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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Ministério Público e a regulação da mídia

Por Luis Nassif, publicado anteriormente no Jornal CGN  e no Pátria Latina:

Insuspeito de ter uma posição governista, o Ministério Público Federal - como defensor dos direitos difusos da sociedade - poderá ter papel central na regulação da mídia.

Em fevereiro de 2014, a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, do Ministério Público Federal em São Paulo, organizou uma audiência pública relevante, para discutir o tema. Obviamente, recebeu escassa cobertura da mídia.

O evento foi feito em parceria com o Intervozes (Coletivo Brasil de Comunicação Social), debatendo uma proposta apresentada por organizações da sociedade civil e trouxe um conjunto relevante de informações sobre o tema.

Todos os pontos estão ligados a direitos previstos no Artigo 5o da Constituição, dentre os quais:

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;

XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor;

XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais.

Convidados, os dois órgãos representativos dos grupos de mídia - a ABERT (Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão) e o Ministério das Comunicações de Paulo Bernardo - não compareceram.

Jefferson Aparecido Dias, Procurador Regional substituto, denunciou a “conivência” do poder público com a interdição deste debate, “em função da pressão das empresas do setor".

As prioridades do MPF-SP

Dias informou que, em São Paulo, os procuradores definiram como questões centrais o cancelamento de concessões que concentram mídias “além dos tênues limites colocados pela lei”, e o aumento da fiscalização para o cumprimento da legislação pelas rádios na capital.

A questão maior é que discute-se uma nova regulação, mas não se obedece sequer à regulação em vigor.

A legislação permite no máximo 6 outorgas de rádio FM e três em onda média nacional. Só o grupo de Comunicação Brasil Sat, que tem oito outorgas de rádio FM. Em vista disso, o MPF-SP solicitou à Anatel o cancelamento das concessões ilegais e a licitação dos serviços excedentes.

Outro ponto óbvio - mas que nunca foi devidamente utilizado pelos órgãos reguladores - é a obrigatoriedade das emissoras veicularem campanhas educativas.

No início daquele mês, a Procuradoria Regional insistiu junto ao Tribunal Regional Federal da 3a Região para que apreciasse ação que determinava à rede Globo a divulgação de uma campanha sobre os direitos das mulheres.

O parecer foi originado numa ação pública de 2012, após o programa Big Brother ter exibido imagens de um suposto abuso sexual. Como ocorre com todas as ações do gênero, a sentença de 1a Instância foi contra o MPF, em nome da liberdade de imprensa.

A PRDC atuou também em outros capítulos abusivos, como o arrendamento de concessões a instituições religiosas e - pasme-se! - contra um site que faz leilão de controle acionário de concessões cujos processos ainda estão sendo analisado pelo Ministério das Comunicações.

As iniciativas são individuais, da PRDC de São Paulo.

Se o Procurador Geral da República Rodrigo Janot quiser deixar uma obra de fôlego, deveria encampar a bandeira e abrir a discussão em nível federa.

A proposta do Intervozes

Representante do Intervozes, Pedro Ekman apresentou os principais pontos da proposta de democratização da mídia.

Espectro – dividir o espectro em três partes, conforme definido pela Constituição, reservando um terço do espaço para emissoras públicas ou comunitárias. Os outros dois terços ficam divididos entre as concessões comerciais e a radiodifusão estatal.

Operador de rede – criar um operador nacional de rede para oferecer estrutura nacional de operações do sinal de várias emissoras, dividindo as frequências de forma mais democrática e equilibrada.

Políticos – proibir a titularidade de concessões de rádio e TV por parlamentares em exercício de mandato e parentes destes em primeiro grau, regulamentando o artigo 54 da Constituição Federal.

Produção nacional e diversidade – regulamentar a determinação constitucional de estabelecimento de cotas de produção independente, nacional e regional, dos conteúdos de radiodifusão, destinando percentuais para cada uma dessas esferas.

Proteção à infância – regulamentação a proteção à infância, por meio da classificação indicativa.

Participação social - Cria o Conselho Nacional de Comunicação Social, com representação do Estado, concessionários e sociedade civil, para atuar como órgão auxiliar do Poder Executivo na fiscalização do cumprimento da legislação nacional e na formulação de políticas públicas para o setor. Cria também a Defensoria dos Direitos do Público, com a função de assegurar o respeito aos direitos humanos no campo da comunicação.


Contra censura - contra qualquer tipo de censura prévia, valendo-se da regulamentação já existente em países como Portugal, Inglaterra, Estados Unidos e Argentina para assegurar a preservação dos direitos humanos e impedir a monopolização do setor.

Caldas Novas - GO: Rádio e TV são empasteladas a mando de políticos locais do PSDB

Por Adriana Martins, de Caldas Novas - GO

A emissora TV Gazeta - GO e a Rádio Gospel FM foram arrombadas e saqueadas em Caldas Novas, estado de Goiás, no dia 2 de janeiro, supostamente a mando de lideranças políticas locais filiadas ao PSDB, mesmo partido do governador Maguito Vilela.
Segundo funcionários, ainda perplexos com o ocorrido, a invasão armada ao prédio das emissora teria sido, supostamente, a mando do prefeito da cidade e do grupo do recém eleito deputado estadual Marquinho do Privé -PSDB/GO.
As evidências partem de um vídeo - com mais de 22 mil acessos na internet - onde um dos líderes da invasão (funcionário do grupo hoteleiro da família do deputado), que levou todo o equipamento da TV e também o que era de uso pessoal de um funcionário, diz abertamente que o motivo foi por o dono das emissoras falar contra o prefeito Evandro Magal. 
Entretanto, como salienta o próprio proprietário das duas emissoras, Adão Gonçalves, até há pouco tempo, o relacionamento dos dois grupos era bom.


Veja também:



Família do ex-vice-prefeito de Caldas Novas
e hoje deputado estadual, Marquinhos Privê, PSDB, 
é apontada como sendo a mandante
do empastelamento das duas emissoras.
No início do ano, o então vice-prefeito de Caldas Novas, me procurou para fazer uma negociação na divulgação da sua campanha, já que o mesmo seria candidato a deputado estadual.Na ocasião negociamos que o agora deputado Marquinhos do Privé, compraria alguns equipamentos que seriam usados na TV Gazeta e em troca, minhas empresas fariam anúncios e matérias pagas, o que foi feito. No final da campanha, o deputado Marquinhos do Privé ficou me devendo alguns valores, além dos equipamentos que ele já tinha me entregado - afirma Adão Gonçalves, proprietário das emissoras.

A TV e a rádio permanecem fora do ar. Outra grande emissora de TV esteve no local e fez a matéria, porém antes de veiculá-la, o deputado Marquinho do Privé esteve na emissora, em Goiânia, tirou foto com o repórter e a matéria simplesmente sumiu. 
Será que em Caldas Novas a lei que garante liberdade de imprensa não existe? Os poderosos estão desafiando a justiça brasileira certos de que o dinheiro compra tudo e todos?

As imagens da violência que reina em Caldas Novas, no estado de Goiás, e a total falta de ação das autoridades policiais são chocantes. Demonstram a existência de coronéis que estão acima da lei e da ordem.

Veja o vídeo produzido a partir de imagens de celulares e cinegrafistas amadores.




Adão Gonçalves, proprietários das emissoras,
diz que elas foram alvo de ação a mando
das lideranças políticas locais.
Segue, abaixo, o relato do proprietário das emissoras Adão Gonçalves.

"Na última sexta-feira, 02/01, fui surpreendido com a informação que pessoas ligadas ao Prefeito de Caldas Novas e ao Deputado Estadual Marquinhos do Privé, estavam na porta da minha emissora para retirar a emissora do ar.
Comuniquei aos meus advogados, os quais foram de imediato para a porta da emissora, a mesma se encontrava fechada, pois estava exibindo programação gravada, por causa do feriado. Ao constatar que realmente os representantes do prefeito de Caldas Novas e ao deputado estadual, Marquinhos do Privé, estavam dispostos a arrombar a porta da emissora, os advogados chamaram a policia, a qual compareceu e aconselhou os mesmos a não invadir a emissora. Neste momento a PM recebeu ordem para deixar a porta da emissora.
Em seguida, o gerente do Hotel Privé, Ézio Afonso, e a advogada do Grupo Privé, Drª. Norma Luiza Reategui, voltaram para a porta da emissora e chamaram o restante dos funcionário e um caminhão de mudança, chegou também o segurança do deputado Estadual Marquinhos do Privé, Omar Bernardo, conhecido como "Capacete", com arma na cintura, o qual quebrou a porta da emissora para os funcionários do Grupo Privé entrarem.
A ação durou cerca de 30 minutos, logo que a polícia saiu e começaram a arrobar a emissora, ligamos para todos os números de celulares das viaturas. Liguei para o celular do comandante de polícia, Tenente Coronel Wesley, para o Major Welington, para a CPU, para o 190 através de várias operadoras e ninguém nos atendeu.
Ligamos também para o Corpo de Bombeiros, que através dos seus oficiais fizeram contados com a PM, mas ninguém quis fazer o atendimento da ocorrência.
A Policia Civil atendeu o telefone, mas disse que não poderia atender pois é serviço da PM.
Depois de uma hora do ocorrido, a PM compareceu no local para fazer a ocorrência.
Nas gravações feitas por celulares de funcionários, clientes e por quem passava pelo local, pode ser constatado agressões a funcionários da TV Gazeta, os quais foram obrigados a desligarem equipamentos coagidos sob ameaça de arma de fogo.
Nas gravações também fica claro que o motivo da ação é pelo fato das emissoras e jornal estarem fazendo matérias “negativas” contra a administração do Prefeito Evandro Magal.
Levaram vários equipamentos da sede da empresa, tirando a TV Gazeta canal 23 do ar, retirando também a Rádio Gospel do ar, e deixando o jornal diário Gazeta impossibilitando de editar suas edições, que circula em Caldas Novas e sul do Estado de Goiás. Além de equipamentos foi levado o valor de R$ 34.683,00, do caixa da emissora, o qual seria utilizado para o pagamento de funcionários no próximo dia 5.
Apesar do gerente do deputado Marquinhos do Privé ter dito nas gravações que a ação criminosa estava sendo feita porque os veículos de comunicação estavam falando “mau” do prefeito de Caldas Novas Magal e do governador, o empresário Adão Gonçalves não acredita na participação do governador nessa ação criminosa pois seus veículos nunca falou mal do seu governo e ao contrário disso sempre divulgou o bom trabalho realizado pelo governador Marconi em todo o estado de Goiás".

Foto-protesto, de TT Catalão: Bala não cala


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torna ainda mais sêmen
aquilo que eles temem...
BALA NÃO CALA!

sábado, 3 de janeiro de 2015

Violência: PM mata família de Jornalistas em Sto. Antônio do Descoberto - GO

Com base em relato de Kleber Karpov e no G-1
Três pessoas de uma família dedicada ao Jornalismo, no município de Santo Antônio do Descoberto, em Goiás, foram assassinadas pelo policial militar, Hélio Costa Vieira, durante uma briga com a esposa, na madrugada desta sexta-feira (2/Jan), no Setor Rio Formoso, em Goiânia.

As vítimas do triplo homicídio são Raimundo Nonato da Silva, 54 anos, e Maria Margarete da Silva, 45, sogro e sogra do suspeito, e um menino, de 11, Máximo, filho do casal.
O casal trabalhava junto. Raimundo Nonato da Silva, também radialista, era diretor e produtor do programa Patrulha da cidade, programa policial, veiculado via youtube e redes sociais. A esposa do comunicador - uma ex-lojista que deixou o negócio para ser cinegrafista e ajudar o marido - também foi morta. Máximo, apesar da idade, já ajudava na edição dos vídeos.

A mulher do autor dos disparos foi baleada no braço, mas foi socorrida e encaminhada para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). De acordo com a unidade de saúde, ela passou por cirurgia e o estado é considerado estável.

Segundo a polícia, o suspeito estava de folga quando houve uma discussão. Em seguida, ele teria efetuado os disparos e matado os três parentes. Os motivos da morte do casal de jornalistas ainda não são conhecidos e não é certo que a motivação tenha sido o trabalho de imprensa que realizavam.

Após o crime, o PM fugiu com três crianças e foi preso na cidade de Goiás. O delegado informou que ele foi encaminhado para a Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH), na capital, onde presta depoimento.


O jornalista e blogueiro Kleber Karpov, de Brasília, relata que juntamente com a jornalista Priscila Rocha tiveram a oportunidade de conhecer o casal há cerca de 30 dias, na delegacia do município de Santo Antônio do Descoberto, ocasião em que fazíam uma matéria para o telejornal Quero Meu Carro de Volta. 

Novamente em queda, TV Globo perdeu 5% de audiência em 2014

Por Lauro Jardim, em Radar on-line
Audiências da Rede TV e TV Brasil
não foram informadas
TV Globo perdeu 5% de audiência em 2014, caindo de 14,3 pontos, em 2013, para 13,5 pontos, no ano passado, entre 7h e meia-noite. Os dados do Ibope são da medição na Grande São Paulo. É o pior desempenho anual, desde que virou líder de audiência, há 45 anos.
Na contramão, cresceu a participação da TV paga e dos pequenos canais regionais, que cresceram de 6,7 pontos em 2013 para 8,6 em 2014.
Os números repetem a tendência dos últimos dez anos. Enquanto, de 2004 para cá, a Globo registrou uma queda de 38% na audiência, caindo de 21,7 para 13,5, a TV paga e os canais regionais cresceram 260%, saltando de 2,4 pontos para 8,6 na Grande São Paulo.
Em 2014, o crescimento da Record foi tímido, subindo de 6,1 para 6,2, número que a emissora tinha em 2012. O SBT fechou o ano com 5,6, frente a 5,3 em 2013. Já a Band caiu de 2,5 pontos em 2014 para 2,4 pontos em 2013.
A Record teve crescimento de 50% de 2004 para cá, saindo de 4,2 para 6,2. O pico da emissora do bispo Edir Macedo foi em 2008, com 8,3 pontos.
Nesses dez anos, o SBT perdeu 33% de sua audiência, numa queda de 8,4 para 5,6 pontos.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

CNMP realiza concurso para selecionar dois profissionais de Comunicação Social

Estão abertas até o dia 21 de janeiro as inscrições ao concurso promovido pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). 
Há duas vagas para Analista de Comunicação Social, com exercício funcional em Brasília.
Pelo edital, poderão concorrer bacharéis em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, Publicidade, Propaganda, Relações Públicas ou Comunicação Organizacional. 
Não é preciso ter experiência profissional pregressa, mas será exigido o registro profissional.
O salário é de R$ R$ 8.178,06, para um jornada semanal de trabalho de 40 horas

A íntegra do edital pode ser acessada aqui. Para se inscrever,clique aqui 

Opinião: Desoligopolizar a Globo, via PPPs, para salvar cultura alienada-americanizada por ela

Por César Fonseca, publicado originalmente em Independência Sul-americana

Em nome do interesse público, o oligopólio midiático privado teria ou não que ser combatido pelo seu oposto, de igual potência, um oligopólio público, para, então, promover a desconcentração do poder midiático vigente ao modo das parcerias público privadas?
Está em jogo na tarefa do novo ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, politicamente oriundo das forças sindicais petistas, a tarefa de combater o maior câncer contra a cultura brasileira, a oligopolização dos meios de comunicação, expressa, fundamentalmente, na Rede Globo, nascida, durante o golpe militar de 1964, para apoiar a supressão da democracia, em nome dos interesses contrários à nacionalização da economia, combatida, especialmente, pelos Estados Unidos e todo o aparado imperialista que comandam. Nova Lei de Mídia viria para isso, ou seja, democratizar a oferta de informação para a sociedade brasileira, sufocada pela oligopolização midiática posta a serviço dos mesmos interesses que patrocináram o golpe contra a democracia há 50 anos.
Talvez uma Lei de Mídia, em disseminação na América do Sul, atualmente, tão esperada pelo espírito democrático brasileiro,  tenha que desembocar na nacionalização do oligopólio praticado pela Rede Globo, para que seja possível trabalhar o espírito desenvolvimentista implícito à política das parcerias público privadas, no campo das comunicações.
Em “Tacão de Ferro”, o grande escritor norte-americano Jack London descreve a lógica do desenvolvimento dos oligopólios como a normalidade do mundo capitalista, em que as atividades econômicas, como um todo, caminham para superconcentração da riqueza e do poder em escala global.
Nesse processo inexorável de expansão incontrolável, o resultado, para London, na descrição da anarquia que a organização oligopólica vai produzindo e determinando, semelhante ao que aconteceu no crash capitalista de 2007/8, até que a bolha imploda, é a natural supressão do interesse público.
Tal prejuízo imposto à sociedade somente pode ser reparado por uma força de igual poder ao do oligopólio privado, capaz de colocar a prioridade do interesse público em cena: o oligopólio público.
Por que Joaquim Levy, ministro da Fazenda indicado pela presidenta Dilma Rousseff, já está pregando o fim da dualidade para a taxa de juros, afirmando que ela desvirtua o bom funcionamento da economia?
A dualidade se instalou porque a unidade, antes vigente, sob domínio oliogopólico privado, sufocava – como ainda sufoca – as forças produtivas.
Quando emergiu o crash, o que aconteceu?
O presidente Lula veio a público pedir o apoio dos bancos privados para que continuassem ofertando crédito à população, a fim de impedir interrupção do desenvolvimento econômico com expansão do desemprego.
Qual foi a resposta que obteve dos grandes banqueiros privados? NÃO, NÃO e NÃO.
Preferiram continuar praticando a agiotagem, ou seja, a aposta nos títulos da dívida pública, onde multiplicam seu capital sem fazer força.
Lula, então, lançou mão dos bancos públicos, que passaram a praticar taxas de juros mais baratas, para manter o crédito direto ao consumidor funcionando: o BNDES cuidando dos investimentos às grandes empresas; a Caixa Econômica Federal acelerando programas como o MINHA CASA MINHA VIDA e o Banco do Brasil, idem, mandando ver no financiamento dos bens e serviços.
Não tivesse adotado essa estratégia, a taxa de desemprego, no Brasil, hoje, estaria, certamente, na casa dos 20%, como acontece, hoje, nos países emergentes europeus.
Até nos Estados Unidos, Obama lamentou, no auge da crise, não existir por lá um banco de desenvolvimento, do qual pudesse lançar mão, de modo a sair da prisão da banca privada, que o obrigou a capitalizá-la, sem que obtivesse dela a compensão da aplicação nos setores produtivos, preferindo continuar comprando títulos do tesouro etc.
Mas, os Estados Unidos são os Estados Unidos: lá o BC encharcou a praça de moeda a custo zero, a taxa de juro desabou e o setor produtivo recuperou, graças ao dirigismo econômico obamista.
O poder oligopolizado, por aqui, não quis analisar esse intervencionismo claro, quando Tio Sam, claramente, fugiu das leis do mercado.
Voltando ao raciocínio de Jack London de que emerge o oligopólio público para fazer valer o interesse público violado pelo oligopólio privado, vale lembrar, também, Lenin.
Ele pregou nacionalização bancária como antídoto à anarquia econômica advinda das crises do capitalismo especulativo, cuja lógica descreveu genialmente em “O imperialismo, fase superior do capitalismo”.
Sem o controle do Estado sobre as finanças públicas financiadas pelo espírito especulador privado, o déficit público jamais será controlado, disse.
Quando Levy defende o fim da dualidade das taxas, como argumento para promover o ajuste fiscal, é possível ler o oposto do que o novo ministro pretende: ou seja, a intensificação do oligopólio financeiro privado que levou à anarquia econômica global.
A dualidade seria suprimida para restabelecer a unidade que se traduz na anarquia capitalista, como demonstraram os impasses que emergiram como resultado do crash.
O apelo levyano à unidade das taxas favoreceria ou contribuiria para o aprofundamento da oligopolização privada, cujas consequências tem sido trágicas para o consumidor?
O raciocínio poderia ser levado para o plano da comunicação.
A falta de dualidade na oferta de informações, capazes de refletir a diversidade de pontos de vista, natural no processo democrático, como demanda da própria sociedade, indispensável a sua evolução cultural, traduz-se, atualmente, na esterilização da cultura nacional.
Por que?
Simples.
Porque predomina, amplamente, a oligopolização da oferta de informação sob o predomínio do conceito da unidade-homogeidade cultural, como se o Brasil não fosse um continente.
Por que vigorar tão somente uma mensagem cultural unitária oligopolizada para as diferentes características culturais vigentes no sul, no norte, no nordeste, no centro-oeste, bem como para diversidades existentes no interior de cada região, todas deixadas de lado, eliminando uma efervescência cultural diversificada e multifacetada?
Foi levada, para a cultura, a unidade que Levy que restabelecer para as taxas de juros, eliminando as dualidades – ou melhor, variedades -, adequadas, naturalmente, às necessidades de flexibilização para o funcionamento da economia.
Não seria necessária, também, flexibilidade no tratamento da informação, em vez de vigorar, à custa de imposição de interesses de classe, apenas um ponto de vista unitário, acrítico, como o que é oferecido pela Rede Globo e suas associadas e, também, às congêneres, à sociedade, prisioneira dessa ditadura midiática oligopolizada, monitorada pelo capital financeiro especulativo?
Contra o oligopólio privado, por que não o seu antídoto, como disse Jack London, ou seja, o oligopólio público, em defesa, justamente, do interesse público?
Já existiu, no Brasil, um oligopólio cultural público.
A Rádio Nacional, criada por Getúlio Vargas, responsável por gerar efervescência cultural nacionalista, desembocaria, por exemplo, no Cinema Novo, na Bossa Nova, depois da revolução maior da cultura nos anos 1930 e 1940, especialmente, na música popular, como destaca Sérgio Cabral.
Tudo fruto da revolução nacionalista de 1930.
Qual foi, mesmo, no plano da cultura, o trabalho patrocinado pelos golpistas de 1964, que derrubaram a democracia, com apoio dos Estados Unidos?
Justamente, o de destruir a dualidade cultural, como deseja Levy destruir a dualidade das taxas de juros, para instaurar as sementes da oligopolização, isto é, os pressupostos da unidade cultural fascista, por meio da Rede Globo, cuja função histórica foi propagar e apoiar o golpe militar, como condição do seu nascimento.
Nesse sentido, a Rede Globo, historicamente, se ergueu, poderosa, como um câncer anti-cultural, contra o interesse público.
Não será fácil, portanto, a tarefa primordial que o novo ministro das Comunicações, Berzoini, terá que desenvolver, para restabelecer a democratização dos meios de comunicação.
Trata-se do maior desafio do novo governo dilmista.

Chega da banalização da cultura brasileira, no ambiente da oligopolização total da informação, caracterizada pelo predomínio exclusivo de um ponto de vista ideólogico, adequado aos interesses anti-nacionais, promotor da esterilidade cultural!