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domingo, 20 de março de 2022

Lançamentos: livros jornalísticos movimentam a leitura em Brasília

 

Por Chico Sant'Anna

Dois livros de autoria de jornalistas da Capital Federal movimentam a agenda literária nesse mês de março. Filho de pandemia - Os 110 dias do diário de um pai no momento mais desafiador para qualquer família, de Diego Amorim, chefe de redação do site O Antagonista. 

A segunda obra é Nas asas da mamata, é do quarteto Eduardo Militão, Eumano Silva, Lúcio Lambranho e Edson Sardinha. O livro traz um extenso levantamento de viagens parlamentares bancadas pelo contribuinte.

A “farra das passagens aéreas”, dizem os autores, foi o maior escândalo político desde a redemocratização. Com 560 parlamentares investigados, teve mais alvos do que a Operação Lava Jato e a CPI dos Anões. A diferença é que ninguém foi punido e só uns poucos devolveram o dinheiro. “O caso ficou no passado? Em parte, sim. Em parte, não. Isso porque episódios de uso indiscriminado de passagens aéreas por autoridades continuam acontecendo hoje. A diferença é que, desta vez, eles se aproveitam de outra brecha na transparência: os voos fretados de jatinhos no Congresso e os jatos exclusivos proporcionados pela Força Aérea Brasileira ao Poder Executivo.”

Os autores compilaram dados desde 2019, início do atual governo. Foram compiladas doze 12 situações em que voos da FAB ou os jatinhos do Congresso, nos quais há menos transparência sobre passageiros e gastos; serviram para fazer viagens de propósito no mínimo duvidoso. Estimativas e custos mínimos apontam para despesas de mais de R$ R$ 2 milhões.

“A falta de transparência que existia em 2009 permitiu o escândalo das passagens aéreas no Congresso e, de certa forma, no Executivo, no TCU e no Supremo também”, afirma Militão. Geralmente, eram voos comerciais, como das empresas Gol, Latam e Passaredo. “Agora, é a falta de transparência, de novo, que permite episódios no mínimo suspeitos em 2021, desta vez na Força Aérea Brasileira e ainda no Congresso Nacional”, completa Eumano.

Em 2009, depois do escândalo, o Congresso Nacional passou a publicar todos os voos dos parlamentares, com rota, nome dos passageiros, gastos feitos e proibição de que parentes participassem das viagens. A brecha ficou para os voos fretados. Neles, ninguém sabe se o parlamentar viajou sozinho ou acompanhado. Cid Gomes (PSB-CE) se negou a dar esses detalhes neste ano.

“Na Força Aérea Brasileira, acontece algo parecido. Ninguém sabe o nome de todos os passageiros. Os relatos de parentes e amigos viajando com autoridades são confirmados em redes sociais”, destacam Militão e Eumano. E, para piorar, existe o sigilo das despesas dos voos. “Um parlamentar que deseja viajar para o exterior pela Câmara, precisa justificar o motivo da viagem, fazer um relatório e ter todas as suas despesas com hospedagem, diárias e passagens publicadas”, afirmou Militão. “Mas, se ele for ao exterior com o apoio da FAB, nada disso é exigido. E a despesa vai ficar em sigilo”, completou Eumano.

Sobre os autores

Eduardo Militão, nascido em 1978, é jornalista em Brasília desde 2000. Repórter do UOL, trabalhou no Correio Braziliense, Congresso em Foco, Piauí, Isto é e The Intercept. Ganhou um prêmio Esso, dois Embratel e dois de associação de procuradores do Ministério Público.

Eumano Silva, nascido em 1964, é jornalista, formado em 1987 na UnB. Chefiou as sucursais de Época e Isto é em Brasília. Escreveu os livros Operação Araguaia (Prêmio Jabuti), A morte do diplomata e O levante dos ribeirinhos.

Lúcio Lambranho, nascido em 1973, foi repórter no Correio Braziliense, no Jornal do Brasil e no Congresso em Foco e editor no Metrópoles, em Brasília. Recebeu os prêmios Vladimir Herzog e Embratel de Jornalismo Investigativo.

Edson Sardinha, nascido em 1978, é diretor de redação do Congresso em Foco. Ganhou duas vezes o Prêmio Vladimir Herzog e uma vez o Embratel. Contribuiu para que o Congresso em Foco levasse o Prêmio Esso.

Serviço:

Informações de como obter o livro: Paulo Tadeu - editor@matrixeditora.com.br - Tel. (11) 99104-4471

 

Diário de pai para filho

Filho de Pandemia também traz um tema atual, trata dos dramas provocados pela Pandemia da Covid-19. Trata-se de um diário escrito de pai para filho, com relatos de cenas e sentimentos de uma família com o desafio extra de ter um recém-nascido em casa em plena pandemia. “Não é exagero dizer que se trata de um documento histórico sobre como as famílias encararam este momento tão desafiador para toda a humanidade.” – comenta Diego.

O próprio autor define assim a sua obra, convidando à leitura:

"Este diário é um presente para o meu filho. Mas é um presente para mim e para você também. Com relatos iniciados na Páscoa de 2021, em meio ao avanço da pandemia e diante da expectativa da vacinação, abro as portas da minha casa para você. Coloque a máscara, lave as mãos ou use o álcool em gel, mantenha certo distanciamento, mas pode entrar. A minha casa é também a sua. Os meus sentimentos são os seus. O meu cansaço é o seu. As minhas alegrias são as suas. Este diário une todo mundo que sabe que a vida vale a pena. Às vezes, é verdade, dói um bocado, os dias assustam, mas sempre, sempre vale a pena."

O prefácio é do ex-presidente do STF, Aires Brito. Eis um trecho:

"Diego Amorim se desnuda ou se dá por completo em seu tão inato quanto exemplar humanismo. Revela o quanto de 'Humano, demasiado humano' (para lembrar Nietzsche) é preciso botar para fora nesses dramáticos momentos em que o destino da humanidade inteira transita por um fio de navalha, permito-me dizer. (...) Extremamente preocupado com os malefícios da pandemia e sobre o que fazer para entendê-la tecnicamente e contribuir para o seu eficaz enfrentamento em perspectiva pessoal, familiar e coletiva, sobretudo.Com o que se dota de um tipo de coragem e de imaginação à moda Albert Einstein e Hannah Arendt, para quem 'É preciso fazer das dificuldades oportunidades'."

 

Serviço:

Informações de como obter o livro: Contato: (61) 98155 6857

sábado, 26 de fevereiro de 2022

UnB capacita Comunicadores Populares para prevenção de dengue, zika e chikungunya

O Distrito Federal é uma das quatro unidades federativas que tiveram as maiores taxas de incidência no Brasil. De acordo com dados da Secretaria de Saúde do DF, foram notificados 4.279 casos suspeitos de dengue até o dia 18 de fevereiro. Os dados apontam um acréscimo de 287,2% no número de casos prováveis de dengue em residentes da capital federal, se comparado ao mesmo período de 2021.






A Universidade de Brasília (UnB) vai capacitar lideranças e comunicadores comunitários no combate à dengue, zika e chikungunya. O curso, que será aberto nacionalmente, é gratuito, de extensão, totalmente a distância, com 180h/a de certificação pela UnB. As inscrições serão abertas a partir de 15 de março e entre os módulos do curso, preparados por profissionais de jornalismo, rádio e televisão, estão noções de texto e roteiro em mídia sonora; tipos de programas radiofônicos (musicais, esportivos, noticiosos, etc); os diferentes tipos de locução; estratégias de marketing e divulgação em redes sociais; operacionalização de equipamentos: mesas de áudio; o fluxo digital na comunicação comunitária; história e legislação de rádios comunitárias; edição de produtos sonoros; novas tendências em áudio: podcasts e produtos para Whatsapp e muito mais.

Além da pandemia de covid-19, a dengue, zika e chikungunya seguem sendo um problema de saúde nacional. Conforme dados do último Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância do Ministério da Saúde, até o dia 12 de fevereiro deste ano foram registrados 70.555 casos prováveis de dengue no Brasil, com um aumento de 43,5% em relação ao mesmo período em 2021. A Região Centro-Oeste apresentou a maior taxa de incidência de dengue, com 178,8 casos para cada 100 mil habitantes, seguida das Regiões Norte (64,1 casos/100 mil hab.), Sudeste (19,3 casos/100 mil hab.), Sul (13,6 casos/100 mil hab.) e Nordeste (12,4 casos/100 mil hab.). Sobre os dados de chikungunya, ocorreram 4.404 casos prováveis da doença. Com relação aos dados de zika, foram registrados 323 casos da infecção pelo vírus no país.

O Distrito Federal é uma das quatro unidades federativas que tiveram as maiores taxas de incidência no Brasil. De acordo com dados da Secretaria de Saúde do DF, foram notificados 4.279 casos suspeitos de dengue até o dia 18 de fevereiro. Os dados apontam um acréscimo de 287,2% no número de casos prováveis de dengue em residentes da capital federal, se comparado ao mesmo período de 2021.

De acordo com a coordenadora das ações de educação, informação e comunicação do Projeto ArboControl, professora Valéria Mendonça (UnB), diante do cenário epidemiológico apresentado no Brasil e no Distrito Federal, iniciativas como a do projeto são cada vez mais necessárias. Fruto de um convênio entre a Universidade de Brasília e o Ministério da Saúde, a iniciativa conta com quatro componentes e uma rede de pesquisadores nacionais e internacionais que atua em ações como formação e capacitação de profissionais de saúde; desenvolvimento de inseticidas; diagnóstico de sistemas de informação; desenvolvimento de aplicativos de vigilância; avaliação da efetividade de campanhas e ações de educação, informação e comunicação; dentre outras.

O ArboControl tem o objetivo de apresentar alternativas viáveis, eficazes em longo prazo e ambientalmente sustentáveis para o controle do Aedes aegypti. “Cada vez mais precisamos utilizar estratégias de educação, informação e comunicação a fim de nos prevenirmos de doenças e promovermos a saúde em nossas casas e comunidades. Para auxiliar nesse processo, precisamos ser protagonistas dessa mudança, que somente ocorrerá com a tradução do conhecimento a ser compartilhado entre academia, lideranças e mídias comunitárias, profissionais e gestores do Sistema Único de Saúde (SUS)”, destaca Valéria.

Para mais detalhes, visite o site do projeto 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

TV em (ou será a) cores faz 50 anos no Brasil

Em 1972, ocorria a primeira transmissão em cores na TV aberta brasileira, no evento histórico da Festa da Uva, em Caxias do Sul Por que vemos a imagem da TV colorida e quais tecnologias evoluíram com o tempo?


Por Larissa Leão


Habituados com uma tecnologia tão moderna e presente no nosso dia a dia, para os mais jovens chega a ser curioso imaginar que há apenas 50 anos ocorria a primeira transmissão em cores da TV aberta no Brasil. Foi uma jornada até esse dia, com estudos e testes, para que a TV analógica, antes preto e branco, ganhasse cores em 19 de fevereiro de 1972, conquistando seu marco na história da comunicação e da televisão brasileira. O evento da Festa da Uva, realizado em Caxias do Sul (RS), ficou popularmente conhecido como o início de uma nova era para a TV, com uma programação sendo transmitida em cores em circuito fechado. 

Segundo Elmo Francfort, diretor do Museu da TV, Rádio e Cinema, a Festa da Uva foi o pontapé inicial, mas apenas em 31 de março de 1972 aconteceu a estreia oficial da TV em cores no Brasil.

Mas, afinal, por que e como conseguimos enxergar as cores nos televisores?

O coordenador do Módulo Técnico do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (Fórum SBTVD), Luiz Fausto, explica que “o olho humano possui três tipos de receptores de cores diferentes que nos permitem distingui-las: um que absorve mais o vermelho, outro que absorve mais o verde e outro que absorve mais o azul. Assim, as telas coloridas combinam para cada ponto da imagem (chamado "pixel"), esses três componentes de cor (vermelho, verde e azul – ou RGB, do inglês red, green, blue)”. Além disso, Fausto ressalta que para que as telas possam exibir imagens coloridas, as câmeras também precisam ser capazes de separar esses três componentes de cor (RGB).

Evolução da tecnologia em cores

Ao longo do tempo, a tecnologia das telas e das câmeras evoluiu muito, permitindo uma maior precisão na representação das cores, como também, o uso de um espaço de cores maior.

O coordenador explica que na televisão colorida analógica (TV 1.5) o espaço de cores suportado compreendia cerca de 32% das cores visíveis. “Já na TV Digital, a resolução do vídeo melhorou muito (de 480 linhas para 1080 linhas). O espaço de cores também obteve uma melhora, compreendendo cerca de 35% das cores visíveis”, ressalta. Com o suporte opcional a HDR (High Dynamic Range) introduzido na TV 2.5, é possível um aumento do contraste suportado (de 1.000:1 para 200.000:1). Embora o espaço de cor ainda seja o mesmo, o volume de cores aumenta devido a uma faixa maior de ajuste de brilho.

A chegada da TV Digital no país apresentou novas possibilidades, com cores mais próximas da realidade, e, para quem se pergunta se terão novas tecnologias aprimorando o que conhecemos hoje, Luiz Fausto confirma que sim.

“A TV 3.0, além de suportar resoluções de vídeo maiores (incluindo 4K e 8K), vai suportar um espaço de cores ampliado (WCG, Wide Color Gamut), compreendendo cerca de 76% das cores visíveis. Combinando isso com HDR você terá um volume de cor tão grande como se a sua TV fosse uma janela para o mundo real (ou para o mundo das obras de ficção)”, explica.

Além disso, Fausto conta que aumentando o número de bits por componente de cor de 8 para 10, haverá ainda mais precisão na reprodução de cada tonalidade. Por fim, aumentando a taxa de quadros de 29,97 quadros por segundo para até 120 quadros por segundo (HFR – High Frame Rate), cenas com movimentos rápidos como esportes e filmes de ação vão ficar ainda mais nítidas.

Aos novos e mais velhos, definitivamente a maneira com que acompanhamos os conteúdos na televisão, promete ser ainda mais emocionante com as novas transformações.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Publicidade: Direitos e deveres das imobiliárias

A publicidade imobiliária é uma das estratégias para a venda de empreendimentos. Porém, o que pode acontecer é que as informações contidas nesse anúncio não estejam corretas ou não sejam claras o suficientes, causando impasses na venda. É comum que as imobiliárias queiram destacar as qualidades e vantagens de um empreendimento, mas, é de responsabilidade da empresa lidar com a veracidade das informações. Imobiliárias são responsáveis pelas informações divulgadas em publicidade de empreendimentos.

 

Por Verônica Pacheco

Uma imobiliária usa de muitas ferramentas para conseguir concluir a venda de imóveis, sendo uma delas, a publicidade. Responsável pela mediação entre o comprador e o vendedor de empreendimentos, o papel dos corretores e profissionais deste estabelecimento é fazer ajustes e acordos para que seja atendida a necessidade de ambas as partes que estão envolvidas no contrato.

Considerando o maior alcance de divulgação, fazer um anúncio do imóvel é uma prática comum e nele, é normal que sejam evidenciados os benefícios que aquela compra pode possibilitar ao comprador. Todavia, a imobiliária deve estar ciente de que, tudo o que ela propaga como verdade deve ser verídico.

Segundo a advogada especializada em direito tributário Dra. Sabrina Rui, “uma situação bastante corriqueira são as imobiliárias fazerem publicidades dos empreendimentos que estão comercializando com o objetivo de chamar a atenção de possíveis clientes. Todavia, estas devem ficar atentas que também são responsáveis pela propaganda que veiculam e pelos empreendimentos que comercializam”.

Em outras palavras, a imobiliária é responsável pelas promessas e afirmações feitas no momento da venda. “Um bom exemplo que se pode dizer dessa responsabilidade, é da importância de verificar se o empreendimento está regular junto aos órgãos municipais e estaduais, se a documentação está correta e apta a registro, pois, sendo detectada irregularidades, ela poderá responder pelos danos causados”, exemplifica a advogada. 

Assim, para que um empreendimento seja anunciado, a imobiliária deve ter todas as informações possíveis sobre aquela construção e repassá-las ao comprador de forma clara e objetiva. “Os intermediadores das vendas devem sempre pautar-se pela informação completa do empreendimento comercializado e, repassar de forma direta todas condições que permeiam aquela negociação”, afirma a Dra. Sabrina Rui.

Em um exemplo recente, uma imobiliária foi condenada a indenizar os compradores que negociaram lotes de um condomínio. Os compradores que adquiriram os lotes no condomínio acreditaram que o loteamento estaria em situação regular, pois era a informação dada pela imobiliária. Entretanto, após a compra descobriram que não seria possível o registro da propriedade, pois o loteamento não havia sido aprovado pela prefeitura, não sendo possível fazer o registro em cartório.

Portanto, a responsabilidade da publicidade e da veracidade das informações recai especialmente à imobiliária, que é quem passa as informações ao possível comprador. Em relação ao cliente, é prudente que se faça uma pesquisa sobre o empreendimento. Segundo a especialista, “para evitar cair em golpes como esse, é importante ficar de olho nas informações que são comuns sobre determinado empreendimento, e consultar especialista no assunto aumenta a segurança da compra”.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

TV paga: base de assinantes no Brasil fica 13% menor em 2021


Esta queda é bastante superior à erosão de base de 2020, quando o mercado encolheu 830 mil clientes, e maior do que a queda de base em 2019, quando a queda foi de cerca de 1,8 milhão de assinantes.

Por Samuel Possebon, publicado originalmente em TelaViva

Considerando-se os números reais de acessos divulgados pela Anatel referentes a dezembro, é possível dizer que o mercado de TV paga teve uma queda de cerca de 1,9 milhão de usuários, ou 12,7%, em relação ao número de acessos em dezembro de 2021. Os números não são absolutamente precisos porque no meio de 2021 a agência promoveu uma mudança metodológica na contagem dos acessos, criando um segundo número que em um primeiro momento chegou a representar quase 3 milhões de acessos a mais, e hoje significa cerca de 2,6 milhões de usuários al[em do número regular. O que aconteceu é que a agência passou a contar como clientes de TV paga os usuários dos serviços "livres", que consistem em kits de recepção de TV paga habilitados para receber apenas os canais abertos e obrigatórios, sem nenhum tipo de mensalidade.

Em dezembro de 2021 a agência registrou uma base de 16,04 milhões de usuários de TV paga, dos quais pouco mais de 3 milhões foram adicionados até agosto nessa mudança metodológica, e desde então houve uma perda de cerca de 977 mil clientes. Antes da alteração na forma de contar os números, ocorrida em julho de 2021, o dado da Anatel indicavam 13,9 milhões de assinantes. No final de 2020 eram, 14,83 milhões de acessos. Foram, então, cerca de 900 mil assinantes perdidos entre dezembro de 2020 e julho de 2021, e depois mais 977 mil entre agosto de 2021 e dezembro do ano passado, perfazendo a perda estimada de 1,87 milhão, entre assinantes pagantes e usuários do serviço livre.

Esta queda é bastante superior à erosão de base de 2020, quando o mercado encolheu 830 mil clientes, e maior do que a queda de base em 2019, quando a queda foi de cerca de 1,8 milhão de assinantes. Percentualmente, o tombo de 2021 foi também maior que o de 2019, indicando que já podem ter sido totalmente revertidos eventuais efeitos positivos registrados no período inicial da pandemia, quando as  desconexões se atenuaram. Mas a intensificação das quedas de base decorre justamente de uma aceleração, por parte das operadoras, das desconexões dos planos livre, agora computados pela Anatel, justamente para uniformizar os registros de base e evitar distorções.

Os números da agência também mostram que no mês de dezembro de 2021 a queda foi de quase 410 mil clientes, a maior retração já registrada em um único mês. 

A análise individual de cada operadora mostra dados interessantes. A Claro, maior operadora, teria perdido cerca de 834 mil assinantes de TV paga em 2021, considerando pagantes e os clientes "livres". A Sky, seguindo o mermo critério, perdeu 855 mil; a Oi perdeu outros 176 mil; e a Vivo teve um saldo negativo de 133 mil no ano. O dashboard da Anatel com os dados completos está disponível aqui.

 


terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Livro: Atentado ao presidente Prudente de Morais é o foco do jornalista Jorge Oliveira

Para contar essa história, Jorge Oliveira vasculhou os alfarrábios da República, investigou e resgatou documentos durante cinco anos e concluiu que o complô para matar o Prudente de Morais começou em Alagoas, quando Marcellino foi recrutado pelo Exército e transferido para o Rio de Janeiro com a missão de eliminar o presidente. 


Em tempos eleitorais no Brasil e diante da iniciativa de se reabrir a investigação sobre o atentado ao presidente Jair Bolsonaro, um outro atentado presidencial ganha as páginas da literatura. No seu oitavo livro, o jornalista e cineasta Jorge Oliveira brinda os seus leitores agora com uma história esquecida nas gavetas empoeiradas dos museus brasileiros.

Com o seu novo livro Conspiração, o autor resgata uma história que que esteve sepultada há quase dois séculos: o atentado contra Prudente de Morais, o primeiro presidente civil da República, perpetrado pelo soldado Marcellino Bispo de Mello, e planejado pelos militares jacobinos do Exército, aliados do marechal Floriano Peixoto, alagoano, segundo presidente da República. 

Ao investir contra Prudente de Morais, que se defendia dos golpes com a cartola, a arma do recruta falhou e, com um punhal, ele matou o ministro da Guerra da Guerra, Carlos Machado de Bittencourt, e feriu Luiz Mendes de Moraes, chefe da Casa Militar, e Cunha Moraes, ajudante de ordens do presidente, numa das cenas sangrentas jamais vistas no Centro da cidade do Rio de Janeiro.

Para contar essa história, Jorge Oliveira vasculhou os alfarrábios da República, investigou e resgatou documentos durante cinco anos e concluiu que o complô para matar o Prudente de Morais começou em Alagoas, quando Marcellino foi recrutado pelo Exército e transferido para o Rio de Janeiro com a missão de eliminar o presidente. 

Três meses depois, os próprios militares encarregaram-se da queima de arquivo: Marcellino apareceu enforcado dentro do Arsenal de Guerra com um lençol, morte semelhante a do jornalista Vladimir Herzog durante a ditadura militar em 1975. Nas investigações que fez, o autor desmascara a versão de suicídio e prova, com documentos, que Marcellino foi eliminado dentro da cela quando estava imobilizado com algemas nas pernas.

Para tornar a história mais palatável, o autor se transporta para o final do século XIX, época do atentado, para trabalhar como repórter da Gazeta de Notícia. No jornal, ao lado de Machado de Assis e Olavo Bilac, Jorge Oliveira narra a história como a vivesse a no dia-a-dia do movimento tenso da redação de um dos jornais do mais antigos do país, que sobreviveu até o final século XX.

Conspiração é leitura indispensável para quem quer conhecer a maior conspiração do Brasil feita por militares e políticos para derrubar um presidente da república à bala na Praça XV, no Rio de Janeiro, e substitui-lo pelo vice, o baiano Manuel Victorino Pereira, florianista, simpático aos militares, também envolvido no complô. O atentado ocorreu durante uma solenidade festiva no Centro do Rio em homenagem aos soldados que regressavam da Bahia vitoriosos com a morte do beato Antônio Conselheiro.

Apresentação

Coube ao professor de História da UFAL e vice-reitor do Centro Universitário – Cesmac  apresentar Conspiração. 

Confira abaixo o que disse o historiador 

Já disse e redisse que gosto muito dos expoentes surrealistas como André Breton, Magritte e Salvador Dali que cunharam a frase “o belo e a surpresa” ou “a surpresa é o belo”. Jorge Oliveira, em mais uma obra, nos faz pensar na expressão dos vanguardistas da arte moderna.

Pensar que ele estava satisfeito, após tantas obras de sucesso, tantas vitórias, prêmios, com temas interessantes que conquistaram o público. Ledo engano! Lá vem esse cabra da peste ousado a nos brindar com outra produção. A nos contar uma história apaixonante, onde hipótese e realidade se cruzam num trabalho que leva o leitor a se interessar pela narrativa do princípio ao fim.

Para mim a História é uma realidade viva, com personagens humanos complexos, que falam, sentem e agem como se estivessem juntos a nós. E novamente aparece Jorge Oliveira  a desmentir os teóricos da História engessada, como uma lápide de cemitério gravada anos depois. Estática. Parada. A História é também um teatro de dúvidas, mistérios a espera de esclarecimentos, cheia de interrogações que perduram as vezes por anos e séculos.

Como podem os historiadores medianos, no rol dos quais me incluo, competir com um jornalista que faz história com inovação e extraordinária competência em suas produções? Desta feita ele vai buscar nos turbulentos momentos da república nascente brasileira, um episódio que nada fica a dever de situações contemporâneas da chamada teoria da conspiração. Um episódio tenebroso, uma tentativa de assassinar o Presidente da República onde morreu ao tentar salvá-lo, o seu Ministro da Guerra, nas comemorações da horripilante Campanha de Canudos, realizada na Praça XV, no Rio de Janeiro.

Prudente de Morais foi o primeiro presidente civil, após os seus antecessores, Deodoro e Floriano, ambos militares, marechais e nascidos aqui no País das Alagoas. Uma era tempestuosa, de sucessivas crises políticas, institucionais, guerra civil, onde o novo regime ainda não tinha se firmado. Grupos políticos disputavam o poder junto com os militares. Um soldado alagoano de nome Marcellino Bispo de Mello, participava do desfile, foi o autor do atentado frustrado. Imediatamente preso e posto a ferros numa prisão militar da capital da República. O Arsenal de Guerra. E, da mesma forma que no século XX tivemos ocorrências semelhantes, casos Delmiro, Gregório, e mais recentemente Herzog e Manuel Fiel  que guardam semelhanças, mas tem um viés diferente. Essas mortes dentro das prisões apagam vestígios dos mandantes e das verdadeiras razões das conspiratas. E cômodo os verdadeiros responsáveis dormirão tranquilos o sono da impunidade.

Mestre José Honório Rodrigues dizia que a trajetória da História exige sempre revisão dos acontecimentos quando deixam margens a dúvidas. A obra de Jorge Oliveira preenche uma lacuna e ganha o vigor da veemência conhecida do autor. Gostei também de seus comparativos com outros acontecimentos semelhantes. Ele certamente fará do livro mais um roteiro para suas apreciadas produções cinematográficas. Jorge Oliveira presta também um serviço a História com seu faro de investigação e atende aos desafios árduos e sempre fragmentário trabalho dos historiadores.

O autor

Jorge Oliveira, é jornalista e cineasta, trabalhou em grandes redações de jornais no país depois que deixou Alagoas, em 1969. Vencedor de dois prêmios Esso de Jornalismo, além de outros prêmios. Hoje, dedica-se também  à produção de documentários e ao marketing político. Seu filme Perdão, Mister Fielganhou 14 prêmios em festivais no Brasil e no exterior. Em 2013, foi homenageado no Brazilian Endowment for the arts em Nova York com a exibição dos seus documentários.

Onde encontrar o livro:

Conspiração está sendo vendido na Amazon.com.br, Submarino, Lojas Americanas, Nova Livraria, na Rua Iris Alagoense, 438, Farol, tel: (Zap) 99973.3879, em Maceió, e com Sebastião Medeiros, na Livraria digital Quilombada, tel: (Zap) 98155.9787.