Caros leitores e leitoras.

domingo, 16 de junho de 2013

A batalha das telas

Por Orlando Senna, publicado anteriormente em blog Refletor, em 14/06/2013

Há indícios de que está surgindo no horizonte a ideia de um mercado comum audiovisual BRICs, um bloco de produção/difusão formado por Brasil, Rússia, Índia e China, lastreado no potencial de consumo de suas populações, que somam mais de três bilhões de pessoas. O assunto estaria sendo aventado em Brasília e em Pequim e, se andar, será um alvoroço no mercado mundial de cinema, TV, videogame e internet. 
É o século XXI se mexendo. Além de cogitações, também há fatos. No inicio de maio, Estados Unidos e China tiveram um embate relacionado com mercado cinematográfico. A China cobrou um imposto altíssimo pela exibição em seu território de Homem de Ferro 3. Os Estados Unidos têm direito a 25% da bilheteria de seus filmes exibidos na China e argumentam que todos os impostos já estão embutidos nos 75% que ficam nos cofres chineses. A China pretende aumentar ainda mais o imposto e não quer conversa, o que quer é diminuir cada vez mais a presença de Hollywood em suas telas.
Duas semanas depois os ministros de Cultura de 14 países da União Europeia pediram aos líderes políticos da zona do euro que excluam o setor cultural das negociações de livre comércio com os Estados Unidos, com a intenção de proteger a Europa da enxurrada de filmes e programas de TV made in USA. Ou seja, que os produtos culturais não podem obedecer às leis do mercado porque contêm valores imateriais não mensuráveis em uma contabilidade. As regras devem ser outras. O movimento é liderado por Alemanha e França e o assunto voltará (já esteve por lá uma vez) à OMC-Organização Mundial do Comércio.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Venezuela e Argentina firmam acordo para produzir conteúdos para TV digital

Da Agência Venezuelana de Notícias

El ministro del Poder Popular para la Comunicación e Información, Ernesto Villegas, firmó este miércoles un acuerdo con el ministro de Planificación argentino, Julio de Vido, con el objetivo de impulsar contenidos para la Televisión Digital Abierta (TDA).
La información la dio a conocer Villegas a través de cuenta en Twitter @VillegasPoljakE, en la cual colgó una foto junto a De Vido, acompañada del siguiente texto: "Ministros Julio De Vido (ARG) y Ernesto Villegas (VEN) firman instrumentos para impulsar contenidos de la TDA".
Argentina y Venezuela desarrollan proyectos de televisión digital abierta, razón por la cual ambos países se han propuesto intercambiar experiencias surgidas con la aplicación de este sistema.
En esta oportunidad, ambos países suscribieron un nuevo instrumento de cooperación para avanzar en el desarrollo de contenidos adaptados al formato digital.
La TDA es una política promovida por el Gobierno Bolivariano para que el pueblo venezolano pueda disfrutar de forma gratuita de una señal de televisión de calidad que hasta ahora sólo ofrecían servicios de TV por suscripción, indica la página web http://www.tdavenezuela.gob.ve
En este sitio web se señala que la TDA es un proyecto tecnológico, social y cultural que brinda una nueva forma de hacer y ver televisión en el país.

"El alcance va más allá de una mejor calidad en audio y video: además de ello, la TDA es instrumento para la participación del pueblo en la generación de contenidos educativos y culturales".

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Câmara discute marco legal para computação em nuvem

Fonte: Convergência Digital
Começou a tramitar na Câmara dos Deputados um primeiro passo para a regulamentação da computação em nuvem no Brasil. O objetivo, como defende o projeto, evitar o isolamento jurídico do país, notadamente na disputa pelo mercado de datacenters.
Nesse sentido, o PL 5344/2013, apresentado pelo deputado Ruy Carneiro (PSDB-PB), busca um patamar mínimo de segurança aos interessados em explorar essa atividade. Segundo ele, “o fato de no Brasil não existir um marco regulatório sobre nuvem computacional já está a prejudicar o país, que tem sido preterido por outros da América Latina para esses investimentos”.
Ao justificar a proposta, Carneiro sustenta que “o Brasil deve ambicionar ser um importante player na Nuvem Computacional a nível global” e que, para isso, “um ambiente regulatório adequado – que não isole o Brasil, mas que garanta segurança jurídica aos cidadãos, empresas e governo – é, atualmente, fundamental”. A proposta foi apresentada no fim de abril deste ano e ainda aguarda um primeiro parecer na Comissão de Defesa do Consumidor.
A ideia, assim, é definir direitos e deveres de cada parte, como ao definir que a reponsabilidade civil e penal do conteúdo colocado na “nuvem” é do depositante. já aquele que oferece o serviço garante a preservação dos dados, sob pena de indenizar o cliente “mediante devolução em dobro dos valores recebidos para o depósito nos últimos 12 meses anteriores à ocorrência”.
O projeto também prevê que ao fim do contrato, não pode o ofertante do serviço manter nenhum dado ou mesmo cópia do conteúdo que ficou sob sua responsabilidade. De forma semelhante, há previsões sobre o eventual tratamento dos dados por terceiros – o que é vedado a não ser que expresso de outra forma.
Copyright
Mas pelo menos um artigo do PL tem potencial para controvérsia: o que permite que ao ‘depositário’ reter o conteúdo armazenado. Uma das possibilidades previstas é via ordem judicial. Mas o texto também menciona “motivo razoável de suspeitar que o conteúdo do depósito foi dolosa e ilegalmente obtido em violação às leis de proteção de dados e propriedade intelectual”.
De outra parte, embora já busque adotar premissas como a “extraterritorialidade do armazenamento” ou o “caráter não geográfico do serviço”, o próprio texto indica a necessidade de outros instrumentos legais. Entre elas, “ações coordenadas entre países para diretrizes uniformes e comuns sobre a matéria”, ou especialmente uma lei que trate da proteção dos dados.
E, ainda, uma das premissas pode ‘importar’ uma disputa até aqui concentrada no Marco Civil da Internet. É que o projeto prevê a “garantia da neutralidade tecnológica e de rede”, sendo considerada a “não discriminação no processo de transmissão, empacotamento ou roteamento de informações em razão de conteúdo, origem, destino, serviço ou aplicativo ou qualquer outra forma, excetuado os casos previstos em lei ou normas”.

A mídia e revoada dos passaralhos


Por Camila Rodrigues, Bruno Fonseca, Luiza Bodenmüller e Natalia Viana, no sítio Pública:

O maior orgulho de Vera Saavedra Durão foi ver a filha virar jornalista. Isso porque ela própria, Vera, dedicou 35 anos à profissão, com a garra de quem cumpre uma missão. “Você quer que as informações sejam publicadas da melhor forma possível, que aquilo ali venha a público. A gente se entrega”, diz Vera. “Se minha filha seguiu o mesmo caminho é sinal de que ela viu valor nisso”.

A jornalista, hoje com 65 anos, abraçou a reportagem com a mesma paixão que lutou contra a ditadura, como militante da Vanguarda Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), onde foi companheira de Dilma Rousseff. Ficou dois anos na prisão; quando saiu, atuou como repórter de Economia nos então principais jornais do país – O Globo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Folha de S. Paulo.

Em 2000, fez parte da equipe que fundou o jornal Valor Econômico, onde ficou por 13 anos. “No início eu cobria muito tudo, o empenho era muito grande para manter o jornal, com furos, afinal ele precisava se firmar. A gente fazia muita coisa”, lembra Vera, que traz dessa época a lembrança de uma úlcera duodenal sangrante, que surgiu quando fazia uma cobertura particularmente tensa para o Valor. “Perdi dois litros de sangue, e eu nem sabia, até que caí desmaiada. Eu me alienei tanto naquela cobertura, me estressei muito”, conta a jornalista, respeitada por sua competência e dedicação pelos colegas e fontes.

No dia 24 de maio passado, Vera foi demitida sumariamente, junto com mais de 20 colegas do Valor, jornal que pertence ao Grupo Folha e às Organizações Globo. “Fui apanhada de surpresa, não podia imaginar que eu podia entrar numa lista negra, para ser cortada de uma maneira tão brusca”. A surpresa foi ainda maior porque acabara de vir à tona que ela fora alvo de espionagem da empresa Vale S.A., segundo denúncia de um ex-gerente de segurança, caso ainda investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Mas Vera, que estava de férias, nem chegou conversar com a direção do jornal sobre a denúncia. “O jornal não teve contato comigo sobre isso. Mandei email para a chefia para conversar sobre isso, mas acabou a gente não conversando porque eu fui demitida”, conta.

“Depois de 13 anos trabalhando para engrandecer o jornal achei que teria direito a um período sabático e não a uma demissão”, diz ela. “O meu raciocínio sobre os meus direitos era o da minha classe, que é a dos jornalistas, dos que ‘carregam o piano’, e não dos acionistas, donos do jornal, que querem ver o resultado imediato do nosso trabalho”. Vera lembra de uma fonte empresarial que lhe dissera, em 2005, que merecia um bônus já que por causa de uma série de reportagens suas, o Valor passou a ser lido no Japão. “Eu disse que jornalista não tinha bônus, só ônus”.

Enquanto Vera ainda tenta digerir a demissão na sua casa do Rio de Janeiro, a mil quilômetros dali Flávio José Cardoso, de 51 anos, atende clientes de um belo restaurante à beira mar na ponta de Sambaqui, em Florianópolis. Há quatro anos, ele escrevia os editoriais do jornal mais lido de Santa Catarina, o “Diário Catarinense”, com 40 mil exemplares diários. Hoje, é garçom.

A guinada em sua vida começou em 2010, quando mudou o editor-chefe do jornal. Ele deixou de ser editor de Opinião e foi “promovido” a subeditor de Geral, seção que inclui de polícia a comportamento. “Passei a editar também o caderno Mundo, sozinho. Depois de um tempo, me colocaram para escrever matérias especiais todos os dias”. Além das reportagens e da edição, ele passou a fazer a diagramação, montar tabelas, procurar fotos. Se antes trabalhava das 13h às 19h, passou a ficar no mínimo 12 horas dentro do jornal, todos os dias – e estava sempre atrasado. “O trabalho que estava fazendo era para ser resolvido por oito ou dez pessoas. Entrava às 13h e saía a 1h, 2h da manhã, todos os dias. Não parava para comer; comia um salgado, enquanto digitava”. Isso quando o editor não falava, em alto e bom som para todo mundo ouvir, coisas como “Eu já te expliquei isso. Uma pessoa com um neurônio entende”.

Flávio aguentou a situação por um ano. “Isso leva o indivíduo a um nível de estresse que ele começa a se achar incompetente para executar as tarefas que faz há 20 anos”. Durante esse período, teve lesões nos tendões das mãos e na córnea, porque usa lentes de contato e ficava muito tempo exposto ao computador e ao ar condicionado. “Quando voltei de licença por causa da lesão, o editor-chefe teve a cara de pau de dizer que eu inventei a doença!”. Entrou com um processo contra o Diário. Hoje, embora seja garçom, colabora com uma revista especializada em economia. E não largou o jornalismo – ainda.

As histórias de Vera e Flávio não são exceção entre os jornalistas brasileiros; o que é raro é algum deles vir a público denunciar essa situação. Acúmulo de tarefas, assédio moral, hora extra não-remunerada, insegurança sobre o próprio futuro são males que infestam a indústria das notícias no Brasil. Embora sejam fruto de decisões empresariais que já duram alguns anos, nos últimos meses a situação se agravou com diversos grandes cortes de pessoal – os chamados “passaralhos”.

Uma ave que acaba com tudo

Passaralho é um jargão agressivo para as demissões em massa nos meios de comunicação. Remete a pássaros, revoadas de algo que destrói tudo por onde passa. De março a maio de 2013, eles passaram sobre redações grandes como Estadão, Valor Econômico, Folha de S. Paulo e já sobrevoam a editora Abril, a maior do país, além de atingir a maioria dos jornalistas em redações menores, como Brasil Econômico e Caros Amigos. Isso, somente dentre as empresas sediadas na cidade de São Paulo. No estado inteiro houve demissões no jornal A Tribuna, o maior da região da Baixada Santista, e na Rede Anhanguera de Comunicações (RAC), que domina as regiões ao redor de Campinas, Ribeirão Preto e Piracicaba.

Considerando apenas os jornalistas registrados em carteira e somente na cidade de São Paulo, foram registradas 280 demissões homologadas de janeiro a abril desse ano, 37,9% a mais que no mesmo período de 2012, quando foram registradas 203 homologações por conta de demissões. Ou seja, tudo indica que 2013 será pior que o ano passado, quando mais de 1.230 jornalistas foram demitidos de redações no Brasil. Os motivos, em geral, foram “reestruturações”, que nada mais são que novas formas de organizar o trabalho usando menos pessoas e mais tecnologia.

“É um ponto fora da curva”, diz Paulo Totti, que, com quase 60 anos de jornalismo, também foi vítima do corte no Valor. Totti usa a expressão para explicar que, na indústria do jornalismo, os trabalhadores mais experientes são descartados facilmente e substituído por recém-formados – o oposto do que acontece em outras áreas. “Em nenhum outro ramo da economia se vê atitudes semelhantes. Os administradores têm a preocupação de manter a sua mão-de-obra qualificada”, diz Paulo, que sempre cobriu economia, e com excelência. Em 2006 foi vencedor Prêmio Esso, o mais respeitado do jornalismo brasileiro, com uma série sobre a economia chinesa. Meses antes de ser demitido, havia se oferecido para fazer oficinas com cada uma das editorias do Valor, para ajudá-las a melhorar a qualidade dos textos. “Há, claro, uma certa surpresa, já que a demissão não decorre de uma maior ou menor dedicação ao trabalho. Mesmo um jovem fica meio intranquilo quanto ao seu futuro. Pior: se o cara desempenhar bem suas funções, ele pode ter um aumento de salário, e esse aumento causa a sua demissão”.

Aonde os donos de jornais querem chegar?

Paulo Totti, que no momento considera a única opção que lhe foi dada pelo jornal – virar colaborador freelancer – compartilha um receio que se espalha nas redações com a mesma rapidez que o voo dos passaralhos. “Temo que isso esvazie o conteúdo do jornal. E esse é o sentimento de todo corpo de gente que integra o setor redação em todos os jornais brasileiros”, explica ele. “Não sabemos bem aonde os donos dos jornais querem chegar. A decisão no Valor, por exemplo, partiu da pressão de pessoas que integram o conselho administrativo do jornal, representantes dos acionistas. Nenhum deles tem no seu currículo alguma passagem pelo jornalismo”.

Os cortes de pessoal se devem a um investimento milionário em um serviço de informações financeiras em tempo real, o Valor Pro. Esse investimento começou a ser feito há cerca de três anos, quando os funcionários foram avisados que a redação seria unificada. “Fomos avisados de que nos dois anos seguintes ninguém teria aumento salarial. Ao mesmo tempo, todos teriam que escrever para as três plataformas: tempo real, site e impresso”, diz um jornalista que sobreviveu ao último corte no jornal e que prefere não se identificar. Segundo o repórter, o clima da redação está ruim; além do trauma provocado pelas demissões, sobrou excesso de trabalho para todos. “O site, que antes era cuidado por cada editoria, agora é alimentado por pessoas de um ‘mesão’ digital, que não tem muita familiaridade com alguns assuntos. No impresso, a cada dia está uma briga por espaço e o número de páginas está sendo reduzido”.

Também a Folha de S Paulo anunciou uma reestruturação na última semana, com o fim do caderno “Equilíbrio” e o reagrupamento de outros cadernos em três núcleos de produção. O número de jornalistas demitidos foi de 24. A direção comunicou à ombundsman, Suzana Singer, que “as redações do futuro deverão ser cada vez mais enxutas, assim como o produto impresso”. Entre os demitidos estão nomes do porte de Andreza Matais, ganhadora do Prêmio Esso de jornalismo 2011 pela série que demonstrou o enriquecimento do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci. “Aos que acreditam que o jornalismo de qualidade faz bem à democracia resta torcer para que a travessia dê certo”, resumiu Suzana Singer, em artigo na Folha.

A Pública falou com um dos jornalistas cortados do Grupo Folha, da área de cultura, que pediu para não ser identificado. “Ao chegar à redação um dos colegas comentou que haveria corte e, cerca de 20 minutos depois, fui chamado para ser avisado de que seria desligado da empresa. A justificativa? Corte de gastos. Tinham de ter uma meta x de gastos, e a minha saída ajudaria a atingir tal meta”.

“Eu tenho pena de quem ficou e de quem está entrando no jornalismo”, diz, com certa serenidade, o repórter fotográfico Lula Marques, premiado jornalista da sucursal de Brasília da Folha de S. Paulo. No dia 1º de abril, ele acordou comemorando o aniversário de 26 anos de jornal. À tarde, foi comunicado que estava demitido. “Me falaram que eu estava ganhando muito, mais que o editor de fotografia de São Paulo, que meu nome estava na lista há dois anos e que não dava mais para me segurar na empresa”. Desde novembro de 2011 – quando a empresa cortou 10% dos seus jornalistas – os cortes, discretos e sem alardes, são constantes na Folha. Tanto, que Lula diz que já estava preparado. “Saí com um equilíbrio emocional bom, porque já estava me preparando para isso. Nos últimos dois anos, as pessoas que estavam com o salário lá no alto foram todas embora. Sabia que um dia ia chegar minha vez”.
Tensão na Abril

Era sexta-feira, dia 7 de junho, quase no final do expediente, e o clima no prédio da editora Abril S.A, zona oeste de São Paulo, estava pesado por conta dos rumores de um grande corte, previsto desde a morte do presidente do grupo, Roberto Civita, em 26 de maio. “Olha, está muito tenso e é uma tensão diferente. Eu já vivi outras demissões coletivas, mas antes era assim: os diretores das redações estavam plenamente por dentro de quantas pessoas deveriam ser cortadas de cada revista, enquanto os ‘peões’ estavam morrendo de medo. Agora não, ninguém sabe de nada direito, nem os diretores”, disse à Pública uma jornalista, que também pediu não ser identificada por medo de represálias.

Pouco depois, seis executivos foram demitidos, junto ao anúncio de que o grupo passaria por uma “reestruturação”, com agrupamento de unidades de negócios, reduzidas de dez para cinco. O objetivo, segundo a empresa, era a “racionalização dos recursos”. Há boatos de que 11 revistas deixarão de circular – entre elas nomes lendários como Playboy, Capricho e Contigo. É a senha para o passaralho. “Deve acontecer na próxima semana”, diz a mesma jornalista. “Eu acho que, se na semana que vem já anunciarem qual revista vai ser cortada, o clima vai melhorar. Não saber o que vai acontecer que é estranho. A gente faz piada o tempo todo, tipo, estou me matando pra fazer esse editorial de moda e se a revista acabar amanhã…”

“Entre os jornalistas, nesse momento o clima é de intranquilidade aguda”, diz Paulo Zocchi, diretor jurídico do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e que trabalha na redação da revista Quatro Rodas, da editora Abril. “Tá todo mundo morrendo de medo. Na minha redação, que é de uma faixa etária um pouco mais velha, tá todo mundo falando: ‘vamos ver se segunda-feira vamos estar aqui’”. A jornada dupla de Paulo – na revista e no sindicato – está ainda mais atribulada desde as últimas demissões. Toda vez que corre um boato de demissão, o sindicato é acionado, e pede uma reunião de emergência na empresa, para negociar.

Foi o que aconteceu em abril, na negociação com o Estado de São Paulo – de desfecho inesperado. O Estadão anunciara a redução da quantidade de cadernos diários para apenas 3, a extinção do caderno Link, sobre tecnologia, e do caderno de Negócios. Ao mesmo tempo, passou a privilegiar as plataformas digitais, com o lançamento do novo aplicativo do Estadão, adaptável a qualquer dispositivo móvel. Segundo conta Paulo Zocchi, na quinta-feira, dia 4 de abril, ele recebeu uma ligação avisando sobre boatos de demissão em massa no Estadão. “Hoje, a redação tem 250 jornalistas. O boato era de que 100 seriam demitidos na segunda ou na terça-feira da semana seguinte”. O sindicato solicitou uma reunião de emergência com a direção do Estadão, mas o jornal não respondeu e começou a demitir já no dia seguinte, sexta-feira. No total, foram 31 demitidos.

“Na sexta-feira, 12 de abril, fizemos uma assembleia na empresa, e desceram 90 pessoas. O objetivo era reverter todas as demissões. Até que uma das trabalhadoras demitidas disse que não queria ser reintegrada”, lembra ele, revelando sua surpresa. No fim da assembleia, em que estavam 14 dos 31 demitidos, nenhum deles queria voltar a trabalhar no Estadão. “As pessoas se sentiram descartadas, afetadas emocionalmente de uma forma tal que elas não queriam voltar”.

Um dos demitidos, repórter com cerca de cinco anos de profissão, não disfarça sua revolta. Segundo ele, os rumores de cortes eram constantes no jornal, espalhando um “clima de terrorismo”: “O jornal esperava que os jornalistas continuassem a manter a quantidade e a qualidade de trabalho com menos pessoas, impossível. Jornalistas acumularam funções e a qualidade, como os leitores puderem observar, caiu”. Ao ser demitido, ele foi procurado por um dos diretores, “para deixar claro que eu não estou sendo demitido pela sua falta de competência, que é uma questão de corte de gastos”, lembra. “Querem que você não se revolte e não sai baixo astral, que saia feliz e tranquilo. Te apoiam, mas dizem: ‘vai lá’”.

Como a maioria dos jornalistas demitidos, ele prefere não se identificar publicamente. Quase nenhum dos entrevistados, principalmente os mais novos, quiseram se expor. “Sabe como é, o mercado é muito pequeno e eu posso ter dificuldade para conseguir trabalho”, diz um deles.

Do Sul ao Norte do Brasil

Na ilha de Santa Catarina, o nome do passaralho é mais poético: chamam de “barca”, como aquela, dirigida por Caronte, que levava as almas ao inferno, ou Hades, na mitologia grega. A última barca do Diário Catarinense, o maior jornal do Estado, aconteceu no dia 21 de março e levou cerca de 20 profissionais da redação. Poucas pessoas souberam. A divulgação mais ruidosa do caso foi um e-mail do jornalista Célio Klein anunciando, aliviado, sua demissão após 25 anos de casa. Nela, ele se diz alegre por ter saído do jornal, mas expressa “profundo pesar pela situação”: “É muito grave e difícil não se ver outra saída que não a de abrir mão do trabalho do qual se gosta e ao qual se dedicou a maior parte da vida”. A carta prossegue: “Em uma empresa de comunicação, questionar, alimento do jornalismo, não é permitido. Em uma empresa de comunicação que tem a educação como bandeira, que implica justamente pensar de forma autônoma, pensar não é permitido. Em uma empresa de comunicação que exalta a democracia, vende a diversidade de opiniões, a participação dos leitores como case de ação, de sucesso, divergir não é permitido”.

Semanas depois, em abril, o jornal “A Crítica”, no Amazonas – um veículo da RCC (Rede Calderaro de Comunicação), que tem filiadas à Rede TV!, ao SBT e à Record. – demitiu aproximadamente 15 pessoas, entre repórteres, editores e fotógrafos do jornal impresso e do site. A repórter especial Elaíze Farias, vencedora do prêmio Imprensa Embratel 2013, foi uma das cortadas. “A justificativa oficial é de que o jornal acabou com esse cargo”, diz ela. “Não sei quais foram os critérios”.

Com quase 20 anos de experiência, Elaíze dedicou metade deste período a produções de reportagens sobre questões sociais e ambientais da região. Ela lembra de uma das últimas reportagens que fez, sobre um casal de índios matis que estava sendo acusado de tentar cometer ‘infanticídio’ contra seu filho doente em Manaus – o que foi completamente desmentido por eles. “Para conseguir entrevistar este casal, me desloquei de lancha pelo rio Solimões (uma hora) de Tabatinga até outro município, Benjamin Constant, e dali peguei um táxi-lotação (meia hora), viajando pela estrada até Atalaia do Norte, onde os índios matis estavam. Fiz o retorno de carona, na moto de um indígena, porque não havia mais táxi disponível entre Atalaia e Benjamin, até novamente voltar a Tabatinga. E precisava chegar antes das cinco da tarde, pois as lanchas que fazem a travessia do rio em Benjamin operam até neste horário. Ou seja, foi um gasto extra que precisei utilizar. Depois de uma jornada de oito dias, voltei a Manaus. Bom, é assim que se faz jornalismo na Amazônia”.

Para ela a maior preocupação é ter que deixar de realizar reportagens como essa. “Fiquei muito frustrada por, após a minha saída, estes temas terem ficado parados, na minha própria gaveta de pautas. Elas continuam guardadas, para quando eu tiver algum espaço e logística para viabilizar”.

Sobre o silêncio que cerca as demissões, Elaíze diz: “No geral, a notícia das demissões ficaram restritas ao boca-a-boca e às redes sociais – eu, por exemplo, fiz um comunicado pelo Facebook e por e-mail aos meus amigos, companheiros de luta, organizações sociais e fontes”, comenta. “Hoje se fala muito nas crises dos jornais impressos e na sua dificuldade de se adaptar aos novos tempos e às notícias publicadas nos portais de internet. O enigma é: a mídia vai se conseguir se reinventar, se ressignificar, para continuar sobrevivendo? Cabe a todos nós, os que estão dentro e os que estão fora das redações, passar a refletir”, acredita.

Para o pesquisador José Roberto Heloani, da FGV, a esperança é a de que os jornalistas comecem a ter maior consciência e maior interesse nessas questões. “É isso que chamo de luz no fim do túnel. E isso vai fazer com que as pessoas comecem a perceber que a saída não é individual. A saída é coletiva”. Neste ano, em São Paulo, houve pelo menos quatro casos de organização de jornalistas contra demissões: “O Vale” e “Bom Dia”, de São José dos Campos; do “Jornal da Cidade de Jundiaí”; do “Brasil Econômico”; e a dramática greve da pequena redação de “Caros Amigos”, que se autodenomina “a primeira à esquerda” que terminou com demissões e ações na Justiça (veja box).

O jornalista Audálio Dantas, que presidiu o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo na época do assassinato de Vladimir Herzog e foi o primeiro presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, tem uma avaliação mais pessimista. “Por mais que se lute, o panorama dos meios de comunicação concentrado em poucas mãos contribui para que as lutas sejam enfraquecidas”, diz Audálio, que considera a regulação da propriedade dos meios de comunicação essencial no debate sobre o futuro da profissão: “Há a necessidade de se regular, porque nós temos esse fenômeno: o sujeito faz o trabalho para o veículo impresso, a empresa faz uma adaptação do mesmo texto e o trabalho de um profissional é aproveitado em quatro meios”.

Nesse cenário, ele diz, não há mais distinção entre bons profissionais e medianos. “Antes os grandes jornais tinham esses cuidados de preservar os bons jornalistas. Hoje, não se distingue os profissionais e vão todos no mesmo diapasão”, observa Dantas, que identifica um ciclo vicioso para a profissão: para aproveitar o rendimento máximo – em termos quantitativos – as empresas mantêm o jornalista dentro da redação, fazendo matérias por telefone e por e-mail, o que resulta em um número maior de matérias, mas de pior qualidade. “A grande vítima, depois do jornalista, é a apuração. A qualidade da informação, que é o que garante historicamente a credibilidade, está prejudicada”.

Para os mais jovens, porém, a sensação é de que as mudanças são ainda mais profundas, como diz o jovem profissional, recém demitido do Estadão: “A justificativa [de cortes de papel e demissões] é a financeira. Se você acompanha o jornal, deve ter percebido que as editorias enxugaram, algumas sumiram… O jornal inteiro ficou menor. A sensação, dentro e fora da redação é de que o jornal está apenas adiando o seu fim”.

sábado, 8 de junho de 2013

[Veja os vídeos] Qual o papel das mídias públicas na América Latina?

Este blog república aqui a série de depoimentos em vídeos, distribuídos pela agencia de notícias argentina Paco Urondo, sobre o papel que os meios de comunicação públicos devem desempenhar na América Latina. 
Ao todo, são oito depoimentos colhidos, por Nahuel Placanica I da Agencia Paco Urondo, em Buenos Aires, entre os dias 6 e 7 de junho, por ocasião do II Encontro de Televisões Públicas da América Latina. 
Todos eles em espanhol, mas de fácil compreensão, alguns contam com a transcrição por escrito.

Confira abaixo:
  • Venezuela: "Canal Vive - Nasce con la tarea de visibilisar a los excluidos de la TV" = el vicepresidente de Gestión Productiva del canal Vive, Sergio Arria Bohórquez, habló sobre la experiencia audiovisual y acerca de las nuevos proyectos que tienen previsto desarrollar. "Vive es el canal de la agenda del Pueblo, del Poder Popular", destacó. 




¿Cómo surge la experiencia del canal?
Sergio Arria Bohórquez: Vive fue una instrucción del comandante Chávez. En el año 2002, sufrimos el golpe de Estado orquestado por la oligarquía económica y los medios privados. A partir de ahí, se planteó que era necesario que el Pueblo fuera visibilizado. Visibilizamos a los tradicionalmente excluidos de la televisión. Buscamos cómo construir con ellos ese nuevo discurso, esa nueva imagen.
Hoy tenemos el canal regionalizado, es el único canal del país con siete sedes regionales; estamos en una nueva etapa creando una red de canales regionales, donde los colectivos tienen espacios y franjas horarias; vamos a lanzar ALBA TV, algo parecido a Vive pero a nivel latinoamericano; tenemos una señal infantil similar a Paka Paka que se llama “1,2,3 TV”, con contenidos hechos en Venezuela. Es una trinchera frente a los canales infantiles privados
¿Qué diferencia a Vive de VTV?
Sergio Arria Bohórquez: VTV es el canal de la batalla informativa. Responde y desmonta los ataques de la televisión de la derecha. Vive es el canal de la agenda del Pueblo, muestra esa Venezuela que se está construyendo. Es la nueva manera de vernos hacia el socialismo. Acompañamos al poder popular en el debate de cómo ir asumiendo el Poder, porque la Revolución Bolivariana se trata de la transferencia del Poder al Pueblo.
Imagino que tienen una relación muy estrecha con los movimientos sociales.
Sergio Arria Bohórquez: Completamente, con todos los movimiento de todo el país y con los medios comunitarios. Tenemos la señal Vive Andes en San Cristóbal. Allí desarrollamos un noticiero regional con un informativo con notas que envían los periodistas de Vive y con las noticias que envían los medios comunitarios.

  • Venezuela: Nuestros pueblos han tomado el poder”: Edgar Padrón, titular de Venezolana de Televisión, participó del segundo encuentro de medios públicos de la región. En este reportaje, habla sobre la comunicación pública en Venezuela y las nuevas redes sociales.




¿Cómo estás viendo el encuentro?
EP: Es una muestra de que nuestros Pueblos han irrumpido en el Poder y están haciendo la política. Es el nuevo mundo, la construcción de una sociedad más justa e igualitaria.  Si no avanzamos unidos nos encontrarán vencidos. Este encuentro viene a reafirmar el camino decidido por los latinoamericanos. Estamos llamados a seguir por el camino de los libertadores.
¿Cuál es el rol de la televisión pública a nivel regional y en el caso particular de Venezuela?
EP: En Venezuela, la regionalización de la televisión pública genera una proximidad del usuario con el hecho político. Puede saber lo que pasa en su comunidad. La televisión regional tiene su propia manera de comunicar, tiene sus propios significantes, su propios lenguaje, una conexión directa con los que la hacen, que son los que la ven.
¿Cómo es el diálogo con los movimientos sociales desde la televisión pública?
EP: Debe ser una relación franca y directa. La televisión tiene que ser una canal para la voz organizada del Pueblo.
Un tema sobre el que insististe en la mesa fue el de las llamadas redes sociales, ¿Qué papel les asignas?
EP: Las mal llamadas “redes sociales”. Me resulta difícil llamarlas de esa forma, porque sino una asociación de vecinos qué será. Son nuevos empaques para comunicarse, no debemos darle la espalda. Tenemos que poseerlos, generar nosotros las nociones que se conviertan en significantes en cada uno que los usa. No podemos permitir que nuestra juventud permanezca desmovilizada y despolitizada.
¿Cuáles serían los desafíos de las televisoras públicas de la región hacia adelante?
EP: Encontrar espacios en los que la tecnología pueda ser el puente de encuentro pero que sean los contenidos los que generen el cambio hacia el hombre nuevo.
  • Argentina: "Se están dando pasos fundamentales",así lo aseguró el presidente de Radio y Televisión Argentina, Tristán Bauer, durante la jornada Mirá lo que dijo.

  • Argentina: "El debate sobre la concentracioón mediática se da en muchos países de la région": así lo aseguró el titular de la Autoridad Federal de Servicios de Comunicación Audiovisual(AFSCA), Martín Sabbatella. "Brasil, Ecuador, Uruguay, Bolivia están discutiendo leyes sobre los medios", describió




  • Argentina: “Hay que construir una audiencia para las pantallas públicas”: Esteban Falcón, presidente de los Servicios de Radio y Televisión de Córdoba. En esta entrevista, realiza un balance de la evolución del proyecto.


Los servicios de radio y televisión de la UNC están compuestos por: un canal de aire, Canal 10; una señal de noticias 24 horas que está en la televisión digital; una radio AM, una FM; un portal informativo que está en la web.
¿Cómo fue evolucionando el proyecto?
Esteban Falcón: Vivimos un momento imposible de imaginar años atrás. Tenemos un proceso de inversión tecnológica, de producción local y de propuestas de co-producción.  Los medios públicos universitarios estaban muy deteriorados y a partir de 2005 se genera un quiebre. Dentro de un paradigma legislativo nuevo y con la televisión digital, estamos viviendo una primavera como medio público.
¿Qué respuestas han obtenido del público?
Esteban Falcón: Así como hay que reconstruir los medios públicos, hay que construir una audiencia para esas pantallas. Nosotros volvimos a re-posicionar nuestra AM, el portal crece en visitas y en canal se mantiene en un tercer puesto cómodo.
¿Cómo piensan el desafío hacia adelante?
Esteban Falcón: Resolver el cuadro de déficit crónico. La posibilidad de contar con financiamiento de sostener el crecimiento y tener una mayor penetración posible. Falta mucho pero viendo el camino transcurrido, las perspectivas son prometedoras.
¿Cómo es esto de una producción local compitiendo con producciones nacionales e incluso internacionales?
Esteban Falcón: No es fácil pero hay que acostumbrar a las audiencias a tener opciones locales. Para eso tienen que ser entretenidas, de calidad y espejo del lugar que comunicamos.

  • Argentina: “Creamos pantallas públicas que se parecen a sua pueblos” María Rosenfeldt, directora de Canal Encuentro, realiza un balance de la experiencia del canal y responde a algunas de las críticas que algunos sectores expresaron contra la programación.



    ¿Qué balance haces de la experiencia de Canal Encuentro?
    María Rosenfeldt: Se volvió referente, marcó una nueva manera de hacer televisión pública, diciendo que lo público podía ser de calidad. Encuentro se propone ciertos valores que en la televisión comercial no están: ser plurales, ser diversos, poner en cuestión, abrir,  mostrar paisajes y rostros que nunca fueron puestos en pantalla, hablar de multimedia, lo federal.  Todos valores que tenemos presentes.
    La modalidad de producción abre el espacio a productoras y centros audiovisuales de todo el país que tienen así un lugar donde llevar sus producciones.
    El logro de una televisión pública es que la gente se apropie de ella y la vea como suya. Que así como tenemos presidentes que se parecen a sus Pueblos, tener pantallas públicas que se parezcan a sus Pueblos.
    El canal se convirtió en referente. Eso es un orgullo y un desafío de hablar de multiplataformas y de qué es lo público. Es una responsabilidad ser referente y estamos siempre construyendo para llegar a más personas, tener diálogo con la audiencia, ser parte de procesos de enseñanza, en ese estamos.
    ¿Cuáles son los desafíos hacia adelante?
    María Rosenfeldt: El desafío es buscar nuevas narrativas, buscar co-producciones, narrarnos como argentinos y latinoamericanos, instalar nuevas imágenes de nuestra historia, narrar lo que queda, ver los procesos de la tecnología….de todo, mucho. Estar atentos a seguir siendo referencia.
    Cuando apareció el canal, aparecieron resistencias que trataban de instalar la idea de cierta mirada sesgada de las cosas. A esta altura del proyecto, ¿Qué dirías?
    María Rosenfeldt: Había una idea muy instalada de qué era lo público y el desafío del canal era romperla.  Hay gente que prefiere juzgarlo porque como es público lo asocia al gobierno. El canal pone varias miradas sobre las mismas cosas. Tratamos de verlas más allá de la coyuntura y tener una mirada más amplia.
    Obviamente hay una lucha política. El canal estaba en el aire y ningún cable operador lo bajaba. Néstor Kirchner hizo una negociación obligada y logró que Clarín acceda a que Multicanal ponga Encuentro entre los primeros canales de su grilla.
    La lucha sigue porque tenemos Paka Paka que no se puede ver. Nuestros niños y niñas no pueden acceder a un canal que tiene que ver con lo que ellos son, y sí tienen siete canales para niños que vienen de Estados Unidos y que muchas veces los ven como consumidores.
  • Bolívia: "El rol es el de defender al Estado, las culturas y los procesos latinoamericanos" Gustavo Portocarrero, director de Bolivia TV. 



¿Cuál es el rol de las televisoras públicas en cada país?
Gustavo Portocarrero: El de defender al Estado, las culturas y los procesos latinoamericanos. Además, tenemos formas nuevas de contar, nuevas narrativas, nuevas dramaturgias e historias nuevas para el mundo. Nadie quiere eliminar al otro, lo que necesitamos es complementarnos pero con soberanía.
Siendo Bolivia un Estado Plurinacional, ¿Qué particularidades a la hora de trabajar?
Gustavo Portocarrero: Es complejo porque son 36 Naciones, son 36 idiomas, y hay que restaurar muchos de ellos, recopilando información. Hay Naciones que han estado muy abandonadas, no había electricidad ni servicios. Ahora hay nuevos servicios, hay un proceso en ese sentido, de recopilar todas esas historias.
Una de las cosas que destacaste fue la recuperación del archivo de imagen destruido durante gobiernos de facto… 

Gustavo Portocarrero: Se han robado la mayor parte de imágenes y sonidos de las comunidades. Lo importante es construir ese sujeto histórico, político y cultural.


  • México: "Hay que resolver la ecuación entre contenido y atractivo": Gabriel Torres, director de Canal 44 UDG-México, habló sobre los medios públicos mexicanos y los nuevos desafíos en el campo de la comunicación audiovisual pública. "No hemos logrado ser canales de alto impacto a pesar de que producimos excelentes contenidos", subrayó.





¿Qué destaca del encuentro?

Gabriel Torres: Una de las mesas de la que me tocó participar habló sobre la importancia de las tecnologías como factor de integración. Eso nos lleva a la reflexión, no sólo del impacto que están teniendo los nuevos medios de comunicación en la manera de producir y consumir televisión, sino también en los nuevos formatos de contenidos.
Los jóvenes no están siendo igualmente receptivos a la pantalla chica sino que se están informando en forma instantánea, antes de ver el periódico o la televisión. Esto transforma nuestras maneras de programar y producir contenidos audiovisuales.

¿Cuál es el rol de los medios públicos?

Gabriel Torres: Tiene que resolver la ecuación entre contenido y atractivo para las audiencias. El gran dilema, que no todos reconocemos, es que resulta aburrida para un grueso muy amplio de la población. No hemos logrado ser canales de alto impacto aunque producimos excelentes contenidos. No tiene sentido destinar recursos a un televisión que no logra la atención de los televidentes. La tele pública tiene que construir sus propias audiencias.
A muchos les levanta urticaria el tema del rating. Creo que lo que no se mide, no se pude mejorar. Hay que saber cómo responden los sectores de la sociedad en los distintos horarios, quizás hi tenemos un problema para llegar a mayor número de televidentes.

Se vuelve difícil así la competencia con los canales privados.

GT: Se vuelve difícil porque etiquetamos todo lo que hacen los medios privados como negativo y no es así. Hay muchas herramientas y experiencias para considerar y analizar. La televisión pública debe insistir en los contenidos pero deben ir de la mano del incremento de la audiencia.

¿Qué medios públicos existen en México?

GT: Somos más de 37 televisoras públicas. Estamos agrupados en una red de radiodifusoras y televisoras públicas de México. Está por ejemplo, el canal 22, que es el canal público más poderoso de México.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Programa da Rádio Senado quer provar que Jornalista também dá samba


A Rádio Senado apresenta nos finais de semana o programa “Eu quero um samba”, que traz uma seleção musical dos sambas preferidos de jornalistas, escritores, compositores e gente que entende de letra e gosta desse som tão brasileiro.
Todos os sábados, ao meio dia, com reprise aos domingos, à uma da tarde, o “Eu quero um samba” recebe dois convidados, que separam para os ouvintes três músicas que eles consideram especiais em sua vida.
O programa, produzido e apresentado por Fernanda Nardelli e George Cardim,  estreou no dia 25 de maio com a participação dos jornalistas Giuliana Morrone, da Rede Globo de Televisão, e José Carlos Vieira, editor do caderno Diversão e Arte e titular da coluna “Fala, Zé”, no Correio Braziliense. Na edição seguinte, participaram o presidente do Clube do Choro, Reco do Bandolim, e o colunista de O Globo Ilimar Franco.
No “Eu quero um samba” deste final de semana, vamos conhecer as músicas que encantam a jornalista da revista Veja Brasília Lilian Tahan e o escritor Ivan Sant´anna, autor do best-seller “Caixa Preta”.
Com uma lista eclética, os convidados colocam lado a lado bambas como Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Seu Jorge, Dona Ivone Lara, Martinho da Vila, Jacó do Bandolim, Cartola e Novos Baianos.
E você? Também quer um samba? Então, fique ligado! A Rádio Senado pode ser sintonizada em Brasília (91,7 MHz), Natal (106,9 MHz), Cuiabá (102,5 MHz), Fortaleza (103,3 MHz), Rio Branco (100,9 MHz), Manaus (106,9 MHz) e Teresina (104,5 MHz). O programa também está disponível na internet no endereço www.senado.leg.br/radio.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Brasília tem o Dia do Blogueiro


A Lei 5.040, de 25 de fevereiro de 2013 criou no Distrito Federal o Dia do Blogueiro. A data será celebrada nesta sexta-feira na Câmara Legislativa de Brasília que receberá os blogueiros da cidade para uma Sessão Solene, que homenageará os talentos da mídia eletrônica.
O evento será às 15h, no Plenário e será aberto a todos que atuam nas mídias eletrônicas (blogueiros, editores de sites, portais, etc). Todos os comunicadores digitais estão convidados para comemorar esta data destaque no calendário da capital.
Essa é uma ação que valoriza nós comunicadores das mídias eletrônicas e ao mesmo tempo abre um diálogo do legislativo com os blogs. É uma grande oportunidade para cobrarmos mais apoio a esta categoria que tem ganhado destaque”, afirma o jornalista e coordenador geral da Associação Digital dos Blogueiros de Brasília – Eldo Gomes.
Há anos, Brasília tem se mostrado destaque no cenário de comunicadores na internet. A categoria que comanda as mídias eletrônicas se destaca em eventos, prêmios, ações, etc. A cidade tem sites e blogs na área de política, cultura, moda, gastronomia, eventos, sociedade – etc. 
Brasília está em primeiro lugar nesse ranking e por isso os blogs da cidade ganham tanto destaque neste cenário de mídias eletrônicas. O número total de internautas no Brasil – em qualquer ambiente (domicílio, trabalho, escolas, Lan Houses ou outros locais) atingiu 79,9 milhões no quarto trimestre de 2011, segundo o Ibope Nielsen Online.