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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Empresas de comunicação do Brasil e de Angola preparam parceria no segmento de relações públicas.

Do Portugal Digital

A empresária brasileira de comunicação Silvana Destro, da S.Destro Comunicação, embarca nesta semana para Luanda, onde vai formalizar parceria com a empresa angolana Etnia Comunicação.

O objetivo é buscar novos negócios, a partir do desejo angolano de se inserir globalmente, inclusive no item Relações Públicas, de acordo com assessoria da empresária.

Um dos primeiros resultados desta parceria será a produção do Anuário de Negócios & Oportunidades/2012, que deve circular em novembro próximo.

“Estamos no mercado há 12 anos e a associação com a brasileira S. Destro Comunicação vai nos proporcionar um trabalho qualitativamente mais rico e atraente”, segundo o proprietário e administrador da Etnia-Comunicação, Victor Aleixo.

“Nós vamos levar para Angola quase 20 anos de experiência em comunicação corporativa. É um desafio extremamente gratificante, que vai exigir muito trabalho e dedicação”, conta a jornalista e empresária brasileira, à frente da S.Destro Comunicação.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Moçambique decide adotar padrão europeu de TV digital

Por Eduardo Castro- Correspondente da EBC na África

Maputo – Moçambique vai seguir a recomendação da Comunidade de Países da África Austral (Sadc) e adotar o padrão europeu de televisão digital (Digital Vídeo Broadcasting - DVB-T2).

“A medida foi tomada em reunião do Conselho de Ministros – ou seja, é uma decisão de governo”, disse o diretor-geral do Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), Américo Muchanga. Ele espera que a instalação da infraestrutura comece ainda este ano.

Em novembro, a Sadc aprovou recomendação para que seus 14 integrantes (África do Sul, Angola, Botsuana, Congo, Lesoto, Madagascar, Malawi, Ilhas Maurício, Moçambique, Namíbia, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue) adotassem o sistema europeu. Mas, como a medida não é obrigatória, o Brasil e o Japão mantêm a esperança de conquistar alguns usuários para o seu sistema ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial). Propuseram, inclusive, a realização de testes em países como Angola, Botsuana e Moçambique.

Mesmo se tratando de decisão de governo, Muchanga não desencoraja os testes com o padrão nipo-brasileiro, porque uma comissão do Ministério de Transportes e Comunicações ainda vai determinar como será a migração para o sistema digital. “As decisões de governo são dinâmicas e ainda não há nada instalado”, diz Muchanga. “A comissão de migração ainda vai se debruçar sobre todo o processo."

O grupo vai desenhar a estratégia da migração do atual sistema analógico para o digital, que deverá estar completa em 2015. Deve ser criado pelo menos um órgão estatal para gerir o processo. Também será determinado se o país vai adotar o operador único de rede.“É melhor termos um único operador, para sinais públicos e privados, por questões econômicas”, diz o diretor-geral. “Mas isso ainda será objeto de análise”.

A Tanzânia e a África do Sul estão mais adiantados na digitalização da transmissão de rádio e televisão na África Austral. No continente como um todo, as Ilhas Maurício já completaram 90% do processo.

O diretor-geral do INCM não quis adiantar qual será o investimento necessário em Moçambique. Ele disse que a decisão pelo sistema europeu “não está baseada em nenhuma promessa.” Alguns países que já haviam optado pela padrão europeu, como a Colômbia, reabriram as negociações depois que a União Europeia não cumpriu promessas de financiamento.

Moçambique tem quatro emissoras de TV abertas, que atingem praticamente todo o território nacional - a TVM (pública), STV, Miramar (ligada à brasileira Record) e a TIM – além de canais locais e da emissora pública portuguesa, a RTP.

Segundo o censo de 2007, somente 467.536 lares do país tinham aparelho de TV. O diretor-geral do INCM estima que Moçambique esteja hoje com um número bem maior de televisores, por causa do crescimento econômico e da melhora na distribuição de energia nos últimos anos.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Lusofonia: TV Brasil Internacional chega a Portugal

Do Tela Viva News

O canal público TV Brasil Internacional, da EBC, passa a ser distribuído em Portugal, pela operadora Meo-TV, do Grupo Portugal Telecom. O canal entra no pacote básico da operadora, não sendo necessário pagar um valor adicional para assiná-lo. O canal internacional conta com a programação da TV Brasil, mas com arranjos horários adaptados a cada país. Assim, o Repórter Brasil, telejornal diário da TV Pública que vai ao ar às 21 horas no Brasil, é exibido em Lisboa às 7 da manhã. A grade internacional tem ainda programas voltados exclusivamente para os brasileiros residentes no exterior, como o "Brasileiros no Mundo", "Conexão Brasil" e "Fique Ligado", este último uma agenda de eventos culturais brasileiros no exterior.

O Canal, que começou a ser transmitido para 49 paises africanos em maio, começa sua penetração na Europa por Portugal, devendo chegar em breve à Espanha. No próximo dia 15, terão início as transmissões para os EUA, através da operadora Dish Network. Na América Latina, A TV Brasil continua sendo distribuída pelas operadoras que antes exibiam o canal Integración. Além disso, pode ser captada pelo satélite NSS806.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Lusofonia: emissoras de tv buscam mercado luso-africano

Do TelaViva news

Com objetivos diferentes, TVs do Brasil e de Portugal contribuem de alguma forma para a integração entre países de língua portuguesa. Na primeira mesa de um encontro de emissoras de TV da comunidade lusófona que acontece no 11º Forum Brasil – Mercado Internacional de Televisão, que acontece esta semana em São Paulo, TV Brasil, Globo e a portuguesa SIC apresentaram a evolução da internacionalização de seu conteúdo através de canais internacionais. Globo e TV Brasil apontaram na internacionalização a meta de atingir brasileiro expatriados. Com 10 anos de existência, a Globo Internacional chega a 260 mil assinantes, sempre em pacotes premium, em diversos países da África, Europa, além de Estados Unidos e Japão. Segundo Alejandra Moreno, executiva da área internacional da Globo, há dois anos a Globo produz conteúdo local na África, o "TV África".

Já a TV Brasil, que começou há seis meses a transmitir para o mercado internacional, conta distribuição apenas na África, chegando a 49 dos 53 países do continente, incluindo todos os países de língua portuguesa. Segundo Marilena Chiarelli, responsável pela difusão no mercado internacional da TV pública brasileira, já há a produção de conteúdos voltados exclusivamente aos expatriados: uma agenda cultural; um programa que tira dúvidas frequentes entre os que mora fora do país, como emissão de passaportes ou declaração de renda; e o "Conexão Brasil", que leva notícias do país. A ideia é que o canal chegue a países da América Latina e aos Estados Unidos ainda este ano.

Mercado potencial

Já o canal privado português SIC apresentou outra meta com a atuação no mercado internacional. Segundo João Pedro Nava, diretor de distribuição da SIC, o canal chega a 11 países, buscando não apenas portugueses expatriados. "A África representa um enorme potencial para a SIC", disse, destacando que a previsão de crescimento do PIB de Angola é de 8% este ano. "A previsão para Portugal é de 0,5%", disse. Em virtude da aposta, a SIC conta com distribuição de mais um canal em todas as plataformas de TV por assinatura no país.

São Tomé e Príncipe,

A TVS, canal de São Tomé e Príncipe, está prestes a fechar contrato de intercâmbio de conteúdo com a EBC, segundo Mateus Ferreira, representante do canal no Encontro de TVs de Língua Portuguesa, parte da programação do 11° Forum Brasil – Mercado Internacional de Televisão, evento que a Tela Viva promove em São Paulo esta semana. “Queremos fazer acordos que possam internacionalizar os conteúdos”, explica Ferreira. Ele elogiou o programa DocTV CPLP, que propõe a produção de documentários nos países de língua portuguesa para exibição nos canais públicos.
Do TelaViva news

A TVS tem oito horas de programação diárias, com três programas informativos, além de atrações culturais, infantis e esportivas. Segundo Ferreira, um dos desafios do canal é a aquisição de meios e a digitalização.

Angola

Para Suzana Mata, diretora da TV Pública Angolana (TPA), há potencial para cooperação entre televisões de países de língua portuguesa. "É preciso mobilizar recursos para a coprodução entre os países", disse em encontro de TVs de língua portuguesa que acontece durante o 11º Forum Brasil – Mercado Internacional de Televisão. Ela cita como exemplo positivo o DocTV CPLP, o programa de coprodução entre emissoras públicas e produtores independentes da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. "A TPA vai continuar apoiando", disse.

Segundo ela, o canal de Angola investiu na construção de um "mini-Projac", que pode contribuir para a coprodução com outras emissoras.

Marilena Chiarelli, da TV Brasil, também cobrou no debate a criação de "novos parâmetros" para coprodução. Além disso, afirmou que o canal público vem negociando com as TVs públicas da CPLP uma troca de conteúdos.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Cultura: Revista Nova Águia será lançada em Brasília na próxima semana

Do Portugal Digital

A revista "Nova Águia", especializada em cultura, com enfoque nos ensaios e na poesia, será lançada na próxima semana em Brasília, num evento que decorrerá dia 8, às 19h30, na Embaixada de Portugal, por iniciativa da Casa de Agostinho da Silva. O evento está integrado na semana de comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que é assinalado a 10 de junho. Na iniciativa que decorrerá dia 8 haverá ainda outras acções paralelas ao lançamento da revista.

Na Embaixada de Portugal em Brasília será destacado o programa televisivo luso-brasileiro "Brasil, Portugal - Lá e cá", de Carlos Fino e Paulo Markum. Estão também previstas intervenções de Sam Cyrous, Jorge da Paz Rodrigues, Washington Araújo e Jorge Antunes.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Rede portuguesa SIC e TV Globo, do Brasil, se associam para produzir novelas

Do Portugal Digital

A SIC - Sociedade de Comunicação Independente -, de Portugal, e a TV Globo, do Brasil, vão assinar, no início de junho, um contrato de coprodução válido por dois anos. As negociações para uma parceria de coprodução na área de dramaturgia em Portugal terminaram esta semana. O acordo prevê a produção de duas novelas. A primeira já está em fase de pré-produção, informa a SIC em comunicado.
Segundo o Negócios Online, ambas as empresas estarão envolvidas em todas as etapas de criação e produção, incluindo direção, planejamento e definição de elementos artísticos.
“Este acordo representa um novo e importante desenvolvimento na oferta de ficção da SIC, no qual contamos com a extraordinária experiência e conhecimento da Globo. Estamos muito satisfeitos com reforço da parceria entre as duas operadoras”, disse Luís Marques, Director Geral da SIC.
A primeira novela será da autoria do já reconhecido autor brasileiro, Aguinaldo Silva e terá Guilherme Bokel, como produtor executivo associado.A primeira obra a ser produzida será ‘Caminho da Felicidade’ (título provisório), escrita por Pedro Lopez, com a supervisão de texto de Aguinaldo Silva.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Programa da TV Cultura e RTP junta Portugal e Brasil... lá e cá

Do Portugal Digital

Dois países irmãos, duas emissoras públicas e dois reconhecidos profissionais do jornalismo dão as mãos para uma viagem inédita. O destino desse intercâmbio é "Brasil, Portugal – Lá e Cá", nova série da TV Cultura que estreia dia 25 de abril (domingo), às 21h.
A televisão pública portuguesa, a RTP, é a parceira dessa empreitada, que foi idealizada pelo jornalista Paulo Markun, presidente da Fundação Padre Anchieta (FPA), e pelo convidado especial do programa, Carlos Fino, conselheiro de imprensa da Embaixada de Portugal no Brasil.
Em 13 episódios de 30 minutos, a atração semanal revela o Brasil para os portugueses e Portugal para os brasileiros. Suas semelhanças e diferenças – curiosidades, subtilezas, resgate histórico e cultural – serão abordadas em reportagens especiais, conversas descontraídas, reflexões, entrevistas exclusivas e muitas imagens dos arquivos dos dois canais.
"Lá e Cá" tem como cenário fixo a casa de Paulo Markun, em Santo Antônio de Lisboa – comunidade fundada por açorianos em Florianópolis (SC) –, e a de Carlos Fino, em Fronteira, na região do Alentejo, em Portugal. No bate-papo, que se estende por alguns pontos turísticos e idílicos, os temas passeiam entre o pop e a História, passando por economia, cultura, culinária, arquitetura, meio ambiente, comportamento e outros assuntos que interessam a portugueses que vivem cá e a brasileiros que vivem lá, e vice-versa. Todo esse emaranhado de debates é conduzido com saudáveis pitadas de bom humor.
No primeiro episódio, depoimentos como o da cantora Fafá de Belém, do jornalista português do jornal "Expresso" Nicolau Santos e da artista plástica residente em Portugal Letícia Barreto trazem pontos de vista individuais que contextualizam o amplo cenário sócio-cultural luso-brasileiro.
A série será exibida no Brasil pela TV Cultura e em Portugal pela RTP 2 e RTP Internacional, que transmite também para vários países do mundo. No novo site do programa, em www.tvcultura.com.br/laeca, no ar a partir do dia 15, ficarão disponíveis os episódios do "Lá e Cá" logo após o seu lançamento na grade. Ainda terá a opção para que o público envie seus vídeos. Os mais criativos ficarão em destaque.
A pré-estreia do programa, que será no Museu da Língua Portuguesa, dia 20 de abril, terá "pocket show" das garotas do "Choro das 3". E no dia 22 de abril, na Igreja de Santo Antônio, é a vez de Florianópolis receber o evento. Portugal também prepara seu pré-lançamento da série.

Lusofonia: Emigrante e luso-descendente lançam "web radio" portuguesa no Brasil

Do portal Portugal Digital

Um emigrante português no Brasil e uma luso-descendente decidiram lançar uma rádio portuguesa na Internet, alimentada pelo "mais alto sentimento de amor à música e à cultura portuguesa". A Web Rádio Portugal, que já pode ser ouvida a partir de http://webradioportugal.blogspot.com, tem a coordenação de Cláudia Tulimoschi e Oliveira Nunes.
"Temos como objetivo garantir, dentro de nossas possibilidades, a disseminação das tradições portuguesas e assegurar a divulgação do trabalho de artistas emigrantes que tanto lutaram e ainda lutam pela divulgação da cultura de sua saudosa Pátria, em especial a música, e mais especificamente o Fado", apontam os programadores deste novo espaço de divulgação cultural.
Ainda em fase de construção, a rádio emite das 8h às 24h, com música, entrevistas, notícias e informação sobre tradições, história, culinária, turismo, entre outros temas.
Já estão no ar programas como "Seleções portuguesas" (emitido aos domingos às 21h), "Mundo fado" (diariamente às 21h), "Cardápio cultural" (segundas, quartas e sextas às 19h), "Caravela da saudade" (sábados às 20h), "Bancada rosa" (sextas e sábados às 18h), entre outros.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Maior utilização da mídia é defendida para promover língua portuguesa

Por Daise Lisboa, do portal Portugal Digital

"É comum vermos, em Bissau, as pessoas com seus radinhos, pelas ruas. É um objeto de fácil aquisição. Lá se compra um rádio de pilhas por uma quantia equivalente a R$ 10,00. Por isso, acreditamos que o rádio ainda é um grande instrumento que pode ser utilizado na divulgação da língua portuguesa em muitas comunidades", defendeu Sónia Rocha, coordenadora de assuntos culturais do Centro Cultural Brasil-Guiné-Bissau.
O discurso da representante da Guiné Bissau na conferência sobre o futuro da Língua Portuguesa no mundo defendeu maior visibilidade da língua portuguesa a nível internacional. Sónia Rocha citou como exemplo o trabalho que vem fazendo em Bissau, na rádio católica Sol Mansi – que quer dizer amanhecer, no dialeto crioulo.
Sónia é responsável por colocar no ar um programa semanal, de 40 minutos, das 18h30 às 19h10, sempre às sextas-feiras. "O programa é dirigido ao público jovem e procuramos utilizar uma temática com notícias sobre a cooperação entre o Brasil e Guiné, com música, noticias e informações sobre o Brasil, sempre fazendo um link entre os temas a fim de despertar o interesse dos ouvintes", explicou Sónia.
As sessões de trabalhos da conferência, realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília, renderam muitas sugestões que deverão viabilizar a expansão da língua portuguesa internacionalmente. Após uma sessão inaugural concorrida, no sábado as sessões prosseguiram inflamadas por discursos repletos de sugestões e os participantes se empolgaram com as propostas. As sugestões apresentadas, convergiram para uma mesma ideia: que as iniciativas em prol da língua portuguesa utilizem ainda mais os meios de comunicação.
Os presentes, a maioria professores de universidades, utilizaram frases de filósofos e de pensadores para expressar sua posição perante o público. Não faltou também quem expusesse, desolado, sobre o baixo nível do português nas redações dos candidatos às universidades brasileiras, o que levou um dos participantes a pedir que seja pensado um ponto estratégico na educação que atenda o indivíduo enquanto criança, nos primeiros anos, porque acredita que é nessa fase que ele tem de receber um ensino que mude essa realidade, alimentando desde cedo a sua base de saber.
O conselheiro de imprensa da Embaixada de Portugal, Carlos Fino, destacou a intervenção da cantora e intérprete Maria Bethânia, na abertura da conferência, lembrando que há uma alma nessa comunidade de países lusófonos. "Mas para ela se firmar precisamos conhecer cada vez mais essa alma", afirmou Carlos Fino ao Portugal Digital. "Nada se firma só com o corpo, é preciso um espírito, e esse espírito ainda conhecemos pouco. Precisamos nos conhecer ainda mais, uns aos outros", garante Fino.
Na opinião do conselheiro, a lusofonia não pode ser uma forma em que as pessoas possam suspeitar de que há um interesse imperial português, fora do tempo. "Isso tem de ficar claro. E para que isso aconteça nada melhor do que nós conhecermos melhor a diversidade da comunidade da língua portuguesa, conhecer melhor o Brasil, o que se passa em Angola, em São Tomé e Príncipe, conhecer as especificidades de cada um que compõe essa comunidade", exemplificou.
Carlos Fino sugeriu que a televisão pode ter um papel neste processo. Ele colocou que poderia ser por um canal de TV (que poderia ser adquirido), ou até mesmo inserções em emissoras já existentes. Depois de sugerir esse salto, ele partiu para outro ponto: que se comentem histórias que os próprios povos desconhecem em programas de televisão para circular em diferentes países, em que explorem a história comum entre os países. "Portugal conhece pouca história portuguesa no Brasil", assinala.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Até julho, TV Brasil Internacional chega à África.

Por Wilson Tosta, de O Estado de São Paulo

A TV Brasil, emissora operada pela estatal Empresa Brasil de Comunicação (EBC), lançará ainda este ano um canal internacional voltado para parte dos cerca de 3 milhões de brasileiros que vivem noexterior. Apelidada de "TV Lula" por oposicionistas, que a acusam defazer propaganda do governo federal, a estação quer inicialmente atingir brasileiros que vivem em outros países da América Latina, EUA, África e Península Ibérica.
A ideia é substituir o Canal Integración, que será extinto, por uma programação por assinatura exclusivamente em língua portuguesa, transmitida por cabo.
"O Canal Integración serviu muito à ideia de integraçãolatino-americana, mas já cumpriu o seu papel", diz a presidente da EBC, Tereza Cruvinel. Segundo ela, há uma "enorme demanda" de emigrantes brasileiros por um canal de TV a preços baixos no exterior.
As redes Globo e Record já disputam o público emigrante brasileiro, mas há reclamações na comunidade com relação às tarifas cobradas.
"O Brasil virou um país de emigração. Já foram realizadas duas conferências de emigrados. Na última, no Rio, comparecemos, e o assunto canal internacional foi mais palpitante."
O novo canal está sendo montado por uma equipe chefiada pela jornalista Marilena Chiarelli e usará o New Skies, mesmo satélite atualmente utilizado pelo Integración por isso, a empresa avalia que não terá custo adicional nesse item, de pouco menos de R$ 500 mil anuais.
A transmissão começará até julho, pela África, onde a EBC está mais perto de fechar acordo para distribuição de programação. A empresa escolhida, a Multi-Choice, atinge 90% do continente e pode colocar a emissora nos Palops (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), como Angola e Moçambique. "A TV a cabo está chegando à África, é uma boa oportunidade", diz Tereza.

Para os EUA, há negociações para distribuir o novo canal com a empresa Dish Network; para a América Latina, com a DirectTV; e para a Península Ibérica, com o grupo Prisa, que edita o jornal espanhol ElPaís.
Todas essas regiões já são cobertas pela órbita seguida pelo NewSkies. Outras áreas, como o resto da Europa continental, o Reino Unidoe o Oriente, ficarão para depois, devido a questões técnicas e financeiras. No Japão, país com uma grande comunidade brasileira, a primeira negociação empacou no alto preço que o transmissor local queria cobrar pelo serviço de distribuição.
A programação terá de sofrer alterações para ser adaptada aos fusos horários locais e porque há, na grade atual, programas de outras emissoras, licenciados exclusivamente para transmissão no País.

ORÇAMENTO

A TV Brasil Internacional é um dos projetos de expansão da EBC para 2010, quando terá um Orçamento de R$ 453 milhões, o maior de sua curta história, iniciada em dezembro de 2007. Proibida de veicular publicidade comercial, a estatal é sustentada por verbas que recebe diretamente da União, por dinheiro de patrocínios culturais (em 2009, chegou a receber dinheiro da Vale do Rio Doce), recursos por prestaçãode serviços a entidades federais e, este ano, espera receber ainda R$116 milhões da Contribuição para a Comunicação Pública, prevista na lei que criou a empresa, mas contestada na Justiça por empresas de telecomunicação.
Outros projetos são previstos para 2010 pela EBC, que aprovou seu Plano de Trabalho em seu Conselho Curador no início do ano. Um é a criação de uma rede de rádios públicas, reunindo as oito emissoras federais e estações dos governos estaduais, com possibilidade de transmitir um jornal radiofônico nacional.
Outro é a expansão de atividades da TV Brasil, incluindo a criação de gerências executivas no Nordeste (São Luís), Centro-Oeste (Brasília), Norte (já tem escritório em Manaus) e no Sul (Porto Alegre).
A emissora, além de mudar seu correspondente na África de Angola para Moçambique, mandará profissionais permanentes para Washington, nos EUA, e Buenos Aires, na Argentina. Tem ainda a meta de ampliar sua transmissão diária de 20 para 24 horas.
A televisão estatal também quer ampliar suas transmissões na Região Sul, onde enfrenta dificuldades que se refletem em audiência de 6%, abaixo da média nacional de 10% apontada em pesquisa DataFolha no ano passado.
A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), veta a participação da TV Educativa gaúcha na rede nacional de TVs públicas, por considerá-la instrumento político do governo federal.
Prefere pagar por programação produzida pela TV Cultura, emissora estadual de São Paulo, a receber o material gratuito da TV Brasil. A EBC, que comprou por R$ 400 mil o prédio onde fica a TV gaúcha, vaii nstalar lá sua sede no Estado, com repetidoras em Porto Alegre e em outras quatro cidades gaúchas para levar o seu sinal aos gaúchos. A EBC ofereceu ao governo estadual a oportunidade de manter lá a emissora estadual, pelo mesmo aluguel.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Lusofonia: Bandeirantes tira do ar programa de fado

Do portal Portugal Digital

O programa de rádio Joaquim Pimentel, criado em 1942 pelo poeta, fadista, actor e radialista português com o mesmo nome, e que vinha sendo transmitido pela Rádio Bandeirantes desde 1978, vai terminar, segundo o blog "Mundo Fado", transformando-se no quarto programa radiofónico de inspiração portuguesa que termina no Brasil neste início do ano.
O programa começou as suas emissões na Rádio Vera Cruz, em 17 de Outubro de 1942. e , desde a morte do seu fundador, em 1978, era transmitido pela Radio Bandeirantes do Rio de Janeiro, sempre aos domingos. Este ano, que marca o centenário do nascimento de Joaquim Pimentel, o programa completaria 68 anos. A última edição deverá ser difundida no próximo domingo.
Joaquim Pimentel, natural da cidade do Porto, escreveu sucessos como "Só Nós Dois" gravados por grandes nomes da música portuguesa como Tony de Matos e também do Brasil como Angela Maria, Nelson Gonçalves, Fafá de Belém, entre outros, lembra o "Mundo Fado".
"O fim do programa Joaquim Pimentel é um marco lamentável, que nos mostra que a verdade é que cultura portuguesa no Brasil está agonizante. O pior e mais vergonhoso é que o programa termina por falta de patrocínio", apontam ainda os autores do blog (mundofado.blogspot.com).

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

África será a primeira região a receber a TV Brasil Internacional

O continente africano está nas prioridades do novo canal internacional brasileiro, a TV Brasil Internacional, que substitui o Canal Brasil Integración. A África será a primeira região a receber o sinal.
A programação será composta de programas da TV Brasil nacional, excluído os licenciamentos nacionais; produção de conteúdo específico para veiculação internacional, tais como: minuto da saudade, Brasileiros pelo mundo, Brasil no Mundo.
A programação será distribuída, ainda no primeiro semestre do ano, aos cinco países africanos de língua portuguesa e mais outros 40 países. Mas estão em curso negociações com operadoras de Estados Unidos, Japão e países da América Latina.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Convênio facilitará parcerias de cooperação entre EBC e mídias estrangeiras

Por Pedro Peduzzi , da Agencia Brasil, em 17/08/2009

A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Tereza Cruvinel, assinou convênio com a Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, visando a aperfeiçoar e formalizar parcerias para implementação de projetos de cooperação técnica e tecnológica na área de comunicação com países em desenvolvimento.
"Esse acordo tornará mais efetiva a relação com a mídia pública de outros países, principalmente da África e com Portugal", disse a presidente da EBC.
Segundo ela, com o convênio, será possível evitar a continuidade de algumas dificuldades operacionais que existem na EBC desde os tempos de Radiobrás. "Em nosso enquadramento não existem, por exemplo, previsão de diárias para estrangeiros. E isso acabava dificultando a implementação de acordos prevendo troca de conteúdos e coproduções", completou.
Para o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, o acordo será de grande valia para divulgar não só a realidade do Brasil, mas também a de outros países. "Certamente favorecerá nossa relação, tanto com os países vizinhos quanto com os países africanos. Até porque se buscará dar um tratamento diferenciado da forma estereotipada como esses países costumam ser apresentados por outras emissoras", disse o secretário. "Ainda existe uma certa ignorância sobre o potencial dessas áreas", acrescentou Tereza.
Guimarães ressaltou que o acordo será de grande valia para o governo, ajudando-o sobretudo no esforço para enfrentar desafios internacionais ligados a acordos multilaterais, ao direito internacional, ao Fundo Monetário Internacional e às negociações comerciais.
"Na política externa, tem o que acontece e o que é divulgado. Em geral, a mídia não mostra tudo e acaba prevalecendo a versão, ao invés do fato. Abre-se, com esse convênio, a possibilidade de estabelecermos propostas de cooperação muito positivas com esses países. Existem 52 estados africanos. Isso representa 52 votos em conselhos internacionais, que podem ser decisivos inclusive para ajudar a política econômica brasileira", argumentou o secretário, que ressaltou ainda a possibilidade de o Brasil ajudar outros países a terem sistemas de comunicação mais eficientes.
De acordo com Tereza Cruvinel, o principal interesse dos países vizinhos e dos africanos é a capacitação do jornalismo e das TVs, por meio de treinamentos e tecnologias. Ela informou que estão sendo organizadas iniciativas como a realização de um seminário de mídias públicas da América Latina, previsto para novembro. Mas o alcance pode ir ainda mais além: "Há a possibilidade de colaborarmos para o fortalecimento da língua portuguesa no Timor Leste."

Nova África

A diretora de Jornalismo da EBC, Helena Chagas, aproveitou a oportunidade para anunciar que a TV Brasil estreará, no dia 25 de setembro, o programa Nova África. "Os dois primeiros programas serão sobre Moçambique, por onde passaram as grandes navegações. Na sequência, Namíbia e Botsuana. O espírito dessa série será o de mostrar a África para os brasileiros", disse Helena.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

TV Digital: Governo acena com apoio do BNDES para países que escolham padrão nipo-brasileiro

Por Mariana Mazza, do Telva Viva news, em 21/07/2009

O governo encontrou uma nova estratégia para estimular que outros países adotem o mesmo padrão de TV digital escolhido e atualizado pelo Brasil. A tática consiste em acenar com suporte financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a aquisição de transmissores e demais equipamentos necessários à digitalização para os países que escolherem o padrão nipo-brasileiro de TV digital. Dois países podem ser os primeiros candidatos a usar a linha de financiamento do banco estatal, segundo o ministro das Comunicações, Hélio Costa. São eles Moçambique e Chile.
Uma comitiva brasileira deve ir em breve ao país africano para tratar de diversos assuntos de interesse nacional. E a radiodifusão deverá estar na pauta. Um grupo de trabalho está sendo criado no Minicom e terá como chefe o secretário de Telecomunicações, Roberto Pinto Martins. A missão do grupo será apresentar um projeto para a digitalização das TVs de Moçambique, com sinais de apoio brasileiro em caso de escolha do padrão.
Já com relação ao Chile, o ministro Hélio Costa disse que as negociações continuam. E que os chilenos têm demonstrado interesse na oferta brasileira, desde que exista um apoio financeiro ao projeto de transição. A linha do BNDES que pode suportar essas encomendas é o Prodtv, com recursos de R$ 1 bilhão disponíveis até 2013.
A fonte de financiamento não tem tido grande procura pelos empresários brasileiros, muito por conta da falta de familiaridade com o sistema de captação de recursos no BNDES por parte do setor e pelas dificuldades de dar as garantias necessárias. Diversas empresas não conseguiram apresentar a documentação exigida pelo banco. Outro fator que pesou na baixa procura é o fato de que os grandes transmissores usados na digitalização não são fabricados no Brasil. E a linha suporta apenas a aquisição de equipamentos nacionais. O chefe do Departamento de Telecomunicações do BNDES, Alain Fischler, mostrou-se otimista em maio deste ano, quando declarou que esperava um aumento da procura por financiamento já que agora as empresas precisam de equipamentos que podem ser fornecidos por fabricantes nacionais.
O alvo do Minicom é angariar adeptos do sistema nipo-brasileiro de TV digital antes da Copa do Mundo de 2010. "Acho que estamos chegando em um momento de decisão", afirmou o ministro Hélio Costa. A viagem para Moçambique deve ser feita na segunda quinzena de agosto.

Justiça

O ministro Hélio Costa também comentou o parecer apresentado pela Procuradoria Geral de República (PGR) no processo movido pelo PSOL para invalidar o decreto que implantou a TV digital no Brasil. A PGR apoiou os argumentos apresentados pelos autores da ação e pôs em xeque a legalidade da implantação. Para Costa não há dúvidas sobre a validade do projeto e a questão será esclarecida. "O decreto foi cuidadosamente elaborado para evitar a sobreposição de canais, que se desse mais de um canal, e para não prejudicar o cidadão", afirmou o ministro, que deverá procurar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto, relator do caso, para apresentar o posicionamento do Minicom.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Minc aprova projeto de TV para lusofonia

A Comissão Nacional de Incentivo à Cultura, orgão do Ministério da Cultuta, aprovou o projeto de criação de uma TV pela internet para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Autor da ideia, o Instituto Cultural Brasil Plus quer iniciar as transmissões em 2010.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

TVs brasileiras à conquista das audiências africanas

Em África, os países de língua portuguesa e, em particular, Angola e Moçambique, são o cenário principal da disputa entre a Globo e a Record, beneficiando do desenvolvimento acelerado desses países.

Alfredo Prado, publicado na edição de junho da revista África 21


Brasília - O Brasil já não é suficientemente grande para a disputa entre dois dos maiores grupos empresariais de comunicação da América Latina, a Globo e a Record. Nos últimos anos, a Globo, fundada pela família Roberto Marinho, e a Record, controlada por Édir Macedo, criador da Igreja Universal do Reino de Deus, atravessaram o Atlântico, instalaram-se na Europa, voaram para África e nesses novos palcos prosseguem a luta pela conquista de novas audiências.
Em África, os países de língua portuguesa e, em particular, Angola e Moçambique, são o cenário principal da disputa entre a Globo e a Record, beneficiando do desenvolvimento acelerado desses países.
Governantes e empresários angolanos e moçambicanos começaram a olhar a indústria de informação e entretenimento com particular atenção, em busca de novas oportunidades de negócios e de investimentos. Mas, entre os países africanos lusófonos a escala de interesse e o potencial são naturalmente diferenciados.
Se países como Angola e Moçambique, com significativa densidade demográfica e mercados consumidores em crescimento, são as estrelas dos investimentos nos média de grupos nacionais e estrangeiros, desde as televisões aos jornais impressos e à internet, já a Guiné-Bissau reflete, neste sector, a carência de meios e o desinteresse dos investidores, resultantes da instabilidade política e da fragilidade do Estado.
Em Luanda e Maputo, as apostas empresariais no sector da comunicação social sucedem-se e, até agora, tudo indica que os êxitos são maiores que os fracassos. Grupos portugueses, como o Visabeira e o Escom, ligado ao Espírito Santo, e brasileiros, associados a investidores locais, protagonizam acirrada concorrência.
Para os brasileiros, o interesse é, sobretudo, despertado pelo potencial crescimento de mercados consumidores, pela facilidade de penetração possibilitada pela língua comum e pela «simpatia» cultural dos países africanos de língua portuguesa pelo Brasil, desde a musicalidade do sotaque brasileiro do português à história de raízes comuns criadas pelo esclavagismo, mesmo que os equívocos, hoje, sejam grandes, sobretudo no Brasil.
O fim das guerras civis em Angola e em Moçambique abriu caminho à desestatização, em algumas áreas, e à abertura a investimentos privados na generalidade dos sectores produtivos e de serviços, incluindo o da comunicação.

Os novos conquistadores

É neste ambiente favorável, numa perspectiva política e económica, que a Globo e a Record decidiram avançar para África. Decisões tomadas também num quadro de conjuntura política interna favorável, criada a partir da primeira eleição, em 2000, de Luiz Inácio Lula de Silva para a presidência da República e o lançamento de uma política de aproximação ao continente africano, à procura de novos mercados e de alianças políticas para a sustentação de uma estratégia de potência internacional.
Ao longo de quase uma década, Globo e Record têm apostado forte nos países africanos lusófonos.
Em entrevista, por escrito, à África 21, o director da TV Globo Internacional, Marcelo Spínola, prefere não revelar o montante dos investimentos feitos pelo grupo em África. «É uma informação estratégica», diz. Mas, adianta, que os programas da Globo, transmitidos por TV paga, são vistos em Angola e Moçambique por mais de 200 mil pessoas.
«A história da TV Globo na África, em especial em Angola, começou quando as novelas ‘O Bem Amado’, ‘Roque Santeiro’ e ‘Rainha da Sucata’ passaram a ser exibidas no país pela TPA. Hoje, o continente é um mercado importante para a TV Globo Internacional, com destaque para Angola e Moçambique. Nestes dois países, somos assistidos por aproximadamente 200 mil assinantes», afirma.
Para o êxito, diz Spínola, contribuiu o padrão de qualidade do canal internacional. «No início dos anos 2000, a TV Globo Internacional passou a ser transmitida em Angola via satélite, o que, com a estabilidade política e o crescimento económico do país, contribuiu ainda mais para o aumento no número de assinantes», diz o director da empresa.
Informação, telenovelas, minisséries, programas de variedades constituem o «segredo» dos êxitos das duas redes em África, mesmo quando a «visão» brasileira do continente e das suas culturas é, muitas vezes, equivocada por um desconhecimento das realidades africanas que só muito recentemente o Brasil começou a descobrir.

Faltam «profissionais de qualidade»

Aparentemente, nada é muito difícil. «Não há dificuldades específicas ´deste´ou ´daquele` mercado. O nosso principal compromisso em todo o mundo é o de levar aos nossos assinantes uma programação de qualidade e com informações relevantes. Este é um dos diferenciais da TV Globo Internacional no mercado. E para que o canal possa também estar ao serviço do assinante, sempre com qualidade, realizamos uma criteriosa seleção de parceiros para a produção dos programas locais como o ‘Revista África’, responde o director da TV Globo Internacional. Já o director-presidente da Record Europa Internacional, Aroldo Martins, prefere admitir que sim, que há dificuldades, e diz: «faltam profissionais de qualidade».
Tal como a Globo, também a Record é distribuída por satélite para todos os países de África, sendo em Angola e Moçambique distribuída também por cabo. A Record não é por assinatura, faz parte de pacotes básicos nos países onde é distribuída pela DSTV e por cabo. No caso de Moçambique, além da distribuição por cabo, a Record chega a casa dos moçambicanos através da associada TV Miramar, enquanto em Cabo Verde é distribuída para todas as ilhas por emissora local, à semelhança do que acontece no Uganda, Madagáscar e na Zâmbia, neste último país em fase de montagem.
As audiências, esse campo minado das estações de televisão de todo o mundo, são a obsessão constante dos executivos. Em Angola, a liderança continua nas mãos da Globo, com cerca de 29% de share de audiência, e dois pontos de vantagem sobre a Record. Em qualquer dos casos audiências muito superiores às dos canais portugueses. Em Moçambique e em Cabo Verde, a vantagem pende para a Record, que chega através de emissora local.

Programas especiais

«Um dos principais projetos da TV Globo Internacional em Angola é o “Dia da Amizade Angola Brasil”, que é realizado em parceria com a Multichoice», diz o director da rede brasileira à África 21. «Em Novembro de 2008, realizámos a primeira edição do evento, com a presença de mais de 20 mil pessoas. A festa foi apresentada pelo Luciano Huck, personalidade muito conhecida no país, e teve a participação da banda Calypso, escolhida pelos angolanos. Este ano, faremos a segunda edição do evento», adiantou.
Para Angola, a Record aposta na duplicação de produções, novos equipamentos e «formação de equipas locais, somando às já existentes», diz Aroldo Martins. Mas a rede quer ir mais longe e promete o desenvolvimento do serviço em inglês, através do canal My Channel, a partir do Reino Unido, e «em segunda etapa, serviço em francês para os países desta língua».
Quais são os programas de maior sucesso? «As telenovelas produzidas pela TV Globo no Brasil sempre fizeram sucesso entre os assinantes angolanos», diz Marcelo Spínola e exemplifica: «os jovens angolanos são influenciados frequentemente pelas telenovelas exibidas pela TV Globo Internacional, seja na maneira de se vestir ou em expressões utilizadas por personagens das tramas».
«Este intercâmbio cultural é muito importante e também tem o seu caminho inverso. A cultura brasileira sempre foi influenciada pelos costumes africanos, tanta na culinária e nos ritmos musicais, como na festividade ou na dança», diz o responsável pela área internacional da rede de Roberto Marinho.
No início deste ano, por exemplo, o cantor Yuri da Cunha foi um dos convidados para se apresentar na festa em comemoração ao 444.º aniversário da cidade do Rio de Janeiro. Na ocasião, o músico colocou cerca de 10 mil brasileiros a cantar e dançar aos ritmos africanos.
Já a Record ergue a bandeira de programas como «Mangole de Sucesso» e «Angola Fashion», «O melhor do Brasil», «Tudo é possível», «Show do Tom» e o «Domingo Espectacular».Estratégias diferenciadas.
A concorrência da Record parece não incomodar a Globo. «As emissoras atuam no mercado com modelos de negócio distintos. A TV Globo Internacional tem o posicionamento de ser um canal de TV por assinatura. (...) É desta forma que estamos presentes em 115 países dos cinco continentes e contamos com mais de 550 mil assinantes Premium», afirma Marcelo Spínola.
O presidente da Record admite a vantagem, mas destaca que «a liderança da concorrente é de apenas dois por cento, de acordo com pesquisa da Multichoice e da Marktest». Portanto, diz, «não é preciso grande estratégia. É continuar fazendo o que os angolanos já gostam. Estamos em plena ascensão».
E uma área em que a Record ainda não está mas na qual quer entrar é a das TV abertas. No caso de Angola, Aroldo Martins afirma que o objectivo é «tentar sempre, através de parceria local, uma concessão para emissão aberta».
Um negócio que parece não interessar à Globo. «O posicionamento adoptado pela TV Globo Internacional é o de ser um canal premium por assinatura, com uma programação diferenciada e qualidade técnica e artística. Este modelo de negócio torna viável ao canal estar presente nos cinco continentes com alto nível de qualidade», afirma Marcelo Spínola.
Os dois grupos são rivais, mas têm em comum a aposta na expansão internacional. Primeiro na Europa e depois em África. Outros, como a rede Bandeirantes, já olham com igual apetite para o mercado angolano. Novos episódios deverão ser anunciados em breve.

sábado, 6 de junho de 2009

TV TDM de Macau planeja canal satelital com conteúdo em chinês e português

Por Ana Carolina Barbosa, do Tela Viva News - 05/06/2009

A TDM - Teledifusão de Macau, região da República Popular da China com cinco mil falantes de português, planeja o lançamento de um canal por satélite com conteúdo em chinês e português, como informa o diretor de informação e programas dos canais portugueses João Francisco Pinto. De acordo com o diretor, o canal estará no Asiasat 2 e irá ao ar em outubro deste ano para China e Sudeste Asiático em sinal aberto pelas parabólicas, e já há negociações com operadores de TV paga. A partir de janeiro, o sinal deve estar disponível para Europa e África e em 2010 para as Américas.
Em um primeiro momento, o canal irá ao ar com seis horas de programação com conteúdo em português da TDM, exclusivamente jornalístico. A ideia é completar a grade com colaboração de outras emissoras de língua portuguesa, que terão seu conteúdo traduzido para o chinês, e emissoras de língua chinesa, que terão seu conteúdo traduzido para o português.
"Não é um canal comercial e sim de serviço público. É um modelo de intercâmbio entre os povos, não há um modelo de negócios", observa o executivo, destacando que o canal surge como uma demanda da própria população. "Queremos concentrar esta central de conteúdo em Macau. Temos condições de fazer isso e podemos contribuir pela proximidade com a China, país que desperta o interesse de vários países de língua portuguesa que têm fortes relações econômicas com ela", diz.
Pinto participou de painel sobre a importância do jornalismo como ferramenta de aproximação cultural promovido durante o II Encontro de TVs de Língua Portuguesa, parte da programação do 10° Forum Brasil - Mercado Internacional de Televisão.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Integração Lusófona:Projeto quer reunir conteúdo de TVs da CPLP na Internet

Por Fernando Lauterjung, do Tela Viva News - 28/05/2009

A partir de 2010, deve começar a funcionar a Plataforma Lusófona de Intercâmbio de Conteúdo e TV CPLP Via Web. Trata-se de uma iniciativa do Instituto Cultural Brasil Plus que tem como objetivo digitalizar, gerenciar e disponibilizar na web conteúdo das TVs públicas de todos os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Segundo o presidente do instituto, Túlio Gontijo Rocha, as TVs públicas de cada país receberão uma estação para digitalizar seu conteúdo. Trata-se de um computador, com placa digitalizadora e licença de um software de gerenciamento de conteúdo. O upload de material é em qualidade de broadcast, embora a exibição na web seja em resolução menor. Além do upload, as emissoras poderão fazer o download, também em qualidade broadcast. Neste caso, explica Gontijo, a emissora dona do conteúdo terá que autorizar o donwload.
Estas emissoras serão treinadas através de um programa de capacitação de digitalização e catalogação do arquivo. O treinamento será à distância, através de uma rede de teleconferência do Banco Mundial. Segundo o presidente do Instituto Cultural Brasil Plus, esta rede será usada também para produzir 250 vídeos que passarão a fazer parte do acervo do site. "Podemos fazer, por exemplo, debates multiponto com participantes em cada um dos membros da CPLP", explica. Além destes 250 vídeos, faz parte a produção de oito documentários, por cada um dos membros da CPLP.
No Brasil, por enquanto, o projeto tem acordo com a TV Brasil, embora esteja em conversa com outras educativas para cessão de conteúdo. Além de ceder o conteúdo, a TV Brasil será responsável pela grade de programação do canal online, com uma equipe dedicada a isto. Além da exibição de uma grade linear, o site do projeto contará ainda com oferta de conteúdo sob demanda.
O projeto foi autorizado pelo Ministério da Cultura a captar recursos incentivados. O custo total é de R$ 5,4 milhões. "Sou otimista, acho que podemos começar a trabalhar na implantação da rede em um mês, e ter o site na Internet no início de 2010", diz Gontijo. A idéia é que no futuro o projeto cresça. "Queremos ter um canal por satélite para todos os países da CPLP", diz.
Mais informações sobre o evento podem ser obtidas no site www.forumbrasiltv.com.br.