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quarta-feira, 1 de junho de 2022

Câmara dos Deputados: Um dia de luta para a imprensa e pra cultura

A pedido da deputada Luisa Erundina (Psol-SP,
Câmara dos Deputados vai debater a segurança
dos jornalistas nas eleições de 2022.

As eleições de 2022 no Brasil serão realizadas em um contexto de crescentes ataques a jornalistas, comunicadores e violações da liberdade de imprensa, que tendem a se agravar durante a campanha. 


Por Márcia Turcato, de Brasília

 

A segurança dos jornalistas e a liberdade de imprensa durante o processo eleitoral de 2022 será tema de audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados. A proposta da deputada Luíza Erundina (Psol/SP) e do deputado Gustavo Fruet (PDT/PR) foi aprovada nesta terça-feira (01/06).

Para justificar o pedido de audiência, os autores do requerimento apresentaram dados de agressão a jornalistas e a veículos de imprensa da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), da Associação Nacional de Jornalistas Investigativos (Abraji) e da associação internacional Repórteres sem Fronteiras.

Requerimento de Luisa Erundina é aprovado pela Comissão
 de Comunicação e Informática da Câmara Federal.
Foto Márcia Trucato
De acordo com a deputada Luiza Erundina, as eleições de 2022 no Brasil serão realizadas em um contexto de crescentes ataques a jornalistas, comunicadores e violações da liberdade de imprensa, que tendem a se agravar durante a campanha. Ela citou o levantamento feito pela Fenaj, entre 2019 e 2021, apontando que a violência contra jornalistas no Brasil somou 1.066 ocorrências – total superior à soma de todos os episódios já registrados pela entidade.

A Abraji, que realizou pesquisa semelhante em 2021, registrou 453 ataques contra comunicadores e meios de comunicação. Em 69% dos casos, a agressão foi provocada por agentes públicos, como ministros e o próprio presidente da República. Já o levantamento da associação Repórteres Sem Fronteiras, em parceria com o Instituto Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, registrou, somente entre março e junho de 2021, meio milhão de tweets contendo hashtags com ataques à imprensa nesta rede social.

Serão convidados para participar da audiência pública, que deve ocorrer ainda em junho, representantes da Fenaj, da Abraji, do Repórteres sem Fronteira, do Tribunal Superior Eleitoral, do Ministério Público Federal, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos e do Twitter Brasil.

Artistas, cineastas e produtores culturais se fizeram presente
à Comissão de Cultura para sensibilizar os parlamentares.
Foto de Márcia Turcato.
Leis Aldir Blanc 2 e Paulo Gustavo

Logo após a reunião da CCTCI, foi a vez do setor cultural ter voz na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados. Em audiência pública conduzida pela deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ), artistas, cineastas, diretores, poetas e produtores discutiram a derrubada dos vetos do presidente da República às leis Aldir Blanc 2 e Paulo Gustavo. A apreciação dos vetos pela Câmara e Senado deve ocorrer na próxima semana. Segundo a deputada Jandira Feghali, os dois vetos devem ser derrubados porque o entendimento da maioria é que o setor cultural necessita de auxílio financeiro e que existe recurso para isto.

A lei Aldir Balnc 2 amplia o número de beneficiados pelo auxílio federal frente aos prejuízos impostos pela pandemia de covid-19, fixando um repasse de três bilhões de Reais para o setor cultural em todas as Unidades da Federação durante cinco anos. A segunda lei destina 3,86 bilhões de Reais a estados e municípios, sendo que 1,06 bilhão de Reais são para ações emergenciais.

A produtora cultural Rita Andrade (ao centro), de Brasília,
 integrante do Conselho Nacional de Cultura,
participou da reunião e destacou que a cultura
é o mais democrático dos setores produtivos
 porque todos têm acesso a acesso a ela.
A produtora cultural Rita Andrade, de Brasília,  integrante do Conselho Nacional de Cultura, participou da reunião e destacou que a cultura é o mais democrático dos setores produtivos porque todos têm acesso a acesso a ela, sendo quando assistem um filme na TV ou cinema, quando compram um livro ou vão a um show, por exemplo.

Participaram da audiência pública, entre outros, Fabrício Noronha, presidente do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura; Ana Castro, presidente do Fórum Nacional de Gestores de Cultura; Eduardo Barata, da Associação de Produtores de Teatro; Bianca de Felippes, da Gávea Filmes; Fred Maia, da Mídia Ninja; Célio Turino, criador dos Pontos de Cultura; e as atrizes Julia Lemmertz e Rose Campos.

domingo, 28 de agosto de 2016

Jornalista Aluísio Brandão lança livro de contos em show no Clube do Choro

Desacontecenças: o fantástico lírico de Aloísio Brandão é lançado em show, no Clube do Choro, no dia 03.09.16.

O Clube do Choro é a próxima parada dos cantores e compositores Aloísio Brandão e Clara Teles.
Eles fazem, no dia 03 de setembro (sábado), a partir das 21 horas, o show de lançamento do livro de contos “Desacontecenças”, de Brandão. Os dois serão acompanhados pelos instrumentistas Luiz Duarte (violão), Daniel Baker (piano), Doni Alcântara (contrabaixo acústico) e Chico Abreu (percussão).

Pai e filha, Aloísio Brandão e Clara Teles trazem um trabalho identificado pelo refinamento de suas composições, a maioria delas, autoral. Dono de uma obra densa, de rica elaboração, com melodias sinuosas e ritmo complexo e pouco convencional, Brandão, que é, também, escritor e jornalista, busca marcar as suas músicas pelos arranjos exuberantes e plenos de detalhes.
Outro aspecto relevante são as suas letras, identificadas por sua poesia madura e inquietante.
Tanto que as letras do compositor são faladas em recitais de poesia.
No show do sábado (03.09.16), Brandão (voz e violão) levará ao palco composições autorais. Algumas são parcerias com a filha Clara Telles, Luli & Lucina, Tom Tavares, Vicente Sá, Climério Ferreira, Flávio Faria, Afonso Gadelha, Ivan Braga e Sérgio Duboc.

Considerada uma das revelações da música brasiliense, Clara Telles foi buscar em Ella Fitzgerald pérolas para o seu repertório.
A jovem cantora, que venceu o prêmio da “TV Globo” de melhor intérprete do Guns N’ Roses, também, garimpou no Jazz contemporâneo algumas obras para a apresentação, no Clube do Choro, a exemplo de “That man”, da holandesa Caro Emerald. Clara apresenta, ainda, obras autorais, como “Cicatriz”, de Caetano Veloso (“A Bossa Nova é foda” e “Abraçaço”) e de Luli e Lucina (“Coração aprisionado”).
O show conta com a participação do compositor e jornalista Gadelha Neto, que apresentará textos curtos de Brandão, escritos para o espetáculo.
Os ingressos custam R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia) e podem ser vendidos antecipadamente na bilheteria do Clube do Choro ou clicando aqui.
 Não recomendado para menores de 14 anos.

O LIVRO

“Desacontecenças” sai pela Editora Penalux, de São Paulo, e reúne 20 contos longos pertencentes ao gênero realismo fantástico.
Os textos falam de pessoas e fatos que aconteceram, ou não, e que, de acordo com o autor, só puderam ser vistos com olhos de ver o invisível. “A cidade existe mesmo que não existisse, e é um estuário de um fantástico vivo que está no dia-a-dia das pessoas”, explica.
A cidade a que se refere é a sua pequena Santana dos Brejos, localizada, no Oeste da Bahia, na bacia do Rio Corrente.

Aloísio Brandão, sempre, teve um olhar atento às coisas miúdas, às pessoas que foram ficando encantadas, aos fatos que não ocorreram.
Ele deu a tudo isto uma dimensão sobre-humana, reconstruiu tramas e espacialidade e desconectou o tempo da cronologia.
Acabou trazendo um buquê de histórias fantásticas para dentro do seu livro prenhe de literatura.

Esse verdadeiro laboratório do fantástico ajudou Brandão a parir personagens, como Álvaro, um rapaz que leva uma vida normal e pacata, no sertão. Mas algo o faz diferente: o seu coração parou de bater, há muitos meses; ele levitava e o seu rosto deu para aparecer em quadros das casas da cidade. “O rosto de Álvaro” é um dos contos que integram o livro.

“A loja de memórias” é outro texto encantador e terno. O conto fala de Seu Vivaldo, que herdou do pai uma próspera loja de tecidos, dos anos 50 a 70, até que a chegada das roupas prontas e baratas levou o estabelecimento à falência e fechou as alfaiatarias.
Hoje, a loja não passa de prateleiras completamente vazias. Mas Seu Vivaldo, bem vestido e perfumado, continua abrindo o estabelecimento, invariavelmente, às 8 horas, e fechando, às 18 horas, e as pessoas não deixaram de ir à loja para comprar.
O que, se nada mais há, ali, para vender? Incansável, o homem, agora, já não tem pressa de fazer girar o seu capital, não tem medo de uma nova onda fabril soterrar as suas mercadorias, nem de o tempo envelhecê-las, ou tirá-las da moda. As suas mercadorias ficaram encantadas como Seu Vivaldo e já não gritam mais por tesouras, agulhas e dinheiro.
Não são tementes ao tempo, porque este já não existe mais, ali. Seu Vivaldo, agora, vende memórias.

Já em “O endireitador de sonhos”, Brandão traz a instigante história do Velho Carmelo, um homem rude que se especializou em enxergar os sonhos das pessoas.
Quando eram ruins e recorrentes, tipo pesadelos, o Velho Carmelo os endireitava e os devolvia como sonhos bons e prontos para serem sonhados.
O endireitador sabia, também, arrancar de dentro dos sonhos coisas materiais que atormentavam os sonhadores, e as consertava.

ILHA CULTURAL

 “Desacontecenças” apresenta a cidade como uma ilha cultural regida por outra noção de tempo, espaço e existência, e que continua alimentando a memória amorosa do autor. “Para textualizar a memória amorosa, Aloísio Brandão mobiliza o seu amor estético, transmitido não apenas com recordação, mas como realidade viva”, explica, no texto da orelha do livro, João Vianney Cavalcanti Nuto, doutor em Letras pela USP (Universidade de São Paulo) e professor de Teoria da Literatura da UnB (Universidade de Brasília).

O poeta e jornalista brasiliense Vicente Sá, que assina a apresentação de “Desacontecenças”, observa que a literatura sertaneja nordestina – tanto a oral, como a escrita e musical -, sempre, foi puxada para o fantástico. “É, aí, em que Aloísio Brandão apresenta-se como uma nova janela literária”, acrescenta o poeta. Ele destaca que o que o diferencial dos contos de Brandão é o texto pleno de literatura que dialoga com a poesia. E arremata: “Desacontecenças’ é de um fantástico lírico suave e sem horrores”.

Para a cantora e compositora Luli, parceira de música de Aloísio Brandão e que formou com Lucina uma dupla bem-sucedida, que assina pérolas da MPB, a exemplo de “Bandolero”, sucesso na voz de Ney Matogrosso, o autor de “Desacontecenças” escreve e compõe “como quem tece uma renda barroca”.

SOBRE O AUTOR

 As lembranças mais remotas que Aloísio Brandão tem de si são do seu envolvimento precoce com o que ele denomina de pré-poesia e com a música.
Arriscava versos, menino, ainda. Passou a infância e adolescência, em Santana dos Brejos, ouvindo histórias surreais dos mais velhos e, desde então, intuía que a palavra seria definitiva em sua vida.
É formado em Jornalismo e mora, há 36 anos, em Brasília, onde atua como jornalista profissional. Este é o seu livro de estreia no conto.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

TV Câmara lança Casa das Palavras, novo programa sobre livros

Jornalista Paulo José Cunha
é o âncora do novo programa
de literatura da TV Câmara
A TV Câmara conta com nova atração – o Casa das palavras, programa sobre livros. Semanal, a produção dura cerca de meia hora e vai ao ar às quintas-feiras, às 22 horas,  com reprise aos sábados, às 20 horas. 
A TV Senado, emissora cô-irmã, também possui um programa sobre literarura. O Leituras é comandado pelo jornalista Maurício Melo, que também possui uma coluna de livros de temática internacional dentro do programa Diplomacia.
O ato de lançamento do Casa das palavras ocorreu na quarta-feira (15) no auditório da TV. O jornalista e escritor Lira Neto, autor da série biográfica sobre Getúlio Vargas, dividida em três volumes de cerca de 500 páginas cada, participou do evento.
Durante o que classificou como "bate-papo" com a plateia, Lira Neto destacou que o novo programa pode ajudar a desmistificar algumas ideias preconcebidas sobre livros e leitores no país. "O brasileiro lê. E gosta de ler", afirmou o escritor, que citou seu próprio sucesso editorial como exemplo e lembrou que tem uma "recepção calorosa" da juventude em todas as regiões do País.
"O mercado consumidor de livros no país hoje é formado principalmente por jovens", revelou o autor, que defende a dessacralização do livro como forma de incentivo à leitura. "Vida longa ao ‘Casa das Palavras'. E que ele sirva para estimular a leitura como prazer, não como obrigação", concluiu.
Sonho
Apresentador e um dos diretores da atração, Paulo José Cunha definiu o programa como "a realização de um antigo sonho". Para Jorge Cartaxo, que divide a direção com Cunha, não há programa semelhante na TV brasileira. "Os que existem tratam de literatura, não de livros especificamente", afirmou.
O diretor da Secretaria de Comunicação Social da Câmara, Sérgio Chacon, lembrou que o Parlamento é um local onde se lê e se fala muito. "Aqui é a casa da palavra, e o programa reflete bem esta ideia". Para Edmilson Caminha, do conselho editorial do programa, o "Casa das Palavras" ajuda a Câmara em uma das mais importantes missões de uma instituição parlamentar, que é a de disseminar a cultura e democratizar o conhecimento.
SERVIÇO
Programa Casa das Palavras
Estreia: quinta-feira (16), às 22 horas, na TV Câmara
Periodicidade:
 toda quinta, às 22 horas, na TV Câmara, com reprise aos sábados, às 20 horas
Apresentação:
 Paulo José Cunha

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Comunicação e Cultura na base de um novo modelo de desenvolvimento para Brasília


Por Chico Sant’Anna*, publicado originalmente no portal Congresso em Foco


O desemprego é uma das principais preocupações dos eleitores que vão às urnas no dia 5. Em Brasília, esta chaga parece ser estrutural. 
Mesmo nos melhores momentos recente do crescimento econômico do Brasil, o volume de desempregados não ficou longe da casa das 200 mil pessoas. 
Na história da Capital, as políticas econômicas e de geração de empregos sempre ficaram no binômio serviço público e distribuição de lotes para pequenos e médios empresários.
Brasília tem que se espelhar em cidades como Paris e Washington. Investir na economia sustentável. Produção de conhecimento, turismo e cultura são as melhores opções. Temos uma elevada concentração de produtores culturais – artistas, jornalistas, cineastas, vídeo makers, produtores de vídeo games, escritores – a cidade poderia ser um polo de produtos culturais, se aqui houvesse uma política editorial pública.
Uma das vocações de Brasília é melhorar explorar a indústria do saber e, nesse campo, a Comunicação e a Cultura se apresentam com grandes potenciais. Brasília possui a maior concentração per capita de jornalistas, proporcionalmente à população. A cada semestre, centenas de jornalistas, publicitários, relações públicas, produtores de rádio, cinema e TV se formam nas faculdades da cidade. Isso, sem contar com os que vêm de fora para tentar a vida na Capital.
O Polo de Cinema está abandonado e a nossa imprensa é frágil. Temos menos veículos do que em várias outras cidades com menor poder aquisitivo do que no DF. A imprensa das cidades do DF, a webimprensa e também as rádios comunitárias não podem ficar sem apoio. Elas são importantes para a democratização da informação e também na geração de emprego e renda.
Aqui falta uma política pública de comunicação, uma política pública editorial que incentive o surgimento não apenas de novos veículos de comunicação, mas que também viabilize o Polo de Cinema, o apoio a vídeo e game makers e a desenvolvedores de aplicativos e softwares. Paulínia, em São Paulo, e Vancouver, no Canadá, são bons exemplos de como uma política Cultural associada a uma Política Fiscal é possível desenvolver um polo de cinema e de produções televisivas. E essa é uma indústria não poluente que beneficia a todos. Desde o carpinteiro, pintor e o eletricista, até os diretores de cinema, artistas e técnicos da área.
Além disso, urge a criação de um o sistema público de radiodifusão, com a revitalização da rádio Cultura-DF, reabertura da TV Distrital e a implantação do canal cultural a que o GDF tem direito, por lei, na TV a cabo. Brasília precisa potencializar a liberdade de expressão, precisa de liberdade de informação. Este Sistema Público pode ser, inclusive, um indutor de produções do Polo de Cinema.

Cultura e Turismo
Nossos museus e bibliotecas estão caindo aos pedaços. Paradoxalmente, nos cofres do Banco Central existe o melhor acervo de Portinari do Mundo, apreendido de banqueiros falidos. Por que não temos um Museu Portinari em Brasília? Por que não criar o Museu do Homem Brasileiro, o museu de história natural do Brasil idealizado por Darcy Ribeiro? Por que não se criar um aquário com a fauna e a flora aquática do Centro-Oeste e da Amazônia?
Mais espaços culturais, bibliotecas, museus, galerias, teatros, etc., gerariam mais empregos, renda, atrairia mais turistas e os reteriam por mais tempo em Brasília. Temos que ser um polo de turismo nacional e local. Isso também assegura o desenvolvimento sustentável. A cidade está no centro da América do Sul e pode se transformar num importante hub (base de conexões aéreas) para todo o Brasil e países vizinhos. É preciso criar estímulos para que haja mais voos diretos chegando e saindo de Brasília.

Conselho Distrital de Comunicação

A Câmara Legislativa tem historicamente – salvo raras exceções - ignorado a questão da Comunicação no DF. No campo das comunicações não houve avanços no campo das Comunicações. O Conselho Distrital de Comunicação, previsto desde o início na Lei Orgânica, nunca foi regulamentado. Governos e empresas impedem que ele se materialize. E as decisões da Conferência Nacional de Comunicações não foram implantadas. Naquela Casa, sobram representantes dos interesses das empresas de Comunicação e falta um representante dos profissionais da Comunicação que de fato conheça esses temas e seja comprometido com os trabalhadores, com os jornalistas, com os comunicadores, com a democratização dos meios de comunicação, com a defesa da cultura nacional.
Um representante que lute para que a Câmara seja resgatada dos piores interesses que a dominaram nesses últimos anos para servir, realmente, aos maiores interesses dos brasilienses. Um representante que se paute pela
·                               democratização dos meios de comunicação,
·                               criação do sistema público de radiodifusão do DF,
·                               pela garantia à liberdade de expressão,
·                               pelos direitos dos trabalhadores da Comunicação e da Cultura
·                               que defenda uma Política de Comunicação e de Cultura como bases de um desenvolvimento saudável e harmônico para o Distrito Federal.
É necessário que o GDF faça internamente o seu dever de casa. No Distrito Federal inexiste uma lei fixando piso salarial para profissionais de Comunicação, como há para médicos e advogados. No setor público não há uma carreira profissional regulamentada e são raríssimos os concursos para que esses profissionais atuem no GDF, na Câmara Legislativa e no Tribunal de Contas do DF. Precisamos criar, a exemplo de outros Estados, as leis que assegurem no serviço público a jornada de trabalho de 5 horas para jornalistas e de 6 horas para radialistas, bem como que nos concursos públicos seja garantida a exigência do diploma de nível superior para o exercício do Jornalismo.
No dia 5, quando o brasiliense for às urnas, é importante que ele pense sobre o futuro de Brasília, a Brasília para os filhos e netos desse eleitor. Olhar para a realidade atual de São Paulo, com falta d’água, trânsito caótico, refém da especulação imobiliária é uma boa maneira de se antever aquilo que o brasiliense deve evitar. E o seu voto contribui para isso.



* Chico Sant’Anna, candidato a deputado distrital pelo Psol, é jornalista, documentarista e pesquisador acadêmico com mestrado pela UnB e com doutorado pela Universidade de Rennes -1, França. 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Angola ganha jornal cultural na internet

De África 21

O lançamento online do jornal angolano de artes e letras "Cultura", durante evento realizado em Luanda, representa "mais um tijolo na construção de uma informação plural, livre e responsável em Angola e no continente africano, afirmou o director-adjunto da empresa estatal de comunicação Edições Novembro, Filomeno Manaças.
O "Cultura", segundo Filomena Manaças, pode ser considerado o primeiro jornal cultural angolano do pós-independência, na linha do pensamento que norteou o lançamento, em 1957, da revista "Cultura".
As secções do site (www.jornalcultura.sapo.ao) correspondem às mesmas que existem na edição em papel: "Eco de Angola, Letras, Artes, Grafitos na alma, Diálogo intercultural, Barra do Kwanza, Navegações, Arte Poética, Memorias, Ecologia, História, Património Cultural e Editorial".
Segundo o director do Cultura, José Luís Mendonça, o jornal  vai passar a divulgar mais as manifestações regionais da arte e literatura angolana e o lançamento da edição na internet visa "assegurar que as tecnologias de informação e comunicação são utilizadas para promover a cultura africana". José Mendonça manifestou-se ainda contra o que disse ser "a falsa ideia de que a modernização artística passa pelo ´assimilacionismo´ puro dos modelos ocidentais, tidos como mais progressistas, por emanarem de uma cultura tecnologicamente mais avançada."

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Um passeio fotográfico pela Capadócia, na Turquia

Por Chico Sant'Anna

Neste post, propomos uma viagem a um local distante, a Turquia. Um local encantador, que como no Brasil, cada canto tem uma peculiaridade própria. Ao Sul, o mar é lindo com os já famosos balneários gregos. A milenar Istanbul é uma metrople que encanta por sua diversidade cultural. E a região da Capadócia, em especial a cidade de Gören, é um mistério, pois lá, durante o Império Bizantino, católicos ortodoxos viviam em casas escadas nas montanhas e até no subsolo.
A edição do programa Diplomacia nº 107, de Novembro de 2013, que edito e dirijo na TV Senado, traz nas vinhetas de separação de um bloco e outro, clipes com fotos de minha autoria captadas na Capadócia, na Turquia.
Aqui, neste post, é possivel apreciar os diversos clipes editados de forma contínua, em um só vídeo.

terça-feira, 26 de março de 2013

Opinião: Meios de Comunicação e Cultura Digital

Por Bruno Peron Loureiro, publicado anteriormente no Barometro Internacional

As culturas digitais surgiram a partir de experiências, práticas e usos através dos meios eletrônicos de comunicação, que manifestam importâncias relativas em função dos interesses de seus consumidores-usuários e da tecnologia destes meios.

Os video-games já não oferecem só entretenimento a poucos jogadores por animações gráficas, mas trazem também espaço em memória física para armazenar arquivos e sistemas de acesso à Internet que permitem jogar em tempo real com pessoas de outros países.
Há portais virtuais que oferecem acesso a centenas de estações de rádio do mundo todo sem que se tenha que ligar aparatos convencionais de som. Ouve-se a rádio pelo computador. A indústria editorial também modifica-se com o comércio de livros digitais, como o Kindle da Amazon.
Hoje tudo passa por um monitor. A comodidade dos consumidores-usuários dos meios eletrônicos de comunicação inibe-os até de folhear dicionários impressos porque os virtuais são mais ágeis (para os que têm prática de digitação e navegação) e dispõem de acepções múltiplas. Os tradutores virtuais têm reduzido as distâncias linguísticas entre pessoas que não se entendiam por não conhecer nenhuma das línguas europeias hegemônicas ou não mais que uma delas (inglês, francês, italiano, alemão, espanhol, português, etc.).
Contudo, as culturas digitais ainda se adaptam à tendência de fazermos tudo pela Internet. Já se compra em supermercados virtuais. A situação se complicará se, nas próximas eleições, pudermos votar pela Internet em substituição às exemplares urnas eletrônicas brasileiras, que evadem tanta dor de cabeça a contraexemplo das últimas eleições presidenciais mexicanas.
Fazer política pela Internet tem duas facetas. A prática é proveitosa na medida em que este meio tem servido para formar foros de discussão, espalhar denúncias, discutir promessas de campanha e dar recomendações a outros internautas. A notícia espalha-se rapidamente pela Internet, cujo meio transformou-se numa praça pública onde as pessoas encontram-se e interagem. Estes são alguns dos argumentos que encontro para não demonizar os meios como causadores dos males atuais da humanidade. Quanta ignorância podemos suprimir com tão pouco esforço!
No entanto, há grupos e instituições que discutem formas de censurar e controlar conteúdos e práticas na Internet. O mais enérgico deles é o de direitos de propriedade intelectual. Os opositores da pirataria brigam contra a queda abrupta da venda de discos compactos que se explica pelas formas digitais de consumir música (YouTube) e baixar arquivos (Torrent). Cantores têm tido que vender seu trabalho com mais criatividade para não fenecer como aconteceu com as indústrias fonográficas que não se adaptaram. Eles têm investido em eventos (shows) e usos publicitários (aparições de cantores famosos para oferta de produtos).
A criatividade passa a ser uma necessidade não só dos produtores, mas também dos distribuidores e estrategistas de consumo das culturas digitais.
O tema das culturas digitais remete, portanto, às novas dimensões da militância política e ao deslocamento das práticas criativas à plataforma digital através de redes sociais, comércio eletrônico, mecanismos de busca e labores virtuais. Os acessórios que dão acesso à Internet, que hoje vai desde celulares a tablets, estão prestes a tornar-se roupas íntimas da humanidade. É aceitável que se mostre o corpo, mas seria um escândalo tirar a cueca ou a calcinha.
As formas indiretas de interagir com outros consumidores-usuários da Internet não são as únicas que sofrem modificação porque os usos da criatividade demandam novos hábitos e regularidades no cumprimento das necessidades quase básicas de imersão na Internet.
Fica cada vez mais difícil diferenciar hábitos-raízes de hábitos enraizados, visto que os meios de comunicação tendem a selecionar certas expressões culturais (muitas delas estranhas ao nosso vocabulário) para que todos as celebremos como nossas sem sabermos se o são ou não.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Brasília perde o jornalista e militante cultural Jota Pingo


Jota Pingo foi candidato à Constituinte
e presidiu o Clube de Imprensa. Foto: CB
Uns o idolatravam.
Outros não suportavam sua irreverência.
Mas ninguém ficava inerte a sua presença, a sua personalidade.
O certo é que a história de Brasília, a história da cultura local, da autonomia política do Distrito Federal e a dos jornalistas desta cidade não pode ser contada sem um capítulo dedicado a Jota Pingo.
Carlos Augusto Campos Velho, gaúcho de Porto Alegre, irmão do artista Paulo César Pereio, radicado em Brasília desde 1977, diretor, roterista, artista de cinema e de teatro, jornalista, ex-presidente do Clube de Imprensa, militante da cultura candanga, agitador do Pacotão. Em 1986, foi candidato a deputado constituinte com o slogan "Chega de Bastas!!" E desde 1988, Pingo tenta construir na região do Jardim Botânico um centro cultural.
De personalidade polêmica, muitos irão lembrar da Vaca que ele criava no Clube de Imprensa, dentro de uma proposta naturalista para a entidade.
Um belo dia, a vaca fugiu, atravessou os banhistas, deixou a mulherada que pegava sol estarrecida e as crianças em delírio, passou pela quadra de futebol de salão e da de volei, deu meia volta e acabou atolando às margens do Paranoá. Literalmente, a vaca tinha ido para o brejo e de lá ela só retornou com a ajuda de uma corporação do Corpo de Bombeiros.
Pingo morreu no sábado à noite. Estava na fila de um supermercado, passou mal, foi socorrido pelo Samu, que o levou até o Hospital de Base, mas não resisitiu à parada Cardiáca.
O velório de Jota Pingo estava sendo organizado para a este fim de domingo no Museu Nacional de Brasília

Ao lado do Brother, do Carlão, do Fernando Lemos, do Chico Barriga e de tantos outros colegas que estão agora (des)organizando o desfile do Pacotão em outra dimensão, Pingo é uma destas personalidades que marcaram a cidade.
Um grande adeus a Carlos Augusto Campos Velho.
Ou melhor: Jota Pingo, apenas.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Prêmio para blogueiros de Cultura


Termina dia 4/12 o prazo de inscrições ao Prêmio Blogueiros de Cultura 2012. Poderão concorrer blogs brasileiros que abordem, de forma crítica e criativa, temas relacionados ao universo da cultura e das artes. 
Entre os inscritos, três finalistas serão selecionados. O vencedor, que levará para casa um Ipad 4G, será escolhido pelos leitores, que poderão votar através da página doAcesso no Facebook.
Para participar, basta preencher a ficha de inscrição disponível neste link até o dia 4 de dezembro. O prêmio contemplará blogs construídos sobre plataformas como o WordPress ou o Blogger, entre outras, com periodicidade de veiculação de posts, no mínimo, quinzenal e com conteúdo que traga reflexões sobre o universo da cultura nacional. 
Blogs restritos à divulgação de produção artística própria e de agendas culturais; ou à publicação de textos de terceiros não se enquadram na proposta do prêmio e, por isso, não poderão participar.
A seleção vai considerar, entre outros critérios, a abordagem dos temas pelos blogs; a qualidade do texto; o uso de diferentes formatos, como vídeos, imagens e áudio; a navegabilidade das páginas; a integração com mídias sociais e a participação do leitor. Os finalistas serão anunciados no dia 11 de dezembro, pelo blog Acesso e em sua página no Facebook, na qual os leitores poderão eleger o vencedor curtindo a postagem referente ao seu blog preferido.
Clique aqui e confira todas as informações sobre o prêmio baixando o regulamento do Blogueiros de Cultura 2012. A ficha de inscrição está disponível aqui.
Prêmio Blogueiros de Cultura 2012

terça-feira, 17 de julho de 2012

Um fundo para integrar a cultura no Mercosul


Por Bruno Peron Loureiro, publicado originalmente no Barómetro Internacional

El Consejo del Mercado Común – órgano deliberativo del Mercado Común del Sur (MERCOSUR)– creó el Fondo MERCOSUR Cultural (MERCOSUR/CMA/DEC.No 38/10) en diciembre de 2010. El Fondo tiene como objetivo financiar proyectos culturales de instituciones no-gubernamentales que faciliten la integración del país que los propone o de un conjunto de países pertenecientes al bloque.

El Fondo tendrá un aporte inicial de U$ un millón y cada país miembro contribuirá proporcionalmente de acuerdo a su Producto Interno Bruto (PBI). De esta forma, el documento que instituyó al Fondo estima que los países aportarán recursos financieros en principio en las proporciones: Argentina 27%, Brasil 70%, Paraguay 1%, Uruguay 2%. Las reuniones de Ministros de Cultura definen las variaciones de las contribuciones y otros aspectos del Fondo. La última reunión fue la 34ª y ocurrió en Buenos Aires en junio de 2012 y la penúltima se había realizado en Montevideo en noviembre de 2011. Las negociaciones no contaban con la suspensión temporal del Paraguay del MERCOSUR debido a su democracia “falluta” ni con la rápida admisión de Venezuela al bloque. Estos serán temas principales en la próxima reunión de Ministros del Cultura del MERCOSUR.

Brasil sustituyó a Argentina en la presidencia temporal del MERCOSUR Cultural –institución dedicada a la cultura creada en el bloque– por los próximos seis meses  (junio a diciembre de 2012). Uno de los objetivos de la gestión brasilera en esta ocasión es hacer efectiva la implantación del Fondo. Vale recordar que el Fondo fue propuesto mientras Brasil estaba también en la presidencia de esta institución en 2010.

Según la opinión de Víctor Ortiz –Secretario Ejecutivo del Ministerio de Cultura (MinC) en Brasil– el objetivo del Fondo es financiar propuestas que tengan como objetivo la integración cultural de sus países. Una pregunta que permanece sin respuesta es ¿qué integraremos primero, la cultura o la industria? Las categorías siguientes se recuerdan cuando los gestores se refieren a integración cultural: artesanía, cine, danza, literatura, museos, música, teatro, etc. El MERCOSUR comenzó como un acuerdo económico y su objetivo final es formar un Mercado Común de unión aduanera.

La reivindicación de recursos financieros para la cultura es la lucha más reciente de las instituciones especializadas, que son muy jóvenes. El argumento que se utiliza frecuentemente para que el dinero que aparezca, es el de los beneficios que dará a las industrias culturales, aunque éstas representen el camino más ortodoxo para la constricción de los usos de la cultura. Tendríamos entonces un Fondo que garantice el funcionamiento de la economía creativa, y si hubiera matices, algo más que las políticas de cultura se podrían fomentar entre los cuatro países del bloque.

La discusiones en torno al Fondo se dan en el momento en que se propone el estrechamiento del vínculo entre cultura y sustentabilidad y reflexiones en torno al patrimonio cultural, a la economía creativa (dónde la cultura entre en el circuito industrial) y a la diversidad cultural. Los elementos de economía, patrimonio y diversidad son las locomotoras de punta de casi toda política cultural de gobierno. Esperemos por el Fondo un intercambio de experiencias entre los cuatro países en lo que se refiere a convergencias y divergencias de sus concepciones de cultura. La integración pasa inevitablemente por estas consideraciones en América del Sur.

Aunque el aporte desigual de recursos para el Fondo implica que los cuatro países se comprometen recíprocamente a que unos tengan retornos más ventajosos que otros de acuerdo con la aprobación de los proyectos. Un país que está en mejores condiciones que otro en un tema determinado, por ejemplo el cine, tiende a fomentar el desarrollo de las capacidades en aquel que no lo está, pero que en contrapartida podrá contribuir por ejemplo con la experiencia de sus artesanos o de su danza. La equidad en el reparto de recursos Fondo dependerá de la calidad, procedencia y tema de los proyectos.

Un comentario que no quiero postergar es que la organización burocrática del Estado brasilero elude la aplicación de propuestas alternativas al dejar al próximo gobernante con una situación previamente diseñada, debido a la morosidad del proceso de formulación, propuesta, aprobación y aplicación de las leyes. Por lo tanto las políticas gubernamentales difícilmente tienen cambios considerables y las deliberaciones toman mucho tiempo para materializarse en hechos concretos. El ámbito de la cultura no escapa a este diagnóstico.

La semántica de la cultura debe ser reelaborada para que no se confunda, aunque se trate de proyectos con las mejores intenciones, con el mero intercambio de objetos artísticos entre las fronteras de estos países luego de la materialización del Fondo. Estas son expresiones tangibles de la cultura. La intangibilidad de la cultura es la que nos despierta la atención como cultivo de ciudadanía. La cultura al fin es fundamental en el proceso de integración de nuestros pueblos, y no solo el éxito de sus instituciones económicas o economías creativas.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Por uma política editorial e cultural para Brasília


Dos três jornais diários comercializados no Distrito Federal, apenas o Correio Braziliense aparece na lista dos 50 maiores em tiragem do País. Mesmo assim, está na 20ª posição, com uma média de circulação diária de 57.300 exemplares (considerando-se 4 leitores por exemplar, temos que apenas 229,2 mil habitantes leem o maior jornal da Capital).
Publicações como a Tribuna do Brasil e o Jornal de Brasília nem constam da relação pesquisada pelo Instituto Verificador de Circulação que aferiu os números de circulação de jornais do Brasil em 2010.

Esta realidade desnuda a fragilidade da imprensa escrita candanga e revela a necessidade de se ter um jornal forte e de porte nacional na Capital Federal. Brasília é hoje a produtora de 60% do noticiário nacional veiculado nas rádios, TVs e jornais, mas é incapaz de produzir um único veículo que conquiste leitores fora do quadrilátero do DF. Isso também se mostra no campo das revistas semanais. Embora tenha o maior poder aquisitivo do Brasil e uma população altamente educada, a cidade não conta com uma publicação do porte de Veja, Carta Capital e Isto É.

Cidades menores, como Cuiabá, possuem dezenas de publicações semanais, mas algo estranho acontece no Planalto Central. Certamente não é falta de mão-de-obra, pois Brasília possui a maior concentração de jornalistas proporcionalmente a sua população de todo o Brasil. Somos quase 8 mil pessoas detentores de registro profissional vivendo no DF. É uma média de 300 jornalistas por habitante.
Dinheiro também não deve ser o problema, pois é do Planalto que saem as autorizações para as campanhas publicitárias mais caras e constantes do País. Estatais do porto do Banco do Brasil e Caixa Econômica só liberam verbas publicitárias com o aval governamental. A verba de publicidade do GDF também não é desprezível.
O que falta então?
É possível que falte uma política editorial para a cidade, assim como falta também uma política cultural efetiva. Uma política que faça o Pólo de Cinema deslanchar, que abra espaço para artistas e produtores culturais locais.
Este talvez fosse um foco que nossas autoridades poderiam adotar. Além de uma política editorial - que abrigue livros também - é preciso dinamizar a Rádio Cultura do DF e implantar a TV Cultura do DF no canal que a cidade faz jus entre os canais de acesso gratuito na cabodifusão. Medidas como essa podem gerar muitos empregos, bons empregos e empregos ecologicamente sustentáveis, pois informação e cultura são antipoluentes.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

União Européia cria biblioteca digital

Enviado de Lisboa por Martins Morim

Qualquer pessoa, em todo mundo, pode agora aceder a mais de 14 milhões de livros, mapas, fotografias, pinturas, filmes e clips de música digitalizados de instituições culturais da Europa através da biblioteca digital europeia – a Europeana. Lançada em 2008, com 2 milhões de objectos, a Europeana já ultrapassou a meta inicial de 10 milhões de objectos prevista para 2010. Hoje, o grupo de reflexão (Maurice Lévy, Elisabeth Niggemann, Jacques de Decker) criado pela Comissão para estudar novas maneiras de colocar em linha o património cultural da Europa (IP/10/456) profere uma alocução ao Conselho de Ministros da Cultura da União Europeia e à Comissão da Cultura do Parlamento Europeu. O relatório do grupo de reflexão será publicado no início de 2011.

Mais de 14 milhões destes objectos, juntamente com clips de música, estão agora acessíveis através do endereço www.Europeana.eu, um número que ultrapassa significativamente a meta inicial da Comissão de 10 milhões de obras em 2010.

A Europeana foi lançada em protótipo em Novembro de 2008 como ponto de acesso da Europa para permitir aos utilizadores da Internet procurarem e acederem directamente a livros, mapas, pinturas, jornais, fotografias, extractos de filmes e toda a espécie de documentos audiovisuais digitalizados das instituições culturais da Europa.

Entre os novos elementos acrescentados este ano encontra-se um manuscrito búlgaro em pergaminho, de 1221, que constitui um testemunho da história da língua búlgara; ‘Catechismusa prasty szadei’, o primeiro livro lituano, publicado em 1547; uuuma cópia de 1588 da obra de Aristóteles «Technē rētorikēs» em grego antigo e em latim; obras do pintor holandês do século XVII Jan Steen; as obras completas dos escritores alemães Goethe e Schiller; uma sequência de imagens de 1907 sobre as comemorações do Dia da Constituição Dinamarquesa; e uma série de fotografias de antes da primeira guerra mundial do Mosteiro de Glendalough, na Irlanda (ver MEMO/10/586 para mais exemplos).

Versões digitalizadas de fotografias, mapas, pinturas, objectos de museus e outras imagens constituem 64% da colecção da Europeana. 34% da colecção são compostos por textos digitalizados, incluindo mais de 1,2 milhões de obras completas, que podem ser vistas em linha e/ou descarregadas. Os textos abrangem milhares de manuscritos raros e os primeiros livros impressos (incunabula), anteriores a 1500. Os vídeos e o material sonoro representam menos de 2% das colecções. Muito do material acessível através da Europeana é constituído por obras antigas, ou seja, já não sujeitas a direitos de autor, devido principalmente às dificuldades e ao custo da aquisição de direitos para digitalizar e dar acesso a material sujeito a direitos de autor (mesmo para material que já deixou de ser distribuído comercialmente ou não reeditado) ou a material cujos eventuais titulares de direitos são desconhecidos (obras órfãs).

Todos os Estados-Membros da UE contribuíram com elementos para a Europeana, apesar de haver ainda um desequilíbrio nas contribuições. A França continua a ser o maior contribuinte (18% das obras). A Alemanha aumentou a sua quota-parte para 17%. Para que represente uma verdadeira amostra do património cultural da Europa, a Europeana precisa de mais material de qualidade de todos os Estados‑Membros.

O potencial de utilização da Europeana nas escolas ficou demonstrado pelos participantes no recente certame eLearning Awards (prémios de aprendizagem em linha) organizado pela European Schoolnet. O projecto vencedor, da Portmarnock Community School, da Irlanda, envolveu a criação de blogues pelos próprios alunos sobre figuras da história utilizando recursos digitais.

No próximo ano, a Europeana tenciona levar a cabo uma experiência de criação de conteúdos pelos utilizadores e convidará os utilizadores a fornecerem-lhe material sobre o tema da primeira guerra mundial.

Neste momento, a Europeana tem em exibição duas exposições virtuais. A «Reading Europe» apresenta uma escolha criteriosa de livros e obras literárias raros da Europa. A exposição «Art Nouveau» ilustra as potencialidades da reunião de material cultural de diferentes países.

O serviço Europeana está sediado na Biblioteca Nacional dos Países Baixos, em Haia. É dirigido pela Fundação Europeana e financiado em 80% pela UE. No seu lançamento, em 2008, o interesse inesperado dos utilizadores sobrecarregou-o de tal modo que teve de encerrar durante um mês.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Festival Internacional de Arte e Mídia chega a segunda edição em 2010

O II Festival Internacional de Arte e Mídia (FAM|2010) parte de Brasília (DF) para o mundo para fortalecer o debate sobre as culturas digitais e promover a disseminação de novas linguagens que aliam arte e tecnologia. Além do Portal www.redefam.com.br, o II FAM 2010 promoverá ações presenciais - Simpósio, Exposições e Programa de Residências e Oficinas Artísticas -, a serem realizadas ao longo do mês de novembro de 2010, na capital federal, Anápolis (GO) e Pirenópolis (GO).

A idéia do Festival é estimular o intercâmbio entre artistas multimídia, a criação aberta e coletiva, além de criar espaços interativos para as pessoas que normalmente não vivenciam essas expressões em seu cotidiano. A programação em seus diversos formatos envolverá trabalhos relacionados a Comunidades Virtuais, Vida Digital, Arte para Web e Celular, Nano Art, Bioarte, Game Art, Art-Hacker, Performance em Telepresença, Realidade Virtual e Aumentada, Mídias Locativas, Música Eletrônica, Vídeoarte, Política Cultural para a Arte Digital, Software e Hardware Livres. Multiplicidade e interação são as palavras-chaves.

O portal redefam.com.br é o principal espaço para execução e convergência do Festival. Nele estão sendo construídas e atualizadas, permanentemente, ferramentas de interatividade descentralizadas, tais como Rede Social, Fórum, Galeria Virtual, Webconferências, Blogs e Dicionário Wiki de termos colaborativos. O RedeFAM foi criado para ser um ponto de encontro, de referência, de debates e de exposições virtuais que contribuam para o fomento e a disseminação da produção em arte com novas tecnologias.

PROGRAMAÇÃO DO FAM 2010

A programação FAM 2010 já está no ar e começa na rede! O Portal redefam.com.br é um ponto de encontro que promove o encontro de pesquisadores, educadores, artistas multimídia e demais interessados na discussão da arte aliada à tecnologia e dos processos e ferramentas de criação da era digital.

Após o cadastro, os usuários passam a fazer parte da rede social do FAM, que oferece Microblog, Galeria Pessoal (imagem, vídeo e texto), Fórum de discussão, Webconferências, entre outras ferramentas de interatividade e divulgação permanente. O integrante da RedeFAM também têm acesso às fichas de inscrição para concorrer à participação nas ações presenciais do Festival (FAMexposição, FAMresidência e FAMsimpósio) dentro da página de Perfil.

O Portal redefam.com.br é alimentado com notícias, releases, coberturas e está sendo constantemente aprimorado para melhor atender às necessidades de seus utilizadores. A idéia é que a página alie força, movimento e atenda às necessidades dos usuários apos o término desta edição do FAM.

Vale ressaltar que o RedeFAM é um portal que produz, agrega e dissemina informações sobre Arte e Tecnologia junto a uma rede de parceiros. Todo conteúdo associado ao Festival Internacional de Arte e Mídia (FAM|2010) tem os direitos autorais orientados pela Licença Creative Commons (CC) - Atribuição Uso Não-Comercial - Compartilhamento pela mesma licença.


CRONOGRAMA FAM 2010


FAM

Datas: ao longo do meses outubro e novembro

A ação tem o objetivo de contribuir para o enriquecimento e a disseminação de temas sobre arte digital, cultura digital, processos criativos e colaborativos em arte e tecnologia, autorias coletivas, política cultural, entre outros. As webconferências do FAM contam com participação de artistas, pesquisadores e ativistas com expressiva atuação neste vasto e pouco explorado campo de conhecimento e de práticas. Transmissão via Ustream no portal RedeFAM (www.redefam.com.br). Palestrantes internacionais: Julius Fujak (Eslováquia), Marek Choloniewski (Polônia) e Nina Tommasi (Áustria).

FAM

23, 24, 30 e 31/10 no Pontão de Cultura Tenda Jovem (Anápolis/GO)
23, 24, 30 e 31/10 no Pontinho de Cultura e de Leitura Eu Sou Comunidade Consciente (Vila Denocs/DF)
27/10 na Escola Parque 307/308 Sul (Brasília/DF)

A ação busca descentralizar as ações do Festival e levar às comunidades localizadas em cidades do interior e na periferia dos grandes centros urbanos o acesso às criações estéticas e poéticas que vêm sendo realizadas com a utilização das novas tecnologias. Os temas abordados serão vídeo-instalação, vídeo-performance e animação em stop-motion.

FAM

Data: 01 a 20 de Novembro de 2010

Locais: Pirenópolis (GO) e Brasília (DF)

O Programa de Residências e Oficinas Artísticas contemplará dois artistas selecionados por meio de edital para desenvolverem, junto ao Ponto de Cultura COEPI (Comunidade Educacional de Pirenópolis-GO), processo(s) artístico(s) que envolvam os saberes e técnicas da comunidade local com experimentações e pesquisas em arte e tecnologia. Após o termino da residência, os participantes devem ministrar oficinas em Escolas Parque de Brasília (DF), além de apresentar o resultado da experiência no FAM. Cada artista receberá uma bolsa no valor de R$ 6.100,00 (seis mil e cem reais) para viabilizar a execução do projeto. Mais informações: http://www.redefam.com.br/public/index.php?link=residencia

FAM

Dias 17, 18 e 19 de Novembro

Local: Biblioteca Nacional de Brasília

O FAM Simpósio promoverá o encontro de pesquisadores e artistas para a discussão e troca de idéias e experiências em Arte e novas tecnologias, mídias, arte e cultura digital, e política cultural para artes e culturas digitais. A Comissão Internacional do FAM SIMPÓSIO conta com a participação de Benoit Espínola (Dinamarca), Robert Mathy (Áustria) e Edgar Franco (Brasil). Os textos dos pesquisadores selecionados serão agrupados em uma publicação com Índice de Indexação (ISSN) do Programa de Pós Graduação em Artes da Universidade de Brasília (UnB). As inscrições para o público ouvinte serão efetuadas no local. ENTRADA FRANCA.

FAM

Locais e datas:

BRASÍLIA (DF): Conjunto Nacional - dias 29, 30 e 31/10; Parque da Cidade dias 19, 20, e 21/11; Escola Parque 308 Sul - dias 24, 25 e 26/11;

ANÁPOLIS (GO): Estação Ferroviária - dias 5, 6 e 7/11

PIRENÓPOLIS(GO): Cine Teatro de Pirenópolis - dias 13 e 14/11

Serão apresentados trabalhos nas seguintes categorias: Comunidades Virtuais, Vida Digital, Arte para Web e Celular, Nano Art, Bioarte, Game Art, Art-Hacker, Performance em Telepresença, Realidade Virtual e Aumentada, Mídias Locativas, Música Eletrônica, Vídeoarte, Glitch Art e todo tipo de manifestação estética em novas mídias. Além das exposições em espaços físicos, alguns trabalhos irão apenas para exposição na Galeria Virtual do FAM. ENTRADA FRANCA.

PUBLICAÇÕES (Catálogo Multimídia e Anais do Simpósio)

Lançamento: Fevereiro de 2011

Após a conclusão de todas as ações presenciais será publicado um Catálogo Multimídia contendo o registro (textos, fotos e vídeos) de todas as ações do II FAM, a ser disponibilizado em formato impresso e digital. Os artigos dos autores participantes do simpósio serão publicados em um livro em formato digital. Nenhum livro será vendido - todas as publicações serão distribuídas gratuitamente, na compreensão da maior disseminação do conhecimento.