. Marcio Ferreira Moreno – Telemídia, PUC-Rio * Pedro Martins – Amarc Brasil * Prof. Dr. Pedro Peixoto Ferreira – Unicamp
1
0h10-11h40 



Oficina I – Demonstração de rádio digital utilizando o padrão Digital Radio Mondiale e recursos como multiprogramação * Rafael Diniz – Telemídia, PUC-Rio * Msc. Friederike Maier – Leibniz University of Hannover – LUH, Germany
1
1h40-12h00    Coffee Break
1
2h00-13h00 


Palestrante Convidado Contribuições da academia nacional para os sistemas brasileiros de TV e rádio digitais * Prof. Dr. Luiz Fernando Gomes Soares – PUC-Rio
1
3h00-14h30    Almoço
1
4h30-15h30    Apresentação de Artigos I – Legislação e Direito à Comunicação
1
5h30-16h00    Coffee Break
1
6h00-18h30 


Sessão Técnica I – Legislação e Direito à Comunicação
A
s leis de comunicação atuais inseridas no contexto do direito à comunicação e os critérios devem estar presentes em uma nova lei dos meios no Brasil * Ms. Arthur William – AMARC * Dr. Octavio Pieranti (video conferência) – Ministério das Comunicações * Profa. Dra. Nélia Del Bianco – Un* Mario Celso Sartorello – Arpub, EBC * Prof. Dr. Marcos Dantas – ECO-UFRJ Moderação: Prof. Dr. Pedro Peixoto Ferreira – Unicamp
Q
u
arta, 27 de Novembro de 2013
09
h00-10h00 

Apresentação de Artigos II – Interatividade e inovação no Rádio Digital / Regulamentação, Uso e Compartilhamento do Espectro
10h
00-10h30    Coffee Break
10h
30-13h00 


Sessão Técnica II – Interatividade e Inovação no Rádio Digital 
De
 que forma o Rádio Digital irá mudar o rádio como conhecemos com a introdução de novas ferramentas como interatividade, multiprogramação, som surround, alerta de emergência, distribuição de informações do tráfego rodoviário, redes de frequência únicas e outras. 
Prof. Dr. Rafael Evangelista – Labjor - Unicamp 
Prof. Dr. Guido Lemos – UFPB 
Msc. Friederike Meier – Leibniz University of Hannover 
Bráulio Ribeiro – Radio Nacional da Amazônia EBC 
Me
diação: Rafael Diniz – Telemidia PUC-Rio
13h00-14h30    Almoço
14h
30-16h00 


Oficina II – Mini-curso de desenvolvimento para o Ginga-NCL e possibilidades de interatividade no Rádio Digital 
Laboratório Telemídia, PUC-Rio
16h
00-16h30    Coffeebreak
16h
30-17h30 


Grupo de Trabalho – Regulamentação, uso e Compartilhamento do Espectro 
Im
plementações abertas de rádio digital, rádio digital nas distintas bandas de radiodifusão (OM, OT, OC e VHF), canal de retorno e o rádio como meio de difusão de conteúdo digital. 
Co
ordenador: Francisco Caminati – Unicamp 
Re
lator: Silvio Rhatto – Sara
Qui
n
ta-feira, 28 de Novembro de 2013
09h0
0-11h30 


Sessão Técnica III – Regulamentação, Uso e Compartilhamento do Espectro 
No c
ontexto da necessidade de se democratizar o acesso aos meios de comunicação, da realocação de canais de rádio, tv e telefonia móvel, possibilidade do uso de 20kHz para os canais digitais na faixa do AM e 100kHz para VHF, quais são os pontos críticos de uma política que permita uma nova canalização e compartilhamento do espectro. 
* Síl
vio Rhatto – Saravá 
* Prof. Dr. Sérgio Amadeu – UFABC * Ms. Thiago Novaes – UnB 
*
 DrFrancisco Caminati – Unicam
Mode
ração: Prof. Dr. Pedro Peixoto Ferreira – Unicamp
11h30
-12h00    Coffeebreak
12h00
-13h00 


Grupo de Trabalho – Espectro Livre e o novo marco legal das comunicações no Brasil 
Coor
denador: Ms. Thiago Novaes – UnB 
Relator: Prof. Dr. Pedro Peixoto Ferreira – Unicamp
13h00
-14h30    Almoço
14h30-16h00    Apresentação dos Resultados dos GTs
16h00
-16h30    Coffee Break
16h30
-18h30 


Mesa de encerramento 
Prod
ução da carta da conferencia endereçada ao Conselho Consultivo do Rádio Digital (CCRD) - MINICOM

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Opinião: Roceiro também é gente, tem direito de ouvir o rádio

Por José Carlos Sigmaringa*
O boletim da associação que reúne os grandes empresários da comunicação no país, a ABERT, anuncia com entusiasmo a decisão da presidente Dilma de assinar, no próximo dia 7, decreto permitindo a migração das emissoras de rádio AM para a faixa de FM. Elas passarão a utilizar as frequências de áudio usadas pelos canais 5 e 6 da TV que serão desativados com a digitalização das emissões de televisão.
Essa é uma reivindicação antiga dos empresários das rádios AM que viram os seus lucros minguarem após a proliferação das FM que conseguem melhor qualidade de áudio nas suas transmissões.  Essa decisão poderá retirar das populações rurais e moradores de pequenos municípios do interior o direito ao acesso a esse democrático meio de comunicação, o rádio.
As emissoras AM (que transmitem em amplitude modulada) nas faixas de OM (ondas médias, popularmente conhecidas como AM) OT (ondas tropicais) e OC (ondas curtas) têm como característica principal conseguir propagar o seu sinal a longas distâncias, através da reflexão das ondas sonoras na ionosfera.
Quem mora nesse vasto interior do Brasil só consegue ouvir rádio, durante o dia, se a emissora transmitir em OT ou OC e à noite também as OM que, na ausência da interferência da radiação solar, adquirem a capacidade da OC de refletir o sinal na ionosfera, atingindo grande área de cobertura.
Por mais que se diga que o Brasil se modernizou, essa modernidade não chegou ao interior do país. Para se locomover, o homem da roça tem que utilizar estradas vicinais que mais se parecem caminhos de carro de boi. Apesar das promessas dos 3 últimos presidentes (FHC, Lula e Dilma) o Programa Luz para Todos não conseguiu iluminar vastas áreas rurais das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O telefone celular só chegou às sedes dos pequenos municípios, deixando mudas as áreas rurais, que por apresentarem baixa densidade demográfica e moradores de baixa renda não despertam interesse das operadoras. Internet, então, é coisa impensável. Nesse cenário sobra apenas o bom e velho rádio AM a pilha para o sertanejo receber notícias do mundo distante e até mais próximo, além de ser uma das poucas formas de lazer ao seu alcance.
Quando estava no ar, a Rádio Senado Ondas Curtas, por exemplo, transmitia com assiduidade recados de secretarias de saúde de pequenos municípios do Tocantins, Maranhão e Piauí, Pará, Mato Grosso, Norte de Minas etc, avisando aos moradores da zona rural para que se dirigissem a determinado povoado, em dia determinado, porque haveria atendimento médico ou vacinação. Ou avisando aos professores da zona rural para se dirigirem à sede do município em tal data para participar de reunião. Sem o rádio, como o administrador faria para se comunicar com essa população se elas não têm acesso a outro meio de comunicação?
As últimas estatísticas revelam que a população rural do nosso país está em torno de 17 por cento, isso dá um contingente de cerca de 34 milhões de pessoas. É certo que nem toda a população rural brasileira vive a situação de isolamento descrita anteriormente, mas quantos milhões de brasileiros ficarão sem acesso ao rádio se houver essa migração maciça das emissoras OM para FM?
As emissoras comunitárias não preenchem essa lacuna. Por terem sido pensadas para atingir apenas um bairro de uma grande cidade, elas são de baixa potência e, onde elas existem, não cobrem a zona rural do município.
Que os empresários de comunicação não queiram transmitir com prejuízo para populações com baixo nível de renda e consumo é até compreensível, mas um governo que se diz democrático e popular não pode governar pensando apenas nos poderosos e tem obrigação de proteger os direitos dos mais desvalidos, isolados e sem poder de pressão social. Essa população ficará à margem de informações relevantes para o exercício da cidadania.
O pior é que essa mudança de faixa de freqüência é fruto de uma postura mesquinha e acomodada que não investe em inovação e pesquisa tecnológica. O que faz as emissoras AM terem a capacidade de cobrir grandes áreas geográficas é a faixa de frequência e não o modo de transmissão - amplitude modulada (AM) ou frequência modulada (FM).
As emissoras FM em operação no país transmitem na faixa de 87,8 MHz a 108 Megahertz. Os donos das emissoras OM querem migrar para a faixa de FM situada logo abaixo, entre 76 a 87,6 MHz. As emissoras AM (OM, OT e OC) funcionam em frequências mil vezes inferior na faixa de Kilohertz (de 525 KHz a  26.100 kHz) e é essa frequência mais baixa que dá a elas a capacidade de transmitir o sinal a longas distâncias. Em tese, essas emissoras poderiam passar a transmitir em FM nas mesmas faixas de frequência das atuais AM. Se assim procedessem as interferências nas transmissões diminuiriam sensivelmente e elas manteriam a capacidade de transmitir a longas distâncias.

A digitalização das transmissões de rádio também contribuiria para diminuir significativamente a interferência de ruídos provocados pelas redes elétricas no áudio das emissoras.  Mas, misteriosamente, o governo já aprovou e implantou o sistema brasileiro de TV digital, que é tecnologicamente mais complexo, e não se decidiu por um sistema digital para o rádio.

A digitalização das transmissões de rádio está parada aguardando o desenlace de uma luta renhida. A ABERT luta para submeter o país a um sistema de rádio digital de propriedade de uma empresa privada americana, o sistema IBOC. Outros setores preferem o DRM – Digital Radio Mondiale - desenvolvido por um consórcio formado por empresas, pesquisadores e fabricantes de diversos países, liderado por europeus.

Como o Brasil é um país totalmente dependente de tecnologia importada nenhuma voz importante se levantou, até agora, para defender o desenvolvimento de um sistema brasileiro que atenda às necessidades nacionais e que não tenha que pagar royalties ao exterior.

Como repórter de rádio há 34 anos e roceiro, membro do Jalapão profundo, conclamo a presidente Dilma e o ministro Paulo Bernardo a não permitir que a população mais desassistida do Brasil, que já não têm acesso a estradas, saúde, educação, telefone ou luz elétrica seja condenada a ficar, também, sem rádio, privada do meio mais democrático de comunicação. Nem só de bolsa família vive o homem do campo.


* Radiojornalista e servidor público federal. 




domingo, 13 de maio de 2012

Rádio digital é tema do 26º Congresso Brasileiro de Radiodifusão


Um dos principais temas a serem tratados no 26º Congresso Brasileiro de Radiodifusão, que acontece em Brasília, de 19 e 21 de junho, será a migração e a digitalização da Rádio AM. Levando-se em conta que os receptores de rádio, em geral, contemplam AM e FM, e que há no país cerca de 1.800 emissoras AM, é necessário que a escolha do padrão de rádio digital considere a operação nos módulos analógico e digital desde o início de sua implantação ou a possibilidade de migração das atuais estações AM para a faixa de FM. 
As possíveis soluções e os critérios para migração tecnológica serão o centro do debate deste painel intitulado "Uma visão estratégica do rádio no Brasil" no qual um dos palestrantes será o Secretário de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Genildo Lins. Participe. Para mais informações, acesse http://www.congressoabert.com.br/inscricao

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

TV Digital: Angola opta pelo sistema nipo-brasileiro

De Portugal Digital

Angola poderá contar a partir de 2012 com um novo sistema de televisão digital a ser instalado no quadro da cooperação com Japão, tornando-se no primeiro país africano a beneficiar do mesmo. Este assunto dominou a conversa que o embaixador do Japão em Angola, Ryozo Myoi, manteve, sexta-feira, com o vice-presidente da República, Fernando da Piedade Dias dos Santos, a quem foi cumprimentar, iniciada a sua missão no país há dois meses.

Em declarações à imprensa, o diplomata garantiu que o projecto já foi aprovado pela organização internacional de telecomunicações, estando apenas a espera do aval do Executivo angolano para o seu arranque, o que na sua óptica, deverá acontecer em 2012. Disse que este sistema é o mesmo utilizado no Brasil, também instalado pelo Japão, e representa o que de mais avançado há em termos de tecnologia de ponta, na emissão de televisão.

O sistema de televisão digital nipo-brasileiro, denominado ISDB (Serviço Integrado de Transmissão Digital Terrestre) é apontado como o mais flexível de todos por responder melhor a necessidades de mobilidade e portabilidade. Trata-se da evolução do sistema DVB-T usado pela maioria dos países do mundo, e que vem sendo desenvolvido desde a década de 70 pelo laboratório de pesquisa da rede de TV NHK.

Especialistas consideram o sistema altamente versátil. Além de enviar os sinais da televisão digital ele pode ser empregado em diversas actividades, como: transmissão de dados; receptor para recepção parcial em um PDA e em um telefone celular; recepção com a utilização de um computador ou servidor doméstico; acesso aos sites dos programas de televisão; serviços de actualização do receptor por download; sistema multimédia para fins educacionais. O embaixador não avançou o custo de projecto, mas confirmou que, de um modo global, não é muito oneroso.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

TV Digital: Costa Rica anúncia uso do sistema nipo-brasileiro

De Medioslatinos


El Gobierno de Costa Rica puso fecha para el apagón digital en 2017 y anunció su intención de adoptar la norma de televisión japonesa-brasileña. El pasado martes 6, la Presidenta del país centroamericano firmó un decreto que define los requerimientos técnicos que las televisoras deben cumplir para adoptar la nueva norma. Este nuevo sistema permitirá a las emisoras transmitir dos programas en alta definición en un solo canal o hasta siete programas en formato estándar en el mismo espacio. Asimismo, permitirán enviar la señal a teléfonos móviles. En el proceso de conversión digital, el gobierno japonés asistiría a Costa Rica mediante asesoría técnica. Un aspecto no ha sido esclarecido todavía es la de aparator conversores para la población de escasos recursos.

Información publicada en el Sitio Web de América Economía. Para más detalles haga click aquí.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Digitalização das TVs públicas segue indefinida

Por Jacson Segundo – Observatório do Direito à Comunicação

A pouco mais de cinco anos do fim das transmissões analógicas na TV brasileira, ainda segue incerta a forma como a digitalização ocorrerá com as emissoras do campo público. O tema é de muita importância para essas televisões, pois elas passarão a ser transmitidas na TV aberta, o que dará condições a elas de competirem efetivamente com os canais comerciais. Como o governo tem demorado a decidir a questão, a Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular (Frentecom) fez a segunda audiência pública sobre o assunto neste ano, na segunda-feira (30).

O que seria um momento para ouvir respostas do governo sobre o projeto do Operador Único de Rede Digital das TVs do campo público se transformou, no entanto, em mais uma audiência para os representantes do governo repetirem as dificuldades de implantação do projeto que já haviam dito na primeira reunião com a Frentecom sobre o tema, em junho deste ano. Por isso, a maioria dos integrantes da frente e dos representantes de emissoras públicas e estatais presentes à audiência criticaram a indefinição do governo federal.

A implantação do operador digital é o que de fato vai permitir a digitalização dos sinais das emissoras do campo público como a TV Brasil, Canal NBR, TV Saúde, TV Câmara, TV Senado, TV Justiça, canais comunitários e educativos locais. Inicialmente a ideia era viabilizá-lo por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) com alguma empresa ou consórcio no valor de R$ 2,8 bilhões por 20 anos. O edital da PPP chegou a ser colocado em consulta pública no fim de 2009, mas, no entanto, depois da reativação da Telebrás surgiu a possibilidade de usar a rede de fibras da empresa no lugar da transmissão por satélite.
E a indefinição prossegue.

“Nos estranha chegar nesse momento sem respostas claras do governo”, disse o integrante do Coletivo Intervozes, Gésio Passos, que também pediu a criação de um espaço de diálogo constante com a sociedade para tratar do tema. O conselheiro do Clube de Engenharia Telmo Lustosa também não gostou do que ouviu dos representantes do Poder Executivo.
“Falta vontade política do governo”, tachou.

Orçamento

Além de algumas divergências sobre o modelo de funcionamento do operador digital, o que parece ser o maior obstáculo ao governo nesse momento para a definição do projeto é de onde virá a verba para seu pagamento. Pelo menos foi o argumento mais comum usado pelos membros do Executivo. O presidente da Telebrás, Caio Bonilha, foi enfático em dizer que tecnicamente é possível montar a rede digital a partir das fibras da empresa. “A questão hoje é orçamentária. Nem Telebrás, nem a EBC (Empresa Brasil de Comunicação) dispõe desse dinheiro em caixa”, afirmou.

A notícia positiva é que o governo inseriu no Plano Plurianual (PPA), enviado à Câmara dos Deputados nesta quinta (1º), R$ 2,8 bilhões. É o valor estimado do custo da implantação do operador por satélite. Com esse valor, a previsão é levar os canais do campo público para 273 cidades do país com mais de cem mil habitantes (cerca de 60% da população). Um possível problema, no entanto, é que esse orçamento é para um modelo de projeto com a limitação de não inserir os canais locais, como os dos governos estaduais e os comunitários. Estes seriam transmitidos nos municípios onde são produzidos.

Outro problema é garantir a aplicação de fato do recurso, já que o PPA ainda será discutido pelos deputados até dezembro deste ano. A sua efetivação depende muito da vontade do governo. Nesse quesito, a fala do secretário-executivo do Ministério das Comunicações (Minicom), Cezar Alvarez, não foi animadora. “Estamos nos preparando para sair de uma crise, com contenções de despesas”, ressaltou.

A secretária de Comunicação da Câmara dos Deputados, Sueli Navarro, não concordou com a avaliação do governo sobre o orçamento do projeto e acredita que essa questão não pode ser empecilho para sua efetivação. “Lamento que o governo faça as contas dessa forma. Não vejo outra forma de democratizar a comunicação sem fortalecer a comunicação pública no país”, criticou.

O secretário-executivo deixou claro que o Minicom está prevendo várias formas de financiamento do projeto. E uma delas dividiria os custos com as emissoras que se beneficiariam do operador digital, criando escalas diferentes a partir do poder de financiamento de cada uma. Mas tudo ainda muito incipiente, já que o governo não definiu nem se vai ser mesmo a Telebrás a responsável pelo projeto. “Não está descartada a PPP”, disse Alvarez.

Para Telebrás também seria importante a parceria com a EBC, já que na mesma fibra poderia levar internet para as pessoas. Além disso, criaria um canal de retorno para a interatividade do cidadão com os aplicativos a serem criados para a TV digital. “Me chamem daqui a quatro meses que vamos ter uma discussão mais adiantada”, garantiu Alvarez, que também disse que a titularidade do projeto ficará dividida entre a Secretaria de Comunicação da Presidência e o Ministério das Comunicações.

Foram convidados para a audiência da Frentecom os ministros Paulo Bernardo (Comunicações), Helena Chagas (Secretaria de Comunicação), Gleise Hoffman (Casa Civil) e Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência da República). Apesar de terem confirmado, todos justificaram ausência em cima da hora e não compareceram. O evento foi mediado pela deputada federal e coordenadora da frente, Luiza Erundina (PSB-SP). “Não foi fácil criar a EBC. Queremos ter orgulho da comunicação pública”, enfatizou a parlamentar.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Rádio digital: Brasil pode desenvolver seu próprio sistema

Por Marcello Larcher e Geórgia Moraes da Agência Câmara de Notícias

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse nesta terça-feira à Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática que é possível haver um sistema de transição na implantação da rádio digital no Brasil, com a existência de rádios analógicas e digitais, mas isso pode gerar custos e diminuir o espectro de transmissão em vez de duplicá-lo, como é possível em um sistema puramente digital.

Segundo o ministro, o objetivo do governo é adotar um sistema de transmissão digital para o rádio cujos transmissores e receptores sejam produzidos no próprio País. Para o governo, o baixo custo dos equipamentos também é prioridade. Paulo Bernardo não descarta uma solução nacional que possa ser adotada também pelos países vizinhos.

"Nós fizemos isso com a TV Digital. Houve uma negociação com o Japão. Incorporamos algumas mudanças tecnológicas, e esse modelo é vitorioso. Praticamente todos os países da América do Sul o adotaram; acho que só a Colômbia até agora não decidiu por ele", disse.

Demora na definição
O ministro foi questionado pelo deputado Sandro Alex (PPS-PR), que é relator da Subcomissão Especial de Rádio Digital, vinculada à comissão. O parlamentar manifestou preocupação com a demora na adoção de um modelo, o que, segundo ele, atrasa a instalação de novas tecnologias no Brasil.

Paulo Bernardo esclareceu, no entanto, que se a decisão fosse tomada hoje, o sistema escolhido seria o norte-americano que será testado a partir deste ano. O ministro afirmou, porém, que a baixa adesão da população à tecnologia nos Estados Unidos e o preço dos receptores vão influenciar a decisão brasileira. Hoje, o modelo de rádio digital mais barato nos Estados Unidos custa 49 dólares (R$ 78,40).

“Há restrições quanto ao custo do aparelho, mas ele é mais barato que o europeu. Existem, no entanto, dificuldades de espectro, muitos aparelhos podem ficar obsoletos, e essa é uma questão para ser resolvida no Congresso”, reafirmou.

Sistema híbrido
Para o relator da subcomissão da Câmara destinada a acompanhar a decisão do governo, deputado Sandro Alex, o melhor caminho para o Brasil é um sistema híbrido. "O problema da escolha americana é que é um sistema fechado. O Brasil fica refém desse modelo", disse.

O Brasil tem hoje mais de 9,1 mil rádios que poderão se digitalizar melhorando a qualidade do áudio transmitido e fornecendo informações multimídia como textos e imagens para receptores com visores de cristal líquido. O ministro Paulo Bernardo alertou para a necessidade de incluir na digitalização quase metade dessas emissoras que são pequenas rádios comunitárias.

O ministro se comprometeu a enviar à comissão informações sobre os testes que já foram feitos pela pasta com sistemas digitais de radiodifusão. A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) disse que a falta de informações sobre esses testes tem gerado insegurança no setor, principalmente nas rádios comunitárias. “Talvez o ministério pudesse socializar as informações sobre os testes em andamento em um site”, sugeriu.

O deputado Manoel Junior (PMDB-PB), que preside a Subcomissão Especial do Rádio Digital, lembrou que o colegiado foi convidado para participar, no próximo dia 1º, de um seminário sobre o assunto no edifício sede da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). No encontro, ressaltou o parlamentar, o ministério poderá explicar em detalhes o que está sendo analisado.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Seminário debate rádio digital

O Ministério das Comunicações promove quinta-feira, dia 1º, um seminário sobre a implantação do sistema de rádio digital no Brasil. O evento vai reunir representantes do governo federal, do setor de radiodifusão, de empresas de tecnologia, de universidades e também da sociedade. Para fazer a inscrição, os interessados deverão preencher o formulário disponível no sítio do Minicom, no endereço.
O Brasil ainda faz testes com as diferentes tecnologias, principalmente com os modelos norte-americano e europeu, para definir qual sistema de transmissão digital será adotado no País, segundo o Minicom.

Durante o seminário, deverão ser discutidos temas como funcionamento e uso de padrões de sistemas, com destaque para as implicações práticas para radiodifusores; propriedade intelectual, royalties e exploração de marcas e patentes; impactos na gestão do espectro de radiofrequência. O evento será realizado no edifício-sede dos Correios, em Brasília, das 8h30 às 18

domingo, 24 de julho de 2011

Japão completa transição do sistema de TV analógica para digital

Do portal Opera Mundi

A televisão japonesa deixa de transmitir neste domingo (24/07) em sistema analógico e completa assim o processo de transição para a tecnologia digital terrestre em praticamente todo o país, exceto nas regiões mais afetadas pelo terremoto e tsunami do dia 11 de março passado.

O Ministério do Interior e Comunicações do Japão afirmou que o fim das transmissões em sistema analógico ocorrerá em todo o país à meia-noite local (meio-dia em Brasília), com exceção das províncias de Miyagi, Iwate e Fukushima, devastadas pela catástrofe de março. Segundo o governo, a transição será concluída nessas regiões em março de 2012.

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O Ministério de Telecomunicações iniciou uma campanha e aumentou o número de técnicos e serviços de assistência para os quase 100 mil lares que, segundo suas estimativas, ainda não compraram o equipamento necessário para atualizar o serviço, informou a agência de notícias local Kyodo.

A televisão digital terrestre começou a operar em Tóquio, Osaka e Nagoya (centro do Japão) em 2003 e se estendeu a todo o país ao longo de 2006.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Opinião: A falta de mão-de-obra na área digital

Por Mariana Ditolvo, no M&M Online

Os números do Projeto Inter-Meios mostram que a internet é o meio que mais cresce seu faturamento publicitário no Brasil nos últimos anos. No primeiro semestre de 2010, o salto foi de 36,7% frente ao mesmo período do ano passado, totalizando R$ 539,2 milhões, o que lhe dá uma fatia de 4,3% do bolo nacional. As perspectivas para o futuro nem de longe passam por queda ou estabilidade, uma vez que o amadurecimento da internet vem atraindo novos anunciantes e verbas cada vez mais robustas daqueles que já têm como prática a utilização do meio.

Ao mesmo tempo em que esse cenário é celebrado, porém, um problema assola o mercado digital: a escassez de profissionais que dominem ou estejam comprometidos em desbravar o universo da publicidade online. Segundo Luciana Bastos, diretora da área voltada ao recrutamento digital da The Talent Business, os problemas para contratação estão em todas as disciplinas e abrangem os mais variados níveis de experiência, sendo que os cargos que exigem maior maturidade apresentam demanda mais latente.

“Capacidade de liderança e habilidade para gerenciamento de conflitos são algumas das características cada vez mais necessárias e mais difíceis de serem reunidas em um profissional”, comenta. “Isso se deve em parte ao aumento no número de funcionários mais novos contratados para suprir a demanda imediata das agências”, explica.

Apesar disso, Luciana vê como positivo e inevitável o aumento de jovens profissionais na cadeia digital. Para ela, é preciso apenas que as agências e outros empregadores passem a investir pesado em capacitação para formar líderes no médio prazo. Sua opinião é compartilhada por César Paz, presidente da Associação Brasileira das Agências Digitais (Abradi) e da AG2 Publicis Modem.

Segundo ele, se não for feito um trabalho de base com esses jovens talentos, muito em breve os salários pagos a pessoas sem a experiência desejada chegarão a níveis tão absurdos a ponto de encarecerem os serviços prestados e prejudicarem o desenvolvimento sustentável do setor. “As agências digitais crescem, em média, 30% ao ano. Não há desemprego nesse setor, sendo que qualquer agência de médio porte tem entre 10 e 15 vagas em aberto. Nesse cenário, a rotatividade é inevitável e alterá-lo exige menos apelo salarial e mais propostas diferenciadas de projetos e desafios”, acredita Paz.

Para Vinícius Reis, CEO da Euro RSCG 4D Brasil, a falta de equilíbrio entre competência e salário vem se tornando o grande desafio para a ampliação de sua equipe. “Carrego comigo a pesquisa da Abradi sobre cargos e salários para ter coerência na hora de contratar. O problema é que, com frequência, não consigo me distanciar dos valores máximos impressos no levantamento”, conta. “Trata-se de um círculo vicioso em que os seniores são muito valorizados e escassos, o que acaba encarecendo toda a cadeia com profissionais intermediários e juniores. Isso acarreta em uma dificuldade até mesmo para recrutar gente nova e formar mão de obra”, acrescenta Reis.

Sobram oportunidades

Arquitetos de informação, programadores, gerentes de projetos, analistas de search marketing. Para todos esses cargos existem demandas não atendidas. No entanto, entre os inúmeros postos que sofrem com carência de mão de obra especializada, a bola da vez no mundo online é o profissional dedicado ao planejamento.

“Uma pessoa capaz de pensar a comunicação de maneira estratégica mesclando visões dos mundos on e off-line, mas tratando o digital como centro da comunicação está muito difícil de encontrar. Além disso, o mercado digital precisa cada vez mais de profissionais apaixonados pelos problemas do cliente e que estejam preparados para pensarem suas carreiras no médio prazo”, acredita Fabiano Coura, diretor de planejamento da R/GA.

Para o executivo, existe ainda uma quantidade razoável de profissionais empregados e não satisfeitos com o que fazem. “Encontrar essas pessoas que, no geral, são movidas pelo desafio e pela vontade de fazer o mercado evoluir pode ser uma fórmula de sucesso diante desse cenário”, afirma.

Outra agência de renome internacional recém-chegada ao mercado nacional, a Razorfish está em constante processo de busca por mão de obra. Para Fernando Tassinari, diretor geral da operação brasileira, porém, as dificuldades em encontrar profissionais ainda não têm sido alarmante a ponto de fazer a “roda travar”. “Fazemos as escolhas muito baseadas em indicação. Claro que os processos de recrutamento não são rápidos e precisam ser bem pensados, mas estamos também dispostos a desenvolver os talentos que aparecem”, conta Tassinari.

De acordo com Ari Meneghini, diretor executivo do IAB Brasil, todos os dias a entidade recebe ligações de pessoas em busca de recomendações para vagas em aberto. Há também uma grande quantidade de executivos empregados em busca de novos desafios. Tendo isso em vista, o IAB trabalha em uma ferramenta para fazer a ponte entre candidatos e empregadores funcionando como um banco de currículos do setor.

“Anunciantes também estão em busca de pessoas para fazerem a interface com as agências digitais e que entendam o mercado. Isso também vem aumentando a concorrência por talentos”, comenta Meneghini. “É por isso que essa gestão tem como prioridade as parcerias com escolas e universidades como forma de auxiliar na formação de mão de obra”, coloca.

terça-feira, 25 de maio de 2010

STF julga na 5ª feira decreto da TV digital

Por Jacson Segundo, do Observatório do Direito à Comunicação

Está marcado para esta quinta-feira (27) o início do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade do Decreto 5.820 de 2006, que estabeleceu o Sistema Brasileiro de TV Digital e as regras para a digitalização da principal mídia do país. A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 3944) foi protocolada em 21 de agosto de 2007 pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e contesta quatro artigos do decreto. O caso tem como relator o ministro Carlos Ayres Britto.
A principal motivação da ação é a avaliação de que o decreto em questão mantém as bases para a concentração da propriedade das emissoras de TV no país. Neste sentido, o PSOL questiona principalmente os artigos que consignaram aos atuais concessionários de televisão novos canais digitais. A consignação foi feita sem que fossem abertos a um processo licitatório para outros possíveis interessados em prestar o serviço, além de não terem seguido os trâmites previstos na Constituição para a concessão de serviços de radiodifusão.
Em 19 de junho de 2009, a Procuradoria Geral da República (PGR) entrou no debate e emitiu um parecer considerando procedente a ação de inconstitucionalidade. A PGR corrobora o argumento presente na ADI de que a digitalização não é apenas uma atualização do atual serviço de radiodifusão. Para além disso, trata-se da configuração de um novo serviço que cria, por exemplo, a possibilidade de transmissão de dados – permitindo interatividade direta com o telespectador – e a recepção móvel do sinal. Sendo assim, a transmissão em sinal digital teria de ser considerada como um serviço diverso da transmissão analógica, para o qual seria necessário nova outorga de concessão de canais.
A Procuradoria defende também que a outorga dos novos canais surgidos com a digitalização da TV deveria seguir o rito atual de renovações e concessões, sendo examinadas pelo Poder Executivo e Legislativo, nos termos do Artigo 223 da Constituição.
O parecer da PGR questiona ainda a falta de transparência durante o momento da escolha, pelo governo brasileiro, do padrão japonês como base tecnológica do SBTVD. Relatórios explicando a sociedade os motivos da adoção de tal modelo deveriam ter se tornado públicos e não foram, o que violaria o direito à informação dos atos da Administração Pública.
Outras três entidades sociais endossam a ADI, na condição de Amicus Curiae. São elas: Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, Conectas Direitos Humanos e Instituto Pro Bono.
Por sua vez, o governo tem defendido que as novas outorgas dos canais digitais – que em um mesmo espaço de 6 Mhz podem transmitir até oito programações – foram consignadas aos atuais radiodifusores porque não constituem novas concessões, mas meros ajustes nas concessões em vigor, em razão da implementação da nova tecnologia.
Defendem a constitucionalidade do decreto, também com o instrumento do Amicus Curiae, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra), Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (Fórum SBTVD) e Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Agenda Digital: investimento na economia digital é chave para futura prosperidade da Europa

Enviado de Lisboa por Martins Morim

De acordo com o relatório da Comissão Europeia sobre a competitividade digital, hoje publicado, a economia digital da Europa está a crescer vigorosamente, disseminando-se por todos os sectores de actividade e chegando a todos os domínios da nossa vida.
As tecnologias da informação e da comunicação (TIC) impulsionaram metade do crescimento da produtividade na Europa ao longo dos últimos 15 anos. Seis europeus em dez utilizam regularmente a Internet. No entanto, se quiser aproveitar plenamente os benefícios potenciais da economia digital, a Europa deve intensificar os seus esforços e oferecer uma banda larga de débito mais elevado e uma Internet em que as pessoas confiem, melhorar os níveis de competência dos cidadãos e estimular ainda mais a inovação nas TIC.
A Comissão Europeia vai propor medidas específicas nestes domínios com a sua Agenda Digital para a Europa, um dos emblemas da estratégia Europa 2020, a lançar em breve.

Motor-chave da economia
O relatório identifica o sector das TIC como um dos motores-chave da economia europeia. Desde 1995, as TIC impulsionaram metade dos ganhos de produtividade na União Europeia, graças ao progresso tecnológico e aos investimentos no sector.
Os dados relativos a 2004-2007 indicam que este investimento começou, mais recentemente, a gerar ganhos de eficiência no resto da economia. O valor acrescentado do sector das TIC na economia europeia é de cerca de 600 mil milhões de euros (4,8% do PIB).
O sector justifica 25% dos investimentos comerciais totais em I&D na UE. Todavia, os benefícios resultantes das TIC são maiores nos Estados Unidos. A Europa carece de reformas estruturais e de uma agenda digital coerente, para desencadear impactos similares.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Inglaterra: The Sun terá edição em 3D antes da Copa

Do M&M Online

O jornal britânico The Sun vai publicar uma "edição 3D", com anúncios publicitários e páginas editoriais coloridas e em terceira dimensão, com lançamento uma semana antes do começo da Copa do Mundo. Uma das atrações, inclusive, será uma tabela de jogos do evento. É a primeira vez que um jornal de relevância nacional adotará este formato.Pela iniciativa, os leitores receberão óculos 3D junto com o jornal. Sabe-se que os anunciantes precisarão investir mais do que o normal se quiserem um anúncio colorido em 3D. A ação será precedida por uma campanha de TV anunciando a novidade.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Rádio digital: governo pode adotar dois sistemas no Brasil

Fonte: Valor Econômico, em 18/02/10

O governo federal poderá adotar os dois modelos em avaliação como padrões de rádio digital, apesar do país estar fazendo testes comparativos entre o americano, conhecido como In-band on-channel (Iboc), e o europeu, o Digital Radio Mondiale (DRM. Diferentemente do que ocorreu com a TV digital - em que o modo japonês foi o único escolhido -, os dois modelos de rádio digital poderiam coexistir com viabilidade econômica, embora comercialmente um deva se sobrepor ao outro. Politicamente, a saída agradaria tanto às emissoras que já investiram no modelo Iboc, quanto aos partidários do modelo DRM, que é livre de royalties.
Para tomar esta decisão, o Ministério das Comunicações avalia a publicação de uma portaria com parâmetros que não restrinjam o mercado a um só modelo. O ministro Hélio Costa quer resolver a questão antes de deixar o governo, até o fim de março.
O único fabricante americano do Iboc, que já fornece sistemas digitais a emissoras brasileiras, é o consórcio Ibiquity, que cobra royalties pelo uso. Algumas das 4,5 mil emissoras comerciais de AM e FM já adquiriram equipamentos para migrar do modelo analógico para o digital. A principal vantagem do Ibiquity é a certeza das emissoras em digitalizar- se mantendo o mesmo canal (número no dial). Mas governo e empresas têm restrições quanto aos royalties cobrados.
Um grupo de técnicos e universidades ainda mantém os estudos do modelo DRM. Se os testes provarem que o modelo europeu também permitirá que as rádios mantenham os canais de transmissão - questão pétrea para as emissoras -, então a discussão comercial esquentará, porque o modelo europeu não cobra royalties. O problema, porém, seria que as empresas que compraram o Ibiquity já gastaram, em média, R$ 150 mil pelos equipamentos, e, portanto, preferem o modelo americano. Nos testes já encerrados, o Ibiquity teve problemas de eficácia em ondas médias (AM) e curtas (OC e OT). Para FM, são perfeitos.
Pode não ser viável economicamente, contudo, produzir receptores de rádio que aceitem os dois modelos, Ibiquity e DRM. Por isso pode haver segregação entre os aparelhos receptores AM/FM e os específicos para ondas curtas.
No caso das ondas curtas, o DRM já provou ser mais vantajoso, com grande ganho de qualidade de som e livre das frequentes interferências na banda. A aceitação pelo governo dos dois modelos poderia permitir que essas emissoras de OC e OT transmitissem em sistema diferente das AM/FM. Daí a possibilidade de coexistirem ambos os modelos de rádio digital no país. A hipótese não é absurda, haja vista que existe hoje, no Brasil, 1,5 aparelho receptor de rádio por pessoa e que as ondas curtas têm um mercado bastante específico.
Como o sistema de rádio digital é, em termos gerais, mais barato que o da TV digital - em que foi definido o padrão japonês -, a possibilidade de haver mais de um modelo não restringiria o potencial econômico para ambos os sistemas conviverem. No caso da TV, a multiplicidade de modelos reduziria perspectivas de crescimento e exportação de infraestrutura e aparelhos receptores para países vizinhos.
Antes férrea defensora do Ibiquity, a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) espera o encerramento dos testes do DRM para apresentar sua posição final. "A única posição em que a associação é irredutível sobre a rádio digital hoje é a previsão de as emissoras manterem o mesmo canal de transmissão", diz Luis Roberto Antonik, diretor-geral da Abert. "Defendemos essa ideologia e não necessariamente um padrão"
Pela rádio digital, o usuário poderá ter, além de maior qualidade de som, serviços agregados, como a possibilidade de ouvir podcasts, interagir na programação e receber imagens e informações no visor do aparelho.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Abertas inscrições para III Conferência de Comunicação e Tecnologias Digitais

A III Conferência Brasileira de Comunicação e Tecnologia Digitais, que será realizada em 16 de outubro de 2009, na Universidade de Brasília, está com inscrições abertas para a submissão de trabalhos. O tema escolhido para este ano é: "As tecnologias digitais e a comunicação do século XXI". A programação completa será divulgada em breve em sítio dedicado ao evento.
O texto deve ser encaminhado completo, contendo de 20 mil a 35 mil caracteres (com espaços), em formato .doc ou .rtf, já inclusas as referências bibliográficas (padrão ABNT) e eventuais notas de rodapé. Deve conter título, resumo de até 10 linhas e 5 palavras-chave (em português, inglês e espanhol), seguidos de minicurrículo do(s) autor(es) em até 3 linhas, com vinculação institucional e contato eletrônico. O texto deve ser formatado em fonte Times New Roman, corpo 12, entrelinhamento 1,5. Citações com mais de três linhas devem ser redigidas recuadas em corpo 10, espaço simples.
Cada autor pode submeter um trabalho (comunicação individual) e uma co-autoria (comunicação coordenada). Os textos devem ser inéditos. Trabalhos de graduandos só serão aceitos em regime de co-autoria com graduados.

Prazos e seleção

Os textos devem ser encaminhados de 1 de setembro a 2 de outubro de 2009 exclusivamente por meio do endereço eletrônico poscom@metodista.br. Não haverá prorrogação de prazo e a submissão é gratuita. As comunicações que estiverem de acordo com as normas serão avaliadas em seu mérito científico por pareceristas indicados pela comissão organizadora, que observarão a adequação ao tema e a relevância científica. Os trabalhos selecionados serão divulgados no dia 5 de outubro.
A III Conferência Brasileira de Comunicação e Tecnologias Digitais é uma realização do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) e do Programa de Pós-graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo.