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sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Rádio: FM Nacional chega em mais dez cidades brasileiras


Serviço vai garantir mais acesso à informação, cultura e lazer para quase 4 milhões de habitantes
 


Por Chico Sant'Anna

A Rádio Nacional, emissora da Empresa Brasileira de Comunicações, com sede em Brasília vai poder agora ser sintonizada em Frequência Modulada em dez outros municípios brasileiros, como se fosse uma emissora local. As portarias autorizado esse funcionamento foram publicadas pelo Ministério das Comunicações (MCom), no Diário Oficial da União (DOU), na sexta- feira (8/12)

Os estados com maior número de autorizações foram Mato Grosso do Sul e Alagoas, contemplando moradores das cidades sul-mato-grossenses de Dourados, Corumbá e Andradina e os alagoanos de Batalha, Marechal Deodoro e Penedo.

Também fazem parte da lista de contemplados a população de Palotina (PR) e Niterói (RJ), além do município mineiros de Januária e do sergipano de Poço Redondo. Ao todo, são quase quatro milhões de habitantes com acesso à informação, cultura e lazer.

O funcionamento de cada estação está condicionado à autorização para uso da radiofrequência e emissão da licença de funcionamento.

UF

Município

Canal

-AL

Batalha

260

AL

Marechal Deodoro

236

AL

Penedo

244

MG

Januária

217

MS

Corumbá

231

MS

Dourados

219

MS

Nova Andradina

196

RJ

Niterói

194

SE

Poço Redondo

207

PR

Palotina

237

 

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Memória: Governo põe à venda prédio onde funcionou Rádio Nacional no Rio

Do Estadão Conteúdo
Aos 80 anos, completados nesta segunda-feira, 12, a Rádio Nacional, principal veículo de comunicação brasileiro nas décadas de 40 e 50 do século passado, recebeu uma má notícia: o prédio onde funcionou até quatro anos atrás, A Noite, na Praça Mauá, será vendido e seu auditório histórico, por onde passaram todos os grandes nomes da chamada era de ouro do rádio, não deverá ser preservado.
Inicialmente, o edifício foi sede do jornal “A Noite”, que em tempos bem anteriores a internet fazia a função de noticiar o que acontecia no final dos dias. Devido à força do nome do veículo de comunicação, o nome original da construção caiu em desuso.
A estrutura de 22 andares e uma altura de 102 metros – o que corresponde a 30 andares de um edifício atual – foi calculada por Emílio Henrique Baumgart, engenheiro que posteriormente se tornou responsável pelo Ministério da Educação e Cultura. Até os anos 1930, foi considerado o prédio mais alto da América Latina, até ser ultrapassado pelo Martinelli, que fica em São Paulo e foi inaugurado em 1934.
Pertencente ao governo federal, o edifício A Noite, primeiro arranha-céu da América Latina, foi inaugurado em 1929 e está vazio. Com o processo de revitalização da zona portuária e a derrubada do Elevado Perimetral, a construção, passou a destoar da paisagem, que inclui a vista livre para a Baía de Guanabara, o Museu de Arte do Rio (MAR), o Museu do Amanhã e o Boulevard Olímpico.
A Rádio Nacional, hoje abrigada no prédio da TV Brasil, na Lapa, ocupava quatro dos andares do edifício e o Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (Inpi), os outros 18. A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) está preparando o edital de alienação, a ser lançado em novembro. A ideia é fazer permuta com outro prédio, que abrigará os funcionários do Inpi, atualmente instalado em imóvel alugado. O A Noite viraria então um hotel, um prédio comercial ou residencial. “A preservação do patrimônio histórico é uma das prioridades, mas os encargos do comprador ainda não foram definidos”, informou, em nota ao Estado, a SPU.
Não há indicativo de que o edital trará como cláusula a manutenção dos três antigos estúdios e do auditório, reformados entre 2003 e 2004, ao custo de R$ 2,5 milhões, e reabertos com a presença de artistas da Era do Rádio. Por ali já passaram os cantores Francisco Alves (1898-1952), Sílvio Caldas (1908-1998), Cauby Peixoto (1931-2016), Marlene (1922-2014) e Emilinha Borba (1923-2005). “O emblemático edifício A Noite, hoje sem utilização, será alienado a um empreendedor privado”, informou a SPU
A companhia americana Tishman Speyer, dona de prédios icônicos de Nova York como o Rockefeller Center e o Chrysler, é um dos possíveis interessados. O edifício foi avaliado em 2015 em R$ 137 milhões.
Crime. Com fachada e foyer em estilo art déco, o prédio foi projetado pelo francês Joseph Gire, o mesmo arquiteto do Hotel Copacabana Palace, e foi um dos principais mirantes da cidade. Está em mal estado de conservação há anos – o Inpi não dispõe de verba para reformá-lo na totalidade -, o que ficou mais evidente com a reabertura da praça, há um ano, e com a movimentação maior na região, tomada por milhões de pessoas no período da Olimpíada, em agosto, e agora na Paraolimpíada.
O aspecto atual da edificação de 87 anos não é bom. Ainda bastante alto em comparação com outros edifícios da zona portuária, o arranha-céu está cercado por tapumes de madeira amparados em estacas de ferro cobertas de ferrugem. O contraste com a nova Praça Mauá é nítido.
“A prefeitura conversa com o governo federal desde 2010 sobre a necessidade de resolver o problema do prédio. O auditório está sem uso, e tenho medo de que a exigência de manter o espaço da rádio trave o empreendimento. Isso tem de ser tratado com bom senso. É preciso ver o que é melhor para a cidade”, disse Alberto Silva, presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp).
Já os defensores da memória da rádio temem a destruição de sua memória. “É mais um absurdo que comprova a falta de interesse do poder público pela cultura. É um crime de lesa-memória que um dia a história vai condenar”, disse o compositor Edino Krieger, que fez arranjos para orquestras da rádio nos anos 1960 e segue seu ouvinte. “Podiam pelo menos colocar uma placa. É muita história ali para ser jogada fora”, afirmou o sambista Tantinho da Mangueira, que se apresentou ali nos anos 50, ainda garoto.
“Além do auditório e do estúdio de radioteatro, ainda estão lá o piano do Radamés Gnattali (1906-1988) e a cabine telefônica que recebia ligações diretas do presidente Getúlio Vargas. Se a preservação desses andares não estiver contemplada no edital, vão destruir tudo”, teme o engenheiro Luiz Murilo Tobias, vice-presidente do Instituto Funjor, que trabalha pela preservação da memória artística brasileira e faz campanha no Facebook pela causa da Rádio Nacional.
Repórter Esso. A rádio foi estatizada por Getúlio em 1937. Em 1940, estreou a primeira radionovela do País, Em Busca da Felicidade. Dali para a frente, pertencer ao elenco da rádio se transformou no sonho de todo artista. Radialistas e atores como Paulo Gracindo (1911-1995), Mário Lago (1911-2005) e César de Alencar (1917-1990) tornaram-se nacionalmente conhecidos a partir do sucesso da Nacional. Em 1941, a Nacional poria no ar o Repórter Esso, que viria a ser o noticiário mais acompanhado pelos brasileiros. A decadência chegaria a partir dos anos 1960, com a popularização da televisão.

sábado, 3 de setembro de 2016

Morre Cristiano Menezes, ex diretor das rádios Nacional e Cultura do DF

Da Agência Brasil

Morreu dia, 1/9, no Rio, aos 67 anos, o radialista, jornalista, produtor e poeta Cristiano Ottoni de Menezes, que foi por dez anos, entre 2003 e 2013, diretor da Rádio Nacional do Rio de Janeiro e gerente regional das emissoras da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) na cidade. Ele estava internado na Casa de Saúde São José, no Humaitá, para tratamento de um câncer no fígado, em consequência do qual veio a falecer.

Nascido e criado em Botafogo, Cristiano estudou em dois colégios católicos tradicionais, o São Bento e o Santo Inácio, e cursou durante dois anos a Faculdade de Direito Cândido Mendes, mas não chegou a se formar. Antes de trabalhar em rádio, jornal e televisão, foi ator na peça A Dança da Lebre Celeste, dirigida por Mossa Ossa e encenada nos teatros Ipanema, no Rio, e Oficina, em São Paulo.
Como radialista e produtor trabalhou, na década de 1970, na Rádio Roquette Pinto, no Rio, onde criou e apresentou  o programa Panos e Molambos, voltado para a revelação de novos talentos na música, poesia, teatro e cinema. Mais tarde, mudou-se para Brasília, onde foi repórter da TV Tupi, do jornal Correio Braziliense e apresentador da TV Brasília, além de produtor e programador musical da Rádio Nacional FM. Nos anos 90, dirigiu a Rádio Cultura FM, emissora do governo do Distrito Federal.

De volta ao Rio, trabalhou em outras emissoras de rádio, antes de assumir a direção da Nacional, na época vinculada à extinta Radiobrás. No exercício do cargo, esteve à frente da reforma dos estúdios da emissora e da reabertura do antigo e tradicional auditório, ocorrida em 2004, com as presenças do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de dezenas de artistas dos anos dourados da emissora, como Marlene, Emilinha Borba e Cauby Peixoto.

Ainda na Nacional, criou e apresentou o programa Época de Ouro, realizado ao vivo no auditório, com os músicos do conjunto regional de choro fundado em 1964 por Jacob do Bandolim. Produtor e integrante do Época de Ouro, juntamente com seu pai, Jorginho do Pandeiro, da formação original do grupo, o percussionista Celsinho Silva ressaltou a importância de Cristiano para a revitalização da Nacional. “Ele trouxe de volta os programas ao vivo, com plateia, para a rádio”, disse.

Como poeta, Cristiano Menezes participou de dezenas de récitais, teve poemas publicados em suplementos literários e na antologia República dos Poetas (Editora Museu da República, 2005). Em 2014, lançou o livro de poesias Guardanapos (Editora 7Letras), com prefácio do poeta Xico Chaves.


sábado, 21 de maio de 2016

EBC: Pesquisadores acadêmicos preocupados com futuro da Comunicação Pública

Os pesquisadores em Comunicação da Universidade Católica de Brasília estão preocupados com o futuro da Comunicação Pública no Brasil face às mudanças ocorridas na EBC. 

Leia tambem:


Futuro da EBC é tema de aula pública na FAC-UnB


Veja abaixo a nota oficial dilvulgada por eles.


CARTA ABERTA DOS CURSOS DE JORNALISMO E PUBLICIDADE E DO MESTRADO EM COMUNICAÇÃO DA UNIVER

SIDADE CATÓLICA DE BRASILIA - UCB

Os Cursos de Jornalismo e Publicidade e o Mestrado em Comunicação da Universidade Católica de Brasília (UCB) vêm a público mostrar sua preocupação com a garantia do Estado de direito e da liberdade de manifestação, informação e expressão durante o governo interino, como já o fizeram importantes Associações de Pesquisadores: ALAIC, INTERCOM e dos Jornalistas, FENAJ. Levamos em conta os acontecimentos da última semana, a saber:

1) O fim do Ministério da Cultura;
2) A incorporação do Ministério das Comunicações pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação;
3) A incorporação das secretarias de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos pelo Ministério da Justiça;
4) A exoneração do presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que tem mandato assegurado por lei até 2020;
5) A ameaça de uma Medida Provisória extinguindo a EBC e com isso, todos os projetos em andamento, inclusive o Projeto Brasil 4D de televisão pública aberta digital interativa para a população de baixa renda, e
6) A redução das atribuições do Conselho Curador da EBC, restringindo a capacidade de participação e controle social na comunicação pública.

Tais atos demonstram descompromisso com a cidadania, com a geração de bens culturais, com a comunicação pública, com a produção do conhecimento, com o desenvolvimento técnico e cientifico e sua difusão entre todas as camadas sociais, em especial as menos favorecidas, exatamente aquelas que mais utilizam televisão aberta e o rádio, já que não possuem acesso a outras mídias, como a internet ou a TV paga.

No que diz respeito à comunicação pública, a situação é grave. Em menos de uma semana foi exonerado o presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), cujo mandato de quatro anos é garantido pela Lei n° 11.652. Embora nomeado pela Presidência da República, o presidente da EBC não pode ser destituído a depender da vontade do chefe do poder executivo; apenas pelo Conselho Curador. A previsão de um mandato fixo de quatro anos, não coincidente com o de presidente da República – a exemplo das demais empresas de comunicação públicas do mundo ocidental - existe para evitar interferências político-partidárias na gestão da empresa pública, como a que ora ocorre. Ferir o princípio da autonomia da EBC é um risco, traz insegurança quanto à sua independência e gera instabilidade sobre o futuro da comunicação pública.
Mas a própria empresa pública está sendo ameaçada de ser extinta através de Medida Provisória e ser substituída pela antiga Radiobrás, órgão oficial de informação, criado em 1975, em plena ditadura militar.

Atualmente, a EBC possui oito emissoras de rádio AM e FM, a TV Brasil, a TV Brasil Internacional, a agência de notícias Agência Brasil, o Projeto Brasil 4D de Televisão Digital Interativa para baixa renda e a NBR, canal que presta serviços oficiais para o governo e é fonte de renda para a EBC.

Além disso, a Empresa possui um Conselho Curador representativo da sociedade brasileira e uma Ouvidoria que acompanha os trabalhos desenvolvidos nos diferentes setores da EBC. Em vista disso, consideramos essencial respeitar o mandato de gestores da área pública, assim como promover os canais de participação popular na gestão e no diálogo entre os meios e a sociedade.

Acrescente-se a esse quadro, o papel dos meios privados de comunicação, que têm demonstrado parcialidade na cobertura midiática. O tratamento dos eventos, o processamento da notícia tem se distanciado tanto da informação objetiva quanto da análise apurada que são bases de sustentação da democracia, dos acordos sociais, das políticas de estado e da defesa do interesse público e comum a todos.

A ausência dessas premissas se configura como ameaças aos direitos universais do ser humano e da cidadania, como a liberdade de informação diversificada e a liberdade de expressão.

Os cursos de Jornalismo e Publicidade e o Mestrado em Comunicação da UCB reconhecem o papel estratégico da comunicação pública para oferta diversificada de informações, apóia a EBC, seus projetos e profissionais, e aponta para a necessidade do governo interino garantir a liberdade de informação, manifestação e expressão diversificada para todos os setores sociais.

Assinam:
MESTRADO EM COMUNICAÇÃO 
CURSO DE JORNALISMO 
CURSO DE PUBLICIDADE

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Futuro da EBC é tema de aula pública na FAC-UnB

UnB discute o futuro da EBC e da comunicação pública nesta segunda-feira.


O governo interino planeja alterações na estrutura e na lei 11.652/2008, que cria a Empresa Brasil de Comunicação – EBC. A empresa pública reúne a TV Brasil; emissoras de rádio FM e AM, como a Rádio Nacional, a Agência Brasil, de notícias online; e a EBC Serviços, que contém a TV NBR, e presta serviços para o governo, produzindo, por exemplo, a Voz do Brasil.

Nesta segunda-feira, 23/5, às 19h15, a FAC, Faculdade de Comunicação da UnB, debate o futuro da EBC, numa aula aberta ao público, no auditório da FAC. Para estimular o debate, a aula começa com a apresentação de pesquisadores, que vão expor seus trabalhos sobre Comunicação Pública. O evento é realizado pela linha de pesquisa Políticas de Comunicação e de Cultura e do Laboratório de Políticas de Comunicação – LAPCOM, do Programa de Pós-graduação em Comunicação, da Universidade de Brasília – PPG-FAC-UNB.

Serviço:
AULA PÚBLICA | O Futuro da EBC e da Comunicação Pública no Brasil
Data: 23/05, 19h15,
Local: Auditório da FAC/UnB

Compartilhe o evento no Facebook e confirme a sua participação:https://www.facebook.com/events/919184411541575/

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

[Veja o vídeo] Impactos sociais e tecnológicos da migração das rádios AM para FM

As emissoras de rádio em ondas médias, OM, ou AM na sigla inglesa, começam a desaparecer no Brasil.
Por decisão governamental, todas elas vão migrar para a freqüência modulada, popularmente chamada de FM. Pouquíssimas emissoras em AM, tais como a Rádio Nacional, da Empresa Brasileira de Comunicação - EBC, vão manter sua transmissão.
Essa migração também fará desaparecer os canais de televisão aberta que utilizam numeração abaixo de 6.
Tive a oportunidade de gravar para o programa Cidadania, da TV Senado, uma entrevista sobre  a Migração das AMs para FMs com o diretor-geral da Abert, Luis Roberto Antonik.
Foram analisados os impactos de isolamento social daqueles brasileiros que vivem nos rincões brasileiros, como a Amazônia, que dependem do rádio para manter-se informado e exercer sua cidadania.
Também abordamos os temas tecnológicos, tais como a necessidade do rádio-ouvinte ter que adquirir novos aparelhos receptores, em especial aqueles que estão acostumados a ouvier o rádio no carro.
O programa será exibido pela TV Senado nas seguintes datas e horários:

  • Sábado (20/2): 7h00
  • 2ª feira (22/2): 13h00
  • 3ª feira (23/2): 20h30
  • 4ª feira (24/2): 7h30
  • 5ª feira (25/2): 8h30
  • 6ª feira (26/2): 13h00


O programa também já está disponível no youtube e  pode ser acessado por este blog.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Crise na EBC: presidente e diretores pedem pra sair.


Interferência governamental na linha editorial dos veículos públicos é apontada como motivo para o pedido de demissão.


Américo Martins, presidente da Empresa Brasil de Comunicação está deixando o comando da EBC, responsável pela TV Brasil e a Agência Brasil. 
O jornalista, que foi diretor-geral da EBC, estava na presidência desde agosto do ano passado. Rumores indicam que ele teria peido demissão alegando ingerência política na EBC.
Além de Martins, deixam a empresa pública Myriam Porto, diretora de produção, e Asdrúbal Figueiró, que acumulava os cargos de diretor-geral e diretor de conteúdo e programação. Ficam, portanto, quatro cargos abertos.
O atual vice-presidente de gestão e relacionamento da EBC, 
Américo Martins assumiu a presidência da empresa em 2015. Sua ascensão coincidiu com uma nova gestão da secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), sob o comando do ministro Edinho Silva. Desde então, as entidades representativa de trabalhadores da Comunicação - segundo informa o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal-, denunciam o aparelhamento com nomes indicados pela Secom para cargos de gestão. O "cabidão", como passou a ser conhecido dentro da empresa, tornou-se pauta central da greve de 10 dias que mobilizou quase 1000 trabalhadores da EBC em novembro de 2015.
A EBC é a holding que congrega a TV Brasil, Canal NBR, Rádio Nacional (AM-FM e Ondas Curtas) e Agência Brasil de Notícias.
O braço longo e pesado da Secom também passou a ser sentido na linha editorial. “Na Agência Brasil, principal portal de notícias da empresa, a preocupação com a imagem do governo ganhou espaço. Pautas positivas para o governo, como a transposição do Rio São Francisco, foram impostas sem abrir o devido espaço para o contraditório. Outras, de caráter público, como o futuro do Edifício A Noite, prédio histórico, onde funcionou a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, foram proibidas. A contratação de comentaristas e apresentadores ligados ao governo pela TV Brasil também sinaliza para interferência da Secom na linha editorial da EBC” – informa o portal do Sindicato.
As entidades sindicais de Jornalistas e Radialistas do Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, bem como a Comissão de empregados da EBC cobram do governo esclarecimento sobre a demissão de Américo Martins e reivindicam a aplicação de mecanismos concretos de preservação e fortalecimento da autonomia da empresa. Requerem ainda transparência na indicação do novo presidente da EBC e participação social nesse processo.
O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) manifestou sua preocupação com o “crescente processo de degradação da autonomia da EBC”. Em nota diz haver falta de transparência e de diálogo com a sociedade, por parte do governo, acerca do projeto de comunicação pública a ser implantado no país e reafirma a existência de “interferências e ingerências políticas indevidas, tanto na nomeação de cargos de direção quanto na programação das emissoras e veículos geridos pela EBC”.
Para o Fórum existe no governo confusão entre comunicação pública e comunicação governamental. “O produto dessa confusão traz um enorme prejuízo à própria sociedade brasileira, que se vê impossibilitada de realizar sua experiência de comunicação pública, baseada numa programação educativa, cultural, artística, informativa e científica que promova a cidadania e desenvolva a consciência crítica das pessoas” – diz o fórum.
A EBC divulgou uma curtíssima nota onde afirma que o desligamento da EBC foi motivado por questões pessoais e que na sua curta gestão, “trabalhou para aumentar a relevância dos veículos da EBC, investindo em mais esporte, fortalecendo os conteúdos jornalísticos e apoiando projetos, como a expansão da Rede de TV Digital.”

Os dirigentes demissionários, segundo a EBC, continuam no cargo até a publicação das respectivas exonerações no Diário Oficial. Mário Maurici de Lima Morais, é o cotado para assumir o posto deixado por Martins.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

EBC: trabalhadores decidem manter a greve por reajustes dignos

Com base no SJP-DF


Assembleia dos trabalhadores em greve das quatro praças da Empresa Brasiliera de Comunicação (Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e São Luís), realizada no dia 11/11, rejeitou a proposta colocada pela direção da empresa em mesa de negociação realizada na segunda-feira (9). A diretoria ofereceu 3,5% de aumento salarial e em todas as cláusulas econômicas do Acordo Coletivo de Trabalho para este ano e para o ano de 2016. A greve teve início na terça-feira, 10/1.
EBC é a holding que administra a TV Brasil, Rádio Nacional, Agência Brasil, dentre outras mídias, além de ser responsável pela edição da primeira meia hora do programa radiofônico, A Voz do Brasil.
Os servidores da EBC querem que seus salários sejam corrigidos de acordo com oIPCA, que é o Índice que mede os preços ao consumidor em todo país. Além de um chamado aumento linear dos salários, no qual os trabalhadores passariam a receber R$ 450 a mais mensalmente. Os tíquetes alimentação e refeição também são objeto de reivindicação. Os grevistas querem que esse benefício tenha o aumento de 4,25%
Em greve, os empregados das quatro praças da EBC (Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e São Luís) voltaram a se reunir em assembleia nessa quinta-feira, 12/11. O movimento ganhou grande adesão, com entre 900 e mil trabalhadores cruzando os braços, quase 50% dos empregados da casa sem cargo de chefia ou função. Os empregados aprovaram a continuidade da greve, a manutenção das propostas para as cláusulas econômicas e a cobrança que a empresa negocie as cláusulas sociais.
Os trabalhadores também aprovaram a cobrança para que a empresa não cometa ilegalidades durante a greve na substituição de profissionais e que tire dos créditos os nomes daqueles trabalhadores que pararam. Uma carta à presidenta Dilma também foi encaminhada na assembleia.
A direção da Empresa Brasil de Comunicação enviou ofício afirmando que só voltará a negociar caso os trabalhadores interrompam a greve. Ela entrou com pedido de dissídio coletivo junto ao Tribunal Superior do Trabalho. No entanto, só listou algumas cláusulas econômicas e mais duas de seu interesse (banco de horas e ponto eletrônico). Os trabalhadores rejeitaram a tentativa de fim da greve e reafirmaram que mesmo para uma conciliação no Tribunal é fundamental que as partes dialoguem sobre as cláusulas sociais.
Psol

A bancada parlamentar do Psol na Câmara dos Deputados se solidarizou ao movimento dos trabalhadores da estatal de comunicação. Por meio do seu líder, deputado Chico Alencar, o PSOL manifestou todo o seu apoio a esta luta e considera justas as reivindicações do movimento. Os trabalhadores não podem pagar pela política de ajuste fiscal para os “de baixo”, adotada pelo governo Dilma e que beneficia o capital financeiro, em detrimento de salários dignos e melhores condições de trabalho. A proposta apresentada pela direção da empresa não repõe as perdas da inflação acumulada no último ano, e segue a linha da política oficial de arrocho que o PSOL rejeita.
Os grevistas fizeram uma passeata na Esplanada e um ato em frente ao Ministério do Planejamento. Eles cobraram uma reunião com o Departamento de Governança das Empresas Estatais (Dest), órgão ao qual a EBC está vinculada na parte das relações trabalhistas. Nas falas, os trabalhadores questionaram, por exemplo, por que o Ministério do Planejamento autorizou que a Companhia Nacional de Abastecimento, Conab, oferecesse 8,5% e para a EBC somente 3,5%.

Ministério Público
Às 18h, as entidades representativas, entre elas o Sindicato dos Jornalistas do DF, se reuniram com o gabinete do Procurador-Geral do Trabalho. Na reunião, elas solicitaram que o órgão acompanhe a negociação e denunciaram abusos por parte da empresa como assédio moral, substituição de profissionais e designação de profissionais para ocuparem cargos sem registro profissional ou em desacordo com a legislação. Entre as irregularidades está também o uso de estagiários para substituir o trabalho de profissionais. As entidades também solicitaram auxílio do Ministério Público do Trabalho para uma eventual situação de compensação dos dias parados, já que na greve de 2013 houve muitos casos de abuso. O chefe-de-gabinete do Procurador-Geral explicou que no caso do acompanhamento, como há dissídio em andamento haverá a designação de um procurador. Quanto às denúncias, informou que elas devem ser analisadas pela Procuradoria-Geral do Trabalho da 10a Região. Os representantes dos trabalhadores solicitaram agilidade no encaminhamento do processo.

Adesão
Segundo relatos dos trabalhadores, há setores com 100% dos empregados do quadro parados. Parte dos profissionais se manteve trabalhando com receio de perda de coordenação ou de gratificações. Outra parte não aderiu por motivos diversos. A greve comprometeu diversos serviços da empresa. Telejornais reduzidos, com menos materiais e mais dependentes das emissoras parceiras, rádio com programação musical muito maior e noticiários sem ir ao ar, Agência Brasil com menos matérias.

Nova assembleia
Uma nova assembleia ficou marcada para segunda-feira, 16/11, às 12h30. Caso o TST responda os pedidos de dissídio que foram realizados pela empresa os empregados poderão voltar a se reunir amanhã. Reajuste de 3,5%
O movimento paredista foi deflagrado na última terça-feira, 10/11. A empresa ofereceu reajuste de 3,5% por ano em um acordo de dois anos. Mantido o patamar inflacionário, isso significaria uma perda de cerca de 13% em dois anos nos salários dos trabalhadores. A oferta foi feita sob a justificativa da crise econômica no país. No entanto, os trabalhadores denunciam vários privilégios dado aos gestores e diretores da empresa. Eles lutam por isonomia dentro do quadro de empregados e pressionam para que neste momento de crise a empresa faça cortes em cargos comissionados, nos salários da chefia e em outros benefícios dados aos cargos de direção como: vaga privativa na garagem paga pela empresa, auxílio moradia e diárias recebidas pela direção com valor muito superior aos que são pagos aos empregados.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Entrevista a Nelson Breve: "É preciso criar a cultura da inovação na EBC"

Por Romário Schettino, publicado originalmente no Jornal do Romário

Em três anos e seis meses à frente da presidência da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o jornalista Nelson Breve iniciou a reestruturação da empresa mas ainda não conseguiu decolar na audiência.
Para ele, a EBC é uma empresa em construção e isso levará tempo. Ele compara com os 80 anos da BBC britânica para se consolar. Nelson investiu pesado no planejamento estratégico e na formação dos profissionais.
Ele anuncia a instalação, no dia 25 de setembro, do Centro Roquete Pinto de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação em Comunicação Pública, em parceria com a Unesco. "Com esse Centro vamos experimentar e criar a cultura da inovação dentro da empresa. Não só na área da criação, mas também na área administrativa", afirma.

Leia também:

Sobre esses assuntos e outros, como a chegada do sistema digital, cortes no orçamento e ética na profissão, Nelson Breve falou ao Jornal do Romário o seguinte:

JR – A ideia original à época da criação da EBC é que ela se tornasse uma empresa pública, diferente da estatal. Mas o problema principal sempre foi o da sustentação financeira. Enquanto esse formato não chega o jeito foi submetê-la ao Orçamento da União. Como ficaram os recursos da EBC depois dos cortes?
NB – Independência financeira é a melhor forma e tem que se almejada, nós estamos trabalhando nesse sentido, não com a velocidade que eu esperava, mas conseguimos dar um passo importante com a liberação de parte da Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública, estabelecida pela Lei 11.652/2008. Ganhamos a ação na primeira instância [proposta pelo Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil) que questiona a constitucionalidade da lei] e tem entrado mais dinheiro.
Para 2015 tínhamos previstos R$ 627,5 milhões, incluindo os R$ 177,9 milhões que viriam da Contribuição. Mas o governo contingenciou R$ 92,9 milhões porque o valor total da Contribuição não era garantido. Logo, ficamos com apenas R$ 534,6 milhões, dos quais R$ 283,6 milhões são para pagamento de pessoal e benefícios. Sobram, então, R$ 251 milhões para custeio e investimentos.
A dificuldade é que estamos gastando o dinheiro da fonte contribuição e menos da fonte do Tesouro. Está havendo uma substituição e não um acréscimo.
JR – Mas e os cortes?
NB – A gente ainda não sabe porque os 17,8% de recursos cortados da Presidência da República ainda não foram distribuídos entre os diversos órgãos. Esses recursos destinados aos investimentos são insuficientes se você levar em conta que nos últimos três anos, saímos de R$ 100 milhões/ano para R$ 20 milhões/ano.
Os avanços tecnológicos depreciam em média 20% ao ano. Os equipamentos que adquirimos há cinco anos estão dois terços depreciados e não conseguimos renovar o que é necessário. Se eu esperar chegar no final, sem um certo padrão de investimento nas substituições teremos graves problemas, já que o avanço tecnológico anda muito rápido.
JR – Quanto arrecada a Diretoria de Serviços da empresa?
NB –Nós separamos essa Diretoria em Serviços e Negócios a pedido do ex-ministro Thomas Traumann.Quem cuidava do contrato com a Secretaria de Comunicação (Secom) era a Diretoria de Serviços, lá eles reclamavam que não estava funcionando e nós reclamando que não estávamos captando dentro das metas estabelecidas.
Embora tenhamos captado mais de R$ 100 milhões em 2013, no passado conseguimos algo em torno de R$ 90 milhões por ter sido ano eleitoral e a legislação não permite investimentos do governo nessa área. Recebemos R$ 20 milhões com a publicidade legal, R$ 50 milhões no contrato com a Secom para alimentar o funcionamento da TV NBr, produzir a Voz do Brasil e manter a cobertura da Presidenta com transmissões ao vivo em qualquer lugar do Brasil e do mundo, mais a mídia impressa que ela recebe onde quer que ela esteja. Cerca de R$ 20 milhões com captação de publicidade e apoio cultural, mas perdemos com o clipping de mídia impressa.
Os jornais que utilizávamos para fazer o clipping recuaram e tivemos menos conteúdos para oferecer. Por isso, repactuamos alguns contratos e perdem os outros como os do Senado e da Câmara. Agora os jornais estão voltando porque estão precisando de dinheiro. Fechamos com o Globo, com a Folha, estamos fechando como Estadão. Falta ainda o Valor Econômico.  
JR – Isso se refere à Diretoria de Serviços. E quanto à de Negócios, como é que está funcionando?
NB – Com o licenciamento de programas, publicidade legal, captação via Lei Rouanet, todo potencial de fontes de recursos externos. Um novo negócio, no entanto, pode ser executado pela área de serviço.
Como não tenho equipe operacional, já recusei contratos como os da TV Legislativa do DF, da Câmara Municipal de São Paulo e vários outros. Enquanto nós não viabilizarmos a modalidade de credenciamento, que já conseguimos junto ao Tribunal de Contas da União. Está aprovado, em tese, o regime simplificado, mas o TCU ainda não devolveu definitivamente a minuta corrigida.
Nossa programação não vende comerciais, mas conceitos. Eu gostaria de fechar mais negócios na captação de apoio cultural, mas eu não estou nessa área, quem cuida é o Gustavo Pinho, Superintendente de Negócios, Marketing e Comunicação.
JR – Voltando aqui na questão dos recursos da Contribuição. Quanto representou isso no seu orçamento?
NB – Esse dinheiro chega anualmente em março. O recurso entra na composição do orçamento da União. Como disse, estavam previstos R$ 177 milhões, mas na verdade chegaram apenas R$ 144 milhões.
Espero que o corte não saia dos R$ 85 milhões que sobraram, mas sim dos R$ 144 milhões já garantidos. É uma questão a ser negociada ainda junto à Presidência.
JR – Bem, com tantas idas e vindas você nem sabe quanto será o seu orçamento para este ano?
NB – Esse é um problema a ser resolvido, mas é importante lembrar que se as empresas da Telecom desistirem da ação judicial nós já temos depositado em juízo R$ 1,7 bilhão. Esse dinheiro tende a vir para nós quando a sentença for transitada em julgado em segunda instância, que ainda nem tem relator.
Espero que consigamos um acordo com os empresários do setor para que eles desistam da ação e a gente possa fazer a migração do analógico para o digital, já que são eles que vão operar a transição.
JR –A EBC tem acesso aos índices de audiência do Ibope para orientar sua programação? Quais são esses índices para os diversos veículos (rádios e TV)?
NB – Os índices de audiência da televisão nós temos de seis praças: Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Porto Alegre. Nós ensaiamos uma elevação com a melhoria de nossos sinais em digital, mas no ano passado tivemos problemas com a defasagem tecnológica e com a manutenção dos equipamentos.
No Rio de Janeiro perdemos muita audiência por conta de problema com os transmissores e com o retransmissor da Baixada Fluminense. Em Brasília, que vinha aumentando bastante, também caiu. O fato é que, mesmo assim, temos programas com audiência acima do traço em diversas praças. A medição do Ibope pega todos os tipos de transmissão aberta, parabólica e na TV por assinatura. O Ibope diz apenas que tantos domicílios estão ligados na TV Brasil. Em Porto Alegre, depois que melhoramos a imagem o Ibope aumentou. Então, há uma relação direta entre audiência e qualidade da imagem.
Como exemplo, no futebol, série C, o jogo Guarani x Tupi superou 0,50% de audiência média em 4 praças: 0,90% em Recife; 0,82% em Salvador; 0,61% em Porto Alegre e 0,60% de média no Distrito Federal.
Outro tipo de audiência é o infantil Escola Pra Cachorro, que superou 1,00% de audiência média em 2 praças: 1,29% no Distrito Federal e 1,08% em Recife. Em outras duas, superou 0,50% em Salvador e 0,97% em Porto Alegre. Outro infantil, Escola Pra Cachorro é coprodução brasileira e canadense. 
No geral, em Salvador perdemos audiência. Em Recife deixamos a audiência bem boa na época da série C do campeonato de futebol, mas a universidade de lá, com quem temos parceria, também tem dificuldade de investimento e essa situação não ajuda.
Em Brasília ainda tem o problema das emissoras comerciais que estão operando numa potência mais elevada afetando a nossa transmissão. Houve até um embate entre a SBT e a Record que tiveram que chegar a um acordo para operar na mesma potência.
JR- E com relação às rádios?
NB - São sete emissoras de rádio: Nacional Brasília FM, Nacional BSB AM, Nacional Rio AM, Nacional Alto Solimões, Nacional Amazonas, MEC Rio FM e MEC Rio AM. Dentre essas, a MEC FM do Rio e a Nacional FM de Brasília são as que têm melhor desempenho. O Ibope aponta que a MEC FM tem 2.100 ouvintes/dia e a NACIONAL FM Brasília tem 2.578 ouvintes/dia em média no mês. As outras são bem mais fracas, variando de 886 a 68 ouvintes/dia no mês, em média.
JR – Ou seja, a audiência é baixa em todo lugar. A TV Brasil está sendo transmitida pelo sinal aberto analógico em quais praças? No resto do país tem quantas educativas e culturais estaduais são conveniadas?
NB – No sistema analógico temos Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e São Luiz. Em digital, temos Brasília, São Paulo e Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre e Florianópolis. Parcerias no digital: Natal, Salvador e Sergipe. Parceiros analógicos: TVEs do Rio Grande do Sul, Paraná, Brasil Pantanal (MS), Rede Minas, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Acre, Alagoas, Ceará, Pará, Piauí, Amazonas e Tocantins.
Com universidades também existem algumas. Muitas dessas conveniadas têm programação local. Minas e Ceará, por exemplo, produzem muito. Em outras praças têm apenas um jornal local e o resto da programação é nossa, isso varia em cada caso.
JR - Quando sair o sinal digitalizado haverá garantia de espaço para a TV Brasil? A EBC está participando da criação do Canal Cidadania e do Canal da Educação no Ministério das Comunicações?
NB – Da criação não, que isso é atribuição dos ministérios da Educação e da Cultura. As prefeituras sim participam, o processo foi descentralizado para os municípios no caso do Canal Cidadania. O que nós esperamos é que os espaços sejam disponibilizados para que a gente possa operar de forma compartilhada, a mesma antena e um operador único.
Investir em tempos de vacas magras será sempre um problema quando a população está pedindo mais saúde, mais educação, segurança. Mas dentro do governo está crescendo o entendimento de que é preciso ter um sistema público de radiodifusão para que a sociedade receba conteúdos mais adequados, plurais. Se haverá recursos para transformar essas ideias em projetos, vamos saber nos próximos dois meses. Estamos discutindo o Plano Plurianual de investimentos com os ministérios das Comunicações, Educação, Cultura, Saúde e Desenvolvimento Social.
Estamos trabalhando muito fortemente para a expansão da rede. No PPA anterior nós colocamos o operador e rede, mas ficamos sem dinheiro. Nós mostramos para o governo que a TV digital pode ajudar muito na difusão dos programas do governo de forma de interativa.
A ideia é implantar o Brasil 4D, que eu acho ser o Pátria Educadora. É transformar o sistema digital no eixo do desenvolvimento com democracia e diversidade. A comunicação digital, interativa, é o desenvolvimento do capitalismo cognitivo, que organiza e disponibiliza o conhecimento, como diz o sócio-economista francês Iann Boutang.
JR - Está garantido que a EBC terá acesso ao sinal digitalizado, uma vez implantado definitivamente?
NB – Se tiver dinheiro, sim, só falta canal para nós em Campinas. Lá é possível que a gente utilize em VHF, pois já é possível em UHF. O VHF cobre uma área muito maior. Canais 7, 9, 11, 13 e 143 são VHF, a partir do 15 é digital UHF. O sistema analógico será apagado quando entrar o digital. Será interessante todos operarem no VHF mas é preciso que todos tenham uma antena híbrida, para que o telespectador não fique trocando de antena. Com a híbrida, a transmissão alterna automaticamente as frequências UHF e VHF.
A EBC tem preferência onde tiver um novo canal disponível, antes de ele ir para o plano básico. Mas aqueles que já estão ocupados, só a Justiça tiraria. Em Brasília todos os canais já estão ocupados, inclusive pela TV Brasil e pela NBr.
JR - Vamos falar do Conselho Curador. As nomeações dos novos conselheiros escolhidos no ano passado já ocorreram? Se não, isso impede o seu funcionamento? Tem fundamento a alegação de que o governo adiou as nomeações porque queria uma conselheira que não foi a escolhida?
NB - O Conselho funciona normalmente porque há um dispositivo na legislação que diz que enquanto os novos conselheiros não forem nomeados os atuais continuam exercendo o mandato. Desconheço qualquer motivo para o atraso nas nomeações. Isso é normal nos governos, veja por exemplo a nomeação do novo ministro para o Supremo Tribunal Federal. Isso acontece, não há nada em relação a insatisfação com as escolhas.
JR - Qual o papel do Conselho Curador e da Ouvidoria da EBC? Essas instâncias estão cumprindo o seu papel institucional como deveriam?
NB – O Conselho vem cumprindo seu papel, o projeto está em construção. Segundo Ignácio Ramonet a comunicação pública nasceu tardia, muito depois da comunicação privada. Esse projeto EBC vai levar 30 anos para ser consolidado. Faz parte do processo de amadurecimento. A BBC tem 80 anos.
Nós somos muito novos nessa área. À medida que vamos aprendendo é natural que o Conselho zele pelos princípios estatutários. A mesma coisa com relação à Ouvidoria. Ela ouve a sociedade, analisa as críticas à programação com base nos princípios e objetivos da lei, faz sua crítica interna e apresenta seus relatórios ao Conselho Curador, que por sua também faz sua análise.
JR - Já houve alguma mudança efetiva a partir do trabalho da Ouvidoria ou do Conselho?
NB – A questão dos programas religiosos. Nós estamos com novos programas com base nos debates do Conselho Curador. O Comitê da Diversidade Religiosa, que o Conselho criou, ainda não concluiu a conversa que deveria ter com os antigos programas. Eu estou aguardando, até para assinar novos contratos, se for o caso.
JR - É verdade que há uma espécie de terceirização da gestão com dirigentes de ONGs e Coletivos ocupando cargos de direção ou de confiança dentro da empresa?
NB - Eu não sei de quem poderia estar ocupando cargos com incompatibilidade. O que sei é que há um a lei de conflito de interesses. Se existe e se está havendo conflito é preciso levar à Comissão de Ética Interna da EBC ou para a Comissão de Ética Pública da Presidência da República, dependendo do grau do cargo que ocupa. Se alguém acha que tem isso é importante que faça a denúncia à Comissão de Ética. O empregado tem que saber que quando ele tem qualquer vínculo desse ele precisa fazer consulta à Comissão de Ética da empresa, que é integrada à Controladoria Geral da União, ou à Comissão de Ética Pública da Presidência da República.
JR - O desenho empresarial da EBC, que controla a TV Brasil, que é pública, e a NBr, que estatal, é viável?
NB – O grande problema é como comunicar isso para a sociedade, que ainda não entende o que é a comunicação pública. É preciso explicar. A sociedade, ou parte dela, acha que a comunicação comercial já faz isso e não é verdade. Confunde-se muito o que seja a comunicação governamental com a comunicação pública.
Quando foi feita a Constituição de 1988 acabou-se por inventar esse conceito do formato compartilhado: público, privado e estatal. O estatal tem que ser público, o que deveria ter sido definido é o que é governamental e o que é público. O governo tem a obrigação de fazer a sua comunicação sem filtro, diretamente. A comunicação pública é plural, não pode ser apenas o ponto de vista do governo.
A comunicação comercial faz isso também, em alguns casos sim, mas tem ali por traz os seus interesses econômicos e empresariais. Se chegarmos algum dia que esse sistema compartilhado seja possível, equilibrado, pode até funcionar. Aqui na EBC nós estabelecemos um muro, quem trabalha para a TV Brasil não trabalha para a NBr.
Há uma separação de corpos, a área de serviços cuida dessa relação com o governo e a área de negócios cuida das outras funções com o público externo, está bem separado.
Ainda não é o melhor modelo, se se separasse ficava mais fácil explicar para a sociedade. A lei não permitiu que se fizesse uma subsidiária, talvez fosse o melhor caminho.
JR - A TV Brasil, há poucos dias, apresentou uma boa reportagem sobre mobilidade urbana e, depois do Repórter Brasil, um ótimo documentário sobre o Marechal Rondon. Esses programas não são divulgados pela Rádio Nacional FM, por exemplo, que tem audiência qualificada em Brasília. Por que a EBC não tem marketing cruzado? Os filmes, documentários e reportagens especiais tinham que ser divulgados intensamente na rádio Nacional, você não acha?
NB –  Esse é um problema que é recorrente. Quando a gente cobra, aparecem as chamadas. Depois vai diminuindo e acaba. Essa é uma empresa que estava verticalizada em feudos conforme as plataformas, sendo que plataforma web praticamente nem existia. Existiam duas, a plataforma televisão e a rádio. Elas quase não se falavam, eram autônomas. Criamos, em decorrência do planejamento estratégico de reestruturação, uma Superintendência Executiva de Novas Mídias, para fazer a integração.
Estamos, assim, saindo de uma estrutura vertical para a horizontal. Temos agora a produção jornalística e a artística, a área de empacotamento e programação e a área de distribuição, e estamos procurando integrar todas elas.
A Diretoria de Programação tem a programação de rádio, de TV e de web. Portanto, ela é que deveria estar fazendo o cruzamento. No jornalismo estamos integrando a Agência de Notícias com o Portal e depois com as rádios. Estamos pensando em transformar a Nacional AM em uma rádio só de notícias, ou criar uma rádio de notícias apenas na internet. E depois vem a integração do telejornalismo. Hoje estamos estruturados para fazer telejornal, não telejornalismo. Telejornal é o empacotamento do noticiário. O telejornalismo é área de produção.
O mundo mudou, mas a EBC foi originada em cima de duas estruturas rígidas, tanto a da Radiobrás quanto a da Fundação Roquete Pinto, isso leva tempo para mudar. Os feudos são, às vezes, impenetráveis. Os programas são pré-gravados e é difícil encaixar uma chamada para a TV.
JR - Bem, produzir chamadas não é nada complicado. Mas vamos falar sobre o Repórter Brasil Noite, que passa às 21h, após o Jornal Nacional. Os dois têm um formato muito parecido, um apresentador e uma apresentadora, chamadas, notícias cobertas, repórteres com a mesma entonação. Esse horário é o melhor? A duração de quase uma hora é adequada?
NB - Muitas dessas perguntas poderiam ser feitas para os diretores geral, de programação ou diretora de jornalismo. Eu cuido da estratégia e do desenvolvimento corporativo. Eu delego e cobro do diretor geral, mas vou respondê-las.
O direcionamento que dou pode até não ser executado. Eu quero audiência, quero prêmios, quero prestígio e o resto fica com o diretor geral. Se ele não executar o que espero que seja feito pode ser substituído, com a concordância da Presidência da República, que nomeia, e do Conselho Administrativo.
Eu discordo da crítica de que o jornal é muito longo, parece cansativo porque os outros jornais, que são feitos da mesma forma, foram criados para ter meia hora. Mas eu posso ter um jornal mais longo com o assunto quente do dia contando com a colaboração de meus parceiros nos Estados, com entrevistados e debates mais profundos. Eu regionalizo o debate nacional nos locais para onde estou transmitindo o Repórter Brasil.
Quando eu tomei posse pedi criatividade e ousadia, mas acho que elas avançaram pouco em algumas áreas. As limitações técnicas e de pessoal são naturais, precisamos formar as pessoas.
No dia 25 de setembro, dia do aniversário de 131 anos do Roquete Pinto, vamos inaugurar, em parceria com a Unesco, o Centro Roque Pinto de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação em Comunicação Pública. Com esse Centro vamos experimentar e criar a cultura da inovação dentro da empresa. Não só na área da criação, vale também para a área administrativa.
JR - Mas a mudança do horário do jornal faz parte desse debate?
NB - Estamos discutindo e é possível que a gente traga o jornal para mais cedo. A dúvida é se devemos competir com o Jornal Nacional. Eu acho que tem que competir mesmo.
JR - Os assuntos do dia são os mesmos. O telespectador que já viu o Jornal da Band, o JN, não vai para um terceiro jornal para ver as mesmas notícias. Se fosse um jornal com coberturas diferenciadas talvez pudesse ser mais atrativo.
NB -O nosso telejornal é o que tem os maiores índices de audiência dentro da nossa programação. Os programas infantis, o Caminhos da Reportagem, que é referência hoje, e o Repórter Brasil, são os carros chefes da programação. E é isso mesmo o que deve ser a comunicação pública.
JR - Faz parte da missão do jornalismo da EBC não defender os pontos de vista do governo nem da oposição. A ideia seria a busca da imparcialidade? Existe imparcialidade?
NB - Eu te asseguro que ela existe. O que existe também é que as pessoas cometem erros. Nós temos um orientador que é nosso Manual de Jornalismo, diferente dos manuais de redação. Lá estão todas as orientações, os princípios que precisam ser seguidos, fora os princípios previstos na nossa Lei de criação. Jornalismo de mais ninguém está previsto em lei, o nosso está, porque fala em pluralidade, equidade etc.
Nosso manual foi bem construído, inspirou-se em parte no manual do jornal espanhol El País e busca a definição do que é jornalismo. É isso que vai fazer a gente ter credibilidade e ser referência.
O Centro de Pesquisas Roquete Pinto vai proporcionar a formação de uma doutrina jornalística, junto com o que será feito na nossa área de educação corporativa para capacitar, qualificar as pessoas que estão aqui.
É preciso compreender que quanto melhor o jornalista menos cidadão ele é. O contrato que ele faz com a sociedade exige que ele forneça todas as informações para que as pessoas formem o seu próprio juízo. O interesse de classe de um determinado jornalista é diferente do de um outro cidadão. O militante, e eu não sou contra qualquer tipo de militância, prejudica o exercício profissional se ele deixa a sua militância contaminar o seu trabalho jornalístico, qualquer que seja ela.
JR - O Brasil tem alguma chance de um dia chegar ao nível de excelência de uma BBC? Quais os caminhos para nos aproximarmos da emissora da Inglaterra?
NB -Como princípio sim, como modelo não. O Reino Unido é um Estado muito menor que o nosso. Acho que a Public Broadcasting Service (PBS), dos Estados Unidos, é o mais adequado. O ideal seria misturar a BBC, a PBS e a NPR, National Public Radio. também dos EUA. O jornalismo da PBS é bom, mas o da NPR é muito melhor, até mesmo que o da BBC. Se juntarmos isso, seremos referência no mundo como comunicação pública. A NPR é ágil, toca em todos os pontos, não poupa ninguém, nem persegue ninguém.
JR - Eles são autosustentáveis?
NB -Não são, eles têm recursos públicos também. Nos EUA existe um sistema que permite que as pessoas doem dinheiro de herança para sustentar esse tipo de atividade pública. Existem fundações que apoiam e têm muitos fundos para isso, mas tem complemento de recursos do Tesouro da União, dos municípios e dos Estados.
JR - TV Internacional vai bem?
NB -Ela está funcionando, mas a TV Internacional não pode ser entendida como apenas um projeto da comunicação pública, ela tem que ser entendida como um projeto do Estado brasileiro para vender a imagem do Brasil no exterior. Se não houver recursos adicionais para isso, vai ficar do jeito que está. Ela é vista em 65 países e temos alguns problemas de direitos autorais que nos impedem de passar no exterior, mas a maior parte é a mesma programação da TV Brasil. Alguns programas são feitos especialmente para a TV Internacional.
JR - Você é candidato a ser reconduzido à presidência da EBC, em outubro?
NB - Não, é uma decisão que já tomei, um mandato é o suficiente para mim. Aliás, o Congresso está acabando com a reeleição, né? Eu acho que é preciso mudar para oxigenar, tanto para preservar a saúde, o convívio familiar de quem está na função, quanto para a empresa que precisa dinamismo para seguir o que já foi construído e fazer avançar, mexendo em áreas que às vezes ficaram abandonadas. Não há candidato à vista, se me consultarem posso indicar bons nomes, mas quem vai decidir é a presidenta Dilma Rousseff e o ministro Edinho, da Secom.
JR - Quais são os seus planos para o futuro?
NB - Tenho um projeto que carrego comigo antes de vir para cá, que é ser roteirista de séries para TV. Interrompi essa ideia ao ser indicado pela ex-presidenta Tereza Cruvinel para assumir a presidência da EBC. Antes disso, cheguei a ser assessor da Diretoria e Superintendente de Comunicação Multimídia. Eu gosto muito desse modelo de séries televisivas, é uma área que caiu no gosto popular no mundo inteiro. Outra área interessante são esses realities shows de culinárias, são uma febre. Não sei se terei talento para tudo isso, mas vou investir nessa área e me profissionalizar.
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Quem é Nelson Breve?
O jornalista Nelson Breve é diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) desde novembro de 2011. Formado pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), iniciou a carreira profissional há 20 anos, como redator e repórter do Diário do Grande ABC, de Santo André (SP).
Antes de concluir o curso, trabalhou por quase sete anos no Banco Bradesco S/A, onde chegou a exercer a função de analista de gestão das agências e diretorias das regiões Norte e Centro-Oeste, no Departamento de Gerência Geral.
Atuou como repórter no Diário do Povo, de Campinas (SP), e nas rádios Eldorado, de São Paulo (SP), e CBN, de Brasília (DF). Entre 1997 e 2002, foi repórter de economia e política da Agência Estado, acompanhando diariamente o Congresso Nacional por mais de quatro anos. Também trabalhou no Jornal do Brasil e na Agência Carta Maior, onde coordenou a instalação do escritório de Brasília.
Em 2005, foi gerente da Assessoria de Imprensa da Unidade de Comunicação Social da Confederação Nacional da Indústria (Unicom-CNI) e assessor de imprensa do ex-deputado José Dirceu.
Trabalhou como secretário de Imprensa da Presidência da República, no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado do ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Franklin Martins.Antes de assumir a Presidência da EBC, trabalhou na Empresa como assessor de Diretoria e superintendente de Comunicação Multimídia.