Caros leitores e leitoras.
Mostrando postagens com marcador Economia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Economia. Mostrar todas as postagens

domingo, 9 de março de 2014

Jornalista lança livro sobre ascensão e queda do império de Eike Batista

“Ascensão e Queda do Império X”, 

do jornalista Sergio Leo, 

conta os bastidores da fortuna
de mais de US$34 bilhões
que virou pó


Ele figurou as capas das principais publicações do país nos últimos anos. Primeiro protagonizando uma história promissora, de empresário vencedor por seu próprio esforço, sem vergo­nha de ser rico e com lições de sucesso a compartilhar. Depois com a derrocada de um império que valia bilhões de dólares. Em “Ascensão e Queda do Império X”, o jornalista Sergio Leo desconstrói o mito criado em torno de Eike Batista. O livro já pode ser adquirido na sua versão digital. Nas lojas de todo o país, a publicação chegará na segunda quinzena de fevereiro.
Em 264 páginas, Sergio Leo conta com leveza e humor tudo o que todos sempre quiseram saber sobre os bastidores da história de um dos homens mais ricos do mundo. Ele revela os equívocos gerenciais que comprometeram a saúde das suas empresas e as falhas que lhe permitiram vender ilusões dispendiosas – e que resultou na dizimação de sua fortuna. Tudo o que acontecia longe dos holofotes é mostrado pelo autor com base em depoimentos de pessoas ligadas ao governo fede­ral e a governos estaduais, antigos executivos de empresas do grupo EBX e executivos do setor de petróleo, amigos de Eike Batista e espe­cialistas.
As histórias das empresas X, como a fundação da mina Novo Planeta, são apresentadas, mas não pela versão do ex-bilionário. O livro mostra que, na origem, Eike não foi o self made manque dizia ser, e traz à tona os nomes de sócios que o ajudaram no começo da carreira, como o suíço Felix Jean Chille, administrador de fortunas, e outros investidores de peso. “Ascensão e Queda do Império X” esclarece também qual foi o verdadeiro papel de Eliezer Batista. O pai, Eliezer Batista, foi uma figura importante na construção da carreira de Eike, com sua rede de contatos e fazendo intervenções em momentos decisivos”, comenta o autor.
As excentricidades – como o uso do X, do número 3 e do sol como símbolo de seu grupo – também são abordados no livro. Sua fama como ex-marido de Luma, as transações e trocas de favores, a cronologia da decadência das principais empresas X e as jogadas de marketing que o ajudaram a vender suas ideias completam a obra.

Lançamento

O lançamento do livro, em Brasília, acontece na quarta-feira, 12/3, na Livraria Cultura do Casa Park, a parit das 19h30.

Sobre o autor

Colunista e colaborador do jornal Valor Econômico. Carioca, graduou-se em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ. Desde 1985 vive em Brasília, onde primeiro trabalhou no Jornal do Brasil, cobrindo o Plano Cruzado e todos os outros planos econômicos que se seguiram. Atuou ainda na TV Globo, nos jornais Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo, e nas revistas IstoÉ e IstoÉ Dinheiro, da qual foi diretor em Brasília. Em 2000, integrou a equipe que fundou o Valor, no qual, três anos mais tarde, se tornaria também colunista. Como escritor, ganhou o prêmio Sesc de Literatura em 2008 por seu livro de contos Mentiras do Rio. “Ascensão e Queda do Império X” é o sua primeira publicação pela Nova Fronteira.

Opinião: PIB/2013: derrota do jornalismo econômico

Quem conduz a cabeça do jornalismo
econômico brasileiro na atualidade
é a pesquisa Focus. São ouvidos
100 analistas do mercado financeiro,
semanalmente, pelo Banco Central.
Taí porque, também, o BC, apoiado
nessa manipulação escandalosa,

tem errado feio nas projeções do PIB.
Os 100 analistas, todos ligados aos
bancos, projetaram, ao longo de 2013,
previsões pessimistas, negativas,
catastrofistas etc.
Quando chegou final de ano,
o país estava estressado de pessimismo,
negativismo, pronto para receber
uma ferrada monumental das
agências classificadoras de crédito,
predispostas, graças às pesquisas
fajutas da Focus, a rebaixarem
a nota da economia brasileira.

Por César Fonseca, publicado originalmente em Pátria Latina

Com base nas previsões, nos chutes, nos furos dos 100 analistas financeiros, todo o jornalismo econômico, ancorado em pura abstração, fez o jogo, claro, dos especuladores.
A economia iria para o buraco porque estava o governo gastando excessivamente mais do que arrecadando, como se tivesse jogando fora, não levando a economia adiante.
A inflação saíra do controle, somente sendo possível um remédio, a elevação da taxa de juro, que, claro, eleva os preços, reduz os investimentos e cria situação negativa.
Deu tudo errado: os investimentos, a agropecuária e os serviços etc cresceram, garantindo o PIB de 2,3%.
É baixo?
Claro, é, mas vai ver as grandes economias, Estados Unidos, Europa, Japão, que apostaram na financeirização econômica global?
Estão no chão, puxando o mundo para baixo, dispondo de moeda conversível, que estabelece as relações de trocas a favor delas, não se sabe até quando.
O BC, com sua pesquisa Focus, chegou a prever recessão!
O jornalismo econômico, cuja fonte de informação são os economistas do mercado financeiro, embarcou na furada do mercado financeiro que enganou o jornalismo antiinvestigativo.
Economias regionais, como as do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul tiveram avanço do PIB superior a 6%, crescimento chinês.
Só se ficou sabendo disso, agora, porque o jornalismo econômico não foi à luta para saber o que estava acontecendo, esperando sair pesquisas de laboratório para confirmar tais tendências, quando isso poderia estar sendo visualizado em reportagens competentes, algo inexistente.
O Nordeste, onde a renda dos mais pobres aumentou, graças à melhor distribuição da renda, da mesma forma, registrou performance surpreendente.
Cuidou-se o poder midiático tão somente de martelar que a opção pelo consumo fracassou.
Mas, consumo é produção, produção é consumo, ou não?
Claro, a indústria nacional, que enfrenta a taxa de juro maior do mundo para investimento, não puxou a região sudeste, onde está o grosso da industrialização brasileira.
Isso mostra a necessidade de se tratar a indústria como se trata a agricultura, concedendo a ela juro baixo ou negativo, descontada a inflação, para novos investimentos serem realizados.
Por que não?
O agronegócio brasileiro explodiu porque o governo, a partir de 1994, passou a usar parte do depósito compulsório (dinheiro do povo), canalizado para os agricultores.
O Consenso de Washington, sob governo FHC, articulou essa saída, para o Brasil produzir commodities baratas para exportar, a fim de levantar dinheiro para pagar juros da dívida, que não seriam pagos por meio da produção industrial, visto que os concorrentes não queriam um Brasil industrializado e competitivo para agregar valor ao produto primário.
A anti-realidade mecanicista, construída em
laboratório dos economistas do 
mercado
 financeiro, enganou o jornalismo
 antiinvestigativo que tomou conta da
mídia nacional, comprometida com os 
interesses do capital especulativo, que
conspiram contra a economia
 brasileira, para impedir o seu
crescimento sustentável.
O agronegócio fortalecido, com a grana do povo, aumentou a oferta capaz de atender a demanda e os preços se equilibraram, ao mesmo tempo em que bombaram as exportações.
Ou seja, quem combate a inflação é o dinheiro do povo canalizado para a produção, minha gente!
Enquanto isso, as indústrias tiveram sobre si políticas creditícias criminosas, juros elevados, que inviabilizaram investimentos suficientes para aumentar a produção e atender a demanda interna a preços sustentáveis e equilibrados.
Precisou, nesse período, de lançar mão das importações, no contexto de deterioração dos termos de trocas, contrários aos interesses nacionais, cujos resultados, no ambiente da crise internacional, detonadora, pelos países ricos, de guerra cambial, foram importações maiores do que exportações, responsáveis por elevar os déficits em contas correntes do balanço de pagamentos.
O dinheiro do povo não foi canalizado para a indústria, mas para o bolso dos banqueiros, para esfolar o povo no crediário.
Faltaram e, ainda, faltam decisões políticas e lideranças empresariais fortes capazes de produzir movimentos no Congresso de modo a reverter essa situação, com apoio popular, em favor do interesse nacional.
Predominam, infelizmente, lideranças empresariais frágeis, que preferem ser sócias menores do capital internacional, do que ancorar-se nas forças internas nacionais.
Não será sofrendo crescente deterioração nos termos de troca, produzida por política macroeconômica conduzida pelos especuladores, que determinam dependência econômica nacional eterna da poupança externa, que o país se libertará da ganância especulativa.
O capital nacional existe para ser mobilizado, desde que haja decisão política, como aconteceu em relação à agricultura.
Na Coréia do Sul, por exemplo, esse movimento de mobilização política das forças nacionais se deu em torno da indústria, e o país se transformou em grande potência industrial, visto que a agricultura coreana inexiste.
Como os concorrentes do Brasil, no campo das manufaturas, não interessavam pelo desenvolvimento da indústria, como se interessou pelo desenvolvimento da agricultura, a fim de comprarem commodities baratas, para produzir manufaturas caras, impondo, assim, deterioração nos termos de troca, via políticas cambiais, não pode o setor industrial nacional desenvolver-se, sustentavelmente.
Conseqüentemente, as tensões inflacionárias advêm dessa lógica da dependência que somente será superada por nacionalismo econômico e melhor distribuição da renda nacional, apoiando-se no mercado interno, como se tenta fazer, ainda, insuficientemente, os governos petistas nos últimos dez anos.
Dominada pelo pensamento neoliberal, a grande mídia nacional está a serviço do aprofundamento dessa dependência e não do esclarecimento de suas razões, em favor da educação política do povo.
Os governos Lula e Dilma erraram feio ao não apoiar uma mídia nacionalista como fez Getúlio Vargas.
Getúlio criou a rádio nacional, a tevê nacional e financiou o capital privado para editar um jornal popular, o Última Hora.
Não teve medo das ameaças.
Os governos petistas tiveram medo de serem ousados.
Por isso, o que se vê, hoje, é um tremendo oligopólio midiático conservador e reacionário, com a Rede Globo à frente, promotor de coberturas jornalísticas parciais, tipo programas de debates, como o de William Waack e da Globonews, todos se ancorando em gráficos com números arranjados pelo mercado financeiro, onde o contraditório passa longe.
Todo mundo escravizado pelo pensamento neoliberal.
Leia-se, por exemplo, nos jornais dessa sexta feira  a cobertura econômica sobre o PIB 2013 e não se vê opinião dos representantes dos setores produtivos, mas, apenas, do mercado financeiro.
São eles que estão plenamente disponíveis, a serviço da permanente especulação contra os interesses nacionais, para darem suas opiniões parciais, calcadas em interesses de classe.
Não há o jornalismo verdadeiro, para ouvir e analisar as duas partes da notícia, no ambiente do contraditório, necessário à formação crítica social.
A realidade é dual: masculino-feminino, singular-plural, claro-escuro, yin-yang, positivo-negativo, cara-coroa etc, interagindo-se dialeticamente, no ritmo da circularidade, tal como parafuso, para frente e para o alto.
O jogo do jornalismo brasileiro atual é o de bater na cabeça do prego, enterrando-o em barra de sabão, visão mecanicista.
Os agentes da economia, para o jornalismo brasileiro atual, são aqueles que não trabalham, apenas, especulam, em cima de modelos matemáticos, ciência que se desenvolve ao largo do real concreto em movimento, sem poder determiná-lo, como disse Hegel.
Não se ouve o empresário, não se ouve o trabalhador, agentes da produção e do consumo, para se fazer uma avaliação isenta etc.
Só a direita financeira opina.

O resultado é o que se viu, agora, tiro nágua da turma do periodismo neoliberal acrítico, esquizofrênico, alienado. 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Opinião - Jornalista econômico: militante do mercado financeiro?

Viúva do grande José Saramago, Pilar Del Rio
 vê o jornalismo atual totalmente
 deturpado em sua essência objetiva,
 manipulado pelo dinheiro, inviável
para tornar o jornalista como ser realizado
plenamente na profissão, dada a
 impossibilidade de exercitar a liberdade.
 Um ser cindido,  parcial, portanto, esquizofrênico.
Por César Fonseca, publicado originalmente no blog Independência Sul-americana

FALÊNCIA TOTAL DA PROFISSÃO.
Tem razão Pilar Del Rio, jornalista, tradutora e presidente da Fundação José Sarmago, de Lisboa, ao destacar, em entrevista ao Correio Braziliense, que os jornalistas se transformaram em militantes das empresas em que trabalham.
Defendem seus interesses, os interesses nos quais estão engajados, não nos dos seus leitores. Perfeito.
No Brasil, as empresas de mídia viraram propagandistas dos especuladores, comprando, acriticamente, a sua causa, deixando de ligar para o interesse público. Os jornalistas engajaram nessa campanha a serviço do capital especulativo que se empenha na tarefa de destruir qualquer orientação econômica que tenha por fim o interesse nacionalista.
O jogo do poder midiático, totalmente, voltado para divulgação dos produtos mentirosos fabricados pelos especuladores.
A manipulação é evidente, estendendo-se para as empresas classificadoras de crédito do país, para tentar sua desclassificação mediante argumentos invertidos em relação à causa dos problemas econômicos. Fogem os jornalistas da fonte geradora de déficit, de dívida e de inflação, no momento atual da crise mundial, que é a política monetária expansionista americana e as incertezas que ela produz, nas economias emergentes, dependentes, historicamente, de poupança externa, favorecendo, ainda mais, o movimento especulativo. Enfim, não cumpre o jornalismo investigativo a sua verdadeira função, porque os jornalistas não estão a serviço do exercício da liberdade da profissão, mas do interesse do mercado financeiro especulador.
Prepararam o campo, vociferando os argumentos dos especuladores, para que, na próxima quarta feira, o BC, envolvido pelos banqueiros, puxe para cima mais uma vez a taxa de juro, já em patamar elevadíssimo, para combater a inflação, quando nas economias desenvolvidas, o juro está na casa dos zero ou negativo, para tentar salvar o capitalismo. Viraram militante dessa causa. Alienaram-se de si mesmos. Lamentável.
Viúva do grande José Saramago (ela não gosta de ser tratada assim), Pilar Del Rio vê o jornalismo atual totalmente deturpado em sua essência objetiva, manipulado pelo dinheiro, inviável para tornar o jornalista como ser realizado plenamente na profissão, dada a impossibilidade de exercitar a liberdade. Um ser cindido, parcial, portanto, esquizofrênico.
Esse papo de que o jornalismo, pelo menos o que se pratica na grande mídia brasileira, representa os dois lados da notícia é conversa fiada. Veja a cobertura jornalística da economia, do mercado financeiro, já na primeira semana de 2014. Tudo parcial.
Os jornalistas, em geral, salvo honrosas exceções, compram, a preço super-faturado, as versões dos especuladores, para explicarem aos leitores o aumento ou a redução da inflação, o comportamento da dívida pública governamental, as oscilações do câmbio, dos investimentos etc e tal.
Sabendo que na economia monetária os fatos, invariavelmente, são determinados pelas expectativas que interessam ao capital, essencialmente, especulativo, os/as repórteres de economia, no Brasil, jamais colocam em questão aquilo que passou a orientar a produção dos fatos econômicos no Brasil – ou seja, as pesquisas e análises feitas pelo próprio mercado financeiro.

Militante especulador
Semanalmente, 100 analistas, i.e., especuladores, exclusivamente, do mercado financeiro, são consultados pelo Banco Central, para falarem e especularem sobre as expectativas quanto ao comportamento dos preços, da taxa de juro, do câmbio, dos investimentos etc. Primeira pergunta óbvia: por que apenas os analistas ligados aos banqueiros são ouvidos? É um escândalo descarado, minha gente.
Na primeira semana do novo ano, a Pesquisa Focus, essa que escuta, apenas, os especuladores, apurou que o mercado prevê queda do PIB para 1,95% em 2014. 2013 havia terminado com os consultados pela Focus estimando crescimento de 2%, inclusive, prevendo um ano melhor do que o anterior.
Qual seria o resultado de uma consulta feita junto a 100 empresários, os homens da produção, os que lidam com o que mais lhes interessa, isto é, o mercado consumidor? E mais, que diriam, se consultados, 100 consumidores de diversas faixas de renda, quanto as suas expectativas para o ano que se inicia?
São, apenas, os especuladores os agentes fundamentais do processo econômico ou são os que manipulam este a seu favor? Não seria mais lógico consultar os agentes da produção e do consumo, os, realmente, ligados à economia real, e não os que, visceralmente, são produtores da economia virtual, conduzida por profissionais que estabelecem modelos matemáticos para determinar ficcionalmente o desenrolar dos fatos em seu benefício, é claro?
Não teriam que pegar a opinião dos três agentes, dar a eles peso relativo, fundamentalmente, diferenciado, quanto a sua importância, para o desenvolvimento econômico, dividir por três, de modo a apurar uma média aproximada o mais possível da realidade?
O que fazem os jornalistas?
Não fazem, simplesmente, jornalismo, não cuidam de dar cumprimento à promessa que fizeram, para pegar o canudo nas universidades. Não escutam os dois lados, engolem a verdade do mercado financeiro. São, desse modo, como bem disse Pilar Del Rio, puros militantes do mercado financeiro.
Transformaram-se em terroristas guerrilheiros a serviço dos especuladores, para multiplicarem os ganhos destes, impondo ao povo tremendos prejuízos, quanto mais se alienam do espírito crítico, que deve ser a matéria prima do jornalista.
Se há, tão somente, uma “verdade” disponível, veiculada pelo jornalismo acrítico, aquela que interessa aos 100 especuladores consultados semanalmente pelo BC de Tombini, é claro que, por indução manipuladora, os demais agentes da economia se comportarão de acordo com as expectativas arranjadas pelos profissionais da especulação por meio dos seus modelos matemáticos abstratos.
Se a Focus diz que o PIB vai cair de 2%, 2,5% (como chegam a estimar outros analistas mais isentos) para 1,95%, os investidores, evidentemente, ajustarão as suas estimativas a essas expectativas. O empresário vai ficar com medo de investir, o consumidor, de consumir, e assim por diante. Em face da previsão de que tudo vai cair, o empreendedor, temeroso de que sua taxa de lucro desabará, puxará para cima os preços, para manter constante sua lucratividade etc.
Esse é, principalmente, o jogo que favorece os monopólios e os oligopólios.
Os preços subindo, por sua vez, precisam do corretivo dos juros para não fazer explodirem as tensões inflacionárias, dizem os especuladores, como se não fosse a subida do juro a responsável pela alta dos preços. PIB baixo e inflação alta chamam a atenção das agências classificadoras de risco, que passam a prever, com segurança, cortes nas notas da economia brasileira, levantando a possibilidade de os juros subirem mais ainda etc.
Não há, no noticiário econômico, nenhuma avaliação crítica desse movimento, que obedece à lógica dos interesses da acumulação do capital especulativo, no processo de financeirização da economia, que marca, essencialmente, a face do capitalismo atual em todo o mundo, rendido pela especulação. Os especuladores não merecem o olhar crítico do poder midiático.
Por exemplo, na primeira semana do ano, os grandes bancos, sabendo que o dólar será o alvo essencial da especulação, em 2014, em decorrência da ansiedade que domina a política monetária conduzida pelo Banco Central dos Estados Unidos, criaram um novo instrumento para bombar, ainda mais, a especulação com a moeda americana.
Trata-se do Certificado de Operações Estruturadas (COE), capital arregimentado pelos especuladores na formação de fundo de ativos, cujo montante não recolherá depósito compulsório junto ao BC, como se faz com a massa de depósitos nos bancos.
Quem se beneficiará com isso?
Claro, a oligarquia financeira, que vai faturar com o movimento especulativo feito em cima do dólar por eles mesmos, os especuladores.
Qual o efeito disso na produção e no consumo, na economia real, por força da manipulação da economia virtual?
Nenhum questionamento ocorreu na grande mídia, no momento do lançamento dessa denominada NOTA ESTRUTURADA, que, imediatamente, levantou milhões e milhões de reais para especular com a moeda americana.
Qual a relação desse movimento especulativo na formação dos preços?
Não se investiga, jornalisticamente, isso. Ele influencia decisivamente ou não no processo inflacionário? Aumenta ou não a dívida pública? Bombeia ou não o déficit público?
É mais do que evidente que essa NOTA ESTRUTURADA faz parte do chamado SISTEMA DA DÍVIDA, responsável por elevar o endividamento público sem que haja nenhuma contrapartida em termos de empréstimo que seja destinado à produção, ao consumo, capaz de gerar, no movimento da economia real, aumento de arrecadação, com a qual são impulsionados os investimentos.
É pura especulação, geração de riqueza fictícia a partir do próprio dinheiro, sem nenhum aumento das forças produtivas.
O negócio dos especuladores é esse aí, minha gente.
A dívida está, há muito tempo, na economia monetária, sendo produzida, somente, pelo movimento especulativo, e não mais pelo movimento da produção real, da qual faz parte como instrumento necessário e, até, positivo.
Hoje, a dívida, no embalo da especulação, somente, bombeia o endividamento governamental que eleva o risco que puxa o juro que eleva o déficit que aumenta a inflação etc, etc, etc.
Não seria mais do que necessário, nesse ambiente especulativo, que fosse feita uma AUDITORIA SOBERANA dessa dívida, conforme determina a própria Constituição brasileira, no artigo 26 das Disposições Constitucionais Transitórias, para que a sociedade seja devidamente informada sobre o que é legal e ilegal na sua composição, a fim de adotar posição crítica sobre esse processo especulativo, danoso para o presente e o futuro do País?
Mas, o que se vê é, justamente, o contrário.
São, segundo o poder midiático, controlado pelos banqueiros, os gastos do governo, expressos no ORÇAMENTO NÃO FINANCEIRO da União, os culpados pelo aumento do déficit público, e não as despesas relacionadas ao ORÇAMENTO FINANCEIRO.
O primeiro diz respeito aos interesses da sociedade em matéria de educação, saúde, segurança, transporte, infraestrutura etc. Estas despesas são sistematicamente contingenciadas, para que sobre sempre mais para servir à dívida. Já as verbas públicas alocadas no ORÇAMENTO FINANCEIRO, que se ligam aos interesses dos especuladores e agiotas, não podem sofrer nenhum tipo de contingenciamento.
A primazia total da política econômica está determinada a partir da própria Constituição, em cláusula pétrea, conforme determina o artigo 166, parágrafo terceiro, item II, letra b.
Da Bancocracia Agiota
Dois pesos e duas medidas.
Onde está o jornalismo independente que não investiga essa questão fundamental para o povo brasileiro? Tem que cortar obrigatoriamente gastos públicos cujos resultados sejam traduzidos em investimentos que retornam em forma de impostos, como são as destinações dos empréstimos realizados pelos bancos públicos, nos programas do PAC, duramente atacados pelos banqueiros privados, mas não devem sofrer nenhum constrangimento as despesas para servir aos especuladores, que não dão nenhum retorno social.
Nessa linha, a economia nacional, em 2014, do ponto de vista do mercado financeiro, especulativo, será um fracasso, mas e do ponto de vista da sociedade, das forças produtivas, que convivem com a mais baixa taxa de desemprego da história brasileira, como será o ano?
Como as pesquisas ouvem somente um lado e a mídia se pauta por esse lado, exclusivamente, o jeito é esperar pela voz do povo nas urnas em outubro.
Poderá ou não pintar surpresas?

Quem está nervosinho com essa eventual surpresa, os manipuladores ou os manipulados? Até outubro, os militantes do mercado financeiro estarão fazendo o seu serviço sujo, o anti-jornalismo, que interessa aos manipuladores, inconformados com uma orientação nacionalista para a economia, que tente, de alguma forma, mudar o status quo gerado pela bancocracia tupiniquim.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Necronomía: O desabafo do chargista espanhol Jose Rubio Malagon

Recebo do amigo TT Catalão mostras do excelente trabalho do jornalista e humorista gráfico espanhol Jose Rubio Malagon. É uma pequena amostra do que foi publicado na obra Necronomia, editada por Edicoes De Ponent, de Madrid.

Como salienta TT Catalçao, trata´se de um desabafo do jornalista gráfico ante a encruzilhada do euro e o colapso da Europa, especialmente a agonia espanhola. 
Com um olhar sarcástico incomum, Malagon aborda temas como a Ditadura Financeira, Inflação, as agencias de rating, preços (vietnã), demissões (sinuca), flexibilidade de emprego (golf), ministerio da economia (pasta), comissões bancarias (toureiro), capibalismo,canibalismo promovido pelo capitalismo (máquina sangra), o desenvolvimento insustentável (pescador), o dialogo social (baloon), dentre outros.

Abaixo, trago algumas das críticas espanholas ao trabalho de Jose Rubio Malagon.


Necronomía: El trabajo de Malagón en Necronomía (Edicions de Ponent, 2012) nos habla de conceptos financieros globales y de sus protagonistas. Términos que desde hace algunos años nos resultan familiares y que han hecho que gran parte de la ciudadanía, sin quererlo, se haya hecho experta en economía, hablando con naturalidad de primas de riesgo, inflación, agencias de ratingy de activos tóxicos.
La exposición que presentamos está formada por 20 originales elaborados a lápiz y tinta sobre papel. En ella podrás ver el método de trabajo que emplea Malagón y el resultado final del mismo.

Do Portal rtve-es

Desde hace 15 años, José Rubio Malagón es uno de los humoristas gráficos más importantes, colaborando con diversos medios como Marca, 20 Minutos, El Economista, Lainformacionn.com, El Mundo, ABC, Tiempo, y El Jueves. Y se ha convertido, por méritos propios, en uno de los mejores cronistas de la crisis económica con sus acertados chistes, sin palabras, que se han recopilado en varios libros de humor. El último es Necronomía: El lado más oscuro de la economía (Edicions de Ponent).
"Necronomía -asegura Malagón- es una especie de diccionario visual o ilustrado de la economía en la cual estamos inmersos. Este libro resume en clave de humor negro, conceptos económicos globales y sus protagonistas".
Un título que nos recuerda a un libro maldito, el Necromicón inventado por Lovecraft para sus narraciones de terror: "Si es un juego de palabras del famoso Necronomicón, que de joven me llamó mucho la atención -asegura Malagón-. El subtítulo del libro resume el interior: El lado oscuro de la Economía, todo en esta vida tiene un lado oscuro, hasta la economía".
"De hecho el lado oscuro de ésta se ha hecho visible y bien visible en estos años de crisis. Una economía que arrolla todo lo que tiene delante, sin un ápice de humanidad, con resultados crueles y lamentables que leemos en las noticias día a día, noticias llenas de historias amargas sobre ciudadanos que son despojados de todo, por una economía salvaje y codiciosa que no se ruboriza y que se jacta de su impunidad".
La crisis también le ha afectado

"Muchas de las obras las he ido publicando en diferentes medios - afirma Malagón - como El juevesEl Mundo y, sobre todo, en el digital www.lainformacion.com, donde estuve haciendo la viñeta diaria sobre economía durante los últimos dos años y medio, con la crisis estando de lleno.Trasprescindir estos de mi colaboración, por la crisis, se cierra el círculo, vi que era un momento idoneo de reunir dicho material y añadirle unos cuantos más inéditos para hacerlo más atractivo a un futuro lector".
En cuanto a si la crisi se podía evitar, Malagón asegura que: "Llevo 15 años publicando viñetas por diferentes medios de comunicación, he trabajado en muchos proyectos económicos por lo que el tema económico siempre ha estado presente. Si es cierto que viendo chistes antiguos, ya en el 2007 ya se decía que esto explotaba o se iba ha hundir, pero las consecuencias tan amargas como las vivimos podías intuirlas pero para nada verlas como hoy en día".

"No me resulta dificil hablar de economía - comenta Malagón -, de hecho hay muchos conceptos económicos que en estos últimos años nos son familiares, todos nosotros sin quererlo nos hemos hecho expertos en economía, hablamos de primas de riesgo, de inflación, de agencias de rating y de activos tóxicos con total naturalidad, como quien habla del tiempo. Más difícil ha sido la actualidad, han sido tantas noticias y tan importantes que a veces no sabía que tema elegir. Otras veces los chistes se quedaban obsoletos, porque se iban sucediendo acontecimientos mucho más importantes y había que rehacer las viñetas".
"Los humoristas tenemos que estar al pie del cañón"

"Tengo varios estilos a la hora de trabajar -confiesa Malagón-, dependiendo en el medio que trabaje, unos con aire más desenfadado y caricaturesco y otros con un tono más realista y negro, este último es el estilo utilizado para Necronomía. El estilo se forja dibujando mucho, al principio te pareces a muchos y poco a poco vas viendo cosas en las que te sientes a gusto y que poco a poco forman parte de tu estilo, de un estilo más personal. Lo fundamental no es un estilo diferenciado del resto, lo eshacer buenos chistes, si además tienes un estilo personal, mejor".

"Los humoristas - continúa - reflejamos con imágenes y textos una opinion particular sobre las cosas que vemos y el lector se siente identificado con ellas y las comparte,somos un poco Pepito grillo. El humor es una estupenda válvula de escape para muchas personas que ven resumidos su rabia, su indignación de las situaciones diarias que viven o leen".
Por eso Malagón admira a todos los humoristas gráficos: "A todos, sé lo dificil que estar todos los días al pie del cañón, sea cual sea tu situación personal y decir algo que sea ingenioso o interesante".
En cuanto a por qué no usa bocadillos en sus chistes, Malagón asegura que: "Siempre me ha gustado el poder de las imágenes, me gusta la poesía visual y los imágenes conceptuales, me gusta que lean mis trazos y que saquen cada unos sus conclusiones, a veces diferentes a la idea con las que las dibujé".

"Me siento orgulloso del chiste del rescate a Bankia"

Entres sus miles de chistes, Malagón asegura que uno que le llena de orgullo es: "El chiste sobre el rescate a Bankia, donde se ve un pobre pidiendo con la mano y tras él una mano enorme de Bankia, sale del cajero. Hay chistes que lo haces y los publicas en el instante perfecto y tienen vida propia, la gente lo comparte por todos los lados, lo he visto en pancartas en manifestaciones, como ejemplos en cursos, en powerpoints, etc. Me siento orgulloso que una imagen mía resuma un sentimiento general y que se expresen con ella".
Malagón nos ha avanzado sus proyectos: "Ahora mismo estoy preparando nuevos proyectos para el mes de septiembre que será calentito, me temo, informativamente hablando. Esperando un par de libros a ver si salen y un par de proyectos periodísticos a ver si llegan a ver la luz".
Mientras podemso disfrutar de Necronomía, una de las visiones más lúcidas e irónicas de la difícil situación por la que atraviesa la economía española.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

CARNE E OSSO é o documentário sobre abatedouros da TV Comunitária do DF

Por César Fonseca

TEMPO RECORDE QUE ESTRAGA A SAÚDE E DESEQUILIBRA O SER HUMANO. 
 
A mecanização da morte dos frangos não dispensa os braços humanos para a realização dos cortes perfeitos, artísticos, decorrentes de repetição anti-criativa, esquizofrênica, das retiradas das vísceras, em tempos absolutamente cronometrados sob olhares vigilantes de inúmeros fiscais, mais parecidos com capitães do mato do tempo da escravidão, que, sequer, dão às trabalhadoras chances de trocarem informações enquanto executam suas tarefas repetitivas, cansativas, ao mesmo tempo em que são proibidas de expedir tempo superior a três minutos para fazer suas necessidades fisiológicas em casos extremos. 
O trabalho anti-criativo, meramente, mecânico, rigorosamente, é fonte de intensa depressão, agravada por salários miseráveis em longas jornadas de trabalho, enquanto os empresários cuidam de descartar as possibiliddes dessa doença, que, dizem, são próprias dos desocupados. Mas, o número excessivo de acidentes, por conta desse cotidiano desumanizado comprova a barbárie a serviço da produtividade, permanente fonte de infelicidade dos trabalhadores do setor, aos quais pouca atenção tem sido dada por parte das autoridades governamentais, dos políticos, dos estudiosos, conforme expõe o excelente documentário CARNE E OSSO – O trabalho nos frigoríficos”, verdadeiro inferno gelado

Uma coisa terrível esse documentário de angustiantes 90 minutos que está passando na TV Cidade Livre, o canal comunitário mais consciente, politicamente, do Brasil, que joga no colo dos brasilienses a problemática social brasileira, verdadeiro caso de atentado aos direitos humanos, carência nacional que a presidenta Dilma Rousseff acabou de constatar em sua viagem a Cuba.

Cada brasileiro, cada brasileira, que, todos os dias, em suas casas, alimentam-se de carne – ou seja, nem todos os brasileiros, nem todas as brasileiras, podem ter esse luxo, é verdade, dada a desigualdade social, ainda, infelizmente, existente no país – deveriam ver com grande interesse esse filme, esticamente, revolucionário a despertar a repugnância de um status quo anti-social.

Não, claro, para repudiá-lo, mas, especialmente, para a amá-lo; há tempos não via algo tão brutal, mas, também, tão humano, tão tocante, tão emocionante.

A brutalidade traz intrínseca uma moralidade estética bárbara, cuja essência é determinada pelas razões que, obviamente, a fazem existir.

Estamos falando dos trabalhadores dos frigoríficos, bovino, suino, avino, as três principais fontes de proteínas consumidas pela maioria da população brasileira.

Você aí, que compra o seu franguinho, a sua picanha, a chã de dentro, a alcatra, para assar, aos domingos, com a família, tomando aquela cervejinha gelada, deixando o espírito se soltar do corpo, cansado do trabalho semanal, quase sempre mal remunerado, carregado de lamentações etc e tal, não deveria perder esse incrivel trabalho realizado pelos diretores Caio Cavenatti e Carlos Juliano, em “CARNE E OSSO – Trabalho no frigorífico”.

Se liga na TV Cidade Livre – Canal Comunitário de Brasília, puxe lá, e curta.

Já, se você, por exemplo, é um fiscal do Ministério do Trabalho, que está aí, em sua mesa, cuidando daquela tarefa burocrática, de selecionar papéis, casos escabrosos, do dia a dia, da labuta dos trabalhadores desse setor da economia, que emprega, hoje, cerca de 800 mil trabalhadores, não pode deixar passar.

Sabia que 20% dessa mão de obra – 160 mil seres humanos – se encontram, sob escravidão, doente, fisíca e mentalmente deprimidos, devido ao excesso de carga de trabalho, de exigências absurdas, que colocam as pessoas, encerradas em grandes salas, a uma temperatura média de 8 graus centígrados, diante de escassa segurança, perante instrumentos cortantes, perigosíssimos etc?

Enfim, mexa-se caro fiscal burocrata, saia da sua cadeira e vá fazer uma grande pesquisa, de modo a contribuir, o mais rapidamente, possível para modificar as precaríssimas condições de sobrevivência laboral predominantes nessa indústria, que se transformou no grande motivador das exportações brasileiras, do agronegócio, movimentando bilhões de reais, agitando o plantio do milho, a fabricação do farelo, a produção de cama de frango, utilizada na lavoura como fertilizante, ainda, não devidamente compostado, para eliminar os patógenos e as doenças que se deslocam para o lençol freático, poluindo, rios, lagos e lagoas etc, comprometendo a vida animal, em meio à devastação ambiental crescente.

Desprezo ao ser humano

SOBRECARGA DE TRABALHO SEM REMUNERAÇÃO. ROUBO DE SALÁRIO. As dores na coluna vertebral são as mais comuns deformações impostas pelo trabalho escravo imposto aos trabalhadores nos frigoríficos brasileiros, de acordo com as estatísticas dos ministérios da Saude e do Trabalho, compulsadoas pelo documento CARNE E OSSO, um retrato vergonhoso da indústria nacional, que ao lado do lucro que alfere, não cuida daqueles que geralmente produzem o valor responsável pela multiplicação dos empresários, ou seja, o trabalhador, mal rermunerado e pessimamente respeitado pelos donos do capital. 

Essa pesquisa, que tem de ser minuciosa, escandalosa, impactante, precisa movimentar as consciências no Congresso Nacional, de modo a debater e votar uma legislação essencialmente humana para os trabalhadores dos frigoríficos, que pegam no batente às 5 da matina até às 4 da tarte, para ganhar um salário mínimo miseravel de R$ 670, em que as horas extras são surrupiadas, como se rouba um doce de uma criança indefesa, deixando-a sem ação, apenas se dispondo do choro para o protesto inútil.

Uma legislação moderna para os trabalhadores e trabalhadoras dos frigoríficos, necessariamente, tem de reduzir o tempo de trabalho semanal e, especialmente, cuidar, urgentemente, da qualidade desse trabalho, pois os que ali se esfolam sob temperatura dos pólos ártico e antártico, são obrigados a se submeterem a uma ditadura laboral espartanta, violenta, tudo em nome da santa produtividade.

E as enfermidades, as doenças, caracterizadas, sempre, pelo esforço repetitivo?

Sabia, cara leitora, que são necessários 18 movimentos ultra-rápidos para desossar um peito e uma coxa de frango em apenas 60 segundos, repetitivamente, de modo a encher uma caixa de 20 quilos em menos de 20 minutos, numa rapidez sideral, ultrapassando a razoabilidade mecânica exigida para os músculos humanos?

Sabe, meu caro, quantos movimentos, por minuto, a ciência admite, para o trabalho mecânico, humano, sem que haja prejuízo para a saúde, em um minuto? 35; os trabalhadores e trabalhadoras dos frigoríficos alcançam 4 vezes mais.

Barbárie total.

Os cortes nos músculos dos bichos se repetem nos músculos humanos; os estresses nervosos se multiplicam, e as juntas dos ossos se atrofiam, perdendo a agilidade, que leva à distração, necessáriamente, cujo resultado são desastres horríveis, mãos e braços decepados, personagens cortados em seu corpo e em sua alma, sem falar nos permanentes tiques nervosos, na instabilidade emocional etc e tal.

Veja o filme e se alarme.

Quatro anos sem aumento de salários, horas extras roubadas, eis os depoimentos comuns.

Os bairros onde moram os e as trabalhadoras nos frigoríficos, onde eles existem, no Rio Grande do Sul, no Mato Grosso do Sul, no Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Goiás, Distrito Federal etc são verdadeiras favelas, cercadas de matos, bichos, esgotos a céu aberto, sem água encanada, fossas que supitam etc.

O documentário é tragicamente belo, ao pegar as expressividades, os silêncios, as lágrimas, um cotidiano miserável, insalubridade sem fim por todos os lados.

As mulheres, desesperadas, não conseguem se desligar dessa escravidão, porque seus filhos dependem da renda que elas auferem.

Dormem pouco, levantam sobressaltadas, vivem nervosamente tensas; o prazer de viver inexiste, pois vivem para o desprazer em nome do progresso.

Cinicamente, os departamentos médicos, que cuidam dos casos de doenças, descartam, sempre, a existência das depressões,que o acúmulo de exploração laboral, tristeza espiritual e falta total de perspectivas de se viver feliz produzem na alma humana , obrigada a viver abjetamente.

Condições de trabalho desprezíveis

INSALUBRIDADE INTENSA EM TROCA DE DESGASTE HUMANO. 
 
Os grandes frigoríficos brasileiros que, atualmente, ganham o mercado internacional, conquistando as honras para a indústria de carne brasileira no mundo, deveriam cuidar mais da saúde dos seus trabalhadores, e não submete-los às condições deploráveis de vida, conforme demonstra o documentário exibido pela TV CIDADE LIVRE, um tiro na consciência de todos os consumidores de proteínas animais, que deveriam ser despertados para exigir mais visão social da empresa, assim como o governo, para abrir a elas os cofres generosos do BNDES, deveria impor contrapartidas em forma de oferta de trabalho digno nas fabricas, onde, infelizmente, predomina a visão da barbárie. 

O trabalho de Caio Cavenatti e Carlos Juliano, precedido de ampla pesquisa, farta fotografia, mergulha em um cotidiano que está presente nos livros de Dickens, quando o capitalismo inglês vivia o tempo da barbárie total, no século 19, explorando as crianças, em jornadas de até 15 horas diárias.

A barbárie, também, está, vivamente, presente na cena brasileira contemporânea, no compasso da industrialização, descuidada dos interesses humanos, mas, tão somente, voltada para a avidez lucrativa.

Evidentemente, no século 21, no tempo da internet, da instantaneidade das comunicações, dos avanços científicos e tecnológicos, colocados a serviço da produção e da produtividade máximas, em nome do santo lucro, o santo graal capitalista, não se justifcam mais extensas jornadas de trabalho.

Com quatro horas de trabalho, apenas, o trabalhador paga o seu salário. O resto é salário não pago, simplesmente, roubado, descaradamente.

Faz-se necessário, que, nesses serviços, altamente, estressantes, sejam adotadas jornadas mais curtas de trabalho, para que, primeiro, seja preservada a dignidade humana; segundo, que seja aumentada a oferta de trabalho e terceiro, que se dê fim ao roubo da mais valia, trabalho roubado, que eleva a taxa de lucro empresarial, afetada, quase sempre, pela concorrência, que vai produzindo, no setor – e em todos os demais – uma caminhada inexorável para a oligopolização.

Está explicado: o grande lucro, a grande riqueza e o grande poder empresarial dos frigoríficos brasileiros, como, por exemplo, o de um Friboi, se deve ao grande roubo do trabalho não pago pelo excesso de horas trabalhadas a custo baixo, mediante reposição acelerada de mão de obra, pois, afinal, aquela que se vai sucumbindo, ao longo das jornadas extensas, cansadas, adoentadas, desfibradas, tem que ser reposta imediatamente.

O ser humano vira uma laranja que se chupa até o último caldo pelo capitalista, que, em seguida, joga fora o bagaço e busca, avidamente, outra no cesto, para continuar saciando sua sede insaciável de lucro.

O documentário em exibição deve ser assistido pela presidenta Dilma Rousseff que está presssionando o Congresso para acelerar o fim das vantagens conferidas aos trabalhadores pela Previdência, em nome do combate ao deficit público, quando se sabe que a fonte de gastos por conta da cobertura das doenças, pelo excesso de trabalho, é maior do que os gastos com os benefícios, propriamente, ditos, conforme explicam os médicos que dão seus depoimentos sobre a barbárie trabalhista nos frigoríficos.

Ou seja, eventuais mudanças na Previdência massacrarão ainda mais os trabalhadores.

E, no Congresso, onde, parece, não há nada para fazer, segundo  o Deputado Romário(PSB-RJ), suas excelências deveriam promover uma exibição desse trabalho, realmente, brilhante, que atinge a consciência humana, como uma facada no coração, estetizando em grandes traços um perfil brasileiro que o futuro deplorará, vergonhosamente.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Faap oferece curso gratuito para jornalistas de economia

Por Julia Viana, do Clikcarrera

O “Agenda Brasil”, curso gratuito para jornalistas realizado pelo MBA Executivo da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), abriu as inscrições para a 10ª edição. Com duração de 20 semanas e carga horária de 60 horas, o programa terá aulas às terças-feiras, das 9h00 às 12h15. A metodologia inclui palestras e debates com professores.

O curso oferece embasamento para a compreensão das mudanças que ocorrem diariamente nos mercados globais a jornalistas que atuam nas áreas de Economia, Negócios e Finanças, com foco tanto no mercado brasileiro quanto internacional.

Os interessados em participar serão submetidos à seleção da diretoria do Faap-MBA. Os inscritos deverão enviar ficha de inscrição preenchida (que deverá ser requisitada por e-mail), carta de apresentação do veículo de comunicação em que trabalha, currículo e foto 3x4.

As inscrições podem ser feitas até 17 de fevereiro, entre 9h e 19h, na própria Faap, que fica na r. Ceará, 84, em Higienópolis. O início está previsto para 6 de março. Para saber mais, entre em contato com a assessoria da Faap pelo número (0xx11) 3662-7271.

domingo, 30 de maio de 2010

Andi ensina orçamento público para jornalistas

31 de maio é o último dia para as inscrições para a 5ªturma do Curso Descomplicando o Orçamento Público, promovido pela ANDI - Agência de Notícias dos Direitos da Infância, com o apoio da Petrobras e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O curso é gratuito e destinado a jornalistas e estudantes de jornalismo de todo o País que estejam interessados em conhecer melhor o processo de construção, execução e acompanhamento do orçamento público, qualificando a cobertura de pautas sociais, em especial para a infância e a adolescência.
A turma tem 40 vagas e terá início no dia 08 de junho. A duração é de 40 horas/aula, com encerramento previsto para o dia 05 de julho. Os interessados devem preencher, até o dia 31 de maio, o formulário de seleção que será avaliado pela ANDI. A escolha dos participantes será feita de acordo com o tipo de trabalho desenvolvido pelo profissional, região onde atua e sua experiência com as ferramentas de Internet. Os selecionados recebem um e-mail solicitando o acesso à plataforma de cursos à distância da ANDI, com data para o convite expirar. Os alunos que concluírem todas as atividades, com bom desempenho, recebem um certificado.
O curso Descomplicando o Orçamento Público além de trazer conceitos fundamentais relativos à análise orçamentária, ainda ensina a operar o Sistema de Monitoramento do Investimento Criança, criado pelo Unicef, que permite acompanhar pela Internet os programas e ações do Orçamento da União voltados para a Infância e a Adolescência.
Nesta turma, o conteúdo e o formato do curso sofreram reformulações, o que vai propiciar mais dinamismo às atividades. A novidade também é a presença de um consultor de orçamento na sala de aula virtual, participando de chats e esclarecendo dúvidas.

Mais informações: Núcleo de Mobilização - ANDI, telefone (61) 2102-6538 ou pelo e-mail pauta@andi.org.br