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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Pequena empresa jornalística fora do foco dos prêmios do Sebrae

Instituição focada no pequeno empreendedor lança prêmio jornalístico sem categoria específica para a mídia alternativa. Rádios e TVs comunitárias, jornais de bairros, sites e blogs são obrigados a concorrer, de igual para igual, com os jornalões, as redes nacionais de TV e Rádio e poderosos sites informativos empresariais.


Por Chico Sant’Anna[i]. Publicado simultaneamente no Observatório da Imprensa 


O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) é uma instituição de 54 anos de existência. Criada em 1972, como um Centro vinculado ao então Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) - ainda não tinha o S de social – a instituição nasceu para fomentar e assessorar os pequenos e médios empresários. Com o propósito de atender 35 milhões de iniciativas de menor porte em todo o país, o Sebrae afirma ter por missão, segundo seu portal institucional, a promoção da competitividade e o desenvolvimento sustentável de micro e pequenas empresas, estimulando o empreendedorismo. Trata-se de uma instituição cuja marca é bem captada e avaliada pela opinião pública. Ao longo da história, o Sebrae sempre soube construir um conceito sobre a importância de se promover os pequenos negócios, se valendo fortemente dos veículos de comunicação, em especial da grande imprensa. No jargão jornalístico, sempre soube plantar a pauta.

A presença midiática do Sebrae foi potencializada, a partir de 2001, com a criação da Agência Sebrae de Notícias (ASN), concebida pelos jornalistas Ari Cipola e Abnor Gondim. Egressos da Folha de S. Paulo, os dois profissionais tinham a missão de materializar o slogan “Os pequenos negócios em pauta”.

Este ano, pela 13ª consecutiva, é promovido o Prêmio Sebrae de Jornalismo. A iniciativa, que em 2026 chega à 13ª edição, “está posicionada como uma vitrine fundamental para produções jornalísticas que dão visibilidade aos pequenos negócios em todo o Brasil” – comenta release do Sebrae.

Em todo o país, alcançou 3.759 inscrições. A participação dos profissionais abrange as categorias de Texto, Áudio, Vídeo e Fotojornalismo, não há diferenciação por tamanho do meio informativo. Apenas para o Jornalismo Universitário existe uma categoria diferenciada. Paradoxalmente, o certame jornalístico do Sebrae, que tem por objetivo promover os nano, micro e pequenos negócios, não possui nenhuma categoria voltada à imprensa alternativa. Será que não existe interesse em promover a “competitividade e o desenvolvimento sustentável de micro e pequenas empresas” jornalísticas e midiáticas, de “estimular o empreendedorismo” delas?

Em um cenário em que a chamada grande mídia impressa vem reduzindo sucessivamente a tiragem de seus títulos; que grandes veículos como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Editora Abril, Revista Isto É, dentre outros, desapareceram ou foram reduzidos apenas a versões digitais; que emissoras tradicionais de rádios, como a Eldorado, já não operam mais ou não produzem jornalismo; estimular o nascedouro de uma nova imprensa, ou consolidar e fazer crescer os pequenos veículos, seria um bom propósito para o Sebrae, por meio do seu Prêmio de Jornalismo.

Mas a foto é outra. Rádios e TVs comunitárias, jornais de bairro, sites, blogs, todos estes tipos de meios de comunicação alternativos se desejarem concorrer no prêmio Sebrae, terão que fazê-lo de igual para igual com a chamada mainstream media, ou seja, os grandes jornalões, as redes nacionais de rádio e televisão, os grandes portais. Não é necessário gastar argumentos para demonstrar que é uma concorrência desleal. Haja visto os recursos tecnológicos e humanos que cada tipo de mídia dispõe.

O paradoxal aqui é termos uma instituição, que tem por meta fortalecer os nanos, micro e pequenos empreendimentos, ignorar a pequena imprensa existente neste país. Só o universo de rádios comunitárias legalizadas pelo Ministério das Comunicações ultrapassa a casa de quatro mil. O que leva o Sebrae a desconsiderar a existência desta imprensa alternativa? O que ela noticia não teria peso ou valor cognitivo suficiente para os anseios do Prêmio Sebrae? A penetração de seus conteúdos não chega ao público alvo pretendido pelo Sebrae?

Organizações internacionais possuem uma abordagem diferenciada e inteligente junto à mídia alternativa. São cientes de que em determinadas localidades, em determinados públicos, o que chega aos cidadãos são os informes do que o norte-americano Dan Gillmor cunhou de grassroots media[ii]. Se valendo do conceito, que em português se refere às origens de algum fenômeno, poderíamos traduzir por um jornalismo raiz, Gillmor faz referência a um “jornalismo cidadão:” O autor inglês Cris Atton[iii] (2002: 143), divide os veículos alternativos em dois grupos: a advocacy media, que atua em defesa de causas sociais, e os grassroots media, que provocariam uma revolução maior no que tange a introdução de novos valores de noticiabilidade, “news values”.

Instituições internacionais, como a Unicef, a Unaids e a Organização Mundial de Saúde, atuam permanentemente junto a essas emissoras, buscando parceria, fomentando-as, por meio do fornecimento de conteúdo, treinamentos. Em alguns casos especiais, estas instituições repassam apoio material para a compra de equipamentos e manutenção de gráficas, emissoras, equipamentos de informática. Estão cientes de que a imprensa alternativa é um importante instrumento de transmissão de uma contrainformação ou de uma contracultura na busca de mudanças de valores sociais.

Como já tivemos a oportunidade de afirmar, a imprensa alternativa, sob as diversas rotulações que comporta – o public journalism, contra-imprensa, imprensa nanica, radical, anarquista, associativa, comunitária, operária, etc. – bem como sob diversos propósitos editoriais, enquanto elemento de accountability, transparência, advocacy, lobbying, relações públicas, assessoria de imprensa, construção da cidadania, dentre outras (Sant’Anna, 2009: 66)[iv] -, é um fato concreto na esfera pública midiatizada, ou seja, no espaço social e virtual onde os debates políticos, culturais e sociais ocorrem por meio dos meios de comunicação. Não há como negar sua existência. Há três anos temos provocado dirigentes do Sebrae sobre a não previsão de categoria especifica para pequenos veículos em seus prêmios jornalísticos. Nunca obtivemos uma resposta.

É notório que a promoção de concursos jornalísticos representa a adoção de uma estratégia para sensibilizar profissionais de imprensa, em especial os gatekepers – aqueles que definem as pautas e-ou o aproveitamento editorial nos veículos - para que foquem em determinado assunto -, bem como interferir nos critérios de definição da agenda midiática. Na década de 1990, a Unicef foi bastante feliz em promover por anos seguidos prêmios focados na proteção da infância. Coincidência ou consequência, o tema da infância é hoje uma constante no noticiário nacional. A Aids também foi alvo durante muitos anos de concursos jornalísticos semelhantes, em especial, voltados para fomentar o combate à discriminação.

A realização de prêmios jornalísticos, se de um lado ajuda a promover a instituição ou determinado tema, de outro aporta credibilidade e reconhecimento externo. Aos inscrever-se em um concurso voltado à imprensa, o profissional ou o veículo procura obter a chancela corporativa e dos demais atores sociais quanto à qualidade de seu noticiário. A conquista de prêmios aporta credibilidade ao produto informativo, credencia o veículo na esfera pública. E para o jornalista contribui para o reconhecimento profissional. (SANT’ANNA: 269). É tudo que um veículo de pequeno porte necessita para crescer. Este credenciamento ajuda a abrir portas junto às fontes, junto aos gestores de verbas publicitárias, ou seja ajuda a crescer e consolidar-se como empresa ou instituição jornalística.

Voltamos, então à pergunta: por que o Sebrae não foca seus prêmios nesse perfil de veículo de comunicação? Inclusive como instrumento de fomento e fortalecimento deste segmento empresarial. Será uma preferência em conceder premiações a profissionais que já conquistaram o estrelato da carreira? Será que a ele só interessa o que é publicado nos jornalões e grandes redes de TV, rádio e portais de internet? O micro e pequeno comunicador não lhe interessa?

Para a próxima edição do Prêmio Sebrae, a sugestão é que a instituição crie categorias específicas para nanos, micro e pequenos comunicadores, de acordo com a faixa de faturamento, e para mídias alternativas, como rádios, TVs e rádios comunitárias e de favelas. Desde já, se faz necessário um levantamento que identifique quantas empresas existem neste universo, classificando-as por níveis de faturamento anual, audiência, território geográfico de penetração. 

__________________

[i] Jornalista Profissional, pesquisador acadêmico, Mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília e Doutor em Ciência da Informação e Comunicação, pela Universidade de Rennes 1 – França.

[ii] GILLMOR, D. (2006). We the Media: Grassroots Journalism by the People, Sebastopol, EUA, O'Reilly Media.

[iii] ATTON, C. (2002). Alternative media, London, Sage

[iv] SANT’ANNA, F (2009) Mídia das Fontes: um novo ator no cenário jornalístico brasileiro - Um Olhar Sobre A Ação Midiática Do Senado Federal. Brasília, Edições Técnicas do Senado.

sábado, 26 de fevereiro de 2022

UnB capacita Comunicadores Populares para prevenção de dengue, zika e chikungunya

O Distrito Federal é uma das quatro unidades federativas que tiveram as maiores taxas de incidência no Brasil. De acordo com dados da Secretaria de Saúde do DF, foram notificados 4.279 casos suspeitos de dengue até o dia 18 de fevereiro. Os dados apontam um acréscimo de 287,2% no número de casos prováveis de dengue em residentes da capital federal, se comparado ao mesmo período de 2021.






A Universidade de Brasília (UnB) vai capacitar lideranças e comunicadores comunitários no combate à dengue, zika e chikungunya. O curso, que será aberto nacionalmente, é gratuito, de extensão, totalmente a distância, com 180h/a de certificação pela UnB. As inscrições serão abertas a partir de 15 de março e entre os módulos do curso, preparados por profissionais de jornalismo, rádio e televisão, estão noções de texto e roteiro em mídia sonora; tipos de programas radiofônicos (musicais, esportivos, noticiosos, etc); os diferentes tipos de locução; estratégias de marketing e divulgação em redes sociais; operacionalização de equipamentos: mesas de áudio; o fluxo digital na comunicação comunitária; história e legislação de rádios comunitárias; edição de produtos sonoros; novas tendências em áudio: podcasts e produtos para Whatsapp e muito mais.

Além da pandemia de covid-19, a dengue, zika e chikungunya seguem sendo um problema de saúde nacional. Conforme dados do último Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância do Ministério da Saúde, até o dia 12 de fevereiro deste ano foram registrados 70.555 casos prováveis de dengue no Brasil, com um aumento de 43,5% em relação ao mesmo período em 2021. A Região Centro-Oeste apresentou a maior taxa de incidência de dengue, com 178,8 casos para cada 100 mil habitantes, seguida das Regiões Norte (64,1 casos/100 mil hab.), Sudeste (19,3 casos/100 mil hab.), Sul (13,6 casos/100 mil hab.) e Nordeste (12,4 casos/100 mil hab.). Sobre os dados de chikungunya, ocorreram 4.404 casos prováveis da doença. Com relação aos dados de zika, foram registrados 323 casos da infecção pelo vírus no país.

O Distrito Federal é uma das quatro unidades federativas que tiveram as maiores taxas de incidência no Brasil. De acordo com dados da Secretaria de Saúde do DF, foram notificados 4.279 casos suspeitos de dengue até o dia 18 de fevereiro. Os dados apontam um acréscimo de 287,2% no número de casos prováveis de dengue em residentes da capital federal, se comparado ao mesmo período de 2021.

De acordo com a coordenadora das ações de educação, informação e comunicação do Projeto ArboControl, professora Valéria Mendonça (UnB), diante do cenário epidemiológico apresentado no Brasil e no Distrito Federal, iniciativas como a do projeto são cada vez mais necessárias. Fruto de um convênio entre a Universidade de Brasília e o Ministério da Saúde, a iniciativa conta com quatro componentes e uma rede de pesquisadores nacionais e internacionais que atua em ações como formação e capacitação de profissionais de saúde; desenvolvimento de inseticidas; diagnóstico de sistemas de informação; desenvolvimento de aplicativos de vigilância; avaliação da efetividade de campanhas e ações de educação, informação e comunicação; dentre outras.

O ArboControl tem o objetivo de apresentar alternativas viáveis, eficazes em longo prazo e ambientalmente sustentáveis para o controle do Aedes aegypti. “Cada vez mais precisamos utilizar estratégias de educação, informação e comunicação a fim de nos prevenirmos de doenças e promovermos a saúde em nossas casas e comunidades. Para auxiliar nesse processo, precisamos ser protagonistas dessa mudança, que somente ocorrerá com a tradução do conhecimento a ser compartilhado entre academia, lideranças e mídias comunitárias, profissionais e gestores do Sistema Único de Saúde (SUS)”, destaca Valéria.

Para mais detalhes, visite o site do projeto 

terça-feira, 5 de julho de 2016

CUT difundirá programa nacional de rádio

Por Isaías Dalle, publicado anteriormente no portal da CUT

A Central Única dos Trabalhadores - CUT anuncia que fará parte de um programa diário nacional de rádio, matutino, que será retransmitido pelas rádios comunitárias e redes educativas de estados em que a orientação política está afinada com os ideais progressistas e, evidentemente, pelas mídias livres que quiserem aderir.
O programa entrará no ar ainda em julho, segundo anunciado na manhã desta quinta-feira, durante os debates do 9º ENACOM (Encontro Nacional de Comunicação da CUT). O esforço reúne sindicatos e parceiros, dentro do contexto de unificação dos movimentos sociais que se intensificou a partir de 13 de maio de 2015, quando foi realizada a primeira grande passeata contra o golpe que se prenunciava.
“Será uma espécie de barricada nossa. A ideia é que esse programa entre no ar o mais rapidamente possível. Quem sabe cheguemos a uma rede de TV”, disse o ex-ministro Gilberto Carvalho, que atuou nos governos Lula e no primeiro mandato de Dilma, um dos convidados do debate desta quinta.
“Isso terá um custo. Vocês serão chamados para participar”, disse o presidente da CUT, Vagner Freitas, dirigindo-se à platéia de assessores de comunicação e de secretários e secretárias de comunicação das CUTs estaduais. “Vamos precisar de nossos profissionais, de nossos jornalistas, dos sindicatos”, desafiou.
Pauta: derrotar o golpe
Em seguida, garantiu apoio da Central. “A CUT já é uma potência em comunicação. Rádios, TVs de verdade em várias regiões. Esse projeto de rádio anunciado é fantástico. Digo a todos que colocamos como prioritário os recursos da CUT para comunicação”.
Vagner demonstrou disposição para a luta contra o golpe, tarefa na qual a comunicação é e continuará sendo essencial, na opinião dele. “A batalha não está perdida. Nós temos de retirar o Temer. Dar continuidade ao que fizemos certo e corrigir nossos equívocos. Quero deixar claro que o centro de nossa política é retirar o Temer, barrar o golpe e apoiar eleições gerais e reforma política”, afirmou.Desta vez, vai, garante a CUT. Desafio é distribuir pelo Brasil
O presidente da CUT também aproveitou para lembrar o esforço para se construir o que existe como estrutura de comunicação da Central: "Nós temos a TVT, por exemplo, e muitos elogiam e dizem que é preciso ampliar, melhorar. Pô, dá uma forcinha aí. Apenas poucos sindicatos contribuem financeiramente"
As falas de Israel do Vale, presidente da Rede Minas e diretor executivo do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação), e de Rita Freire, presidenta do Conselho da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), convergiram em mostrar a estrutura pública que já existe, e que pode, consequentemente, auxiliar nessa tarefa de fazer chegar as informações contra-hegemônicas para a maioria da população.
Ambos reconheceram que os governos Dilma e Lula poderiam ter sido mais ousados no enfrentamento à mídia tradicional. Mas deram maior tempo a expor o que se conquistou. A EBC, duramente atacada pelo governo golpista, na opinião deles, é um embrião importante de uma comunicação pública. E que menosprezar a qualidade ou o alcance da emissora é um equívoco.
“Titubiantemente, mas tentando avançar no acesso à banda larga e na criação da EBC. São avanços inegáveis, o que explica os ataques à EBC, algo que pode se tornar um dia um instrumento que dê voz ao cidadão”, comentou Israel.
Valorizar a defender a EBC
“A TV nasce como pública na maioria das democracias consolidadas. A BBC por três décadas foi a única TV na Inglaterra. E isso interfere muito na percepção do espectador. Quem sempre financiou a BBC foi o cidadão, não com verba de governo. Portanto, a comparação desqualificadora com a EBC é mais que um jogo de letrinhas”, completou.
“A criação da EBC foi um dos grandes feitos dos governos do PT, mas depois foi deixado um pouco ao léu. Mas é injusto chamá-la de TV Traço. A EBC tem oito rádios, TV Brasil, uma agência que abastece a mídia inteira, tanto a privada quanto a livre. E mais uma agência de rádio que abastece rádios comunitárias”, destacou Rita Freire.
Israel destacou outra oportunidade que a esquerda deve aproveitar, que são as tevês da cidadania, cuja regulamentação da TV digital permite que possam ser criadas por prefeituras, com conteúdo educacional, cultural e jornalístico.
Por fim, o ex-ministro Gilberto Carvalho definiu: “Gente, esse projeto de comunicação é uma tarefa que precisa da CUT. São vocês que vão dar movimento a isso”.
Roni Barbosa, secretário nacional de Comunicação da Central, confirma: “Vamos colocar a rede CUT a serviço da distribuição do conteúdo que será produzido por este programa hoje anunciado. A distribuição é um grande desafio”.

sábado, 25 de junho de 2016

O “boom” das rádios comunitárias no Maranhão

Publicado originalmente em Jornal Pequeno
No Maranhão existem atualmente 158 rádios comunitárias autorizadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). De forma geral, essas rádios atuam em municípios que não possuem cursos superiores ou técnicos em Radialismo e mesmo aquelas que se localizam em São Luís geralmente estão instaladas em bairros da periferia, cujo número de profissionais da Comunicação é baixo.
As rádios comunitárias são um dos três tipos de rádios cuja atuação é permitida m território nacional. Elas consistem espaços democráticos de comunicação para pequenas comunidades, levando a elas informação, cultura, lazer e entretenimento. No Brasil, hoje as rádios comunitárias já respondem por cerca de 45% do total de rádios do país.
Como parte das ações de extensão da Faculdade Estácio de São Luís, a instituição desenvolve o Projeto de Extensão Capacitação para Radialistas Comunitários, que tem como público-alvo quem atua nas áreas de produção, locução e apresentação de programas. O curso envolve 10 rádios comunitárias do estado e os participantes foram indicados por intermédio da Associação Brasileira das Rádios Comunitárias (Abraço-MA). O projeto é gratuito e tem duração de quatro meses, com carga horária de 30 horas. Após o término das aulas, a intenção é que uma nova turma seja formada.
“Através da capacitação, as localidades onde estão as emissoras tendem a receber uma programação mais condizente com suas necessidades, com técnicas radiofônicas mais apuradas”, afirma Paulo Pellegrini, professor responsável por ministrar as aulas do projeto.
A proposta da pauta é mostrar o ambiente de algumas das rádios comunitárias (Verdes Mares e Tropical – São José de Ribamar; Cultura – Maiobão; Araruna – Cohatrac; Rádio Bacanga – Itaqui-Bacanga), assim como a capacitação dos radialistas desse setor. As aulas do Projeto de Extensão da Estácio serão encerradas na manhã deste sábado (25), quando os alunos apresentarão materiais produzidos durante o curso.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Blogueiros de política do DF criam associação

Depois da forte presença nas eleições de 2014 no DF, fruto da atuação de anos na política local, os blogueiros de política tiveram, enfim, a sua importância reconhecida pela classe política, como também pelos milhares de leitores e eleitores que os acessam diariamente. Viraram a única fonte, ou a mais imediatamente acessível, sobre o que se passa na política local hora a hora, e não mais dia a dia, como se fazia jornalismo até muito pouco tempo.
Por conta disso, e como prova da importância que atingiram tais profissionais, será criada no próximo dia 7 de novembro, sexta-feira, a Associação Brasiliense de blogueiros de Política (ABBP), que pretende reunir todos que atuam nessa área do jornalismo. À frente do movimento, o professor de jornalismo e cientista político Francisco Lima Júnior, declara que “as democracias não surgem e muito menos se consolidam sem uma imprensa completa e atuante. A criação dessa associação é mais um passo nesse sentido. Nesse processo, assim como os políticos, os jornalistas também são testados e só sobrevivem na “arena da credibilidade” aqueles que agem com seriedade com os dois lados desse cenário, os políticos e os eleitores”.
A reunião para o lançamento da associação será na próxima sexta-feira(7), às 15 horas, na Faculdade Icesp/Promove, na QE 11 Área Especial C/D - Guará I. 
Abaixo os depoimentos de alguns dos principais blogueiros de política do DF e que fazem parte do movimento:
“Passei a escrever sobre política em um blog por vários motivos, entre eles, para falar diretamente de política com as mulheres. Afinal, somos mais da metade do eleitorado do Brasil e no DF. Tivemos que impor a nossa participação no cenário político por lei, essa luta está longe de acabar. Mas ela não se dará com conflitos, mas sim, com debates de ideias e propostas.  Por isso, entendo que ter uma mulher tratando de política com a seriedade que todos, homens e mulheres desejam, é de fundamental importância para o amadurecimento desse convívio e de nossa jovem democracia. Entendo, também, que a criação de uma associação que reúna os melhores profissionais dessa área será de muita valia para o nosso DF e Entorno como um todo”. Cris Oliveira, do Blog da Cris - http://crisoliveiralves.wordpress.com/

"Essa associação será um marco para a comunicação digital do DF e porque não do Brasil? Hoje um blog tem que fazer comunicação de qualidade e com credibilidade para sobreviver, e a associação só vai nos fortalecer”. Odir Ribeiro, do blog Rádio Corredor -http://www.blogdoodi.com.br/

“Fazemos a cobertura da política local há anos e nos adaptamos às novas tecnologias. Somo independentes, buscamos as notícias nas fontes diuturnamente, apuramos e damos nossa cara à tapa todos os dias. Era natural o nosso crescimento e chegarmos até aqui. Não chegamos a “um topo”, estamos fazendo dessa associação um ponto de partida para seguirmos apurando e informando nosso leitor e eleitor do DF e do Brasil, como muitos considerados grandes veículos não conseguem e não podem fazer. Este será mais um passo importante na afirmação de nossa força” Donny Silva - http://donnysilva.com.br/
“A criação da Associação de Blogueiros políticos do Distrito Federal é um marco importante para a cidade, pois se estabelece enquanto um meio de comunicação forte, eficiente e em muitas vezes servem como contrapontos à mídia convencional no que tange a imparcialidade. Mais que isso, os bloqueios políticos em muitas ocasiões são interlocutores tanto do Executivo com o Legislativo, mas principalmente das práticas políticas em relação à população do Distrito Federal.” Kleber Karpov, do blog Política Capital -www.políticadistrital.com.br

“Com o advento da Internet, a comunicação via mídias sociais se tornou um elo fundamental entre a realidade da sociedade e o poder. Mesmo com o descrédito na política, as pessoas diariamente se atualizam acessando blogs”. Esdras Messias, do Blog Politicando -http://politicandodf.com.br
“Os nossos condomínios no DF fazem parte de parcela importante de nossa sociedade. Em números que se referem ao nosso PIB local, ao numero de eleitores e de pessoas que participam ativamente do dia a dia de nosso DF e Entorno. Por isso criamos o nosso blog radar Condomínios, que tem se mostrado mais forte a cada dia com os nossos moradores e, principalmente, com a classe política local que bem sabe da nossa importância”. Toni Duarte, do Blog radar Condomínios – http://www.radarcondominios.com.br/

“A representatividade é a base do reconhecimento e dos direitos. A associação nasce com o propósito de representar uma classe pouco valorizada na capital política do país, que são os blogs com temática política. Acredito que agora seremos ouvidos e valorizados pelo trabalho que fazemos”. Fred Lima, do Blog do Fred Lima - www.blogdofredlima.com.br

domingo, 19 de janeiro de 2014

Venezuela: mídia alternativa elabora Plano Nacional de Comunicação Popular

Representantes de 473 medios impresos, audiovisuales y digitales alternativos de toda Venezuela comenzaron la creación del Plan Nacional de la Comunicación Alternativa y Comunitaria 2014-2019, esto durante el II Encuentro Nacional que se realiza en el Centro de Formación Simón  Bolívar de Los Teques (Estado Miranda, al sur de Caracas).
En el evento participan 543 voceros de medios alternativos y comunitarios, distribuidos en 18 mesas de trabajo que serán el escenario de un debate que se extenderá hasta hoy  domingo 19.
El evento fue inaugurado por abrió Reinaldo Escorcia, director general de Medios Alternativos y Comunitarios del Ministerio del Poder Popular para la Comunicación y la Información (Mippci). 
Además, disertaron Tom Ayala, periodista de la  Agencia Venezolana de Noticias (AVN), José Suárez, gerente general de servicios universales de la Comisión Nacional de Telecomunicaciones (Conatel), y Rolando Corao, comisionado del Mippci para la Comunicación Popular.La cita dobló la asistencia de la primera reunión realizada, entre el 12 y 15 de diciembre pasado, una convocatoria del Ministerio de Comunicación para crear un nuevo orden comunicativo, mandato expreso del  Plan de la Patria 2013–2019 en el que los medios alternativos dan dirección y concreción al plan de la comunicación popular.
Los participantes acordaron cuatro temas a discutir en estas jornadas: Formación, producción de contenidos, proyectos socioproductivos y uso responsable de la comunicación y del espectro radioeléctrico.
Entre las propuestas sobre la formación está la creación de la Escuela  Nacional de Formación de la Comunicación Popular para el Desarrollo de la  Educomunicación, así como el reconocimiento académico a través de un título universitario que avale los saberes  de los comunicadores populares.
La discusión de la producción de contenido se orienta a visibilizar los procesos y vivencias de las comunidades, crear programas educativos y otros dirigidos a impulsar la articulación del  Poder Popular con los comunicadores, además de generar contenidos con elementos que  desmonten las lógicas de dominación y alienación.

En el área socioproductiva, los voceros consideran fundamental la aprobación de la Ley de Comunicación  Popular que  norme  y dé factibilidad a la presentación  y ejecución de sus iniciativas. 

También destacaron la necesidad de fortalecer el carácter asociativo de los medios para hacerlos más eficientes .

“Las propuestas de sostenibilidad van más allá de los recursos económicos que se puedan percibir, pues deben incluir la seguridad social de los comunicadores. Es deseable lograr la mayor y más eficaz articulación interinstitucional y comunicacional de los entes y empresas del Estado con los medios alternativos y comunitarios”, explicó Ayala.

En cuanto al uso responsable de la comunicación, el espectro radioeléctrico es considerado un recurso limitado y de dominio público, su uso concierne y compromete los intereses del pueblo que en definitiva es el depositario intransferible de la soberanía, por ende, los medios plantearon la revisión de las concesiones y abrir espacio para los medios comunitarios digitalizando el espacio radiofónico.

Al Ministerio de Comunicación le corresponde abrir el debate y brindar acompañamiento político-técnico, con miras al cumplimiento de lo establecido en el Plan de la Patria en cuanto a garantizar el derecho del pueblo a estar informado veraz y oportunamente y al libre ejercicio de la información y comunicación.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Opinião: Mídia alternativa e revolução silenciosa

Não há novidade nenhuma em afirmar que os meios de comunicação no Brasil são extremamente concentrados nas mãos de algumas poucas famílias. A surpresa que nos atinge está em saber que é justamente o dinheiro público do governo federal e dos governos estaduais e municipais o principal patrocinador dessa concentração.

Por Theófilo Rodrigues*, no jornal Correio do Brasil

No caso do governo federal é a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, dirigida pela ministra Helena Chagas, a responsável por esse repasse de verbas para os grandes meios de comunicação. Nesse momento alguém poderia se perguntar: “Mas Helena Chagas, aquela jornalista da Globo?” Sim, a própria. Esse repasse de verbas da Secom é a principal fonte de sobrevida dos grandes meios de comunicação no Brasil.

Para termos uma ideia do montante, apenas em 2012 cerca de R$ 10,8 bilhões foram repassados para os quatro grandes canais de televisão: Globo, Record, SBT e Band, sendo que 70% dessas verbas foram repassadas apenas para a Rede Globo.
Outro exemplo costumeiro é o da Editora Abril – responsável pela revista (semanal de ultradireita) Veja, entre outras – no Estado de São Paulo. Os paulistanos sabem que há anos o seu governo estadual vem patrocinando fortemente a editora da família Civita sem que haja qualquer transparência sobre as vantagens que tal parceria traz para o bem público. A coincidência entre a linha editorial da Abril e o programa político do partido que dirige o governo de São Paulo não parece ser fruto do acaso.
O interesse público depende da diversidade de fontes para a produção da informação. Uma sociedade que possui apenas poucas possibilidades de acesso a novos conteúdos torna-se refém sem sequer saber que suas mãos estão acorrentadas. É necessário que haja fontes diversas e plurais para que possamos confrontá-las e produzirmos nossas próprias opiniões.
No entanto, se por um lado os governos não manifestam desejo em alterar a estrutura da comunicação no país, por outro lado os movimentos sociais e a sociedade civil subalterna começam a reivindicar mudanças estruturais que venham de baixo para cima. Aí estão os exemplos dos milhares de jornais de bairros, rádios e TVs comunitárias e blogs alternativos que surgem diariamente.
A indignação com as narrativas monocórdicas materializam-se assim nas mídias alternativas. E essas mídias alternativas querem recursos para sobreviver e cobram justa e legitimamente que mudanças sejam feitas nas prioridades dos governos.
O debate no Congresso Nacional
Na Câmara dos Deputados o debate sobre a necessidade do financiamento para a mídia alternativa tem ocorrido na Subcomissão Especial da Câmara dos Deputados sobre Mídia Alternativa presidida pela deputada federal Luciana Santos (PCdoB-PE). A subcomissão funciona no âmbito da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática desde dezembro de 2011 e ao longo desse período ouviu uma série de especialistas sobre o tema.
O relatório final dos trabalhos da subcomissão foi aprovado em 13 de novembro de 2013 e agora será transformado em projeto de lei para seguir em votação no plenário da Câmara dos Deputados. O relatório final apresentado pela deputada Luciana Santos é formado por 17 itens que, em síntese, afirmam ser responsabilidade do governo federal e de suas agências o fomento das mídias alternativas e a pluralidade e diversidade na distribuição das verbas oficiais de publicidade. De forma concreta o relatório propõe que 20% da publicidade oficial do governo federal sejam apenas para a mídia alternativa.
Brasília dá o primeiro passo
Brasília deu na semana passada o primeiro grande passo no sentido de democratizar o financiamento da mídia alternativa. A Proposta de Emenda à Lei Orgânica 51/2013 indica que 10% das verbas de publicidade dos poderes locais deverão ser repassados para veículos da blogosfera e da imprensa comunitária. A proposta da deputada distrital Luzia de Paula (PEN) foi aprovada por unanimidade na Câmara Legislativa do Distrito Federal e será aceita com tranquilidade pelo governador Agnelo Queiroz (PT).

No Rio de Janeiro proposta está na Alerj

No Rio de Janeiro a deputada estadual Enfermeira Rejane (PCdoB-RJ) apresentou na Assembleia Legislativa no dia 23 de maio de 2013 o projeto de lei nº 2248/2013. A proposta da deputada comunista é a de que 20% da publicidade oficial do governo do Estado do Rio de Janeiro seja destinado à mídia alternativa como jornais comunitários, rádios e TVs comunitárias e blogs. Mas no Rio de Janeiro a proposta já indica que encontrará maiores obstáculos.
Na semana seguinte à apresentação do PL na ALERJ, o gabinete da deputada Rejane recebeu a visita de advogados da Editora Abril para apontar o descontentamento da família Civita com a redistribuição das verbas para a mídia alternativa. Ao contrário de Brasília que é governada por um histórico militante da esquerda, o Rio de Janeiro possui como governador o peemedebista Sérgio Cabral. E as boas relações de Cabral com a mídia carioca são bem conhecidas. Não passa pela cabeça de ninguém imaginar que Cabral permitirá que sua base na ALERJ aprove facilmente o PL 2248/2013.

Da revolução silenciosa para a revolução barulhenta

Aprovar mudanças na distribuição da publicidade oficial dos governos não é pouca coisa. No dia em que jornais de bairros, blogs, rádios e TVs comunitárias passarem a receber uma parte do bolo, uma grande mudança se iniciará em nossa sociedade. Uma mudança de sotaque, uma mudança de cor, uma mudança de cultura. Uma nova narrativa de baixo para cima emergirá e verdades que hoje são absolutas passarão a ser contestadas. A revolução silenciosa passará então a ser barulhenta. Esse dia chegará.


* Theófilo Rodrigues é cientista social e integrante da seção fluminense do Centro de Estudos da Mídia Independente Barão de Itararé.

sábado, 30 de junho de 2012

Rio recebe encontro sobre políticas públicas e pluralidade na comunicação e na cultura

O capítulo brasileiro da União Latina de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura informa que está aberto, até 17 de junho, o prazo para envio de resumos expandidos para o seu 4º Encontro Nacional da ULEPICC-Brasil a ser realizado na Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCS/UERJ), entre os dias 9 e 11 de outubro de 2012. Com o tema “Políticas públicas e pluralidade na comunicação e na cultura”.
O evento tem apoio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo Cultural (JorCult) da FCS/UERJ. 
Serão bem-vindas reflexões críticas sobre temas como:

  • políticas públicas para as áreas de comunicação, informação e cultura; 
  • marcos regulatórios para a radiodifusão e as telecomunicações;
  • economia política da arte e da cultura; 
  • economia criativa, experiências;
  • desafios nos campos de:
    • comunicação comunitária,
    • popular e alternativa,
    • convergência midiática,
    • jornalismo,
    • democracia e participação,
    • inclusão social e digital,
    • economia política de megaeventos esportivos e culturais. e
    • novas interfaces teóricas.

Mais informações pelo endereço eletrônico ulepiccbrasil.gt1@gmail.com

terça-feira, 19 de junho de 2012

Blogueira de Samambaia-DF celebra 2 anos de jornalismo independente na internet

Da cidade satélite de Samambaia para Brasília e de Brasília para o mundo. Assim, a jornalista e blogueira Márcia Oliveira, 29 anos, segue diariamente na luta em busca de informações imparciais ao seu canal de comunicação na internet – o ‘Blog da Márcia’, que completou 2 anos de trabalho e já conquistou parceiros e deu furos no jornalismo local.

São 2 anos de Blog da Márcia, além de um ano assinando o jornal ‘Guerreiros do Asfalto – Jornal de Taguatinga-DF’, redige matéria para a rádio de Samambaia, Ativa FM – 98,1 – e é colunista de opinião do portal Acontece Brasilia (A revista eletrônica da capital). “Meu blog neste novo endereço, tem seis meses, ele começou em um link do ‘blogspot’ – porém, com o crescimento dos acessos, passei para essa nova plataforma”.

Márcia Blogueira visita gabinetes na Câmara dos Deputados do Distrito Federal, acompanha eventualmente os eventos do Governo do Distrito Federal – GDF, sempre em contato com Hugo Braga, porta voz oficial de Agnelo Queiroz, ainda abre aspas para cultura e variedades. Mas o foco do ‘Blog da Márcia’ é a política local, imparcial e sem opinião. “Mesmo sendo o meu blog, faço o jornalismo informativo, feito para levar notícias e deixar que as pessoas fique por dentro dos bastidores da política através do meu trabalho”, destaca a jornalista.

“Sou blogueira, jornalista, dona de casa, filha, amiga e ainda tento arrumar tempo para estar nos principais eventos de Brasília, pois é preciso ser vista, dar as caras e mostrar que estou viva”, comenta Márcia, destacando que já fez amizades, conseguiu trabalho e inclusive, tem muitas histórias engraçadas que acontecem por causa do seu blog.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Manifesto pela sustentabilidade da radiodifusão comunitária

Enviado por Ismar Capistrano

A Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço) conclama a sociedade brasileira para a defesa do fortalecimento das emissoras comunitárias, como veículos de acesso público e de promoção da cidadania, diversidade cultural e informações locais e plurais. 
Precisamos assim garantir a sustentabilidade das emissoras possibilitando o financiamento público, o incentivo à economia local, a alternância de canais e o aumento de potência. Para isso, a Abraço vem negociando com o Governo Federal a reforma de lei 9.612 e a publicação de decreto normativo que reverta a situação de marginalização que as rádios comunitárias estão submetidas num único canal, sem investimentos públicos e restritas poucos kilometros de atuação.

Nosso diálogo com o Governo Federal para conquistar avanços já perdura quase uma década sem avanços. Em 2005, empenhados em apontar um caminho para dar fim estes dilemas vividos pelas comunidades, nos jogamos na construção de um relatório em um grupo de trabalho criado pelo então presidente Luís Inácio Lula da Silva e coordenada Ministro das Comunicações Eunício de Oliveira. Este relatório teria o objetivo de estruturar um decreto presidencial que recompunha o caráter público e comunitário das rádios comunitárias garantindo sua sustentabilidade, seu 
reconhecimento e o financiamento público que há muito já deveria ter sido consolidado como política pública na manutenção e avanço do setor publico da comunicação no Brasil. Infelizmente nenhuma ação contida neste relatório foi encaminhada e até ho je aguardamos a publicação do decreto da liberdade que daria fim a criminalização. Sequer tivemos avanços no Congresso Nacional, pois nenhuma ação foi protagonizada pelo governo na intenção de alterar a restritiva lei 9612-98.

Da mesma forma nos atiramos na construção da 1ª Conferência Nacional de Comunicação que, com empenho de milhares de brasileiros, aprovou centenas de propostas que jamais foram implantadas ou encaminhadas no sentido de garantir o tão sonhado avanço da comunicação pública e comunitária, principalmente no que diz respeito às Rádios Comunitárias.

Contrariamente, fomos surpreendidos pela normativa 462, em outubro de 2011, que reforça a lógica excludente e restritiva imposta às comunidades que, além de outras coisas, retifica a restrição do serviço e ataca contundentemente a sustentabilidade das emissoras sem nenhuma contrapartida em direção ao financiamento público.

Convocamos a sociedade brasileira, os movimentos sociais, as organizações populares e as instituições a desencadearem um amplo movimento que de forma contundente restabeleça o caminho da democratização da comunicação, reivindicando a imediata descriminalização dos comunicadores comunitários, a revogação das multas impostas às rádios comunitárias, o desarquivamento de processos em tramitação no Ministério das Comunicações, o fim dos critérios restritivos da normativa 462, a resolução do choque de freqüências entre as emissoras e por fim na consolidação da política de financiamento público das rádios públicas e comunitárias.

Para tanto apontamos os próximos dias para realização de manifestações, atos públicos, caravanas e atividades que sensibilizem o governo a tomada de postura e a conseqüente atitude no atendimento das reivindicações histórias da sociedade brasileira e do movimento pela democratização da comunicação.

1 de março de 2012 - Assembleia Geral da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária

José Sóter
Coordenador Executivo