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domingo, 12 de julho de 2026

Prêmio: ICL incentiva reportagens investigativas regionais sobre o mercado de combustíveis

Edição de 2026 destina dois prêmios de R$ 10 mil a trabalhos de alcance regional que revelem os impactos das irregularidades sobre consumidores, empresas e economias

 

O Instituto Combustível Legal (ICL) reforça, na edição de 2026 do Prêmio ICL de Jornalismo, a valorização da cobertura local e regional sobre o mercado de combustíveis. A iniciativa busca estimular reportagens investigativas capazes de identificar fraudes, acompanhar ações de fiscalização e mostrar como práticas ilegais afetam diretamente consumidores, empresas que atuam de forma regular, arrecadação pública e comunidades de diferentes regiões do Brasil.

A categoria Regional concederá dois prêmios de R$ 10 mil cada. Poderão concorrer reportagens publicadas por veículos de alcance local ou regional, em todos os formatos previstos no regulamento. A avaliação dará ênfase à abordagem dos impactos do setor nas comunidades e nas economias locais. Os dois trabalhos que alcançarem as maiores pontuações da comissão julgadora serão premiados.

Para o ICL, o fortalecimento do jornalismo regional é fundamental porque muitos dos efeitos do mercado irregular são percebidos inicialmente nos municípios e estados. São jornalistas locais que acompanham de perto operações policiais, interdições de estabelecimentos, investigações sobre sonegação, adulteração de produtos, fraudes em bombas, roubo de cargas e outras práticas que podem estar associadas a estruturas criminosas mais amplas.

Além de revelar esquemas ilegais, a cobertura regional permite traduzir grandes números e investigações complexas para a realidade do cidadão. Uma fraude no mercado de combustíveis pode significar menos produto entregue ao motorista, risco de danos ao veículo, concorrência desleal contra empresas idôneas e perda de recursos que poderiam ser destinados a serviços públicos.

“O jornalismo local conhece a realidade de cada região, acompanha as autoridades, ouve os consumidores e consegue mostrar como as irregularidades chegam à vida das pessoas. Ao criar dois reconhecimentos na categoria Regional, queremos ampliar a visibilidade dessas reportagens e incentivar investigações que, muitas vezes, começam em um município, mas revelam problemas de dimensão estadual ou nacional”, afirma Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal.

Premiação de R$ 70 mil

O Prêmio ICL de Jornalismo 2026 distribuirá um total de R$ 70 mil em três categorias. Além dos dois trabalhos regionais, que receberão R$ 10 mil cada, haverá um prêmio de R$ 30 mil para a categoria Série e outro de R$ 20 mil para a categoria Nacional. Todos os vencedores também receberão o troféu do Prêmio ICL de Jornalismo 2026.

A categoria Série é destinada a conjuntos de duas ou mais reportagens interligadas, com narrativa contínua e abordagem aprofundada. Os trabalhos podem ter alcance regional ou nacional e ser apresentados em qualquer formato ou meio de comunicação. Já a categoria Nacional reconhecerá uma reportagem publicada em veículo de abrangência nacional e com impacto e relevância para o país.

Podem participar jornalistas profissionais com trabalhos publicados em veículos sediados no Brasil. São aceitas reportagens e séries jornalísticas veiculadas em televisão, rádio, mídia impressa, plataformas digitais, streaming e webTV. Os trabalhos precisam ter sido publicados entre 1º de outubro de 2025 e 30 de outubro de 2026.

As inscrições foram abertas em 4 de maio e seguem até 30 de outubro de 2026, exclusivamente pelo site oficial do Prêmio ICL de Jornalismo. A divulgação dos vencedores e a cerimônia de premiação ocorrerão durante o evento “O Posto Mais Bonito do Brasil 2026”, em São Paulo, em data e local que ainda serão anunciados.

Os trabalhos serão avaliados por uma comissão independente formada por jornalistas e especialistas. Entre os critérios estão relevância e interesse público, qualidade jornalística, clareza editorial, rigor na apuração, verificação das informações, impacto social, econômico ou institucional, originalidade, profundidade e contribuição para o debate sobre legalidade e concorrência.

Jornalismo como aliado da sociedade

Criado para fomentar a produção de conteúdo investigativo e de interesse público, o Prêmio ICL de Jornalismo reconhece reportagens que abordem os impactos do mercado irregular de combustíveis e as ações destinadas a combatê-lo. A iniciativa integra o compromisso do Instituto com a promoção de um ambiente de negócios mais ético, transparente e competitivo.

Em 2025, o prêmio recebeu mais de 80 reportagens e distribuiu R$ 50 mil. Para 2026, o aumento da premiação e a criação de categorias por alcance editorial ampliam o reconhecimento de trabalhos nacionais e regionais, além de séries que demandam apuração prolongada e aprofundamento.

“O enfrentamento ao mercado ilegal depende de fiscalização, inteligência, integração entre instituições e informação de qualidade. Reportagens bem apuradas ajudam a sociedade a compreender esses crimes, dão visibilidade ao trabalho das autoridades e contribuem para que irregularidades não sejam naturalizadas. Valorizar o jornalismo investigativo é também fortalecer a defesa do consumidor e da concorrência leal”, conclui Kapaz.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

É permitido filmar uma ação policial?

O avanço da criminalidade urbana e o incremento das novas tecnologias tem provocado um novo fenômeno social que é a possibilidade, cada vez maior, de documentar em vídeo ações policias. Possibilidade que se apresenta não só aos profissionais de imprensa, repórteres=cinematográficos, mas também ao cidadão comum, que vem se transformando em testemunhas oculares do mundo do crime. Afinal,é permitido filmar uma ação policial? A resposta você acompanha no artigo do advogado criminalista,Felipe Rocha de Medeiros.
As mudanças que a tecnologia acarreta continuamente na sociedade são tão abruptas que, em alguns casos, geram conflitos e dúvidas nos diferentes estratos sociais. Vivemos em uma época na qual cada pessoa é o seu próprio veículo de comunicação. Um vídeo despretensioso pode se tornar viral e se espalhar pelo mundo em questão de segundos. Na mesma velocidade, a reputação de uma pessoa pode ser destruída para sempre. Por esse motivo, é uma época perigosa para quem filma e para quem é filmado.
Somado a isso, a população tem um acesso cada vez maior a informações e, consequentemente, se torna mais consciente de seus direitos. Se torna consciente ainda sobre o poder que detêm na palma de sua mão. Atualmente, a primeira resposta à uma violação de direitos, é filmar ou gravar para obtenção de provas. Esse é um comportamento cada vez mais comum e que apresenta uma eficácia probatória enorme. Se antes a confissão era considerada a rainha das provas, hoje com certeza é o vídeo.
As filmagens se tornam ainda mais instintivas quando estamos nos defrontando com uma violação de direitos perpetrada pelo Estado. Se os funcionários públicos possuem presunção de legitimidade e veracidade em seus relatos, quem vai acreditar em nossos relatos?
Por esse motivo, se espalharam pela internet inúmeros vídeos que demonstram policiais cometendo abusos de autoridade das mais diversas ordens. Em alguns desses vídeos, é possível observar que alguns impedem as filmagens sob o pretexto de que seu direito à imagem estaria sendo violado.
Outros simplesmente alegam que é necessária autorização. Para entender melhor ou apenas para ver um exemplo concreto, peço que o leitor interrompa um pouco a leitura e veja o vídeo que está no final do artigo (o vídeo é um exemplo prático muito rico e que tem potencial para várias discussões que não podem ser limitadas à um único artigo).
Mas afinal, o que é esse direito tão alegado pelos policiais do vídeo? O direito à imagem é previsto principalmente no art. X da Constituição Federal e art. 20 do Código Civil. Veja-se:
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
(..)
Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais.
Da leitura dos artigos, fica claro que existe a necessidade de um dano para que seja possível se falar em uma violação à imagem. E ainda, que haja também nexo causal entre a ação (filmar) e o dano. Se o policial estiver prejudicando a própria imagem, agredindo uma pessoa por exemplo, não há nexo causal. Situação completamente diversa seria filmar a ação do policial e o xingar enquanto filmar. Nesse caso, o dano foi causado por quem estava filmando.
Portanto, devem ser adotados alguns cuidados ao filmar uma ação policial:
1 – Não falar nada enquanto filma.
2 – Se possível, borrar o rosto do policial na edição do vídeo.
3 – Não cortar o vídeo para evitar que o conteúdo seja retirado de contexto (ou sofrer acusações de fazer isso).
Além desses cuidados, é preciso ter muita discrição, ninguém gosta de ser filmado e certas represálias ilegais estão se tornando comuns nesse tipo de situação (ameaças, conduções coercitivas, apreensão do celular/câmera e agressões). A liberdade de expressão é um direito fundamental, mas você não anda com um juiz sempre ao seu lado.
Deve ser ressaltado que o policial é um funcionário público! Logo, está sujeito à fiscalização da população. Caso esteja cometendo algum ato ilegal, deve ser filmado e o vídeo deve ser encaminhado à Corregedoria. Se tudo estiver conforme a lei, não existe dano à imagem.
Resumidamente, filmar uma ação policial é o exercício pleno do direito fundamental da liberdade de expressão e de fiscalização da atuação do poder público. Adotando-se alguns cuidados básicos, não há como falar em violação ao direito à imagem. Se o policial estiver agindo conforme a lei, é o maior interessado em ter uma prova de sua atuação exemplar.

domingo, 9 de março de 2014

Jornalista lança livro sobre ascensão e queda do império de Eike Batista

“Ascensão e Queda do Império X”, 

do jornalista Sergio Leo, 

conta os bastidores da fortuna
de mais de US$34 bilhões
que virou pó


Ele figurou as capas das principais publicações do país nos últimos anos. Primeiro protagonizando uma história promissora, de empresário vencedor por seu próprio esforço, sem vergo­nha de ser rico e com lições de sucesso a compartilhar. Depois com a derrocada de um império que valia bilhões de dólares. Em “Ascensão e Queda do Império X”, o jornalista Sergio Leo desconstrói o mito criado em torno de Eike Batista. O livro já pode ser adquirido na sua versão digital. Nas lojas de todo o país, a publicação chegará na segunda quinzena de fevereiro.
Em 264 páginas, Sergio Leo conta com leveza e humor tudo o que todos sempre quiseram saber sobre os bastidores da história de um dos homens mais ricos do mundo. Ele revela os equívocos gerenciais que comprometeram a saúde das suas empresas e as falhas que lhe permitiram vender ilusões dispendiosas – e que resultou na dizimação de sua fortuna. Tudo o que acontecia longe dos holofotes é mostrado pelo autor com base em depoimentos de pessoas ligadas ao governo fede­ral e a governos estaduais, antigos executivos de empresas do grupo EBX e executivos do setor de petróleo, amigos de Eike Batista e espe­cialistas.
As histórias das empresas X, como a fundação da mina Novo Planeta, são apresentadas, mas não pela versão do ex-bilionário. O livro mostra que, na origem, Eike não foi o self made manque dizia ser, e traz à tona os nomes de sócios que o ajudaram no começo da carreira, como o suíço Felix Jean Chille, administrador de fortunas, e outros investidores de peso. “Ascensão e Queda do Império X” esclarece também qual foi o verdadeiro papel de Eliezer Batista. O pai, Eliezer Batista, foi uma figura importante na construção da carreira de Eike, com sua rede de contatos e fazendo intervenções em momentos decisivos”, comenta o autor.
As excentricidades – como o uso do X, do número 3 e do sol como símbolo de seu grupo – também são abordados no livro. Sua fama como ex-marido de Luma, as transações e trocas de favores, a cronologia da decadência das principais empresas X e as jogadas de marketing que o ajudaram a vender suas ideias completam a obra.

Lançamento

O lançamento do livro, em Brasília, acontece na quarta-feira, 12/3, na Livraria Cultura do Casa Park, a parit das 19h30.

Sobre o autor

Colunista e colaborador do jornal Valor Econômico. Carioca, graduou-se em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ. Desde 1985 vive em Brasília, onde primeiro trabalhou no Jornal do Brasil, cobrindo o Plano Cruzado e todos os outros planos econômicos que se seguiram. Atuou ainda na TV Globo, nos jornais Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo, e nas revistas IstoÉ e IstoÉ Dinheiro, da qual foi diretor em Brasília. Em 2000, integrou a equipe que fundou o Valor, no qual, três anos mais tarde, se tornaria também colunista. Como escritor, ganhou o prêmio Sesc de Literatura em 2008 por seu livro de contos Mentiras do Rio. “Ascensão e Queda do Império X” é o sua primeira publicação pela Nova Fronteira.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

II Salão Nacional do Jornalista Escritor terá como tema central livro-reportagem


Aberto e gratuito, Salão colocará autores consagrados de frente com o público, no Memorial da América Latina

A Semana da Pátria terá uma atração a mais este ano na capital paulista. Nos dias 6, 7 e 8 de setembro (6ª.feira a domingo) acontece no Memorial da América Latina, Auditório Simon Bolivar (rua Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda), o II Salão Nacional do Jornalista Escritor, tendo como tema central O livro-reportagem.
A curadoria é do jornalista e escritor Audálio Dantas, também idealizador do projeto, e a organização, da Mega Brasil Comunicação. O evento é uma realização da UBE – União Brasileira dos Escritores.
Com entrada franca, o Salão espera atrair cerca de 15 mil pessoas nos três dias de atividades, em sua maioria jovens universitários. A programação contempla 11 sessões, cada uma com dois convidados e um entrevistador. O público também será incentivado a participar com perguntas, já que um dos propósitos do encontro é aproximá-lo dos autores.
Outra atração programada é uma homenagem ao jornalista-escritor Graciliano Ramos pelos 80 anos de lançamento de seu primeiro romance – Caetés – e pelos 120 anos de seu nascimento, completados em 2012.
Também fazem parte da programação uma exposição fotográfica sobre a história da UBE; o Salãozinho – sessões infantis, reunindo contadores de histórias e autores de obras infanto-juvenis com grupos de crianças; e o Café Literário, em que acontecerão as sessões de autógrafos.
Os ingressos para cada uma das sessões poderão ser retirados com uma hora de antecedência nas bilheterias do próprio Auditório Simon Bolivar e estarão limitados à capacidade do espaço, que é de aproximadamente 900 lugares.
O Salão conta com patrocínio da Petrobras e apoio da Caixa Econômica Federal, estando aberto ainda a novas adesões, inclusive para ações promocionais e distribuição de brindes.
Confira, a seguir a programação das 11 mesas:
6 de setembro de 2013 
         10h às 11h – Abertura oficial
o    Inauguração do II Salão Nacional do Jornalista Escritor
o    Abertura oficial da exposição A história da UBE
o    Homenagem a Graciliano Ramos

         14h às 16h  – 1ª mesa
o    Convidados: Juca Kfouri e Heródoto Barbeiro
o    Entrevistador: Laurindo Lalo Leal Filho

•         16h30 às 18h30 – 2ª mesa
o    Convidados: Eliane Brum e José Nêumanne Pinto
o    Entrevistador: Nildo Carlos de Oliveira

•         19h às 21h – 3ª mesa
o    Convidados: Antônio Torres e Miriam Leitão
o    Entrevistador: Ivan Ângelo

7 de setembro de 2013
         11h às 13h – 4ª mesa (Sessão Especial – A reportagem hoje)
o    Convidados: Cassiano Elek Machado (Folha de S.Paulo) e Hélio Campos Mello (Revista Brasileiros)
o    Entrevistador: Quartim de Moraes

•         14h às 16h – 5ª mesa
o    Convidados: Fernando Morais e Ricardo Ramos Filho
o    Entrevistadora: Regina Echeverria

•         16h30 às 18h30 – 6ª mesa
o    Convidados: Alberto Dines e Lira Neto
o    Entrevistador: Florestan Fernandes Júnior

         19h às 21h – 7ª mesa
o    Convidados: Mino Carta e Ricardo Kotscho
o    Entrevistador: Carlos Chaparro

8 de setembro de 2013
         11h às 13h – 8ª mesa (Sessão Especial – O repórter na estante)
o    Convidados: Luiz Fernando Emediato (Geração Editorial) e Carlos Andreazza (Editora Record)
o    Entrevistador: Claudiney Ferreira

•         14h às 16h – 9ª mesa
o    Convidados: Domingos Meirelles e Ricardo Viveiros
o    Entrevistador: Sérgio Gomes

•         16h30 às 18h30 – 10ª mesa
o    Entrevistador: Assis Ângelo

•         19h às 21h –11ª mesa
o    Convidados: Caco Barcellos e Ivan Marsiglia
o    Apresentador: Fernando Coelho
Serviço
II Salão Nacional do Jornalista Escritor
Data de realização: 6, 7 e 8 de setembro de 2013
Local: Auditório Simon Bolivar, Memorial da América Latina
Horário: 6 de setembro de 2013, a partir de 10h; 7 e 8 de setembro, a partir das 11 horas
Endereço: Rua Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda, São Paulo (SP)
Curadoria: Audálio Dantas
Realização: UBE – União Brasileira de Escritores
Organização: Mega Brasil Comunicação
Patrocínio: Petrobras
Apoio: Caixa Econômica Federal

Informações gerais sobre o Salão: 11-5576-5600 ou eventos@megabrasil.com.br

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Livro analisa o processo de criação das grandes reportagens

Dominado por grandes empresas de comunicação - mais interessadas nos lucros do que nas notícias -, o jornalismo brasileiro atravessa uma crise: a apuração, o texto bem escrito e o contato direto com as fontes quase desapareceram. Entretanto, há apenas algumas décadas a profissão era exercida "na raça" e nas ruas, com informações bem costuradas em grandes matérias. E é exatamente isso que Edson Flosi, testemunha e personagem dessa época, mostra em Por trás da notícia - O processo de criação das grandes reportagens (Summus Editorial, 168 p., R$ 51,00). Autor de mais de 500 reportagens assinadas e publicadas em importantes veículos da imprensa, ele apresenta na obra uma amostragem histórica do jornalismo à moda antiga.

Depois de fazer um breve resumo de seu ingresso no jornalismo, o autor, que além de advogado criminalista é professor universitário, oferece ao leitor 15 reportagens selecionadas, que foram publicadas em veículos como Folha de S.Paulo e Jornal da Tarde. Embora tenha se notabilizado pelas reportagens policiais, no livro Flosi oferece também perfis de personalidades e de gente comum, mostrando assim versatilidade e talento para apurar boas histórias.

Os capítulos começam com os bastidores da produção de cada reportagem e apontam ainda eventuais percalços enfrentados pelo autor na época da realização das matérias - boa parte delas escritas durante a ditadura militar de 1964. Em seguida, traz fac-símiles de cada reportagem e depois a reprodução textual destas.
Entre as matérias mais importantes de Flosi estão duas sobre o famoso assalto ao trem pagador, ocorrido em 10 de agosto de 1968. A polícia suspeitava que o assalto havia sido planejado por guerrilheiros que lutavam contra a ditadura.

"Eu queria escrever o que sentia e achava que era a verdade, usando terminologia como guerrilheiros, luta armada, revolucionários, expropriação de fundos para derrubar a ditadura, mas não podíamos fazer isso porque havia recomendação dos órgãos de segurança para usarmos a terminologia que eles impunham, como terrorismo, bandidos, terror, ladrões, assaltantes. Não havia como negar‑se a isso; eram tempos de ditadura", relembra o autor.

Mas foi em novembro de 1968 que Flosi publicou suas reportagens mais conhecidas. Depois de obter uma cópia de um dossiê do Departamento de Ordem Pública e Social (Dops), o repórter escreveu duas matérias que abordavam as ações da guerrilha do Araguaia. Uma delas trazia fotos e curtos perfis de 13 guerrilheiros. "Eu sabia que a documentação era verdadeira. Confiava na fonte e no meu trabalho. É um momento difícil na vida de um repórter: decidir se escreve ou não uma reportagem desse tipo. E nesse momento ele está sozinho; ninguém pode ajudá-lo - a decisão é só dele", recorda Flosi.

O fato é que, fosse investigando crimes ou contando histórias corriqueiras, Flosi legou aos estudantes de jornalismo e a todos os que se interessam pela produção de notícias uma obra inigualável, fruto de uma vida inteira de trabalho. "Não tomei parte no jornalismo ‘empresarial’. Minha carreira acabou antes. Mas, sonhador irreverente, acredito na volta da grande reportagem e do jornalismo literário, o que dependerá das novas gerações de jornalistas, que terão de lutar por mais espaço dentro das empresas se quiserem atingir esse objetivo", conclui.

O autor
Edson Flosi nasceu em São Paulo em 1940. Iniciou-se no jornalismo em 1960 e exerceu a profissão durante 30 anos, passando pelos jornais Folha de S.Paulo, Jornal da Tarde, O Globo e outros órgãos da imprensa. Ocupou quase todos os cargos da Redação: repórter, redator, pauteiro, chefe de reportagem, editor e secretário. Mas, sempre que podia, voltava às ruas para fazer o que mais gostava: reportagem. Em toda a sua carreira foi essencialmente repórter policial. Milita, há 20 anos, no Fórum de São Paulo como advogado criminalista e desde 1996 é professor do curso de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, onde exerce também o cargo de assessor da Diretoria.