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sábado, 6 de fevereiro de 2016

Violência na TV. O começo do fim para Datena e companhia?

Ministério Público pede, em SP, condenação de programa da TV Record que feriu direitos humanos, ao incitar PM ao assassinato. Estudo revela mais de 60 atentados diários à Constituição.

Por Helena Martins, especial para a Ponte Jornalismo


“Atira, meu filho; é bandido”. Essa foi uma das frases proferidas por Marcelo Rezende, do programa Cidade Alerta, da Rede Record, ao transmitir, ao vivo, uma perseguição policial a dois homens que seriam suspeitos de roubo. A ação culminou com um tiro disparado à queima roupa pelo integrante da Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (Rocam) da Polícia Militar de São Paulo contra aqueles que, repetidas vezes, foram chamados de “bandidos”, “marginais” e “criminosos” pelo apresentador.
A cobertura, feita em junho do ano passado, foi objeto de representação elaborada pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação e pela ANDI – Comunicação e Direitos ao Ministério Público Federal em São Paulo. As organizações apontaram que houve desrespeito à presunção de inocência e incitação à desobediência às leis ou decisões judiciais. No texto, foram descritas as cenas e também as leis desrespeitadas pelo canal, em especial a Constituição Federal, que veda a veiculação de conteúdos que violem direitos humanos e façam apologia à violência, e o Código Brasileiro de Telecomunicações, que determina que “os serviços de informação, divertimento, propaganda e publicidade das empresas de radiodifusão estão subordinados às finalidades educativas e culturais inerentes à radiodifusão” (Art. 38, d).
Agora, o Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública contra a Rede Record e a União. O órgão pede que a emissora transmita uma retratação, por dois dias úteis, mostrando não compactuar com o comportamento hostil e com a incitação à violência perpetrada por Marcelo Rezende. Em caso de descumprimento, o grupo deverá pagar multa de R$ 97 mil por dia. O MPF requer ainda que a União cumpra com o seu dever e fiscalize o programa.
As medidas são importantes para enfrentar a perversidade praticada todos os dias pelos chamados programas policialescos. Não é mais possível calar diante de conteúdos midiáticos que se valem de uma concessão pública para ir ao ar e, então, violar direitos de forma sistemática, como comprova pesquisa realizada pela ANDI em colaboração com o Intervozes, a Artigo 19 e o Ministério Público Federal. O estudo (*)aponta que pelo menos 12 leis brasileiras e 7 tratados multilaterais são desrespeitados cotidianamente por esses programas, entre eles a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
A análise de 28 programas veiculados por emissoras de rádio e televisão em dez estados diferentes, ao longo de 30 dias, constatou que 1.936 narrativas possuíam violações. Entre elas: 1.709 casos de exposição indevida de pessoa; 1.583 de desrespeito à presunção de inocência; 605 de violação do direito ao silêncio; 151 ocorrências de incitação à desobediência ou desrespeito às leis; 127 de incitação ao crime e à violência; 56 casos de identificação de adolescentes em conflito com a lei; 24 registros de discurso de ódio e preconceito; 18 ocorrências de tortura psicológica e degradante, entre outros crimes.
Os números servem para comprovar práticas que podem ser observadas praticamente sempre que ligamos o rádio e a TV, especialmente no período do almoço ou no turno da tarde, já que, por serem considerados jornalísticos, os tais policialescos não são submetidos à classificação indicativa – permanecendo, assim, facilmente acessíveis às crianças e aos adolescentes. Poucas são as emissoras que não aderiram à fórmula que combina exploração de sensações (a começar pela dor de quem passa por situações violentas), merchandising e populismo. A estética (e, portanto, a ética) deles penetra também os tradicionais programas jornalísticos, inclusive porque estes passaram, na última década, a buscar responder ao crescimento da audiência daqueles.
Como consequência, temos veículos que levam a praticamente todos os lares brasileiros discursos que criminalizam, sobretudo, setores cujos direitos são historicamente negados, como os jovens negros suspeitos de atos infracionais. Discursos que criam estereótipos sobre comunidades ou populações inteiras, que tratam a violência de forma superficial e que apresentam como resposta aos problemas a redução da idade penal e outras expressões do Estado penal.
Ao passo que este vem se tornando cada vez mais necessário para regular a vida em sociedade com base na força, na vigilância, na produção do medo e na exclusão, também cresce o papel dos meios de comunicação na produção do que Eugenio Raúl Zaffaroni chama de “criminologia midiática”. Esta constrói uma imagem do real na qual estão, em lados absolutamente opostos, as pessoas boas, vulneráveis, e a massa criminosa. Isso é feito, claro, por meio da fabricação do estereótipo do criminoso, de campanhas de ‘lei e ordem’, de ideias rígidas, como a suposta impunidade dos adolescentes que entram em conflito com a lei, entre outros artifícios.
A justificativa para a seletividade penal necessária à manutenção deste sistema excludente e opressor é, assim, construída e reforçada todos os dias. A retórica de que “bandido bom é bandido morto” é exemplo disso. Ademais, ao praticar populismo penal, apresentando, por exemplo, a privação de liberdade em um sistema penal falido como resposta à demanda de segurança, tais programas – e as emissoras responsáveis por eles – privam a sociedade de ter acesso a uma informação plural, contextualizada e completa. Ignoram, por exemplo, o fato de o Brasil ocupar hoje o patamar de terceiro País com a maior população carcerária – posição que galgou, sobretudo, nos últimos dez anos, quanto também vimos o crescimento da violência, o que deixa claro que a saída proposta é absolutamente equivocada.
A figura carismática, o tom apelativo, a apresentação de respostas fáceis e a tentativa de ocupar o papel do Estado como mediador de conflitos e detentor da possibilidade de aplicação do direito abrem caminhos para a eleição de parlamentares – e, em breve, possivelmente de mandatários de cargos no Executivo. Alçados à posição de representantes da sociedade, esses apresentadores muitas vezes passam a integrar a chamada “bancada da bala” e a adotar agendas conservadoras, em especial em relação à segurança pública e aos direitos humanos, contra os quais também rotineiramente são proferidos discursos inflamados no rádio e na TV.
Para enfrentar essa lógica, é necessária, de imediato, uma mudança de postura dos órgãos responsáveis pela fiscalização dos conteúdos veiculados pelas emissoras de rádio e televisão, em especial o Ministério das Comunicações (MiniCom). Hoje, o Ministério tem recuado de seu poder fiscalizador e sancionador. Além de não monitorar os programas, atua apenas diante de denúncias ou de casos com grande repercussão pública. Além disso, pesquisa mostra que, em diversos casos, houve omissão ou restrição da ação do órgão ao considerar apenas dois dispositivos legais do Código Brasileiro de Telecomunicações para analisar conteúdos, embora haja muitos outros relacionados à questão.
A postura omissa do MiniCom resulta em uma carta branca para práticas criminosas. Entre 2013 e 2014, apenas duas emissoras de TV foram multadas por violações cometidas por programas policialescos: a TV Band Bahia, multada em R$ 12.794,08, e a TV Cidade de Fortaleza, que pagou R$23.029,34. No primeiro caso, a apresentadora Mirella Cunha humilhou um suspeito negro por oito minutos. No segundo, dois programas da emissora veicularam o estupro de uma menina de nove anos de idade. Nas duas situações, a ação do Ministério ocorreu após denúncia e pressão por parte da sociedade civil.
No caso que envolve o apresentador Marcelo Rezende, essa permissividade mais uma vez ficou clara. Assim como o MPF, o MiniCom recebeu do Intervozes denúncia sobre a ocorrência de desrespeito à presunção de inocência e incitação à desobediência às leis ou decisões judiciais. Não obstante, em resposta encaminhada pelo Departamento de Acompanhamento e Avaliação de Serviços de Comunicação Eletrônica, o órgão disse que segue analisando denúncia, mas que o Poder Judiciário deveria ser procurado em busca de reparação. Segundo o comunicado, “só depois de ocorrer a condenação do culpado, é que o Ministério das Comunicações poderá, com a sentença condenatória transitada em julgado, instaurar processo administrativo contra a entidade detentora da outorga para executar o serviço de radiodifusão, ‘por abuso no exercício da liberdade de radiodifusão por ter sido este meio utilizado para prática de crime’.”.
Além do longo prazo para a sociedade ter retorno de algo que, pelas características da mensagem televisiva, tem forte impacto imediato, em geral as multas são irrisórias e não há uma campanha pública que mostre a ocorrência da sanção nem o problema cometido pela emissora. Assim, essas medidas acabam sendo insuficientes para desestimular práticas equivocadas. Essa situação torna ainda mais urgente a atuação crítica da sociedade e de órgãos com posicionamentos contundentes, como tem sido o Ministério Público Federal, em relação aos grupos midiáticos.
Nunca é demais lembrar que a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa devem conviver harmonicamente com os demais direitos e podem, inclusive, ser fundamentais para a promoção deles, caso sejam utilizadas com esse fim. Diante de tudo isso e tendo em vista a complexa conjuntura vivenciada no Brasil, sobretudo no campo dos direitos humanos, defendemos algo que pode ser feito desde já, como ocorre em democracias consolidadas ao redor do mundo: não aceitar violações. Se não enfrentarmos coletivamente essa agenda, estaremos fadados a viver em uma sociedade paralisada pelo medo e sujeita à reprodução de discursos que ampliam desigualdades sociais e legitimam a exclusão de grupos populacionais por meio da criminalização, do encarceramento ou do extermínio.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Religiões afrobrasileiras ganham direito de resposta na Rede Record


A Rede Record de Televisão e a Rede Mulher, ambas de propriedade do Bispo Edir Macedo, terão que ceder quatro horas (no mínimo) de suas respectivas programações para exibir o direito de resposta das religiões afro-brasileiras.
De acordo com o site “Yahoo”, as emissoras de televisão do Bispo Macedo foram condenadas a produzir e exibir, cada uma, quatro programas de televisão, a título de direito de resposta às religiões de origem africana, em razão das ofensas proferidas contra elas em suas programações. Cada programa deverá ter a duração mínima de uma hora e as rés empregarão seus respectivos espaços físicos, equipamentos e pessoal técnico para produzi-los. A decisão é do juiz Djalma Moreira Gomes, da 25ª Vara Federal Cível em São Paulo/SP.
São consideradas religiões afro-brasileiras, todas as religiões que foram trazidas para o Brasil pelos negros africanos, na condição de escravos. Ou religiões que absorveram ou adotaram costumes e rituais africanos, como:
Candomblé – Em todos os estados do Brasil
Umbanda – Em todos os estados do Brasil
Babaçuê – Maranhão, Pará
Batuque – Rio Grande do Sul
Cabula – Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Culto aos Egungun – Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo
Culto de Ifá – Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo
Encantaria – Maranhão, Piauí, Pará, Amazonas
Omoloko – Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo
Pajelança – Piauí, Maranhão, Pará, Amazonas
Quimbanda – Em todos estados do Brasil
Tambor-de-Mina – Maranhão, Pará
Terecô – Maranhão
Xambá – Alagoas, Pernambuco
Xangô do Nordeste – Pernambuco
O Ministério Público Federal (MPF), o Instituto Nacional de Tradição e Cultura Afro-Brasileira (INTECAB) e o Centro de Estudos das Relações de Trabalho e da Desigualdade (CEERT) ajuizaram a ação civil pública contra as emissoras, alegando que as religiões afro-brasileiras vêm sofrendo constantes agressões em programas por elas veiculados, o que é vedado pela Constituição Federal, que proíbe a demonização de religiões por outras.
Djalma Gomes explica que a um prestador de serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens é um “longa manus (executor de ordens) do Estado no desempenho dessa atividade, e como o próprio Estado deve se comportar no cumprimento das regras e princípios constitucionais legais”.
O juiz cita algumas passagens da Constituição Federal (CF) que tratam destes serviços que devem ser “prestados visando à consecução dos fins da República Federativa do Brasil, entre eles a promoção do bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” e que o Estado deve garantir a todos “o pleno exercício dos direitos culturais, protegendo as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras” e “em caso de ofensa, é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo”.
“Os fatos imputados na inicial estão comprovados e são, ademais, incontroversos”, afirma o juiz, acrescentando que as emissoras sequer os negaram, apenas procuraram extrair a “conotação de ofensivos”, atribuída pelos autores.
O magistrado transcreve um trecho da liminar proferida na ação, pela juíza federal Marisa Cláudia Gonçalves Cucio, que mostrou relatos de pessoas que se converteram à Igreja Universal, mas antes eram adeptas às religiões afro-brasileiras, eram tratadas como “ex-bruxa”, “ex-mãe de encosto” e acusadas de terem servido aos “espíritos do mal”.
“Este tipo de mensagem desrespeitosa, com cunho de preconceito […] tem impacto poderoso sobre a população, principalmente a de baixa escolaridade, porque é acessada por centenas de milhares de pessoas que podem recebe-la como uma verdade”, explicou, na ocasião, Marisa Cucio.
Tanto a Rede Record quanto a Rede Mulher deverão exibir cada um dos quatro programas em duas oportunidades (totalizando oito exibições por emissora), em horários correspondentes àqueles em que foram exibidos os programas que praticaram as ofensas. Além disso, deverão realizar três chamadas aos telespectadores na véspera ou no próprio dia da exibição. A decisão não cabe recurso.
Leia aqui a íntegra da decisão

sábado, 3 de janeiro de 2015

Novamente em queda, TV Globo perdeu 5% de audiência em 2014

Por Lauro Jardim, em Radar on-line
Audiências da Rede TV e TV Brasil
não foram informadas
A TV Globo perdeu 5% de audiência em 2014, caindo de 14,3 pontos, em 2013, para 13,5 pontos, no ano passado, entre 7h e meia-noite. Os dados do Ibope são da medição na Grande São Paulo. É o pior desempenho anual, desde que virou líder de audiência, há 45 anos.
Na contramão, cresceu a participação da TV paga e dos pequenos canais regionais, que cresceram de 6,7 pontos em 2013 para 8,6 em 2014.
Os números repetem a tendência dos últimos dez anos. Enquanto, de 2004 para cá, a Globo registrou uma queda de 38% na audiência, caindo de 21,7 para 13,5, a TV paga e os canais regionais cresceram 260%, saltando de 2,4 pontos para 8,6 na Grande São Paulo.
Em 2014, o crescimento da Record foi tímido, subindo de 6,1 para 6,2, número que a emissora tinha em 2012. O SBT fechou o ano com 5,6, frente a 5,3 em 2013. Já a Band caiu de 2,5 pontos em 2014 para 2,4 pontos em 2013.
A Record teve crescimento de 50% de 2004 para cá, saindo de 4,2 para 6,2. O pico da emissora do bispo Edir Macedo foi em 2008, com 8,3 pontos.
Nesses dez anos, o SBT perdeu 33% de sua audiência, numa queda de 8,4 para 5,6 pontos.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Dono da Friboi oferece R$ 115 milhões pela Record Goiás

Por Ketllyn Fernandes, Jornal Opção



R$ 115 milhões. 
É esse o valor que o presidente da holding que controla a companhia JBS, Joesley Batista, ofereceu em troca da concessão da Record Goiás, cuja sede fica em Goiânia. 
O irmão do empresário e pré-candidato ao governo de Goiás pelo PMDB José Batista Júnior, o Júnior Friboi, tem intenção de ficar com 90% do negócio, o que consequentemente tiraria da emissora o controle da parte executiva. 

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Essas informações foram publicadas neste sábado (22/2) pela coluna Radar, da “Revista Veja”. Consta na publicação uma atualização às 11h21 segundo a qual Joesley entrou em contato com a redação da revista negando as informações, mas que o veículo manteria as informações publicadas.

Ao Jornal Opção Online o diretor-executivo da Record Goiás, Luciano Ribeiro, confirmou nesta tarde que Joesley tem intenção de adquirir a concessão goiana da emissora e que chegou a ser feita uma contraproposta no valor de R$ 150 milhões – isso porque somente a nova sede custou à empresa R$ 50 milhões, e, por manter uma equipe enxuta, a lucratividade em Goiás é considerada muito boa. Além do mais, a concessão em Goiás custaria em torno de R$ 50 milhões.
Em Santa Catarina e no Paraná a concessão local da Record foi vendida, mas em nenhum dos casos a emissora concedeu porcentagem suficiente de ações para perder o controle executivo como ocorreria na proposta feita por Joesley.
Ao que tudo indica a intenção do presidente da JBS em comandar a Record Goiás é o apoio ao irmão Júnior Friboi, que tem articulado ferrenhamente dentro do PMDB para garantir sua candidatura. Mas, em todo caso, Luciano Ribeiro frisa que transações como esta demoram mais de um ano para se concretizar, logo, não se daria dentro do ano eleitoral.
O diretor-executivo também pontuou ao Jornal Opção Online que “a probabilidade de venda é infinitamente menor” que a de não venda

sexta-feira, 17 de maio de 2013

TV Record estuda abrir mão de conteúdo próprio por terceirização


Por Keila Jimenez, colunista da Folha on-line

O RecNov, espaço de 280 mil metros quadrados que abriga os estúdios de produção da Record no Rio e é o segundo maior complexo televisivo do país, pode ser tomado por novos inquilinos.
As recentes demissões --cerca de cem funcionários foram desligados no Rio há uma semana-- e a política de corte de gastos --valores de contratos de artistas estão sendo revistos-- são provenientes de um novo rumo que a Rede Record pretende dar ao seu negócio: a emissora pode abrir mão de ser uma produtora de conteúdo para terceirizar quase toda a sua produção, com vistas a enxugar custos.
Editoria de Arte/Folhapress
Rede Record
Rede Record
Segundo a Folha apurou com executivos do alto comando da Record, a rede, que atualmente produz 85% do que exibe, estuda deixar de produzir suas próprias novelas, séries, programas de auditório, reality shows e até atrações do jornalismo.
Para os diretores da emissora, no atual cenário da economia brasileira, a conta da Record não fecha. A emissora gasta muito com talentos, profissionais e produção em um cenário de economia estagnada, anunciantes dispostos a investir apenas na Copa-2014 e uma vasta política de incentivos para a produção independente no país.
O mercado estima que a Record, que é de propriedade do empresário e bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal, conte anualmente com cerca de R$ 500 milhões pagos pela entidade religiosa, que ocupa as madrugadas do canal.
Em tempo de economia aquecida, as contas do canal já mostravam desequilíbrio. Dirigentes da emissora ouvidos pela Folha estimam que a rede tenha encerrado 2012 com cerca de R$ 80 milhões de prejuízo, tido como parte dos esforços do grupo para alcançar a líder em audiência, a Globo. A cifra não é confirmada pelo canal.
Mas a torneira vai fechar. O novo projeto de gestão da Record pretende comprar mais atrações estrangeiras, filmes, novelas e desenhos, como "CSI" e "Pica-Pau" (que a emissora já exibe), e investir em produção nacional independente.
A grande mudança operacional do canal atingirá até programas que há anos são feitos pela própria emissora em seus estúdios no Rio e em São Paulo. Há estudos que mostram que a rede conseguiria reduzir em 40% os custos das atrações se ela fossem feitas por produtoras independentes, que podem contar com captação de recursos via leis de incentivo.
Dentro desse novo pensamento, atrações como "Hoje em Dia", "Programa do Gugu", "Legendários" e até "A Fazenda" passariam a ser produzidas por terceiros e compradas pela Record. Com isso, estúdios da emissora seriam desativados ou locados, profissionais de técnica e artístico seriam dispensados e os custos cairiam.
A mudança total de modelo daquela que apoiava até então a sua busca por audiência nos moldes de negócio da TV Globo pode chacoalhar o mercado de TV aberta. Se concretizada a mudança, a Record poderá realizar demissões e renegociar contratos e iniciará a revisão do modelo de TV no país. Outros canais podem ir pelo mesmo caminho.
A direção da Record já iniciou uma série de reuniões para traçar os rumos dessa mudança, que deve ser sentida já no primeiro semestre. Procurada, a rede não quis comentar o assunto.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Record sai da Abert

Por Helton Posseti, do Telaviva news

A Record entregou à direção da Abert na  quinta-feira, 29,/10 uma carta de desfiliação da entidade. Segundo apurou este noticiário, a Record estava insatisfeita com uma suposta parcialidade da entidade na representação dos interesses do setor.
Sai da associação a Record cabeça-de-rede (São Paulo). Permanecem na entidade apenas mais duas afiliadas (companhias que não fazem parte do grupo, mas que retransmitem a programação da emissora), entre elas a de Manaus. Todas as filiadas (companhias que retransmitem a programação e fazem parte do grupo Record) já não pertenciam mais à Abert. Agora a Record será representada pela Abratel (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), composta principalmente pelas emissoras filiadas e afiliadas à Record. 
Na verdade, a emissora já vinha se distanciando da Abert desde que deixou de integrar a diretoria da associação há 3 anos. Permanecem na Abert a Rede Globo e o SBT entre as grandes redes, fora suas afiliadas e afiliadas de outras emissoras.  
A Band e a Rede TV! são representadas pela Abra (Associação Brasileira de Radiodifusão).

sábado, 19 de maio de 2012

Record perde R$ 100 mi e divide Igreja Universal

Record perde R$ 100 mi e divide Igreja UniversalPREJUÍZO PROJETADO PARA ESTE ANO SE SOMA A PERDAS DE R$ 60 MILHÕES EM 2011; CORRENTE DA IGREJA UNIVERSAL DEFENDE FIM DE GASTOS COM JORNALISMO E ENTRETENIMENTO PARA FORMAR GRADE AINDA MAIS RELIGIOSA; DIRETOR ARTÍSTICO HONORILTON GONÇALVES É CONTRA; DE QUE LADO EDIR MACEDO VAI FICAR?Foto: Montagem/247

Da Brasil 247 – A julgar pelas projeções de forte prejuízo financeiro na sua TV Record, as preces por lucro do líder da Igreja Universal, Edir Macedo, ou não estão sendo feitas, ou vêm sendo em vão. Informação da coluna Radar, do jornalista Lauro Jardim, dá conta de que o 'bispo' foi comunicado sobre uma perda projetada em R$ 100 milhões para a emissora em 2012. O buraco  é 66% maior que o aberto no ano passado,  quando a Record entrou no vermelho em R$ 60 milhões. E isso com a Igreja tendo injetado cerca de R$ 500 milhões por meio da compra de horários noturnos para a transmissão de programas religiosos.
O pagamento de US$ 60 milhões pelo direito de transmitir com exclusividade as Olimpíadas de Londres pesou no resultado negativo da emissora, assim como o envio de cerca de 300 profissionais à capital britânica para a cobertura.
Acredita-se que o prejuízo deve reativar a luta interna existente na Igreja em torno da administração da Record. Uma corrente defende que a emissora assuma uma programação ainda mais religiosa, retrocedendo em relação a programas de entretenimento e cunho jornalístico. Sustentam que os gastos são altos. Essa corrente tende a se fortalecer nesse momento em que, além do prejuízo, a Record amarga uma de suas piores fases em relação à audiência. No horário nobre, a emissora do 'bispo' perdeu 12% de audiência em abril comparado com o mesmo período do ano passado.
A manutenção da atual grade de programação é defendida pelo grupo que tem como líder o atual diretor artístico, Honorilton Gonçalves. Para ele, a Record deve continuar investindo numa guerra direta contra a Rede Globo, apesar dos custos a serem enfrentados.
Entre as duas alas, Macedo, agora, tem novos elementos para pensar no que fazer. Mais precisamente, 100 milhões de reais em elementos.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Record pretende processar Fifa por transmissão de Copas

Da Brasil 247

A TV Record reagiu à informação de que a sua principal concorrente, a TV Globo, já garantiu os direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2018 e 2022. E bateu forte na concorrente. A emissora carioca fez o comunicado do acerto na terça-feira e, nesta quarta, o canal paulista divulgou uma nota oficial informando sua "absoluta surpresa" sobre a decisão da Fifa. A Record informa que pretende estudar medidas judiciais cabíveis na Suíça e no Brasil que garantam os direitos internacionais de negociação.
De acordo com a Record, a emissora foi informada pela entidade que rege o futebol de que haveria uma licitação para definir a melhor proposta para a transmissão dos Mundiais. A emissora afirma ter como prova e-mails trocados entre executivos da Fifa e da Record após a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010.
"No encontro realizado no Hotel Fasano, no Rio de Janeiro, a direção de nossa empresa ouviu garantias de que a licitação seria pública, transparente e aberta em regime semelhante ao que a Fifa realiza em países do mundo inteiro. Na oportunidade, a Record também entregou à Fifa um documento oficial afirmando que concorda com todas as condições para a aquisição dos eventos", diz o comunicado.
A Record diz, ainda que a concorrência foi anunciada sem que qualquer outra empresa de comunicação do Brasil fosse consultada. E, ao mesmo tempo, a Fifa teria iniciado processos de concorrência em países europeus e sul-americanos, além de Estados Unidos, Canadá e Austrália.
"É estranho verificar que para o Brasil o método seja outro. Um contrato sem concorrência decidido 'fora do horário comercial', sem ser à luz do dia e de forma transparente", continua o comunicado. "Relevante, também, ressaltar que a empresa que teve seu acordo prorrogado com a FIFA gosta de se auto intitular como um dos maiores grupos de comunicação do mundo. Em contrapartida, mostra em seus métodos que não aceita concorrência livre em que a melhor proposta seja a vencedora."

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

TV Record terá que pagar indenização de R$ 30 mil a policial

Do Brasília 247 

ALEGANDO TER SIDO VÍTIMA DE PRECONCEITO RACIONAL PELA EMISSORA, O MILITAR COBROU, ALÉM DA INDENIZAÇÃO, RETRATAÇÃO NOS DOIS PROGRAMAS; JUSTIÇA CONSIDEROU PEDIDO DESNECESSÁRIO; DECISÃO AINDA CABE RECURSO

 A emissora Record Centro-Oeste vai ter que indenizar em R$ 30 mil um policial militar por tê-lo acusado de tentativa de homicídio, sem apresentar provas. O PM Luis Carlos dos Santos Ramos alegou que foi vítima de preconceito racial por parte de jornalistas dos programas DF Record e Balanço Geral, uma vez que era o único negro no local do crime. Por esse motivo, de acordo com Ramos, ele foi apontado como possível autor dos disparos em uma padaria, em Sobradinho II, em 2009.
O policial ainda afirma que a acusação se tornou mais grave depois que esposa e filha assistiram à reportagem. Além da indenização, o policial pediu retratação da notícia nos programas, em igual tempo de duração da reportagem, durante uma semana. A juíza da 2ª Vara Cível de Sobradinho, Margareth Cristina Becker, não aceitou a retratação porque a reexibição da reportagem traria exposição desnecessária à imagem e à honra da vítima, esvaziando a própria finalidade da garantia constitucional. A decisão ainda cabe recurso.

domingo, 15 de janeiro de 2012

TV Record é obrigada a dar voz a religiões afro-brasileiras

A Justiça concedeu aos representantes das religiões afro-brasileiras um direito do resposta do que foi entendido como informação difamatória veiculada pela TV Record.
Entidades afro-brasileiras foram autorizadas a produzir um vídeo de direito de resposta coletivo a uma reportagem da TV Record. O programa foi gravado e tornou-se público no final de 2011, mas não pode ser exibido, pois a emissora recorreu da ação e conseguiu impedimento momentâneo.
Conforme informa o vídeo, o programa é um "direito de resposta concedido pela Justiça Federal ao Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), ao Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira (INTECAB) e ao Ministério Público Federal, autores da ação contra o enfoque negativo e discriminatório das religiões afro-brasileiras".
A gravação conta com a participação de representantes de entidades ligadas às religiões afro-brasileiras e profissionais de comunicação, entre eles Iran Castelo Branco, do movimento Mídia Pela Paz, Gabriel Priolli, jornalista e produtor independente, e Laurindo Leal Filho, professor da ECA-USP.
Daniel Teixeira, coordenador do CEERT, ressalta que o caso ainda está em juízo, logo são poucas as informações que podem ser dadas a respeito. Contatada, a Record ainda não se pronunciou sobre o assunto.
Protestos na internet
No final de dezembro, a Record também virou alvo de protestos de grupos católicos que acusaram a emissora de perseguição. Ativistas indignados com reportagens exibidas nos jornalísticos da casa consideraram que a emissora de Edir Macedo realiza "ataques ao catolicismo".
Um dos movimentos se intitulou de "Brasil Sem TV Record" e convocaram os internautas via redes sociais a boicotarem a Record no dia 16 de dezembro, evento que, segundo a emissora, "não teve êxito". Outro grupo criou a hashtag #jornalismodeterceira e pediu para que os católicos não assistam mais à Record.

Veja o vídeo gravado para ser exibido na TV Record, como direito de resposta das religiões afro contra ataque sofrido.