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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
TV Paga: Colômbia terá 18 novas distribuidoras autorizadas
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Escândalo BB: Psol pede a revisão da concessão da TV Globo
O deputado federal e presidente do PSOL, Ivan Valente (SP), pediu a revisão da concessão da "Rede Globo" após o suposto caso de estupro veiculado em rede nacional no programa "Big Brother Brasil". Para o parlamentar, é preciso apurar a responsabilidade da emissora no caso.
Paredão I
Para Ivan Valente, o fato de a "Rede Globo" ter omitido o fato ao público durante a apresentação do programa e tratado o caso de maneira ambígua logo que o escândalo veio à tona.
Paredão II
"Essa é a mensagem q uma concessionária pública de TV manda para o país diante de um assunto tão sério como a violência sexual contra mulheres? Todos ficamos indignados com a banalização daquilo que pode ter sido um crime", criticou o parlamentar.
MP no jogo
O Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP) também entrou no caso e pode pedir à emissora que esclareça o caso publicamente durante a exibição do programa.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Grupo português quer comprar a brasileira TV CNT
A Ongoing trabalha com os seus advogados para avaliar quais as possibilidades de que o negócio seja autorizado pelo Ministério das Comunicações do Brasil, já que a legislação em vigor não permite que um grupo estrangeiro seja dono de uma licença de TV.
Com sede em Curitiba, a CNT, que foi criada em 1979, tem uma reduzida expressão a nível nacional, mas alcança já algum espaço sobretudo no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde está a ampliar os seus estúdios.
Além do "Brasil Econômico" , a Ongoing é acionista, entre outros, dos jornais brasileiros "O Dia", e "Campeão Marca". O "Brasil Econômico" nasceu a partir do modelo do português "Diário Económico", tendo a Ongoing recorrido a uma parceria com a brasileira Ejesa, empresa da mulher do presidente da Ongoing, para contornar a impossibilidade de deter a maioria do capital.
Em Portugal, a Ongoing está ativa no sector dos mídia (além do "Diário Económico" detém um canal televisivo na TV por assinatura, o "Económico TV") e detém participações em várias empresas cotadas em bolsa, como a Impresa (dona da cadeia televisiva SIC e do semanário "Expresso") e a Portugal Telecom.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Comissão do Senado aprova normas para disciplinar concessão de rádio e TV
A Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) aprovou, nesta quinta-feira (5), o relatório final do grupo de trabalho que examinou as normas para outorga e renovação de concessões para emissoras de rádio e televisão. Entre as medidas que serão colocadas em prática tão logo a CCT retome a análise dos pedidos de concessão está a realização de estudos prévios, realizados pelo Ministério das Comunicações, sobre a viabilidade técnica e econômica da exploração comercial da concessão.
A comprovação da capacidade financeira foi considerada essencial para evitar que a concessão seja dada em nome de prepostos, os chamados "laranjas". Denúncia veiculada pelo jornal Folha de S. Paulo sobre a concessão de rádios a laranjas motivou a paralisação da análise de concessões e a criação do grupo de trabalho.
Na opinião do presidente da comissão, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), o grande mérito do relatório está no fato de o Senado ter tomado uma decisão para um problema que se prolongava há anos.
- É um marco na história da Casa. Em três semanas a Comissão de Ciência e Tecnologia, ao tomar conhecimento das denúncias, interrompeu a análise de processos pendentes e publicou novos procedimentos que vão dar mais transparência ao setor - anunciou.
Conforme Eduardo Braga, a partir da semana que vem a CCT retomará a análise de todas as solicitações que se encontram na comissão.
Muitas das propostas do relatório referem-se a alterações a serem feitas na Resolução 03/09 do Senado, por meio de projeto específico. Em entrevista após a reunião, o coordenador do grupo de trabalho, senador Walter Pinheiro (PT-BA), explicou, no entanto, que algumas medidas independem da aprovação do novo Projeto de Resolução a ser apresentado pela CCT, uma vez que já constam da legislação em vigor, mas não são cumpridas.
Entre os procedimentos que podem ser imediatamente exigidos, além dos estudos prévios de viabilidade, Walter Pinheiro citou os percentuais mínimos da programação destinados a programas jornalísticos, educativos e culturais; e a capacidade financeira dos concessionários.
Prazo para denúncias
Consta das propostas de mudanças na Resolução 03/09 a abertura de prazo de 10 dias para o recebimento de denúncias sobre a outorga ou renovação. "Esse mecanismo permitiria que a sociedade se manifestasse sobre a atuação da emissora do ponto de vista societário, fiscal e de conteúdo", diz o relatório, assinado também pelos senadores Valdir Raupp (PMDB-RO) e Aloysio Nunes (PSDB-SP). Este último foi o autor do pedido para a revisão das normas de outorga e renovação.
O relatório também propõe que a resolução preveja a realização de audiências públicas destinadas a examinar casos excepcionais de outorga e renovação, levando em conta fatores como "o interesse público envolvido, a abrangência do serviço prestado ou indícios que justifiquem discussão mais aprofundada".
Outra recomendação é para que a CCT estabeleça canais de contato permanente com o Ministério das Comunicações, com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e com a Casa Civil da Presidência da República para avaliar "os procedimentos gerais empregados em sua análise".
A Resolução também deverá trazer a determinação de que o Tribunal de Contas da União (TCU) realize periodicamente auditorias de natureza operacional sobre os processos de outorga e renovação de radiodifusão nas instituições citadas.
Sem necessidade de constar na Resolução, o relatório sugere a integração dos sistemas de informática das entidades envolvidas no processo, ou seja, as já citadas, mais o TCU e o Ministério Público.
Processo licitatório
O relatório traz ainda várias recomendações ao Poder Executivo, como a fixação do prazo de seis meses para a abertura do processo licitatório para a prestação de serviços de radiodifusão, contado a partir dos estudos que comprovem a viabilidade técnica e econômica de sua exploração; e a consulta pública prévia ao processo de licitação.
Os percentuais mínimos de produção cultural, artística e jornalística regional a serem cumpridos pela emissora vencedora também devem constar do edital. O relatório propõe que os pesos relativos dessa produção devem ser aumentados nos processos licitatórios, ao mesmo tempo em que devem ser minimizados os pesos relativos referentes ao prazo para início da execução do serviço e do valor da oferta a ser pago pela outorga.
O trabalho propõe ainda que os serviços de radiodifusão com fins exclusivamente educativos só sejam concedidos a fundações privadas caso haja manifesto desinteresse do poder público, seja ele federal, estadual ou municipal ou, ainda, de universidades brasileiras. Mesmo assim, essas fundações devem comprovar vínculo com instituição de ensino.
Outras recomendações ao Poder Executivo sugerem a realização de convênio com a Receita Federal para intercâmbio de informações sobre os concessionários; a revisão das normas que regem as transferências de outorgas, sobre as quais há hoje pouco ou nenhum controle; e um recadastramento completo dos detentores de outorgas de radiodifusão.
Walter Pinheiro pediu e o presidente da CCT, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), determinou o envio de cópia do relatório final para a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) da Câmara dos Deputados; para a Câmara dos Deputados; para o Ministério das Comunicações; para a Anatel; para o Ministério Público; e para o TCU.
O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) sugeriu que as denúncias formuladas durante a análise dos processos de outorga ou renovação sejam identificadas, mas o senador Pedro Taques (PDT-MT), que foi procurador da República, informou que não há no Brasil jurisprudência impedindo o acolhimento de denúncias anônimas, aceitas por diversos órgãos da administração pública. Também participou da reunião o senador Valdir Raupp. O senador Aloysio Nunes justificou sua ausência ao presidente da CCT, para comparecer a importante solenidade em seu estado.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Opinião: Da TV educativa à TV pública
Por meio da Portaria nº 70, de 29 de março de 2011, o Ministério das Comunicações colocou em consulta pública uma proposta de ato normativo que estabelece novos critérios para a concessão de outorgas para a prestação de serviços de televisão educativa.
O ato pretende instituir nas educativas um processo seletivo que já é praticado no caso das emissoras comunitárias. O Minicom soltaria um aviso de habilitação em locais com canais disponíveis e receberia as propostas dos interessados em prestar o serviço. Em 60 dias, a proposta deve ser apresentada, acompanhada de uma lista de documentos fixada no anexo da portaria.
O ato reforça a preferência a entes de direito público interno prevista no artigo 34 da Lei 4.117 (o Código Brasileiro de Telecomunicações), o que na prática dá vantagem às universidades.
Embora isso já existisse, tal dispositivo precisa ser cumprido na prática, pois há casos como na cidade de Goiânia em que instituições de ensino foram preteridas por fundações ligadas à igrejas.
O documento define os critérios de avaliação dos candidatos. Dois dos mais importantes são a representatividade da instituição de ensino à qual o proponente tem de estar vinculado e a participação de membros dessa instituição na direção do ente concorrente. Concretamente, a nova regra obriga que os pleiteantes estejam associados a uma universidade - na forma de uma fundação, por exemplo - , exigência que não existe hoje.
As outorgas educativas
O esforço de racionalizar os procedimentos de análise das outorgas sinalizado pela nova gestão do Minicom é louvável. Entidades da sociedade civil já vêm há anos apontando o faroeste das concessões de rádio e TV e destacando a necessidade de garantir transparência, democracia e agilidade ao processamento das autorizações. Mas, neste caso específico, o Minicom peca por não ir fundo na solução necessária ao caso das educativas. Mas antes de maiores considerações, vale recuperar o que são essas autorizações.
O serviço de televisão com fins educativos foi criado no Decreto-Lei
236 de 1967. Ele aparece em um movimento de criação de emissoras que respondiam ao projeto dos militares de utilizar este meio como forma barata e segura de difusão de conteúdos para uma população com baixa instrução e jogada como mão-de-obra em um mercado em rápida industrialização.
O Artigo 13o, que trata da nova licença, veda a publicidade, bem como qualquer tipo de patrocínio, e define o escopo da programação: “a televisão educativa se destinará à divulgação de programas educacionais, mediante a transmissão de aulas, conferências, palestras e debates”. Ou seja, essas emissoras tinham um limite muito claro como canais de transmissão de conteúdos que hoje conhecemos na forma de “telecursos” e outras formas de falas de personalidades ou discussões ancoradas.
A primeira emissora educativa foi a TV Universitária de Pernambuco. Em seguida surgiram as educativas controladas pelos governos estaduais.
Já o governo federal preferiu se reservar o papel de produtor, com a Fundação Centro Brasileiro de Televisão Educativa, que na década de 1970 ganharia a responsabilidade pela gestão da TVE.
Inicialmente, a licença educativa acabou atendendo à tentativa de constituir um meio massivo de qualificação profissional. Mas rapidamente passou a ser a forma pela qual se edificou o frágil “sistema público” (de cunho claramente institucional governamental1) brasileiro. Mas isso não significa que a licença só possa ser obtida por entes de direito público. Muito pelo contrário. E é aí que mora o vício de origem da TV Educativa.
A licença se estrutura a partir de uma finalidade (veicular conteúdo educativo), e não de uma modalidade de radiodifusão. Isso significa que ela pode ser dada a um ente privado, como acontece hoje com diversas fundações vinculadas a igrejas que mantém canais de TV em vários estados do país. Com a Constituição Brasileira de 1988, essa contradição ficou mais evidente, uma vez que o Artigo 223 prevê a complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal.
Como esse capítulo nunca foi inteiramente regulamentado (é possível falar em regulamentação parcial com a Lei 11.652, que criou a Empresa Brasil de Comunicação), ficou a contradição de uma licença baseada em uma finalidade e uma modalidade sem uma definição nem tipo de autorização específico. Soma-se a isso o fato da obrigação de conteúdos educativos ter perdido validade na prática. Desde praticamente o nascimento dessas emissoras elas veiculam outros tipos de programas e as sucessivas gestões do Ministério das Comunicações sempre permitiram essa prática.
O problema é outro
Voltando à consulta do Minicom, a ponderação central desse artigo é:
que sentido faz racionalizar o procedimento de uma licença inadequada tanto do ponto de vista da concepção de uma arquitetura adequada do marco regulatório quanto da sua implementação prática?
Em vez disso, seria mais importante que o Minicom agilizasse a apresentação da proposta de reforma do marco regulatório e que, nela, mudasse as licenças de modo que elas reflitam as novas modalidades do sistema de mídia, público, privado e estatal.
A autorização para o sistema privado poderia ser obtida por empresas, mas também por entes privados sem fins lucrativos, como fundações, associações, sindicatos etc.... a exemplo do que acontece na Argentina. Nos dois casos, deveriam ser respeitadas as regras de limitação de propriedade (em especial que garantam o controle por brasileiros e a proibição de concentração em oligopólios) e de obrigações de conteúdo, a partir da noção de que esses entes prestam um serviço público sob concessão do Estado.
A licença para o sistema estatal seria dada para emissoras vinculadas a determinas instituições dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, nas três esferas da Federação. Entrariam aí a NBR, a TV do Governo Federal, as TVs Câmara, Senado e Justiça, bem como os veículos de assembleias legislativas, câmaras de vereadores, prefeituras e afins.
E a permissão para o Sistema Público seria concedida a entes estatais especificamente criados para esse fim que tivessem em sua estrutura instâncias controladas pela sociedade por meio de suas representações.
Não queremos, com isso, desvalorizar os conteúdos educativos. Eles continuam importantes. E devem fazer parte das grades das emissoras, sejam elas públicas, estatais ou privadas. Mas concluímos reiterando que no cenário atual não contribui para uma arquitetura adequada do sistema de mídia brasileiro a previsão de emissoras voltadas exclusivamente a esse gênero informativo.
Para entender a concepção de público e estatal assumida neste artigo favor ver a dissertação “TV Pública no Brasil: o surgimento da TV Brasil e sua inserção no modo de regulação setorial da televisão brasileira ”, de nossa autoria.
segunda-feira, 28 de março de 2011
Laranjas compram rádios e TVs do governo federal
Empresas abertas em nome de laranjas são usadas frequentemente para comprar concessões de rádio e TV nas licitações públicas realizadas pelo governo federal, aponta levantamento inédito feito pela Folha. Por trás dessas empresas, há especuladores, igrejas e políticos, que, por diferentes razões, ocultaram sua participação nos negócios.
Durante três meses, a reportagem analisou os casos de 91 empresas que estão entre as que obtiveram o maior número de concessões, entre 1997 e 2010. Dessas, 44 não funcionam nos endereços informados ao Ministério das Comunicações. Entre seus "proprietários", constam, por exemplo, funcionários públicos, donas de casa, cabeleireira, enfermeiro, entre outros trabalhadores com renda incompatível com os valores pelos quais foram fechados os negócios.
Donos, respectivamente, das Rádio 630 Ltda. e Rádio 541 Ltda., João Carlos Marcolino, de São Paulo, e Domázio Pires de Andrade, de Osasco, disseram ter autorizado a Igreja Deus é Amor a registrar empresas em seus nomes para ajudar a disseminar o Evangelho.
Políticos também podem estar por trás de empresas. O senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, é apontado pelo sócio no papel da Paraviana Comunicações como o real dono da empresa, que comprou duas rádios FM e uma TV em licitação pública. Em e-mail enviado à Folha, João Francisco Moura disse que emprestou o nome a pedido do amigo Geraldo Magela Rocha, ex-assessor e hoje desafeto de Jucá.
Ministério diz não ter como saber se donos são laranjas
O secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Genildo Lins de Albuquerque Neto, diz não ter meios de identificar se os nomes que aparecem nos contratos sociais das empresas são laranjas ou proprietários de fato, e que essa é tarefa para a Polícia Federal e para o Ministério Público Federal.
"Só dei o meu nome para a igreja arrumar emissoras", diz evangélico
O evangélico Domázio Pires de Andrade, 74, vive da pensão de um salário mínimo numa casa humilde em terreno público invadido. No papel, é sócio da empresa Rádio 541 Ltda., com Antonio Ribeiro de Souza, ex-vice-presidente da Igreja Deus é Amor. A empresa comprou quatro rádios em Minas, por R$ 200 mil. Após trabalhar por 24 anos na igreja, Domázio foi demitido e aderiu à Clamor dos Fiéis. A direção da Deus é Amor não quis falar sobre o registro de empresas em nome de fiéis.
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Opinião: Quem não quer a Voz do Brasil?
Neste período de férias e festas, quando os brasileiros não estão atentos aos acontecimentos e de um modo geral a mídia funciona a meio vapor, no Legislativo e no Executivo empurram na maciota questões no mínimo polêmicas e que deveriam passar por uma ampla discussão até serem transformadas em lei.
Um desses pontos aprovados a toque de caixa é a decisão tomada pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado de flexibilizar a Voz do Brasil. Ou seja, os parlamentares aprovaram que o mais antigo programa informativo do rádio brasileiro não precisará ir ao ar no horário estabelecido de 19 as 20 horas.
Se os plenários do Senado e posteriormente o da Câmara dos Deputados, antes também a Comissão da Câmara aprovarem, a Voz do Brasil poderá ser apresentada em outros horários. Só as rádios públicas continuarão no horário atual.
Na verdade, o que os parlamentares mais desejam é acabar de uma vez por todas com a Voz do Brasil. Tem um detalhe: muitos desses políticos estão legislando em causa própria, ou seja, são proprietários de veículos de comunicação, o que é totalmente ilegal, pois a legislação brasileira proíbe parlamentares proprietários de veículos de comunicação. Na nova legislatura 61 parlamentares são proprietários de veículos de comunicação, fora os que passaram a propriedade para laranjas.
A flexibilização do horário é um sofisma, porque na prática representará o início do fim da Voz do Brasil, o que é desejado há tempos pela Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert). Tanto assim que em determinado momento o patronato do setor convocou até o Caetano Veloso para falar contra a Voz do Brasil.
Flexibilização do horário? Quem vai fiscalizar se as mais de cinco mil emissoras de rádio em todo o país estarão de fato transmitindo em horários diferenciados? É óbvio que as emissoras privadas vão driblar a exigência. E ninguém vai reclamar.
O esquema contra a Voz do Brasil é sofisticado. Na I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada em dezembro do ano passado, por exemplo, o patronato ganhou alguns aliados, que se dizem representativos dos movimentos sociais e que militam em áreas da comunicação, para a tese de flexibilização da Voz do Brasil.
Um dos argumentos utilizados pelo patronato midiático é de que a obrigatoriedade da Voz do Brasil ocorre na esfera privada. O argumento não procede, até porque é importante lembrar que o espectro eletromagnético das emissoras de rádio e televisão pertence ao Estado brasileiro, que concede aos empresários o funcionamento das emissoras.
Vale assinalar que o espaço em questão não é privado, como tentam demonstrar erradamente os proprietários à opinião pública. Isto é, TV Globo, Record, SBT etc não são privadas, o canal pertence ao Estado brasileiro e pode ser teoricamente retirado se deixar de cumprir com algumas exigências determinadas pela legislação.
Mas a renovação vem sendo automática, porque se por algum motivo não conseguirem gritarão que estão sendo objeto de censura ou algo do gênero. E terão apoio da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP).
A Voz do Brasil, além de ser o programa mais antigo do rádio brasileiro cumpre uma função da mais alta relevância neste país continente. Em longínquos rincões dos Estados o acesso à informação se dá exatamente através da Voz do Brasil e no horário estabelecido há mais de 70 anos, ou seja, de 19 as 20 horas.
Não se pode deixar de mencionar que o programa acumula três prêmios de jornalismo e é reconhecido como canal de acesso a informações precisas e objetivas sobre o governo, o Estado e a Cidadania. Quem ouve a Voz do Brasil percebe muitas informações relevantes que não são apresentadas nos telejornalões.
Ao contrário do que afirmam os proprietários de estações de rádio, a Voz do Brasil tem boa audiência. Segundo pesquisas, o maior índice ocorre nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, onde dois terços dos entrevistados pelo Data Folha disseram que ouviam regularmente a Voz do Brasil.
Então, porque tanta mobilização contra, se muitos brasileiros nos mais diversos rincões só têm acesso à informação através da Voz do Brasil? Por que tirar a fonte? Preferem os proprietários que os brasileiros se informem somente por seus noticiários, que deixam totalmente a desejar.
Por estas e muitas outras, apesar do silêncio da mídia de mercado, que volta e meia dá espaço para os proprietários de rádio criticarem a Voz do Brasil, é fundamental que entidades representativas da sociedade brasileira, que não se dobram aos anseios do patronato, se manifestem. É o caso, por exemplo, da diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) se manifestar em defesa da Voz do Brasil, até porque em seu último congresso, em agosto do ano passado, em Porto Alegre, a entidade aprovou tese em favor da continuidade do programa informativo no mesmo horário de sempre.
Embora a pressão do patronato seja grande, a flexibilização não está decidida. Se a sociedade brasileira não for informada sobre o que está se passando no Congresso e ficar calada, o patronato terá conquistado o que almeja há tempos. Mas se os senhores parlamentares que iniciam os trabalhos agora em fevereiro refletirem um pouco mais verão finalmente que a flexibilização só interessa mesmo ao patronato midiático, um dos setores do poder, mais conservadores. E para convencer é preciso mobilização popular.
Em tempo. Os colunistas da mídia de mercado, que volta e meia pregam também o fim da Voz do Brasil, estão adotando a estratégia de queimar o ex-Presidente Lula e jogá-lo contra Dilma Rousseff. Não se conformam com o fato de passarem oito anos deitando e rolando em cima de Lula e ele deixar o governo com 87% de popularidade. Lula e Dilma podem e devem ser criticados, mas a direita midiática age na prática substituindo os golpistas que na segunda metade do século passado pregavam a desestabilização de governos democráticos nos quartéis. Deu no que deu.
As opiniões aqui postadas são de responsabilidade de seus autores
domingo, 9 de janeiro de 2011
Termina nesta segunda prazo para se candidatar a operador de rádio comunitária
Do Jornalista & CiaEntidades de 86 municípios interessadas em operar uma rádio comunitária têm até a próxima
2ª. feira (10/1) para enviar ao Ministério das Comunicações a documentação necessária para
inscrição no aviso de habilitação publicado em novembro. Podem se habilitar associações e fundações comunitárias legalmente constituídas, com sede na região onde pretendem prestar o serviço.
Os formulários para cadastro estão no www.mc.gov.br, no item “Rádio Comunitária”.
Mais informações na Secretaria de Serviços de Comunicação Eletrônica do ministério pelo www.
ssce.atendimento@mc.gov.br ou 61-3311-6592.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Entidades articulam movimento em defesa de A Voz do Brasil
Diante da existência de um projeto de lei, em análise no Senado Federal, que flexibliza e, como isto, pode tornar viável a extinção do programa radiofônico "A Voz do Brasil", uma reunião com lutadores sociais, militantes da comunicação e entidades como a Fenaj e a Fitert está sendo organizada para organizar uma campanha de defesa deste programa radiofônico. Estima-se que a Voz do Brasil tem um público ouvinte, estimado, de 80 milhões de brasileiros. Pessoas sem acesso a outras fontes de informação, em especial sem condições de leitura de jornal por motivos econômicos e sociais.
Os organizadores do evento identificam na Associação Brasileira de Rádio e Televisão a base desta iniciativa que visa exclusivamente abrir mais uma hora de faturamento para as emissoras e por fim qualquer obrigação social enquanto concessionários de serviços públicos.
A reunião será na sede da Fitert (Fedederação Interestadual dos Radialistas), dia 11, terça-feira, às 19 horas, no SCS, Edifício Presidente, 2º andar, em Brasília.
O encontro é aberto a todos interessados. Já estão convidados os seguintes veículos e entidades: Comissão Brasileira de Justiças e Paz da CNBB, MST, CONTAG. TV comunitária Cidade Livre, Associação Brasileira de Rádio Comunitária, Rádio laboratório Ralacoco, jornais Brasil de Fato, Passe Livre e Hora do Povo, ALTERCOM, Centro de Estudos Barão de Itararé, revista Caros Amigos, Forum nacional da Reforma Agrária, Comissão Pastoral da Terra, Central Única dos Trabalhadores, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Número de concessões a rádios triplica em ano eleitoral
Veja abaixo a íntegra da nota da Adnews
Da Redação Adnews em 16/08/2010
O número de renovações ou novas concessões a rádios no Brasil quase triplicou em 2010. Levantamento feito pela Folha de S.Paulo mostra que, neste ano, o governo federal, por meio da Presidência e do Ministério das Comunicações, favoreceu 183 emissoras em 162 municípios.
As rádios beneficiadas – comerciais ou educativas – estão em sua maioria (57%) ligadas a políticos (76) ou instituições religiosas (28), católicas e evangélicas. Somente a partir de 26 julho, 74 decretos foram assinados, já com campanha eleitoral em curso.
A Folha questionou o Ministério das Comunicações sobre a razão do aumento de concessões justamente em ano de eleição presidencial: em 2006, foram 14; em 2007, 2; em 2008, 9; e, em 2009, 49. Segundo a assessoria da pasta, a alta ocorreu por causa de da criação de um grupo de trabalho no final de 2008 para desafogar o setor. “A expectativa é que esse número cresça ainda mais considerando que o trabalho tende a ficar cada vez mais ágil”, disse a assessoria.
Até março, antes do período eleitoral começar, os últimos decretos foram assinados sob gestão do então ministro Hélio Costa (PMDB). Antes de deixar o cargo para José Artur Filardi Leite, Costa beneficiou, entre outras, rádios do empresário Fernando Sarney – filho de José Sarney (PMDB), presidente do Senado – e do senador Lobão Filho (PMDB-MA) – filho do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB).
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Rádio comunitária: regras de concessão podem mudar
sábado, 26 de setembro de 2009
Globo e Record têm concessões renovadas sem debate público
Por Jacson Segundo, do Observatório do Direito à Comunicação , publicado, em 21/09/2009, no Jornal do Brasil de Fato
As concessões de TV de quatro emissoras da Rede Globo e duas da Record foram oficialmente renovadas na última quinta-feira (10) pelo Congresso Nacional. Assim, as duas empresas ganham permissão para transmitir suas programações por mais 15 anos. No caso da Globo, esse prazo vai até 2022 e da Record, até 2013. Assim como acontece com os outros processos de renovação de outorga na radiodifusão, não houve a participação dos mais interessados no assunto: o público.
As renovações em questão ganham ainda mais importância por se tratarem de emissoras próprias das duas empresas, que respondem hoje por mais de 60% da audiência de TV no país. Além disso, nos dois casos as outorgas renovadas são para as chamadas “cabeça-de-rede”, que centralizam maior parte da produção que é transmitida pelas afiliadas espalhadas pelo país. As emissoras da Rede Globo cujas concessões foram renovadas ficam em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Já as da Record estão situadas no Rio e em Itajaí (SC).
A análise dos processos, que passam por dois ministérios – o das Comunicações e a Casa Civil – e pelo Congresso Nacional, durou pouco mais de dois anos. Este prazo contrasta com a morosidade registrada para os demais processos de renovação. Há casos de emissoras funcionando com licença vencida há mais de 10 anos.
O fato de essas emissoras influenciarem quase toda a população brasileira parece não ter sido motivo suficiente para uma análise menos burocrática e mais transparente de seus pedidos de renovação das outorgas. Na Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara Federal - uma das principais instâncias que analisam esses casos -, por exemplo, a aprovação das renovações foi unânime. A participação da sociedade no processo se restringiu a uma Audiência Pública na Câmara, em novembro de 2008, que tratou da renovação de um conjunto de várias licenças, entre elas as da Globo e Record.
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quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Começa renovação de licenças da Band, Record e Cultura
Mais 17 emissoras de televisão passarão pelo crivo do Congresso Nacional para renovar suas licenças de operação. Depois das concessões da Globo, que estão prestes a serem renovadas após meses de tramitação no parlamento, agora é a vez de empresas como a Record, Bandeirantes, TV Cultura, RBS e Rede 21, entre outras.
O início da análise foi oficializado na terça-feira, 8, com o envio de mensagem do presidente da República para o Congresso Nacional.As concessões das emissoras de televisão para a cidade de São Paulo venceram neste ano. Os decretos renovando as licenças e que serão avaliados pelos parlamentares foram divididos em dois grupos: um com data de 27 de fevereiro de 2009 e outro de 12 de junho de 2009, dias subseqüentes ao vencimento das outorgas. Record, Band, RBS e Rede 21 fazem parte do primeiro grupo e a TV Cultura, do segundo. As concessões de televisão têm prazo de vigência de 15 anos e a decisão de renovar ou não as licenças cabe ao Congresso Nacional.
sábado, 1 de agosto de 2009
Venezuela: Governo fecha 34 rádios no país
O governo da Venezuela começou, neste sábado, a fechar emissoras de rádio que considera não terem cumprido os requisitos legais para operarem. Na sexta-feira, o ministro Diosdado Cabello, diretor da Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), tinha anunciado que 34 estações seriam tiradas do ar imediatamente, e que logo outras se seguiriam até se chegar a um total de 240.
Segundo Cabello, as rádios perderam seus direitos de transmissão por vários motivos: falecimento do titular da concessão, renúncia e vencimento da licença sem que tenha havido renovação, ou ainda porque se julgou improcedente uma solicitação de troca de titularidade.
O ministro negou que a decisão se deva a uma perseguição política às rádios.
"Quanto tomamos a decisão de democratizar o espectro radioelétrico, estávamos falando sério, porque temos que fazê-lo, e fazê-lo agora", afirmou.
Lei polêmica
As emissoras que o governo quer fechar ficam na capital, Caracas, e em várias cidades do interior da Venezuela. Não há, entretanto, nenhuma grande estação de rádio na lista.
Segundo a correspondente da BBC Mundo em Caracas, Anahí Aradas, um dos primeiros sinais apagados foi o do Circuito Nacional Belfort (CNB), onde o hino nacional foi a última coisa que se escutou.
Aradas diz que a CNB era uma das rádios mais escutadas e mais críticas em relação ao governo.
A decisão de fechar as emissoras ocorre dias depois de a primeira versão de uma nova legislação que prevê novos mecanismos de regulamentação da mídia ter sido apresentada à Assembleia Nacional venezuelana.
Pela proposta, jornalistas poderiam ser condenados a até quatro anos de prisão por publicar materiais considerados pelas autoridades como "prejudiciais à estabilidade do estado".
A medida prevê ainda punição aos donos de emissoras de rádio e televisão que ameacem "causar pânico" e "perturbar a paz social". A Assembleia, controlada por aliados do presidente, Hugo Chávez, deve votar a aprovação da nova legislação nos próximos meses.
Em cinco anos no poder, o governo da Venezuela saltou de apenas um canal estatal sob seu controle para seis, dois deles com transmissão nacional (VTV, ViVe e Teves, que ocupou o lugar da RCTV) e um internacional, Telesul.
Nenhuma medida do governo, porém, foi tão controvertida como a decisão de não renovar a concessão do canal privado RCTV, em maio de 2007. A decisão foi interpretada pela oposição e pelo movimento estudantil opositor, que emergiu neste momento, como um ataque à liberdade de expressão.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Deputado estuda criação de PL para proibir venda de espaço de TV sem permissão do governo
O deputado federal Edson Duarte (PV-BA) estuda a criação de um Projeto de Lei que proíba a venda de espaço em programações de TV sem a permissão do Ministério das Comunicações. A medida, em análise na Câmara dos Deputados, prevê ainda o repasse de 60% da arrecadação dos espaços vendidos aos cofres públicos.
Segundo noticiou a colunista Keila Jimenez, do jornal O Estado de S.Paulo, o objetivo da PL é fazer com que as emissoras de TV mantenham a funcionalidade de concessões públicas, enviando recursos para a União.
Ainda de acordo com a articulista, só na RedeTV!, o valor pago todo mês pelo bispo R.R Soares pelo aluguel de uma hora na programação chega a R$ 2,5 milhões. O veículo paulista, contrário à medida, ressalta que a PL visa "estatizar as emissoras de TV".