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domingo, 10 de março de 2013

Opinião: Chávez, Barões da imprensa, jornalistas e jornalismo burgês

Por Davis Sena Filho, em Brasil 247


Depois de acompanhar a cobertura da imprensa de mercado, ou seja, de negócios privados sobre a morte do estadista e revolucionário, Hugo Chaves, cheguei à seguinte conclusão:
Há algum tempo, quando eu era um jovem jornalista, percebi que as redações da imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?) praticam apenas o jornalismo empresarial, de negócios, bem como, irrefragavelmente, tem lado, cor, partido, ideologia e preferências culturais, raciais e de classe social.
Sabem por que essas distorções acontecem nas redações? Porque o jornalismo é tratado como produto por empresas de comunicação cujos proprietários são megaempresários, que estão a fim de ganhar dinheiro, aliás, muito dinheiro, como qualquer grande capitalista de outro ramo de negócios.
Contudo, esses comerciantes, proprietários de órgãos de comunicação privados, insistem em dar uma conotação nobre às suas atividades, quando, na verdade, a informação e a opinião, que são os produtos vendidos por eles, têm o propósito de defender os interesses da classe dominante a qual eles pertencem. Por isto e por causa disto, atacam, sistematicamente, seus adversários políticos, e, para isto, manipulam e distorcem os fatos e as realidades, com a finalidade de impor suas "verdades", e, consequentemente, manter, indefinidamente, o status quo do qual sempre se beneficiaram em forma de privilégios.
Por isto e por causa disto, temos um jornalismo partidário, sectário e conservador, elaborado, escrito e apresentado por jornalistas filhos das classes média e média alta, quando não de origem rica. São profissionais pequenos burgueses e que sonham desde sempre com ascensão social, fama, além do acesso a um mundo VIP, de preferência paralelo ao mundo real, porque a meta e o desejo é fugir das massas nem que para isso tenha de viver das sobras de seus patrões, que são os inquilinos da parte mais alta da pirâmide social..
Esses jornalistas não conhecem o Brasil, as suas diferentes regiões e culturas e muito menos compreendem as questões, as necessidades e as dificuldades das classes sociais menos privilegiadas. Agem assim porque inexiste neles o compromisso com o País e o seu povo, porque prezam essencialmente os valores individuais, que se alicerçam em uma sociedade de consumo, que, equivocadamente, mede e avalia as pessoas pelo o que elas têm e não pelo que elas são.
Parte desses jornalistas por ser assim integra e serve, de forma espontânea e natural, um sistema midiático de direita acumpliciado com os interesses econômicos e financeiros dos barões da imprensa, dos proprietários de mídias cartelizadas e monopolistas, que, por sua vez, são sócios e porta-vozes dos interesses dos grandes capitalistas nacionais e internacionais.
Características de tal ordem me levam a afirmar que os barões da imprensa são imperialistas e colonialistas, bem como os replicadores do pensamento conservador nacional e internacional. Ao controlarem os meios de comunicação e de informação, eles passam a influenciar e a domesticar o pensamento, os valores e até mesmo os sonhos e os propósitos rotineiros da população em geral e em especial das classes média e média alta, que, alienadas e conservadoras, aliam-se àqueles que combatem, historicamente, a distribuição de renda e de riqueza, porque não desejam um Brasil justo, independente e democrático, e muito menos querem o povo brasileiro emancipado e soberano.
Os jornalistas os quais faço críticas são exatamente assim. Agem dessa forma, como se fossem patrões. Eu os conheço e sei de suas vaidades e manias de grandeza que se baseiam na ascensão social. São meros burgueses e acreditam em valores estritamente comerciais e de modismos, que os levam a pensar que subiram de status. Detestam ter de lidar com tudo o que seus pais sempre desprezaram: conviver com os mais pobres e ter de ouvir suas queixas e necessidades, Afinal a redoma de cristal onde vivem é um lugar para as poucas pessoas que eles consideram seus semelhantes.
Os homens e as mulheres comprometidos com seus patrões e, por conseguinte, com o jornalismo alienígena e de negócios privados se vestem e se comportam como yuppies cujos valores se confundem com o mundo neoliberal que derreteu as economias, as almas e o orgulho da Europa Ocidental, do Japão e dos Estados Unidos. Um mundo fútil e leviano, que se alicerça em falso moralismo e que edifica a ganância, o egoísmo, o materialismo e constrói a guerra entre as pessoas, as sociedades e os países.
Por isto e por causa disto, resolvi no já longínquo ano de 1995 não trabalhar mais em redações da imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?). Hugo Chávez pertence à história, e, indelevelmente, ao povo venezuelano e latino-americano. É isso aí.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Opinião: Mídia-Barriga


Por Marcelo Zero



Chávez não era Chávez. A foto exibida no El País, jornal conservador espanhol, tinha sido retirada de um vídeo médico de 2008, que mostrava um anônimo homem em coma.

Pesquisa perfunctória teria revelado o erro grotesco e primário. No entanto, o El País, uma espécie de sucursal ibérica do antichavismo, resolveu arriscar para ver se “colava”. Não colou. Um internauta percebeu logo o erro e o jornal teve de retirar a foto e pedir desculpas. Tirou a foto e colocou em si mesmo uma grande e vergonhosa “barriga”.

Entretanto, esse episódio, não é, na realidade, um fato isolado, um simples erro ocasional. Ao contrário, ele é emblemático de um tipo de jornalismo que se tornou bastante comum, especialmente na América do Sul.

Com efeito, na Venezuela, na Argentina, no Equador, no Brasil e em outros países do subcontinente pratica-se, com inquietante desenvoltura, um tipo de jornalismo que costuma distorcer ou falsear a realidade.

Os retratos que são pintados diuturnamente pela mídia tradicional sobre a situação atual desses países mostram um quadro de caos, desagregação social e política e falta de rumo que não encontra correspondência com a realidade objetiva. Parecem “fotos” grosseiramente retocadas por um photoshop concebido para enfear, ou mesmo simples falsificações, como a imagem do suposto Chávez hospitalizado.

No Brasil, por exemplo, há uma década que boa parte da nossa mídia tradicional e oligopolizada divulga as “fotos” e os “retratos” das supostas mazelas dos governos do PT, apresentados, quase que invariavelmente, como absolutamente incompetentes, irremediavelmente corruptos, solertemente antidemocráticos e francamente desastrosos. Pelo o que se divulga em boa parte dessa mídia, o País vive um processo acelerado de decadência desde 2003, quando o governo liderado pelo PT substituiu o “competente”, “limpo” e “democrático” governo de tintas paleoliberais, que havia colocado a nação no rumo “correto” da “modernidade”.

Bem, seria fastidioso enumerar aqui os claros êxitos dos recentes governos brasileiros. Basta fazer análise objetiva dos principais indicadores socioeconômicos para se chegar à inevitável conclusão de que o Brasil, nos últimos dez anos, mudou substancialmente para melhor. Estudo mundial do Boston Consulting Goup, divulgado há poucos meses e solenemente ignorado, coloca o Brasil como o país que mais se destacou na qualidade recente de seu desenvolvimento.

Assim, se alguém quiser entender o que aconteceu no Brasil na última década, não entrará respostas fidedignas na imprensa conservadora. Terá de recorrer a blogs e sites alternativos e a fontes estrangeiras, ou fazer suas próprias pesquisas.

A imagem do Brasil recente construída por parte expressiva da grande mídia tradicional está tão longe da realidade quanto a foto do homem hospitalizado dista do autêntico Chávez. Na tentativa incansável de “furar” os governos progressistas recentes, produz-se uma pletora de “barrigas”, numa espécie de vale-tudo midiático. Trata-se, portanto, de uma mídia-barriga, que fábrica notícias distorcidas, enviesadas, exageradas e até mesmo falsas, de forma sistemática. Uma mídia que convive melhor com figuras do submundo do que com a verdade.

Esse distanciamento da realidade, que beira a esquizofrenia, é muito preocupante. Porém, não é o único. Há também o claro descolamento entre a opinião publicada e a opinião pública. A primeira dedica ódio profundo ao PT e seus governos. Já a segunda consagra Lula e Dilma com recordes de popularidade. Por isso, a mídia tradicional passou, nos últimos anos, a questionar a legitimidade do voto popular. Com a candura que lhe é peculiar, ressuscitou a “tese Pelé”, construída na ditadura, segundo a qual o “povo não sabe votar”. Aqueles que votam com a situação o fazem por que são manipulados e desinformados, escravos do Bolsa Família que não têm o hábito de ler Veja e outros modernos bastões do Iluminismo. É um voto que, no fundo, segundo essa concepção, não conta, ou não deveria contar.

Isso nos leva ao terceiro e mais preocupante distanciamento ou descolamento. O distanciamento entre parte da mídia conservadora e a democracia. Em tempos recentes, segmentos da nossa mídia tradicional, honrando uma notável tradição, não se acanharam em aplaudir e defender golpes militares ou “brancos” contra governos progressistas da América Latina, como aconteceu na Venezuela, em Honduras e no Paraguai. Autoridades eleitas e reeleitas, em pleitos livres e lisos, são tratadas caricatamente como “ditadores”, “caudilhos” e “populistas”, gentalha que ameaça a “democracia”. Provavelmente uma “democracia” sem povo e sem voto, que assegura a independência das instituições, desde que elas sejam conservadoras, e a alternância de poder, desde que entre forças políticas da direita, como no pacto político de Punto Fijo, que dominava, com o aplauso da mídia, a Venezuela pré-Chávez.

Obviamente, nada disso é novidade. A grande mídia do Brasil e de outros países do subcontinente sempre foi muito conservadora. No passado, apoiou ditaduras e esmerou-se na crítica a partidos de esquerda e a movimentos sindicais e sociais a eles associados. 

A novidade está em que parte dos países da América do Sul é governada hoje por forças políticas que romperam, até certo ponto, em maior ou menor grau, com a agenda neoliberal que levou os partidos de direita e centro-direita da região à ruína política. Surgiram ou chegaram ao poder novas forças políticas. De repente, essa mídia, acostumada com o oligopólio político de uma pequena elite, secundada pelos setores conservadores da classe média, viu seu poder de influência decrescer consideravelmente. Nessa nova conjuntura, revela a sua verdadeira e feroz face: a de um partido de oposição que não mede esforços para recuperar a sua antiga hegemonia e que não tem pudor em atropelar a verdade e as normas básicas do bom jornalismo, colocando em risco a democracia que diz tanto defender.

Entretanto, essa mídia ainda detém firme monopólio da produção e difusão da informação. A internet, por certo, cria circuitos alternativos de debate democrático. Porém, é ilusão pensar que ela, por si só, é capaz de quebrar o monopólio da informação. Na realidade, esse monopólio é também reproduzido no mundo on-line. A informação destoante é francamente minoritária e escassa.

O Brasil precisa de uma mídia mais aberta, profissional, democrática e, sobretudo, plural, como recomenda, aliás, o relatório intitulado “Uma mídia livre e pluralista para sustentar a democracia europeia”, elaborado recentemente, no âmbito da União Europeia. E seu governo precisa, sim, de críticas consistentes e fundamentadas, e não da atual cachoeira de panfletos histéricos, denúncias vazias e textos mal-escritos.

Isso demandaria, obviamente, que se iniciasse um debate amplo, franco e livre sobre a extrema concentração dos meios de informação no país.  Mas esse é um tema tabu, interditado pela mídia conservadora, que alega que tal debate representa ameaça à liberdade de expressão e à democracia.

Uma alegação tão falsa quanto a foto do Chávez no El País.

[AS OPINIÕES AQUI EXPRESSAS SÃO DE RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES]

  






quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

El País perde credibilidade e cai no ridículo

La portada de El País con la falsa
foto del Presidente Chávez
Da UTPA


La edición impresa y la web del periódico español El País publicó en su edición del 24 de enero (hora de España) una foto en la que identifican a Hugo Chávez entubado tras su operación en Cuba. Con el título de “La salud del presidente de Venezuela”, la publicación sostiene que fue tomada hace unos días.
Sin embargo, la imagen pertenece a un video publicado en YouTube en 2008. A través del video titulado “Intubación de Acromegalia AMVAD” publicado en la página de videos desde hace 5 años por el usuario “deqcomMX”. En el video observa a un hombre similar a Chávez, entubado, pero evidentemente la figura no pertenece al mandatario venezolano.
El País anunció la foto como exclusiva mundial y le colocó marca de agua, la cual describieron como “El presidente Chávez, durante el tratamiento médico recibido en Cuba”, donde incluso colocan “Prohibida su reproducción”.
“La enfermedad del presidente venezolano Hugo Chávez ha estado envuelta en la opacidad desde que viajó a La Habana el pasado 10 de diciembre y ha generado una polémica política en su país. EL PAÍS ofrece una imagen inédita y exclusiva, tomada hace unos días, que muestra un momento de su tratamiento médico en Cuba, según las fuentes consultadas por este diario”, se leía en la página web del diario.
El video de “Intubación de Acromegalia AMVAD” lleva más de 88 mil reproducciones y justo al minuto 2:33 se observa la misma imagen que publicó el diario ibérico como exclusiva.
La imagen fue retirada 20 minutos después de su portal y fue distribuida por diversos medios a nivel mundial y la agencia EFE.
También El País abre su edicion impresa de este jueves con la foto falsa como gran exclusiva, pero al ver la reacción tras ponerla en su web procedieron a retirarla de su sitio en internet.
Al parecer esa supuesta fotografía del presidente Hugo Chávez recibiendo tratamiento médico en Cuba había sido enviada a distintos medios para tratar de venderla, no obstante hay quienes sí se han olido de antemano lo sospechoso del asunto.
Pedro J. Ramírez, director del diario El Mundo indicó esta tarde en su cuenta en Twitter que al periódico quisieron venderle una gráfica, pero que la rechazó.
“Ah, por cierto, ayer nos quisieron vender una foto de Chavez entubado. Dijimos no. Cuando la veaís en otro medio ya diréis si acertamos”, escribió Ramírez.
Grotesca y Falsa
El gobierno de Venezuela calificó de grotesca y falsa la imagen del diario El País.El ministro de Información venezolano, Ernesto Villegas, publicó en su cuenta de Twitter el siguiente mensaje: “Tan grotesca como falsa la foto de ‘Chávez entubado’ que hoy publica en primera página el venerable diario El País de España”.
Mea Culpa de El País
En la primera hora de esta madrugada El País ha publicado un mea culpa en su página digital con el siguiente texto:
EL PAÍS retiró esta madrugada de su página web una foto que mostraba a un hombre entubado en una cama de hospital y que una agencia informativa había suministrado al periódico afirmando que se trataba de Hugo Chávez, presidente de Venezuela. Chávez se encuentra hospitalizado en Cuba tras ser operado de un cáncer cuyas características el Gobierno venezolano no ha querido precisar. La foto permaneció en la página web del periódico aproximadamente una media hora.
En el texto que acompañaba la foto se afirmaba que EL PAÍS no había logrado verificar de forma independiente las circunstancias, el lugar o la fecha en la que se había realizado la fotografía. Tras constatar que la imagen ofrecida no correspondía a Chávez, EL PAÍS paralizó asimismo la distribución de su edición impresa y procedió a enviar una nueva edición a los puntos de venta. El incidente puede ocasionar que la edición impresa del periódico con fecha de hoy jueves 24 de enero no esté disponible en algunos kioscos, tanto en España como en el extranjero.
La furibunda y enfermiza obsesión antichavista de Juan Luis Cebrián y el Grupo Prisa le ha jugado una mala pasada al diario El País y ha puesto en evidencia una vez más la crisis de valores de un periodismo afianzado en la manipulación, la mentira y el engaño.
(Con información de Agencias, La Jornada, Noticias 24 y Cubadebate)

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Jornalista lança livro sobre Hugo Chávez

Polêmico, amado ou execrado, mas dominando os acontecimentos na América Latina há 14 anos, ao longo dos quais comandou 16 eleições democráticas em seu país, o presidente da Venezuela é visto aqui a partir do protagonismo que revirou pelo avesso as antigas relações entre os países vizinhos e a situação política em cada país do continente. Por causa do câncer que o obrigou a fazer três delicadas cirurgias, Hugo Chávez permaneceu, em diferentes intervalos, 250 dias em Cuba. Em outra época, o presidente dificilmente resistiria a um golpe de Estado. Como o coronel paraquedista construiu sua blindagem democrática para manter-se no poder há 14 anos é um dos temas centrais do livro “Quem tem medo de Hugo Chávez?”, pela Editora Aquariana, de São Paulo, que estará nas principais livrarias a partir da segunda quinzena de novembro.

Veja aqui imagens do lançamento do livro

De autoria do blogueiro FC Leite Filho, que já atuou como jornalista nos principais jornais do país e escreveuEl Caudillo – Perfil Biográfico de Leonel Brizola, também pela Aquariana, e com prefácio do jornalista Beto Almeida, o livro, que já aborda a última reeleição de Chávez, de sete de outubro último, ainda faz um levantamento da relação especial com Cuba, que ele considera essencial, não apenas para a segurança venezuelana e latino-americana, como também para a popularização das políticas públicas, sobretudo as vinculadas à educação e à assistência médica universal à população.
O livro, porém, não consiste em mais uma das 300 biografias já escritas sobre o presidente bolivariano. É antes uma mirada sobre os ventos renovadores que, desde 1999, varreram o analfabetismo, distribuíram laptops nas escolas públicas e dignificaram os salários em países latino-americanos como o Brasil, Argentina, Equador, Bolívia. Diante de uma Europa que se afunda nos 25% de desemprego da Espanha – contra a média de 7% no Brasil, Argentina e Venezuela -, e uma Suécia e uma Inglaterra, antes exemplos de democracia, que pressionam para entregar Julian Assange aos Estados Unidos, onde enfrentaria a pena de morte, é no Equador, que o diretor do Wikileaks encontra asilo para defender seus direitos humanos e ideais de uma comunicação transparente. Aqui, também, o leitor vai se informar de como esses países se blindaram contra a crise mundial e seus seguidos espasmos que até hoje agrilhoam indistintamente europeus e estadunidenses, enquanto o FMI, não mais nosso verdugo, enfia goela abaixo seus remédios amargos à Grécia, Espanha, Portugal e até a antes gaulilsta e gloriosa França.
Perfil do autor
Jornalista e blogueiro independente, Francisco das Chagas Leite Filho (Sobral-Ce, 1947, e baseado em Brasília a partir de 1968) dedicou-se ao estudo de líderes transformadores que se focaram na educação e na soberania para vencer o atraso e afirmar-se neste novo mundo pluripolar. Desde Leonel Brizola, a quem dedicou seus dois primeiros livros, o autor agora se desdobra para explicar o fenômeno Hugo Chávez, de quem estudou quase 500 discursos, e a arrancada que ele deu para, junto com Lula, Dilma, Cristina, Rafael, Daniel Ortega, Mel Zelaya, Fernando Lugo e Evo Morales, efetivar a integração latino-americana. 
Nas principais livrarias do país, a partir de 15/11/2012 - Preço: R$ 45,00
Pedidos também podem ser feitos diretamente no site da Editora Aquariana

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Marketeiros brasileiros comandam campanhas eleitoriais na Venezuela

De O Globo



A democracia consolidada, uma estrela chamada Luiz Inácio Lula da Silva, os bons profissionais e os anos de possibilidade de se adquirir know-how veiculando propaganda eleitoral gratuitamente fizeram o Brasil começar a exportar marketing político para a América Latina. 
E na Venezuela, que deve enfrentar até o dia 7 de outubro a campanha presidencial mais agitada e incerta do ano na região, duelarão dois brasileiros: o baiano João Santana, marqueteiro de Lula e Dilma, e o carioca Renato Pereira, responsável pelas campanhas do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes. Santana deve desembarcar em Caracas esta semana para fechar contrato e começar a trabalhar com o presidente Hugo Chávez — e rumores dão conta de que o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, irá auxiliá-lo. Mas, segundo fontes ouvidas pelo GLOBO na capital venezuelana, uma equipe do marqueteiro já dá expediente no país. Já o rival de Chávez, Henrique Capriles, contratou a dupla Renato Pereira e Chico Mendez para criar sua estratégia de comunicação.
— O slogan escolhido foi "Há um caminho", para frisar que os venezuelanos têm uma alternativa a Chávez. Nossa estratégia é a da não confrontação: Henrique valoriza o que presidente fez de bom, mas diz que ele pode fazer melhor, tanto que usamos muito também outras frases: "Arriba Venezuela", "Alguma coisa boa está passando". Daí, o conceito do material de campanha foi sendo criado a partir disso — conta Pereira, lembrando que, ao contrário do Brasil, a propaganda política é paga na Venezuela.
Relatos vindos de Caracas dão conta das dificuldades que qualquer opositor tem para enfrentar o forte aparato chavista de comunicação, que controla dezenas de emissoras de TV e rádio, além de contar com milhões de dólares excedentes toda vez que o preço do barril do petróleo aumenta. É impossível, por exemplo, anunciar nas redes públicas. A campanha de Capriles, no entanto, pôde — durante a campanha das primárias da semana passada — anunciar na Venevisión, TV do magnata Gustavo Cisneros. De crítico a Chávez, Cisneros passou a adotar uma política não combativa ao governo para, segundo rumores, sua emissora, a de maior audiência da Venezuela, não ter o mesmo destino da RCTV, cuja licença foi cassada. A dúvida é se Capriles vai continuar podendo anunciar na Venevisión à medida que a campanha esquentar: o prazo de renovação para a licença da TV expira em maio.
Na semana passada, Chávez falou sobre o rival. Disse que iria "varrê-lo" e chamou-o de "porco". Declarações como esta, segundo especialistas, representam um desafio para Santana, pois apenas atraem os já fieis ao chavismo, e não os indecisos que escolherão o próximo presidente do país.
— Os mais de 30% dos venezuelanos que ainda não sabem em quem votar querem ver propostas e não verborragia — comenta o analista Carlos Romero, para quem Capriles age corretamente ao não rebater os xingamentos.
Dilma e Lula aconselhados a esclarecer câncer
O desafio mais importante, no entanto, é esclarecer a condição de saúde do líder venezuelano, que desde o ano passado se trata de um câncer que, segundo fontes diversas, teria evoluído para uma metástase. Chávez é acusado de não tratar a doença com transparência. Embora tenha enviado um emissário ao Brasil para consultar os médicos que cuidam do ex-presidente Lula, o venezuelano optou por tratar-se em Cuba, aumentando o sigilo em torno da doença. É uma conduta oposta à da presidente Dilma Rousseff quando foi diagnosticada com câncer linfático um ano antes da eleição, e do próprio Lula. Santana foi um dos nomes que aconselharam os dois petistas a lidar com a situação oferecendo o máximo de informações à população.
Outro ponto polêmico é a projeção de Chávez tanto nacional quanto internacionalmente. Em campanhas recentes, como a do presidente de El Salvador, Maurício Funes, e de Medina, na República Dominicana, João Santana ajudou a construir a imagem de candidatos modernos, conciliadores, muito parecidos com o Lula apresentado nas campanhas eleitorais, assim como a própria Dilma. Essa versão "lulinha" tem repercutido nas campanhas da América Latina, como na eleição de Ollanta Humala, no Peru. Brasileiros que fizeram a campanha peruana se esforçaram para apontar as diferenças entre Humala e Chávez e suas semelhanças com o ex-presidente petista.
A oposição na Venezuela cresce, principalmente entre a juventude. Publicitários consultados pelo GLOBO explicaram que Santana terá dificuldade de empolgar essa geração, que desde criança conhece o país governado por Chávez e não está contente com sua gestão em questões como segurança, economia, liberdade de expressão. Nas primárias da semana passada, observou-se muitos jovens nos centros de votação, o certamente beneficia Capriles, que tem 39 anos e anda de motocicleta por todo o país.
Os filmes de campanha do candidato da oposição carregam na emoção: mostram seu lado humano, como o governador energético que esteve ao lado da população com água até os joelhos durante as enchentes que devastaram o estado de Miranda, em 2010. Mostram que ele, apesar de ser preso num caso obscuro — de perseguição política, segundo seus aliados — decidiu não fugir da Venezuela.
Por outro lado, a comunicação chavista é considerada por profissionais como confusa, e caberá a Santana organizá-la. Opiniões dão conta de que se o lado humano, "mítico" e carismático de Chávez vier melhor à tona, aliado a um discurso mais moderado, ficará mais difícil para a oposição vencê-lo nas urnas em outubro. Se a saúde ajudar e ele resolver aparecer como um vencedor do câncer, então...
— Os marqueteiros brasileiros terão muito o que fazer até outubro — avalia Teodoro Petkoff , diretor do jornal "Tal Cual".
Carlos Romero conta que, assim como muitos venezuelanos, gostaria de ver Chávez sentado à mesa, frente a frente com Capriles, num debate televisionado pelas emissoras de TV, inclusive as estatais.
— É isso o que aconteceria em qualquer democracia. Mas aqui é muito difícil, a não ser que Chávez caia muitos nas pesquisas e se "desespere". Os profissionais brasileiros que fazem campanha aqui precisam entender as particularidades da política venezuelana — acredita.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Doença de Chávez: como se fazem as notícias

Por Leite Filho, em Café na Política


A notícia em que se baseou o blog Merval Pereira, de 16/02/2012 e reproduzida pela edição impressa de o Globo, de 17/02/2012, é de 11/09/2011, como atesta o site do Miami Herald, desta última data.
O post do blog, fartamente amplificada na mídia privada da Venezuela, toda ela anti-chavista, ainda foi repicada na Rádio CBN, onde Merval é entrevistado diariamente pelo jornalista Carlos Alberto Sardemberg, no noticiário do meio dia. Clique aqui para ouvir a entrevista, quando Merval decreta do alto de sua sabedoria médica: “Tudo indica que o candidato não vai ter condições para enfrentar esta campanha”.
Entrevista na Rádio CBN
O informe de Merval anuncia: “A saúde do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, pode afetar a eleição presidencial. Os últimos exames, analisados por médicos brasileiros, indicam que o câncer está em processo de metástase, se alastrando em direção ao fígado, deixando pouca margem a uma recuperação”.
Quem são esses “médicos brasileiros”, pois o presidente foi operado e segue o tratamento com medicos cubanos, e que tipo de exames eles realizaram também não está explicado. A notícia ainda se desmoraliza quando o jornalista global refere-se a uma notícia de mais de cinco meses, quando afirma:
“O ex-embaixador dos Estados Unidos na OEA, Roger Noriega, invocando informações de dentro do governo venezuelano, escreveu artigo recentemente (artigo publicado há cinco meses é recente?)no portal de internet da InterAmerican Security Watch intitulado “A Grande mentira de Hugo Chávez e a Grande Apatia de Washington. Nesse artigo ele dizia que o câncer está se propagando mais rapidamente do que o esperado e poderia causar-lhe a morte antes mesmo das eleições presidenciais”.
A notícia de Merval Pereira, postada logo depois que saiu a última pesquisa do Insituto de Pesquisa GIS XXI, dando 61,2% de popularidade para Chávez, ainda decreta: “Como a eleição presidencial se realiza dentro de 8 meses, a 7 de outubro, dificilmente o presidente venezuelano estaria em condições de fazer uma campanha eleitoral que exigirá muito esforço físico, pois a oposição já tem em Henrique Capriles um candidato de união”.

domingo, 9 de maio de 2010

Twitter de Hugo Chávez conta com mais de 75 mil seguidores

O presidente venezuelano entrou para o Twitter e vem publicando rotineiramente suas mensagens, segundo informa a Agência Bolivariana de Noticias. A iniciativa faz parte da batalha midiática contra os esforços da oposição, diz o jornal El Universal.
O perfil de Chávez, chavezcandanga, entrou no ar quando de sua visita a Brasília e o nome candanga (que é no masculino é o apelido dos operários pioneiros que construíram a Capital) é uma homenagem aos 50 anos de funação da cidade. Ele já conta com mais de 75 mil seguidores - não apenas admiradores, mas também diversas pessoas que já manifestaram uma visão crítica do presidente, aponta a BBC Mundo.
Com um espaço cada vez menor nos meios de comunicação tradicionais, os críticos de Chávez recorreram às redes sociais para defender suas idéias na guerrilha das comunicações.
O desafio agora é saber como Chávez vai condensar suas longas mensagens e discursos em apenas 140 caracteres, ironiza a TeleCinco.

domingo, 4 de abril de 2010

Venezuela: Chávez amplia acesso à internet e anuncia criação de seu blog

Do: Núcleo Piratininga de Comunicação

Alvo de críticas por um suposto projeto para limitar o acesso à internet, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi à televisão negar que pretende estabelecer censura no país. Segundo ele, o número de usuários de internet saltou de 273 mil para 1,5 milhão nos últimos nove anos.
"A notícia que percorre o mundo de que vamos acabar com a internet é falsa, assim como a de que vamos restringir o serviço. Temos uma estratégia central que é a transferência de poder para o povo”, disse Chávez, durante seu programa Alô Presidente.
O presidente afirmou ainda que serão abertos 24 novos centros de informação em todo o país. Atualmente há 668 centros no Projeto Infocentros. Chávez disse que esses centros têm capacidade para servir mais de 2 milhões de pessoas por ano. O presidente da Venezuela anunciou também a criação de um blog que será atualizado por ele mesmo, direto do Palácio Miraflores, para combater informações falsas que correm o mundo a respeito de seu governo. A intenção é “comunicar-se com milhões ― não somente com a Venezuela mas também com o mundo”.
Ainda não se sabe quando a página entrará no ar e qual será o endereço. O presidente venezuelano avalia que as redes sociais da internet servem de instrumento para que a direita do país engane o público.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Opinião: Cobertura da BBC sobre a Venezuela- uma década de propaganda ?

Pesquisadores da University of the West of England, localizada em Bristol, realizaram uma pesquisa sobre dez anos de noticiário produzido pela BBC de Londres sobre a Venezuela de Hugo Chávez. Os trabalhos foram conduzidos pelos professores Lee Salter e Dave Weltman. Em poucas linhas, as conclusões dos dois acadêmicos podem ser resumidas em que as reportagens da BBC não correspondem ao seu compromisso legal de imparcialidade, veracidade e exatidão.
304 reportagens difundidas pela BBC entre 1998 e 2008 foram analissadas e em 300 delas Hugo Chávez foi alvo de uma abordagem editorial de caráter negativo.

O relato, em francês, desta pesquisa, pode ser lido abaixo. O mesmo texto, em inglês, está disponível aqui

Une décennie de propagande ? Le travail de la BBC sur le Venezuela


Par Lee Salter, source: venezuelanalysis.com

Des chercheurs de l’Université de l’Ouest de l’Angleterre, ont mis en lumière une tendance systématique dans le traitement de l’actualité du Venezuela par la BBC. Les professeurs Lee Salter et Dave Weltman ont analysé dix ans de reportages sur le Venezuela depuis la première élection d’Hugo Chavez à la présidence. Ce projet de recherche continue. Les résultats montrent que, jusqu’à présent, les reportages de la BBC ne correspondent pas à son engagement légal pour l’impartialité, la vérité et l’exactitude.
Les chercheurs ont étudié 304 reportages de la BBC publiés entre 1998 et 2008 et ont trouvé que seuls trois de ces articles relèvent un unique aspect positif de la politique de Chavez. La BBC a échoué à informer de manière adéquate sur toutes initiatives démocratiques, législation sur les droits de l’Homme, programmes d’alimentation, de santé ou de réduction de la pauvreté. La Mission Robinson, le plus grand programme l’alphabétisation dans l’histoire de l’humanité n’a reçu qu’une mention "passable".
D’après cette recherche, la BBC semble ne jamais accepter la légitimité du président, insinuant constamment que Chavez manque de support électoral, jusqu’à le comparer à Hitler (‘Venezuela’s Dictatorship’ 31/08/99). Ce discrédit de Chavez doit être compris dans le contexte de ses résultats aux élections : sa légitimité est mise en cause bien qu’il ait été élu de nombreuses fois, avec entre 56 et 60% des votes (avec présence et validation par des observateurs internationaux).
Au Royaume Uni, les partis vainqueurs depuis 1979 ont reçu entre 35.3% et 43.9% des votes, le premier ministre actuel a été nommé par son prédécesseur et de nombreux membres hauts placés de son cabinet n’ont jamais été élus. Ce n’est pas une surprise si leur légitimité n’est jamais remise en cause par la BBC.
Une remarque particulière concerne la réponse de la BBC au coup d’Etat militaire de 2002. BBC News a publié neuf articles sur le coup d’Etat du 12 avril 2002, tous basés sur la version des putschiste, mis en position de « sauveurs de la nation », aux côtés de l’opposition. Bien que BBC News ait rapporté le coup d’Etat, la seule fois qu’elle a mentionné l’expression "coup d’Etat" fut dans le cadre des allégations des membres du gouvernement de Chavez et de la fille du président.
L’explication officielle de la BBC était que Chavez ‘était tombé’, ‘s’en allait’, ou ‘s’était résigné’ après sa ‘mauvaise gestion’ des ‘grèves’ (qui, comme Hardy [2007] nous le rappelle, était en réalité un blocage patronal) et des ‘manifestations’ où ses partisans auraient tiré et tué des manifestants. Dans ce dernier rapport, Adam Easton, le correspondant de la BBC à Caracas a écrit : "des vidéos montre des supporters armés de Chavez tirant de manière aléatoire sur les manifestants" (‘Venezuela’s New Dawn’). Le matériel en question a été transmis par la chaîne de télévision du magnat Cisneros qui avait soutenu le coup d’Etat. On a démontré depuis que cela relevait d’une manipulation ! (voir le documentaire "Puente llaguno" d’Angel Palacios).
Hugo Chavez ayant gagné deux élections et un référendum constitutionnel avant le coup d’Etat, il est surprenant que la BBC privilégie la version des putschistes. Les intentions "démocratiques" du coup d’Etat n’ont pas été mises en question par ce média... Dans « Médias vénézueliens : "C’est la fin !" » la BBC laisse le direction de El Universal déclarer sans contradicteur "nous sommes de retour en démocratie !".
Peut-être le plus significatif est que dans ‘Venezuela’s political disarray’ l’éditeur régional de la BBC pour les Amériques a choisi de sous-titrer "Restauration de la démocratie". L’article "Oil prices fall as Chavez quits" (Chute des prix de pétrole alors que Chavez s’en va) nous explique que Chavez quitte son poste à la suite d’un ‘soulèvement populaire’.
Enfin, toutes les citations de discours des neuf articles (sur le coup d’Etat) étaient des partisans de "l’opposition", et les seules voix en faveur de Chavez étaient des membres du gouvernement, la fille de Chavez ou de Cuba. Il est donc raisonnable de déduire des reportages de la BBC, que de manière générale, les Vénézueliens ne supportent pas Chavez, puisque le coup d’état a été incorrectement rapporté comme ‘populaire’, alors que le contre-coup d’état ne le fut pas.
Les chercheurs ont émis l’hypothèse que l’une des bases de l’inexactitude des reportages sur le Venezuela était l’adhérence idéologique de la BBC à l’élite vénézuélienne. Contre le poids de la recherche historique dans l’histoire du Venezuela, la BBC fonde ses rapports sur la "thèse d’exceptionalisme" - l’idée que le Venezuela était une exception dans les nations d’Amérique latine, du fait que sa démocratie était assez robuste pour résister à la dictature.
Cependant, des chercheurs en histoire suggèrent que cette idée est fausse. Comme l’expliquent Ellner et Salas, ceux qui se réfèrent à cet exceptionalisme du Venezuela ont échoué... à relier l’exclusion politique et le phénomène de clientélisme d’un côté, et la violation des droits de l’Homme, la manipulation électorale et la corruption de l’autre. Il en advient qu’ils ont admis la légitimité de mécanismes institutionnels qui garantissaient la stabilité comme prouvée. Les même défauts de fraude électorale, corruption et répression d’étudiants montré comme contribuant à la crise des année 90, apparaissaient dans les décennies précédentes.
Sûrement que la BBC n’arrive pas à le reconnaître et son ignorance de l’extrême pauvreté qui touche tant de Vénézuéliens rend difficile une compréhension adéquate de la politique du Venezuela. Parce que la BBC ne peut pas "voir" ces facteurs, la Révolution Bolivarienne ne peut être comprise comme une réponse à des décennies de pauvreté et d’oppression. Au lieu de ça, la BBC personnalise le mouvement Bolivarien à Hugo Chavez, lui-même émergeant de nulle part et s’imposant au Venezuela, comme s’il n’y avait pas de mouvement, et comme s’il n’y avait pas d’élections.
Par exemple, la victoire du référendum de 2004 est décrite comme ‘un demi-tour extraordinaire, qui défie l’explication facile’ (‘Analysis : Venezuela at the Crossroads’ 17/8/04). Bien sûr, la victoire apparaît "extraordinaire" seulement aux personnes ignorant les problèmes sous-jacents qui touchent les politiques de ce pays.
Par conséquent, Chavez lui-même devient la cause d’un conflit politique. Dans le monde de la BBC il est impossible que les classes, la pauvreté, le non-respect des droits de l’Homme ou la corruption soit à l’origine d’un conflit - la BBC ne peut comprendre l’impact d’un taux de pauvreté de 70% en 1995, ou le fait qu’un an avant la première victoire de Chavez, 67% des Vénézuéliens gagnaient moins de 2$ par jour.
Au contraire, les Vénézuéliens sont montrés comme des moutons sans opinion dirigés par un joueur de pipeau, répondant seulement à son appel pour faire quoi que ce soit. Dans le monde de la BBC, les "divisions" sociales et politiques n’existent qu’à cause de Chavez.
Pour la BBC, les seuls représentants légitimes des Vénézuéliens sont les oligarques non-élus derrière "l’opposition". C’est cette "opposition" qui est le Venezuela. "Les leaders de l’opposition au Venezuela", d’après la BBC, appellent "la communauté internationale à intervenir pour protéger la loi démocratique".
Quand la démocratie fut "restaurée" par un coup d’état militaire et l’imposition d’un dictateur, la BBC a rapporté que "le Venezuela a cherché non pas un politicien existant, mais au sommet de l’assemblée des grands patrons". Quand la majorité des Vénézuéliens élit Chavez ce n’est pas un acte du "Venezuela", mais quand un coup d’état militaire comploté avec la CIA impose une oligarchie corrompue, ça reflète le désir de tout le Venezuela, pas seulement d’une petite élite, mais du Venezuela lui-même.
Un point est à souligner par rapport à l’inexactitude et la déformation de la BBC : ses journalistes font partie d’un classe sociale résidant dans les beaux quartiers de Caracas. De ce point de vue, ils ne voient simplement pas la réalité de la situation. Cela confirmerait ce que Charles Hardy (de la BBC) avait dit : nous essayons d’obtenir "la perspective d’un correspondant international... qui travaille dans un immeuble de bureau d’un journal d’opposition et vit en appartement dans un quartier aisé".
Quoi qu’il en soit, la grande question est : peut-on faire confiance à la BBC en ce qui concerne l’Amérique Latine ? Certainement pas, vu les derniers rapports concernant la récente victoire d’Evo Morales en Bolivie. L’audience de la BBC reste lamentablement mal informée.
Le programme de recherche continue et les chercheurs arrivent à Caracas fin décembre pour la prochaine étape du projet.

Article de Venezuelanalysis traduit de l’anglais par Mateo pour larevolucionvive.org.ve
Relu et corrigé par Olivier Vilain et Cédric Rutter pour Investig’Action

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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Programa de Hugo Chávez "Alô, Presidente" faz dez anos no ar

O programa de rádio e TV do presidente venezuelano, Hugo Cháves, denominado "Alô, Presidente" completou dez anos de existência, segundo a BBC Mundo.
O programa é veiculado aos domingos e acaba, segundo os especialistas, agendando os debates políticos na Venezuela, tanto entre os simpatizantes quanto entre os adversários de Chávez.

"Não importa se os venezuelanos consideram o 'Alô Presidente' uma arma de propaganda ou o melhor da televisão. O programa parece ter sido feito para ficar no ar por todo o tempo em que Chávez permanecer no poder", diz Will Grant, da BBC Mundo.
Segundo o jornal El Mundo, o programa é uma das produções televisivas mais caras do continente e tem batido recordes de até oito horas de transmissão contínua, "durante as quais Chávez tem tempo para falar sobre tudo: esportes, música, política, história, geografia, economia, literatura e até mesmo gastronomia".
O programa também está disponível online aqui.