Caros leitores e leitoras.

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Livro: Jornalista analisa a violência contra as mulheres

Cuidado e Autocuidado entre Mulheres Ativistas no mundo online – estimulando (novas) subjetividades em tempos de pandemia e violência é resultado do pós-doutorado da autora. O volume nos brinda com as experiências que vem sendo realizada nas rodas de cuidado e de autocuidado entre mulheres ativistas organizadas pela ong Cfemea e nos conclama a lutar para a implementação de Políticas Nacionais de Cuidado. 


Por Cristina Gobbi*

O livro produzido pela pesquisadora Cosette Castro e prefaciado pela socióloga Guacira Oliveira trata de um tema sensível, atual e necessário. Traz os conceitos das pedagogias do feminicídio e da secundarização, revela a invisibilidade e a naturalização da violência de todos os tipos, que vem sendo copiosamente ampliada e reforçada pela cultura do ódio e a invisibilidade feminina.

Demonstra que a violência estrutural contra as mulheres, convertida em agressões físicas, psicológicas, sociais, domésticas, familiar, institucional, racista, etc., refletem as desigualdades não superadas e que são brutal e cotidianamente marcadas no corpo, na memória, na vida e nos sentimentos do grupo. 

Trata dos desafios do cuidado e do autocuidado nas rodas de cuidado presencial e virtual, trazendo como as tecnologias digitais podem ajudar na ressignificação dos laços sociais, fraternos e afetivos, e no incentivo ao cuidado coletivo sob o ponto de vista das mulheres, em especial no momento de isolamento social da Covid-19 que atravessamos. 

Reflete sobre a igualdade de gênero e o direito à diversidade, amparados no respeito à pluralidade racial, de corpos, sexualidade e de gerações, situando o movimento de mulheres como um espaço de resistência, onde o cuidado coletivo e o autocuidado são ‘um ato político’.

Resultado do pós-doutorado em Psicologiada autora, o volume nos brinda com as experiências que vem sendo realizada nas rodas de cuidado e de autocuidado entre mulheres ativistas organizadas pela ong Cfemea e nos conclama a lutar para a implementação de Políticas Nacionais de Cuidado.

O e-book Cuidado e Autocuidado entre Mulheres Ativistas no mundo online – estimulando (novas) subjetividades em tempos de pandemia e violência pode ser acessado, lido, descarregado e compartilhado gratuitamente no site da Ria Editorial (clique aqui), no  Google Play (clique aqui) e também no Google Livros (clique aqui).

 

*Professora da pós-graduação em Comunicação da Unesp. 

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Concursos: Oportunidade para Jornalistas atuarem no Judiciário


Por Chico Sant'Anna
 

Em tempos de desemprego aberto no meio jornalístico, surge uma bela oportunidade para os profissionais da informação. A Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal do Poder Judiciário – (Funpresp-Jud) lançou edital para formar cadastro reserva com 20 vagas para analista de Comunicação, sendo metade para publicitários e metade para bacharéis em Comunicação.

O salário ofertado é de R$ 6.558,63, para jornada de 40 horas semanais, mas, como se trata de serviço público federal titulares de pós graduação, mestrado ou doutorado strictu sensu deverão fazer jus a um adicional de especialização.

As inscrições vão até 21 de outubro e a prova acontece dia 5 de dezembro

Para ter acesso ao edital, clique aqui.

TJM-MG

Também na área do Judiciário, o Tribunal de Justiça Militar do Estado de Minas Gerais lançou edital para selecionar um jornalista que atuará como analista judiciário/especialidade Jornalista. A remuneração é de R$ 4.677,09, para uma jornada de 30 horas semanais.

As inscrições abrem em 4 de outubro e ficam abertas até 4 de novembro. A prova também acontece em 5 de dezembro.

Para ter acesso ao edital, clique aqui.

 

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Censo apura o perfil racial dos profissionais de imprensa no Brasil

Levantamento quer traçar o perfil racial dos jornalistas em atuação no Brasil
Estudo quer identificar o perfil étinico racial dos 
jornalistas em atuação no Brasil.
Foto de Chico Sant'Anna.

O Censo, iniciado em 16 de agosto, busca dimensionar o Perfil Racial da Imprensa Brasileira. Questionário será enviado por email aos 61 mil jornalistas em atividade no País, convidando-os a responderem a pesquisa que tem 13 questões e leva até 5 minutos de duração.


O objetivo do estudo é medir a presença de todas as raças no Jornalismo brasileiro com vistas a permitir, a partir desse conhecimento, o planejamento e a implementação de políticas afirmativas de diversidade e inclusão nas redações jornalísticas. Uma maior diversidade no jornalismo o tornará mais inclusivo e menos preconceituoso, e distorções que ainda são muito comuns, sobretudo em relação aos negros, muito pouco representados tanto quantitativa quanto qualitativamente nas redações, poderão de fato começar a ser combatidas.

A iniciativa é da newsletter Jornalistas&Cia e do Portal dos Jornalistas, em parceria com o Instituto Corda – Rede de Pesquisas e Projetos e I’Max, e conta com o apoio institucional de ABI – Associação Brasileira de Imprensa, Ajor – Associação de Jornalismo Digital, Aner – Associação Nacional dos Editores de Revista, ANJ – Associação Nacional de Jornais, JEeduca – Associação dos Jornalistas de Educação, Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo, Rede de Jornalistas Pretos e Universidade Zumbi dos Palmares. Conta ainda com o patrocínio da ADM.

Para estimular uma participação expressiva dos 61 mil jornalistas brasileiros em atividades nas redações, o Censo está realizando uma campanha de estímulo com depoimentos de jornalistas e outras personalidades da sociedade brasileira, como os jornalistas Pedro Bial, Juca Kfouri, Roberto D’Ávila, Flávia Oliveira, Flávia Lima e Wanderley Nogueira, os escritores Laurentino Gomes e Antônio Torres, o maestro João Carlos Martins, a empresária Luiza Trajano, o economista e ex-ministro Maílson da Nóbrega, o ator Paulo Betti, o jornalista e também ex-ministro Miguel Jorge, entre outros. Todos eles apoiam a campanha e recomendam os jornalistas brasileiros a participarem do Censo, pela relevância de se conhecer o Perfil Racial da Imprensa Brasileira e, com isso, contribuir para a diversidade nas redações, para um jornalismo mais plural e equânime, e para o fortalecimento da Democracia e da Liberdade.

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Livro: A Vida em Primeira Pessoa - um romance narrado por jornalista

Livro da professora da UnB e jornalista Thaïs de Mendonça mistura experiências de personagem jornalista com panorama brasileiro

 

Os bastidores da política e o exercício do poder no Planalto Central são o pano de fundo para uma história de amor pontuada por contrastes, controvérsias e incertezas, no novo livro de Thaïs de Mendonça, lançado na quinta-feira, 29/7. Tecnicamente, A Vida em Primeira Pessoa pode ser considerado um roman à clef, característica dos romances que possuem um contraponto na realidade, a partir da qual a autora brinca com o espaço público, misturando eventos passados e presentes. Os personagens são deslocados de contexto para compor uma trama inteligente e dramática.

A vida íntima da jornalista, tão agitada quanto a profissional, é contada com muito humor, em capítulos bem amarrados que vão conduzindo o leitor até o desfecho. O que é o amor, afinal? Um dos temas que o livro discute, será que é possível definir onde o amor começa e onde ele acaba? Assim como a religião e o suicídio, esses três temas vão sendo desenvolvidos a par com a trajetória da personagem principal, a jornalista Martina Mirabella, mineira de Belo Horizonte.

O candidato eleito para o mandato, um jovem político paranaense desconhecido do cenário nacional, Nelson Bastos, no passado um playboy cabeludo, vai aos poucos se adequando ao figurino popular. Guiado por sua agência de publicidade, o novo presidente é talhado à medida para encarnar a figura mítica do herói salvador. Com um discurso genérico, sem proposta clara, ele consegue envolver a população com uma vaga proposta de não-ideologia, como se ele próprio fosse uma pessoa de fora do sistema. Carismático e populista, obtém votação recorde, derrotando vários adversários de uma só vez.

Assassinatos acontecem sem que as autoridades investiguem. Alguns morrem sem causas definidas. A jornalista, encarregada da cobertura política pela revista Fatos, vai aos poucos se afirmando no cenário competitivo de Brasília, para onde ela se muda depois de uma carreira em Belo Horizonte. Martina, descendente de italianos, é uma mulher bonita e sensual que ostenta, além da beleza, um caráter forte e muita força de vontade. Entretanto, ela convive mal com a própria solidão.

O romance alterna páginas escritas em primeira pessoa – como se fossem fragmentos do diário de Martina –, levando o leitor ao desfecho, ao mesmo tempo dramático e surpreendente. Eis um trecho da obra:

“Entro pela primeira vez na sala de imprensa do Palácio do Planalto. É uma sala ampla, aos fundos do saguão principal do térreo. A revista me credenciou e eu logo descubro qual é a mesa da Fatos. Fico a um canto, sem querer aparecer muito. Noto uma mulher a me observar. Ela sorri e se apresenta. Chama-se Ana Paula e trabalha para uma rádio.

Como a todos os novatos, os colegas tentam me pregar uma peça, usando a Ana Paula. A brincadeira é a seguinte: o jornalista que chega é convidado a ir à sala do Dr. Cecin Sarkis. O nome soa estranho, mas Very Well – o sempre solícito funcionário do Comitê de Imprensa – dá a indicação de que a sala do doutor coronel fica no terceiro andar, logo à direita do elevador. ‘Ele quer conhecer todo mundo que aparece na sala de imprensa’, convence o repórter que passa o recado ao neófito. Os que acabam de chegar à capital caem na armadilha, para descobrir depois que Cecin Sarkis é o nome de uma loja de materiais elétricos da cidade e a sala indicada é a do sistema de força do palácio. Quando o novato volta com cara de tacho, os colegas se divertem. É uma espécie de ritual de iniciação.” 

Sobre a autora

Thaïs de Mendonça é jornalista e professora da Universidade de Brasília (UnB). Trabalhou no Jornal do Brasil, O Globo, O Tempo, Correio Braziliense, dentre outros. Tem vários livros publicados na área do jornalismo: “Manual do foca. Guia de sobrevivência para jornalistas”; “Mutação no Jornalismo. Como a notícia chega à internet”; e “Viver o jornalismo. A entrevista no dia a dia da profissão”. Na área da psicologia, é coautora de “Dieta da Mente. 101 perguntas e respostas para emagrecer”.

Lançamento

Live/ entrevista de Claudinei Vieira, editor da Desconcertos, com a autora
Data: 29/7/2021
Horário: 20h
 

terça-feira, 20 de julho de 2021

Saudade da minha terra. O adeus a Jaime Sautchuk

Jaime (de gravata) acompanha discurso de Aldo Arantes.
Ao fundo, à esquerda, Fernando Tolentino,
Estela Landim e Haroldo Lima.
Foto: Arquivo pessoal Fernando Tolentino.


São muitas as lembranças. Nas lutas pela retomada do Sindicato dos Jornalistas, do Clube da Imprensa, do Movimento de Defesa da Amazônia, pela Constituinte (ampla, geral e irrestrita), por Diretas Já, por eleições em Brasília, na campanha de Aldo Arantes (em 1982), na campanha em que fui candidato a deputado federal (por que não?). E também seus vários livros, as diversas redações em que brilhou, até finalmente a Xapuri, a reserva ambiental Linda Serra dos Topázios, que criou em Cristalina, para se recolher nos anos mais recentes, como que deixando entender que "não adianta viver na cidade".

Por Fernando Tolentino

A despedida de tantos amigos queridos havia sido no Campo da Esperança. Ali se encontraram dezenas de colegas do primeiro time do jornalismo brasileiro, não poucos camaradas do PCdoB e companheiros da esquerda em geral.Encontraram-se, falaram das inesquecíveis experiências de convivência com Jaime Sautchuk. E dos "causos".

Muitos choraram e abraçaram-se, talvez pouco lembrados da pandemia, talvez muito confiados na vacina. Afinal, valia a pena se abraçarem. A lembrança comum de Jaime justificava.

São muitas as lembranças. Nas lutas pela retomada do Sindicato dos Jornalistas, do Clube da Imprensa, do Movimento de Defesa da Amazônia, pela Constituinte (ampla, geral e irrestrita), por Diretas Já, por eleições em Brasília, na campanha de Aldo Arantes (em 1982), na campanha em que fui candidato a deputado federal (por que não?). E também seus vários livros, as diversas redações em que brilhou, até finalmente a Xapuri, a reserva ambiental Linda Serra dos Topázios, que criou em Cristalina, para se recolher nos anos mais recentes, como que deixando entender que "não adianta viver na cidade".

Por isso, foi a chance de se marcarem novos encontros, inclusive com os que não puderam comparecer e não se desculpavam. Como a velha base dos jornalistas do PCdoB, com a declarada intenção de reunirem-se com a assumida intenção de reafirmar a presença de Jaime.

Uns poucos insistiram em levar Jaime à despedida final. Sua família e amigos que não conseguiram se afastar antes do último momento.

"De que me adianta viver na cidade.
Se a felicidade não me acompanhar."

A pedido da filha Rosa, o meu celular entoou pianíssimo, a canção preferida de Jaime, "Saudade da Minha Terra", de Goiá.

sábado, 17 de abril de 2021

Opinião: Ditadura do Mercado sobre a Comunicação


Num país em que o povo não tem acesso a leitura de jornais e revistas e onde o noticiário de rádio e tv é marcado por uma linha editorial escandalosamente a favor da demolição dos direitos trabalhistas, previdenciários e da comunicação, a defesa da Voz do Brasil deveria ser parte da agenda de lutas dos sindicatos dos jornalistas e trabalhadores em geral, da Fenaj, da ABI e dos partidos progressistas, tendo em vista que somente naquela uma hora os cidadãos têm acesso à totalidade de informações  sobre atos oficiais que decidem sobre sua vida, 


Por Beto Almeida*

A Voz do Brasil é a primeira experiência bem sucedida de regulamentação informativa no Brasil, determinando que pelo menos uma hora ao dia, em cadeia nacional, seja destinada pelas emissoras de rádio (concessionárias da União), à transmissão de informações dos poderes constituídos, o que, frequentemente, é negado pelas mentalidade editorial dos empresários da comunicação, submetida aos ditames do mercado. Em sua gana insaciável por acumulação, estes magnatas da comunicação pressionam pela flexibilização do horário de exibição da Voz do Brasil, sempre com o intuito extinguir o programa, pois nele vêm um exemplo exitoso e perigoso de regulamentação informativa, tese que abominam, em favor de uma absoluta ditadura do mercado sobre a comunicação. Nesta pressão que exercem sobre os poderes constituídos, os magnatas da mídia já tiveram o apoio até de um Ministro da Comunicação do PT, Paulo Bernardo, que, presente a um Congresso da ABERT, defendeu , lamentavelmente, a flexibilização da Voz do Brasil, durante o governo Dilma Rousseff.

Num país em que o povo não tem acesso a leitura de jornais e revistas e onde o noticiário de rádio e tv é marcado por uma linha editorial escandalosamente a favor da demolição dos direitos trabalhistas, previdenciários e da comunicação, a defesa da Voz do Brasil deveria ser parte da agenda de lutas dos sindicatos dos jornalistas e trabalhadores em geral, da Fenaj, da ABI e dos partidos progressistas, tendo em vista que somente naquela uma hora os cidadãos têm acesso à totalidade de informações  sobre atos oficiais que decidem sobre sua vida, ao contrário dos noticiosos das emissoras privadas, sempre manipulados pelos interesses dos anunciantes e dos proprietários das empresas de comunicação, jamais dispostos a reconhecer o direito à comunicação como um direito constitucional da sociedade.

Portaria

A portaria do Ministério das Comunicações autoriza a veiculação fora do intervalo de 19h às 22h quando as emissoras optarem por transmitir jogos da seleção brasileira de futebol ou jogos de equipes brasileiras em campeonatos estaduais, nacionais, sul americanos ou internacionais. Se o início do jogo estiver marcado entre 19h e 20h30, o programa poderá ser retransmitido, sem cortes, com início até as 23h do mesmo dia. Se o início do jogo estiver marcado para depois de 20h30, A Voz do Brasil poderá ser transmitida, sem cortes, antes do jogo ou com início até 23h30 do mesmo dia.

Dispensa de retransmissão

Está prevista a dispensa da retransmissão do programa nos casos em que o jogo que estiver sendo transmitido vá para prorrogação ou resulte em decisão por cobrança de pênaltis, impedindo seu término até os horários limites fixados para o início da retransmissão; ou caso ocorra “alguma situação de força maior durante o jogo que impeça seu término até os horários limites fixados para início da retransmissão”.

*Beto Almeida é jornalista

segunda-feira, 22 de março de 2021

O apagão: uma fábula.

Do lado de cá do Japão, na nossa República, o chefe maior é o Presidente que, ao ter a pretensão de ser a resposta de Asuma, ele se torna um plutocrata, um ditador, ou reinará como o Reizinho (The Little King, de Otto Soglow), um dos mais hilariantes personagens dos quadrinhos do século passado, que gostava de se comunicar com gestos pantomímicos. Reinou por quarenta anos amparado pelos jornais e revistas conservadores.

 

Por Aylê-Salassié F. Quintão* e Alexandre Q.F Quintão**

A nossa velha República não tem como dar resposta a este desafio que, no Japão, pertence ao mundo dos mangás, animes e otakus, porque não os leva a sério. Para os brasileiros, tecnologicamente ainda no cueiro, são perturbadoras, entretanto, as virtudes e as competências das tecnologias dessa quinta geração (5G) que está vindo por aí, propondo a troca de softs, conexões digitais inovadoras e a instalação de novas redes digitais.

O modelo é comandado pela mega fabricante chinesa Huawei que, por aqui, já detém o controle da Nextel e da Sercomtel, está presente em 65% da rede Vivo, 60% da OI, 55% da Claro e 45% da TIM (Wiziack,2021). Os Estados Unidos questionam o papel da empresa chinesa, e o Brasil, seguindo ainda a linha de Trump, transita refratário pelo ambiente, mas já cogitando de uma concorrência internacional para atualização e instalação de novas redes. Briga de “cachorro grande”: a China é o maior parceiro comercial do Brasil.

Em uma partida de Shogi, um jogo de xadrez japonês, entre um aluno e seu professor, o mestre pergunta: Shikamaru, se esse jogo fosse como a nossa vida, nossa vila, e acontecesse no contexto que vivemos, quem seria o Rei? Shikamaru é considerado um dos ninjas mais inteligentes do país do Fogo. Com o menor esforço, busca resolver problemas da maneira lógica, e ser o mais objetivo possível, responde: Ora, é o Hokage (o “presidente”).

O professor contesta: Numa primeira vista, parece mesmo o Hokage. Se por algum motivo, o Hokage é deposto do cargo ou se o rei morre, outro “Hokage’’ entra no trono e o jogo recomeça. Então é preciso proteger o rei pois, se for capturado o jogo acaba. Mas, quem é o rei, então?

Do lado de cá do Japão, na nossa República, o chefe maior é o Presidente que, ao ter a pretensão de ser a resposta de Asuma, ele se torna um plutocrata, um ditador, ou reinará como o Reizinho (The Little King, de Otto Soglow), um dos mais hilariantes personagens dos quadrinhos do século passado, que gostava de se comunicar com gestos pantomímicos. Reinou por quarenta anos amparado pelos jornais e revistas conservadores. Imaginação fértil, desafiava o protocolo e a realidade ao seu redor. Tinha família, conselho de ministros, exército, corte e súditos. A única figura que ali destoava era ele mesmo, o o rei, pouco afeito às convenções e às liturgias. Vivia criando situações embaraçosas.

São fábulas que ajudam hoje a compreender a realidade brasileira. O cidadão se aborrece e se diante de tantos reizinhos e visionários contando diferentes versões. A História mostra que o socialismo não deu certo por eleger como virtuosa a classe operária, ignorando os problemas ainda maiores que ela gera. O capitalismo, se perdeu ao produzir uma enorme exclusão social. O diálogo democrático entre os dois tende a não vingar porque são confrontos recheados de vícios retóricos, estigmas, fetiches e maldades com sentidos pré determinados, cujos ônus caem sempre sobre a sociedade, sem que alguém seja responsabilizado criminalmente.

Restam os reformistas conciliadores, temerosos das soluções violentas, propondo reformas políticas, ajustes nos sistemas de saúde, de educação, de humanização da cadeia produtiva, da propriedade da terra, etc. Tudo tende, entretanto, a ser apenas representado, como se fora mesmo um mangá capitaneado pelo jogo dos três poderes. Eles parecem um cemitério, onde toda a história se encerra e se enterra. Deve ser por isso que a maioria veste-se de preto. 

A história brasileira teve tempo e algumas oportunidades para passar por rupturas definitivas. Nada vingou, porque o sistema se ampara em uma estrutura social e mental canonizada por falsos profetas e enganosas interpretações. Foram tão bem configuradas ao longo da História que a tecnologia as disseca com rapidez e as deglute com facilidade. Na Austrália, o Google já controla 95% das buscas. O mundo atual, em processo distópico, está começando a ficar mesmo sob o controle das grandes plataformas digitais, modelos e ferramentas conectados dentro de um ambiente e que interagem entre si, buscando, criando valores e encripitando-os. Nossos arquivos pessoais, de empresas e governos vão sendo codificados, ininteligivelmente, por essas plataformas inclinadas a  retomar o caminho do mundo   em direção a paradigmas culturais novos.  

A tecnologia, sucedendo a si mesmo constantemente (1G,2G,3G, 4G, 5G), começa aos poucos a controlar o espetáculo social. Uma empresa estrangeira controla no Serviço de processamento (Serpro) do ministério da Fazenda o auxílio emergencial e as contas públicas. Agora chega aí, também de mansinho, uma tentação tão indigna quanto as atitudes do reizinho, que é o controle da inteligência nos centro de pesquisa e nas salas de aula digitais.

O impaciente Shikamaru, vê o mestre Assuma mal no leito de morte, e não resiste: “Quem é afinal o rei? Fala, quem é?”. O mestre responde: “Ele não nasceu ainda”. As virtudes desta geração estão se apagando à espera da próxima.

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*Jornalista e professor; ** Fisioterapeuta, pós-graduado em gerenciamento estratégico de projetos.