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quarta-feira, 3 de junho de 2009

Jornalistas acampam nas empresas de Collor e João Tenório

Da assessoria de imprensa do Partido Socialismo e Liberdade - PSOL

Jornalistas alagoanos ocupam desde a manhã desta terça-feira a frente da TV Pajuçara, do senador João Tenório (PSDB), para tentar sensibilizar o empresário e a direção da empresa a concederem reajuste salarial à categoria. Amanhã, eles estarão montando acampamento em frente ao jornal e à TV Gazeta, de propriedade do senador Fernando Collor de Mello (PTB).
Os jornalistas reivindicam a reposição das perdas inflacionárias dos últimos doze meses (cerca de 5%) e um aumento real também de 5%. Em reunião realizada ontem na Superintendência Regional do Trabalho, as empresas de Collor e João Tenório negaram até mesmo a reposição da inflação.
Segundo o Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal), a postura das empresas é “inexplicável” e um convite à “radicalização da campanha salarial”. A entidade afirma que as empresas de Collor e Tenório foram as que mais lucraram no ano passado, aumentando inclusive seus parques industriais. “Elas concentram mais de 80% das verbas publicitárias, sendo a maior parte do governo estadual e da Prefeitura de Maceió”, disse a presidente do Sindicato, Valdice Gomes da Silva.
Concorrentes da Pajuçara e da Gazeta costumam reclamar do privilégio dado pelo governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), às duas empresas de comunicação. Téo Vilela, como é mais conhecido no Estado, tem relação de parentesco com João Tenório, que é casado com sua irmã, Fernanda Vilela, secretária estadual da Fazenda.
De acordo com o Sindjornal, repor a inflação aos salários dos jornalistas representará cerca de R$ 100,00 para cada profissional. No caso da TV Gazeta, calcula a entidade, o impacto na folha representa menos de R$ 7 mil, incluindo os encargos sociais. “Isto é bem menos do que ganha um diretor do segundo escalão. Não dá para entender o porquê de tanta mesquinhez”, lamenta o tesoureiro do Sindicato, Carlos Roberto Pereira.
Para o dirigente sindical, a postura das empresas de Collor e de João Tenório nesta campanha salarial dos jornalistas faz lembrar os dez anos do ex-presidente e do PSDB no governo federal, “quando houve um brutal achatamento nos salários dos servidores públicos”.
“Não queremos voltar a essa época e vamos alertar o povo de Alagoas para isto”, acrescentou. Além de acamparem em frente às empresas de Collor e João Tenório, os jornalistas programam manifestações em frente a empresa O Jornal, do usineiro e ex-deputado federal João Lyra (PTB), em frente à Assembléia Legislativa, que mantém uma TV terceirizada sem concurso público e licitação, e em frente à TV Pajuçara, do ex-vice-governador Geraldo Sampaio (PDT).
Outra manifestação será realizada sexta-feira na orla marítima de Maceió, durante as atividades do Dia do Trabalhador. Os jornalistas também voltam a realizar assembléia no dia 4 para discutir e deliberar sobre indicativo de greve e definir novas formas de mobilização. Depois de acamparem na porta das empresas, eles pensam em acampar na porta dos donos dos veículos de comunicação.

terça-feira, 2 de junho de 2009

CBM desiste e Gazeta Mercantil deixa de circular

Jornal teve circulação interrompida; profissionais entraram em férias e podem ser realocados em outras empresas da CBM

Por Paula Ganem, do M&M Online, 01/06/2009

Como os acontecimentos da semana passada já indicavam, o jornal Gazeta Mercantil deixou de circular a partir desta segunda-feira, 1º de junho. Além da edição impressa, a versão online do informativo de economia também está fora do ar. No lugar do antigo site, aparece apenas um comunicado da Companhia Brasileira de Mídia (CBM), afirmando que a empresa não é mais responsável pela representação das marcas Gazeta Mercantil e InvestNews.
A confirmação veio depois de uma semana angustiante. Na quinta-feira, 28, o CEO da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), Eduardo Jácome, informou à equipe de funcionários do jornal que a Gazeta Mercantil - às vésperas de completar 90 anos e outrora o mais importante periódico econômico do Brasil - deixaria de ser publicada pelo grupo na sexta-feira, 29, e voltaria a ser de responsabilidade de Luiz Fernando Levy, seu antigo dono. Os funcionários entrariam em férias remuneradas de 30 dias. Depois desse prazo, eles devem retornar à empresa para que seja definida a realocação em outros projetos da CBM. Quem não for remanejado terá mais 30 dias de aviso prévio. As operações online com o nome da Gazeta e da Investnews também foram suspensas, mas a CBM manteve quatro pessoas para prestar o que definiu como um serviço paralelo na área.
O que vai acontecer com a marca Gazeta ainda é uma incógnita. De acordo com informações extraoficiais, Levy teria pedido a Nelson Tanure, o proprietário da CBM, 90 dias para tomar uma decisão, mas a proposta foi negada. Durante as reuniões na sede do jornal, em São Paulo, chegou a ser aventada a hipótese de os próprios funcionários passarem a deter o direito de uso da marca; porém, a ideia também não seguiu adiante. Caso Levy não reative o periódico ou entre em acordo com Tanure, nem os funcionários levantem essa bandeira, há ainda a possibilidade de que a marca vá a leilão - o que já aconteceu no passado, em outros grupos de mídia, com seus títulos, como a revista Manchete, da Bloch.
Os últimos capítulos da história da Gazeta sob o comando da CBM começaram a ser escritos na segunda, 25, quando Tanure informou em um primeiro comunicado que estava devolvendo o título a Levy e, assim, rompendo o contrato de licenciamento de 60 anos para o uso da marca. O principal motivo seria o custo com o passivo da Gazeta. Inicialmente, pensou-se que o problema era basicamente as ações trabalhistas. Mas, segundo fontes ouvidas por Meio & Mensagem, na reunião Jácome citou também a cobrança de R$ 32 milhões em impostos relativos ao período anterior ao contrato com a empresa de Tanure. Conforme matéria da própria Gazeta, desde 2003 os recursos adiantados pela CBM para o jornal chegam perto de R$ 100 milhões.

Sem ilusão

Apesar de Tanure ter afirmado que estava disposto a contribuir com Levy para que o jornal não fosse descontinuado, o primeiro contato deste último com os funcionários não foi nada animador. "Não se iludam, acabou", afirmou ao telefone aberto no viva-voz para que todos pudessem ouvir, ainda na segunda, 25. No dia seguinte, porém, Levy mostrou-se mais contido ao enviar um comunicado interno à equipe.
Lançada em 1920, a Gazeta Mercantil foi por décadas a principal referência do jornalismo econômico do País. A sua circulação paga chegou a ser superior a 120 mil exemplares, e a equipe de jornalistas recebia alguns dos melhores salários do mercado. A qualidade de apuração, a profundidade na abordagem dos temas e os desenhos em bico-de-pena tornaram-se algumas das marcas do jornal. Na virada para os anos 2000, a má gestão da empresa começou a emperrar, e os salários, a atrasar. Também entrou em cena um concorrente na área em que até então a Gazeta reinava absoluta: o Valor Econômico. Em 2001, a crise tornou-se aguda com a greve dos funcionários do jornal, que exigiam o pagamento dos salários. Dois anos depois, em dezembro de 2003, Tanure fechou o acordo de licenciamento com Levy.
O rompimento do contrato ocorre logo após a alta temporada de publicação de balanços financeiros, uma das principais fontes de receita da Gazeta e segmento em que o jornal é vice-líder de mercado (o Valor lidera o ranking). Mas o pagamento das agências à Gazeta já eram todos feitos em juízo para garantir o cumprimento de dívidas. A Justiça também penhorou ações da Intelig, controlada por Tanure, para garantir o pagamento de dívidas trabalhistas da Gazeta. O empresário está em negociações para vender a operadora à TIM. Procurados pelo M&M, a diretoria da CBM e Levy não se pronunciaram. A Gazeta deixou de ser filiada ao Instituto Verificador de Circulação em setembro. Na ocasião, a sua circulação média por semana era de 70 mil exemplares.

domingo, 31 de maio de 2009

Gazeta Mercantil deixa de circular

Da newsletter O Jornalista, 30/05/2009

Lamentável! O jornal Gazeta Mercantil, com quase 90 anos, deixa de circular a partir de segunda-feira (01/06). Permanecem no prédio da Vila Olímpia apenas cerca 15 jornalistas da Editora Peixes. Os trabalhadores da Gazeta (jornalistas, gráficos e administrativos) aceitaram na sexta-feira (29/5) a proposta de férias coletivas feita pela empresa, apesar de a medida não ter amparo legal (o Ministério do Trabalho teria de ser avisado com um mínimo de 15 dias de antecedência, com cópia para o Sindicato dos Jornalistas).
Segundo informa a entidade sindical, no comunicado de férias coletivas teria de constar ainda quais setores da empresa entrariam em férias e em que período. Além disso, os jornalistas teriam de ser pagos com no mínimo dois dias de antecedência e com abono de 1/3 do salário. Outra irregularidade: os PJs assinaram um texto suspendendo o trabalho na empresa, quando deveria ser o contrário, a empresa encerrando o trabalho com os funcionários.
Persistem os problemas de falta de pagamento do mês de maio, férias e FGTS. O Sindicato, que já havia entrado com ação no Ministério Público do Trabalho por outras irregularidades da Gazeta, vai procurar incluir mais estas no processo.
O certo é que os jornalistas da Gazeta (e da Editora Peixes, que também faz parte da CBM), vinham trabalhando em meio ao caos, com seguidas quebras de acordos, atrasos constantes de salários (e até de fornecedores de energia elétrica e da gráfica terceirizada) e agora encerram suas atividades, sem perspectivas e sem qualquer garantia que seus direitos serão efetivamente pagos.
Antes da internet, o melhor
Pelo menos desde a década de 80, o jornal enfrenta graves crises financeiras. Centenas de jornalistas que por lá trabalharam durante este período, vivenciaram atrasos nos pagamentos, baixos salários e toda ordem de problemas trabalhistas. Mesmo assim, heroicamente sustentaram o veículo, que foi um dos melhores e referência na área econômica e financeira, principalmente no período pré-internet, quando era produzido em máquinas de escrever manuais e as informações chegavam por enormes e barulhentas máquinas de telex. Aos colegas que fizeram a GM ser o que foi, nossas homenagens.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Gazeta Mercantil: Intelig pode pagar a conta

Da newsletter da Fenaj de 27/05/2009

A Justiça do Trabalho de São Paulo determinou, na semana passada, a penhora de ações e cotas societária da empresa Intelig Telecomunicações, de propriedade do empresário Nelson Tanure, para o pagamento da dívida trabalhista de R$ 200 milhões da Gazeta Mercantil. Esta decisão pode evitar o fim da publicação do jornal, previsto para a próxima semana e antecipado em comunicado reproduzido na capa da própria Gazeta, na última segunda-feira (25/5).

Tanure, dono da Companhia Brasileira Multimídia (CBM), responsável pela Gazeta, anunciou que a editora JB S.A. não seria mais a responsável pela publicação a partir do dia 1º de junho e, por isso, decidiu devolver o título a Luiz Fernando Levy, que, por sua vez, comunicou informalmente aos funcionários que não tem a intenção de receber o jornal de volta, quebrando o contrato de arrendamento por 60 anos. No jogo de empurra, o diário está ameaçado de fechar, deixando sem trabalho dezenas de jornalistas, gráficos e trabalhadores administrativos.

O Presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e diretor da FENAJ, Guto Camargo, foi até o Rio de Janeiro, nesta terça-feira (27/5), para reunir-se com a direção CBM e tentar uma saída para a crise que ameaça os empregos de 51 jornalistas. Ele ouviu da diretoria da empresa que a decisão de fechamento da Gazeta está mantida. “O departamento jurídico do Sindicato já está tomando todas as medidas para garantir os direitos dos trabalhadores, mas iremos manter as negociações abertas até o final de uma solução que evite o fechamento do jornal e preserve os postos de trabalho”, informou o presidente do Sindicato. Guto tem nova reunião hoje (27/5) com a direção da Gazeta, em São Paulo.

Os advogados Carlos Frederico Müller e Wladimir Durães, que representam os dois principais credores da Gazeta Mercantil - a empresa Problem Solver e a Associação dos Funcionários Prestadores de serviço do jornal - dizem que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) não pode autorizar a venda da operadora de telefonia de propriedade do empresário Tanure. “Por ordem da Justiça, as ações da Intelig não podem ser negociadas porque garantem o crédito dos funcionários”, asseguram. A ordem de penhora é da 26ª. Vara do Trabalho de São Paulo. A juíza Maria aparecida Vieira já comunicou a decisão à Intelig, Junta Comercial do Rio de Janeiro, Comissão de valores Mobiliários e Anatel.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Crise: Gazeta Mercantil de novo na pindaíba

CBM devolve Gazeta Mercantil a Luiz Fernando Levy

Devido ao passivo trabalhista, empresa de Nelson Tanure abre mão do título a partir de junho

Do M&M Online de 25/05/2009

A Companhia Brasileira de Mídia, do empresário Nelson Tanure, anunciou oficialmente nesta segunda-feira, 25, que a partir de 1º de junho não será mais responsável pela publicação do jornal Gazeta Mercantil. Ela devolverá o título ao empresário Luiz Fernando Levy.

Em comunicado publicado na primeira página desta segunda-feira, a empresa explica as razões para o rompimento do contrato, após seis anos de parceria. Um dos motivos que levou o grupo de Tanure a tomar essa decisão é o excesso de decisões judiciais favoráveis a credores da Gazeta, principalmente na Justiça do Trabalho. Porém, a companhia se colocou à disposição do grupo econômico Gazeta Mercantil para colaborar com o que estiver ao seu alcance para garantir que a publicação do jornal não seja interrompida.

A crise da Gazeta ocorreu no final da década de 90 e início dos anos 2000, que culminou com a transferência do jornal para a Companhia Brasileira de Mídia. Os problemas financeiros do jornal se agravaram desde o ano passado, gerando atrasos nos salários dos funcionários e no aluguel do imóvel ocupado pela publicação.

No início de maio, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP) suspendeu o termo de compromisso assinado pela Editora JB, do grupo de Tanure, de arcar com a dívida trabalhista do jornal. Tanure havia feito acordo para parcelar as dívidas trabalhistas, que estariam perto de R$ 200 milhões em 35 vezes, mas só conseguir quitar 11 parcelas de R$ 400 mil. Com isso, os credores passaram a pedir a penhora de bens e ativos financeiros da empresa para garantir seus créditos. Todas as cotas de publicidade passaram a ser bloqueadas, o que agravou ainda mais a crise interna e o atraso dos pagamentos.

Segundo informações extra-oficiais, Luiz Fernando Levy tem até o fim desta terça-feira, 26, para se posicionar oficialmente sobre o que irá fazer com a Gazeta Mercantil. Também se comenta que Nelson Tanure designou cinco executivos para se encarregar do processo de transição. Eles estiveram em reunião nesta segunda-feira, 25, com a equipe do jornal.