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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

[Veja o vídeo] Jornalistas detalham como era a tortura na Esplanada dos Ministérios

Na Audiência Pública do Senado Federal para receber as denúncias de torturas a Jornalistas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, profissionais de imprensa detalharam como agiam os militares durante o período da Ditadura.
A reportagem é de Andréa Alves, da TV Senado.


Veja também o vídeo e leia a reportagem:


Subcomissão da Verdade do Senado quer visitar locais onde jornalistas foram torturados

Jornalista lança livro de contos “Amor de BR”

Quando Sócrates disse "conhece-te a ti mesmo", ele teve a intenção de despertar o homem da polis para o autoconhecimento, já que no entendimento do filósofo ninguém será plenamente feliz desconhecendo a si mesmo e os seus limites. Com boa dose de generosidade do outro, aquele que não se conhece será feliz pela metade ou um pouco feliz, desde que faça concessões mais ou menos inconcebíveis.

No livro de contos “Amor de BR”, o jornalista Joaquim São Pedro não tenta dialogar com Sócrates ou com a própria filosofia. Longe disso. Ele apenas usa a leveza dos seus textos para, subliminarmente, ir fundo nas feridas de personagens que não sabem ou não aprenderam a lidar com a autoestima. Ou seja, desconhecendo-se a si mesmos.

Para o autor, é a incapacidade de compreender o eu, de saber (re) conhecer as próprias virtudes, que personagens dos onze contos que compõem “Amor de BR” passam a viver a vida dos outros, ou em função delas, abandonando a própria existência.

Fazer da espera uma razão de viver, convenhamos, é muito pouco para quem quer e que tem o prazo de viver marcado pelo implacável tempo. E abrir mão de um amor para servir ao próximo? Isto também não seria clara demonstração de que a autoestima baixa pode reduzir a condição humana à servidão? O que quer alguém que está sempre fazendo do sofrimento, próprio ou alheio, a sua tábua de salvação? Assim caminham os contos “Diário de uma espera (ele e ela)”.

O conto "Autoestima" então retrata fielmente a situação de um homem que chegou à meia idade sem incomodar ou ser incomodado por fatos ou palavras que o fizessem refletir sua vida.

Até o dia em que, sem maiores pretensões, uma ex-namorada telefona chamando-o para sair. O simples convite para um chopp, na zona sul do Rio de Janeiro, desperta nele tantas dúvidas sobre a sua própria existência e sobre o que fez de sua vida, que Jurandir, ou Jura, não consegue dizer não ou sim para um encontro casual e vai aos poucos se angustiando e angustiando o próprio leitor.

Outras histórias como "Álbum de Casamento", "Amizade", "A Política", "O Amor" e, os já citados, “Diários de uma espera” são também discussões bem humoradas, e não menos reflexivas, de como a felicidade é condição inerente à autovalorização.

Um momento de descontração, um exemplo de autoestima na medida certa talvez seja o conto "Fetiche", onde um jovem Zona Sul do Rio de Janeiro se apaixona por uma calcinha que está pendurada num box de banheiro e resolve ir atrás de sua dona certo, na certeza de que a graça e a leveza da peça íntima refletem a beleza e a delicadeza da mulher tão amada quanto desconhecida.

“Amor de BR” não tem a pretensão de ser algo filosófico, político. O seu autor e o editor não negariam, porém, que tem tudo para despertar um bom debate sobre o existencialismo. E não seria difícil para o leitor se identificar com algum personagem e dizer: já passei por isso e só depois de muito tempo me dei conta de que estava no caminho errado.

O livro de contos “Amor de BR” é a segunda obra do jornalista mineiro Joaquim São Pedro, criado no Rio e que mora em Brasília, há 19 anos. O livro tem 160 páginas. A editora Thesaurus teve a preocupação de produzir uma obra leve, de fácil manipulação, e capaz de ser devorado em poucas horas com descontração, diversão e muita emoção.

 O Autor:

Joaquim São Pedro, 56 anos, é mineiro de Cataguases. Mas viveu toda a infância, adolescência e juventude na cidade do Rio de Janeiro. Aquele ainda é hoje, dezenove anos depois de se mudar para Brasília, o cenário predileto quando se senta na frente de um computador para produzir, localizar e imaginar o cenário de uma história.
Isso não excluiu, por exemplo, Brasília que aos poucos vai virando cenário para suas histórias, numa prova de que a Capital já entrou na vida do autor, proporcionando-lhe inspiração para escrever suas histórias. Um dos contos, "Amizade", por exemplo, tem com palco o Beirute, bar tradicional da boemia brasiliense e local de grandes momentos culturais da cidade.

Serviço:

Titulo: Amor de BR – Contos – Ficção
Local do lançamento: Restaurante Feitiço Mineiro, CLN 306 – Brasília – DF

Data 25/02/2014 - Horário: A partir das 18h30m.


Editora Thesaurus – Brasília – DF

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

[Veja o vídeo] Subcomissão da Verdade do Senado quer visitar locais onde jornalistas foram torturados

Romário, Doyle, Capiberibe, Sant´Anna e Rollemberg, durante a audiência pública
Por Rodrigo Baptista da Agência Senado
Às vésperas do aniversário de 50 anos do golpe militar que tirou o mandato do presidente João Goulart e mais tarde ocasionou o fechamento do Congresso, a Comissão da Memória e Verdade dos Jornalistas do Distrito Federal apresentou relatório preliminar que aponta a existência, durante a ditadura militar (1964-1985), de centros de detenção e de tortura a pouco mais de 500 metros de distância do Palácio do Planalto.

Veja aqui a reportagem da TV Senado sobre o tema
O documento foi entregue nesta quarta-feira (19) ao presidente da Subcomissão Permanente da Memória, Verdade e Justiça, senador João Capiberibe (PSB-AP), que prometeu promover diligências aos locais para apurar as denúncias.
Porões da ditadura
Segundo o jornalista Chico Sant´Anna, profissionais da imprensa e outros cidadãos eram levados para dependências de dois prédios localizados na Esplanada dos Ministérios - na região central de Brasília -  que então sediavam os ministérios do Exército e da Marinha. Na avaliação de Sant´Anna, a proximidade com o centro do poder político evidencia o envolvimento dos chefes do governo militar com casos de violação de diretos humanos.

Assista aqui a íntegra da 1ª parte da audiência pública  na Subcomissão Permanente da Memória, Verdade e Justiça, 


- Pelo menos quatro relatos apontam a existência durante aquele período de centros de tortura a menos de 500 metros do Palácio do Planalto. É uma prova cabal de que era de conhecimento da cúpula do poder a ocorrência de tortura contra jornalistas - afirma Sant'Anna.
A Comissão da Memória e Verdade dos Jornalistas do Distrito Federal já ouviu ao todo 20 pessoas e dispõe de mais de 40 horas de gravações com depoimentos que relatam casos de ameaças, torturas e prisões durante o regime de exceção. Os relatos também apontam ocorrências de censura prévia em veículos de comunicação, presença de censores nas redações de jornais e violação de confidencialidade de correspondências de jornalistas, entre outros casos de repressão.
Helio Doyle, presidente da Comissão da Mémoria
e da 
Verdade do Sindicato dos Jornalistas doDistrito Federal.
Foto de José Cruz/Agência Senado
Hélio Doyle, que participou da audiência pública desta quarta-feira, é um dos jornalistas que revelaram a utilização de unidades das Forças Armadas em Brasília como centros de detenção.
— Estava indo de carro para a casa dos meus pais quando eu e minha então mulher fomos cercados por duas Veraneios e ali mesmo formos retirados do carro, colocados na Veraneio e levados para o Ministério do Exército. Quem me levou foi o pessoal do Dops [Departamento de Ordem Política e Social]. Fui levado sem capuz e colocado em uma pequena sala cercada de isolantes acústicos e com vidros. Eu não sei dizer quanto tempo durou, talvez algumas horas. Depois, fui retirado de lá e levado para o Setor Militar Urbano. Não voltei mais àquele local, mas para mim ficou muito claro que ali funcionava um centro de detenção — descreveu Hélio Doyle.
Armando Sobral Rollemberg, vice-presidente da Comissão
da Mémoria e Verdade do Sindicato dos Jornalistas
do Distrito Federal. 
Foto de José Cruz/Agência Senado
O jornalista Armando Rollemberg contou que foi encapuzado e jogado no porta-malas de um veículo modelo Veraneio e levado para um lugar que se assemelha a uma das garagens existentes nos subsolos dos prédios da Esplanada dos Ministérios.
— Nesse vão, muitas pessoas estavam sendo torturadas simultaneamente. Ao contrário do que se dizia, a cadeia de comando das Forças Amadas tinha sim conhecimento do que estava se passando nos chamados porões da repressão. Tanto havia conhecimento que o general [Antônio] Bandeira, que era responsável pelo  DOI-Codi, sabia da minha prisão, sabia que eu estava sendo torturado porque quando meu pai esteve com ele, ele tirou um dossiê para falar da minha militância universitária — narrou Rollemberg.
Ex-presidente do Sindicato dos
Jornalistas Profisionais do DF,
Romário Schettino, relata
em audiência a violação de
Direitos humanos praticada
contra 
jornalistas durante a ditadura
militar. 
Foto de José Cruz/Agência Senado
Resgate da memória
Segundo Romário Schettino, que foi submetido a tortura durante 25 dias, a identificação dos locais onde foram presos e torturados jornalistas e cidadãos ajudará no resgate da memória do período. Mesma opinião manifestaram a senadora Ana Rita (PT-ES) e o senador João Capiberibe.
— É fundamental que a sociedade brasileira tenha conhecimento de todo esse processo político — disse o senador, que apresentará requerimento para que a subcomissão agende visitas às sedes dos ministérios citados.

Livros clássicos sobre rádio disponíveis na Internet

Enviado por  Eduardo Meditsch

O Centro Internacional de Estudios Superiores de Comunicación para América Latina - Ciespal está disponibilizando gratuitamente na internet, em seu repositório digital, toda a sua coleção de livros.
Dentre as obras há algumas consideradas “joias” sobre o rádio, tais como as obras do argentino Mario Kaplun, do colombiano Jimmy Garcia Camargo, Walter Alves, dentre outros.
São textos em espanhol.
Há também manuais de locução, de produção, de radionovelas, de reportagem em áudio, de rádio documentários.
O acervo é considerado, pelos especialistas, um tesouro.
Para acessá-lo, clique aqui.

 Para conhecer outras obras disponiveis na rede, leia também:

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Entidade em defesa de animais seleciona estagiária de Jornalismo

A Agência de Notícias de Direitos Animais - Anda, ONG que atua pela abolição de todas as formas da exploração animal (consumo, experimentação animal, entretenimento, etc.) via ação jornalística, seleciona estagiária de Jornalismo.
A Anda deixa claro que não é uma entidade apartidária: "declaradamente agimos em defesa dos interesses dos animais. Esta postura é expressa no conteúdo editorial de nosso portal, www.anda.jor.br".

A estagiária atuará nas funções de clipagem e o trabalho será on-line.

As interessadas deverão solicitar no email anda@anda.jor.br , 
o formulário especifico que deverá ser preenchido e posteriormente enviado ao mesmo endereço eletrônico. 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Web difunde imagens falsas sobre protestos na Venezuela

Do Opera Mundi.


Em abril de 2002, a atuação dos principais veículos de comunicação privados na Venezuela foi decisiva para a derrubada – apesar de breve – de Hugo Chávez. Conforme depois o documentário A revolução não será televisionada demonstrou, a manipulação de imagens e informação armou o cenário e legitimou o golpe de Estado contra o presidente venezuelano, dentro e fora do país.
Leia também: Quem é Leopoldo López, acusado pelo chavismo de planejar atos de violência

Agora, em 2014, as recentes manifestações contra Nicolás Maduro, eleito após a morte de Chávez, ano passado, também teriam sido manipuladas somente por televisões e jornais, de acordo com denúncias do atual governo, mas igualmente na web – espaço que há 12 anos não tinha o mesmo potencial informativo e político.
Leia também: Diante de milhares, Maduro diz que não vai renunciar ao poder dado pelo povo

Na Venezuela, as redes sociais, com destaque para o Twitter, são amplamente usadas por ambos os lados, tanto que o próprio presidente e políticos da oposição o usam para fazer anúncios e se comunicar com seus seguidores. Desde quarta-feira (12/02), quando uma marcha opositora culminou em violência no centro de Caracas, diversas montagens e imagens falsas contra Maduro e o governo foram disseminadas, inclusive por jornalistas de redes como a CNN.
A partir da internet, saber o que de fato acontecia nas ruas da capital e de outras cidades do país foi impossível. No entanto, logo, a origem real de algumas imagens que eram compartilhadas, mostrando repressão policial e demonstrações multitudinais de apoio à oposição, foram reveladas. Fotos de protestos no Chile, Egito, Tailândia e até Brasil foram usadas "como prova" de que a polícia venezuelana reprimia violentamente, enquanto imagens de atos pró-independência da Catalunha foram apresentadas como marchas oposicionistas em Caracas.

Veja alguns exemplos encontrados no Twitter:




Tida como venezuelana, a imagem abaixo foi feita em junho de 2013, no Brasil:



Nesta foto, guardas usando um felpudo chapéu de inverno na Caracas caribenha?


"Eu e você somos venezuelanos, amigo". Mas a frase deveria ter sido escrita em búlgaro:


Era pra ser da repressão na Venezuela, mas o site da Al Jazeera comprova a origem da imagem:


Nesta, a foto de um chavista ferido em abril do ano passado é usada por opositores:


Só não prestaram atenção à data:


Uma procissão religiosa foi retratada como protesto contra o governo:


Imagem de apoio à independência da Catalunha, na Espanha:


Opinião: A mídia e a apologia ao crime

Por Venício A. de Lima, na revista Teoria e Debate.

Diante da apologia feita pela âncora do telejornal SBT Brasil de “justiceiros” vingadores que espancaram, despiram e acorrentaram pelo pescoço um suspeito adolescente, de 15 anos, a um poste no Flamengo, no Rio de Janeiro (ver aqui), permito-me relembrar artigo que publiquei no Observatório da Imprensa em dezembro de 2008, “A liberdade de comunicação não é absoluta”.
Logo após o desfecho do “sequestro de Santo André”, o Ministério Público Federal (MPF), por intermédio da procuradora Regional dos Direitos do Cidadão, Adriana da Silva Fernandes, ajuizou contra a Rede TV! uma Ação Civil Pública (ACP) na Vara Cível da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo, em função de sua cobertura "jornalística" dos fatos.
Ao justificar sua competência para tratar do caso, o MPF lembrou que a RedeTV! é concessionária de um serviço público federal e que faz parte de suas funções constitucionais "a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis". Além disso, a lei complementar que dispõe sobre as atribuições do MP lhe atribui expressamente "zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos da União e dos serviços de relevância pública e dos meios de comunicação social aos princípios, garantias, condições, direitos, deveres e vedações previstos na Constituição Federal e na lei, relativos à comunicação social".
De outro lado, quando apresentou as razões de direito, foram reafirmados princípios normativos recorrentemente questionados pelos representantes do sistema privado de radiodifusão, tais como os limites da liberdade de imprensa; o caráter de serviço público das concessionárias e sua consequente subordinação ao direito público; e a necessidade de “controle quando (a concessionária) incorrer em abuso”, no interesse da sociedade.
Diante das semelhanças com a situação que envolve a jornalista do SBT, vale a longa citação:
"A Constituição Federal garante plenamente a liberdade de expressão e de manifestação do pensamento, de criação, de expressão e de informação, vedando qualquer censura de natureza política, ideológica ou artística (art. 220, caput e § 2º). No entanto a liberdade de comunicação social não é absoluta, devendo estar em compasso com outros direitos inseridos na Constituição Federal, dentre eles o direito à privacidade, à imagem e à intimidade dos indivíduos (art. 220, § 1º; e art. 5º, X), bem como os valores éticos e sociais da pessoa e da família (art. 221, IV). Ademais, o art. 53 da Lei nº 4.117/62 declara que constitui abuso, no exercício da liberdade de radiodifusão, o emprego desse meio de comunicação para a prática de crime ou contravenção previstos na legislação em vigor no país, inclusive para incitar a desobediência às leis ou decisões judiciárias; comprometer as relações internacionais do país; ofender a moral familiar, pública, ou os bons costumes; colaborar na prática de rebeldia desordens ou manifestações proibidas.
É importante dizer que, ao contrário do que pensa o senso comum, a Ré não é "proprietária" do canal em que opera. É, na verdade, uma concessionária do serviço público federal de radiodifusão de sons e imagens, e, como tal, está sujeita às normas de direito público que regulam esse setor da ordem social.
Justifica-se o regime jurídico de direito público porque, diversamente do que acontece nas mídias escritas, as emissoras de rádio e TV operam um bem público escasso: o espectro de ondas eletromagnéticas por onde se propagam os sons e as imagens. Trata-se de um bem público de interesse de todos os brasileiros, pois somente por intermédio da televisão e do rádio é possível a plena circulação de ideias no país. A liberdade de comunicação deverá ser protegida sempre que cumprir sua função social, mas será submetida a controle quando incorrer em abuso. Referida liberdade é uma garantia instituída pela sociedade e para a sociedade, não se podendo admitir, portanto, que seja utilizada contra esta".
O comportamento da âncora do SBT Brasil, infelizmente, não constitui uma exceção no jornalismo que tem sido praticado na radiodifusão brasileira. Exatamente por isso e pelo rotineiro recurso das concessionárias desse serviço público ao argumento da “liberdade de expressão absoluta”, vale relembrar o caso da RedeTV!