Caros leitores e leitoras.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O papel dos blogs jornalísticos na realidade nacional. Entrevista nº1

Por  FC Leite Filho, publicado originalmente no Café na Política

O blog Café na Política, inaugurou uma série de entrevistas focadas no papel dos blogs jornalísticos na internet. O blog Chico Sant'Anna e a InfoCom traz aqui o material produzido pelo jornalista Leite Filho.

Em meio à tempestade política do impeachment de Dilma, os blogs jornalísticos, muitos deles produzidos quase que artesanalmente, se converteram em preciosas fontes do noticiário.
Sem os efeitos especiais e o espetáculo de cores e de tecnologia dos conglomerados, os blogs acabaram botando a mídia a reboque, em muitos aspectos. Eles chegaram na frente com muitos fatos novos, a maioria deles encobertos, por razões empresariais ou políticas. É uma prova de que se pode fazer jornalismo sério e independente, sem cair no golpismo e no jogo do poder econômico.

O diariodocentrodomundo.com.br, o DCM, de Paulo e Kiko Nogueira, o conversaafiada.com.br, de Paulo Henrique Amorim, de Fernando Brito, o jornalggn.com.br, de Luis Nassif, o brasil247.com.br, de Leonardo Attuch, e o cartamaior.com.br, de Joaquim Palhares, são alguns dos exemplos de sites e blogs que começam a deixar na rabeira os jornalões, revistões e até a TV Globo.

Para começar a série sobre os blogs políticos, foi entrevistado o Kiko Nogueira, que me contou a história de como o Diário do Centro do Mundo atingiu a marca mensal dos três milhões de acessos e os furos que deu na grande mídia. Um desses furos é a entrevista televisada com Mírian Dutra (sim, o DCM utiliza muito a TVWeb), depois que a ex-namorada de FHC resolveu abrir a boca sobre um dos escândalos mais ocultados na República. 

Com sistema próprio de autofinanciamento, nos quais utiliza a propaganda programada da internet e o sistema de vaquinha eletrônica, o crowdfunding, Kiko diz que o DCM pôde pagar a viagem do repórter Joaquim de Carvalho a  Barcelona, na Espanha, onde Mírian vive numa espécie de desterro dourado, pago pela Globo e o próprio FHC. Daí nasceu o primeiro vídeo-documentário do DCM, cujas principais cenas exibimos neste especial do Café na Política.

A explosão dos blogs como fonte de notícias:

Entrevista com Kiko Nogueira

sábado, 3 de setembro de 2016

Temer e Maia dão fim a EBC enquanto emissora pública

Por Chico Sant'Anna


A vingança é um prato que se come frio, diz o dito popular.
Mas a mesma sabedoria popular lembra que o apressado come cru.
Bastou ser consumado o impeachment da presidente Dilma Roussef, para que Michel Temer voltasse a atacar de cheio à Empresa Brasileira de Comunicação – EBC, considerada por ele um antro de petistas.
Quando assumiu interinamente a presidência da República, em junho, um dos primeiros atos foi afastar o comando da EBC. Por decisão do Supremo Tribunal Federal, Temer teve que recuar e reinvestir na presidência da estatal Ricardo Melo, nomeado ainda na gestão Dilma Roussef. O cargo dele é vinculado a um mandato especifico de quatro anos e, antes disso, só o Conselho Curador poderia exonerá-lo e em face de uma falta grave.
Consumado o impeachment, o Planalto virou novamente seus canhões contra a EBC. Foram editados uma medida provisória, alterando a lei 11.652/2008 de fundação da EBC, e dois decretos. De uma só tacada, esses atos consumaram o fim de um sistema público de comunicação no Brasil. A empresa deixou de ser pública para ser estatal, a sociedade civil, que se fazia representar por meio do Conselho Curador, foi cassada e um novo presidente, Laerte Rimoli, foi nomeado.
É o mesmo jornalista que o vice-presidente no exercício da presidência da República havia indicado, em junho, pra comandar a empresa e que fora afastado pelo STF.
Michel Temer nem esperou sua volta da China. Diante da pressa, coube ao deputado Ricardo Maia – DEM, no exercício da presidência, deixar as suas digitais nas três pás de cal sobre a EBC. Na prática, a EBC retorna ao perfil do que foi a Radiobrás idealizada pelos militares: uma voz monolítica do governo.
Presidente da EBC, Ricardo Melo (à esquerda) retorna à empresa após
a edição extraordinária do Diário Oficial que revogou sua exoneração.
Provavelmente, Temer e seus assessores devem ter entendido que extinguindo o Conselho Curador, o mandato do presidente da EBC estaria fragilizado e passível de uma exoneração. Não demorou muito para que o Planalto lembrasse de que Ricardo Melo havia voltado ao cargo por força de uma decisão liminar do STF e que só com uma nova posição da suprema corte ele poderia sair de lá. Diante disso, a Imprensa Nacional teve que rodar uma edição extraordinária do Diário Oficial, revogando a exoneração de Melo e cancelando a nomeação de Rimoli.
Mas o estrago maior foi mantido.

Diário Oficial trouxe Medida Provisória que
extingue Conselho Curador da EBC.
A participação da sociedade civil no controle da aplicação dos princípios do sistema público de radiodifusão, respeitando-se a pluralidade da sociedade brasileira, conforme previa a legislação aprovada pelo Congresso Nacional, não mais existe. O Conselho Curador, que era a principal instância de participação da sociedade civil, foi extinto. Desde a sua criação, o Conselho, formado por 14 representantes da sociedade selecionados após editais públicos, já teve representantes de diferentes origens: do advogado Cláudio Lembo e do economista Luiz Gonzaga Beluzo, ao rapper MV Bill e o musicista Wagner Tiso. Além de acadêmicos e pesquisadores em Comunicação, tais como o pesquisador Venicio Lima, dentre outros.
A EBC passa a ser comandada diretamente pela presidência da República. Segundo a Medida Provisória, a Diretoria Executiva da empresa será composta por um diretor-presidente, um diretor-geral e quatro diretores, sendo que todos os membros serão nomeados e exonerados pelo presidente da República. Contará com um conselho administrativo formado por representantes de quatro ministérios, além do seu presidente que será designado pela Casa Civil. Doravante, esse conselho administrativo terá a missão de definir alinha editorial, o foco jornalístico e o perfil dos conteúdos culturais da EBC, que reúne a TV Brasil, a NBR, o Canal Brasil Internacional, a Agência Brasil de Notícias e as emissoras da Rádio Nacional e MEC.
Decreto define que um conselho com representantes
dos ministérios irá dirigir a EBC.
A notícia pegou muita gente de surpresa. O Diário Oficial, datado de 2/9, que trouxe os decretos e a MP, circulou por volta das duas horas da manhã. Não houve nenhuma comunicação prévia ao titular do comando da EBC.
Para Edvaldo Cuaio, membro do Conselho de Administração, na condição de representante dos empregados da empresa, as novas regras ferem até mesmo a recém-aprovada Lei das Estatais. 
Para ele, o temor é que um absolutismo editorial irá prevalecer doravante. Era esse conselho que garantia a independência editorial e de programação em relação ao governo federal. “A pluralidade informativa deixará de existir e o foco editorial será não mais a cobertura noticiosa do Brasil, mas sim do poder Executivo” – afirma Cuaio.

Comunicação Pública

Para a primeira presidente da EBC, jornalista Tereza Cruvinel, “acabou-se a comunicação publica no Brasil”.
A EBC é agora reduzida à condição de agência de comunicação e proselitismo governamental, como era a antiga Radiobrás. Agora, sim, ela estará subordinada ao controle editorial pelo governo, ao loteamento político-partidário, ao fisiologismo e ao empreguismo. Se o Congresso Nacional aprovar tais alterações, estará sepultando o esforço de todos os que se empenharam na realização do artigo 223 da Constituição Federal, implantando um sistema público de comunicação independente e controlado pela sociedade, garantidor da pluralidade e da complementaridade aos serviços privados e estatais – diz em nota Cruvinel.
Para Cruvinel, a TV Brasil, as rádios e a Agência Brasil, geridos pela EBC, não poderão mais ser chamados de canais públicos. “Doravante, serão canais governamentais. Finalmente, o conteúdo ‘chapa branca’, tão denunciado pelas mídias privadas e adversários do projeto, e nunca confirmado nestes últimos oito anos, prevalecerá nos veículos da EBC.”

Membros do Conselho Curador da EBC perderam seus
mandatos com a MP de Temer. Foto de Chico Sant'Anna.
Conselho Curador

Integrantes do Conselho Curador, agora extinto, estavam em Brasília para uma de suas reuniões regulares, mas nem puderam cumprir com suas obrigações, pois não foram facultadas as instalações da EBC para a reunião oficial. Diante da inusitada decisão, soltaram uma nota reforçando a importância daquela instância e lembrando que as balizas editoriais e de conteúdo da EBC não foram uma decisão deste ou daquele governo, mas sim da sociedade. Pois, foi o Conselho Curador quem solicitou a elaboração de todos os manuais, instâncias e normas internas relacionadas à produção de conteúdos na EBC. As deliberações do Conselho tinham a capacidade de corrigir desvios de rotas eventualmente cometidos pela direção da empresa.

Intercom

O grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) - principal fórum de pesquisa do país dedicado à mídia radiofônica e integrado por pesquisadores, professores universitários e pós-graduandos de Comunicação Social de todo o país, se manifestou contra a MP 744/2016 do governo Temer. O grupo entende que a EBC é um referencial não somente para a construção do sistema público de Comunicação, previsto na Constituição Federal, bem como para toda a radiodifusão brasileira.
Movimentos Sociais e organizações sindicais protestaram à porta da EBC
contra as mudanças impostas pelo governo Temer. Foto de Chico Sant'Anna.
Em nota, externam a indignação com a extinção do Conselho Curador da empresa, decisão que, em termos práticos, acaba com o caráter público da EBC. Destacam, ainda, que a medida provisória lançada pelo governo de Michel Temer, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), foi tomada sem nenhuma forma de consulta à sociedade. “Vai, portanto, contra tudo que se lutou ao longo das duas décadas de regime de exceção e retoma práticas sorrateiras de exclusão do cidadão e de seus representantes do debate a respeito da comunicação de massa.”
A palavra final agora sobre os rumos da EBC estará nas mãos do Congresso Nacional, que terá 120 dias para apreciar a MP da EBC. Movimentos sociais e organizações sindicais de trabalhadores em Comunicação, alguns dos quais se reuniram dia 2/9 em protesto na porta da EBC em Brasília, já planejam suas estratégias para atuar no Legislativo e também no Judiciário.
A direção executiva da EBC nomeada pelo governo Temer, procurada por esse blog e instada a comentar as mudanças não retornou o contato

Morre Cristiano Menezes, ex diretor das rádios Nacional e Cultura do DF

Da Agência Brasil

Morreu dia, 1/9, no Rio, aos 67 anos, o radialista, jornalista, produtor e poeta Cristiano Ottoni de Menezes, que foi por dez anos, entre 2003 e 2013, diretor da Rádio Nacional do Rio de Janeiro e gerente regional das emissoras da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) na cidade. Ele estava internado na Casa de Saúde São José, no Humaitá, para tratamento de um câncer no fígado, em consequência do qual veio a falecer.

Nascido e criado em Botafogo, Cristiano estudou em dois colégios católicos tradicionais, o São Bento e o Santo Inácio, e cursou durante dois anos a Faculdade de Direito Cândido Mendes, mas não chegou a se formar. Antes de trabalhar em rádio, jornal e televisão, foi ator na peça A Dança da Lebre Celeste, dirigida por Mossa Ossa e encenada nos teatros Ipanema, no Rio, e Oficina, em São Paulo.
Como radialista e produtor trabalhou, na década de 1970, na Rádio Roquette Pinto, no Rio, onde criou e apresentou  o programa Panos e Molambos, voltado para a revelação de novos talentos na música, poesia, teatro e cinema. Mais tarde, mudou-se para Brasília, onde foi repórter da TV Tupi, do jornal Correio Braziliense e apresentador da TV Brasília, além de produtor e programador musical da Rádio Nacional FM. Nos anos 90, dirigiu a Rádio Cultura FM, emissora do governo do Distrito Federal.

De volta ao Rio, trabalhou em outras emissoras de rádio, antes de assumir a direção da Nacional, na época vinculada à extinta Radiobrás. No exercício do cargo, esteve à frente da reforma dos estúdios da emissora e da reabertura do antigo e tradicional auditório, ocorrida em 2004, com as presenças do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de dezenas de artistas dos anos dourados da emissora, como Marlene, Emilinha Borba e Cauby Peixoto.

Ainda na Nacional, criou e apresentou o programa Época de Ouro, realizado ao vivo no auditório, com os músicos do conjunto regional de choro fundado em 1964 por Jacob do Bandolim. Produtor e integrante do Época de Ouro, juntamente com seu pai, Jorginho do Pandeiro, da formação original do grupo, o percussionista Celsinho Silva ressaltou a importância de Cristiano para a revitalização da Nacional. “Ele trouxe de volta os programas ao vivo, com plateia, para a rádio”, disse.

Como poeta, Cristiano Menezes participou de dezenas de récitais, teve poemas publicados em suplementos literários e na antologia República dos Poetas (Editora Museu da República, 2005). Em 2014, lançou o livro de poesias Guardanapos (Editora 7Letras), com prefácio do poeta Xico Chaves.


sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Livro analisa as mediações entre o rádio e as mídias sociais

Acaba de ser publicado o novo livro do pesquisador Marcelo Kischinhevsky, Rádio e mídias sociais: Mediações e interações radiofônicas em plataformas digitais de comunicação (Ed. Mauad X).

O trabalho sistematiza resultados de pesquisa sobre a reconfiguração da indústria da radiodifusão diante da convergência midiática, desenvolvida ao longo dos últimos cinco anos junto ao Curso de Jornalismo e ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCom) da Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCS/UERJ),

O livro aborda o rádio como um meio de comunicação expandido, que extrapola as transmissões em ondas hertzianas e transborda para as mídias sociais, o celular, a TV por assinatura, sites de jornais, portais de música. 

Um meio em que não apenas a escuta se dá em múltiplos dispositivos, ambientes e temporalidades, mas também a produção, a edição e a veiculação de conteúdos ocorrem com agilidade crescente e muitas vezes sem fronteiras. Discute ainda como o rádio hertziano é cada vez mais desafiado por novos atores do entorno digital (os chamados serviços de rádio social), ainda que permaneça relevante no novo ecossistema midiático.

Sobre o autor

Marcelo Kischinhevsky coordena o AudioLab (Laboratório de Áudio) e lidera o Grupo de Pesquisa Mediações e Interações Radiofônicas, certificado pelo CNPq.

Lançamento
O lançamento oficial acontece no Rio de Janeiro, dia 14/9, às 19h, na Livraria Blooks (Praia de Botafogo, 316. Haverá também , no Rio de Janeiro). Haverá um pré-lançamento porocasião do Congresso da Intercom, que acontece em São Paulo, .

Abraços sonoros,

domingo, 28 de agosto de 2016

Jornalista Aluísio Brandão lança livro de contos em show no Clube do Choro

Desacontecenças: o fantástico lírico de Aloísio Brandão é lançado em show, no Clube do Choro, no dia 03.09.16.

O Clube do Choro é a próxima parada dos cantores e compositores Aloísio Brandão e Clara Teles.
Eles fazem, no dia 03 de setembro (sábado), a partir das 21 horas, o show de lançamento do livro de contos “Desacontecenças”, de Brandão. Os dois serão acompanhados pelos instrumentistas Luiz Duarte (violão), Daniel Baker (piano), Doni Alcântara (contrabaixo acústico) e Chico Abreu (percussão).

Pai e filha, Aloísio Brandão e Clara Teles trazem um trabalho identificado pelo refinamento de suas composições, a maioria delas, autoral. Dono de uma obra densa, de rica elaboração, com melodias sinuosas e ritmo complexo e pouco convencional, Brandão, que é, também, escritor e jornalista, busca marcar as suas músicas pelos arranjos exuberantes e plenos de detalhes.
Outro aspecto relevante são as suas letras, identificadas por sua poesia madura e inquietante.
Tanto que as letras do compositor são faladas em recitais de poesia.
No show do sábado (03.09.16), Brandão (voz e violão) levará ao palco composições autorais. Algumas são parcerias com a filha Clara Telles, Luli & Lucina, Tom Tavares, Vicente Sá, Climério Ferreira, Flávio Faria, Afonso Gadelha, Ivan Braga e Sérgio Duboc.

Considerada uma das revelações da música brasiliense, Clara Telles foi buscar em Ella Fitzgerald pérolas para o seu repertório.
A jovem cantora, que venceu o prêmio da “TV Globo” de melhor intérprete do Guns N’ Roses, também, garimpou no Jazz contemporâneo algumas obras para a apresentação, no Clube do Choro, a exemplo de “That man”, da holandesa Caro Emerald. Clara apresenta, ainda, obras autorais, como “Cicatriz”, de Caetano Veloso (“A Bossa Nova é foda” e “Abraçaço”) e de Luli e Lucina (“Coração aprisionado”).
O show conta com a participação do compositor e jornalista Gadelha Neto, que apresentará textos curtos de Brandão, escritos para o espetáculo.
Os ingressos custam R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia) e podem ser vendidos antecipadamente na bilheteria do Clube do Choro ou clicando aqui.
 Não recomendado para menores de 14 anos.

O LIVRO

“Desacontecenças” sai pela Editora Penalux, de São Paulo, e reúne 20 contos longos pertencentes ao gênero realismo fantástico.
Os textos falam de pessoas e fatos que aconteceram, ou não, e que, de acordo com o autor, só puderam ser vistos com olhos de ver o invisível. “A cidade existe mesmo que não existisse, e é um estuário de um fantástico vivo que está no dia-a-dia das pessoas”, explica.
A cidade a que se refere é a sua pequena Santana dos Brejos, localizada, no Oeste da Bahia, na bacia do Rio Corrente.

Aloísio Brandão, sempre, teve um olhar atento às coisas miúdas, às pessoas que foram ficando encantadas, aos fatos que não ocorreram.
Ele deu a tudo isto uma dimensão sobre-humana, reconstruiu tramas e espacialidade e desconectou o tempo da cronologia.
Acabou trazendo um buquê de histórias fantásticas para dentro do seu livro prenhe de literatura.

Esse verdadeiro laboratório do fantástico ajudou Brandão a parir personagens, como Álvaro, um rapaz que leva uma vida normal e pacata, no sertão. Mas algo o faz diferente: o seu coração parou de bater, há muitos meses; ele levitava e o seu rosto deu para aparecer em quadros das casas da cidade. “O rosto de Álvaro” é um dos contos que integram o livro.

“A loja de memórias” é outro texto encantador e terno. O conto fala de Seu Vivaldo, que herdou do pai uma próspera loja de tecidos, dos anos 50 a 70, até que a chegada das roupas prontas e baratas levou o estabelecimento à falência e fechou as alfaiatarias.
Hoje, a loja não passa de prateleiras completamente vazias. Mas Seu Vivaldo, bem vestido e perfumado, continua abrindo o estabelecimento, invariavelmente, às 8 horas, e fechando, às 18 horas, e as pessoas não deixaram de ir à loja para comprar.
O que, se nada mais há, ali, para vender? Incansável, o homem, agora, já não tem pressa de fazer girar o seu capital, não tem medo de uma nova onda fabril soterrar as suas mercadorias, nem de o tempo envelhecê-las, ou tirá-las da moda. As suas mercadorias ficaram encantadas como Seu Vivaldo e já não gritam mais por tesouras, agulhas e dinheiro.
Não são tementes ao tempo, porque este já não existe mais, ali. Seu Vivaldo, agora, vende memórias.

Já em “O endireitador de sonhos”, Brandão traz a instigante história do Velho Carmelo, um homem rude que se especializou em enxergar os sonhos das pessoas.
Quando eram ruins e recorrentes, tipo pesadelos, o Velho Carmelo os endireitava e os devolvia como sonhos bons e prontos para serem sonhados.
O endireitador sabia, também, arrancar de dentro dos sonhos coisas materiais que atormentavam os sonhadores, e as consertava.

ILHA CULTURAL

 “Desacontecenças” apresenta a cidade como uma ilha cultural regida por outra noção de tempo, espaço e existência, e que continua alimentando a memória amorosa do autor. “Para textualizar a memória amorosa, Aloísio Brandão mobiliza o seu amor estético, transmitido não apenas com recordação, mas como realidade viva”, explica, no texto da orelha do livro, João Vianney Cavalcanti Nuto, doutor em Letras pela USP (Universidade de São Paulo) e professor de Teoria da Literatura da UnB (Universidade de Brasília).

O poeta e jornalista brasiliense Vicente Sá, que assina a apresentação de “Desacontecenças”, observa que a literatura sertaneja nordestina – tanto a oral, como a escrita e musical -, sempre, foi puxada para o fantástico. “É, aí, em que Aloísio Brandão apresenta-se como uma nova janela literária”, acrescenta o poeta. Ele destaca que o que o diferencial dos contos de Brandão é o texto pleno de literatura que dialoga com a poesia. E arremata: “Desacontecenças’ é de um fantástico lírico suave e sem horrores”.

Para a cantora e compositora Luli, parceira de música de Aloísio Brandão e que formou com Lucina uma dupla bem-sucedida, que assina pérolas da MPB, a exemplo de “Bandolero”, sucesso na voz de Ney Matogrosso, o autor de “Desacontecenças” escreve e compõe “como quem tece uma renda barroca”.

SOBRE O AUTOR

 As lembranças mais remotas que Aloísio Brandão tem de si são do seu envolvimento precoce com o que ele denomina de pré-poesia e com a música.
Arriscava versos, menino, ainda. Passou a infância e adolescência, em Santana dos Brejos, ouvindo histórias surreais dos mais velhos e, desde então, intuía que a palavra seria definitiva em sua vida.
É formado em Jornalismo e mora, há 36 anos, em Brasília, onde atua como jornalista profissional. Este é o seu livro de estreia no conto.

sábado, 27 de agosto de 2016

Janot pede fim de concessões de rádio e TV a políticos

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF) na qual afirma que políticos não podem ter participação, mesmo que indireta, em empresas de radiodifusão. Segundo Janot, essa participação confere poder de influência indevida sobre a imprensa, relacionado à divulgação de informações ao eleitorado e à fiscalização de atos do poder público. 
O posicionamento foi feito na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 379.
O PGR manifestou-se ainda pela concessão da cautelar, já que há realização periódica de eleições no país, "com sucessiva renovação do quadro de lesão a preceitos fundamentais".

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Comissão do Senado aprova isenções para equipamentos de imagem

Os equipamentos e materiais importados para uso exclusivo no exercício das profissões de repórter fotográfico e cinematográfico e de outros operadores de máquinas fotográficas e câmeras poderão ser isentos de impostos federais. É o que estabelece o Projeto de Lei (PLC) 141/2015, já aprovado na Camara dos Deputados e agora, dia 24/8, pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal. A matéria agora segue para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e posterior análise pelo Plenário.
Pelo projeto, a isenção alcança o Imposto de Importação, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e também as contribuições PIS/Pasep e Cofins. As isenções somente serão concedidas aos equipamentos e materiais que não possuam similar nacional, ou seja, com fábricas brasileiras, e pelo prazo de cinco anos, a partir da publicação da lei.
Haverá também uma série de exigências para conseguir o benefício, como a comprovação do exercício da profissão, a declaração de falta de equipamento similar no mercado nacional e a obrigação de permanecer pelo menos dois anos com o equipamento. O benefício só será concedido nas compras de até R$ 50 mil.
Na Cas, avaliou-se que a variação cambial, agregada a uma alegada defasagem técnica da indústria nacional, poderá gerar um fosso tecnológico e uma perda de competitividade, o que não é bom para o país.
A aprovação contou com o apoio da Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos (Arfoc-DF), do Sindicato da Indústria da Informação do Distrito Federal (Sinfor) e do Sindicato dos Jornalistas do DF (SJP-DF).