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terça-feira, 7 de julho de 2020

A Liberdade de Expressão e as fake news


Tudo indica, como já se observa, que as maiores resistências à medida legislativa apontarão uma ofensa inaceitável à liberdade de expressão (ou direito-liberdade de manifestação de pensamento). O raciocínio subjacente considera que esse direito seria ilimitado no seu exercício, uma espécie de vale tudo.

Por Aldemario Araujo Castro*

“O Senado aprovou nesta terça-feira (30/6) o texto-base do Projeto de Lei 2.630/2020, que tem por objetivo o combate às fake news nas redes sociais. Em votação apertada, houve aprovação pelo placar de 44 votos favoráveis a 32 contrários. (…) O texto contraria os interesses do governo, que alega que o PL afeta a liberdade de expressão” (Site Conjur).

O debate em torno do referido projeto de lei ainda consumirá muita energia no Parlamento, no Judiciário, na imprensa e na sociedade de uma forma geral. Afinal, é preciso criar os devidos óbices institucionais para evitar a montagem de máquinas político-empresariais voltadas para a disseminação em massa de todo tipo de informação falsa, notadamente com escusos objetivos político-eleitorais.

Tudo indica, como já se observa, que as maiores resistências à medida legislativa apontarão uma ofensa inaceitável à liberdade de expressão (ou direito-liberdade de manifestação de pensamento). O raciocínio subjacente considera que esse direito seria ilimitado no seu exercício, uma espécie de vale tudo.

Nessa linha, seria possível recorrer ao texto constitucional e apontar a redação do art. 5o., incisos IV e IX. Afirmam os dispositivos: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato” e “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. O art. 220 da Constituição de 1988 confirma essas definições no campo da comunicação social.

Desenhando, como se diz popularmente, para explicar o ponto nessa inusitada ótica:

  


LIBERDADE
DE
EXPRESSÃO



Universo das falas e escritos possíveis 

Ocorre que é lição comezinha de direito constitucional, encontrada na literatura jurídica nacional e internacional, assim como nas decisões judiciais, a afirmação da inexistência de direitos absolutos. É facílimo perceber que um direito, e seu exercício, não pode ser ilimitado justamente pela existência de outros direitos titularizados por outras pessoas naturais ou jurídicas.

Não obstante a ausência de censura ou licença prévia para o exercício do direito-liberdade de expressão, a fala ou escrito de alguém pode ofender, em graus diferentes, proibições postas na ordem jurídica para proteger certos direitos e valores. Observe-se, de início, que o anonimato é vedado pelo Texto Maior. Diz, ainda, a Carta Magna no art. 5o., inciso X: “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas”.

Portanto, alguém pode falar ou escrever o que quiser (não existe censura ou licença prévia). Entretanto, pode ser responsabilizado nas esferas administrativa, civil e penal pelos ilícitos cometidos (ofensas a direitos de terceiros contidas na fala ou no escrito).

Mais uma vez desenhando, sem esgotamento das hipóteses de limitações à liberdade de expressão:



Anonimato vedado
(art. 5o., IV da CF)




Calúnia
(art. 138 do CP)




Difamação
(art. 139 do CP)


Racismo e outras discriminações
(art. 5o., XLI e XLII da CF)




LIBERDADE
DE
EXPRESSÃO



Injúria
(art. 140 do CP)

Contra
a ordem democrática e o Estado de Direito
(art. 5o., XLIV da CF)



Ameaça
(art. 147 do CP)




Incitação ao crime
(art. 286 do CP)
Universo das falas e escritos possíveis. CF. Constituição Federal CP. Código Penal



Os exemplos aludidos apresentam, no Código Penal, os seguintes formatos jurídicos:
  • a- caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime;
  • b - difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação;
  • c - injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro;
  • d - ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave;
  • e - incitar, publicamente, a prática de crime.
Não existe nenhuma novidade ou raciocínio elaborado nessas singelas linhas. São cânones elementares do convívio humano civilizado. Mas aí está o núcleo dos problemas. Convivemos com indivíduos, instalados no centro do poder político, que: a) perambulam nas trevas; b) destilam ódios e preconceitos; c) não respeitam a ordem democrática e d) não evoluíram da barbárie.

Nesse triste contexto, as lições básicas do respeito à dignidade humana precisam ser afirmadas e reafirmadas. Os limites impostos para a convivência humana reclamam explicitações (“precisa desenhar?) para obtenção de alguma compreensão, por menor que seja.

*Advogado, Mestre em Direito, Procurador da Fazenda Nacional

segunda-feira, 13 de abril de 2020

ABI divulga nota contra transformação da TV Brasil em canal evangélico

A manifestação da entidade ocorreu depois de a TV ser usada pelo Presidente da República para defender suas crenças religiosas

Publicado originalmente no semanário Brasília Capital

No domingo de Páscoa (12/4), a TV Brasil dedicou duas horas de sua programação a uma transmissão, em rede nacional, do proselitismo do presidente Jair Bolsonaro e das políticas irresponsáveis que ele propaga sobre a pandemia do coronavírus 2. O espaço teve participação destacada de pastores representantes de igrejas fundamentalistas alinhadas com seu governo.
Em janeiro deste ano , o secretário de Desestatização, Salim Mattar, apresentou um cronograma de privatizações de todas as empresas públicas do Brasil. Em um evento promovido pelo banco Credit Suisse, Mattar anunciou que, além de Correios, da Telebras, da Petrobrás, do Serpro, Dataprev, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, entre muitas outras, está também a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC).
Nos planos do governo Bolsonaro, o Estado brasileiro tem de vender tudo. Será o único país do mundo a não ter nada que lhe assegure um mínimo de soberania. Será também o único país a não ter um sistema público de saúde, de educação, de processamento de dados da administração pública,  a não ter uma rede pública de comunicação social.
A maior parte dos brasileiros é contra essa privatização. O ex-diretor da Radiobrás, Pedro Paulo Rezende, por exemplo, diz que está muito triste com os rumos que o governo Bolsonaro está dando à empresa. “Boa parte desse projeto da NBR foi eu quem fez. Fui diretor da Radiobrás e me dá uma tristeza danada ao ver o que o governo Bolsonaro está fazendo”, declara.
A jornalista Débora Cruz diz que “o mais importante neste momento é defender o Estado laico”. As críticas não param por aí. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) divulgou uma nota sobre o programa veiculado no domingo de Páscoa e denunciou a privatização.
“Com a autoridade de seus 112 anos de existência em defesa das causas democráticas no país, a ABI lembra ao presidente da República que o Executivo dispõe da NBR para divulgar suas iniciativas e que a TV Brasil, por definição, é uma emissora pública, e não uma porta-voz de suas posições”, afirma a nota da ABI, assinada pelo seu presidente Paulo Jerônimo  de Souza.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

EBC: jornalistas dão um jeitinho pra fugir à censura

🎙️ *Jornalistas divulgam material produzido sobre a ditadura militar para furar censura na EBC*

📺 31 de março de 2020.
Há 56 anos o Brasil entrava em um dos períodos mais sombrios de sua história. Tantos anos depois, no entanto, é cada dia mais evidente que os crimes da ditadura não acabaram.
Eles seguem reverberando. Afinal, a posição de membros do governo de Jair Bolsonaro é de enaltecimento das mortes, torturas e crimes da ditadura militar brasileira. 📻

🖥️ Na *EBC*, a forma que jornalistas encontraram de furar a *censura* colocada na empresa - hoje impedida de se referir ao período como “ditadura militar” - foi *publicar os conteúdos* de quando ela era pública, pertencente à sociedade, não dirigida por militares.
Abaixo, você confere uma lista com esses materiais produzidos pelos jornalistas da casa.
Escolha suas preferidas e revisite a história nos termos em que ela deve ser revisitada: como *ditadura militar*.
Para que nunca esqueçamos. Para que nunca se repita. 📲
Para ver cada uma dessas produções, basta clicar sobre o respectivo título.

1) 1964: Um golpe na democracia

2) Vlado: resistir é preciso

3) Caminhos da Reportagem | Memórias da Ditadura

4) Ditadura Militar - Caminhos da Reportagem

5) Caminhos da Reportagem |Crimes da Ditadura

6) Caminhos da Reportagem | A questão racial: da ditadura à democracia

7) Especial traz seleção musical de ex-presos políticos na ditadura 

8) Máira Heinen fala sobre matéria ganhadora do Prêmio Vladimir Herzog

9) Reportagem da Rádio Nacional da Amazônia ganha prêmio

10) Repórter fala sobre reportagem que conquistou o Prêmio Vladimir Herzog

11) Ato em Salvador protesta contra impeachment com música e gritos de ordem

12) Integrante das Mães da Praça de Maio é homenageada em universidade em Salvador

13) Especial resgata histórias de centro de tortura na Amazônia 

14) Sobreviventes apontam major Curió como principal torturador 

15) Vítimas da ditadura eram obrigadas a trabalhar em Marabá 

Teatro

16) Série mostra como era a censura militar ao teatro

Cinema

17) Série mostra censura ao cinema durante a ditadura

Música

18) Série retrata a censura a produção musical brasileira durante a Ditadura Militar

Radio e TV

19) Série mostra censura militar ao rádio e à TV 

Imprensa

20) Série mostra censura sofrida pela imprensa

21) História Hoje: Há 48 anos campus da UnB era invadido por militares da ditadura 

22) História Hoje: Frei Tito foi preso político e lutou pelos direitos humanos 

23) História Hoje: Conheça a trajetória de Carlos Marighella no combate à ditadura

24) História Hoje: Morte de Edson Luís há 50 anos ficou marcada como Dia Nacional de Luta dos Estudantes

25) Comissão de Anistia pede desculpas a professores torturados

26) Comissão Estadual da Verdade apresenta provas do assassinato de Rubens Paiva

27) Debate discute resquícios da ditadura no Brasil atual

28) Comissão Nacional da Verdade ouve agentes da repressão no Rio de Janeiro

29) Professor diz que Anísio Teixeira pode ter sido morto por torturadores

30) Filhos e netos de perseguidos políticos debatem violência do regime militar

31) Documentos liberados provam que EUA sabiam de torturas durante ditadura militar

32) Série Operação Condor

33) Repórter Brasil apresenta série sobre Operação Condor

sábado, 25 de janeiro de 2020

Como combater a desinformação- a estratégia global da fake news


As redes sociais permanecem como um mundo de penumbra, onde nem sempre é possível identificar autores e seus propagadores. É um mundo sem impressão digital. Não sabemos de fato quem está teclando e não há regras claras sobre o seu uso.



Por Márcia Turcato, jornalista


A máxima “informação é poder” foi atualizada para “desinformação é poder”.  A desinformação é uma estratégia global e concorre com a ética na informação. A desinformação integra o arcabouço das convicções ideológicas e para combatê-la um importante passo a ser dado é deixar de chamá-la de fake news. Uma notícia, por definição, não é falsa, ela foi apurada com ética por um jornalista profissional. Falsas são as narrativas publicadas em portais que, embora pareçam ser sítios de notícia, publicam conteúdo sem responsabilidade social com o objetivo de prejudicar a capacidade de avaliação da audiência.
Conhecidas como fake news, as versões distorcidas da informação se apropriam de algum traço de realidade de forma a conferir credibilidade às teses de grupos de ideologia indefensável.  A desinformação imita o jornalismo na forma, mas não nos procedimentos. São criados personagens e inventados fatos para construir mentiras estratégicas para que pareçam verídicas e ganhem impulso nas redes sociais e, com isso, conquistar a simpatia de cidadãos de boa fé. Os algoritmos são uma armadilha da web.
Em alguns casos, o discurso não é alterado mas é feita edição das imagens, modificando a velocidade dos frames, ou o áudio da gravação, para que o protagonista aparente estar alterado e perca credibilidade junto a plateia. Outra face da manipulação tecnológica que precisamos enfrentar.
Embora já exista um esboço de controle, as redes sociais permanecem como um mundo de penumbra, onde nem sempre é possível identificar autores e seus propagadores. É um mundo sem impressão digital. Não sabemos de fato quem está teclando e não há regras claras sobre o seu uso. No entanto, é preciso reconhecer a importância da comunicação digital na sociedade e a popularização, a baixo custo, da produção de conteúdo que ela proporciona.
Apesar disso, a falta de transparência da rede, por exemplo, originou o caso Cambridge Analytica, onde o direcionamento da publicidade -de forma ilícita- junto aos consumidores de conteúdo, interferiu no resultado das eleições dos Estados Unidos. Ou, ainda, a manipulação das informações na Grã-Bretanha, que resultou na Brexti e, mais recentemente, a desinformação intencional durante o processo eleitoral de 2018 no Brasil, massivamente reproduzida nas redes sociais orgânicas ou robotizadas.
Fato semelhante ocorre com a publicidade em geral, direcionada nas redes sociais, de produtos, serviços e de ideologia. Publicidade que é feita sob a forma de informação, enganando a audiência. Todas essas situações, embora distintas no formato, têm semelhança na origem: valem-se da estratégia da desinformação ou da sonegação da informação. A sonegação da informação tem sido adotada por instituições públicas, especialmente no Brasil, apesar da existência da Lei de Acesso à Informação.
O caso mais recente, ainda em construção, será dado pelo Facebook. O fundador da plataforma, Mark Zuckerberg, anunciou a criação do Facebook News, uma aba no portal onde serão publicadas informações selecionadas pelo próprio FB e que privilegiam a mídia local. Parece uma iniciativa honesta, mas o que é mídia local? Precisamos de uma nova definição para mídia local diante do crescimento de portais ditos de notícia mas que não seguem os preceitos da construção da informação e proliferaram no Brasil a partir de 2018, na onda conservadora impulsionada pela estratégia da desinformação.

Proposta

Diante desses fatos, sugiro a formação de um grupo temático que discuta o que é informação, identifique as estratégias de desinformação em circulação no Brasil, suas conexões no mundo da web, e atue para encontrar caminhos que exponham essa rede global da desinformação como uma ferramenta de manipulação ideológica. Para isso é fundamental discutir os temas relacionados a desinformação, regulação do uso das redes sociais, informação e poder, desinformação e governabilidade, informação e ética e deepweb (web profunda, que não pode ser acessada por mecanismos de buscas).
A Comunidade Europeia avançou muito nessa área e criou mecanismos que buscam identificar e minimizar os efeitos da desinformação na sociedade. Algumas dessas estratégias podem ser debatidas e adotadas.
A criação de uma frente em defesa da informação, com foco na “desinformação”, pode abrir o debate e propor uma agenda pública que analise os seguintes aspectos:

  1. No período eleitoral, ter um comitê que monitore a circulação de informação falsa junto ao TSE com força para retirar a informação do ar em até 24 h.
  2. Penalizar portais que divulguem informações falsas.
  3. Reunir com as agências de publicidade para discutir sobre conteúdos direcionados.
  4. Reunir com os veículos de comunicação social para orientar sobre transparência.
  5. Melhorar a capacidade das instituições brasileiras para identificar e denunciar casos de desinformação.
  6. Criar um sistema de alerta rápido de combate à desinformação.
  7. Incentivo a criação de grupos de checagem da informação.
  8. Mobilizar o setor privado sobre os prejuízos da desinformação.


domingo, 22 de dezembro de 2019

Duas seleções de Jornalistas em Brasília

Já saiu edital do concurso da PGDF, prova será em março.

Por Chico Sant'Anna


Nessa última semana do ano, dois editais públicos chamam a atenção dos profissionais de comunicação, em especial os jornalistas que atuam em Brasília. Um dos editais, sob responsabilidade da Unesco, irá selecionar profissional para atuar na condição de consultor junto ao ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. O outro edital se refere a concurso público para a Procuradoria Geral do Distrito Federal. Em cada um deles é ofertada uma única vaga, ambas para atuação na Capital Federal.

  • Unesco - Ministério da Mulher


O candidato deverá ser diplomado e possuir experiência mínima de três anos em atividades que envolvam comunicação com o público por meio de mídias sociais, para realizar a proposta de planejamento da estratégia de divulgação das ações das conferências nas etapas municipais, estaduais, livres e nacional, no que diz respeito aos temas debatidos na 4ª Conferência Nacional de Juventude.
O contrato terá a duração de dez meses e o selecionado deverá apresentar ao longo da consultoria prestada três trabalhos, denominados produtos:
Produto 01: Documento técnico contendo especificações de requisitos, documentação, estudo de arquitetura de informação e proposta de desenvolvimento de uma interface de Portal para receber uma plataforma de participação da Conferência Nacional de Juventude.
Produto 02: Documento técnico contendo relatório de avaliação da implantação de mídia digital para monitoramento em tempo real conforme metodologia proposta no produto anterior.
Produto 03: Documento técnico com balanço analítico sistematizado, com números, impactos positivos e negativos e análise qualitativa e quantitativa, da repercussão da Conferencia Nacional da Juventude nas redes sociais monitoradas e avaliação do impacto das redes sociais nos resultados da conferência.
O processo seletivo é simplificado e contará com análise curricular e entrevista. A remuneração não foi informada. Os interessados deverão enviar o CV até o dia 05/01/2020 no seguinte endereço eletrônico: consultoria.snj@mdh.gov.br.
O currículo deverá ser enviado em formato PDF. O arquivo do currículo deverá ser nomeado com: a indicação do número do edital, o primeiro e o último nome do candidato (editalnomesobrenome.extensãodoarquivo), e no campo assunto, deverá ser colocado “Projeto 914BRZ3010 – Edital nº 03/2019”.
Para conferir o edital, clique aqui.

  • Procuradoria-Geral do Distrito Federal


Já saiu o edital do concurso público da Procuradoria-Geral do Distrito Federal. O órgão pertencente a estrutura do Governo do Distrito Federal, equivale a uma advocacia geral do poder público distrital. Apenas uma vaga é ofertada para jornalistas diplomados, na função de Analista Jurídico/Jornalista. A remuneração é de R$ 7.320,00, para uma jornada de trabalho de 40 horas semanais.
A banca selecionada para organizar o concurso é a da Universidade de Brasília, Cespe/Cebraspe e a prova vai ser realizada em 22 de março.
 Além de serem diplomados em Jornalismo, os candidatos deverão possuir registro profissional emitido pelo ministério do Trabalho.
Além dos conteúdos de conhecimentos específicos da profissão, as provas avaliarão o conhecimento de língua portuguesa, sobre o Distrito Federal e sua legislação. Haverá, também, prova discursiva
Será admitida a inscrição somente via internet, por meio desse endereço eletrônico, das 10 horas do dia 3 de fevereiro de 2020 até às 18 horas do dia 20 de fevereiro de 2020, pelo horário oficial de Brasília.
O edital com mais detalhes está disponível aqui.

domingo, 8 de dezembro de 2019

Treze Concursos movimentam o fim de ano dos profissionais de Comunicação


Cinco prefeituras municipais e quatro câmaras de vereadores lançaram seus concursos, além da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares - EBSERH (dois editais), da Universidade Federal de Meto Grosso e do Conselho Regional de Química do Restado do Rio.

Por Chico Sant'Anna


O ano de 2019 certamente não foi bom para o mercado de trabalho de jornalistas e demais profissionais de Comunicação. O ano que se aproxima, contudo, parece estar recheado de oportunidades para quem deseja seguir a carreira no setor público. Nada menos do que treze editais de concursos estão em aberto. São prefeituras municipais, câmaras de vereadores e outros organismos públicos que buscam selecionar profissionais para os seus quadros.
Confira abaixo as oportunidades:

EBSERH

A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares - EBSERH está com dois editais ofertando vagas para profissionais de Comunicação.
O primeiro prevê cadastro reserva para jornalistas em Sergipe e na Paraíba, relações públicas, no Piauí, e publicitários, no Paraná. Salário são de R$ 3.937,68 para jornalistas, com jornada de 25 horas semanais, e de R$ 6.300,28 para relações públicas e publicitário, com 40 horas semanais.
Os candidatos deverão possuir diploma, devidamente registrado, e registro profissional
As inscrições terminam no dia 10 de dezembro e as informações desse edital, estão disponíveis aqui.
O segundo edital da EBSERH é exclusivo para jornalistas para atuar junto ao Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia. Uma vaga para efetiva contratação está sendo ofertada. O salário, a jornada de trabalho e o prazo de inscrições são os mesmos citados acima, e o edital está disponível aqui.

Cinco prefeituras municipais e quatro câmaras de vereadores lançaram seus concursos, além da Universidade Federal de Meto Grosso e do Conselho Regional de Química do Restado do Rio.
Confira:


Prefeitura Municipal de Curuá, PA


Uma vaga para jornalista, com jornada de 40 horas semanais é ofertada com salário: R$ 2.000,00, mais adicional de tempo de serviço de 1% a cada ano de serviço. As inscrição vão até 16 de dezembro, O edital está aqui

Prefeitura Municipal de Paranaguá, PR


Seleciona jornalista para a formação de cadastro reserva. O salário é de R$ 4.091,37, para uma jornada semanal de 30 horas de trabalho, As inscrições vão até 26 de dezembro, Confira o edital aqui 

Prefeitura Municipal de Limeira, SP


Com Inscrições até 9 de janeiro o concurso oferece uma vaga para jornalista, com salário de R$ 4.172,70. O edital está disponível aqui. O candidato deverá ser bacharel em Jornalismo, detentor de registro profissional, experiência pregressa mínima de seis meses e ter disponibilidade para trabalhar aos sábados, domingos e feriados e em regime de escala;

Prefeitura Municipal de Santa Cruz do Sul, RS


Cidade localizada no Rio Grande do Sul, o executivo local oferece uma vaga para jornalista, em jornada de 40 horas semanais e salário: R$ 5.079,59, acrescidos de R$ 587,00, a título de vale refeição. As inscrições vão até 5 de janeiro. Confira aqui o edital

Prefeitura Municipal de Três Corações, MG


A cidade mineira oferta uma vaga para jornalista, com salário de R$ 2.270,68, para uma jornada de trabalho de 40 horas semanais. É exigida a formação superior em jornalismo e registro profissional. As inscrições vão até 20 de janeiro. O edital pode ser localizado aqui.

Câmara Municipal de Curitiba


Duas vagas mais cadastro reserva para jornalistas que atuarão como redatores. O salário para a jornada de 40 horas semanais é de R$ 3.835,25, mais adicional de e Responsabilidade Técnica, no valor de 1.150,50. As inscrições vão até às 17 horas de 19 de dezembro. O edital está disponível aqui

Câmara Municipal de Amparo, SP


Vai até às 16 horas do dia de dezembro o prazo para as inscrições do concurso que oferece uma vaga para jornalista ou publicitário. O selecionado atuará comop Assessor de Comunicação do parlamento local, fazendo jus ao salário de R$ 3.200,00, para uma jornada de 30 horas semanais de trabalho. O edital está disponível aqui

Câmara Municipal do Prata, MG


O legislativo local seleciona um assistente de comunicação, que receberá salário de R$ 3.318,08, para uma jornada de 30 horas semanais. Podem se candidatar jornalistas, publicitários e relações públicas, detentores de diploma de nível superior da respectiva área. As inscrições vão de 6 de janeiro a 6 de fevereiro. Mais detalhes, no edital, aqui. 

Câmara Municipal de Arcos, MG


Também em Minas, mas na cidade de Arcos, acontece seleção para preencher uma vaga de assistente de comunicação. O salário é de R$ 2.805,26, para 30 horas semanais de trabalho. Podem se candidatar bacharéis em Comunicação Social de qualquer habilitação. As inscrições vão de 27 de janeiro às 16 horas de 5 de março. O edital está aqui.


Conselho Regional de Química – 3ª Região (RJ)


Nesse concurso é ofertada uma vaga, além de formação de cadastro reserva. A vaga é para Profissional Analista Superior (Pas) – Comunicação. O edital exige formação superior em Comunicação Social, Jornalismo ou Design e o respectivo registro profissional. O perfil da vaga é para um profissional multimídia, com capacidade para criar produtos publicitários, realizar clipping do noticiário, redigir notas oficiais e comunicados criar imagens, ilustrações, infográficos e animações para os canais de comunicação, dentre outras tarefas. A jornada de trabalho é de 40 horas semanais e para tudo isso, o CRQ-III oferece salário de R$ 3.683,15, acrescidos de Auxílio Refeição no valor de R$814,00; Auxílio creche/ pré-escolar / escolar de até R$505,00. As inscrições vão até às 16h de 23 de janeiro de 2019. O edital está disponível aqui. 

Universidade Federal de Mato Grosso


A UFMT possui uma vaga para jornalista, com salário de R$ 4.180,66, para uma jornada de quarenta horas semanais. A vaga é para o Campus Universitário de Cuiabá e é preciso ter diploma de graduação em Jornalismo ou Comunicação Social, com Habilitação em Jornalismo, reconhecido pelo MEC, e registro profissional. Inscrições de 16 de março a 12 de abril. Detalhes no edital, aqui.



terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Livro: Jornalista bahiano lança "Os cadernos de viagem de Valter Xeu: a culpa é de Fidel"

Por Carlos Alberto Vittorio




O título do livro difere muito do seu conteúdo. A intenção do jornalista baiano Valter Xeu era, originalmente, festejar a história do “Pátria Latina” que começou como um jornal impresso e, seguindo os trilhos da modernidade – ou a fatalidade da maioria dos impressos –, virtualizou-se nesta era digital. Se ele consegue isto? Consegue, sim. Mas nesse caminho de contação da vida do Pátria Latina, Xeo nos guia pelas ruas de Havana, nos conduz com maestria pela história dos bares, restaurantes e hotéis habaneros a ponto de nos sentirmos lá.
São experiências vívidas que temos ao passear com Valter Xeu ao longo do Malecón, o calçadão que se tornou o símbolo da cidade sem deixar de protegê-la das ondas provocadas pelos ciclones e tempestades caribenhas. Histórias como as dos astros norte-americanos que frequentavam (e se embriagavam) nos restaurantes que  também eram frequentados pelos mafiosos que saiam dos Estados Unidos para gerenciar seus negócios em Cuba.
Valter Xeu transita com facilidade pelos pontos de Havana e aproveita para contar histórias das dezenas e dezenas de amigos e colegas de labuta que levou para conhecer a ilha de Fidel. E é a partir dessas histórias que ele relata a nascença, a gênese do Pátria Latina, uma ideia semeada na sua cabeça e na cabeça de dois outros jornalistas que o acompanhavam por Fidel Castro durante uma entrevista que, no caso de Fidel, durou quase uma noite inteira.
Nesse livro, o jornalista que saiu de Feira de Santana, na Bahia, pra correr o mundo sem falar outra língua que não a sua, conta também outras histórias e defende suas bandeiras com leveza feroz como um Quixote do século 21.
Perambulando pela Rússia, pelo Irã, a paixão desse baiano cosmopolita só não comporta os Estados Unidos, alvo constante de suas críticas. Xeu defende países e povos como se defendesse a própria casa. É a sua ‘raison d’être’. Mas isso não faz dele um “esquerdopata” indigesto. Muito pelo contrário. Ele é provocativo e faz pensar.
Neste “A culpa é de Fidel” Xeu compila várias entrevistas extremamente interessantes, alguns artigos instigantes assinados por ele e por outros jornalistas e publicados no Pátria Latina. O livro respira política mas traz passagens românticas envolvendo o próprio autor como o caso da cubana que o trocou por um guapo espanhol ou a paixão que lhe rendeu uma filha caribenha. Traz também trechos hilariantes como o da ocasião em que ele decidiu presentear alguns amigos cubanos com a legítima farinha copioba que o sertão da Bahia generosamente produz e quase acaba preso no aeroporto José Marti.
Este é um livro incomum resultado das mais de cinquenta viagens do seu autor cruzando o Atlântico em direção a Cuba, ao Irã, à Rússia, à Coreia do Norte ou mesmo à África da sua ancestralidade e vale a pena ser lido de cabeça leve e coração tranquilo.
O livro de Valter Xeu é assim bem como ele: pleno, cheio de altos e baixos porém generosamente humano, generosamente político, generosamente gentil.