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quinta-feira, 8 de março de 2018

A mídia não ouve as mulheres

Embora mais da metade dos jornalistas no Brasil sejam do sexo feminino, na hora de definir as fontes de informações, a mídia “esquece” as mulheres. Elas representaram apenas 24% das pessoas ouvidas, lidas ou vistas em jornais, televisão e rádio

Publicado anteriormente no Misto Brasília
O jornalista especializado em temas científicos Ed Yong percebeu há dois anos que suas reportagens continham uma distorção. Inspirado pela autora Adrienne LaFrance, sua colega na revista The Atlantic, que examinou o desequilíbrio de gênero em seus textos, ele analisou seu próprio trabalho e descobriu que, nas 23 reportagens que havia escrito desde janeiro, apenas 24% das pessoas citadas eram mulheres. Era preciso mudar sua forma de trabalhar.
"Eu acho que a tarefa dos jornalistas não é apenas refletir sobre o que está acontecendo na sociedade. Eles também têm a responsabilidade de se manifestar sobre essas questões", diz Yong à Agência DW.
"Nós criamos um mundo ao nosso redor por meio das histórias que escrevemos, além de informar sobre esse mundo. Adrienne expressou isso muito bem em seu texto quando constatou que estava contribuindo ativamente para um mundo em que as vozes das mulheres eram subestimadas. E suas contribuições, minimizadas. Esse não é um mundo no qual eu quero viver e com o qual quero contribuir."
Embora mais de metade da população mundial seja do sexo feminino, mulheres e meninas são sub-representadas na mídia. Os homens não apenas dominam o setor de imprensa, estabelecendo os objetivos editoriais, produzindo reportagens e expressando suas opiniões como especialistas: eles também são os protagonistas das histórias contadas.
As conclusões de Yong sobre seu próprio trabalho refletem a situação nos meios de comunicação em todo o mundo.
As mulheres também representaram apenas 24% das pessoas ouvidas, lidas ou vistas em notícias de jornais, televisão e rádio em 2015, de acordo com um relatório do Projeto de Monitoramento Global de Mídia (GMMP, na sigla em inglês) que abordou a desigualdade de gênero no noticiário.
A proporção se manteve a mesma de um relatório anterior do GMMP publicado em 2010. Ela também é comparável com outros estudos sobre a representação das mulheres na mídia. As estatísticas são semelhantes na própria Deutsche Welle.
Faltam realmente especialistas? - A jornalista americana Lauren Bohn enfrenta o desequilíbrio de gênero na mídia desde que se mudou para o Egito e começou a cobrir o Oriente Médio. Enquanto a Primavera Árabe varria a região, ela ficou impressionada com a falta de mulheres nas reportagens sobre as revoltas.
"Embora existissem tantas mulheres que pudessem opinar na Praça Tahrir ou na Síria ou na Tunísia, por algum motivo em minhas próprias reportagens – mesmo eu sendo tão consciente –, a maioria das pessoas citadas eram homens. E a maioria desses homens citados não eram apenas homens brancos, mas geralmente estavam em Washington ou em Nova York”, diz.
A partir daí ela começou a se esforçar para incluir mais mulheres em seu trabalho. Mas logo descobriu que buscar mulheres como fontes simplesmente não era suficiente.
"Lembro-me de perguntar a opinião de uma mulher egípcia, que tinha um doutorado de uma escola de elite ocidental e que tinha feito pesquisas de campo em toda a região, e ela me disse: ‘Esta não é minha área de especialização'. Lembro-me de responder: ‘Se essa não é sua área de especialização, não sei de quem então é essa área de especialização'.”
"Por outro lado, sempre que eu recorria a um homem, ele se prontificava não apenas a me fornecer opiniões, mas também para dar um ponto de vista condescendente, como se estivesse pronto para escrever um livro sobre um assunto que havia surgido apenas uma hora antes”.
Essas ideias levaram Bohn e o pesquisador turco-americano Elmira Bayrasli a iniciar o Foreign Policy Interrupted, um programa de bolsas de estudo e uma plataforma educacional que busca mudar a proporção de homens para mulheres falando sobre questões de política externa na mídia.
O programa reúne jornalistas e especialistas, editores, produtores, grupos de reflexão e organizadores de conferências e oferece treinamento de mídia e workshops sobre escrita e publicação de reportagens. O boletim semanal do grupo coloca em destaque o trabalho feito por mulheres e dissipa argumentos como, por exemplo, que não há especialistas em Coreia do Norte.
Quinze minutos a mais - Yong decidiu corrigir a relação homem-mulher em seu trabalho acompanhando seu progresso em uma planilha, enquanto buscava as pessoas certas, as mulheres certas, para incluir em suas reportagens. Isso acabou demandando um pouco mais de tempo, contou ele, foram mais ou menos 15 minutos extras para procurar especificamente por mulheres a serem incluídas nas reportagens. Mas, segundo Yong, isso não foi difícil. Após quatro meses de esforço extra, ele conseguiu aumentar a proporção de vozes femininas para 50%.
"Eu acho que os homens deveriam assumir a responsabilidade por coisas como esta de forma séria. Se você considera que os homens superam em número as mulheres nas redações e contam com todos os tipos de vantagens estruturais na mídia, assim como o fato de que as fontes masculinas são mais numerosas que as femininas, parece lógico apontar que os homens têm uma responsabilidade maior de corrigir esse desequilíbrio”.
Além da responsabilidade, o tema também deveria ser de interesse dos homens, afirma Lauren Bohn.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Ceará: Sexismo na propaganda da Petrobrás Distribuidora

Ceará: "Peça de marketing de postos BR estimula cultura do estupro"


A boneca de uma frentista vestida com uma micro farda sensual é a mais nova peça de marketing da BR Distribuidora de Petróleo para postos nas estradas do Ceará. A empresa deve acreditar que com a boneca de fibra de vidro, com seios parcialmente à mostra e com um micro short, os caminhoneiros irão priorizar o abastecimento em seus postos de atendimento.

A estratégia foi denunciada num perfil pessoal do Facebook com uma foto, que logo viralizou na internet. “Uma imagem machista e sexista de uma mulher trabalhadora”, escreveu o autor da postagem e professor de jornalismo, Alberto Perdigão.
Para Perdigão, a peça de marketing estimula cultura do estupro, numa região onde este é um problema grave e antigo. O Ceará tem o décimo maior índice de estupro do país, com 1.580 casos registrados em 2015 (um a cada seis horas), segundo o mais recente Anuário Brasileiro de Segurança Pública, e apresenta índices de subnotificação que podem variar de 65% (National Crime Victimization Survey) a 90% (IPEA).

Reações

O caso ganhou o apoio e compartilhamento de internautas de todo o país, mas também provocou reações contrárias. “Fiquei satisfeito em estimular o debate em torno da objetização da mulher e a relação que isso pode ter com misoginia e estupro, que ainda são formas veladas e aceitas de violência contra a mulher”, afirmou. “Só lamento as manifestações machistas e agressivas que recebi”, completou.

O Sindicato dos Caminhoneiros do Ceará compartilhou a postagem com uma pergunta: “Até quando vamos conviver com esse tipo de machismo?” A Casa de Cultura e Defesa da Mulher Chiquinha Gonzaga afirmou que é uma clara demonstração que “a cultura machista se perpetua” e convocou a seguidoras: “Vamos dizer NÃO a esse tipo de propaganda!”

Reação Femininina

Anonimamente, mulheres do Ceará tem reagido e até de forma criativa à estratégia de propaganda da BR Distribuidora. Por conta da revolta feminina, um dos postos da BR Distribuidora do Ceará, que utiliza a boneca de uma frentista seminua para atrair clientes, decidiu vestir o artefato.
“Algumas mulheres que moram na região ficaram revoltadas com a publicidade e conversaram com o gerente do estabelecimento, que concordou com as reivindicações”, conta a jornalista Ana Clara Jovino, que fez a reportagem para a Tribuna do Ceará.
“O próprio gerente pegou algumas peças de roupas da esposa e vestiu a boneca, com blusa e saia longa”, explicou. O posto fica na rodovia CE-085, em São Gonçalo do Amarante, a poucos quilômetros do Posto de Caucaia, que motivou a denúncia do internauta.

Reação da BR Distribuidora

O site reproduzindo nota da BR Distribuidora em que afirma: “A Petrobras Distribuidora está adotando as medidas cabíveis para que o revendedor retire essa estátua que nada tem a ver com os elementos que compõem a imagem de um posto Petrobras, tampouco faz parte de qualquer ação publicitária ou promocional do Plano Integrado de Marketing da BR. A Companhia sempre se destacou por seu apoio a ações de combate à violência contra as mulheres e qualquer forma de discriminação”.
No dia 24/1, a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, manifestou-se sobre a peça, em nota, ao portal da Tribuna do Ceará, de Fortaleza, afirmou que “esse tipo de publicidade não é aceito por parte da empresa. Isso acontece em postos franqueados, alega a nota. Caso sejam identificados, o estabelecimento será notificado”.
O posto da foto fica na rodovia CE-085, em Caicaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, onde outros estabelecimentos da mesma bandeira também utilizam a boneca.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

A mídia não reflete a imagem das mulheres?

Por , publicado originalmente em Portugal, no Observador. 

Existe alguma mulher que veja a si mesma nos esteriótipos da publicidade e da imprensa?

Nunca conheci uma mulher que quase chegasse ao orgasmo a comer um iogurte. Nunca conheci uma mulher que se ria para a salada, ou que ficasse em êxtase ao descobrir que a roupa branca saiu da máquina ainda mais branca. Percebo mais ou menos os anúncios glamorosos de perfumes e afins porque até este coração de aço não está acima dos devaneios de um mundo onde vivem só senhoras magras e lindas, que não precisam de se pentear e cheiram a perfume o dia inteiro. Mas cá no mundo real, nunca me vi — ou qualquer mulher que eu conheça — reflectida na ideia do sexo feminino propagada na media, na publicidade ou nas revistas para mulheres.
Rimo-nos muito com os anúncios de outras décadas, que nos lembram como as mulheres eram menosprezadas noutros tempos. Mas se hoje em dia eu for retratada, enquanto mulher, como um ser que fica deslumbrado pela notícia de que tal líquido limpa os canos do lava-loiça, talvez nada tenha mudado demasiado.
As grandes origens das ideias do “que é ser mulher” são as revistas para mulheres. Não as percebo. As suas dicas para escravas de fashion, os seus conselhos para “como fazer tudo e ainda agradar ao seu homem” e os artigos de “como viver a sua vida cheia E manter-se bonita” não são para mim. Tenho quase a certeza de que sou mulher, mas estou-me nas tintas para as celebridades, tenho zero interesse na moda, e desde que passei os 12 anos, nunca precisei que ninguém me explicasse como aplicar a maquilhagem.
Uma das coisas que as marcas, os gurus de marketing, os publicitários inventaram foi a ideia de que nós, as mulheres, precisamos de nos apaparicar, de nos mimar. Faz comichão no meu cérebro a quantidade de vezes que vejo um artigo ou anúncio sobre relaxar, mimar-se, pôr pepinos nos olhos, spas, massagens e tal.
Lembrei-me disso a semana passada ao ouvir uma conversa sobre aparências na rádio 4, da BBC, num programa que é uma espécie de revista de mulher — o único tipo de revista de mulher que aguento, e nem sempre.
Nas discussões, havia sempre alguém que dizia algo como: “e não se esqueçam, o tempo que utilizamos para aplicar maquilhagem, pentear-nos, depilar-nos, pintar-nos as unhas, etc., etc., etc., é muitas vezes a única altura do dia para nós, as mulheres, nos concentrarmos em nós próprias, para nos apaparicarmos, para pensarmos em nós.” Isto foi repetido tantas vezes que quase começámos a aceitá-lo como a verdade. Fiquei a olhar para a rádio (ou antes, para uma janela do browser no meu écran) e a perguntar-me quem é que pensa assim, além das gurus de aparências que inventaram tal ideia.
Em primeiro lugar, passo cinco minutos a aplicar maquiagem e a pentear-me, no MÁXIMO. Se este é supostamente o único tempo no dia que tenho para me paparicar, pois estou muito mal servida pelos serviços de paparicar que forneço a mim própria. Há outras coisas que são supostamente um mimo para nós. Ir ao cabeleireiro é um daqueles mimos, dizem-me. E não, não é. Ir ao cabeleireiro é uma tortura. Ser levada pela cabeça para o lavatório, ouvir bisbilhotices de pessoas que não consigo ver, ter de olhar para mim no espelho gigante durante uma hora ou mais, estar embaraçada demais para dizer que o penteado que me deram é horrível – não, isto não é um mimo. Nem ir às compras, nem ir ao spa, nem essa invenção de que ouvi falar só no outro dia: a “festa para nos mimarmos”. Não quero imaginar que horrores acontecem numa dessas festas.
Em segundo lugar, e mais importante, é que não preciso de me mimar! As únicas pessoas no mundo que precisam de mimos são as pessoas com vidas extremamente complicadas ou as divas, e estas só se tiverem um talento que mereça um bocadinho de mimo.
Gastar tempo comigo própria é, para mim, sinônimo de trabalhar, criar, inventar, pensar, ler, sentar-me num muro a olhar para o mar ou beber gin com uma palhinha, de pijama, sem maquiagem e despenteada.
Gastar tempo comigo própria, rigorosamente, cem por cento, não é maquiar-me, pentear-me, depilar-me, ir à massagista (nunca o fiz e, a não ser que me torne de repente numa futebolista profissional, nunca o vou fazer), ou fazer todas essas coisas que se diz terem o efeito de nos fazerem mais jovens, mais bonitas e mais aceitáveis neste mundo obcecado pela juventude e pelas aparências.
Sim, claro, é só marketing e mais uma maneira dos comerciantes nos venderem mais tralhas, mas a mensagem é tão omnipresente, que há muita gente a achar que é a verdade, que as mulheres precisam de atenção especial para viver. Mantêm a ideia paternalista de que as mulheres são frágeis e delicadas.

Não somos. Nós somos muito, muito mais forte do que parecemos.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Propaganda não apresenta a mulher brasileira real

Realizada pelo Data Popular e Instituto Patrícia Galvão em maio do ano passado, a pesquisa Representações das mulheres nas propagandas na TV revelou que 56% dos entrevistados, homens e mulheres, consideram que as propagandas na TV não mostram as brasileiras reais.
A invisibilidade da mulher negra também foi destacada no levantamento, que apurou que 80% dos entrevistados consideram que as propagandas televisivas mostram mais mulheres brancas, enquanto 51% gostariam de ver mais negras nos comerciais. A maioria dos entrevistados também gostaria de ver mais mulheres com cabelos crespos/cacheados na publicidade, mas 83% veem mais modelos com cabelos lisos.


80% consideram que as propagandas na TV mostram mais mulheres brancas; e 51% gostariam de ver mais mulheres negras 

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83% veem as mulheres reais como sendo em sua maioria de classe popular, mas 73% consideram que as propagandas na TV mostram mais mulheres de classe alta

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73% veem mais loiras do que morenas nas propagandas na TV, mas 67% gostariam de ver mais morenas

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83% veem mais mulheres com cabelos lisos nas propagandas na TV, mas maioria gostaria de ver mais mulheres com cabelos crespos/cacheados

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87% veem mais mulheres magras nas propagandas na TV; 43% gostariam de ver mais mulheres gordas

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78% veem mais mulheres jovens nas propagandas na TV, mas maioria gostaria de ver mais mulheres maduras


Especialistas veem demanda por propagandas mais atualizadas

Segundo avaliação da diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Jacira Melo, a pesquisa revela que a percepção dos entrevistados, mulheres e homens, é clara: a propaganda veicula modelos ultrapassados. “A irrealidade da representação da mulher é percebida pela absoluta maioria e há uma clara expectativa de mudança. Aqui se revela um paradoxo: se pensarmos a partir da lógica de mercado, pode-se dizer que anunciantes e publicitários, em razão de uma visão arcaica do lugar da mulher na sociedade e de um padrão antigo de beleza, não estão falando com potenciais consumidoras”, aponta.
“Nós, mulheres negras, somos invisíveis para a mídia, que não enxerga que tomamos banho, usamos xampu, comemos margarina, fazemos serviços domésticos, e, em particular, somos pessoas com poder aquisitivo”, exemplifica Mara Vidal, vice-diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão. Para ela, existe aí “um racismo manifesto com relação à nossa capacidade, às nossas qualidades e ao nosso poder de compra”, pontua.
Para o diretor do Instituto Data Popular, Renato Meirelles, o principal mérito da pesquisa é mostrar como as empresas perdem dinheiro com a representação distante da realidade, uma vez que as mulheres movimentam hoje, no Brasil, um mercado consumidor de R$ 1,1 trilhão por ano e determinam 85% do consumo das famílias, segundo dados do próprio instituto. “Não estamos falando de um nicho consumidor, mas do principal mercado consumidor brasileiro. Então, há uma miopia do ponto de vista de oportunidades de negócios”, considera.
Para a vice-diretora do Instituto Patrícia Galvão, Mara Vidal, a polêmica campanha em "homenagem" ao Dia Internacional da Mulher produzida pela Riachuelo - retirada do ar após uma onda de protestos de internautas - reforça os resultados da pesquisa. "É a reiteração da invisibilidade da mulher negra e de uma visão estereotipada de que o papel social dos negros é servir aos brancos", afirma.
Sobre a pesquisa
Encomendada ao Data Popular pelo Instituto Patrícia Galvão, a pesquisa entrevistou 1.501 homens e mulheres maiores de 18 anos, em 100 municípios de todas as regiões do país, entre os dias 10 e 18 de maio de 2013.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Mulheres negras: Imagem na mídia é esteriotipada.

Por Cristina Lima, foto de Juliana Gonçalves

As participantes da III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir) avaliaram que a imagem da mulher negra continua sendo estereotipada pela mídia. Para elas, a conferência deve ser um espaço privilegiado para a criação de novas estratégias.

Silvana Veríssimo, do Fórum Nacional de Mulheres Negras e representante da religião de matriz africana, por exemplo, afirma que a imagem da mulher negra na mídia ainda é estigmatizada.

Leia também:

III Conapir: Mulheres negras querem políticas de comunicação e tratamento de gênero igualitário


“Nós continuamos como as mulheres que são boas para sexo. A gente precisa pensar uma estratégia mais forte para poder quebrar este estigma. Mesmo na televisão, ainda não conseguimos ver uma família negra completa. Sempre aparece a mulher negra sozinha, sem família, Não podemos aceitar mais isto. Temos atrizes negras que tem um potencial muito bom e que precisam ser valorizadas pela mídia”, afirmou Silvana.

Marta Cesária, militante do Fórum de Mulheres Negras, integrante da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Dandara no Cerrado) e da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) do estado de Goiás, concorda que a imagem da mulher negra precisa mudar e que a conferência é um espaço privilegiado para este debate. “Apesar de as mulheres negras apareceram mais na propaganda e nas novelas, sua imagem ainda está distante da realidade das mulheres negras brasileiras” analisa.

A coordenadora de Cidadania LGBT e Racial da Prefeitura de João Pessoa, na Paraíba, Socorro Pimentel, considera a comunicação como uma discussão necessário e central para a população negra, na perspectiva de democratizar a comunicação no Brasil. “Queremos uma mídia que tenha o elemento negro em seu conteúdo temático, fazendo campanhas de combate ao racismo e à intolerância religiosa, tornando nossa pauta prioritária, tanto na mídia institucional como na mídia particular”, diz a gestora de João Pessoa.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

III Conapir: Mulheres negras querem políticas de comunicação e tratamento de gênero igualitário

Por Angelica Basthi

Como estimular uma agenda para as mulheres e de promoção da igualdade racial nos meios de comunicação no Brasil?
Como pensar as políticas de comunicação a partir de temas como convergência tecnológica, marco regulatório e universalidade de acesso? 
Qual a relação entre as políticas de comunicação, as mulheres negras e a III CONAPIR?
Para garantir respostas a essas e outras questões, um grupo de comunicadoras negras (jornalistas e ativistas da área de comunicação) das cinco regiões do país estão desde último domingo em Brasília.
Elas chegaram com o objetivo de sensibilizar os cerca de mil delegadosas da III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir), que ocorre de 5 a 7 de novembro, no Centro de Convenções Brasil 21. As integrantes entendem a comunicação como eixo estratégico a ser contemplado nas políticas da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e dos demais órgãos governamentais.

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A ideia é solicitar o apoio das delegações para as estratégias políticas de comunicação debatidas durante uma reunião de mulheres negras ocorrida em São Paulo no mês de agosto. A meta, com base na plataforma de comunicação das mulheres negras, é fortalecer o debate que vem sendo construído pelosas delegadosas nos estados.
“O regimento não permite criar propostas novas, mas sempre é possível agregar um termo ou um conceito”, afirma Nilza Iraci, presidenta do Geledés – Instituto da Mulher Negra e uma das articuladoras do encontro.
Estratégias
O grupo fará várias ações para dialogar, sobretudo, com as propostas do GT 8 (Comunicação) do subtema 2, intitulado Políticas de Igualdade Racial: avanços e desafios, que integra o eixo Estratégias para o desenvolvimento e enfrentamento ao racismo. “Além disso, vamos fazer uma cobertura jornalística diferenciada do evento, buscando destacar como a questão das mulheres é abordada. Para isso, criamos uma página no Facebook e no Twitter para garantir uma maior visibilização”, explica Mara Vidal, do Instituto Patrícia Galvão.
Entre as instituições representadas no grupo presente em Brasília, estão: Pretas Candangas; Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT); SOS Corpo − Instituto Feminista para a Democracia, Coletivo Leila Diniz / Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB); Instituto Negra do Ceará (Inegra) / Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB); Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA); Instituto Flores de Dan; Cunhã − Coletivo Feminista; o Núcleo de Jornalistas Afro-Brasileiros do Rio Grande do Sul e as Comissões de Jornalistas de Igualdade Racial de Alagoas, do Distrito Federal, do Rio de Janeiro e de São Paulo (COJIRA AL, DF, RJ e SP), vinculados aos Sindicatos dos Jornalistas dos respectivos estados.

Conheça a Plataforma das Comunicadoras Negras:

1) Instituir um órgão regulador independente para supervisionar as atividades relacionadas à radiodifusão e às telecomunicações, garantindo mecanismos de participação cidadã no acompanhamento e na regulação do sistema de comunicações;

2) Criar o Conselho Nacional de Comunicação deliberativo, autônomo e representativo de toda a diversidade nacional, garantindo a diversidade étnico-racial, de gênero, de orientação sexual e regional − composto por uma esfera nacional articulada com esferas estaduais e municipais;

3) Criar uma Política Nacional de Comunicação para o Enfrentamento ao Racismo e pela Democratização da Mídia, instituindo um Observatório Nacional para o desenvolvimento de estudos sobre mídia e racismo;

4) Fortalecer a mídia comunitária:
- alocando maior parcela do espectro de frequência FM para essas emissoras, simplificando e acelerando o processo de outorgas, abolindo características limitantes em relação à cobertura, à potência e ao número de estações por localidade;
- criando um fundo de financiamento geral às radiodifusoras comunitárias e de territórios quilombolas, garantindo condições de sustentabilidade para essas emissoras; e
- assegurando a liberação de concessões para comunidades tradicionais, com recorte para as de matriz africana, paridade racial e de gênero; e com acesso ao fundo de financiamento geral;

5) Estimular a produção regional e independente, de modo a garantir a veiculação (Regulamentação do art. 221, da Constituição Federal, sobre finalidades da programação):
- assegurando cotas para a produção nacional – regionais e locais – e independente na programação dos diferentes meios de comunicação (TV aberta, rádio, TV por assinatura, catálogos de Video on Demand VOD), contemplando a diversidade de gênero, raça, etnia e orientação sexual e incluindo veiculação desses conteúdos em horário nobre;
- implementando políticas públicas que estimulem a produção e viabilizem a veiculação em todos os meios de comunicação, por meio de aulas, programas e campanhas voltadas para a construção da cidadania e o combate ao sexismo, ao racismo, à homofobia, à lesbofobia, à intolerância religiosa e a todas as formas de discriminação, considerando as Leis n. 10.639/2003 e n. 11.645/ 2008;

6) Criar fundos de fomento e incentivo à produção de conteúdo audiovisual independente por meio de editais e ampliação dos percentuais de fundos setoriais de apoio e investimento, levando em consideração as produções locais e regionais e garantindo o acesso das mulheres e da população negra à produção de conteúdo, com especial atenção as mulheres negras;
- Promover chamadas regulares de editais públicos destinados especificamente ao financiamento de empreendedores e empreendedoras, produtores e produtoras negros e negras de comunicação que tenham como foco a diversidade étnicorracial, degênero, religiões de matrizes africanas, cultural, regional e geracional como ferramenta de enfrentamento ao racismo e a todas as formas de discriminação;

7) Implementar políticas públicas de formação, acesso e inclusão digital para a população negra, povos indígenas, quilombolas, ciganos, comunidades de matriz africana e mulheres negras;

8) Fortalecer o sistema público (regulamentação do art.223, sobre complementaridade entre os sistemas): Reservar, em todos os serviços analógicos e digitais, um terço das frequências para o sistema público, entendido como aquele integrado por meios comunitários e organizações de caráter público, geridos de maneira participativa, a partir da possibilidade de acesso universal do(s) cidadão(s) à suas estruturas dirigentes, e submetidos a controle social;
- Fortalecer a Empresa Brasil de Comunicação, garantindo ampliação significativa de sua abrangência, autonomia política e editorial em relação ao governo, mecanismos de gestão participativa e financiamento público;
- Implantar cotas raciais na programação das emissoras de rádio e TV públicas;
- desenvolver campanhas e programas de combate ao racismo e à intolerância religiosa, e disseminar as Leis 10.639/2013 e 11.645/2008;

9) Estabelecer que 30% do orçamento do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações tenha recorte étnicorracial, priorizando a realização de projetos na área de tecnologia da informação e comunicação, garantindo a inserção cidadã da juventude e mulheres negras;

10) Mudar o processo de concessão de outorgas, instituindo mecanismos de transparência, regras e procedimentos democráticos nos processos de concessão e renovação que atendam aos objetivos da pluralidade e da diversidade informativa e cultural, sem privilegiar critérios econômicos.
- As regras do licenciamento devem conter exigências quanto ao cumprimento de padrões de conteúdo, garantindo a diversidade étnico-racial, de gênero, etária, religiosa, de orientação sexual e regional. A renovação das outorgas não deve ser automática;
- Deve ser efetivado o fim das concessões para políticos, com a proibição da exploração direta ou indireta dos serviços por ocupantes de cargos públicos eletivos ou seus parentes até o segundo grau, e para instituições religiosas de qualquer natureza;
- Regular a sublocação da grade, evitando a ocupação indiscriminada do espectro por programas religiosos, proibir as transferências diretas ou indiretas de outorgas, e impedir o arrendamento total ou parcial ou qualquer tipo de especulação sobre frequências;
- Garantir a participação efetiva da população negra e povos indígenas, como forma de assegurar o direito à comunicação, informação e cultura próprias, com prioridade para juventude, mulheres, comunidades de matriz africana, quilombolas.



terça-feira, 24 de setembro de 2013

Pesquisa avalia imagem da mulher brasileira na mídia

Pesquisa revela que maioria não vê as mulheres da vida real nas propagandas na TV. Levantamento inédito mostra o conflito entre o que os espectadores veem e o que gostariam de ver nas publicidades exibidas na televisão 



Da Agência Patrícia Galvão

Realizada pelo Data Popular e Instituto Patrícia Galvão, a pesquisa Representações das mulheres nas propagandas na TV revela que 56% dos entrevistados, homens e mulheres, consideram que as propagandas na TV não mostram as brasileiras reais.

Leia também: 

Para 65% o padrão de beleza nas propagandas está muito distante da realidade das brasileiras e 60% consideram que as mulheres ficam frustradas quando não se veem neste padrão. Na percepção da sociedade, as mulheres nas propagandas são majoritariamente jovens, brancas, magras e loiras, têm cabelos lisos e são de classe alta.
Por outro lado, a maior parte dos entrevistados deseja que a diversidade da população feminina brasileira esteja mais representada: 51% gostariam de ver mais mulheres negras e 64% gostariam de mais mulheres de classe popular nas propagandas.


80% consideram que as propagandas na TV mostram mais mulheres brancas; e 51% gostariam de ver mais mulheres negras 

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83% veem as mulheres reais como sendo em sua maioria de classe popular, mas 73% consideram que as propagandas na TV mostram mais mulheres de classe alta

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73% veem mais loiras do que morenas nas propagandas na TV, mas 67% gostariam de ver mais morenas

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83% veem mais mulheres com cabelos lisos nas propagandas na TV, mas maioria gostaria de ver mais mulheres com cabelos crespos/cacheados

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87% veem mais mulheres magras nas propagandas na TV; 43% gostariam de ver mais mulheres gordas

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78% veem mais mulheres jovens nas propagandas na TV, mas maioria gostaria de ver mais mulheres maduras

A pesquisa revela ainda que 84% concordam que o corpo da mulher é usado para promover a venda de produtos nas propagandas na TV; e 58% avaliam que as propagandas mostram a mulher como objeto sexual.
Além disso, 70% defendem punição aos responsáveis por propagandas que mostram as mulheres de modo ofensivo.

Especialistas veem demanda por propagandas mais atualizadas

Segundo avaliação da diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Jacira Melo, a pesquisa revela que a percepção dos entrevistados, mulheres e homens, é clara: a propaganda veicula modelos ultrapassados. “A irrealidade da representação da mulher é percebida pela absoluta maioria e há uma clara expectativa de mudança. Aqui se revela um paradoxo: se pensarmos a partir da lógica de mercado, pode-se dizer que anunciantes e publicitários, em razão de uma visão arcaica do lugar da mulher na sociedade e de um padrão antigo de beleza, não estão falando com potenciais consumidoras”, aponta.
“Nós, mulheres negras, somos invisíveis para a mídia, que não enxerga que tomamos banho, usamos xampu, comemos margarina, fazemos serviços domésticos, e, em particular, somos pessoas com poder aquisitivo”, exemplifica Mara Vidal, vice-diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão. Para ela, existe aí “um racismo manifesto com relação à nossa capacidade, às nossas qualidades e ao nosso poder de compra”, pontua.
Para o diretor do Instituto Data Popular, Renato Meirelles, o principal mérito da pesquisa é mostrar como as empresas perdem dinheiro com a representação distante da realidade, uma vez que as mulheres movimentam hoje, no Brasil, um mercado consumidor de R$ 1,1 trilhão por ano e determinam 85% do consumo das famílias, segundo dados do próprio instituto. “Não estamos falando de um nicho consumidor, mas do principal mercado consumidor brasileiro. Então, há uma miopia do ponto de vista de oportunidades de negócios”, considera.

Sobre a pesquisa

Para a pesquisa Representações das mulheres nas propagandas na TV, encomendada ao Data Popular pelo Instituto Patrícia Galvão, foram realizadas 1.501 entrevistas com homens e mulheres maiores de 18 anos, em 100 municípios de todas as regiões do país, entre os dias 10 e 18 de maio deste ano.

Acesse aqui a pesquisa na íntegra:

sexta-feira, 8 de março de 2013

Jornalismo, cada vez mais, uma profissão das mulheres


A presença feminina na cobertura do Congresso Nacional
já é historicamente majoritária. Foto: Agência Senado

Em 1986, elas representavam 35,24%  dos profissionais contratados por este segmento.
Em 2007, elas já representavam 53,49%.

Por Chico Sant’Anna

Os ícones do jornalismo brasileiro ainda são, em sua grande maioria, homens. De Hipólito da Costa, passando por Machado de Assis, Nelson Rodrigues, Assis Cheateaubriand, Samuel Wainer e, mais recentemente, Joelmir Betting, Heitor Cony e Joel da Silveira, dentre tantos outros, quase todos os referenciais ainda são masculinos.
Há muito, contudo, a profissão de Jornalista foi, como dizem os técnicos, feminizada. Em bom português, significa dizer que há mais mulheres do que homens trabalhando na coleta, tratamento e disseminação de informações para os jornalistas. Seja nas redações tradicionais,seja nas estruturas de comunicação institucional, o que eu denomino jornalistas das fontes.
“Sem falsa modéstia, eles perceberam em pouco tempo nossa perspicácia, determinação e disciplina” escreveu, em 2000, a então chefe de redação da revista Isto É, em Brasília, Sonia Filgueiras, em um depoimento publicado no livro Elas fazem a Notícia, editado pelo Sindicato dos Jornalistas do DF, com apoio da Unesco e da Federação Internacional dos Jornalistas – FIJ,  da publicação coordenada pelos jornalistas Edgard Tavares, Romário Schettino, Miguel Ribeiro e pelo autor deste artigo.
A presença feminina nas redações e assessorias de imprensa vem num crescendo histórico importante. Ao longo dos dezenove anos (1986-2004) por mim pesquisados para minha tese de doutorado, a participação média dos jornalistas do sexo masculino foi de 58% dos empregos. Mas o mercado de trabalho experimentou um claro processo de feminização.
Se em 1986, pelos dados do Ministério do Trabalho, elas representavam 35,24% da categoria – ou seja, para, aproximadamente seis homens jornalistas existiam pouco mais de três mulheres -, em 2004, elas conseguiram superar as estatísticas masculinas: 52.49% de mulheres comandavam a notícia no Brasil.
Em 2007, último dado que disponho, o gênero, demonstrando a crescente presença nas redações, já representava 53,49%. Desta forma, o plantel praticamente dobrou desde o início da década de 1980.
Ao contrário do que muita gente pensa, as mídias eletrônicas, TV e Rádio, são percentualmente as que menos empregam mulheres. Apesar da visibilidade televisiva e da linha estética das redes de televisão brasileira, que priorizam ê beleza e a juventude, o segmento ainda é um reduto masculino. No rádio e na TV as mulheres jornalistas apresentam, a partir de 2000, queda no espaço ocupado. Entretanto, ai também já se percebe uma mudança permanente. Em 2004, as mulheres representavam 39.23% e, em 2007, 42,25%. Não tenho os dados de 2012, mas não seria surpresa se o quadro já tenha se invertido.
É na imprensa escrita, que existe um maior equilíbrio de gêneros nas redações. E neste setor estaria ocorrendo um processo inverso, ou seja, a masculinização das redações. Pelos dados oficiais, em 2004, as jornalistas ocupavam quase a metade do plantel: 46,89%. Três anos depois, a presença delas havia se reduzido para 45,44%.
A maior presença feminina acontece no ramo das assessorias de imprensa e da comunicação institucional, o qual é responsável pela contratação de seis entre cada dez jornalistas no Brasil. Em 1986, elas representavam 38,96% dos profissionais contratados por este segmento. Em 2004, já eram absoluta maioria: 58,42% mas ai a estabilização é mais visível, em 2007, elas representavam 58,82%.
Uma maior presença feminina no segmento de jornalistas das fontes pode ser atribuída ao perfil dos empregos. Tradicionalmente, é neste segmento, que há uma rotina de trabalho mais adequada às normas trabalhistas, tais como jornada de trabalho regular, inexistência de plantões em fins de semana e feriados, horários de trabalho em períodos diurnos e sem extensão da jornada, os chamados pescoções, conforme o jargão profissional. Para a mulher, que normalmente tem uma dupla jornada de trabalho – casa e emprego – são condições mais favoráveis do que a turbulência das redações.
Independente dos motivos que levam uma maior presença das mulheres no segmento de comunicação institucional, os dados nos levam a concluir que a meta tendência de feminização do jornalismo brasileiro é fortemente impulsionada pelas estruturas de comunicação existentes fora das redações tradicionais.,
Todos esses dados alcançam no máximo o ano de 2007. Passados oito anos, certamente os percentuais já são outros, mas dificilmente foi revertido o processo de feminização da profissão. Estudos acadêmicos e científicos buscam identificar se o majoritário olhar feminino sobre os fatos alterou o perfil informativo. Para Sônia Filgueiras, as mulheres abriram espaço em decorrência do perfil de curiosidade e do perfeccionismo ao produzir o jornalismo. A colunista da Folha de São Paulo, na mesma publicação do Sindicato dos Jornalistas, ressaltou que a opinião pública considera a mulher mais confiável e honesta, firme e responsável.
Os motivos podem ser muitos, inclusive até o salarial, pois pesquisas demonstram que o salário feminino no meio jornalístico é menor do que o masculino, o que revela que se as mulheres conseguiram espaço no setor, não conseguiram, de todo, eliminar as discriminações entre gêneros. Mas o certo é que hoje, como salientou Sônia Filgueiras, “estamos próximos de um equilíbrio saudável, civilizado, entre homens e mulheres”, na busca da notícia.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Jornalista lança livro sobre a influência da mulher no mundo


Lançamento do livro marca comemoração do Dia Internacional das Mulheres em Brasília e Cuiabá



A influência da mulher no mundo: família, religião e sociedade é um livro que promete gerar reflexões sobre as questões relacionadas às relações entre homens e mulheres. Trata de assuntos conflituosos como submissão, violência, religião e poder. É um livro para ser lido por mulheres e homens.
A obra da jornalista e escritora alagoana Cléa Paixão, que reside em Brasília há quase 18 anos, está sendo lançada em todo o país, e marca as comemorações do 08 de março, Dia Internacional da Mulher, em Brasília e Cuiabá/MT.
Em Brasília, o lançamento faz parte da Sexta Cultura da Casa Thomas Jefferson em homenagem as mulheres. No dia 01/03, das 17 às 21 horas, na quadra 606 Norte, a autora estará autografando sua obra no evento que também marca as comemorações dos 50 anos da Casa Thomas Jefferson em Brasília. Na ocasião haverá exposição de pinturas de Marlene Costa, alusivas as mulheres e concerto da Orquestra Candanga da Universidade de Brasília.
 A escritora apresenta, em sua obra, uma arrojada pesquisa sobre a trajetória feminina, de Eva a Dilma Rousseff, no Brasil e no mundo. A ascensão feminina na família, na religião, na política brasileira e no mundo.
O livro certamente fará história. Como afirmou Maria da Penha, mulher símbolo internacional de luta pelo fim do martírio que é a violência contra as mulheres, e que escreveu a apresentação desta obra: “Esse é, com certeza, um livro para se ler e reler”.
            O prefácio é de Fausto Rodrigues de Lima, promotor de Justiça do Distrito Federal. “Em outros tempos, Cléa sofreria o escárnio social e poderia até arder na fogueira. Nos dias atuais, somente um adjetivo serve nela: C-O-R-A--G-E-M”, afirma Fausto.
            A obra começou a série de lançamentos no Brasil, em Alagoas. A autora realizou palestra e sessão de autógrafos, durante a III FLIMAR - Feira Literária de Marechal Deodoro/AL, em novembro de 2012.

SERVIÇO

Lançamentos: A influência da mulher no mundo: família, religião e sociedade

Brasília:
Dia: 21 de fevereiro – Bate-papo e autógrafos na Livraria Cultura – Casa Park
Hora: 19:30
Local: Livraria Cultura – Casa Park.

Dia: 01 de março – Comemoração do Dia Internacional da Mulher (08 de março)
Hora: das 17 às 21
Local: Casa Thomas Jefferson (filial Asa Norte), SGAN 606, acesso pela via L3 norte – 3442-5599

Cuiabá/MT:
Dia: 08 de março – Dia Internacional da Mulher
Hora: 10:30
Local: Assembleia Legislativa do Estado do Mato Grosso
Programação completa:

-08h30min - Café da manhã;
-09h00min - Lançamento nacional do vídeo 2013 da COPEVID (Comissão
Permanente de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a
Mulher) do Ministério Público Brasileiro – GNDH/CNPG;
-09h10min – Lançamento do Projeto “Promotoras Legais Populares-
MT”, com a fala das autoridades responsáveis;
-10h00min- Apresentação do vídeo do andamento do Projeto “Lá em casa
quem manda é o respeito”;
-10h30min- Lançamento do livro da escritora e jornalista Cléa Paixão: “A
Influência da Mulher no Mundo”;
-11h00min- Show com o cantor cearense Tião Simpatia.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Livro: A imagem da mulher na mídia


O lançamento do livro “A imagem da mulher na mídia: controle social comparado” será realizado às 19 horas desta segunda-feira (18), no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. 

A obra de autoria de Rachel Moreno, do Observatório da Mulher, analisa como as mulheres são tratadas nos meios de comunicação. O livro incita o debate e compara a legislação sobre a mídia em 12 países que têm determinação sobre o tratamento da imagem da mulher.

O lançamento contará com um debate com a presença da presidenta da entidade, Juvandia Moreira, a secretária nacional de Comunicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Rosane Bertotti, o presidente do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, Altamiro Borges e da autora.

“O livro nos dá importantes subsídios para esse enfrentamento e inspiração para insistirmos na luta por mudanças nas leis que regem a comunicação no Brasil”, destaca Rosane Bertotti, que assina as orelhas do livro.

Com prefácio do professor da Universidade de Brasília e especialista em comunicação Venício A. de Lima, o livro é leitura indispensável para a mobilização por uma comunicação de qualidade, que contemple a diversidade, pluralidade e o direito à informação.

Sobre a autora

Rachel Moreno é formada em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), especializada em Sexualidade Humana e Dinâmica do Movimento Expressivo, pelo Instituto Sedes Sapientiae, e pós-graduada em Sociedade e Meio Ambiente (FESPSP) . Trabalha com pesquisa e atua no movimento feminista.

Ficha técnica

Título: A imagem da mulher na mídia
Subtítulo: controle social comparado
Autora: Rachel Moreno
Páginas: 296
ISBN: 978-85-85938-75-8