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domingo, 29 de maio de 2016

Na América Latina, 80% escutam rádio pela internet ao menos uma vez por semana

Pesquisa analisou realidade do Brasil, México, Colômbia, Argentina e Peru.

Oito em cada dez pessoas escutam rádio pela internet pelo menos uma vez por semana. Esse dado faz parte de uma pesquisa sobre o mercado e o consumo de rádio tradicional, rádio pela internet e áudio digital realizado pela Audio.ad no Brasil, México, Colômbia, Chile, Argentina e Peru.
Dos cinco mil entrevistados, 94% escutam áudio digital, seja rádio online, serviços de streaming ou outras mídias online. Além disso, 46% dos entrevistados consome áudio digital quando navegam ou quando estão trabalhando. Com relação à visualização, 46% dos que escutam rádio na internet compartilham conteúdos e interagem em redes sociais enquanto estão escutando.
E os PCs ainda são o meio através do qual a maioria (52%) consome o conteúdo. Os smartphones são a opção de 45% e os tablets para 19%. Um ouvinte padrão escuta, pelo menos, 10 horas de áudio digital por semana. A faixa etária de 35 a 44 representa 49% dos entrevistados, enquanto 33% têm idade entre 18 e 34 anos e 18% com mais de 45 anos.
Entre os conteúdos mais consumidos estão música (65%), notícias (33%) e esportes (20%). A rádio é considerada uma parte importante de suas vidas para 97% dos entrevistados. Enquanto isso, 50% esperam escutar mais rádio durante 2016.
Os serviços de streaming mais populares entre os entrevistados são Spotify, representando 32% das opiniões, Soundcloud (24%) e Deezer (22%). De acordo com a pesquisa, seis em cada dez entrevistados consome áudio através de serviços de streaming de música.
Comércio

A influência que o rádio exerce na vida dos consumidores também foi analisada. Com isso, 63% compram dois e cinco produtos divulgados pelo rádio por ano. Para 55%, pelo menos um produto anunciado pelo rádio no último ano foi comprado. Os eletrônicos (51%) são os produtos/serviços de maior interesse para o consumidor de áudio digital.  Na sequência estão moda e acessórios (39%), eletrodomésticos (35%), entradas para eventos (33%) e passagens (31%). A publicidade na rádio pela internet, por sua vez, não é considerada excessiva para 90% dos entrevistados.

domingo, 24 de novembro de 2013

Sistema Brasileiro de Radio Digital é tema de conferência, no Rio

De 26 a 28 de novembro, acontecerá na PUC-Rio a Conferência Internacional Espectro, Sociedade e Comunicação 2 (ESC2). O foco do evento será o futuro Sistema Brasileiro de Radio Digital (SBRD) e as possibilidades de interatividade desse meio. O evento inclui sessões de apresentação de artigos, oficinas práticas de rádio digital e mesas de debate.

A Conferência acontece em um contexto de discussões fundamentais para o futuro do rádio no Brasil. O momento é de construção do SBRD e o ponto central é a escolha por um padrão técnico. Uma escolha entre o sistema Digital Radio Mondiale (DRM), desenvolvido por um consórcio aberto com membros de todo globo, e o sistema HD Radio, propriedade de uma empresa estadunidense. Diante desse panorama, o ESC2 reúne pesquisadores do Brasil e da Europa buscando, por meio das experiencias trazidas pelos participantes, fomentar as discussões em torno do desenvolvimento e regulamentação do SBRD.
 
   

A exemplo que aconteceu com o processo de adoção da TV digital, a implementação do sistema digital de rádio trará novas possibilidades para o meio radiofônico no país. A digitalização do sistema otimizará a ocupação do espectro eletromagnético, permitindo o aumento do número de emissoras, além da possibilidade da multiprogramação e da interatividade para o ouvinte. O Brasil já adotou para a TV digital o Ginga, uma sistema 100% nacional que permite a transmissão e execução de aplicativos interativos no receptor. A Conferência contará com palestras e oficinas de pesquisadores da PUC-Rio especialistas em Ginga, que irão discutir as possibilidades de interatividade para o rádio digital brasileiro.
  

Ou seja, assim como na TV digital, a implementação do sistema digital irá trazer para o meio do rádio várias funcionalidades já conhecidas pelo ouvinte na internet. É por isso que não se deve confundir rádio digital com webrádio, que são transmissões, ao vivo ou não, de programas sonoros pela internet. A diferença fundamental entre webrádio e rádio digital está no meio de transmissão. As webrádios funcionam na internet, na estrutura de cabos óticos e telefônicos, propriedade de empresas de comunicação. Já o rádio digital continuará funcionando por meio de ondas eletromagnéticas, emitidas e captadas no espectro radioelétrico, bem comum dos cidadãos. O rádio digital é uma evolução do rádio como conhecemos.  
   

Esse assunto ganha ainda mais relevância diante do cenário legal que propicia. Atualmente discussões sobre as novas possibilidades de regulamentação são intensas tanto no Brasil como em outros países da América Latina. Na Argentina, por exemplo acaba de ser aprovada a Lei de Mídia que limita as propriedades cruzadas de meios de comunicação por grandes conglomerados de mídia. Recentemente o Governo Federal brasileiro decretou a migração das rádios AM para FM, aumentando a ocupação dessa faixa de frequência. Um projeto de lei de iniciativa popular da comunicação social eletrônica, conhecido como “Lei da Mídia Democrática”, está em plena discussão nas Comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, Cultura e Educação do Congresso Nacional. Tal projeto propõe uma nova lei geral de comunicação buscando garantir mecanismos democráticos de regulamentação dos meios. Junto com a proposta do Marco Civil da Internet, esses projetos constituem início de amadurecimento nessa área no Brasil, que ainda está em uma estágio muito atrasado.
   
   
PROGRAMAÇÃO
Terça, 26 de Novembro de 201309h00-09h30    Inscrição
0
9h30-10h10 


Mesa de Abertura * Prof. Dr. Luiz da Silva Mello – Decano do CETUC * Dr. Marcio Ferreira Moreno – Telemídia, PUC-Rio * Pedro Martins – Amarc Brasil * Prof. Dr. Pedro Peixoto Ferreira – Unicamp
1
0h10-11h40 



Oficina I – Demonstração de rádio digital utilizando o padrão Digital Radio Mondiale e recursos como multiprogramação * Rafael Diniz – Telemídia, PUC-Rio * Msc. Friederike Maier – Leibniz University of Hannover – LUH, Germany
1
1h40-12h00    Coffee Break
1
2h00-13h00 


Palestrante Convidado Contribuições da academia nacional para os sistemas brasileiros de TV e rádio digitais * Prof. Dr. Luiz Fernando Gomes Soares – PUC-Rio
1
3h00-14h30    Almoço
1
4h30-15h30    Apresentação de Artigos I – Legislação e Direito à Comunicação
1
5h30-16h00    Coffee Break
1
6h00-18h30 


Sessão Técnica I – Legislação e Direito à Comunicação
A
s leis de comunicação atuais inseridas no contexto do direito à comunicação e os critérios devem estar presentes em uma nova lei dos meios no Brasil * Ms. Arthur William – AMARC * Dr. Octavio Pieranti (video conferência) – Ministério das Comunicações * Profa. Dra. Nélia Del Bianco – Un* Mario Celso Sartorello – Arpub, EBC * Prof. Dr. Marcos Dantas – ECO-UFRJ Moderação: Prof. Dr. Pedro Peixoto Ferreira – Unicamp
Q
u
arta, 27 de Novembro de 2013
09
h00-10h00 

Apresentação de Artigos II – Interatividade e inovação no Rádio Digital / Regulamentação, Uso e Compartilhamento do Espectro
10h
00-10h30    Coffee Break
10h
30-13h00 


Sessão Técnica II – Interatividade e Inovação no Rádio Digital 
De
 que forma o Rádio Digital irá mudar o rádio como conhecemos com a introdução de novas ferramentas como interatividade, multiprogramação, som surround, alerta de emergência, distribuição de informações do tráfego rodoviário, redes de frequência únicas e outras. 
Prof. Dr. Rafael Evangelista – Labjor - Unicamp 
Prof. Dr. Guido Lemos – UFPB 
Msc. Friederike Meier – Leibniz University of Hannover 
Bráulio Ribeiro – Radio Nacional da Amazônia EBC 
Me
diação: Rafael Diniz – Telemidia PUC-Rio
13h00-14h30    Almoço
14h
30-16h00 


Oficina II – Mini-curso de desenvolvimento para o Ginga-NCL e possibilidades de interatividade no Rádio Digital 
Laboratório Telemídia, PUC-Rio
16h
00-16h30    Coffeebreak
16h
30-17h30 


Grupo de Trabalho – Regulamentação, uso e Compartilhamento do Espectro 
Im
plementações abertas de rádio digital, rádio digital nas distintas bandas de radiodifusão (OM, OT, OC e VHF), canal de retorno e o rádio como meio de difusão de conteúdo digital. 
Co
ordenador: Francisco Caminati – Unicamp 
Re
lator: Silvio Rhatto – Sara
Qui
n
ta-feira, 28 de Novembro de 2013
09h0
0-11h30 


Sessão Técnica III – Regulamentação, Uso e Compartilhamento do Espectro 
No c
ontexto da necessidade de se democratizar o acesso aos meios de comunicação, da realocação de canais de rádio, tv e telefonia móvel, possibilidade do uso de 20kHz para os canais digitais na faixa do AM e 100kHz para VHF, quais são os pontos críticos de uma política que permita uma nova canalização e compartilhamento do espectro. 
* Síl
vio Rhatto – Saravá 
* Prof. Dr. Sérgio Amadeu – UFABC * Ms. Thiago Novaes – UnB 
*
 DrFrancisco Caminati – Unicam
Mode
ração: Prof. Dr. Pedro Peixoto Ferreira – Unicamp
11h30
-12h00    Coffeebreak
12h00
-13h00 


Grupo de Trabalho – Espectro Livre e o novo marco legal das comunicações no Brasil 
Coor
denador: Ms. Thiago Novaes – UnB 
Relator: Prof. Dr. Pedro Peixoto Ferreira – Unicamp
13h00
-14h30    Almoço
14h30-16h00    Apresentação dos Resultados dos GTs
16h00
-16h30    Coffee Break
16h30
-18h30 


Mesa de encerramento 
Prod
ução da carta da conferencia endereçada ao Conselho Consultivo do Rádio Digital (CCRD) - MINICOM

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Opinião: Roceiro também é gente, tem direito de ouvir o rádio

Por José Carlos Sigmaringa*
O boletim da associação que reúne os grandes empresários da comunicação no país, a ABERT, anuncia com entusiasmo a decisão da presidente Dilma de assinar, no próximo dia 7, decreto permitindo a migração das emissoras de rádio AM para a faixa de FM. Elas passarão a utilizar as frequências de áudio usadas pelos canais 5 e 6 da TV que serão desativados com a digitalização das emissões de televisão.
Essa é uma reivindicação antiga dos empresários das rádios AM que viram os seus lucros minguarem após a proliferação das FM que conseguem melhor qualidade de áudio nas suas transmissões.  Essa decisão poderá retirar das populações rurais e moradores de pequenos municípios do interior o direito ao acesso a esse democrático meio de comunicação, o rádio.
As emissoras AM (que transmitem em amplitude modulada) nas faixas de OM (ondas médias, popularmente conhecidas como AM) OT (ondas tropicais) e OC (ondas curtas) têm como característica principal conseguir propagar o seu sinal a longas distâncias, através da reflexão das ondas sonoras na ionosfera.
Quem mora nesse vasto interior do Brasil só consegue ouvir rádio, durante o dia, se a emissora transmitir em OT ou OC e à noite também as OM que, na ausência da interferência da radiação solar, adquirem a capacidade da OC de refletir o sinal na ionosfera, atingindo grande área de cobertura.
Por mais que se diga que o Brasil se modernizou, essa modernidade não chegou ao interior do país. Para se locomover, o homem da roça tem que utilizar estradas vicinais que mais se parecem caminhos de carro de boi. Apesar das promessas dos 3 últimos presidentes (FHC, Lula e Dilma) o Programa Luz para Todos não conseguiu iluminar vastas áreas rurais das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O telefone celular só chegou às sedes dos pequenos municípios, deixando mudas as áreas rurais, que por apresentarem baixa densidade demográfica e moradores de baixa renda não despertam interesse das operadoras. Internet, então, é coisa impensável. Nesse cenário sobra apenas o bom e velho rádio AM a pilha para o sertanejo receber notícias do mundo distante e até mais próximo, além de ser uma das poucas formas de lazer ao seu alcance.
Quando estava no ar, a Rádio Senado Ondas Curtas, por exemplo, transmitia com assiduidade recados de secretarias de saúde de pequenos municípios do Tocantins, Maranhão e Piauí, Pará, Mato Grosso, Norte de Minas etc, avisando aos moradores da zona rural para que se dirigissem a determinado povoado, em dia determinado, porque haveria atendimento médico ou vacinação. Ou avisando aos professores da zona rural para se dirigirem à sede do município em tal data para participar de reunião. Sem o rádio, como o administrador faria para se comunicar com essa população se elas não têm acesso a outro meio de comunicação?
As últimas estatísticas revelam que a população rural do nosso país está em torno de 17 por cento, isso dá um contingente de cerca de 34 milhões de pessoas. É certo que nem toda a população rural brasileira vive a situação de isolamento descrita anteriormente, mas quantos milhões de brasileiros ficarão sem acesso ao rádio se houver essa migração maciça das emissoras OM para FM?
As emissoras comunitárias não preenchem essa lacuna. Por terem sido pensadas para atingir apenas um bairro de uma grande cidade, elas são de baixa potência e, onde elas existem, não cobrem a zona rural do município.
Que os empresários de comunicação não queiram transmitir com prejuízo para populações com baixo nível de renda e consumo é até compreensível, mas um governo que se diz democrático e popular não pode governar pensando apenas nos poderosos e tem obrigação de proteger os direitos dos mais desvalidos, isolados e sem poder de pressão social. Essa população ficará à margem de informações relevantes para o exercício da cidadania.
O pior é que essa mudança de faixa de freqüência é fruto de uma postura mesquinha e acomodada que não investe em inovação e pesquisa tecnológica. O que faz as emissoras AM terem a capacidade de cobrir grandes áreas geográficas é a faixa de frequência e não o modo de transmissão - amplitude modulada (AM) ou frequência modulada (FM).
As emissoras FM em operação no país transmitem na faixa de 87,8 MHz a 108 Megahertz. Os donos das emissoras OM querem migrar para a faixa de FM situada logo abaixo, entre 76 a 87,6 MHz. As emissoras AM (OM, OT e OC) funcionam em frequências mil vezes inferior na faixa de Kilohertz (de 525 KHz a  26.100 kHz) e é essa frequência mais baixa que dá a elas a capacidade de transmitir o sinal a longas distâncias. Em tese, essas emissoras poderiam passar a transmitir em FM nas mesmas faixas de frequência das atuais AM. Se assim procedessem as interferências nas transmissões diminuiriam sensivelmente e elas manteriam a capacidade de transmitir a longas distâncias.

A digitalização das transmissões de rádio também contribuiria para diminuir significativamente a interferência de ruídos provocados pelas redes elétricas no áudio das emissoras.  Mas, misteriosamente, o governo já aprovou e implantou o sistema brasileiro de TV digital, que é tecnologicamente mais complexo, e não se decidiu por um sistema digital para o rádio.

A digitalização das transmissões de rádio está parada aguardando o desenlace de uma luta renhida. A ABERT luta para submeter o país a um sistema de rádio digital de propriedade de uma empresa privada americana, o sistema IBOC. Outros setores preferem o DRM – Digital Radio Mondiale - desenvolvido por um consórcio formado por empresas, pesquisadores e fabricantes de diversos países, liderado por europeus.

Como o Brasil é um país totalmente dependente de tecnologia importada nenhuma voz importante se levantou, até agora, para defender o desenvolvimento de um sistema brasileiro que atenda às necessidades nacionais e que não tenha que pagar royalties ao exterior.

Como repórter de rádio há 34 anos e roceiro, membro do Jalapão profundo, conclamo a presidente Dilma e o ministro Paulo Bernardo a não permitir que a população mais desassistida do Brasil, que já não têm acesso a estradas, saúde, educação, telefone ou luz elétrica seja condenada a ficar, também, sem rádio, privada do meio mais democrático de comunicação. Nem só de bolsa família vive o homem do campo.


* Radiojornalista e servidor público federal. 




domingo, 13 de maio de 2012

Rádio digital é tema do 26º Congresso Brasileiro de Radiodifusão


Um dos principais temas a serem tratados no 26º Congresso Brasileiro de Radiodifusão, que acontece em Brasília, de 19 e 21 de junho, será a migração e a digitalização da Rádio AM. Levando-se em conta que os receptores de rádio, em geral, contemplam AM e FM, e que há no país cerca de 1.800 emissoras AM, é necessário que a escolha do padrão de rádio digital considere a operação nos módulos analógico e digital desde o início de sua implantação ou a possibilidade de migração das atuais estações AM para a faixa de FM. 
As possíveis soluções e os critérios para migração tecnológica serão o centro do debate deste painel intitulado "Uma visão estratégica do rádio no Brasil" no qual um dos palestrantes será o Secretário de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Genildo Lins. Participe. Para mais informações, acesse http://www.congressoabert.com.br/inscricao

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

México: Rádios aposentam transmissões em Ondas Médias

De Medioslatinos

Desde el año 2009 se lleva adelante en México un programa de migración instrumentado por el gobierno para integrar a las estaciones de radio que operan en frecuencia AM dentro de la Frecuencia Modulada (FM). Ahora se ha anunciado que se espera que la frecuencia AM desaparezca por completo hacia 2013 o 2014. dentro de los próximos cinco a ocho años.
El problema se presenta en algunas localidades, donde solamente existe cobertura de AM. En esos casos, el uso de esa frecuencia será determinado por el órgano regulador, pues cabe la posibilidad de que se logre implantar la tecnología digital en esta banda. La migración de AM a FM está teniendo consecuencias positivas en lo que hace a la transparencia en la asignación de frecuencias: Según el artículo citado, las frecuencias se solían entregar en forma discrecional. En el marco del plan de migración estas frecuencias deberán ser licitadas públicamente.

Información publicada en la revista mexicana Etcétera. Para más detalles haga click aquí.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Rádio digital: Brasil pode desenvolver seu próprio sistema

Por Marcello Larcher e Geórgia Moraes da Agência Câmara de Notícias

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse nesta terça-feira à Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática que é possível haver um sistema de transição na implantação da rádio digital no Brasil, com a existência de rádios analógicas e digitais, mas isso pode gerar custos e diminuir o espectro de transmissão em vez de duplicá-lo, como é possível em um sistema puramente digital.

Segundo o ministro, o objetivo do governo é adotar um sistema de transmissão digital para o rádio cujos transmissores e receptores sejam produzidos no próprio País. Para o governo, o baixo custo dos equipamentos também é prioridade. Paulo Bernardo não descarta uma solução nacional que possa ser adotada também pelos países vizinhos.

"Nós fizemos isso com a TV Digital. Houve uma negociação com o Japão. Incorporamos algumas mudanças tecnológicas, e esse modelo é vitorioso. Praticamente todos os países da América do Sul o adotaram; acho que só a Colômbia até agora não decidiu por ele", disse.

Demora na definição
O ministro foi questionado pelo deputado Sandro Alex (PPS-PR), que é relator da Subcomissão Especial de Rádio Digital, vinculada à comissão. O parlamentar manifestou preocupação com a demora na adoção de um modelo, o que, segundo ele, atrasa a instalação de novas tecnologias no Brasil.

Paulo Bernardo esclareceu, no entanto, que se a decisão fosse tomada hoje, o sistema escolhido seria o norte-americano que será testado a partir deste ano. O ministro afirmou, porém, que a baixa adesão da população à tecnologia nos Estados Unidos e o preço dos receptores vão influenciar a decisão brasileira. Hoje, o modelo de rádio digital mais barato nos Estados Unidos custa 49 dólares (R$ 78,40).

“Há restrições quanto ao custo do aparelho, mas ele é mais barato que o europeu. Existem, no entanto, dificuldades de espectro, muitos aparelhos podem ficar obsoletos, e essa é uma questão para ser resolvida no Congresso”, reafirmou.

Sistema híbrido
Para o relator da subcomissão da Câmara destinada a acompanhar a decisão do governo, deputado Sandro Alex, o melhor caminho para o Brasil é um sistema híbrido. "O problema da escolha americana é que é um sistema fechado. O Brasil fica refém desse modelo", disse.

O Brasil tem hoje mais de 9,1 mil rádios que poderão se digitalizar melhorando a qualidade do áudio transmitido e fornecendo informações multimídia como textos e imagens para receptores com visores de cristal líquido. O ministro Paulo Bernardo alertou para a necessidade de incluir na digitalização quase metade dessas emissoras que são pequenas rádios comunitárias.

O ministro se comprometeu a enviar à comissão informações sobre os testes que já foram feitos pela pasta com sistemas digitais de radiodifusão. A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) disse que a falta de informações sobre esses testes tem gerado insegurança no setor, principalmente nas rádios comunitárias. “Talvez o ministério pudesse socializar as informações sobre os testes em andamento em um site”, sugeriu.

O deputado Manoel Junior (PMDB-PB), que preside a Subcomissão Especial do Rádio Digital, lembrou que o colegiado foi convidado para participar, no próximo dia 1º, de um seminário sobre o assunto no edifício sede da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). No encontro, ressaltou o parlamentar, o ministério poderá explicar em detalhes o que está sendo analisado.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Seminário debate rádio digital

O Ministério das Comunicações promove quinta-feira, dia 1º, um seminário sobre a implantação do sistema de rádio digital no Brasil. O evento vai reunir representantes do governo federal, do setor de radiodifusão, de empresas de tecnologia, de universidades e também da sociedade. Para fazer a inscrição, os interessados deverão preencher o formulário disponível no sítio do Minicom, no endereço.
O Brasil ainda faz testes com as diferentes tecnologias, principalmente com os modelos norte-americano e europeu, para definir qual sistema de transmissão digital será adotado no País, segundo o Minicom.

Durante o seminário, deverão ser discutidos temas como funcionamento e uso de padrões de sistemas, com destaque para as implicações práticas para radiodifusores; propriedade intelectual, royalties e exploração de marcas e patentes; impactos na gestão do espectro de radiofrequência. O evento será realizado no edifício-sede dos Correios, em Brasília, das 8h30 às 18

sábado, 2 de julho de 2011

Padrão de TV Digital nipo-brasileiro pode ser usado no rádio

Por Marcelo Kischinhevsky
Os japoneses começam a vender seu peixe. É um absurdo que o Brasil não cogite, para o rádio, a adoção do padrão já escolhido pelo país para a TV digital, o que permitiria a efetiva convergência. Isso livraria a população de ter que comprar dois receptores que não conversam entre si (e ainda por cima são caríssimos).
O problema é que as emissoras teriam que investir em novas frequências, daí a predileção pelo péssimo IBOC/HD Radio americano. O sistema dos EUA é tão ruim que as AMs americanas desligam o transmissor digital à noite (quando há mais interferências) e operam só com o analógico.
Depois se surpreendem que o público está migrando para a internet e prefere ouvir rádio on-line, mesmo com som achatado do mp3.


Wikileaks: Hélio Costa garantiu aos norte-americanos adoção de padrão dos EUA de rádio digital como 'consolação'

Do Opera Mundi

Um telegrama obtido pelo Wikileaks indica que o ex-ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB-MG), prometeu aos Estados Unidos adotar o modelo de rádio digital daquele país como espécie de prêmio de consolação após a vitória do Japão na disputa pelo padrão de TV digital.

O documento, emitido em 18 de setembro de 2006, mostra que a promessa foi feita em conversa entre o político mineiro e o então embaixador norte-americano, Clifford Sobel. "Costa disse que o Brasil procura investimentos tecnológicos e parceiros, e este aspecto teve papel decisivo na escolha do padrão japonês de TV digital em detrimento do padrão norte-americano", relata o telegrama,que, até então, apenas reproduzia aquilo que o ministro vinha repetindo à imprensa durante meses.

Em seguida, no entanto, é acrescida a seguinte informação: “Mas ele afirmou categoricamente que o sistema de rádio digital dos Estados Unidos será o escolhido pelo Brasil“. Mais adiante, o telegrama volta ao tema, então com mais detalhes. “Costa foi enfático em dizer que o sistema de rádio digital dos Estados Unidos será escolhido pelo Brasil, já que oferece claras vantagens sobre os competidores coreanos e europeus”.

A versão do ex-ministro

Em conversa por telefone, Costa negou que tenha dado essa garantia aos Estados Unidos. “O modelo que estava mais bem encaminhado era o de rádio digital norte-americano, mas precisávamos de discussão. Tanto que o ministério até hoje não tomou nenhuma decisão“.

O ex-ministro comentou que foram feitos testes do padrão dos Estados Unidos em São Paulo, mas deficiências técnicas fizeram com que não houvesse uma definição, apesar da pressão das emissoras de radiodifusão para que se adotasse rapidamente a tecnologia norte-americana. O principal problema é que o sistema sofria das mesmas deficiências apresentadas pelo modelo analógico em uso atualmente, com a formação de áreas de “sombra“ de frequência, ou seja, com falha de sinal.

No mesmo encontro, Sobel fez uma rápida análise da conjuntura eleitoral, já que Lula disputava a reeleição. Costa acreditava que o PMDB, o PT e outras siglas formariam uma liderança tranquila no Congresso, e chegou a oferecer uma articulação do embaixador com outros nomes de seu partido. “De fato, ele sugeriu numerosos encontros e jantares com líderes no Senado e com líderes de seu próprio partido. Nós vamos levar em conta essa influência para ganhar acesso a outros líderes do PMDB e em promover e defender ações dos Estados Unidos na comunicação e em áreas relacionadas”, relata o documento.

O ex-ministro não nega esta afirmação, embora discorde parcialmente do tom utilizado por Sobel. Ele lembra que o embaixador chegou a Brasília disposto a estabelecer uma forte articulação com líderes políticos, promovendo jantares e conversas. “Nunca um embaixador dos EUA teve contato tão próximo da classe política. Era uma relação excepcional.

A conversa está razoavelmente correta”. Costa conta que, além do encontro registrado em telegrama trazido à tona pelo Wikileaks, manteve várias reuniões com Sobel. Segundo o político, com a finalidade de demonstrar por que o padrão japonês de TV digital era o mais adequado ao que o Brasil desejava.

Todas as atenções

O tema mobilizou grande atenção na embaixada dos EUA em Brasília, que enviou a Washington dez telegramas a respeito entre 2003 e 2006. No começo do governo Lula, a embaixadora Donna Hrinak manifestava certa preocupação com a intenção do ministro Miro Teixeira em desenvolver um padrão brasileiro de TV digital.

O quadro melhorou com a chegada de Eunício de Oliveira ao Ministério das Comunicações, em 2004. Um fator complicador, relatava o peemedebista em conversa telefônica com o embaixador John Danilovich, era a linha de pensamento que defendia o modelo nacional de televisão. "Ele comentou que seria de grande auxílio para a campanha dos Estados Unidos se as empresas pudessem mostrar que planejam fabricar ou desenvolver alguns dos programas para TV digital no Brasil", comenta o telegrama postado em novembro de 2004 e tornado público pelo Wikileaks.

O caminho se desenhava aberto para o setor privado dos EUA, que disputava a condição de fornecedor com Japão e União Europeia. A indústria local, indicava o comunicado interno, pressionava para que se chegasse a um veredicto até 2005. A chegada de Hélio Costa ao ministério, em julho daquele ano, mudou o rumo das conversas.

Costa se posicionou abertamente favorável à adoção do padrão japonês, também o preferido da Rede Globo, da qual foi funcionário durante muitos anos. Os Estados Unidos passaram a se ancorar no contraponto oferecido pelo então ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. “Os comentários de Furlan são um contraponto ao repetido aval (de fato, uma advocacia) do ministro das Comunicações, Hélio Costa, a favor do padrão japonês (…) O tempo dirá neste caso”, anotava telegrama de agosto de 2006.

Outra esperança de Washington estava na versão, muito difundida pela imprensa, de que a palavra final estava com Lula e com sua ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Ela parece determinada a evitar a repetição da desastrosa escolha do Brasil pelo padrão PAL-M (feita na época da ditadura em torno da televisão a cores, o que se mostrou um erro em termos de custos)". Em março de 2006, o embaixador Danilovich anotava ainda que soava equivocada a versão de Costa de que Lula já tinha em mãos todos os dados necessários para tomar uma decisão.

Naquele momento, o ministro ponderava que o padrão japonês era o que melhor se adequava aos dispositivos móveis desejados para o desenvolvimento da TV digital. Outro ponto que ele utilizava em sua argumentação era o de que os asiáticos ofereceram melhores contrapartidas em investimentos na indústria nacional e em transferência de tecnologia.

"Tanto a embaixada quanto o consulado vão contar a nossos interlocutores que o governo pode facilmente ganhar acesso livre de impostos ao mercado dos Estados Unidos para componentes industrializados da TV digital", assinalava um comunicado interno.

Não deu certo. O padrão japonês seria mesmo o escolhido. Para Costa, a escolha foi acertada. "É tão eficiente que passamos para outros países da região, quase doze países. Temos hoje um sistema latino-americano de TV digital".

quarta-feira, 22 de junho de 2011

México inicia proceso de migração ao Rádio Digital

Do MediosLatinos

Durante una ceremonia celebrada en Los Pinos para la entrega de 75 refrendos de radio el Presidente mexicano Felipe Calderón anunció que todos los radiodifusores que así lo deseen, podrán iniciar el proceso de migración a la tecnología digital con el estándar IBOC. Durante el evento los radiodifusores mexicanos solicitaron al Presidente que los criterios de refrendos de las concesiones se eleven a rango de ley, y expresaron su preocupación por el proyecto que pretende reducir la separación entre estaciones de radio 800 a 400 KHz, a fin de dar cabida a más operadoras. El representante de los radiodifusores, Tristán Canales, señaló que los empresarios del sector dan la bienvenida a la competencia, pero piden que ésta se dé con certeza jurídica.



Información publicada en el sitio web El Informador de México. Para más información haga click aquí

sábado, 1 de maio de 2010

CARTA ABERTA SOBRE O RÁDIO DIGITAL

No último dia 30 de março o Ministério das Comunicações publicou a Portaria n. 290, instituindo o Sistema Brasileiro de Rádio Digital (SBRD), estabelecendo os objetivos do mesmo. Embora o texto da Portaria não avance muito além do que já constava no texto do Chamamento Público do ano passado, entendemos que estamos entrando em mais uma etapa do processo de definição do padrão de rádio digital a ser adotado no Brasil. Por se tratar de um tema de grande interesse público, as entidades abaixo assinadas lançam esta carta aberta como um alerta às autoridades e um chamado à sociedade brasileira.

Entendemos que a digitalização da transmissão é fator essencial para a sustentabilidade do rádio no ambiente de convergência midiática. A mudança representará uma melhoria da qualidade de som, especialmente em relação ao AM, novos usos e funcionalidades para o aparelho receptor, incluindo a oferta de dados e serviços complementares de valor agregado, além de dispositivos tecnológicos que permitam abertura para a convergência com outros meios dentro da mesma linguagem digital. Embora o rádio já esteja presente na Internet e celular, acreditamos que a digitalização da transmissão poderá integrá-lo à convergência midiática. Entretanto, para que isto ocorra de modo consistente, é indispensável que a definição tecnológica seja precedida pela definição dos modelos de serviços e de negócio, uma vez que os atuais impasses do rádio localizam-se no esgotamento dos referidos modelos.

Temos clara a importância social do rádio pela sua presença marcante no cotidiano da maioria da população brasileira. É o meio de informação e entretenimento por excelência, especialmente para os que estão em trânsito nasgrandes cidades e para os que vivem no interior, nas pequenas cidades, na zona rural e, em particular, em macrorregiões como a Amazônia. Integra o sistema de comunicação do país de forma expressiva. São mais de oito mil emissoras em funcionamento entre comerciais, educativas e comunitárias. As comerciais oferecem mais de 300 mil empregos diretos e indiretos, e faturam por ano R$1.673 milhões (pesquisa FGV e IBRE de 2007).

Temos, também, consciência do lento processo de migração para o sistema de transmissão digital registrado em boa parte do mundo. A dificuldade está relacionada a características tecnológicas dos sistemas disponíveis que dificultam sua adaptação ao modelo de radiodifusão, ao marco regulatório e as regras de mercado em cada país. Em alguns países europeus, o sinal digital do sistema DAB (Digital Audio Broadcasting), por exemplo, não tem boa recepção dentro de edifícios, especialmente os situados em ruas com grande densidade de prédios e tráfego intenso. Sabemos que o sistema americano HD Rádio (IBOC) apresenta problemas semelhantes: o sinal é mais baixo em relação a estação de sinal analógico. Além disso, os aparelhos receptores em HD Radio são incompatíveis com DAB e DRM.

Reconhecemos que o Ministério das Comunicação tem promovido testes em busca de um padrão que possa ser adequado ao sistema de radiodifusão brasileiro. Foram testadas apenas duas normas de rádio digital: o HD Radio (também conhecido como IBOC), padrão proprietário dos Estados Unidos, cujo resultado dos testes parecem não terem sido os esperados, e que merecem ainda uma maior divulgação e publicização, e o DRM (Digital Radio Mondiale), de origem europeia, cujos testes estão sendo realizados em escala muito inferior ao IBOC e sequer foram concluídos. Defendemos que esse processo de testes deve se ampliar e aprofundar, e deve ganhar contornos mais transparentes e públicos.

Reconhecemos, também, que a Portaria nº 290/2010 de 31 de março de 2010 do Ministério das Comunicações que institui o Sistema Brasileiro de Rádio Digital – SBRD é positiva, porque sinaliza com valores fundamentais que devem balizar a escolha de soluções tecnológicas, dos quais destacamos: a) proporcionar a utilização eficiente do espectro de radiofrequenciea; b) possibilitar a participação de instituições brasileiras de ensino e pesquisa no ajuste e melhoria do sistema de acordo com a necessidade do País; c) viabilizar soluções para transmissões em baixa potência, com custos reduzidos; d) propiciar a criação de rede de educação à distância; e) incentivar a indústria regional e local na produção de instrumentos e serviços digitais; f) propiciar a transferência de tecnologia para a indústria brasileira de transmissores e receptores, garantida, onde couber, a isenção de royalties.

Embora essas e outras diretrizes sejam essenciais, entendemos que a portaria não encerrou o debate sobre o modelo a ser adotado, nem sequer o definiu e, portanto, indica a necessidade de abertura e tempo para a sociedade apropriar-se mais das questões relativas à digitalização do rádio. É necessário garantir, ao longo dessa próxima etapa, maior transparência e controle público neste processo.

Lutamos recentemente pela realização da I Conferência Nacional de Comunicação, e nela defendemos a abertura urgente de profundo e consistente debate que envolva a sociedade em um amplo processo de consultas e audiências públicas, os setores da radiodifusão (público, privado e comunitário), a indústria de equipamentos, e técnicos do Ministério das Comunicações, de Universidades brasileiras e de centros de pesquisas.

Nesse sentido, as instituições e entidades abaixo assinadas reivindicam do Ministério das Comunicações a constituição de um Grupo de Trabalho (GT) que tenha como objetivo traçar uma estratégia comum sobre a política de implantação do rádio digital no Brasil, bem como possibilitar o monitoramento pelas entidades sobre os próximos passos dos agentes públicos na consolidação dessa política. Num primeiro momento o grupo debateria as diretrizes políticas (diversidade, pluralidade, universalidade e gratuidade) e diretrizes técnicas (royalties, cobertura, uso do espectro, serviços agregados, entre outros) apresentadas na Portaria nº 290/2010 à luz dos resultados dos testes já realizados com HD Radio e DRM.

Alem disso defendemos estudo comparativo de experiências internacionais com outros sistemas, tais como o DAB e sua família (DAB +), DMB, DRM, FMeXtra e o ISDB-TSB. Defendemos, portanto, uma avaliação criteriosa e comparativa desses modelos relacionando-os com os testes de eficiência já realizados.

Defendemos que o SBRD seja transformado em lei própria, a ser aprovada pelo Congresso Nacional. Mas antes disso será necessário o seu aperfeiçoamento a partir da discussões a serem realizadas pelo GT aqui proposto pelas entidades.

Lembramos que uma decisão precoce, sem a devida avaliação do seu impacto em nosso sistema de radiodifusão, poderá acarretar em baixa penetração do serviço, prejuizo para o setor de radiodifusão, reduzido interesse da população, não ampliação de postos de trabalho e ausência de políticas públicas no sentido de maximizar a inclusão digital e os serviços públicos.

Temos consciência que a adoção de qualquer sistema sem debate e reflexão rigorosos, ou de forma automática e sem aprimoramentos tecnológicos poderá trazer sérios problemas e não atender à realidade brasileira. Por isso, não podemos descartar a possibilidade futura do Brasil vir a optar por um SBRD com tecnologia genuinamente nacional, com a garantia do devido incentivo financeiro e estrutural para a sua realização. Sabemos que, independente do modelo a ser adotado, as adaptações poderão se fazer necessárias. E para isso torna-se estratégico saber quais são as nossas demandas para aprimoramento e como podemos envolver todos os setores capazes de contribuir para a melhoria e adaptação do sistema. O referido debate, insistimos, deve ser antecedido pelo debate sobre os modelos de serviços e de negócio, uma vez que sem modelos democráticos e acessíveis a continuidade do rádio brasileiro não está assegurada. Sobre possíveis adaptações, lembramos o que aconteceu com a TV Digital, em que o ISDB japonês sofreu uma evolução, passando a utilizar a codificação MPEG-4 e a interatividade Ginga, desenvolvida no Brasil, pelas universidades PUC-Rio e UFPB.

Como em qualquer transição será necessário compreender que o processo de construção de políticas públicas para o rádio digital precisa estar alicerçado em alguns critérios, tais como: a) garantia da manutenção da gratuidade do acesso ao rádio, por parte do ouvinte; b) a transmissão de áudio com qualidade em qualquer situação de recepção; c) adaptabilidade do padrão ao parque técnico instalado; d) coevolução e coexistência com o padrão analógico; e) aparelhos receptores de baixo custo; f) adoção de uma tecnologia não proprietária e com potencial para interconectividade com outras mídias; g) interatividade real time; h) multiprogramação; i) democratização do uso do espectro, com a ampliação do número de outorgas disponíveis e maior presença de rádios públicas e comunitárias; j) garantia de igualdades de condições para o processo de transição de padrão, incluindo aí as rádios coimunitárias.

São critérios que preservam, de alguma forma, a experiência social, histórica e cultural do meio. Integrado a um modo de vida, o rádio se vincula às identidades culturais do lugar, aos saberes cotidianos, ao partilhamento de patrimônios comuns como a língua, a música, o trabalho, os esportes, as festas, entre outros. É um espaço de reconhecimento do público como pertencente a uma dinâmica cultural local. Portanto, para ter sentido e ser útil, as intervenções das políticas públicas nas estruturas se guiam e se justificam por objetivos relacionados ao conteúdo. Significa por em relevo não somente as relações entre economia e política, mas também a dimensão do consumo. O que implica em considerar a cultura como um componente inerente à formulação de políticas públicas de transição para o rádio digital.



A migração do rádio brasileiro do padrão analógico para o padrão digital e sua integração na convergência tecnológica é uma política pública de interesse do conjunto da sociedade brasileira, interessa a empresários, profissionais da comunicação, ouvintes, gestores públicos, técnicos e cidadãos em geral. Portanto, esta política pública deve ser construída de forma amplamente democrática, ouvindo o conjunto da sociedade e garantindo ferramentas de participação popular e controle público.



Brasília, 23 de abril de 2010

Assinam esta carta aberta as seguintes entidades:

ABRAÇO – Associação Brasileira de Rádiodifusão Comunitária

ANEATE – Associação Nacional das Entidades de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão

AMARC – Associação Mundial das Rádios Comunitárias

ARPUB – Associação das Rádios Públicas do Brasil

CUT – Central Única dos Trabalhadores

CFP – Conselho Federal de Psicologia

FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas

FITERT – Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão

FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação

INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

INTERVOZES – Coletivo Brasil de Comunicação Social

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Rádio digital: governo pode adotar dois sistemas no Brasil

Fonte: Valor Econômico, em 18/02/10

O governo federal poderá adotar os dois modelos em avaliação como padrões de rádio digital, apesar do país estar fazendo testes comparativos entre o americano, conhecido como In-band on-channel (Iboc), e o europeu, o Digital Radio Mondiale (DRM. Diferentemente do que ocorreu com a TV digital - em que o modo japonês foi o único escolhido -, os dois modelos de rádio digital poderiam coexistir com viabilidade econômica, embora comercialmente um deva se sobrepor ao outro. Politicamente, a saída agradaria tanto às emissoras que já investiram no modelo Iboc, quanto aos partidários do modelo DRM, que é livre de royalties.
Para tomar esta decisão, o Ministério das Comunicações avalia a publicação de uma portaria com parâmetros que não restrinjam o mercado a um só modelo. O ministro Hélio Costa quer resolver a questão antes de deixar o governo, até o fim de março.
O único fabricante americano do Iboc, que já fornece sistemas digitais a emissoras brasileiras, é o consórcio Ibiquity, que cobra royalties pelo uso. Algumas das 4,5 mil emissoras comerciais de AM e FM já adquiriram equipamentos para migrar do modelo analógico para o digital. A principal vantagem do Ibiquity é a certeza das emissoras em digitalizar- se mantendo o mesmo canal (número no dial). Mas governo e empresas têm restrições quanto aos royalties cobrados.
Um grupo de técnicos e universidades ainda mantém os estudos do modelo DRM. Se os testes provarem que o modelo europeu também permitirá que as rádios mantenham os canais de transmissão - questão pétrea para as emissoras -, então a discussão comercial esquentará, porque o modelo europeu não cobra royalties. O problema, porém, seria que as empresas que compraram o Ibiquity já gastaram, em média, R$ 150 mil pelos equipamentos, e, portanto, preferem o modelo americano. Nos testes já encerrados, o Ibiquity teve problemas de eficácia em ondas médias (AM) e curtas (OC e OT). Para FM, são perfeitos.
Pode não ser viável economicamente, contudo, produzir receptores de rádio que aceitem os dois modelos, Ibiquity e DRM. Por isso pode haver segregação entre os aparelhos receptores AM/FM e os específicos para ondas curtas.
No caso das ondas curtas, o DRM já provou ser mais vantajoso, com grande ganho de qualidade de som e livre das frequentes interferências na banda. A aceitação pelo governo dos dois modelos poderia permitir que essas emissoras de OC e OT transmitissem em sistema diferente das AM/FM. Daí a possibilidade de coexistirem ambos os modelos de rádio digital no país. A hipótese não é absurda, haja vista que existe hoje, no Brasil, 1,5 aparelho receptor de rádio por pessoa e que as ondas curtas têm um mercado bastante específico.
Como o sistema de rádio digital é, em termos gerais, mais barato que o da TV digital - em que foi definido o padrão japonês -, a possibilidade de haver mais de um modelo não restringiria o potencial econômico para ambos os sistemas conviverem. No caso da TV, a multiplicidade de modelos reduziria perspectivas de crescimento e exportação de infraestrutura e aparelhos receptores para países vizinhos.
Antes férrea defensora do Ibiquity, a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) espera o encerramento dos testes do DRM para apresentar sua posição final. "A única posição em que a associação é irredutível sobre a rádio digital hoje é a previsão de as emissoras manterem o mesmo canal de transmissão", diz Luis Roberto Antonik, diretor-geral da Abert. "Defendemos essa ideologia e não necessariamente um padrão"
Pela rádio digital, o usuário poderá ter, além de maior qualidade de som, serviços agregados, como a possibilidade de ouvir podcasts, interagir na programação e receber imagens e informações no visor do aparelho.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

BRASIL FAZ NOVOS TESTES PARA RÁDIO DIGITAL

Da Agência Brasil

Começou na quarta-feira (3), em Belo Horizonte (MG), mais uma rodada de testes de rádio digital, com o início de transmissões experimentais do padrão de tecnologia européia Digital Radio Mondiale (DRM). Os dados serão coletados e comparados com outros testes realizados no País com o padrão norte-americano In-Band-On-Chanel (Iboc). O relatório comparativo com as transmissões deve ser entregue até o final de fevereiro."A decisão será tomada pelo governo ouvindo os radiodifusores.
O Brasil precisa se preparar para a nova onda do rádio: a digitalização", diz o ministro das Comunicações, Helio Costa. Ele destacou ainda o fato de o padrão de rádio DRM vir sendo desenvolvido em sistema aberto e livre, criado e desenvolvido por um consórcio formado por empresas e emissoras interessadas na digitalização do rádio.
Já o padrão americano Iboc é um sistema fechado e proprietário, o que traz inconvenientes aos radiodifusores, que teriam desembolsar royalties aos fabricantes pelo uso e exploração do sistema. Os testes serão comandados por técnicos do Ministério das Comunicações em parceria com funcionários da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), das universidades federais de Minas Gerais (UFMG), do Pará (UFPA) e do Rio Grande do Norte (UFRN).
Ainda integram a comissão de estudos responsáveis pelos testes dois engenheiros alemães e pesquisadores do Centro de Estudos em Telecomunicações (CETUC) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).Na avaliação de especialistas do ministério, o padrão europeu de rádio digital ganhou robustez técnica e pode suprir algumas das necessidades do País, principalmente pela qualidade das transmissões em ondas curtas. Mais recentemente, o padrão DRM passou a operar também em FM, ondas tropicais e ondas médias, o que representaria uma cobertura ampla em todos os espectros de rádio.
Fazem parte do consórcio que desenvolveu o padrão de rádio digital emissoras influentes, como Deutsche Welle (Alemanha), NHK (Japão), Netherlands (Holanda) e BBC (Reino Unido), bem como outras como a Rádio Vaticano e a Voz da Nigéria.
O que muda?
Com a implantação do rádio digital no Brasil, as transmissões ganharão em qualidade de som e transformarão radicalmente a experiência dos ouvintes. Técnicos envolvidos no estudo destacaram que será possível ao ouvinte o acesso em seu aparelho receptor à transmissão de fotos, dados e gravações. Isso porque o sistema funciona com multiprogramação. Será possível ao ouvinte, por exemplo, dispor de uma impressora para reproduzir textos e outros tipos de dados gerados pela emissora de rádio. "Alguns dos aparelhos em produção na Europa funcionam como uma central multimídia", afirma o ministro das comunicações Hélio Costa.
De acordo com o Ministério das Comunicações, o rádio digital permitirá ao governo realizar transmissão em ondas curtas com qualidade de som acima da média, o que representará um avanço na política pública de comunicação. Será possível, por exemplo, fazer mais transmissões para atingir lugares distantes da Amazônia, cujas comunidades hoje são servidas apenas pela Rádio Nacional da Amazônia, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Sistema de rádio digital do Brasil deve ser conhecido em fevereiro

Do M&M Online

O ministério das Comunicações quer divulgar até o final da primeira quinzena de fevereiro de 2010 o sistema de rádio digital que será adotado no Brasil. A informação foi dada durante uma reunião que o ministro teve com sete empresários e dirigentes de associações de radiodifusão. No encontro os empresários e dirigentes de entidades tiveram a oportunidade de ouvir as transmissões em ondas curtas feitas pela Rádio Nacional a partir da Guiana Francesa, a uma distância de 2,8 mil quilômetros da capital Federal.

Por enquanto estão sendo testados dois sistemas: o americano IBOC (In-Band-On-Chanel) e o europeu DRM (Digital Radio Mondiale). Dentro de poucas semanas serão realizados testes com transmissões digitais da Rádio Cultura e da CBN de São Paulo, além de emissoras de Belo Horizonte.

A rádio digital permitirá a realização de transmissão em ondas curtas com maior qualidade de som. Regiões distantes da Amazônia, cujas comunidades hoje são servidas apenas pela Rádio Nacional da Amazônia, também receberão o sistema.

A digitalização do rádio vai trazer novos serviços, como acesso à transmissão de dados, fotos, gravações e até mesmo a impressão de dados.