Caros leitores e leitoras.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Fato Online não paga salário e jornalistas decidem por greve.

Com base no QuidNovi e no Portal do Sindicato dos Jornalistas do DF

Jornalistas do Fato Online aprovam greve se empresa não pagar salários atrasados.

Trabalhadores do Portal Fato OnLine aprovaram em assembleia ontem uma paralisação por tempo determinado se a empresa não depositar salários e décimo-terceiro em atraso. A redação não recebeu ainda o salário de dezembro, que deveria ter sido pago em janeiro, nem o décimo-terceiro.

Após muitas promessas e adiamentos, a direção da empresa prometeu fazer o pagamento até a semana que vem. Os trabalhadores decidiram que se o dinheiro não estiver na conta até o fim do expediente bancário de quinta-feira, 4/2, irão cruzar os braços a partir das 17 horas daquele dia até a 0 hora de sábado, 6/2, permanecendo toda a sexta-feira parados.

O Fato OnLine já havia atrasado o salário de novembro, que foi pago somente no fim de dezembro. E agora, os trabalhadores novamente sofrem sem o salário que já deveria ter sido pago. Há situações de pessoas em sérias dificuldades financeiras.
"O pagamento de salário é o direito mais básico do trabalhador. Os funcionários já deram vários votos de confiança e mais uma vez estão trabalhando com o prazo dado pela própria empresa, mesmo com os sucessivos descumprimentos. 
A decisão da paralisação é reflexo da insatisfação e da situação crítica que a direção da empresa provocou", afirma Jonas Valente, coordenador-geral do SJPDF, que acompanhou a assembleia. 


Ministério Público do Trabalho

No dia 27/1, foi realizada audiência no Ministério Público do Trabalho para tratar dos atrasos. Os representantes do Fato OnLine iniciaram se limitando a dizer que o salário de novembro (objeto inicial da reclamação) estava quitado. Frente à informação do SJPDF de que permanecia o atraso de salário de dezembro e do décimo-terceiro a empresa admitiu a situação e informou que regularizaria as pendências até o dia 20 de fevereiro.

Questionada sobre quais pendências seriam regularizadas, disse que apenas os salários e o décimo-terceiro para funcionários contratados com carteira assinada, sem estender o repasse a quem possui vínculo como pessoa jurídica. O representante do Sindicato questionou o prazo de 20 de fevereiro para o salário de dezembro, o que também foi contestado pela procuradora Waleiska Monte, que dirigia a audiência. Ela fixou prazo de cinco dias úteis para a quitação das pendências. Caso isso não seja feito, adiantou que irá tomar providências acerca do problema. 

Ligações Políticas

Com versão impressa e de webtv, o portal Fato OnLine entrou no ar dia 4 de março de 2015, com um time de profissionais de primeira: Nomes como os de Sérgio Assis (diretor geral), Cecília Maia (diretora de Redação), Rudolfo Lago (editor-chefe), Achiles Pantazopoulos (editor da TV Fato), Andrei Meirelles e a ex-ministra das Comunicações Sociais,Helena Chagas (colunistas). Na cobertura de Política, nomes competentes como Lúcio Vaz (editor), Mário Coelho, Edson Luiz, Afonso Morais,Marcelo Rocha e Iva Velloso.
Na Economia: Sheila D’Amorim (editora); Isabel Sobral; Fábio Graner, Regina Pires, Laís Lis e Guilherme Waltenberg, Ary Filgueira e Beatriz Ferrari e Joelma Pereira (repórteres). Na Fotografia: Orlando Brito (editor); Igo Estrela, Joel Rodrigues e Sheyla Leal.

Num período de crise na imprensa, o responsável pelo empreendimento foi Silvio Barbosa Assis, que se apresenta como operador no mercado financeiro, mas que foi apontado pelo jornalista Mino Pedrosa, no seu Portal QuidNovi, como sendo lobista, além de outras qualidades em seu currículo.

"Denunciado no Amapá – diz Pedrosa - por enriquecimento ilícito associado ao tráfico de drogas, Assis é considerado um homem de grande habilidade e se apresenta como afilhado de políticos de renome e caciques de vários partidos, como o ex-presidente José Sarney. Ele teve de sair de lá às pressas, depois de ter sido preso por sonegação fiscal. Antes da fuga, porém, já havia sobrevivido a um ajuste de contas em Macapá, onde recebeu seis tiros à queima-roupa, fazendo jus à lenda de que o gato tem sete vidas.”
Ainda segundo Pedrosa, Assis teria captado recursos para ajudar no financiamento da campanha do atual governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg. Após a vitória e posse, “Assis convocou auditores do Detran e o seu diretor geral, Jayme Amorim de Sousa, e comunicou ser o ‘dono’ da autarquia, e dizendo falar em nome do governador Rodrigo Rollemberg e da presidente da Câmara Distrital, Celina Leão.”

Redes sociais: Belo Horizonte será sede do 5º BlogProg



São esperados 1.000 blogueiros e ativistas digitais, do país e do exterior. 


Representantes da Comissão Nacional de Blogueiros reuniram-se na terça-feira 26/1, em Belo Horizonte, na Casa do Jornalista com dezenas de militantes de movimentos sociais e sindicalistas para discutir a organização do 5º Encontro Nacional de Blogueiros, que acontecerá nos dias 20, 21 e 22 de maio na capital mineira e que tem apoio do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais. São esperados cerca de 1.000 blogueiros e ativistas digitais, dentre eles os principais do país, além de convidados estrangeiros. 

A abertura será feita pela presidenta Dilma Rousseff e contará também com a presença de três ex-presidentes da República: Pepe Mujica, do Uruguai, Cristina Kirchner, da Argentina, e Luís Inácio Lula da Silva, do Brasil; além dos ministros da Comunicação Social, das Comunicações e da Cultura. [*]

O Encontro Nacional de Blogueiros aconteceu pela primeira vez em 2010, em São Paulo, como resposta à efervescente comunicação na internet, em contraponto ao pensamento único nos meios tradicionais. Repetiu-se em 2011, em Brasília, em 2012, em Salvador, e desde então tornou-se bienal – em 2014 foi realizado novamente em São Paulo. O número de participantes é cada vez maior, tendo chegado a 500 no 4º Encontro.

A escolha de Belo Horizonte para sede do 5º Encontro se deveu, além da sua localização central no país, à importância da capital na atual conjuntura política nacional. Os blogueiros entendem que Minas Gerais foi decisivo na eleição presidencial de 2014, disputada por dois candidatos belo-horizontinos. A decisão tomada pela Comissão Nacional de Blogueiros foi referendada com entusiasmo pelos militantes mineiros, que se comprometeram com a organização do encontro.

Apoios

Entre estes apoiadores estão centrais sindicais, como a CUT-MG; sindicatos, como SindUTE, Sindieletro, Sindifisco e dos Petroleiros; entidades estudantis e de jovens, como UNE, União Colegial, UJS, Levante Popular da Juventude; movimentos sociais, como Quem Luta Educa, Pastoral Fé e Política, Fora do Eixo, MST, e instituições de jornalismo e comunicação, como o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, Jornalistas Sem Fronteiras, Brasil de Fato e jornais laboratórios de cursos de jornalismo.

O jornalista Altamiro Borges, presidente do Núcleo de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, ficou animado com a reunião. “Tenho certeza de que vamos realizar um grande encontro”, disse. Miro, como é conhecido, ressaltou que um movimento como esse não existe em outros países. “Os estrangeiros ficam impressionados com o vigor dos blogueiros brasileiros”, comentou.

A reunião discutiu a infraestrutura necessária para a realização do encontro, especialmente local, alojamentos e alimentação dos participantes. O encontro reivindica o apoio dos governos federal, estadual e municipal para sua realização, conforme aconteceu nos encontros anteriores, considerando que representa um segmento e um interesse expressivos da sociedade brasileira hoje.

Democratização

O centro das discussões do 5º Encontro Nacional de Blogueiros será a luta pela democratização da comunicação e pela liberdade de expressão, bandeiras que unem os ativistas digitais de todo o país, das mais diversas ideologias e preferências políticas. Os riscos de retrocesso social e a cruzada de ódio em curso na sociedade brasileira estarão em pauta.

Além de palestras e debates, o encontro terá rodas de conversas para trocas de experiências entre blogueiros. Participarão blogueiros famosos, como Luiz Carlos Azenha, Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif, Rodrigo Viana, Paulo Moreira Leite, Cynara Menezes, Hildegard Angel e outros, além de convidados estrangeiros. No último dia será aprovada a Carta de Belo Horizonte e eleita a nova Comissão Nacional de Blogueiros.

* Da redação do blog: Os nomes citados na reportagem foram convidados para o evento, mas nem todos já confirmaram a sua participação.


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Cabo Verde: Jornalistas denunciam limitações legais à liberdade de imprensa

Distribuído pela Panapress, publicado anteriormente na África 21 Digital


A Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) pediu, ao presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, que solicite ao Tribunal Constitucional a fiscalização de uma norma do Código Eleitoral que leva a uma limitação séria da liberdade de Imprensa no arquipélago.

Praia - A Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) pediu, terça-feira, ao Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, que solicite ao Tribunal Constitucional a fiscalização de uma norma do Código Eleitoral que leva a uma limitação séria da liberdade de Imprensa no arquipélago.
À saída da audiência que uma delegação da AJOC teve com Jorge Carlos Fonseca, a presidente da AJOC explicou que a associação que representa a classe jornalística cabo-verdiana está preocupada com a aplicação dada ao artigo 105 do Código Eleitoral, nas alíneas c) e e).
"Entendemos que, nesse momento o que se desenha é essa nova limitação de liberdade de imprensa e da liberdade de expressão dos cabo-verdianos e a AJOC entende que isto é inconstitucional, tendo em conta o artigo 40 e 60 da Constituição da República", disse.
Por isso, prosseguiu, "porque temos essas dúvidas sobre essa inconstitucionalidade dessas normas, viemos pedir ao Presidente que solicite ao Tribunal Constitucional a fiscalização desta norma do Código Eleitoral".
Para Carla Lima, o facto de o referido artigo dizer que não se pode emitir opinião nem favorável nem desfavorável em relação ao candidato de partidos ou listas e nem em relação aos órgãos de soberania ou órgãos autárquicos, tem levado as televisões, as rádios e os jornais a suspenderem os espaços de opinião dos cidadãos e de especialistas, durante o período da campanha para a eleições legislativas de 20 de março próximo.
A presidente da AJOC diz ter verificado que, após as eleições de 2011, o número de queixas que entraram na Comissão Nacional de Eleições (CNE) contra os órgãos de comunicação social foi "imenso", tendo, na altura, o órgão que supervisiona os processos eleitorais  dado provimento a essas queixas com base no artigo 105 do Código Eleitoral.
Carla Lima disse ter  constatado que o Presidente da República também tem dúvidas sobre a constitucionalidade nessa matéria, tendo Jorge Carlos Fonseca informado à delegação da AJOC estar a analisar a questão e que muito provavelmente irá solicitar a fiscalização da mesma por parte do Tribunal Constitucional.
Entretanto, já depois do encontro com a AJOC, Jorge Carlos Fonseca comentou o tema no seu perfil de Facebook, revelando que o assunto tem merecido a sua "avaliação" e que na próxima semana tomará uma posição quanto ao eventual pedido de fiscalização sucessiva da constitucionalidade das normas em causa.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

UTPBA, sindicato de Jornalistas Argentino é alvo de atentado

Três veículos invadiram as instalações da sede campestre da UTPBA, nos arredores de Buenos Aires. Em 2011 a sede já tinha sido alvo de outro vandalismo.

Otra vez se produjo un hecho vandálico –minuciosamente planificado- no sólo contra las instalaciones recreativas que la UTPBA tiene en la localidad de Moreno, sino contra la propia organización.
Como mínimo tres vehículos de mediano y gran porte ingresaron al predio de Moreno y sus conductores y acompañantes, además de dañar todo lo que encontraron a su paso, robaron un tractor, puertas, ventanas, bancos de plaza, cerca de cincuenta mesas (para ocho personas cada una), rejas y varias parrillas.
Todo lo indicado había sido restituido recientemente en el marco de los trabajos realizados para la recuperación del lugar después de los robos e incendios provocados con regular frecuencia durante los años 2014 y 2015.
Local funciona como centro de recreação dos trabalhadores da imprensa
Repetimos lo que dijéramos en las anteriores ocasiones similares: sin lugar a dudas los hechos se corresponden con una desesperada política de oposición a la UTPBA motorizada por quienes sueñan con destruirla.
Desde el año 2010 a esta parte, por todas las vías posibles se ha intentado, y se intenta, acallarnos y derrotar a como de lugar una historia de dignidad avalada por miles de compañeras y compañeros del gremio.

Ni lo sueñen, nada ni nadie podrá derrotarnos.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Brasil: Audiência de jornais desaba no impresso e no digital

Publicado originalmente no Brasil 247


Os principais jornais brasileiros experimentaram quedas expressivas de circulação ao longo de 2015, segundo dados do IVC, o Instituto Verificador de Circulação.
O dado mais surpreendente é que a circulação caiu não apenas nas edições impressas, mas também nas digitais – o que revela que as publicações não estariam sabendo como se adaptar à era da internet.
Entre janeiro e dezembro, a Folha caiu 14,1% no impresso e 16,3% no digital, o que gerou uma queda média de 15,1%, superior à do Estado de S. Paulo (8,9%) e à do Globo (5,5%).
Na lista do IVC, que contempla ainda publicações como Correio Braziliense, Zero Hora, A Tarde, O Povo, Valor Econômico, Gazeta do Povo e Super Notícia, todos – sem exceção – caíram. Alguns cresceram no digital, mas partindo de bases pequenas.

Os dados revelam vários fatores. Os jornais, naturalmente, foram afetados pela crise econômica que ajudaram a amplificar. Mas hoje enfrentam uma concorrência crescente de veículos puramente digitais.
Além disso, o modelo de cobrança por conteúdo, dos chamados paywalls (muros de cobrança para quem assina determinada quantidade de artigos), tem tido pouca receptividade no Brasil.
Um outro fator, que pode vir a ser considerado na análise, é o grau de engajamento político dos jornais da imprensa familiar, que passaram a substituir o jornalismo pelo proselitismo político, afugentando uma parcela de seus leitores.


Confira, abaixo, a tabela do IVC:

Como a mídia é regulada na Suécia


Por Claudia Wallin, publicado originalmente em Cartas da Suécia


O Ombudsman sueco da Imprensa levanta uma sobrancelha, como se acabasse de ouvir um impropério ou um desvairado insulto pessoal. A pergunta é se o sistema de regulação da mídia na Suécia pode ser interpretado como algum tipo de censura ou cerceamento da liberdade de imprensa. ”Absolutamente não”, diz um quase raivoso Ola Sigvardsson. ”Trata-se,aqui, de proteger a ética”.
Em 1766, a Suécia aprovou a primeira lei de liberdade de imprensa do mundo. Um século e meio depois, os suecos chegaram à conclusão de que era inadiável criar um modelo que, se de um lado preservava a essencial liberdade de expressão, de outro continha os perigosos excessos da mídia. Em 1916, o país criou o mais antigo conselho supervisor de imprensa da história – um modelo pioneiro, que viria a inspirar a criação de organismos de auto-regulamentação da mídia em diversos países.
Tempos depois, os suecos deram mais um passo à frente: incorporaram representantes da sociedade e do Judiciário ao seu Conselho de Imprensa. Criaram também um Comitê de Radiodifusão para supervisionar o rádio e na TV, e também puseram lá cidadãos comuns – como professores, médicos, representantes de sindicatos. E a presidência dos dois organismos é sempre excercida por juízes da Suprema Corte, que se alternam, em regime de revezamento, à frente dos órgãos de supervisão.
O entendimento sueco é de que o direito de expressar uma opinião traz, em doses iguais, o dever da responsabilidade. ”A liberdade de expressão, quando exercida de forma abusiva, pode ofender, incitar à discriminação e à violência, ou ter consequências negativas para um indivíduo ou uma sociedade como um todo”, diz a literatura oficial sueca sobre o tema.
O modelo sueco é, por definição, um sistema de auto-regulação voluntária da mídia – mas que se equilibra sobre o alicerce de um sólido conjunto de normas de conduta, e leva em conta a voz do público. Não há uma legislação específica para regular a imprensa: o que rege o sistema é um robusto código de ética.
”A ética é sempre muito mais rigorosa do que as leis”, pondera Ola Sigvardsson, ex-jornalista que desde 2011 ocupa o cargo de Ombudsman da Imprensa na Suécia.
”Um jornal poderia, por exemplo, publicar os nomes de pessoas que cometeram suicídio, ou de indivíduos suspeitos de ter praticado um crime. Isso não seria uma violação à lei, mas seria antiético. A ética também manda que a imprensa seja particularmente cuidadosa com as vítimas de crimes, por elas já terem sofrido o suficiente”, observa Sigvardsson.
Os guardiões da ética na imprensa sueca são o Ombudsman da Imprensa e o Conselho de Imprensa (Pressens Opinionsnämnd). O Ombudsman, também uma invenção sueca (de ”ombud”, representante, e ”man”, povo”), é a face pública do sistema. Ele atua como o primeiro filtro das queixas relacionadas à mídia, e tem poderes para mediar correções e direitos de resposta nos jornais. Casos mais complexos são examinados pelo Conselho em seu conjunto.
O envolvimento no sistema do Conselho de Imprensa é voluntário – mas praticamente todos os jornais e sites noticiosos do país são sócios desse clube: aos olhos do seu exigente público, submeter-se voluntariamente a um real escrutínio representa uma espécie de selo de garantia de responsabilidade.
”Quando o jornal Expressen foi criticado certa vez, o editor estampou a seguinte manchete: ’O Expressen foi criticado pelo Conselho de Imprensa. Leiam sobre isso’. Porque a posição do editor é a de que ser reconhecido como um jornal responsável é o caminho do futuro, e uma maneira de se diferenciar do ”quase jornalismo” que em muitos casos se pratica na internet.
No passado, publicar uma crítica do Conselho era algo vexaminoso. Hoje, eu diria que essa cultura está sendo transformada: publicar uma crítica mostrando que seu jornal errou mostra ao seu público que você está empenhado em ser correto”, diz o Ombudsman da Imprensa, que é nomeado por um comitê especial composto pelo Ombudsman do Parlamento, o presidente da Associação Nacional de Magistrados da Suécia e o presidente do Clube Nacional de Imprensa.
O Conselho de Imprensa sueco é formado por 32 integrantes: além dos quatro juízes da Suprema Corte que se revezam na presidência, a composição do órgão é equilibrada entre 16 representantes das organizações de mídia e 12 membros do público em geral. Os representantes públicos – atualmente composto, entre outros, por médicos e professores – são nomeados pelo Ombudsman do Parlamento, e pelo presidente da Associação Nacional de Magistrados da Suécia.
”Não há qualquer interferência de políticos, do estado ou do governo. É um comitê independente, que realiza uma supervisão independente”, diz Fredrik Wersäll, o juiz da Suprema Corte que preside atualmente o Conselho.
”A Suécia tem uma forte tradição de liberdade de expressão, que é um elemento básico de uma sociedade liberal. Mas por outro lado, é preciso defender os valores éticos”, destaca Wersäll.

Conselho de Imprensa da Suécia
Com orçamento anual de 45 milhões de coroas suecas (cerca de 15,3 milhões de reais), o Conselho de Imprensa da Suécia é financiado majoritariamente pelasquatro principais organizações jornalísticas do país: a Associação de Editores de Jornais (75%), a Associação dos Editores de Revistas (5%), a União de Jornalistas (menos de 1%) e o Clube Nacional de Imprensa (menos de 1%) – organismos que são também responsáveis pela formulação do Código de Ética que rege o sistema.
Os cerca de 20% restantes do financiamento do Conselho vêm de uma peculiaridade do sistema sueco: as multas aplicadas a empresas jornalísticas que violam as normas da ética. O valor das multas varia de 13 mil coroas suecas (cerca de 4,4 mil reais), para jornais de menor porte, a 22 mil coroas (aproximadamente 7,4 mil reais) para jornais com tiragem superior a dez mil exemplares.
É um sistema que ainda se apóia consideravelmente na eficácia da ameaça da humilhação pública: jornais que atropelam o código de ética costumam publicar os veredictos do Conselho de Imprensa em notas da proporção de uma página quase inteira – mesmo não sendo obrigados a isso: ”Recomendamos que as críticas sejam publicadas com destaque, mas não há obrigatoriedade no cumprimento da norma”, diz Synnöve Magnusson, secretária-geral do Conselho.
Por que então quase sempre as críticas ocupam quase toda uma página? – pergunto.
”Penso que é porque os jornais têm grande respeito pelo sistema”, responde Synnöve. ”E o sistema funciona, porque os leitores suecos odeiam ver esse tipo de crítica no jornal que compram”.
No site oficial do Conselho de Imprensa, é possível acessar um extenso banco de dados com as reprimendas e punições aplicadas pelo órgão. Um dos casos mais recentes é o de um sueco que se prepara para cumprir pena em uma penitenciária, e que encaminhou a sua queixa ao Conselho: o jornal Aftonbladet havia incluído seu nome em uma lista decondenados pela Justiça procurados pela Interpol, em reportagem intitulada ”Caçados em todo o mundo”.
Só que o homem já havia se apresentado à Justiça, que o condenou a quatro anos de prisão por ter ludibriado os serviços sociais ao fingir estar preso a uma cadeira de rodas para receber benefícios do Estado. O Conselho demandou a correção.
A cada ano, o Conselho recebe em torno de 200 queixas formais, em sua maioria relacionadas à cobertura jornalística sobre suspeitos de crimes e a casos de invasão de privacidade. Este ano, das 136 reclamações recebidas, 72 resultaram em críticas ao órgão jornalístico em questão.
”O sistema é eficiente, e não penso que o código de ética deve ser transformado em lei. Porque uma legislação teria o potencial de reduzir a liberdade de expressão”, opina o Ombudsman da Imprensa.
A Suécia também não tem uma legislação específicapara regular a alta concentração da mídia no país: dois grupos, o sueco Bonniers e o norueguês Schibsted, controlam os jornais de maior circulação nacional e têm diferentes interesses no mercado de TV; a tradicional Bonniers controla ainda a maior editora do país.
”Somos um país pequeno, de pouco mais de 9 milhões de habitantes, e o mercado tende a ser mais concentrado. Temos por outro lado uma forte tradiçãode liberdade de opinião, e fortes valores éticos na mídia.Também há um grande espectro de empresas independentes de distribuição e produção de conteúdo.Mas há um consenso geral de que, a longo prazo, precisaremos ter um novo panorama de mídia no país”, diz Kristoffer Talltorp, o porta-voz do Ministério da Cultura.
Casos de fusão de empresas de mídia, porém, passam obrigatoriamente pelo crivo do Konkurrensverket, a autoridade sueca que regula a competição no país.
”Bloqueamos uma fusão de empresas de mídia recentemente, pois do contrário uma companhia de TV a cabo teria se tornado dominante demais”, conta Maria Ulvensjö, especialista em casos de merger do Konkurrensverket. ”Mas não é proibido na Suécia que uma empresa de mídia cresça e adquira predominância”, acrescenta ela.
Também não há nenhuma proibição formal, na Suécia, de que políticos sejam donos de jornais ou concessões de rádio e TV.
”Mas isso simplesmente não acontece aqui. Seria inaceitável”, afirma o porta-voz do Ministério.
Para o rádio e a TV sueca, o sistema de auto-regulação segue os moldes do modelo adotado na imprensa. Oguardião do sistema é a Comissão de Radiodifusão(Myndigheten för Radio och TV), subordinada ao Ministério da Cultura. São duas as funções do órgão: regulamentar a outorga de concessões, e supervisionar se as regras estabelecidas na Lei de Rádio e Televisão são cumpridas pelas emissoras.
A renovação de concessões de rádio e TV não é automática.
"As licenças são concedidas por um período máximo de seis anos”, diz Kerstin Morast, diretora do departamento responsável pela outorga de concessão de licenças. ”Todas as licenças de rádio e TV na Suécia expiram simultaneamente, e portanto a cada seis anos iniciamos um amplo processo de análise da renovação das licenças”.
Não há registro recente, no entanto, de casos de revogação de concessões.
”Não temos problemas sérios de violação das normas na Suécia”, diz Kerstin.
Algumas normas da Lei sueca de Rádio e TV, atualizada em 2010, são:
. O direito de realizar transmissões deve ser exercido, mais especificamente no caso das emissoras públicas,com imparcialidade e objetividade
. Empresas jornalísticas devem garantir que os serviços de jornalismo reflitam os conceitos fundamentais de uma sociedade democrática, o princípio de que todas as pessoas têm igual valor, e a liberdade e dignidade do indivíduo
. Programas para crianças menores de 12 anos de idade não devem ser interrompidos por comerciais
. Anúncios comerciais na TV não devem exceder o total de 12 minutos por hora
A lei sueca também proíbe a veiculação de comerciais destinados a crianças menores de 12 anos de idade.
Igualmente, a lei não permite que estrelas de programas infantis façam qualquer tipo de propaganda na TV.
”E antes das 9 da noite, as emissoras devem também evitar exibir filmes violentos ou que possam amedrontar as crianças. É recomendável ainda que a violência na TV sempre seja mantida em níveis aceitáveis”, diz o jurista Nils Sigfrid, jurista da Comissão de Radiodifusão.
A supervisão do cumprimento das normas é feita em caráter constante, na Comissão, pelo chamado Comitê Supervisor da Radiodifusão (Granskningsnämden för Radio och TV).
O órgão é composto por 11 integrantes, incluindo três juízes da Suprema Corte. Os demais oito membros são representantes públicos, nomeados pelo governo.
”Atualmente, os representantes do público são umprofessor de Mídia e Comunicação, três jornalistas, sendo que um deles é aposentado, um escritor e o diretor de uma companhia de ópera”, detalha Helena Söderman, chefe do departamento de supervisão da Comissão de Radiodifusão.
Não se trata, repete Söderman, de um trabalho de censor: ”Absolutamente nada a ver com censura”, diz ela. ”Temos uma legislação com normas de conduta, e regras especiais que os detentores de concessões devem seguir”.
Dos cerca de 1 300 casos julgados anualmente pelo Comitê, segundo Söderman, a maioria é relacionada à questão da imparcialidade e da exatidão das informações veiculadas.
A punição para o descumprimento das normas é a leitura das críticas do Comitê antes da transmissão do programa em questão – ou multa: casos de emissoras que violam por exemplo as regras sobre anúncios comerciais, ou sobre a proibição de exibir produtos em programas não comerciais, são levados pelo Comitê à Justiça. O valor da multa, nesses casos, pode chegar a5 milhões de coroas suecas (cerca de 1,7 milhão de reais).
Deve haver sensatez no modelo de regulação da mídia dos suecos e seus vizinhos escandinavos, que adotam sistemas semelhantes: Suécia, Finlândia, Noruega e Dinamarca aparecem consistentemente no alto dos rankings dos países com o maior índice de liberdade de imprensa do mundo.

TV brasileira lança websérie sobre o Irã

Jovens iranianas em Shiraz. Foto de Chico Sant'Anna
Publicado originalmente no Diário Liberdade

Aproveitando o fim das sanções econômicas e financeiras impostas pela União Europeia e pelos Estados Unidos contra o Irã, a TVT - TV dos Trabalhadores - decidiu lançar na rede uma websérie sobre o país persa.
A série aborda temas políticos, sociais e culturais.
A série tem como objetivo entender o país presidido por Hassan Rohani e comandado pelo líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.
O primeiro episódio da série já foi ar e está disponível no canal da TVT no YouTube. (para assisitir, basta clicar abaixo)




A TVT é o primeiro, e único, canal aberto de televisão no Brasil mantido diretamente por entidades de trabalhadores.