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sábado, 8 de novembro de 2014

Em crise financeira, Folha de São Paulo se vale do tradicional passaralho


Com base no texto de José Seabra, editado originalmente em naredecomjoseseabra.com.br

Folha de São Paulo, em crise, demitiu cerca de 25 profissionais e cortou as cabeças dos colunistas Eliane Cantanhêde e Fernando Rodrigues

A Folha de São Paulo, da família Frias, está mal das pernas. Em crise financeira, decidiu conter gastos. E cortou a cabeça de dois ícones do jornalismo brasileiro. Eliane Cantanhêde e Fernando Rodrigues não escrevem mais as colunas mais que semanais da página 2. Além deles, após 20 anos, o fotógrafo Joel Silva também foi demitido. 
Quem sai perdendo são os leitores da Folha. Catanha assinava sua coluna às terças, quintas, sextas e aos domingos. Fernando às quartas e aos sábados. 
Em seu blog no UOL, Rodrigues não abriu os motivos para a sua saída, informando apenas ter encerrado sua “colaboração” após 27 anos no matutino.
A debandada começou quando, na reta final da eleição, estrela Xico Sá foi proibido de escrever em sua própria coluna que votaria em Dilma Rousseff.
Posicionamentos políticos individuais, economia de custos e mão pesada de Otavinho Frias, diretor da empresa, se somam para emperrar rotativas. A Diretoria de Redação procurou justificar as demissões sob o argumento de que a receita publicitária caiu muito, em função da crise econômica que o País vive.
Além de Eliane Cantanhêde, Joel Silva e Fernando Rodrigues, ao menos outros 13 profissionais de redação foram dispensados.Entre os demitidos estão os repórteres Flávia Marreiro, ex-correspondente do jornal em Caracas, Eduardo Ohata, de “Esportes”; Ana Krepp, de “Cotidiano”; Lívia Scatena, de “Gastronomia”; Euclides Santos Mendes, Editor do “Painel do Leitor”; Samy Charanek, pauteiro de “Cotidiano”; Gislaine Gutierre, “Ilustrada”; e Thiago Guimarães, coordenador adjunto da Agência Folha. Para anunciar a demissão, a direção do jornal disse aos funcionários que os cortes foram realizados por motivações econômicas.
“O jornal realiza no final deste ano desligamentos pontuais, além de um corte nas despesas de custeio, a fim de ajustar o seu orçamento ao mau desempenho das receitas publicitárias, fruto da estagnação prolongada da economia brasileira”, alegou a Folha.
Cantanhede, que estava no jornal da família Frias desde 1997, sequer escreveu seu texto de despedida na Folha. Para falar sobre o assunto, a jornalista publicou no Twitter uma mensagem. “Amigos, aviso geral: amanhã eu não escrevo mais a coluna na Folha. Foi bom enquanto durou”.
Já Fernando Rodrigues, informou sobre sua saída por meio de um post em sua página no Facebook. Lembrou os 27 anos de dedicação ao jornal que diz ter o rabo preso com o leitor. Mas continua no Uol, do mesmo grupo Frias.
A Folha de S.Paulo ainda é um grande jornal. Foi minha escola por muitos anos. Coletti, Falcão, Botelho, Rui, Leleco, Amália, Marizete, Aylê, Emerson, Helival… Coleguinhas, chefes e chefiados, que passaram por lá, a exemplo de Catanha e Fernando. O leitor pode migrar. E o jornal, sentir o baque.

Um comentário:

Rafael Ramires disse...

Boa tarde Chico, como está?

Essa demissão em massa, se assim podemos dizer, tem justificativas econômicas, mas será só isso?

Não é um processo, infelizmente, comum em relação ao impresso? Redução do efetivo e mais trabalho sobre todos dentro da redação?

É triste saber disso.