Caros leitores e leitoras.

domingo, 23 de junho de 2013

Norte-americano não confia em sua própria imprensa

Da HispanTV, tradução da redação do Vermelho, publicado anteriormente em Pátria Latina

Mais de 77% dos estadunidenses não confiam nos principais meios de comunicação, inclusive nas reportagens de televisão emitidas em seu país, de acordo com uma pesquisa realizadas entre 1º e 4 de junho, com perguntas por telefone a 1.529 adultos em todo o território nacional. Deste total, só 23% dos estadunidenses dizem ter confiança nas instituições noticiosas do país, enquanto a porcentagem foi de 25% em 2012 e 28% em 2011.
Os leitores de notícias encontraram melhores maneiras de aceder a essas áreas, seja por meio das páginas de internet ou redes sociais, cuja expansão foi global, o que torna difícil para o setor noticioso imprenso manter uma boa posição. Os jornais e a televisão ocuparam um lugar inferior na lista de confiança entre 16 instituições da sociedade, e ficaram junto com os bancos, o Congresso e as grandes empresas.
Os estadunidenses em todos os grupos demográficos, conservadores, moderados e liberais experimentaram, em geral, uma queda de confiança sobre os principais meios de informação desde os anos 2000, mas a situação foi agravada desde 2007, de acordo com o estudo.
A ampla e desigual cobertura dos principais meios de comunicação sobre acontecimentos internacionais, incluídos a agressão israelense contra os palestinos, o escândalo de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA), denunciado por Edward Snowden, e o caso dos atentados à maratona de Boston, que não foi resolvido, deram origem à iniciativa da pesquisa.

Opinião: As manifestações de junho e a mídia

Por Venício A. de Lima*, em Carta Maior

Apesar da proximidade cronológica, parece razoável observar que o estopim para as manifestações populares que estão ocorrendo no país foi o aumento das tarifas do transporte coletivo e a repressão violenta da polícia (vitimando, inclusive, jornalistas no exercício de sua atividade profissional) – não só à primeira passeata realizada em São Paulo, mas também à manifestação realizada antes da abertura da Copa das Confederações, em Brasília. A partir daí, um conjunto de insatisfações que vinha sendo represado explodiu.

A primeira reação da grande mídia, bem como das autoridades públicas, foi de condenação pura e simples das manifestações que, segundo eles, deveriam ser reprimidas com ainda maior rigor. No entanto, à medida que o fenômeno se alastrou, autoridades e mídia alteraram a avaliação inicial.

A grande mídia, então, passa a cobrir os acontecimentos como se fosse apenas uma observadora neutra, que nada tem a ver com os fatos que desencadearam – para o bem ou para o mal – todo o processo.

Centralidade da mídia
Nas sociedades contemporâneas, apesar da velocidade das mudanças tecnológicas, sobretudo no campo das comunicações, a centralidade da mídia é tamanha que nada ocorre sem seu envolvimento direto e/ou indireto. Qual teria sido esse envolvimento no desencadeamento das atuais manifestações?

Um primeiro aspecto chama a atenção. Pelo que se sabe as manifestações têm sido convocadas por meio de redes sociais. Isto é, através de um sistema de comunicação independente do controle da grande mídia.

Na verdade, a se confirmar que a maioria dos participantes é de jovens (em Brasília, um dos “convocadores” da “Marcha do Vinagre” tem apenas 17 anos), trata-se de um segmento da população que se informa prioritariamente pelas redes sociais na internet e não pela grande mídia – jornais, revistas, radio, televisão.

Apesar disso, um aspecto aparentemente contraditório, mas fundamental – revelado inclusive em cartazes dispersos nas manifestações – é que os manifestantes se consideram “sem voz pública”, isto é, sem espaço para expressar e ter a voz ouvida.

Desnecessário lembrar que a grande mídia ainda exerce, na prática, o controle do acesso ao debate público, vale dizer, das vozes que se expressam e são ouvidas. Além disso, a cultura política que vem sendo construída e consolidada no Brasil, pelo menos desde que a televisão se transformou em “mídia de massa” hegemônica, tem sido de desqualificação permanente da política e dos políticos. E é no contexto dessa cultura política que as novas gerações estão sendo formadas – mesmo não se utilizando diretamente da velha mídia.

Emerge, então, uma questão delicada.

A mídia e o system blame
Independentemente das inúmeras e verdadeiras razões que justificam a expressão democrática de uma insatisfação generalizada por parte de parcela importante da população brasileira, não se pode ignorar o papel da grande mídia na construção dessa cultura política que desqualifica sistematicamente a política e os políticos. E mais importante: não se pode ignorar os riscos potenciais para o regime democrático da prevalência dessa cultura política.

Recorri inúmeras vezes, ao longo dos anos, a uma arguta observação da professora Maria do Carmo Campello de Souza (já falecida) ao tempo da transição para a democracia, ainda no final da década de 1980.

Em capítulo com o título "A Nova República brasileira: sob a espada de Dâmocles", publicado em livro organizado por Alfred Stepan Democratizando o Brasil (Paz e Terra, 1988), ela discute, dentre outras, a questão da credibilidade da democracia. Nas rupturas democráticas, afirma ela, as crises econômicas têm menor peso causal do que a presença ou ausência do system blame (literalmente, "culpar o sistema"), isto é, a avaliação negativa do sistema democrático responsabilizando-o pela situação.

Citando especificamente os exemplos da Alemanha e da Áustria na década de 1930, lembra Campello de Souza que "o processo de avaliação negativa do sistema democrático estava tão disseminado que, quando alguns setores vieram em defesa do regime democrático, eles já se encontravam reduzidos a uma minoria para serem capazes de impedir a ruptura".

A análise da situação brasileira, há mais de duas décadas, parece mais atual do que nunca. A contribuição insidiosa da mídia para o incremento do system blame é apontada como um dos obstáculos à consolidação democrática. Vale a pena a longa citação:

A intervenção da imprensa, rádio e televisão no processo político brasileiro requer um estudo linguístico sistemático sobre o "discurso adversário" em relação à democracia, expresso pelos meios de comunicação. Parece-nos possível dizer (...) que os meios de comunicação tem tido uma participação extremamente acentuada na extensão do processo de system blame (...). Deve-se assinalar o papel exercido pelos meios de comunicação na formação da imagem pública do regime, sobretudo no que se refere à acentuação de um aspecto sempre presente na cultura política do país – a desconfiança arraigada em relação à política e aos políticos – que pode reforçar a descrença sobre a própria estrutura de representação partidária-parlamentar (pp. 586-7). (...)

O teor exclusivamente denunciatório de grande parte das informações acaba por estabelecer junto à sociedade (...) uma ligação direta e extremamente nefasta entre a desmoralização da atual conjuntura e a substância mesma dos regimes democráticos. (...) A despeito da evidente responsabilidade que cabe à imensa maioria da classe política pelo desenrolar sombrio do processo político brasileiro, os meios de comunicação a apresentam de modo homogeneizado e, em comparação com os dardos de sua crítica, poupam outros setores (...). Tem-se muitas vezes a impressão de que corrupção, cinismo e desmandos são monopólio dos políticos, dos partidos ou do Congresso (...). (pp.588-9, passim).

Avanços e riscos
As manifestações populares devem, por óbvio, ser vistas por aqueles em posição de poder como uma oportunidade de avançar, de reconsiderar prioridades e políticas públicas.

Do ponto de vista da grande mídia, é indispensável que se reflita sobre o tipo de cobertura política que vem sendo oferecida ao país. Encontrar o ponto ideal entre a fiscalização do poder público e, ao mesmo tempo, contribuir para o fortalecimento e a consolidação democrática, não deveria constituir em objetivo da grande mídia? A quem interessa a ruptura democrática?

Apesar de ser um tema delicado e difícil – ou exatamente por essa razão – é fundamental que se considere os limites entre uma cobertura sistematicamente adversária da política e dos políticos e os riscos de ruptura do próprio sistema democrático.

A ver.




*Jornalista e sociólogo, professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado),
pesquisador do Centro de Estudos Republicanos Brasileiros (Cerbras) da UFMG.

Artigo publicado originalmente na revista Teoria & Debate.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Brasil ainda é "bebê" na indústria de cinema, diz Dove Simens

Por Ana Carolina Barbosa, do Pay-TV News


"Adoro fazer filmes que tragam lucros", diz Dove Simens, produtor executivo que vem ao Brasil para ministrar em São Paulo o curso Hollywood 2 – Day Film School, trazendo modelos do cinema americano para o público brasileiro. “Vocês têm talentos, profissionais, um governo com programas maravilhosos de financiamento, mas não sabem contar histórias, precisam experimentar, ainda são bebês nesta indústria”, destaca.
Simens alerta que o seu curso não é para ensinar criatividade ou talento, nem para discutir financiamento público, mas para ensinar alguns caminhos para que os produtores comecem a trabalhar de forma realmente independente e fazer seus filmes com baixos orçamentos, mas que tragam lucro. Ele acredita que o primeiro filme deve ser financiado pelo produtor e por alguns investidores, para que depois ele consiga recursos do governo, coproduções e product placement. “Pode ser um filme com 90 páginas de roteiro, uma única locação, bons atores, boa equipe, uma boa história”, explica. “Os realizadores estão presos em alguns modelos, eu só dou um empurrãozinho”. Outro conselho de Simens é parar de fazer curtas. “É coisa para se fazer dos 12 aos 20 anos, colocar no YouTube e testar seus trabalhos. Se quer ter lucratividade tem que fazer longa-metragem”.
Para o instrutor, as oportunidades que os realizadores brasileiros terão com a televisão, com a Lei do SeAC, é importante para fazê-los testar suas habilidades e fazer seus nomes. “São duas indústrias totalmente diferentes, vocês são bons em televisão, são os reis das novelas. Quem sabe fazer televisão, que é muito mais complexo, tira de letra a indústria do cinema”, observa.
O instrutor já teve em suas turmas nomes como Quentin Tarantino e Guy Ritchie. Em dois dias, Simens explica os elementos básicos de uma história que conquista a atenção da audiência, ensina como apresentar um projeto de filme para conseguir recursos de investidores, participar dos festivais mais importantes, negociar exibição e fazer o plano de mídia.
Simens foi professor de Harvard, da UCLA e da New York University. Ele já deu o curso Hollywood 2 – Day Film School em Cingapura, Londres, Toronto, Hong Kong e Cidade do México . As aulas acontecerão em São Paulo nos dias 22 e 23 de junho no Novotel Jaraguá (centro). Mais informações e inscrições pelo site http://www.hollywoodbrasil.com/.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Viagem de Jornalistas e blogueiros de Brasília e de São Paulo ao Irã é tema de documentário


Entre os dias 9 e 19 de março de 2011, uma delegação de jornalistas brasileiros realizou uma viagem político-cultural ao Irã a convite do ministério do Turismo da República Islâmica do Irã, na gestão do então presidente, Mahmoud Ahmadinejad.

Leia também:


A delegação foi composta por Beto Almeida, Paulo Miranda e Helena Iono (da TV Cidade Livre, o canal comunitário de Brasília), FC Leite Filho (do blogCafé na Política), Chico San'Anna (do programa Diplomacia - Revista de Política Internacional da TV Senado), Isabel Fleck (à época jornalista do Correio Brasiliense), Luís Cabral e Bruno Mascarenhas (da TVT - TV dos Trabalhadores, de São Paulo).
Os jornalistas tiveram a oportunidade de conhecer lugares históricos, desde o acervo arqueológico da antiga Persépolis, capital do Império da Pérsia, do Irã medieval, das mesquitas islâmicas e bazares tradicionais como os existentes em Isfahan e Shiraz. Além da cidade de Yazd, inserida no território desértico do Irã e que para enfrentar as dificuldades ambientais criou uma infindável teia de canais de água equipados com  sistemas de ventilação. Tudo com base na sabedoria herdada milenarmente.
Não faltaram oportunidades para encontros com autoridades políticas e culturais, particularmente em Teerã, onde foram realizadas visitas a museus nacionais e parques verdejantes, freqüentados por jovens estudantes e pessoas receptivas e cultas.
Tudo isso agora virou um documentário do Canal Comunitário de Brasília, a TV Cidade Livre.  A estréia foi dia 14, mas está prevista reexibições  dia 18 - 3ª. feira, às 18 horas.
O documentário também está disponível na internet no endereço  https://vimeo.com/68415869



domingo, 16 de junho de 2013

A batalha das telas

Por Orlando Senna, publicado anteriormente em blog Refletor, em 14/06/2013

Há indícios de que está surgindo no horizonte a ideia de um mercado comum audiovisual BRICs, um bloco de produção/difusão formado por Brasil, Rússia, Índia e China, lastreado no potencial de consumo de suas populações, que somam mais de três bilhões de pessoas. O assunto estaria sendo aventado em Brasília e em Pequim e, se andar, será um alvoroço no mercado mundial de cinema, TV, videogame e internet. 
É o século XXI se mexendo. Além de cogitações, também há fatos. No inicio de maio, Estados Unidos e China tiveram um embate relacionado com mercado cinematográfico. A China cobrou um imposto altíssimo pela exibição em seu território de Homem de Ferro 3. Os Estados Unidos têm direito a 25% da bilheteria de seus filmes exibidos na China e argumentam que todos os impostos já estão embutidos nos 75% que ficam nos cofres chineses. A China pretende aumentar ainda mais o imposto e não quer conversa, o que quer é diminuir cada vez mais a presença de Hollywood em suas telas.
Duas semanas depois os ministros de Cultura de 14 países da União Europeia pediram aos líderes políticos da zona do euro que excluam o setor cultural das negociações de livre comércio com os Estados Unidos, com a intenção de proteger a Europa da enxurrada de filmes e programas de TV made in USA. Ou seja, que os produtos culturais não podem obedecer às leis do mercado porque contêm valores imateriais não mensuráveis em uma contabilidade. As regras devem ser outras. O movimento é liderado por Alemanha e França e o assunto voltará (já esteve por lá uma vez) à OMC-Organização Mundial do Comércio.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Venezuela e Argentina firmam acordo para produzir conteúdos para TV digital

Da Agência Venezuelana de Notícias

El ministro del Poder Popular para la Comunicación e Información, Ernesto Villegas, firmó este miércoles un acuerdo con el ministro de Planificación argentino, Julio de Vido, con el objetivo de impulsar contenidos para la Televisión Digital Abierta (TDA).
La información la dio a conocer Villegas a través de cuenta en Twitter @VillegasPoljakE, en la cual colgó una foto junto a De Vido, acompañada del siguiente texto: "Ministros Julio De Vido (ARG) y Ernesto Villegas (VEN) firman instrumentos para impulsar contenidos de la TDA".
Argentina y Venezuela desarrollan proyectos de televisión digital abierta, razón por la cual ambos países se han propuesto intercambiar experiencias surgidas con la aplicación de este sistema.
En esta oportunidad, ambos países suscribieron un nuevo instrumento de cooperación para avanzar en el desarrollo de contenidos adaptados al formato digital.
La TDA es una política promovida por el Gobierno Bolivariano para que el pueblo venezolano pueda disfrutar de forma gratuita de una señal de televisión de calidad que hasta ahora sólo ofrecían servicios de TV por suscripción, indica la página web http://www.tdavenezuela.gob.ve
En este sitio web se señala que la TDA es un proyecto tecnológico, social y cultural que brinda una nueva forma de hacer y ver televisión en el país.

"El alcance va más allá de una mejor calidad en audio y video: además de ello, la TDA es instrumento para la participación del pueblo en la generación de contenidos educativos y culturales".

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Câmara discute marco legal para computação em nuvem

Fonte: Convergência Digital
Começou a tramitar na Câmara dos Deputados um primeiro passo para a regulamentação da computação em nuvem no Brasil. O objetivo, como defende o projeto, evitar o isolamento jurídico do país, notadamente na disputa pelo mercado de datacenters.
Nesse sentido, o PL 5344/2013, apresentado pelo deputado Ruy Carneiro (PSDB-PB), busca um patamar mínimo de segurança aos interessados em explorar essa atividade. Segundo ele, “o fato de no Brasil não existir um marco regulatório sobre nuvem computacional já está a prejudicar o país, que tem sido preterido por outros da América Latina para esses investimentos”.
Ao justificar a proposta, Carneiro sustenta que “o Brasil deve ambicionar ser um importante player na Nuvem Computacional a nível global” e que, para isso, “um ambiente regulatório adequado – que não isole o Brasil, mas que garanta segurança jurídica aos cidadãos, empresas e governo – é, atualmente, fundamental”. A proposta foi apresentada no fim de abril deste ano e ainda aguarda um primeiro parecer na Comissão de Defesa do Consumidor.
A ideia, assim, é definir direitos e deveres de cada parte, como ao definir que a reponsabilidade civil e penal do conteúdo colocado na “nuvem” é do depositante. já aquele que oferece o serviço garante a preservação dos dados, sob pena de indenizar o cliente “mediante devolução em dobro dos valores recebidos para o depósito nos últimos 12 meses anteriores à ocorrência”.
O projeto também prevê que ao fim do contrato, não pode o ofertante do serviço manter nenhum dado ou mesmo cópia do conteúdo que ficou sob sua responsabilidade. De forma semelhante, há previsões sobre o eventual tratamento dos dados por terceiros – o que é vedado a não ser que expresso de outra forma.
Copyright
Mas pelo menos um artigo do PL tem potencial para controvérsia: o que permite que ao ‘depositário’ reter o conteúdo armazenado. Uma das possibilidades previstas é via ordem judicial. Mas o texto também menciona “motivo razoável de suspeitar que o conteúdo do depósito foi dolosa e ilegalmente obtido em violação às leis de proteção de dados e propriedade intelectual”.
De outra parte, embora já busque adotar premissas como a “extraterritorialidade do armazenamento” ou o “caráter não geográfico do serviço”, o próprio texto indica a necessidade de outros instrumentos legais. Entre elas, “ações coordenadas entre países para diretrizes uniformes e comuns sobre a matéria”, ou especialmente uma lei que trate da proteção dos dados.
E, ainda, uma das premissas pode ‘importar’ uma disputa até aqui concentrada no Marco Civil da Internet. É que o projeto prevê a “garantia da neutralidade tecnológica e de rede”, sendo considerada a “não discriminação no processo de transmissão, empacotamento ou roteamento de informações em razão de conteúdo, origem, destino, serviço ou aplicativo ou qualquer outra forma, excetuado os casos previstos em lei ou normas”.