Caros leitores e leitoras.

sábado, 21 de março de 2015

Rádio Nacional: Em Brasília, FM tira do ar Choro Livre


Por Ivan Sergio Santos



Henrique Filho, o Reco do Bandolim, músico, jornalista e presidente do Clube do Choro de Brasília, trabalhou por mais de 30 anos na Rádio Nacional. Nos últimos 20, apresentando o programa “Choro Livre”, veiculado aos domingos, no qual entrevistava instrumentistas e divulgava a obra de grandes compositores da MPB.
Pelo microfone do programa passou gente do calibre de Radamés Gnatalli, Sivuca, Cartola, Paulo Moura, Nelson Cavaquinho, Paulinho Nogueira, Dominguinhos e João Nogueira, só para citar os que não estão mais entre nós. (Alguns desses depoimentos foram apagados em gestões anteriores da Rádio Nacional, sob o argumento de que, por uma questão de economia, as fitas precisavam ser reutilizadas.)
No final de 2014, Reco se aposentou. Antes que isso acontecesse, porém, alertou a direção da rádio e disse do seu interesse em continuar fazendo o “Choro Livre”, uma das grifes mais tradicionais e bem sucedidas da grade da emissora. Foi então aconselhado a apresentar proposta nesse sentido, já agora na condição de prestador de serviço, o que viabilizaria a continuidade do programa.
A proposta foi encaminhada há quase um ano e não obteve resposta da direção da Rádio Nacional. Com a aposentadoria do Reco, o “Choro Livre” saiu do ar sem que ele e os ouvintes recebessem qualquer comunicação. Instada por apreciadores do programa, a ouvidoria da rádio manifestou da seguinte forma:
“O programa Choro Livre saiu da grade da nossa programação por impossibilidade de manter sua produção, uma vez que seu produtor e apresentador, Henrique Filho, se desligou da Empresa. Contudo, por reconhecer a importância deste gênero musical para a Música Popular Brasileira, estamos trabalhando no sentido de estrear um novo programa, trazendo o melhor do choro brasileiro para a Nacional FM. Até lá, o choro continuará fazendo parte das nossas planilhas musicais, como sempre esteve."
Nas redes sociais, várias manifestações foram veiculadas sobre a retirada do “Choro Livre” da programação da Rádio Nacional:
Prezado Sr. Ouvidor da EBC, Foi com imenso pesar que recebemos a notícia que há cerca de 45 dias, foi retirada da programação da Rádio Nacional FM, 96,1 MHz, de Brasília, o tradicional programa Choro Livre, produzido e apresentado por Reco do Bandolim, há mais de 20 anos. Ações como esta sempre representam um duro golpe na nossa já tão maltratada cultura brasileira pois programas desta qualidade se tornam cada vez mais raros. Diante de uma avassaladora sanha de exploração financeira da ignorância e do despreparo de grande parte da nossa população seria de esperar-se que pelo menos instituições como a EBC se abstivessem desta prática nefasta de acabar com programas de qualidade que contam com a audiência qualificada de um grande número de músicos e simpatizantes que assim como eu estão a lamentar o ocorrido. De qualquer modo aqui fica o registro do nosso protesto e a esperança de que o bom senso ainda prevaleça no sentido da completa reversão deste acontecimento. Atenciosamente, João Pedro Borges (violonista, professor e Diretor Geral da Escola Municipal de Música de São Luís-MA) “Caros membros da ouvidoria da EBC, Venho através desse email, pedir para que voltem com o "Programa Choro Livre" dentro programação normal da EBC. O "Programa Choro Livre"é de importância fundamental para a cultura do DF, de Brasília e do Brasil.Não cometam esse equívoco contra uma das expressões musicais mais ricas e fortes de todo mundo que é o Choro brasileiro, repensem com carinho pois se trata da preservação de um gênero que formou grandes gênios da música mundial. Reco do Bandolim luta por essa causa a muitos anos e é um artista altamente preparado para apresentar esse programa que trata e retrata tão bem o nosso choro. Desde já agradeço a atenção e espero realmente que façam a coisa certa, defendam e cuidem da nossa cultura. Sem ela, nosso país não tem alegria, não tem alma, não tem nada. Um abraço! Rogério Caetano (violonista, arranjador e produtor)
“Caros diretores da rádio, fiquei muito triste com a notícia do fim do programa livre comando pelo querido Reco do Bandolim . Já fui entrevistada algumas vezes no programa e adoro ouvir as estórias e histórias de meus colegas músicos participantes do movimento do Choro brasileiro.
Que pena ! Daniela Spielmann (Saxofonista / Arranjadora /Compositora /Professora)
“Quero deixar aqui meu protesto em desagravo ao término do Programa "Choro Livre" realizado na emissora: Radio Nacional FM DF. produzido e apresentado pelo músico, produtor, radialista, jornalista, presidente do "Clube do Choro" de Brasília, de nome artístico; "Reco do Bandolin", cujo credenciais acima, impõe a importancia e nível de qualidade da programação interrompida. Na certeza de que deixará uma importante lacuna no nível de qualidade na grade de programação da Nacional FM, deixará também igualmente frustrado o enorme e fiel público ouvinte desse precioso programa. Diante do triste e frustrante fato, gostaria atraves deste e-mail reiterar a continuidade do programa que determina o maior teor cultural no gênero,sendo de alto benefício social à todos nós, preservando memória do que se produziu e produz de melhor no cenário artístico-cultural da música popular brasileira. O programa leva no seu bojo, altíssimo teor em termos de visibilidade para a instituição, como também para Cidade (BSB) por todo Brasil, atingindo também caráter internacional em função do que atrai o formidável trabalho desenvolvido nos eventos do "Clube do Choro". Em nome do que represento na Música Popular Brasileira, gostaria que se fizesse chegar às mãos do responsável pela programação da prestigiosa emissora, na esperança de um retratamento, e o breve retorno do importantíssimo programa. Com minhas saudações, Hélio Delmiro ( Músico - Compositor - Produtor Artístico)
“Meu amigo querido, Acabo de tomar conhecimento do absurdo cancelamento do Programa Choro Livre. Tive o prazer e a honra de participar de seu programa, inúmeras vezes e sou testemunha do valor inestimável do Choro Livre para a cultura e a música deste país. Já compartilhei o post de Ruy Godinho no meu perfil do Face Book e quero me colocar a sua disposição para o que for preciso. Vamos a luta! Choro Livre é patrimônio cultural brasileiro. É precioso. Beijos solidários Gilson Peranzzetta (pianista, compositor e arranjador)
“Prezados Senhores, Com grande pesar soube da triste noticia do fim do programa Roda de Choro, do colega de profissão, Reco do Bandolim. Sendo a EBC uma empresa pública, sinto-me no direito e no dever de protestar e solicitar que a decisão seja revista. O choro - mais antigo e rico gênero instrumental brasileiro - respeitado mundialmente e verdadeira fonte de divisa nacional, merece essa consideração e respeito, sobretudo dos orgãos públicos de cultura. Desconheço os motivos que ocasionaram essa decisão, mas deixo aqui lavrado meu protesto e pedido de reversão da situação. Não podemos permitir que a cultura brasileira perca ainda mais espaço! Atenciosamente, Luciana Rabello (cavaquinista, professora e produtora cultural)
“Manifesto meu total repudio à suspensão do Programa Choro Livre de Reco do Bandolim, um verdadeiro memorial de uma música brasileira que foi exaltada de maneira grandiosa por Heitor Villa-Lobos!!! Meu abraço fraterno ao Clube do Choro e a todos que dele fazem parte. Turibio Santos (violonista)
A Cultura Brasileira resiste por teimosia e pelo ânimo de milhares de artistas, ativistas e produtores que a transformam em bandeira de luta, atentos aos ataques multilaterais, pluripartidários e institucionais do poder dominante. Perdemos cinemas e teatros para igrejas de alto poder econômico; nossa música de qualidade perde espaços nas rádios para a música de fácil consumo e repertório estrangeiro; programas culturais são substituídos por entretenimento do mais baixo nível em nossas tevês. E outros descalabros. A rádio e a TV Câmara, que destinam até o presente, parte de sua programação à cultura, estão ameaçadas pela vertente evangélica da Câmara Diretora, sob as diretrizes do presidente Eduardo Cunha, amplamente divulgadas, que prometem transformar aquelas emissoras públicas em veículos à serviço de suas ideologias, que obviamente não incluem a cultura. Enquanto na rádio e TV Câmara os prejuízos ainda estão no nível de ameaça, na EBC o ataque imensurável ao Choro, como gênero, já está concretizado. Há cerca de 45 dias, foi retirada da programação da Rádio Nacional FM, 96,1 MHz, de Brasília, o tradicional programa Choro Livre, produzido e apresentado por Reco do Bandolim, há mais de 20 anos. Reco, um verdadeiro baluarte da cultura nacional, por seu envolvimento na manutenção, difusão e revitalização do Choro no Brasil, a partir do trabalho que desenvolve no Clube do Choro de Brasília e na Escola de Brasileira de Choro Rafael Rabelo, não merece essa desfeita. Não podemos assistir a tudo isso sem um desagravo, sem um protesto, sem uma manifestação em defesa do Choro por parte de artistas, instrumentistas, amantes do choro e ouvintes do tradicional programa cultural. Apenas substituí-lo por uma programação que inclui Choros, nos priva das entrevistas reveladoras, das informações culturais interessantes e das curiosidades que permeiam as coxias da produção musical chorística, apresentados por Reco de forma competente e agradável. E-mails podem e devem ser emitidos para a ouvidoria da EBC: ouvidoria@ebc.com.br; posts devem ser publicados no Facebook e outras mídias a favor do retorno do Programa Choro Livre à programação da Nacional FM, de Brasília. A quem se indignar diante da incongruência desta instituição pública e se dignar a protestar, sugerimos emitir cópia oculta em desagravo ao Reco do Bandolim, por intermédio do endereço eletrônico: recodobandolim@gmail.com. Amigos do Programa Choro Livre

Rádio Nacional: no Rio, crise se agrava e programas ao vivo são substituídos

Por Hélio Almeida, publicado originalmente em O Dia.

A falta de condições de trabalho pode silenciar a Rádio Nacional, que já recebeu em seus estúdios nomes da música brasileira como Cauby Peixoto, Dalva de Oliveira e Francisco Alves. Os funcionários acusam a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), dona da emissora, de não cumprir normas do Ministério do Trabalho (MT). Para não encerrar as atividades, os programas ao vivo foram substituídos desde quarta-feira por músicas gravadas. A EBC, por sua vez, disse que está solucionando os problemas.
Há cerca de dois anos, a rádio funciona de forma provisória e precária no prédio da TV Brasil, também da EBC, na Lapa, que já passava por dificuldades. Tanto os funcionários da TV quanto da rádio relatam atraso de salários, banheiros interditados, falta de bebedouros, extintores de incêndio vencidos e ar-condicionados quebrados desde novembro. A Rádio MEC, que ficava preto da Central, foi para a Rua Gomes Freire.
“No estúdio a temperatura chega a mais de 35 graus num espaço sem janela e coberto por espuma acústica”, disse uma funcionária, que prefere não se identificar e está sem salário há dois meses. Os mesmos problemas já existiam na sede, próximo a Região Portuária.
O Sindicato dos Radialistas do Rio notificou a EBC, nesta quinta-feira, por não cumprir normas do Ministério do Trabalho. De acordo com Miguel Walter da Costa, presidente da entidade sindical, a empresa pública não está respeitando a norma do Ministério, na qual prevê condições mínimas de conforto térmico.
“A irregularidade vem acarretando prejuízos a saúde dos trabalhadores por causa do ar-condicionado que não está funcionando”, informou Costa. O Sindicato dos Jornalistas havia entregado um relatório ao MP sobre a precarização de diversos de veículos de comunicação, entre eles a Rádio Nacional.
Os funcionários da rádio esperam voltar o quanto antes para a sede, que fica nos três últimos pavimentos do histórico Edifício A Noite, na Praça Mauá. O imóvel de 22 andares e 102 metros de altura é o primeiro arranha-céus do país e foi tombado em abril de 2013.
Refrigeração normalizada
Procurada, a EBC informou que uma pane afetou os sistemas de refrigeração das instalações da Rua Gomes Freire, que se encontram em fase de manutenção, e que deverá ser restabelecido completamente até este sábado.
“Nessa data, as emissoras de rádio, que operam em sistema de play list, terão suas programações normalizadas”, disse.
Ainda segundo a empresa, quatro banheiros passaram por manutenção ou reforma e desde o começo desta semana foram trocadas as velas dos filtros de água existentes nas copas. Está em tramitação na empresa o processo que vai permitir a recarga dos extintores fora de validade. Sobre atrasos no pagamento de salários, o débito é feito via Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos do Governo Federal.

Em relação ao prédio da Praça Mauá, a EBC informou que tem buscado solucionar a situação do Edifício A Noite, junto ao INPI. “O imóvel pertence à União e encontra-se fechado aguardando processo de obras”.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Brasil entre os 10 países com mais conteúdo impróprio para crianças na internet

Pesquisa realizada por fabricante de antivírus aponta que ‘chats’ e pornografia são os principais problemas no país.

Por Sérgio Matsuura, em O Globo

Há tempos que a internet não é espaço frequentado apenas por adultos, mas, sendo a rede livre, os conteúdos estão abertos para todos, independente da idade, à distância de um clique.
Relatório elaborado pela Kaspersky, especializada em segurança digital, aponta que mais de 1,5 milhões de usuários do software de controle parental da empresa se depararam com conteúdo inadequado para crianças ao menos uma vez no ano passado. E o Brasil está em 8º na lista de países mais afetados.

Desse universo de 1,5 milhões de internautas, 68,5% se depararam com conteúdos considerados “perigosos”, incluídos nas categorias “conteúdo adulto (pornografia)”, “violência”, “armas”, “álcool e narcóticos”, “jogos de azar”, “linguagem obscena”, “acesso anônimo” e “chats”.

domingo, 8 de março de 2015

Livro sobre Comunicação Pública é lançado em Brasília

Livro defende a comunicação pública como condição à inclusão política.

O livro Comunicação Pública e Inclusão Política – reflexões sobre cidadania ativa e democracia participativa será lançado nesta quarta-feira (11/3), às 20 horas, no restaurante Feitiço Mineiro, na quadra 306 Norte, em Brasília. 
O livro, de autoria do jornalista e professor da Universidade de Fortaleza, Alberto Perdigão, traz 38 artigos e duas entrevistas sobre comunicação pública, televisão pública e ciberdemocracia, publicados em jornais e sites, nos últimos quatro anos.
Em Comunicação Pública e Inclusão Política (170 páginas), Perdigão analisa os novos comportamentos dos governos e dos cidadãos diante das possibilidades de diálogo político proporcionadas pelas tecnologias da informação e comunicação. 
O livro traz prefácio de Cosette Castro, professora da Universidade Católica de Brasília, e apresentação de Gilmar de Carvalho, da Universidade Federal do Ceará. O autor autografará o livro no local.
“Este é um livro sobre comunicação? Não, é sobre política, seja pelo seu conteúdo, seja pela atitude de fazê-lo”, explica o autor que se diz “um militante” da comunicação pública. “Ele (livro) surge no contexto das novas tecnologias e da comunicação pós-massiva, que ensejam a comunicação desintermediada, a autoria, a colaboração, a interconectividade, novas intersubjetividades e novas relações de poder”, explica o autor.

Para mais detalhes sobre o livro, leia:

Livro desvenda a Comunicação Pública para iniciantes

Denúncia: Memória da imprensa gaúcha pede socorro

Por Rafael Lapuente. Texto publicado originalmente no blog O fato e a História.

Memória gaúcha entre goteiras e farelos:
 o acervo do museu Hipólito da Costa pede socorro

O descaso do setor público com a preservação da memória não é novidade no Brasil nem nos demais estados que compõe a federação. Deste descaso, não escapa nem o Rio Grande do Sul, onde é muito comum gaúchos propalarem aos quatro ventos o orgulho por sua história, por seu passado e por sua cultura. O leitor mais atento a atuação dos grandes meios de comunicação e as ações promovidas pelo Governo do Estado, certamente, poderia me desmentir ao argumentar as comemorações que, anualmente, tomam o estado para relembrar a guerra republicana de 1835, onde os membros do tradicionalismo gaúcho explanam seu culto ao que chama de valores e tradições do estado, ou outras ações nem sempre encabeçadas pelo governo estadual, como a anual Feira do Livro de Porto Alegre promovida pela prefeitura municipal.
Todavia, se fizermos uma análise mais profunda – que desconsidere a criação de novos memoriais como o dopinha e o de Luiz Carlos Prestes, onde não sabemos como o estado atuará no longo prazo em sua manutenção - é calamitosa a situação dos patrimônios já existentes que deveriam preservar a memória gaúcha. Além de estarmos com a centenária Biblioteca Pública estadual em reforma desde 2006 e sem previsão para conclusão, com todo seu acervo deslocado em um atendimento improvisado na Casa de Cultura Mário Quintana, o funcionamento arcaico e limitado do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul sem nenhuma perspectiva de informatização dos catálogos e com incapacidade para receber mais do que quatro pesquisadores por turno, a venda do centenário Castelo de Pedras Altas com uma riquíssima biblioteca e documentos pessoais importantes para conhecer a história econômica e política regional, oferecido ao governo do estado e procrastinada uma posição de compra e conservação dos materiais presentes no castelo, também o maior acervo de jornais do Rio Grande do Sul, que possui periódicos de desde o início do século XIX está em situação periclitante.
Goteiras atingem o acervo
O Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa, localizado bem no centro da cidade e antiga sede do jornal republicano A Federação, vem passando por severas dificuldades em manter a integridade do seu acervo e o funcionamento do setor, que atende pesquisadores pertencentes desde o ensino médio ao doutorado, abarcando diversas áreas, como direito, jornalismo, história, publicidade e propaganda, sociologia, marketing, ciência política e muitos outros cursos. 
A imensidão da tarefa de manter o acervo hoje é atendida com apenas um funcionário, encarregado de tomar conta da organização dos periódicos no arquivo e do atendimento ao público externo, sendo provavelmente o setor que mais recebe visitas no museu – vale lembrar que o museu tem outros setores importantíssimos, como de fotografia, cinema, rádio, exposições temporárias e permanentes e atendimento a comunidade em geral, recebendo atividades artísticas e culturais diversas durante todos os dias da semana.
Cupins em cima de jornais, como este exemplar de 1989 do Pioneiro.
Além disso, a falta de estrutura é particularmente a pior que este pesquisador já viu. Com umidade e nenhum controle termostato, o prédio sofre fortes infiltrações nas paredes, que acelera o processo de decomposição dos jornais. Não obstante, os pesquisadores que frequentam o museu não recebem a estrutura adequada para realizar suas atividades científicas: Hoje o Museu não dispõe de luvas descartáveis, máscaras ou álcool em gel para os profissionais que acessam jornais com ácaros e fungos, muitos deles com mais de 70, 80, 100 anos desde sua circulação.

Infiltrações tomam as paredes que abrigam os periódicos.
A situação estrutural do museu é tão preocupante que centenas de jornais estão expostos na sala de pesquisa, secando de goteiras advindas de um forte temporal que assolou Porto Alegre e atingiu periódicos como o Pasquim, Correio do Povo, Folha da Tarde, Diário de Notícias, A Ordem, O Pioneiro, Zero Hora, A Federação e outros jornais, sendo que muitos dos jornais atendidos, provavelmente, sejam os últimos exemplares disponíveis para a pesquisa, como possivelmente ocorreria se fossem destruídos os exemplares do  periódico O Povo, jornal Farrapo raríssimo que compõe o estoque do Museu. 
Sua extinção, assim como de outros jornais que tiveram duração extensa ou efêmera significaria a inacessibilidade para pesquisas futuras.
Jornais secando da chuva. Jornais esfarelados e tomados pela umidade.

Afora estes problemas, os jornais manuseados sofrem danificações naturais dos usos constantes. Muitos jornais estão se esfacelando sem nenhum projeto de restauro. Outros, esfarelados a ponto de serem retirados da disponibilidade dos pesquisadores, se encontram em separado para uma futura e imprevista restauração. 
O Museu Hipólito ainda conta com alguns jornais microfilmados, porém, a máquina de microfilme se encontra com defeito.
Jornais esfarelados pelo excesso de uso, mas ainda em acesso. Sem previsão de restauro.

A realidade que passa o Museu de Comunicação é bastante preocupante. O desleixo do executivo estadual com a manutenção dos jornais – que não são apenas do Rio Grande do Sul. 
Há jornais do centro do país e de diversos países nas mais variadas épocas – é enorme, o que demonstra também que o pouco interesse pela preservação da memória pelas instituições do estado. Até mesmo uma ação do Ministério Público que percorre contra o governo gaúcho se perlonga desde 2008.  
Neste ponto, não há dúvidas que o Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa pede socorro.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Da vitrola ao iPod: livro conta a história da indústria fonográfica no Brasil

Da vitrola ao iPod: uma história da indústria fonográfica no Brasil concentra-se, de maneira extensa e aprofundada, na história das gravações musicais brasileiras dos anos 1960 à atualidade.
Pela sua originalidade, pela riqueza de informações e pela rigorosa elaboração, este livro é daqueles que estavam faltando no meio universitário e no mercado editorial brasileiros.
O  autor, Eduardo Vicente, detentord uma graduação em Música Popular, pela Unicamp, e um mestrado em Sociologia, pela mesma universidade, é atualmente professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Ele reuniu em seu trabalho de doutorado, ora publicado em forma de livro, a sua experiência nesses dois campos de atividade, algo que não é comum no campo acadêmico brasileiro.


Sobre o autor: 
Eduardo Vicente possui graduação em Música Popular e mestrado em Sociologia pela Unicamp, doutorado em Ciências da Comunicação pela ECA/USP e pós-doutorado pelo Centre for Media and Cultural Research da Birmingham City University (UK). É professor do Departamento de Cinema, Rádio e TV da ECA/USP e do Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais da mesma instituição. Edita a revista Novos Olhares e coordena o MidiaSon: Grupo de Estudos e Produção em Mídia Sonora. É bolsista de Produtividade em Pesquisa PQ 2 (CNPq).

Serviço: 

Livro: Da vitrola ao iPod
Assunto: História
Edição: Alameda (tel.: 11 3012-2400)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Pesquisadores de Comunicação de faculdades não federais querem participar dos editais do governo federal

Pesquisadores e professores de escolas de Comunicação Social que não fazem parte da rede do Ministério da Educação afirmam que os editais e chamadas públicas lançados pelo governo privilegiam apenas as universidades federais.

Desde a primeira gestão do governo Dilma Houssef, os editais e chamadas públicas do governo federal tem privilegiado as universidades federais. E ao começar o segundo mandato, os editais seguem com o mesmo enfoque, como é o caso do Edital Mais Cultura nas Universidades, do MinC.

O princípio de  defesa das instituições de ensino superior públicas federais estaria correto não fosse a realidade da universidade brasileira, principalmente no que diz respeito aos estudos de Comunicação. Neste caso, o que está ocorrendo é uma distorção, afirmam os pesquisadores Cosette Castro, da Universidade Católica de Brasília (UCB), Alvaro Benevenuto Jr., da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Maria Cristina Gobbi, da Unesp, Sergio Gadini, da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Cristiano Max Pinheiro, da Feevale, no Rio Grande do Sul e Alberto Perdigão, da Universidade de Fortaleza (Unifor). 

Os  seis pesquisadores que atuam em universidades públicas municipais e estaduais, comunitárias, confessionais e privadas contam que existem 106 universidades federais no país com cursos de Comunicação. “Eles  recebem 9,4% dos alunos brasileiros (18.700 jovens), mas 100% dos seus pesquisadores podem participar dos editais do governo federal”.
De outro lado, estão 1.246 universidades públicas municipais e estaduais, comunitárias, confessionais e privadas que recebem  90,6% dos estudantes de Comunicação do país. São 206 mil 374 alunos espalhados pelo Brasil que - junto com seus professores e pesquisadores - são impedidos de participar dos editais e chamadas públicas do governo federal. Esses estudantes têm como espaço de formação o mercado, enquanto os estudantes das universidades públicas federais são preparados  para pesquisar, pensar políticas públicas e futuramente ocupar altos cargos.

A partir dessa realidade, os pesquisadores do Centro-Oeste, Sul, Sudeste e Nordeste do país decidiram lançar na quinta-feira, 19/2, uma carta aberta ao ministro da Cultura, Juca Ferreira, extensiva ao ministro da secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Thomas Traumann, através do site de petições Avaaz. Nele  solicitam  que os editais e chamadas públicas do governo federal sejam ampliados para todas as universidades, com critérios claros de participação, inclusive para jovens cursos de pós-graduação em Comunicação que leve em consideração o currículo e experiência dos pesquisadores.

“Trata-se de uma dupla exclusão”, diz Cosette Castro, que coordena o Observatório Latino-Americano das Indústrias de Conteúdos Digitais (Olaicd) na Universidade Católica de Brasília, do qual participam pesquisadores brasileiros e de oito países da Região. A primeira ocorre  dentro  do próprio governo. “Ao excluir as demais universidades, tratam  os professores e pesquisadores como cidadãos de segunda categoria. No entanto, se observamos os currículos Lattes desses pesquisadores encontramos uma importante produção acadêmica reconhecida dentro e fora do país”.

A segunda exclusão é ainda mais perversa, conta a pesquisadora,  porque atinge  90,6% dos estudantes de Comunicação do Brasil, entre eles a camada mais pobre  da população.  “50% dos estudantes de universidades privadas, comunitárias ou confessionais recebem bolsa integral ou parcial do PROUNI”. Eles são diretamente prejudicados pelos editais do governo federal, já que não podem participar de projetos de iniciação científica e outras chamadas que possibilitam a formação de um jovem pesquisador, seja no âmbito da graduação ou da pós-graduação.

Os pesquisadores recordam que se -  essa política de exclusão, também presente nas instituições de fomento como a CAPES e o CNPq -  sempre existisse, vários projetos ligados direta ou indiretamente à  área da Comunicação, não poderiam ser desenvolvidos. É o caso do middleware Ginga – que permite a interatividade na TV digital pelo controle remoto e foi desenvolvido em software livre pela PUC-RJ; do Observatório Latino-Americano das Indústrias de Conteúdos Digitais (OLAICD), da UCB - DF ; da TV digital da UNESP, que estaria esperando até hoje para ir ao ar;  ou do  curso de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), de caráter confessional,  que não chegaria a nota 6. Esses são apenas alguns exemplos da expertise existente na academia brasileira, que atuam mais  além das fronteiras das universidades federais.