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sexta-feira, 26 de junho de 2015

TV Paga: governo briga na justiça para que canais respeitem cotas de conteúdo nacional

Da Ascom-AGU


A Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu na quinta-feira (25/06), no Supremo Tribunal Federal (STF), a validade de lei que obrigou as empresas de televisão por assinatura a exibirem um mínimo de conteúdo nacional na programação, estabeleceu restrições para a concentração de propriedade no setor e definiu a competência da Agência Nacional de Cinema (Ancine) para fiscalizá-lo. A constitucionalidade dos dispositivos legais é questionada em ações ajuizadas pelo partido Democratas e por associações de empresas do ramo.

Os autores das ações alegam que a Lei nº 12.485/11, que estabeleceu um novo marco regulatório para a televisão paga no Brasil, fere a livre concorrência e os interesses dos consumidores, além de conceder à Ancine poderes supostamente excessivos para regulamentar a comunicação social no país.

Contudo, a AGU argumentou que as restrições à concentração de propriedade previstas na lei buscam tão somente efetivar o artigo 220 da Constituição Federal, que veda a formação de monopólios e oligopólios dos meios de comunicação social. Segundo a Advocacia-Geral, ao abrir o mercado para exploração de todas as empresas interessadas, a lei induziu a competição no setor, o que se traduziu em maior oferta de produtos e diminuição dos preços cobrados do consumidor.

"O próprio estabelecimento de regras claras para o setor gera um ambiente de segurança jurídica. O ambiente de segurança jurídica, por sua vez, viabiliza o aumento da concorrência. Com a concorrência, os preços tendem a diminuir. Reduzindo os preços, o número de pessoas que terão acesso ao serviço cresce", explicou a secretária-geral de Contencioso da AGU, Grace Maria Fernandes, em sustentação oral no plenário do tribunal.

De acordo com Grace Fernandes, os números de expansão do mercado de TV por assinatura após a entrada em vigor da lei comprovam a contribuição que o novo marco regulatório deu para o incremento do setor. O número de assinantes do serviço, por exemplo, saltou de 9,8 milhões em 2010 para 19,6 milhões em 2014. Já o faturamento anual das empresas do ramo cresceu de R$ 12,7 bilhões para R$ 32 bilhões no mesmo período.
Incentivo à produção nacional

A AGU também destacou que as exigências de conteúdo nacional previstas na lei têm como objetivo promover a cultura nacional e estimular a produção independente, conforme a própria Constituição, em seu artigo 221, determina que seja feito. Segundo a Advocacia-Geral, a interferência é mínima e plenamente compatível com o princípio da liberdade econômica, tendo em vista que se exige das empresas do ramo que reservem um mínimo de apenas três horas e trinta minutos da programação semanal, ou seja, apenas 2% do tempo disponível, para conteúdo brasileiro.

Grace Fernandes lembrou que alguns países europeus chegam a obrigar as empresas do ramo a dedicarem 50% da programação para conteúdo nacional. Além disso, observou a secretária-geral de Contencioso da AGU, a regulamentação atinge apenas as empresas e não interfere, de maneira alguma, na escolha do consumidor, que segue tendo a opção de assistir ao que desejar. "A finalidade é permitir que a produção nacional tenha condições de competir com a estrangeira", acrescentou.

Regulamentação

Também foi esclarecido pela AGU que os poderes dados pelo novo marco regulatório da televisão por assinatura à Ancine, entre eles o de que as empresas se credenciem previamente junto à autarquia, têm como objetivo apenas garantir que a lei seja cumprida. Segundo a Advocacia-Geral, a agência foi criada justamente para fomentar, regular e fiscalizar a indústria audiovisual.

A tese foi acatada pelo relator das ações no STF, o ministro Luiz Fux. "O consentimento prévio da administração pública é uma etapa necessária para o exercício regular de certas liberdades, como a exploração de atividade de programação e empacotamento de conteúdo audiovisual. Isso é uma atividade regulada pelo Estado, que exige um credenciamento até para verificar se os requisitos exigidos estão sendo cumpridos. E não são exigidos documentos que possam causar nenhum gravame: CNPJ, nome fantasia, data da constituição, endereço eletrônico e etc. A ingerência estatal fiscalizatória e punitiva surge como garantia da efetividade da disciplina jurídica", afirmou.

Fux também descartou a existência de qualquer inconstitucionalidade nas cotas para conteúdo nacional e nas restrições à concentração de propriedade. Para o ministro, apenas um dispositivo da lei que estende às agências de publicidade brasileiras proteção semelhante dada à produção audiovisual nacional pode ser considerado indevido. O julgamento foi suspenso após o voto do relator.

Atua no caso a secretaria-geral de Contencioso, órgão da AGU responsável por defender a União judicialmente no STF.
Ref.: ADIs 4679, 4747, 4756 e 4923 - STF

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Brasil ainda é "bebê" na indústria de cinema, diz Dove Simens

Por Ana Carolina Barbosa, do Pay-TV News


"Adoro fazer filmes que tragam lucros", diz Dove Simens, produtor executivo que vem ao Brasil para ministrar em São Paulo o curso Hollywood 2 – Day Film School, trazendo modelos do cinema americano para o público brasileiro. “Vocês têm talentos, profissionais, um governo com programas maravilhosos de financiamento, mas não sabem contar histórias, precisam experimentar, ainda são bebês nesta indústria”, destaca.
Simens alerta que o seu curso não é para ensinar criatividade ou talento, nem para discutir financiamento público, mas para ensinar alguns caminhos para que os produtores comecem a trabalhar de forma realmente independente e fazer seus filmes com baixos orçamentos, mas que tragam lucro. Ele acredita que o primeiro filme deve ser financiado pelo produtor e por alguns investidores, para que depois ele consiga recursos do governo, coproduções e product placement. “Pode ser um filme com 90 páginas de roteiro, uma única locação, bons atores, boa equipe, uma boa história”, explica. “Os realizadores estão presos em alguns modelos, eu só dou um empurrãozinho”. Outro conselho de Simens é parar de fazer curtas. “É coisa para se fazer dos 12 aos 20 anos, colocar no YouTube e testar seus trabalhos. Se quer ter lucratividade tem que fazer longa-metragem”.
Para o instrutor, as oportunidades que os realizadores brasileiros terão com a televisão, com a Lei do SeAC, é importante para fazê-los testar suas habilidades e fazer seus nomes. “São duas indústrias totalmente diferentes, vocês são bons em televisão, são os reis das novelas. Quem sabe fazer televisão, que é muito mais complexo, tira de letra a indústria do cinema”, observa.
O instrutor já teve em suas turmas nomes como Quentin Tarantino e Guy Ritchie. Em dois dias, Simens explica os elementos básicos de uma história que conquista a atenção da audiência, ensina como apresentar um projeto de filme para conseguir recursos de investidores, participar dos festivais mais importantes, negociar exibição e fazer o plano de mídia.
Simens foi professor de Harvard, da UCLA e da New York University. Ele já deu o curso Hollywood 2 – Day Film School em Cingapura, Londres, Toronto, Hong Kong e Cidade do México . As aulas acontecerão em São Paulo nos dias 22 e 23 de junho no Novotel Jaraguá (centro). Mais informações e inscrições pelo site http://www.hollywoodbrasil.com/.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Cinema brasileiro atrai 15,6 milhões de espectadores em 2012

Do Portugal Digital

Dos 83 lançamentos nacionais do ano, cinco superaram a marca de 1 milhão de espectadores. O recordista foi Até Que a Sorte nos Separe, com 3,3 milhões de ingressos vendidos.


O cinema brasileiro em 2012 teve um desempenho positivo, segundo dados do Informe Anual sobre Filmes e Bilheterias, divulgado quinta-feira (17) pela Agência Nacional de Cinema (Ancine). Ao todo, 15,6 milhões de espectadores foram aos cinemas para assistir filmes brasileiros em 2012. Dos 83 lançamentos nacionais do ano, cinco superaram a marca de 1 milhão de espectadores. O recordista foi Até Que a Sorte nos Separe, com 3,3 milhões de ingressos vendidos.
A participação de público dos filmes nacionais foi maior no segundo semestre, quando saltou da média de 5,12%, registrados nos primeiros seis meses, para 15,29%, fechando o ano com uma média de 10,62%.  No último trimestre de 2012, os títulos brasileiros chegaram a alcançar 22,17% de participação média.
A expansão do parque exibidor e o aumento do número de salas ocupadas por lançamentos de filmes nacionais são dados que merecem destaque, segundo o presidente da Ancine, Manoel Rangel. "Os filmes brasileiros foram lançados em 63 salas, em média. Em 2011, essa média foi 48 salas. Isso indica uma aposta maior das distribuidoras no cinema nacional", disse.
O ano de 2012 também registrou números recordes de arrecadação e público para o mercado de cinema em geral no Brasil. A arrecadação das salas de exibição do país cresceu 12,13%, em relação a 2011, atingindo  R$ 1,6 bilhão. O público foi 146,4 milhões de espectadores.
Quanto ao crescimento do mercado exibidor, da ordem de 6,93%, Rangel disse que a expansão se deu em áreas com menor número de cinemas em relação ao Sudeste. "O ritmo desse crescimento foi mais acelerado nas regiões Norte, Nordeste e Sul, chegando a um total de 2.515 salas", disse.
O informe anual foi elaborado pela Superintendência de Acompanhamento de Mercado da Ancine, com base em dados fornecidos pelas empresas distribuidoras registradas na agência. O relatório completo está disponível no site www.ancine.gov.br .

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Disney não quer veicular conteúdo brasileiro em TV Paga

De Pay-tv news
Canal do Mickey e outros cinco canais estrangeiros pedem dispensa de veiculação de conteúdo brasileiro
A Ancine publicou em seu site cinco novos pedidos de dispensa de cumprimento das obrigações de veiculação de conteúdo audiovisual brasileiro. Os pedidos são disponibilizados pela agência reguladora para que eventuais interessados possam se manifestar a respeito do pedido. O prazo para manifestação, que deve ser feita pelo e-mail da ouvidoria da Ancine, é 27 de dezembro.
Os canais Disney XD, Disney Junior, Disney Channel, Disney Channel HD e Baby TV pedem a dispensa. Entre os argumentos usados pelas programadoras Buena Vista e Fox estão a dificuldade em encontrar conteúdo pronto para licenciamento que sejam adequados ao perfil da programação dos canais; a impossibilidade de encontrar parceiros coproduzir obras inéditas em curto prazo; e a ausência de publicidade, o que limita o faturamento do canal.
Os pedidos podem ser encontrados neste link.


ABPITV rechaça pedido da Disney
Após o pedido de dispensa do cumprimento de cotas de produção independente por parte da Buena Vista International Inc. - responsável pelos canais Disney XD, Disney Junior, Disney Channel e Disney Channel HD -, a Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão (ABPITV) encaminhou nesta terça-feira, 18, um documento à ouvidoria da Ancine refutando tais pedidos. Segundo nota da associação, as justificativas dadas pela programadora não condizem com a realidade do mercado brasileiro.

Rechaçando as afirmações referentes à impossibilidade de encontrar parceiros para coproduzir obras em curto prazo e à dificuldade em encontrar conteúdo pronto para licenciamento, a associação cita exemplos de produções independentes bem sucedidas em canais internacionais, como as séries infantis “Peixonauta” e “Julie e os Fantasmas” (exibidas nos canais infantis Discovery Kids e Nickelodeon). Também lista alguns títulos para o público adulto que tiveram destaque na programação de TV por assinatura, como “FDP” (coprodução da Prodigo Films com a HBO) e “9 mm: Sâo Paulo” (coprodução da Moonshot Pictures com a Fox).

Para concluir, a associação diz que agentes nacionais e estrangeiros devem cumprir estritamente a legislação brasileira para atuar no mercado do País, confiando à Ancine examinar adequadamente as justificativas das programadoras.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Produção audiovisual infantil brasileira está abandonada, diz Carla Camurati

Do Portugal Digital

A população infantil consumidora de produtos audiovisuais brasileiros, como produções de cinema, está abandonada no Brasil. A avaliação é da produtora cultural Carla Esmeralda, que dirige o Festival Internacional de Cinema Infantil, ao lado da cineasta Carla Camurati, desde 2003.
Na terça-feira, primeiro dia de debates do Fórum de Defesa e Promoção do Cinema Infantil Brasileiro, que integra a programação do 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Carla Esmeralda destacou que o problema no Brasil não está limitado à falta de recursos, mas também à falta de articulação das leis do audiovisual que regulam os investimentos.
"A partir do quanto se tem [recursos], podemos construir um novo mercado e desobstruir problemas que afetam o audiovisual infantil, como a distribuição das produções", disse.
Segundo Carla Esmeralda, mercados como a Dinamarca e Holanda deveriam ser vistos como exemplo pelos brasileiros. A Dinamarca, por exemplo, destina 25% de todos os investimentos de audiovisual para as produções infantis. "É um país de 6 milhões de habitantes. Aqui devemos ter algo em torno de 25 milhões de crianças. É uma população imensa e você tem que legislar a favor dessa população", disse.
No caso da Holanda, o chamado "filme familiar", segmento voltado para pais, mães e filhos, reúne 500 mil espectadores, de acordo com a produtora cultural. "Temos que descobrir no Brasil qual é a nossa tendência. Temos que começar a fazer para entender qual a resposta das nossas crianças. Já vejo filmes brasileiros que as crianças gostam muito, as crianças brasileiras gostam muito de comédia, por exemplo".
Carla Esmeralda acredita que o Festival Internacional de Cinema Infantil, criado em 2003, inspirou uma nova geração de cineastas e que o país precisa incentivar a criação de um mercado voltado para este público. "Já temos uma nova geração de cineastas que quer fazer filme para criança e 70% deles são homens", disse.
Os debates em torno de temas como a distribuição e produção de filmes infantis no Brasil, eventos e festivais de cinema para esse público, mercado dos filmes de animação e as novas perspectivas para o segmento é concluído quarta-feira (19). As propostas apresentadas durante o fórum serão entregues, em um documento, aos representantes da Comissão de Educação e Cultura do Senado Federal, do Ministério da Cultura, do Ministério da Educação e à Presidência da República.
Além de alvo de discussões, o cinema infantil tem espaço garantido no Festival de Brasília, com local e horários específicos para as crianças conferirem curtas-metragens nacionais infantis. Conhecido como Festivalzinho, a programação foi inaugurada hoje, pela manhã, com o filme O Filho do Vizinho.
O curta-metragem de pouco mais de sete minutos, produzido no Distrito Federal e com direção de Alex Vidigal, mostra a história de Ronaldinho, um garoto que observa maravilhado as aventuras e as peripécias de um garoto chamado de várias formas por uma vizinhança enlouquecida com ele.
O Festivalzinho apresenta nesta quarta-feira (19) Uma Estrela no Quintal, animação paulista de Danielle Divardin sobre Clarisse, uma menina de cinco anos cheia de imaginação que sonha em alcançar a estrela mais brilhante. Até o  dia 21,  serão exibidos 11 curtas na Sala Martins Pena do Teatro Nacional, sempre às 10 horas.
Além das exibições no Teatro Nacional, que este ano, funciona como sede das mostras competitivas de longas-metragens ficção e documentário e de curtas-metragens de ficção, documentário e animação, os filmes que integram o circuito do Festivalzinho serão apresentados em espaços no entorno da capital, como Candangolândia, Ceilândia, Cruzeiro, Guará, Gama, Núcleo Bandeirante, Park Way, Riacho Fundo 2, Samambaia, Sobradinho e Taguatinga.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

TV Paga: Cinema nacional será beneficiado com as cotas de programação

Publicado no TelaViva News

Os 15 canais com grade especializada em filmes da TV por assinatura brasileira exibiram filmes 5.738 vezes em 2010. Destes, 908 exibições, o que representa pouco menos de 16%, eram de filmes nacionais. A grande maioria dos títulos locais, no entanto, estava concentrada em um único canal, o Canal Brasil, que exibiu filmes brasileiros 844 vezes. Nos outros 14 canais, apenas 1,3% das exibições de filmes era de títulos brasileiros. Os números foram apresentados por Sergio Sá Leitão, presidente da RioFilme, nesta terça, 5, no Fórum Brasil de Televisão. "O cinema brasileiro na TV por assinatura está circunscrito a um gueto", disse. As cotas de conteúdo nacional criadas pela Lei 12.485/11 devem aumentar a demanda por filmes nacionais no horário nobre, aponta ele. "Devemos ter 2,3 mil exibições de filmes brasileiros na TV paga", conta.
Segundo Sá Leitão, a coprodução será a melhor maneira de garantir títulos locais para as grades dos canais. "O perfil dos filmes pode mudar. Os produtores vão pensar nas grades dos canais na gênese das obras", sentenciou.
Segundo Sá Leitão, o cinema brasileiro vem crescendo em volume de títulos e de recursos investidos na produção. No entanto, vem perdendo market share no mercado interno. "Não temos uma política eficaz para o cinema comercial", disse, destacando que seis ou sete filmes são responsáveis pelo grosso do share do cinema nacional anualmente. "Precisamos de uma meritocracia e de mecanismo (de fomento e financiamento) automáticos, em função de performance", disse.
A própria TV é apontada pelo presidente da RioFilme como um mecanismo importante para fortalecer o cinema nacional. Segundo ele, a TV pode ajudar exibindo, coproduzindo e divulgando o cinema brasileiro.
Parcerias
Para Andrea Barata Ribeiro, sócia da O2 Filmes, a parceria entre cinema e televisão pode seguir outros caminhos, como a troca de formatos. Ela cita como exemplo longas que tiveram spin offs para a televisão, ou mesmo que vieram de séries de televisão, como o longa "Cidade de Deus" e a série "Cidade dos Homens", e o filme "Antônia" e a série homônima. A série "Som e Fúria" também deve ganhar um longa-metragem. "Essa ideia de troca de formatos com a TV pode ser exportada para a TV por assinatura", diz. "Já estamos sendo procurados por canais e abrimos nosso baú de conteúdo e de ideias para eles", conta.
Debora Ivanov, da Gullane Filmes, lembra que também já experimentou, com sucesso, essa fórmula de troca entre cinema e TV com o longa e a série "Carandiru". Ela também diz que os canais da TV por assinatura vem procurando a produtora. "Também abrimos o nosso baú, e buscamos as ideias de todos os nossos diretores", diz. Para ela, no entanto, falta ainda nas produtoras brasileiras uma logística que permita atender com agilidade a esta demanda. "Falta estrutura nas produtoras para analisar e ajudar as aprimorar estas ideias", explica.
Andrea Barata Ribeiro aponta que falta também mão de obra sobretudo para roteiro. Segundo ela, os bons roteiristas acabam sendo levados para a TV aberta, sobrando poucos profissionais para o mercado independente ou de cinema. "Não há script doctors no Brasil", diz. Para Debora Ivanov, a solução é buscar talentos jovens.

Deutsche Welle quer se aproximar do mercado brasileiro

Publicado no Pay-TV News

A nova lei 12.485, que altera o conteúdo e a programação brasileira nos canais por assinatura, não afeta o canal alemão Deutsche Welle, por fazer parte do pacote de emissoras étnicas, mas a possibilidade de maior divulgação no mercado brasileiro já faz com que o canal comece a pensar em uma aproximação com o público.
Por enquanto, a programação é feita majoritariamente em alemão e inglês e tem como público principalmente pessoas interessadas não só no conteúdo da programação, mas também em ouvir a língua alemã. Em fevereiro de 2012, porém, a DW lançou um canal específico para a América Latina, com 20 horas diárias de programação em espanhol. Devido à fidelidade do público brasileiro que prefere a programação em alemão, o Brasil recebe o mesmo sinal que vai para os Estados Unidos.
A primeira experiência do canal com a língua portuguesa é o programa Conexão Futuro, produzido em Bonn, na Alemanha, com uma apresentadora e repórteres brasileiros. O programa discute questões tecnológicas e pode ser exibido por canais parceiros. Outra experiência de internacionalização é o programa World Series, que apresenta matérias jornalísticas de outros países.
Segundo Svea Kroner, executiva do canal que participou do Fórum Brasil de TV, por enquanto não existe programação legendada ou destinada especificamente aos brasileiros, mas a emissora vê o mercado potencial do Brasil com bons olhos. “Mas deve ser uma ação de longo prazo, já que os alemães costumam ser mais desconfiados do que os mineiros”, brincou.

Audiovisual: lei traz uma nova era para a produção independente

Publicado originalmente no Blog do Zé



"Com a nova lei da TV paga nós inauguramos uma nova fase da política de fomento à produção independente no país", anuncia Glauber Piva, diretor da Agência Nacional de Cinema (ANCINE).

A valorização do conteúdo nacional, uma das determinações da Lei 12.485 presente no novo marco regulatório da TV paga, traz uma boa demanda para as produtoras nacionais independentes. Na última semana, as instruções normativas da Lei, sancionada ano passado pela presidenta Dilma Rousseff, foram publicadas.

Para nos explicar melhor o que está em jogo, conversamos com Piva. Entusiasta do novo momento e das nova responsabilidades da Agência, Piva explica por que a Lei 12.485 traz uma nova fase à política de fomento para a área no país. Acompanhem.

Glauber, o que é a Lei 12.485?

Image[ Glauber Piva ] A Lei é a primeira legislação que regula a TV a cabo no Brasil. Ela tramitou por quatro anos no Congresso Nacional, foi uma iniciativa do legislativo sancionada pela presidenta Dilma em setembro de 2011. É uma lei que passou pela Câmara, foi para o Senado, voltou para a Câmara e tramitou em meio a um intenso diálogo e a uma série de negociações entre os parlamentares e os representantes do setor. Este processo é um dado relevante porque nele vieram à tona polêmicas e contradições que requereram debates ao longo da sua tramitação.

Qual o papel da ANCINE hoje?

[ Piva ]
 A ANCINE tem funções de regulação, fiscalização e de fomento. Até agora, ela não tratava de TV paga. A nova Lei lhe dá essa atribuição. A Lei é muito clara na segmentação das funções entre a ANCINE e a ANATEL. Vamos pensar, por exemplo, a NET ou a SKY. A Lei distingue as funções de formar o pacote (empacotadora) e de distribuir o sinal para o assinante (distribuidora). Enquanto a ANATEL é a agência reguladora das questões de infraestrutura e de distribuição, a ANCINE atua no que diz respeito à programação e ao empacotamento.

No regulamento aprovado pela ANCINE e divulgado no Diário Oficial na semana passada, o que foi estabelecido está muito claro. Um dos exemplos é a proporção entre os canais brasileiros e estrangeiros ofertados ao consumidor. A Lei estabelece uma cota de canais nacionais. A ANCINE trata desta valorização do conteúdo brasileiro. Agora, as questões de distribuição e de como o sinal chegará na casa do assinante estão relacionadas à ANATEL.

Como funciona a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (CONDECINE) com a nova Lei?

[ Piva ] Desde a criação da ANCINE, existe a CONDECINE e a agência sempre fiscalizou o pagamento da contribuição. O que mudou com a Lei é que as programações referentes às TV pagas passam a pagar CONDECINE. A Lei estabelece, também, no que deve ser usado esse recurso. Ele é destinado ao Fundo Setorial do Audiovisual gerido pelo Comitê Gestor deste Fundo e constituído por representantes do governo e da sociedade civil. A ANCINE faz, na prática, a secretaria-executiva deste Comitê. O Fundo agora passa a receber os recursos dessa nova CONDECINE, fica mais robusto e tem a tarefa de fortalecer o setor audiovisual brasileiro.

O Fundo hoje tem cinco linhas de financiamento destinadas basicamente para produção de conteúdo audiovisual para cinema e televisão. A FINEP era o agente financeiro e passamos a contar com o BNDES e com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDES) que fomenta na região Sul do país, e terá a função de agente financeiro para as linhas já existentes.

Em que medida a Lei estimula a produção independente no país?

[ Piva ] O coração da Lei 12.485 é fortalecer a produção independente brasileira. Quando dizemos “fortalecer o setor audiovisual brasileiro” significa fortalecer a produção independente, ou seja, a produção audiovisual e cinematográfica feita pelas empresas não vinculadas às grandes distribuidoras estrangeiras, nem coligadas ou controladas por canais e empresas de radiodifusão. Esse trabalho já vinha sendo feito pela ANCINE. Mas, agora, com a Lei, aumentou a demanda por conteúdo brasileiro de produção independente na TV paga. Então, nossa responsabilidade cresce e isso é muito bom para a ANCINE e para o Brasil. É um desafio que a ANCINE está disposta a enfrentar e está enfrentando.

E o Fundo Setorial conta agora com mais recursos, vai ter novas linhas. O fortalecimento do setor audiovisual brasileiro não é apenas a colocação de recursos na produção direta. É preciso que a gente crie uma nova política de inteligência na produção do fomento. Há de se lembrar que o Brasil está completando 27 anos – desde a Lei Sarney – de uma lógica de renúncia fiscal fortalecida pelas leis Rouanet e do Audiovisual. Esse é um processo importante na história do país. Com a nova lei da TV paga nós inauguramos uma nova fase da política de fomento.

Glauber, e em termos de diversificação do conteúdo?

[ Piva ] O Estado brasileiro entende que é preciso diversificar as políticas de fomento no país. Uma forma é diversificar do ponto de vista regional. A Lei estabelece que de todos os recursos e contribuições da CONDECINE que vão para o Fundo Setorial, ao menos 30% têm de ser dedicados às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Quando falamos em diversificação, falamos também em diversificação regional. E não é só falar em produção das grandes produtoras independentes localizadas no Rio e em São Paulo. Estas já têm o seu espaço e ele será ampliado, sem sombra de dúvidas, com ou sem recurso público. Esse espaço é importante, tem de ser defendido. As grandes empresas têm de ser fortalecidas.

Quando o Congresso Nacional aprova uma lei que fortalece a produção independente, ele está aprovando que o Brasil seja visto na TV, nas TVs pagas que chegam na casa do cidadão. Então, é preciso que todo o país consiga produzir. Não basta colocar dinheiro na pequena produtora, a diversificação também se dá com políticas de desenvolvimento de projetos, de qualificação dos roteiros, e de planejamento das empresas. Estamos falando em diversificação de linguagem. Esta é a grande questão colocada por essa nova política.

Foto: Valter Campanato/ABr

sábado, 21 de janeiro de 2012

BNDES destina R$ 14 milhões a edital de cinema

Do Telaviva news


O BNDES abriu inscrições para seu edital de cinema, que destinará R$ 14 milhões ao apoio à produção e finalização de obras de ficção, animação e documentários. O prazo segue até 15 de março. Nesta edição, o edital do BNDES é dividido em dois grupos: priorizando os resultados comerciais e econômicos; e outro, buscando o reconhecimento artístico e técnico. Serão analisados argumento, roteiro e storyboard e, para os projetos candidatos à finalização, será avaliado ainda o material filmado. Os filmes do segundo grupo terão R$ 5 milhões concedidos em apoios.

Serão destinados R$ 12 milhões para a produção e finalização de obras de ficção e animação e R$ 2 milhões para a produção de documentários. O valor máximo a ser concedido para projetos de produção é de R$ 1,5 milhão (Grupo 1) e R$ 1 milhão (Grupo 2). Para finalização, o teto do apoio do BNDES é de R$ 750 mil para qualquer dos dois grupos e R$ 500 mil para documentários.

Mais informações podem ser acessadas no edital de cinema no portal do BNDES.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Oportunidades para Cineastas. MinC lança editais de apoio à produção

Produções inéditas, de baixo orçamento e em todos os gêneros serão contempladas

A Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura publicou cinco novos editais de apoio a produção audiovisual. As inscrições estão abertas até o dia 10 de fevereiro e abrangem todas as regiões do país. Confira abaixo as informações sobre os editais:

  • Edital de Apoio à Produção de Obras Audiovisuais Cinematográficas, Inéditas, de Ficção, de Baixo Orçamento - apoiará, com até R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais), a produção de 10 projetos.
  • Edital de Apoio à Produção de Obras Audiovisuais Inéditas de Curta Metragem, do Gênero Ficção, Documentário e Animação - fomentará a produção de até 25 projetos, destinando apoio individual no valor de até R$ 100.000,00 (cem mil reais).
  • Edital de Apoio ao Desenvolvimento de Roteiros Cinematográficos Inéditos, de Ficção para Roteiristas Profissionais - tem o objetivo de selecionar até 13 projetos, que terão apoio individual no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais).
  • Edital de Apoio ao Desenvolvimento de Roteiros Cinematográficos Inéditos, de Ficção para Roteiristas Estreantes - irá fomentar a produção de até dez projetos, com o valor de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais) para cada um.
  • Edital de Apoio à Produção de Obras Audiovisuais Cinematográficas do Gênero Documental inéditas - prevê a seleção de até cinco projetos, destinando apoio individual no valor de até R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais).

Para acesse os editais, disponibilizados na página da SAv, clique aqui .

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Cinema: Ancine fixa cota mínima de 28 dias de exibição para obras nacionais

Do Portugal Digital

Em 2012, os cinemas do Brasil terão que exibir entre três e 14 diferentes filmes nacionais de longa-metragem por um tempo mínimo que varia conforme o número de salas em funcionamento. A cota mínima de exibição consta do Decreto 7.647, assinado pela presidente Dilma Rousseff e publicado hoje (22) no Diário Oficial da União.

Regulamentada pela Agência Nacional de Cinema (Ancine), a chamada Cota de Tela é um instrumento legal adotado por vários países com o objetivo de promover a competitividade e a sustentabilidade da indústria cinematográfica nacional. No Brasil, segundo a Ancine, a “reserva de dias” vem sendo empregada desde a década de 1930, sendo reeditada e aprimorada anualmente conforme o desenvolvimento e as necessidades da indústria cinematográfica. Desde a década de 1990 a Cota de Tela é fixada por meio de decreto presidencial.

Para 2012, o decreto estabelece a cota mínima de três diferentes filmes brasileiros a serem exibidos por pelo menos 28 dias em cinemas com apenas uma sala. Tanto a quantidade mínima de títulos, quanto a de dias de exibição varia conforme o número de salas do complexo de exibição. Em estabelecimentos com 20 salas, por exemplo, a soma da exibição de ao menos 14 diferentes filmes brasileiros terá que totalizar um mínimo de 644 dias.

O número de títulos obrigatórios e de dias para 2012 é o mesmo que vigorou este ano. O número de dias mínimos de exibição, aliás, não sofre alterações desde 2005. No ano passado, a Ancine justificou a maior exigência quanto à diversidade de obras pelo crescimento do número de lançamentos anual, que aumentou de 30 títulos em 2001 para cerca de 80 novas obras no biênio 2009-2010. As informações são da ABr.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Argentina cobrará tarifa para filmes estrangeiros exibidos em cinemas do país

Enviado por Patrícia Álvares

Buenos Aires, 30 ago (EFE).- Argentina cobrará uma tarifa aos filmes estrangeiros que forem exibidos nas telas do país com o objetivo de promover o cinema nacional, segundo uma resolução publicada nesta terça-feira no Diário Oficial.

A presidente do Instituto Nacional de Cinema e Artes Audiovisuais (INCAA), Liliana Mazure, assinou a resolução na qual se estabelecem taxas que as produtoras deverão pagar em função do número de salas onde os filmes estrangeiros serão exibidos, assim como de sua localização.

Na cidade de Buenos Aires os filmes estrangeiros deverão pagar uma tarifa desde o equivalente a 300 ingressos de cinema pelo total de telas nas quais serão exibidos, quando as cópias não forem mais de 40, até o valor de 12 mil ingressos quando forem distribuídas mais de 161 cópias do filme.

Para poder serem exibidos no resto do país, as taxas caem para a metade.

O valor do ingresso será uma média do preço de mercado das salas comerciais de exibição da capital argentina, que será publicado bimestralmente pelo INCAA.

As entradas para o cinema nas grandes cadeias comerciais de salas de exibição na Argentina custam entre US$ 3,8 e US$ 9, dependendo dos dias e horários

terça-feira, 26 de abril de 2011

TVs a cabo deverão ter produção nacional

Do Congresso em Foco

O projeto de lei que abre o mercado da TV por assinatura para as empresas de telecomunicações e cria cotas para a produção nacional entra em uma nova fase. Depois de ser aprovado na Câmara, num acordo entre as teles e as emissoras de televisão, serão reiniciadas as audiências públicas no Senado. Esta semana, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), vai pedir a posição do Executivo sobre o PL 116/10. Ele disse ao Congresso em Foco que pediu há alguns dias um parecer à Casa Civil da Presidência da República, comandada pelo ministro Antônio Pallocci.

O relator da matéria e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Eunício Oliveira (PMDB-CE), se mostra simpático ao atual texto, que veio da Câmara, mas prefere aguardar o resultado das audiências públicas para não antecipar seu relatório. O senador disse ao site que a proposta regula setores sem fiscalização e, assim, garante um “equilíbrio” nos oligopólios e monopólios, o que traz benefícios à sociedade. “Diz quem pode fazer isso, quem pode fazer aquilo. Quando ele regula setores, bota os setores debaixo dos órgãos fiscalizadores”, contou Eunício, na semana passada.

A proposta prevê que a Agência Nacional de Cinema (Ancine) faça punições às empresas que, por exemplo, não cumprirem a política de 30 minutos diários de produção nacional em suas grades de programação. As punições previstas vão de multas, que podem chegar a até R$ 5 milhões, à própria decisão de tirar o canal do ar. “É melhor ter setores que tenham regulagem. Se você tem a exclusividade e não tem regulagem nenhuma, é ruim para a sociedade”, comentou Eunício, falando genericamente sobre a proposta.

OS NÚMEROS DA TELINHA

— Assinantes
Assinantes de TV por assinatura: 9,3 milhões, em 465 municípios
Assinantes de banda larga: 26 milhões de acessos
— Canais de TV por assinatura
Brasileiros: 26 (15 da mesma empresa)
Estrangeiros: 89
— Faturamento anual
Setor de telecomunicações: R$ 130 bilhões
Setor de radiodifusão: R$ 20 bilhões

Fontes: Ancine, Sinditelebrasil, ABTA e Congresso Brasileiro de Cinema


Ele já recebeu emissoras de TV, cinema, empresas de telecomunicações e produtores independentes, partes interessadas no processo. Eunício disse que de todos ouviu críticas ao projeto, embora todos achem que a proposta tenha seus méritos. Nas últimas duas audiências públicas realizadas, em dezembro passado, as emissoras e programadoras, como a Sky, apoiaram a proposta de entrada das teles no mercado, que foi negociada na Câmara, mas reprovaram as cotas de produção brasileira na grade.

Mas, para o relator da matéria, a controvérsia é interessante. “Por desagradar e simultaneamente agradar, ele é um projeto que está equilibrado”, afirmou Eunício. Apesar disso, o ex-ministro e senador enfatiza que ainda está ouvindo as partes e que seu relatório não será, necessariamente, a manutenção do texto que veio da Câmara.

Por isso, ele articula junto com outras comissões uma nova audiência pública com os representantes do mercado de TV paga. A Comissão de Assuntos Econômicos já aprovou reunião conjunta com os senadores da CCJ e das comissões de Ciência e Tecnologia, de Educação e de Defesa do Consumidor.

12 anos de cotas

As cotas de obrigatoriedade de programação nacional previstas no projeto durarão 12 anos. No primeiro ano, deverá haver 1h10 por semana em horário nobre com programação brasileira em canais de “espaço qualificado”, que são os canais de filmes, seriados, animações, documentários, dramaturgia, por exemplo. No segundo ano, 2h20. Depois, serão dez anos com 3h30 por semana – cerca de 30 minutos diários. Metade dos horários de programação brasileira deverá ser criada por produtores independentes, ou seja, sem ligação com teles, emissoras e programadoras de TV.

Há ainda uma cota de canais brasileiros. Para cada três canais “qualificados”, deve existir um nacional. As emissoras e programadoras são contra essa reserva de mercado tupiniquim. “Uma coisa é estimular a cultura nacional; outra é impor às pessoas o consumo da cultura nacional”, disse a advogada Renata Pagy Bonilha, da Sky, em audiência pública no Senado no ano passado.

Entenda a evolução do projeto das TVs por assinatura

1. O PL 29/07, do deputado Paulo Borhausen (DEM-SC), permitia que as empresas de telecomunicações participassem do mercado de TV por assinatura, só permitido às empresas de rádio e TV. Foi aprovado na Câmara no primeiro semestre do ano passado, mas, para isso, houve um acordo entre as partes. As emissoras e produtoras ficam com a exclusividade na produção dos programas e canais, além da formação de pacotes para os assinantes. As teles só podem operar no setor de distribuição do sinal.

2. Mas deputados como Walter Pinheiro (PT-BA) conseguiram incluir na proposta ideias de outros projetos para incentivar a produção brasileira de cinema e vídeo. O PL 29 saiu da Câmara com cotas para a produção nacional. Durante 12 anos, serão 30 minutos por dia em horário nobre em canais badalados como HBO, Sony e Warner. A ideia enfrenta resistência da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA) e de senadores oposicionistas, como Alvaro Dias (PSDB-PR).

3. Renumerado como PLC 116/10, o projeto está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e o relator é o próprio presidente do colegiado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). Em maio deve haver audiência pública com os interessados para debater o assunto. Nesta semana, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), cobrará uma posição da Casa Civil.
A entrada das teles no mercado foi feita de maneira negociada na Câmara. As emissoras, produtoras e programadoras ficaram com o setor de produção, programação e empacotamento de canais. Já as teles ficaram com a distribuição. Havia o temor de que as prestadoras de telefonia, donas de um faturamento anual de R$ 130 bilhões ,“engolissem” os radiodifusores, com R$ 20 bilhões, por terem capacidade de dominar todas as fases do mercado da TV paga.

Interferência estatal

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) é um dos que está contra a política de cotas prevista no PL 116. Ele disse que teme a interferência estatal na produção artística. “Também tem vícios de constitucionalidade e, por isso, não permitimos ir ao plenário”, afirmou ele ao Congresso em Foco. No ano passado, o presidente da CCJ e relator da matéria, Demóstenes Torres (DEM-GO), disse que, se o Senado aprovasse o texto, o Supremo Tribunal Federal (STF) iria derrubá-lo.

Uma das inconstitucionalidades seria delegar poderes de fiscalização à Ancine. Outra, disse Demóstenes no ano passado, é o estabelecimento de cotas de produção nacional. O senador não foi localizado pela reportagem do site.

Repetição de filmes

Ex-deputado que atuou no projeto e hoje senador, Walter Pinheiro entende que o estabelecimento das cotas é benéfico para todos, inclusive para as empresas que vão faturar mais exibindo conteúdo nacional. Ele diz que há “miopia” na visão das emissoras e programadoras de TV. Pinheiro lembra que diversos bons produtores brasileiros não conseguem emplacar suas obras na televisão, mesmo tendo qualidade.

O senador diz que baixa qualidade é não dar espaço para temas diferentes na TV. “Material de baixa qualidade é assistir O diabo veste Prada [filme de David Frankel, com Merryl Streep e Anne Hathaway] sete vezes na semana. É um ótimo filme, mas eu não aguento mais ver. Duro de matar [filme de John McTiernan, com Bruce Willys] é duro de ver, principalmente na época do Natal. É o mesmo filme”, afirmou Pinheiro ao site.

Veja o que diz o projeto de lei 116/10

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Cinema nacional atrai 22 milhões de espectadores

Do M&M Online

Mais de 22,3 milhões de pessoas já foram ao cinema em 2010 para assistir a filmes brasileiros. Segundo o Filme B, site e consultoria especializada no tema, a quantidade de ingressos vendidos é recorde na história do cinema nacional.

Resultado de pouco mais de dez meses de bilheterias, o número supera em 39% o total de público (16 092 482) que os filmes brasileiros levaram às salas de cinema do País nos 12 meses de 2009 – que já era o melhor desempenho das obras nacionais desde 2005 e ficara 76% acima do público registrado em 2008.

O principal motor desse vigoroso incremento é Tropa de Elite 2. O arrasa-quarteirão do diretor José Padilha é o filme mais visto no Brasil em 2010, à frente de produções milionárias estrangeiras como Shrek e Eclipse. A cada 100 ingressos vendidos nas salas de cinema este ano, 7 foram para a continuação da saga do Capitão Nascimento.

De acordo com relatório da Agência Nacional do Cinema (Ancine), a renda acumulada dos filmes brasileiros entre 1º de janeiro e 4 de novembro chegou aos R$ 182 milhões. O montante é superior em mais de R$ 50 milhões a todo o movimento ao longo de 2009 (R$ 131.936.273,88).Já o preço médio do ingresso para obras nacionais chegou a R$ 8,82. Este mesmo índice encerrou 2009 em R$ 8,20.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Cinema: Programadora Brasil lança mais 206 títulos em DVD

Do TelaViva News

A Programadora Brasil lança durante o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, no dia 28 de novembro, 206 títulos nacionais licenciados para a exibição pública. Os filmes estão organizados em 60 DVDs, com temas variados e incluem obras recentes e clássicos do cinema brasileiro. Realizada pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, por meio da Cinemateca Brasileira, a Programadora Brasil iniciou suas atividades em 2007 e atua distribuindo títulos em uma rede não comercial de exibição audiovisual e estimulando os circuitos já existentes.

Com o lançamento, 700 títulos, divididos em 214 DVDs, estarão à disposição dos mais de 1500 pontos de exibição audiovisual associados à Programadora Brasil. O site www.programadorabrasil.org.br traz o o catálogo da programadoras e informações sobre como se associar.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Brasil produziu 386,4 milhões de livros em 2009

Rosely Boschini, empresária do setor editorial, é a presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL)
Fonte: Câmara Brasileira do Livro publicado no blog


Ilustração: capa de Educar para a paz em tempos difíceis, de Xesús Jares. Tradução: Elisabete Santana. Palas Athena Editora.


O primeiro livro impresso no Brasil antecede a criação da Imprensa Régia, em 1808, por D. João VI. Sua publicação data de 1747. Foi produzido na tipografia clandestina de Antônio Isidoro da Fonseca, abordando a “Relação da entrada que fez o excellentissimo, e reverendissimo senhor D. Fr. Antonio do Desterro Malheyro, Bispo do Rio de Janeiro”. Nosso bibliófilo maior, José Mindlin, observa o seguinte: "Este livro raríssimo é, aparentemente, o único realmente publicado no Brasil no século XVIII. Apesar do seu texto inocente, provocou violenta reação em Portugal. Seu impressor foi preso e enviado a Lisboa e sua oficina foi apreendida. O simples fato de se poder imprimir no País já constituía perigo de sedição".

Quase três séculos depois, o Brasil produziu 386,4 milhões de livros em 2009, conforme indica a recém-divulgada Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, realizada pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo), para a CBL e o SNEL. Ademais, ao contrário do que ocorria na Colônia e em alguns tristes períodos do Império e da República, a produção editorial e o hábito de leitura tornaram-se os paradigmas da liberdade de expressão e pensamento conquistada por nossa sociedade. Sob essa égide, o livro consolida-se no País como um dos mais eficazes e acessíveis meios de democratização do conhecimento e da cultura (seus preços caíram mais 3,52% no ano passado).

O brasileiro percebe com clareza essa realidade. Tanto que, em plena era cibernética, 743 mil pessoas visitaram a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em agosto, nos dez dias nos quais ficou aberta ao público não-profissional. Oitenta por cento desse contingente, segundo pesquisa do Instituto Datafolha, compraram livros na feira, com um gasto médio individual de 90 reais, movimentando total próximo a 50 milhões de reais.

Os números do evento e as estatísticas da Pesquisa Fipe indicam haver boas perspectivas para o Brasil resgatar seu passivo cultural e educacional, pelo qual tem pago alto preço, em especial no tocante à sua agenda de desenvolvimento. A negligência com a educação e o descaso com a formação intelectual da população, equívocos de quase cinco séculos, vão sendo paulatinamente revertidos, com o maior acesso à escola pública e combate aos resquícios do analfabetismo.

Obviamente, ainda há muito a ser feito quanto à inclusão e melhoria da qualidade do ensino, multiplicação do número de bibliotecas públicas e disseminação do hábito de leitura. No entanto, os avanços são inegáveis nos 188 anos de nossa Independência, comemorados no 7 de setembro de 2010. Em todo esse período, o livro tem sido um dos protagonistas dos processos de transformação política e social, pois a conquista do conhecimento é essencial para credenciar pessoas e povos à plena liberdade!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Fundo Setorial do Audiovisual investe R$ 39,5 milhões em produção de longas

Do TelaViva news

A Ancine e a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) divulgaram nesta quinta, 14, a lista dos projetos que receberão investimentos através da linha A do Fundo Setorial do Audiovisual. A linha A é destinada a investimentos em projetos de produção de longas-metragens. O investimento total será de R$ 39.251.439 milhões na produção de 45 projetos, apresentados por 41 produtoras. Segundo a Ancine, foram apresentadas 207 propostas, das quais 193 projetos foram aprovados na fase de habilitação, e 46 participaram da etapa final, de defesa oral dos projetos.

Dos aprovados para receber investimentos, 36 são obras de ficção, dois são documentários e sete são animações. As produtoras estão sediadas em seis estados (Bahia, Ceará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo) e no Distrito Federal.

Para ver a a relação de empresas e projetos contemplados na linha A do Fundo Setorial do Audiovisual, clique aqui.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Cinema: mostra do CCBB recupera documentários brasileiro

CINEASTAS E IMAGENS DO POVO é a mostra realizada pelo CCBB que recupera obras fundamentais da linguagem documental no Brasil. Um total de 38 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens com a essência do documentário brasileiro será apresentada na mostra que vai até 27 de junho em Brasília.

Foi com base no livro CINEASTAS E IMAGENS DO POVO, trabalho de Jean-Claude Bernardet (que se transformou numa espécie de Bíblia para todos os que decidem conhecer o universo documental brasileiro), que foi concebida a mostra de cinema que leva o mesmo título do livro.

Esta é a primeira vez que se reúnem os títulos citados e analisados por Jean-Claude Bernardet. Segundo o curador, Simplício Neto, a iniciativa quis propiciar um encontro entre espectador e obras referenciais, que são citadas por estudiosos, mas permanecem inacessíveis a grande parte da população. Vários dentre os títulos precisaram passar por um cuidadoso trabalho de restauração antes de chegar às telas.
“Muitos só foram exibidos em cineclubes ou dentro de apartamentos na época da ditadura, tornando esse acervo praticamente inédito em salas de exibição”, analisa o curador. Segundo ele, a realização da mostra é também uma homenagem “ao francês mais brasileiro que conhecemos e a sua obra e dedicação ao cinema, como jornalista, professor, escritor, roteirista e ator, que em 2009 completou 73 anos”.

Debates

Nesses documentários, além da apresentação do desenvolvimento da linguagem, pode-se perceber a evolução do nível de debate sobre as grandes questões sociais e políticas nacionais. Além das exibições, serão realizados dois debates, com cineastas cuja obra está contemplada na mostra.
No primeiro, marcado para sábado, dia 19 de junho, o curador recebe o documentarista Vladimir Carvalho, que participa da programação com os filmes A pedra da riqueza: ou a peleja do sertanejo para desencantar a pedra que foi parar na lua com a nave dos astronautas e Brasília segundo Feldman. O segundo debate, no dia 26 de junho, trará a Brasília o realizador Aloysio Raulino, que assina três títulos da mostra: Tarumã, Jardim Nova Bahia e O porto de Santos. Os debates têm entrada franca e começam sempre às 20h30.

Curiosidades

- Na programação, os primeiros filmes de grandes cineastas e técnicos que farão a história do cinema brasileiro, no momento mais radical de suas carreiras: os documentários de resistência à ditadura, as experimentações de linguagem de nomes como João Batista de Andrade, Eduardo Coutinho, Leon Hirszman, Maurice Capovilla, Silvio Tendler, Vladimir Carvalho e Arnaldo Jabor.

- Sessões paralelas com filmes mais recentes que assumem a influência dos filmes citados por Bernardet, e dialogam com eles diretamente, como O PRISIONEIRO DA GRADE DE FERRO, de Paulo Sacramento, que chamou Aloysio Raulino (diretor de JARDIM NOVA BAHIA) para refazer a experiência de passar a câmera para as pessoas em foco no documentário, como Raulino havia feito duas décadas antes. E PEÕES, de Eduardo Coutinho, que registra como veteranos operários das greves do ABC reagem ao rever filmes como BRAÇOS CRUZADOS MÁQUINAS PARADAS, de Roberto Gervitiz, GREVE, de João Batista de Andrade, e LINHA DE MONTAGEM, de Renato Tapajós.

- Muitos filmes têm trilha sonora de grandes nomes da MPB dos anos 60. PASSE LIVRE, de Oswaldo Caldeira, por exemplo, tem trilha de Gilberto Gil, Novos Baianos e Jards Macalé. Um filme para quem gosta de futebol e a contracultura musical brasileira dos anos 70. O personagem principal, o jogador do Botafogo Afonsinho, era considerado o “hippie dos campos”, barbudo e cabeludo, quebrou padrões e era amigo dos músicos tropicalistas. Gil dedicou-lhe a musica “Meio de campo”, que cuja letra começa com o verso “Prezado amigo Afonsinho...". Há no filme uma performance completa de Gil tocando esta música. O filme mostra o litígio do Botafogo com o mítico Afonsinho, que adquiriu a posse de seu próprio passe na Justiça, feito raramente alcançado. A questão do passe se discute até hoje no Futebol. Depoimentos de Afonsinho, Zagallo, João Saldanha e Flávio Costa, entre outros.

- Em OPINIÃO PUBLICA, de Arnaldo Jabor, vemos o jovem Jerry Adriani servindo de exemplo de cantor popular, no auge de sua fase de ídolo da Jovem Guarda.

- LAVRA-DOR, de Joel Rufino e Ana Carolina é baseado no livro homônimo de Mario Chamie, poeta de vanguarda dos anos 60, o líder do movimento da Poesia Práxis, iniciado com esse livro, que teria influenciado Chico Buarque na letra de “Construção”. O filme é uma colagem de imagens da luta pela reforma agrária em cima de textos de Chamie lidos pelo ator Jofre Soares.

- Filmes integralmente censurados pela ditadura serão exibidos na mostra, como LIBERDADE DE IMPRENSA, de João Batista de Andrade, feito logo após o golpe de 64, que mostra uma entrevista com Carlos Lacerda mostrando seu afastamento dos militares que antes apoiara, chamando o regime já em 66 de semi-ditadura, e TARUMÃ, de Aloysio Raulino, que é o registro de um contundente depoimento de uma trabalhadora rural. Ambos filme ficaram censurados por décadas.
- Pela primeira vez no Brasil poderão ser assistidos em conjunto um grupo de filmes que registrou as Greves do ABC no final dos anos 70. São filmes imprescindíveis para se entender a redemocratização do Brasil e o inicio da chamada Era Lula, como GREVE, de João Batista de Andrade, BRAÇOS CRUZADOS MÁQUINAS PARADAS, de Roberto Gervitz e LINHA DE MONTAGEM, de Renato Tapajós. Vemos o líder sindical e futuro presidente em suas primeiras atuações públicas, e todas as emocionantes imagens de luta dos operários.

- O artista plástico Antônio Manuel fez CULTURA E LOUCURA em 1973, sua incursão no cinema documentário de vanguarda. Com participação de Rogério Duarte, Hélio Oiticica, Lygia Pape, Luiz Saldanha e Caetano Veloso, o filme é construído por tomadas fixas de seus participantes em três planos – frente, perfil e costas –, de modo semelhante aqueles utilizados em fichas policiais.

PROGRAMAÇÃO

16 de junho, quarta-feira
18h30 - PROGRAMA 17 – DIÁLOGO COM “A ENTREVISTA” - Jorjamado no cinema (Glauber Rocha), Memória do cangaço (Paulo Gil Soares)

20h30 - PROGRAMA 12 – A ENTREVISTA - Casa de cachorro (Thiago Villas Boas), À margem da imagem (Evaldo Mocarzel)

17 de junho, quinta-feira
18h30 - PROGRAMA 16 – DIÁLOGO COM “FILMAR A HISTÓRIA” - São Paulo Sinfonia e Cacofonia (Jean-Claude Bernardet), Isto é Noel (Rogério Sganzerla)

20h30 - PROGRAMA 10 – FILMAR A HISTORIA 1 - Cabra marcado para morrer (Eduardo Coutinho)

18 de junho, sexta-feira
18h30 - PROGRAMA 5 – O SEGREDO DA VOZ DO OUTRO 1 - Tarumã (Mario Kuperman), Mito e metamorfoses das mães nagô (Iya-Mi-Agbá - Arte sacra negra II) (Juana Elbein dos Santos)

20h30 - PROGRAMA 11 – FILMAR A HISTÓRIA 2 - Os anos JK, uma trajetória política (Sílvio Tendler)

19 de junho, sábado
16h30 - PROGRAMA 1 – A VOZ DO DONO - Maioria absoluta (Leon Hirszman), Subterrâneos do futebol (Maurice Capovilla), Passe Livre (Oswaldo Caldeira)

18h30 - PROGRAMA 4 – VERTENTES OUTRAS - Aruanda (Linduarte Noronha), A pedra da riqueza: ou a peleja do sertanejo para desencantar a pedra que foi parar na lua com a nave dos astronautas (Vladimir Carvalho), Brasília segundo Feldman (Vladimir Carvalho), Cultura & loucura (Antônio Manuel)

20h30 - DEBATE com Vladimir Carvalho

20 de junho, domingo
20h30 - PROGRAMA 2 – O ESPELHO PERTURBA O MÉTODO - A opinião pública (Arnaldo Jabor)

22 de junho, terça-feira
18h30 - PROGRAMA 12 – A ENTREVISTA - Casa de cachorro (Thiago Villas Boas), À margem da imagem (Evaldo Mocarzel)
20h30 - PROGRAMA 11 – FILMAR A HISTÓRIA 2 - Os anos JK, uma trajetória política (Sílvio Tendler)

23 de junho, quarta-feira
18h30 - PROGRAMA 4 – VERTENTES OUTRAS - Aruanda (Linduarte Noronha), A pedra da riqueza: ou a peleja do sertanejo para desencantar a pedra que foi parar na lua com a nave dos astronautas (Vladimir Carvalho), Brasília segundo Feldman (Vladimir Carvalho), Cultura & loucura (Antônio Manuel)

20h30 - PROGRAMA 18 – DIÁLOGO COM BERNARDET - Iracema - Uma transa amazônica (Jorge Bodanzky e Orlando Senna)

24 de junho, quinta-feira
18h30 - PROGRAMA 7 – OPERÁRIOS 1- Greve (João Batista de Andrade), Os queixadas (Rogério Corrêa), Chapeleiros (Adrian Cooper)

20h30 - PROGRAMA 19 – DIÁLOGO COM A FICÇÃO - O homem que virou suco (João Batista de Andrade

25 de junho, sexta-feira
18h30 - PROGRAMA 15 – DIÁLOGO COM OPERÁRIOS - Peões (Eduardo Coutinho)
20h30 - PROGRAMA 9 – OPERÁRIOS 3 - Linha de montagem (Renato Tapajós)

26 de junho, sábado
16h30 - PROGRAMA 3 – EM BUSCA DA VOZ DO DOCUMENTARISTA - Liberdade de imprensa (João Batista de Andrade), Migrantes (João Batista de Andrade), Lavra-Dor (Paulo Rufino), Congo (Arthur Omar)

18h30 - PROGRAMA 8 – OPERÁRIOS 2 - O porto de Santos, (Aloysio Raulino), Braços cruzados, máquinas paradas (Sérgio Toledo Segall e Roberto Gervitz)

20h30 - DEBATE com Aloysio Raulino

27 de junho, domingo
16h30 - PROGRAMA 5 – O SEGREDO DA VOZ DO OUTRO 1 - Tarumã (Mario Kuperman), Mito e metamorfoses das mães nagô (Iya-Mi-Agbá - Arte sacra negra II) (Juana Elbein dos Santos)

18h30 - PROGRAMA 6 – O SEGREDO DA VOZ DO OUTRO 2 - Jardim Nova Bahia (Aloysio Raulino), Gilda (Augusto Sevá), Destruição cerebral (Carlos Fernando Borges, Joatan Vilela Berbel, José Carlos Avellar, Nick Zarvos e Paulo Chaves Fernandes)

20h30 - PROGRAMA 13 – DIÁLOGO COM “O SEGREDO DA VOZ DO OUTRO” - O prisioneiro da grade de ferro (Paulo Sacramento)
SINOPSES

PROGRAMA 1 – A VOZ DO DONO
. Maioria absoluta [Leon Hirszman, 1964] 35 mm [exibição em beta], p&b, 18 min, 14 anos
Estatísticas, entrevistas e informações históricas sobre a problemática do latifúndio na estrutura agrária brasileira. Depoimentos de camponeses e imagens do Palácio do Planalto e do Congresso em Brasília. A alfabetização pelo método Paulo Freire.

. Subterrâneos do futebol [Maurice Capovilla, 1964/65] 16 mm [exibição em beta], p&b, 30 min, livre
Episódio do longa Brasil Verdade (1968). O futebol brasileiro analisado a partir de seus subterrâneos; as práticas e a festa fora do campo; o torcedor que só deseja a vitória de seu time “pra esquecer que tem que pagar a prestação e está sem dinheiro”. Acompanha jogadores no gramado e crianças sem escola que começam a se apaixonar pela prática. O futebol no Brasil como ópio do povo.

. Passe livre [Oswaldo Caldeira, 1974] 16 mm [exibição em beta], cor, 75 min, livre
A problemática geral do jogador de futebol profissional brasileiro, com base numa visão crítica do caso de Afonsinho que, após litígio com o Botafogo, ganhou na Justiça o direito de dispor de seu passe. Os problemas das equipes juvenis e dos craques velhos, as relações de trabalho entre jogadores e dirigentes de clubes, o fascínio do futebol sobre as crianças.

PROGRAMA 2 – O ESPELHO PERTURBA O MÉTODO
. A opinião pública [Arnaldo Jabor, 1967] 35 mm [exibição em DVD], p&b, 78 min, 14 anos
Por meio de depoimentos de estudantes, a classe média carioca é retratada de maneira a salientar seus gestos, seus gostos, e sobretudo sua distância frente à realidade brasileira.

+ PROGRAMA 3 – EM BUSCA DA VOZ DO DOCUMENTARISTA
. Liberdade de imprensa [João Batista de Andrade, 1967] 16 mm, p&b, 24 min, livre
Aspectos do problema da liberdade de imprensa no Brasil nos anos 1964/67. Desde os aspectos ideológicos até os relativos ao poder econômico, capital estrangeiro e censura política. Um painel da época, no qual imagens dos principais acontecimentos alternam-se com entrevistas com especialistas e políticos.

. Migrantes [João Batista de Andrade, 1972] 16 mm, p&b, 7 min, livre
Moradores e comerciantes do Parque Dom Pedro reclamam da presença de “marginais” que se abrigam sob os viadutos. Entrevista com seu Sebastião, chefe de uma dessas milhares de famílias de migrante. Um diálogo entre seu Sebastião, que explica os motivos de sua migração, e um paulistano, que o aconselha a voltar para o campo.

. Lavra-Dor [Paulo Rufino, 1968] 16 mm [exibição em beta], p&b, 11 min, livre
A situação dos lavradores diante das promessas de reforma agrária veiculadas até meados da década de 1960; e o desânimo e o medo provocados pelo golpe militar de 1964, que amordaça os sindicatos rurais brasileiros. Cenas de arquivo, fotos em table top, remontagem de poemas de Mário Chamie orquestram uma realidade explicitamente representada como cinema.

. Congo [Arthur Omar, 1972] 16 mm, p&b, 11 min, livre
O tema de Congo é a congada, um auto dramático popular. Quase todo construído com letreiros que ocupam o lugar das imagens, Congo se propunha como um “filme em branco”. Uma crítica do olhar colonizador da Antropologia, a qual reduziria a violência inerente às práticas populares a simples descrições científicas, conceitos, discursos.

+ PROGRAMA 4 – VERTENTES OUTRAS
. Aruanda [Linduarte Noronha, 1960] 35 mm [exibição em beta], p&b, 21 min, livre
O antigo quilombo existente na Serra do Talhado, Paraíba. A população permanece totalmente marginalizada da vida socioeconômica do país, vivendo do artesanato de cerâmica vendido nas feiras ao pé da serra. A música sublinha a angustiosa repetição de uma vida estagnada.

. A pedra da riqueza: ou a peleja do sertanejo para desencantar a pedra que foi parar na lua com a nave dos astronautas [Vladimir Carvalho, 1976] 35 mm [exibição em 16 mm], p&b, 15 min, livre

Documentário sobre os garimpeiros que extraem e tratam a xilita nas minas do Nordeste brasileiro, consideradas as mais importantes do mundo. As rudimentares condições de vida desses trabalhadores, que desconhecem o próprio sentido de sua ação. A pedra da riqueza retira dessa realidade os pontos principais para enfocar sua denúncia: a exploração do homem.

. Brasília segundo Feldman [Vladimir Carvalho,1979] 35 mm [exibição em 16 mm], cor, 21 min, livre
Ao material documental da construção de Brasília, filma do pelo designer americano Eugene Feldman, são sobre postos os depoimentos dos pioneiros Athos Bulcão e Luiz Perseghini.

. Cultura & loucura [Antonio Manuel, 1973] 35 mm [exibição em beta, telecine feito pela mostra], p&b, 9 min, livre
Fragmentos e registros sobre o que seriam a loucura e a cultura, a partir de um debate realizado no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1968.

+ PROGRAMA 5 – O SEGREDO DA VOZ DO OUTRO 1
. Taruma [Mario Kuperman, 1975] 16 mm [exibição em beta, telecine feito pela mostra], cor, 13 min, livre
O dramático depoimento de uma trabalhadora rural da região oeste do estado de São Paulo, entrevistada em Tarumã, sobre as condições de vida de sua família e de sua classe social. A marginalização, a que está sujeita imensa parcela da população que vive nos campos, é evidenciada pela descrição que esta mulher faz de seus problemas.

. Mito e metamorfose das mães nagô (Arte sacra negra II) [Juana Elbein dos Santos, 1979] 16 mm [cópia nova feita pela mostra], p&b, 51 min, livre

Um mito cosmogônico da cultura nagô; o papel das mães ancestrais; penas e escamas: o corpo materno. Os objetos do ritual, vestes litúrgicas, cores, gestos, danças. A intangibilidade do sagrado.

+ PROGRAMA 6 – O SEGREDO DA VOZ DO OUTRO 2
. Jardim Nova Bahia [Aloysio Raulino, 1971] 35 mm [cópia nova feita pela mostra], cor e p&b, 15 min, livre
Depoimento prestado por Deutrudes Carlos da Rocha, baiano de 24 anos, lavador de automóveis, que vive em São Paulo. Em sua primeira parte, o depoimento de Deutrudes é alternado com aspectos de outros baianos da sua mesma condição. Na segunda parte, ele próprio empunha a câmara, exprimindo-se livremente, sem qualquer interferência do realizador.

. Gilda [Augusto Sevá, 1977] 35 mm, cor, 13 min, livre
“Minha história é um romance... porque fiz o filme Gilda”. Jovina de Oliveira, moradora de Campinas, SP, vive num mundo fantasioso povoado de estrelas do cinema norte- americano, imagina ter sido a vedete do filme Gilda (Rita Hayworth do filme de Charles Vidor, de 1946), ter sido amante de astros... Pessoa ou personagem, metáfora de algo bem maior do que eles: a dominação cultural.

. Destruição cerebral, esmagamento craniano, precipitação, fraturas generalizadas [Carlos Fernando Borges, Joatan Vilela Berbel, José Carlos Avellar, Nick Zarvos, Paulo Chaves Fernandes, 1977] 16 mm [exibição em beta, telecine feito pela mostra], cor, 40 min, 14 anos

Bom pai de família, conceituado operário da Volkswagem e militante sindical rompe com tudo e faz uma viagem pelo Brasil, que o leva inicialmente a Brasília, imagem do poder; depois a Belém, onde se suicida espetacularmente. É uma viagem em busca de um absoluto indefinido, em total oposição ao sistema.

+ PROGRAMA 7 – OPERÁRIOS 1
. Greve [João Batista de Andrade, 1979] 35 mm [exibição em 16 mm], cor, 37 min, livre
Os principais acontecimentos da greve dos metalúrgicos do abc, ocorrida em março de 1979. Naqueles dias, o sindicato esteve sob intervenção, e Lula e outros dirigentes haviam sido afastados. Entre outras cenas, o filme entre vista e mostra o cotidiano dos operários, documenta assembléias, e entrevista o interventor do sindicato.

. Os queixadas [Rogério Corrêa, 1978] 16 mm, cor, 30 min, livre
Queixada é um animal de pequeno porte que, quando se sente ameaçado, junta-se em bando para enfrentar o perigo. Esse apelido foi dado aos operários da Companhia de Cimento de Perus (SP) quando, em 1962, organizaram uma greve por atrasos de salários e falta de condições de trabalho. O documentário é uma reconstituição dramatizada pelos próprios operários que participaram do movimento, 16 anos depois.

. Chapeleiros [Adrian Cooper, 1983] 16 mm, cor, 24 min, livre
Flagrantes de trabalhadores de uma fábrica de chapéus. A singular entrada na fábrica, o contacto direto com os chapéus, o ritmo das máquinas, o ritmo dos trabalhos manuais, o horário precioso do almoço, as silhuetas dos corpos.

+ PROGRAMA 8 – OPERÁRIOS 2
. O Porto de Santos [Aloysio Raulino, 1979] 35 mm [cópia nova feita pela mostra], p&b, 19 min, livre
Por meio de planos densos de ambiguidade, uma descrição poética do Porto de Santos e seus trabalhadores – doqueiros, prostitutas, marinheiros, um capoeirista –, provavelmente envolvidos numa paralisação grevista.

. Braços cruzados, máquinas paradas [Sérgio Toledo Segall e Roberto Gervitz, 1979] 16 mm, p&b, 76 min, livre
A atual estrutura sindical brasileira, com trechos de filmes da época em que foi criado o Estado Novo. Mostra a campanha eleitoral, em maio de 1978, para a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e as greves que eclodem durante a campanha. Discute o movimento grevista, a legislação sindical, as propostas das chapas; e as reações dos setores governamentais e empresariais ao movimento. Documenta as eleições sindicais e seu desfecho.

+ PROGRAMA 9 – OPERÁRIOS 3
. Linha de montagem [Renato Tapajós, 1981] 16 mm [exibição em 35 mm], cor, 90 min, livre
Investigação sobre a gênese do movimento sindical de São Bernardo do Campo entre os anos de 1978 e 1981, quando se produziram as maiores greves de metalúrgicos na região, desafiando a repressão do final da ditadura militar. Radiografa-se a cidade no calor da grande efervescência das assembléias no estádio da Vila Euclides.

+ PROGRAMA 10 – FILMAR A HISTORIA 1
. Cabra marcado para morrer [Eduardo Coutinho, 1964/84] 35mm, cor e p&b, 119 min, 12 anos
Em fevereiro de 1964, inicia-se a produção do filme, que seria de ficção baseado em fatos reais da história política do líder da Liga Camponesa de Sapé (Paraíba), João Pedro Teixeira, assassinado em 1962. Com o golpe de 31 de março de 1964, as forças militares cercam a locação e interrompem as filmagens. Dezessete anos mais tarde, Eduardo Coutinho sai em busca da viúva, Elisabeth Teixeira, e a encontra com outro nome, vivendo na clandestinidade.

+ PROGRAMA 11 – FILMAR A HISTÓRIA 2
. Os anos JK, uma trajetória política [Sílvio Tendler, 1980] 35 mm [exibição em beta], cor, 109 min, livre
A história política brasileira de 1945 até o início da década de 1980, tendo como personagem central o presidente Juscelino Kubitschek, a partir de imagens e sons de cinejornais, filmes de pequenos produtores e realizadores independentes, além de farto material pesquisado em estações de TV e cinematecas. Uma discussão sobre um dos períodos mais democráticos da nossa sociedade.

+ PROGRAMA 12 – A ENTREVISTA
. À margem da imagem [Evaldo Mocarzel, 2002] 35 mm, cor, 72 min, livre
O cotidiano dos moradores de rua da cidade de São Paulo, principalmente da região central. Nesta área os moradores têm acesso a produtos e materiais descartados pelos escritórios, bancos e estabelecimentos comerciais. Com esses restos essa população vem criando uma “arquitetura” e uma cultura própria que, ao mesmo tempo, expressam sua identidade e uma forma de resistência de métodos alternativos e espontâneos de viver numa grande cidade.

. Casa de cachorro [Thiago Villas Boas, 2001] MiniDV [exibição em beta], cor, 26 min, livre
Era uma vez o melhor lugar do mundo para se morar... Sob o viaduto ao lado do Ceagesp, em São Paulo, algumas famílias constroem casas de cachorro com a madeira dos caixotes abandonada pelos comerciantes do entreposto. Habituados ao local – poluído, cheio de trânsito e perigoso –, os moradores vão ter de enfrentar a Prefeitura de São Paulo, que quer desalojá-los.

+ PROGRAMA 13 – DIÁLOGO COM “O SEGREDO DA VOZ DO OUTRO”
. O prisioneiro da grade de ferro [Paulo Sacramento, 2004] 35 mm, cor, 123 min, 16 anos
Documentário que pretende retratar e refletir sobre a realidade do sistema carcerário brasileiro, em um momento em que suas contradições se exacerbam, beirando os limites da aceitabilidade.

+ PROGRAMA 14 – DIÁLOGO COM “O ESPELHO PERTURBA O MÉTODO”
. Pacific [Marcelo Pedroso, 2009] DVcam [exibição em beta], cor, 74 min, 10 anos
Uma viagem de sonho em um cruzeiro rumo a Fernando de Noronha. As lentes dos passageiros captam tudo a todo instante. E eles se divertem, brincam, vão a noitadas. Desfrutam de seu ideal de conforto e bem-estar. E, a cada dia, aproximam-se mais do tão sonhado paraíso tropical...

+ PROGRAMA 15 – DIÁLOGO COM OPERÁRIOS
. Peões [Eduardo Coutinho, 2004] 35 mm [exibição em DVD], cor, 85 min, livre
A história pessoal de metalúrgicos do ABC Paulista que tomaram parte no movimento grevista de 1979 e 1980, mas permaneceram em relativo anonimato. Suas origens, a participação no movimento e os caminhos que suas vidas trilharam desde então; a militância política no âmbito familiar, e as visão pessoais de Luiz Inácio Lula da Silva e dos rumos do país.

+ PROGRAMA 16 – DIÁLOGO COM “FILMAR A HISTÓRIA”
. São Paulo, sinfonia e cacofonia [Jean-Claude Bernardet, 1994] Beta, cor, 29 min, 14 anos
Filme-montagem composto de diálogos entre fragmentos de filmes paulistas de diversas épocas. Ode de amor e ódio à cidade de São Paulo.

. Isto é Noel [Rogério Sganzerla, 1991] Beta, cor e p&b, 42 min, livre
Os últimos dias da vida de um compositor famoso como Noel Rosa, vítima de uma dupla pneumonia, vagando sozinho pelas ruas do Rio de Janeiro durante o carnaval. Carnaval que, para ele, “nada mais era do que uma amostra na terra de como será o inferno no céu”. “Não fui feito para durar para sempre”, dizia.

+ PROGRAMA 17 – DIÁLOGO COM “A ENTREVISTA”
. Jorjamado no cinema [Glauber Rocha, 1979] 16 mm, cor, 51 min, 10 anos
Entrevista com Jorge Amado em sua casa no Rio de Janeiro. O escritor fala sobre sua obra e sua carreira literária, seus livros adaptados para o cinema, particularmente Tenda dos Milagres, Os pastores da noite, Dona Flor e seus dois maridos.

. Memória do cangaço [Paulo Gil Soares, 1965] 35 mm [exibição em DVD], p&b, 30 min, 14 anos
As origens do cangaço, movimento armado de bandoleiros no Nordeste entre 1935 e 1939, com entrevistas de alguns sobreviventes da luta, policiais e cangaceiros.

+ PROGRAMA 18 – DIÁLOGO COM BERNARDET
. Iracema, uma transa amazônica [Jorge Bodanzky e Orlando Senna, 1974] 35 mm, cor, 90 min, 18 anos
Em contraste com a propaganda oficial da ditadura, que alardeava um país em expansão com a construção da Transamazônica, uma câmera sensível revelava os problemas que essa estrada traria para a região: desmatamento, queimadas, trabalho escravo, prostituição infantil. Misturando documentário e ficção, o filme narra a história da jovem Iracema e do motorista Tião Brasil Grande, emblemática da realidade brasileira.

+ PROGRAMA 19 – DIÁLOGO COM A FICÇÃO
. O homem que virou suco [João Batista de Andrade, 1979] 35 mm, cor, 97 min, 16 anos
Deraldo, poeta popular recém-chegado do Nordeste a São Paulo, sobrevivendo de suas poesias e folhetos é confundi do com o operário de uma multinacional que mata o patrão na festa em que recebe o título de operário símbolo. O filme aborda a resistência do poeta diante de uma sociedade opressora, esmagando o homem dia a dia, eliminando suas raízes.

+ PROGRAMA 20 – NOVAS IMAGENS DO POVO 1
. Uma avenida chamada Brasil [Octávio Bezerra, 1988] 35 mm, cor, 85 min, 16 anos
A Avenida Brasil, uma das principais vias de acesso do Rio de Janeiro, é o palco de muitas histórias de diversos personagens anônimos. Acidentes de tráfego, assaltos a banco, engarrafa mentos ou um animado jogo de futebol de domingo num terreno baldio. Em seu entorno crescem bairros pobres e favelas, largados à violência e sujeitos à omissão dos governos.

+ PROGRAMA 21 – NOVAS IMAGENS DO POVO 2
. Aboio [Marília Rocha, 2005] 35 mm, cor, 73 min, livre
No interior do Brasil, adentrando as extensões semiáridas da caatinga, há homens que ainda hoje conservam hábitos arcaicos, como o costume de tanger o gado por meio de um canto de nome aboio. Um filme sobre a música, a vida, o tempo e a poesia dos vaqueiros do sertão.

domingo, 23 de maio de 2010

Cinema: Tanzânia recebe primeira edição de festival de cinema brasileiro

Do Telaviva news

Começa na próxima quarta-feira, 27, o I Tanz Cine Brazil Festival, com dezoito filmes selecionados para apresentar o cinema brasileiro aos tanzanianos nas cidades de Dar es Salaam e em Zanzibar. O evento é produzido pela Puente, da jornalista Cecília Queiroz, também responsável pela realização do Festival de Filme Brasileiro em Toronto (Brafftv).
O Festival conta com o apoio do Ministério das Relações Exteriores e da Cervejaria Serengeti, patrocínio do Hotel Golden Tulip e é apoiado pelo Embaixador do Brasil na Tanzânia, Francisco Luz.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Opinião: Setor audiovisual pode ficar sob controle das teles

Ana Rita Marini, do FNDC

A aprovação do PL 29 ainda não é ponto pacífico. O projeto, que trata da organização e exploração das atividades audiovisuais, especialmente a entrada das empresas de telecomunicações na transmissão de conteúdo audiovisual, tramita há três anos e já foi aprovado em caráter terminativo pela Comissão de Constituição e Justiça. Entretanto, ainda pode ser levado ao plenário da Câmara, se o setor de TV por assinatura, mobilizado em conseguir as 52 adesões necessárias, conseguir o feito. Então, o texto corre o risco de não ser votado este ano. Talvez nem deva, por uma série de inconsistências observadas pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), como, por exemplo, a constituição de uma nova e discutível hegemonia no setor audiovisual.

Do ponto de vista do FNDC, uma das ausências mais graves no texto do PL 29 é a não incorporação dos princípios de uma rede pública e única, “a política pública mais apropriada que existe para o setor, presente na Lei do Cabo”, segundo o coordenador-geral do Fórum, jornalista Celso Schröder. É grave ainda o fato de que o projeto abre completamente os serviços às telecomunicações, sem restrições ao capital estrangeiro. De acordo com Schröder, a expectativa era de que esse projeto fizesse parte de um marco regulatório maior para o setor, onde o modelo de negócios e de serviços fosse melhor definido.

Ao abrir às teles da forma como faz, o PL 29 não dá nenhuma garantia para a continuidade dos negócios na radiodifusão. “Assim como somos contra as leis que privilegiam em demasia a radiodifusão, uma lei que faça o contrário também não nos interessa. Podemos estar construindo uma nova hegemonia no país, de um setor que é absolutamente desregulado. Se a radiodifusão já era desregulada, as teles são muito mais e muito mais poderosas também”, ressalva Schröder.

“Até que ponto nos interessa aguçar, apontar para uma supremacia do capital transnacional neste setor, em detrimento do capital nacional?”, questiona a cineasta Berenice Mendes, integrante da Coordenação Executiva do FNDC. Segundo ela, a entrada das telefônicas pode, no médio ou no curto prazo, levar à fragilização das empresas radiodifusoras de capital nacional. “Se por um lado, essas empresas (radiodifusão) representaram, em muitos momentos, o papel de nossos adversários imediatos, dificultando a democratização da comunicação, por outro lado elas são importantes para o setor, precisam existir - de forma menos hegemônica, claro. Por isso, precisamos nos posicionar quanto aos limites da entrada das teles neste negócio”, reforça Berenice, destacando que talvez esse novo cenário implique até em maiores dificuldades para qualquer tipo de controle social. “Porque as matrizes das teles são internacionais. São megacorporações. A sociedade ficará ainda mais sujeita aos interesses do capital transnacional”, finaliza.

O FNDC aponta ainda a ausência, no texto, de regras para a regionalização de conteúdo - que as cotas não contemplam. O PL 29 é anterior à realização da Confecom, deveria ocorrer paralelo ao projeto de marco regulatório para o setor das comunicações. Como este marco não está sendo trabalhado, o projeto avança como um remendo, explica Schröder, incidindo sobre todos, como uma parte fundamental que irá construir uma nova lógica. “Só que essa nova lógica não está articulada, não tem ainda a dimensão pública necessária”, avalia.

Futuro

Segundo os dirigentes do FNDC, é importante considerar que, se o projeto for para o Senado, a sociedade civil organizada em torno do assunto, especialmente as entidades que participaram da I Conferência Nacional de Comunicação (todas as instâncias estiveram lá representadas), deverá atuar firmemente para garantir na lei as resoluções da grande plenária ocorrida em dezembro, em Brasília.

As opiniões aqui expressas são de responsabilidade de seus autores