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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Vida de desempregado, por Ricardo Kotscho


Então, não tem outro jeito: depois de uma breve folga na Semana da Criança para curtir os netos na praia, comunico à praça que estou de volta ao mercado, como se diz. Qualquer trabalho honesto na minha área me interessa.

De uma hora para outra, os telefones param de tocar.
Ligam apenas alguns velhos amigos para perguntar o que aconteceu e dar um abraço.
Também rareiam as mensagens no correio eletrônico.
É como se você tivesse sido desligado do mundo: te tiraram da tomada, sem aviso prévio.
Estou desempregado pela primeira vez na vida, desde que comecei a trabalhar em jornalismo, com 16 anos.
Hoje faz uma semana que acordo de manhã sem ter o que fazer.
Não há mais anotações na agenda, nenhum compromisso.
É uma sensação muito estranha, de vazio absoluto.
Você descobre que o trabalho não é só teu ganha-pão para pagar as contas no final do mês.
No meu caso, sempre foi a própria razão de viver, minha ligação com o mundo.
Escrever para contar e comentar o que está acontecendo é a única coisa que aprendi a fazer.
Desde o meu primeiro emprego, nunca tinha sido demitido.
Foi uma paulada que não esperava, agora que estou próximo de completar 70 anos, com mais de 50 de carreira.
Nem sei por onde começar a procurar um trabalho novo.
Ao contrário da maioria dos outros 13 milhões de brasileiros sem trabalho, nem adianta distribuir meu currículo porque sou tão antigo que os possíveis empregadores já me conhecem.
O mar mercado, como sabemos, não está para peixe.
O fato de ser um profissional reconhecido e respeitado, que já trabalhou nas maiores empresas de comunicação do país, de repórter a diretor de redação, não é garantia de nada.
Enquanto a maioria das empresas do ramo reduz salários ou passa o facão sem olhar em quem, o mercado em geral busca mão de obra barata para substituir os que ganhavam salários melhores.
Esta é a realidade, e é com ela que precisamos lidar.
Para não me ver parado, minha filha Mariana Kotscho, também jornalista já veterana, abriu espaço em seu Facebook para publicar o que eu tiver vontade de escrever, enquanto monta uma plataforma independente para o meu blog, o Balaio do Kotscho, que está no ar desde 2008. Ela também criou aqui no Facebook uma página para o Balaio do Kotscho, assim já tenho onde publicar o que escrevo enquanto o site está “em construção”.
Já temos até endereço novo em casa própria: www.balaiodokotscho.com.brMinha filha caçula, a roteirista Carolina Kotscho, que está estreando o Musical “2 Filhos de Francisco”, já falou com a mãe para nos ajudar no que for preciso.
Por enquanto, é o que temos.
Sempre fui empregado, nunca tive negócios ou outras rendas fora do salário.
O que ganho de aposentadoria do INSS mal dá para pagar o plano de saúde.
Então, não tem outro jeito: depois de uma breve folga na Semana da Criança para curtir os netos na praia, comunico à praça que estou de volta ao mercado, como se diz.
Qualquer trabalho honesto na minha área me interessa.
Se alguém estiver interessado em patrocinar meu novo site, é só entrar em contato com minha empresária Mariana Kotscho.
Bom feriadão pra todos.


Vida que segue.
Abraços,

Ricardo Kotscho

domingo, 11 de janeiro de 2015

Imprensa: demissões em massa de jornalistas nas redações brasileiras

 
O ano de 2015 começa com péssimas notícias para o jornalismo brasileiro. Uma nova onda de demissões de profissionais se espalha pelas redações dos grandes e pequenos veículos de comunicação de vários Estados, e mais uma vez deixa toda a categoria e suas entidades sindicais indignadas e a postos para lutar pelos direitos dos trabalhadores e em defesa do Jornalismo.

Os patrões se eximem de qualquer responsabilidade social pelas crises que eles próprios vêm fomentando e pensam menos ainda na qualidade do Jornalismo que têm a função de oferecer à sociedade."

No Rio de Janeiro, o jornal O Globo, na quinta-feira (8), demitiu cerca de 160 funcionários, entre eles, 30 jornalistas. As baixas na redação do jornal atingiram repórteres e diagramadores. Os cortes indiscriminados foram de profissionais com pouco tempo de casa até aos mais antigos, vários premiados nacionalmente.
Como motivação para as demissões, o jornal alega que é uma medida de otimização, após a revisão dos processos da empresa e de reestruturação. Mesmo sem confirmação oficial, segundo notícias veiculadas em sites jornalísticos, a previsão é de fechamento de alguns cadernos e suplementos.

Em Minas Gerais, o jornal O Estado de Minas cortou de seus quadros 11 funcionários da redação e do setor administrativo da empresa. Entre os jornalistas: repórteres, fotógrafos, editores, ilustrador e secretária de redação. A alegação é a crise financeira do Grupo Diários Associados, proprietário do impresso.

No interior de São Paulo, desde o início de janeiro, já foram desligados mais de 30 profissionais dos jornais das cidades de Catanduva, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Votuporanga. Só a sucursal da Folha de São Paulo de Ribeirão Preto dispensou oito jornalistas.

No Espírito Santo, na terça-feira (6), a TV Capixaba, afiliada da Rede Bandeirantes no Estado, desligou cinco jornalistas, nove radialistas, além de pessoal administrativo, e reduziu o tempo do telejornal da noite.

A desculpa para a maioria das demissões é sempre a mesma: economia de gastos e corte de pessoal. “Infelizmente, o jornalismo de qualidade está sempre em segundo plano para as empresas de comunicação. As absurdas demissões espalhadas pelo Brasil denotam esse entendimento do patronato, onde o lucro está sempre em primeiro lugar. A FENAJ, junto com seus 31 sindicatos filiados, está de plantão para denunciar esses abusos, apoiar os jornalistas que perderam seus empregos e reagir junto com a categoria”, afirmou Celso Schröder.

sábado, 8 de novembro de 2014

Em crise financeira, Folha de São Paulo se vale do tradicional passaralho


Com base no texto de José Seabra, editado originalmente em naredecomjoseseabra.com.br

Folha de São Paulo, em crise, demitiu cerca de 25 profissionais e cortou as cabeças dos colunistas Eliane Cantanhêde e Fernando Rodrigues

A Folha de São Paulo, da família Frias, está mal das pernas. Em crise financeira, decidiu conter gastos. E cortou a cabeça de dois ícones do jornalismo brasileiro. Eliane Cantanhêde e Fernando Rodrigues não escrevem mais as colunas mais que semanais da página 2. Além deles, após 20 anos, o fotógrafo Joel Silva também foi demitido. 
Quem sai perdendo são os leitores da Folha. Catanha assinava sua coluna às terças, quintas, sextas e aos domingos. Fernando às quartas e aos sábados. 
Em seu blog no UOL, Rodrigues não abriu os motivos para a sua saída, informando apenas ter encerrado sua “colaboração” após 27 anos no matutino.
A debandada começou quando, na reta final da eleição, estrela Xico Sá foi proibido de escrever em sua própria coluna que votaria em Dilma Rousseff.
Posicionamentos políticos individuais, economia de custos e mão pesada de Otavinho Frias, diretor da empresa, se somam para emperrar rotativas. A Diretoria de Redação procurou justificar as demissões sob o argumento de que a receita publicitária caiu muito, em função da crise econômica que o País vive.
Além de Eliane Cantanhêde, Joel Silva e Fernando Rodrigues, ao menos outros 13 profissionais de redação foram dispensados.Entre os demitidos estão os repórteres Flávia Marreiro, ex-correspondente do jornal em Caracas, Eduardo Ohata, de “Esportes”; Ana Krepp, de “Cotidiano”; Lívia Scatena, de “Gastronomia”; Euclides Santos Mendes, Editor do “Painel do Leitor”; Samy Charanek, pauteiro de “Cotidiano”; Gislaine Gutierre, “Ilustrada”; e Thiago Guimarães, coordenador adjunto da Agência Folha. Para anunciar a demissão, a direção do jornal disse aos funcionários que os cortes foram realizados por motivações econômicas.
“O jornal realiza no final deste ano desligamentos pontuais, além de um corte nas despesas de custeio, a fim de ajustar o seu orçamento ao mau desempenho das receitas publicitárias, fruto da estagnação prolongada da economia brasileira”, alegou a Folha.
Cantanhede, que estava no jornal da família Frias desde 1997, sequer escreveu seu texto de despedida na Folha. Para falar sobre o assunto, a jornalista publicou no Twitter uma mensagem. “Amigos, aviso geral: amanhã eu não escrevo mais a coluna na Folha. Foi bom enquanto durou”.
Já Fernando Rodrigues, informou sobre sua saída por meio de um post em sua página no Facebook. Lembrou os 27 anos de dedicação ao jornal que diz ter o rabo preso com o leitor. Mas continua no Uol, do mesmo grupo Frias.
A Folha de S.Paulo ainda é um grande jornal. Foi minha escola por muitos anos. Coletti, Falcão, Botelho, Rui, Leleco, Amália, Marizete, Aylê, Emerson, Helival… Coleguinhas, chefes e chefiados, que passaram por lá, a exemplo de Catanha e Fernando. O leitor pode migrar. E o jornal, sentir o baque.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A mídia e revoada dos passaralhos


Por Camila Rodrigues, Bruno Fonseca, Luiza Bodenmüller e Natalia Viana, no sítio Pública:

O maior orgulho de Vera Saavedra Durão foi ver a filha virar jornalista. Isso porque ela própria, Vera, dedicou 35 anos à profissão, com a garra de quem cumpre uma missão. “Você quer que as informações sejam publicadas da melhor forma possível, que aquilo ali venha a público. A gente se entrega”, diz Vera. “Se minha filha seguiu o mesmo caminho é sinal de que ela viu valor nisso”.

A jornalista, hoje com 65 anos, abraçou a reportagem com a mesma paixão que lutou contra a ditadura, como militante da Vanguarda Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), onde foi companheira de Dilma Rousseff. Ficou dois anos na prisão; quando saiu, atuou como repórter de Economia nos então principais jornais do país – O Globo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Folha de S. Paulo.

Em 2000, fez parte da equipe que fundou o jornal Valor Econômico, onde ficou por 13 anos. “No início eu cobria muito tudo, o empenho era muito grande para manter o jornal, com furos, afinal ele precisava se firmar. A gente fazia muita coisa”, lembra Vera, que traz dessa época a lembrança de uma úlcera duodenal sangrante, que surgiu quando fazia uma cobertura particularmente tensa para o Valor. “Perdi dois litros de sangue, e eu nem sabia, até que caí desmaiada. Eu me alienei tanto naquela cobertura, me estressei muito”, conta a jornalista, respeitada por sua competência e dedicação pelos colegas e fontes.

No dia 24 de maio passado, Vera foi demitida sumariamente, junto com mais de 20 colegas do Valor, jornal que pertence ao Grupo Folha e às Organizações Globo. “Fui apanhada de surpresa, não podia imaginar que eu podia entrar numa lista negra, para ser cortada de uma maneira tão brusca”. A surpresa foi ainda maior porque acabara de vir à tona que ela fora alvo de espionagem da empresa Vale S.A., segundo denúncia de um ex-gerente de segurança, caso ainda investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Mas Vera, que estava de férias, nem chegou conversar com a direção do jornal sobre a denúncia. “O jornal não teve contato comigo sobre isso. Mandei email para a chefia para conversar sobre isso, mas acabou a gente não conversando porque eu fui demitida”, conta.

“Depois de 13 anos trabalhando para engrandecer o jornal achei que teria direito a um período sabático e não a uma demissão”, diz ela. “O meu raciocínio sobre os meus direitos era o da minha classe, que é a dos jornalistas, dos que ‘carregam o piano’, e não dos acionistas, donos do jornal, que querem ver o resultado imediato do nosso trabalho”. Vera lembra de uma fonte empresarial que lhe dissera, em 2005, que merecia um bônus já que por causa de uma série de reportagens suas, o Valor passou a ser lido no Japão. “Eu disse que jornalista não tinha bônus, só ônus”.

Enquanto Vera ainda tenta digerir a demissão na sua casa do Rio de Janeiro, a mil quilômetros dali Flávio José Cardoso, de 51 anos, atende clientes de um belo restaurante à beira mar na ponta de Sambaqui, em Florianópolis. Há quatro anos, ele escrevia os editoriais do jornal mais lido de Santa Catarina, o “Diário Catarinense”, com 40 mil exemplares diários. Hoje, é garçom.

A guinada em sua vida começou em 2010, quando mudou o editor-chefe do jornal. Ele deixou de ser editor de Opinião e foi “promovido” a subeditor de Geral, seção que inclui de polícia a comportamento. “Passei a editar também o caderno Mundo, sozinho. Depois de um tempo, me colocaram para escrever matérias especiais todos os dias”. Além das reportagens e da edição, ele passou a fazer a diagramação, montar tabelas, procurar fotos. Se antes trabalhava das 13h às 19h, passou a ficar no mínimo 12 horas dentro do jornal, todos os dias – e estava sempre atrasado. “O trabalho que estava fazendo era para ser resolvido por oito ou dez pessoas. Entrava às 13h e saía a 1h, 2h da manhã, todos os dias. Não parava para comer; comia um salgado, enquanto digitava”. Isso quando o editor não falava, em alto e bom som para todo mundo ouvir, coisas como “Eu já te expliquei isso. Uma pessoa com um neurônio entende”.

Flávio aguentou a situação por um ano. “Isso leva o indivíduo a um nível de estresse que ele começa a se achar incompetente para executar as tarefas que faz há 20 anos”. Durante esse período, teve lesões nos tendões das mãos e na córnea, porque usa lentes de contato e ficava muito tempo exposto ao computador e ao ar condicionado. “Quando voltei de licença por causa da lesão, o editor-chefe teve a cara de pau de dizer que eu inventei a doença!”. Entrou com um processo contra o Diário. Hoje, embora seja garçom, colabora com uma revista especializada em economia. E não largou o jornalismo – ainda.

As histórias de Vera e Flávio não são exceção entre os jornalistas brasileiros; o que é raro é algum deles vir a público denunciar essa situação. Acúmulo de tarefas, assédio moral, hora extra não-remunerada, insegurança sobre o próprio futuro são males que infestam a indústria das notícias no Brasil. Embora sejam fruto de decisões empresariais que já duram alguns anos, nos últimos meses a situação se agravou com diversos grandes cortes de pessoal – os chamados “passaralhos”.

Uma ave que acaba com tudo

Passaralho é um jargão agressivo para as demissões em massa nos meios de comunicação. Remete a pássaros, revoadas de algo que destrói tudo por onde passa. De março a maio de 2013, eles passaram sobre redações grandes como Estadão, Valor Econômico, Folha de S. Paulo e já sobrevoam a editora Abril, a maior do país, além de atingir a maioria dos jornalistas em redações menores, como Brasil Econômico e Caros Amigos. Isso, somente dentre as empresas sediadas na cidade de São Paulo. No estado inteiro houve demissões no jornal A Tribuna, o maior da região da Baixada Santista, e na Rede Anhanguera de Comunicações (RAC), que domina as regiões ao redor de Campinas, Ribeirão Preto e Piracicaba.

Considerando apenas os jornalistas registrados em carteira e somente na cidade de São Paulo, foram registradas 280 demissões homologadas de janeiro a abril desse ano, 37,9% a mais que no mesmo período de 2012, quando foram registradas 203 homologações por conta de demissões. Ou seja, tudo indica que 2013 será pior que o ano passado, quando mais de 1.230 jornalistas foram demitidos de redações no Brasil. Os motivos, em geral, foram “reestruturações”, que nada mais são que novas formas de organizar o trabalho usando menos pessoas e mais tecnologia.

“É um ponto fora da curva”, diz Paulo Totti, que, com quase 60 anos de jornalismo, também foi vítima do corte no Valor. Totti usa a expressão para explicar que, na indústria do jornalismo, os trabalhadores mais experientes são descartados facilmente e substituído por recém-formados – o oposto do que acontece em outras áreas. “Em nenhum outro ramo da economia se vê atitudes semelhantes. Os administradores têm a preocupação de manter a sua mão-de-obra qualificada”, diz Paulo, que sempre cobriu economia, e com excelência. Em 2006 foi vencedor Prêmio Esso, o mais respeitado do jornalismo brasileiro, com uma série sobre a economia chinesa. Meses antes de ser demitido, havia se oferecido para fazer oficinas com cada uma das editorias do Valor, para ajudá-las a melhorar a qualidade dos textos. “Há, claro, uma certa surpresa, já que a demissão não decorre de uma maior ou menor dedicação ao trabalho. Mesmo um jovem fica meio intranquilo quanto ao seu futuro. Pior: se o cara desempenhar bem suas funções, ele pode ter um aumento de salário, e esse aumento causa a sua demissão”.

Aonde os donos de jornais querem chegar?

Paulo Totti, que no momento considera a única opção que lhe foi dada pelo jornal – virar colaborador freelancer – compartilha um receio que se espalha nas redações com a mesma rapidez que o voo dos passaralhos. “Temo que isso esvazie o conteúdo do jornal. E esse é o sentimento de todo corpo de gente que integra o setor redação em todos os jornais brasileiros”, explica ele. “Não sabemos bem aonde os donos dos jornais querem chegar. A decisão no Valor, por exemplo, partiu da pressão de pessoas que integram o conselho administrativo do jornal, representantes dos acionistas. Nenhum deles tem no seu currículo alguma passagem pelo jornalismo”.

Os cortes de pessoal se devem a um investimento milionário em um serviço de informações financeiras em tempo real, o Valor Pro. Esse investimento começou a ser feito há cerca de três anos, quando os funcionários foram avisados que a redação seria unificada. “Fomos avisados de que nos dois anos seguintes ninguém teria aumento salarial. Ao mesmo tempo, todos teriam que escrever para as três plataformas: tempo real, site e impresso”, diz um jornalista que sobreviveu ao último corte no jornal e que prefere não se identificar. Segundo o repórter, o clima da redação está ruim; além do trauma provocado pelas demissões, sobrou excesso de trabalho para todos. “O site, que antes era cuidado por cada editoria, agora é alimentado por pessoas de um ‘mesão’ digital, que não tem muita familiaridade com alguns assuntos. No impresso, a cada dia está uma briga por espaço e o número de páginas está sendo reduzido”.

Também a Folha de S Paulo anunciou uma reestruturação na última semana, com o fim do caderno “Equilíbrio” e o reagrupamento de outros cadernos em três núcleos de produção. O número de jornalistas demitidos foi de 24. A direção comunicou à ombundsman, Suzana Singer, que “as redações do futuro deverão ser cada vez mais enxutas, assim como o produto impresso”. Entre os demitidos estão nomes do porte de Andreza Matais, ganhadora do Prêmio Esso de jornalismo 2011 pela série que demonstrou o enriquecimento do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci. “Aos que acreditam que o jornalismo de qualidade faz bem à democracia resta torcer para que a travessia dê certo”, resumiu Suzana Singer, em artigo na Folha.

A Pública falou com um dos jornalistas cortados do Grupo Folha, da área de cultura, que pediu para não ser identificado. “Ao chegar à redação um dos colegas comentou que haveria corte e, cerca de 20 minutos depois, fui chamado para ser avisado de que seria desligado da empresa. A justificativa? Corte de gastos. Tinham de ter uma meta x de gastos, e a minha saída ajudaria a atingir tal meta”.

“Eu tenho pena de quem ficou e de quem está entrando no jornalismo”, diz, com certa serenidade, o repórter fotográfico Lula Marques, premiado jornalista da sucursal de Brasília da Folha de S. Paulo. No dia 1º de abril, ele acordou comemorando o aniversário de 26 anos de jornal. À tarde, foi comunicado que estava demitido. “Me falaram que eu estava ganhando muito, mais que o editor de fotografia de São Paulo, que meu nome estava na lista há dois anos e que não dava mais para me segurar na empresa”. Desde novembro de 2011 – quando a empresa cortou 10% dos seus jornalistas – os cortes, discretos e sem alardes, são constantes na Folha. Tanto, que Lula diz que já estava preparado. “Saí com um equilíbrio emocional bom, porque já estava me preparando para isso. Nos últimos dois anos, as pessoas que estavam com o salário lá no alto foram todas embora. Sabia que um dia ia chegar minha vez”.
Tensão na Abril

Era sexta-feira, dia 7 de junho, quase no final do expediente, e o clima no prédio da editora Abril S.A, zona oeste de São Paulo, estava pesado por conta dos rumores de um grande corte, previsto desde a morte do presidente do grupo, Roberto Civita, em 26 de maio. “Olha, está muito tenso e é uma tensão diferente. Eu já vivi outras demissões coletivas, mas antes era assim: os diretores das redações estavam plenamente por dentro de quantas pessoas deveriam ser cortadas de cada revista, enquanto os ‘peões’ estavam morrendo de medo. Agora não, ninguém sabe de nada direito, nem os diretores”, disse à Pública uma jornalista, que também pediu não ser identificada por medo de represálias.

Pouco depois, seis executivos foram demitidos, junto ao anúncio de que o grupo passaria por uma “reestruturação”, com agrupamento de unidades de negócios, reduzidas de dez para cinco. O objetivo, segundo a empresa, era a “racionalização dos recursos”. Há boatos de que 11 revistas deixarão de circular – entre elas nomes lendários como Playboy, Capricho e Contigo. É a senha para o passaralho. “Deve acontecer na próxima semana”, diz a mesma jornalista. “Eu acho que, se na semana que vem já anunciarem qual revista vai ser cortada, o clima vai melhorar. Não saber o que vai acontecer que é estranho. A gente faz piada o tempo todo, tipo, estou me matando pra fazer esse editorial de moda e se a revista acabar amanhã…”

“Entre os jornalistas, nesse momento o clima é de intranquilidade aguda”, diz Paulo Zocchi, diretor jurídico do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e que trabalha na redação da revista Quatro Rodas, da editora Abril. “Tá todo mundo morrendo de medo. Na minha redação, que é de uma faixa etária um pouco mais velha, tá todo mundo falando: ‘vamos ver se segunda-feira vamos estar aqui’”. A jornada dupla de Paulo – na revista e no sindicato – está ainda mais atribulada desde as últimas demissões. Toda vez que corre um boato de demissão, o sindicato é acionado, e pede uma reunião de emergência na empresa, para negociar.

Foi o que aconteceu em abril, na negociação com o Estado de São Paulo – de desfecho inesperado. O Estadão anunciara a redução da quantidade de cadernos diários para apenas 3, a extinção do caderno Link, sobre tecnologia, e do caderno de Negócios. Ao mesmo tempo, passou a privilegiar as plataformas digitais, com o lançamento do novo aplicativo do Estadão, adaptável a qualquer dispositivo móvel. Segundo conta Paulo Zocchi, na quinta-feira, dia 4 de abril, ele recebeu uma ligação avisando sobre boatos de demissão em massa no Estadão. “Hoje, a redação tem 250 jornalistas. O boato era de que 100 seriam demitidos na segunda ou na terça-feira da semana seguinte”. O sindicato solicitou uma reunião de emergência com a direção do Estadão, mas o jornal não respondeu e começou a demitir já no dia seguinte, sexta-feira. No total, foram 31 demitidos.

“Na sexta-feira, 12 de abril, fizemos uma assembleia na empresa, e desceram 90 pessoas. O objetivo era reverter todas as demissões. Até que uma das trabalhadoras demitidas disse que não queria ser reintegrada”, lembra ele, revelando sua surpresa. No fim da assembleia, em que estavam 14 dos 31 demitidos, nenhum deles queria voltar a trabalhar no Estadão. “As pessoas se sentiram descartadas, afetadas emocionalmente de uma forma tal que elas não queriam voltar”.

Um dos demitidos, repórter com cerca de cinco anos de profissão, não disfarça sua revolta. Segundo ele, os rumores de cortes eram constantes no jornal, espalhando um “clima de terrorismo”: “O jornal esperava que os jornalistas continuassem a manter a quantidade e a qualidade de trabalho com menos pessoas, impossível. Jornalistas acumularam funções e a qualidade, como os leitores puderem observar, caiu”. Ao ser demitido, ele foi procurado por um dos diretores, “para deixar claro que eu não estou sendo demitido pela sua falta de competência, que é uma questão de corte de gastos”, lembra. “Querem que você não se revolte e não sai baixo astral, que saia feliz e tranquilo. Te apoiam, mas dizem: ‘vai lá’”.

Como a maioria dos jornalistas demitidos, ele prefere não se identificar publicamente. Quase nenhum dos entrevistados, principalmente os mais novos, quiseram se expor. “Sabe como é, o mercado é muito pequeno e eu posso ter dificuldade para conseguir trabalho”, diz um deles.

Do Sul ao Norte do Brasil

Na ilha de Santa Catarina, o nome do passaralho é mais poético: chamam de “barca”, como aquela, dirigida por Caronte, que levava as almas ao inferno, ou Hades, na mitologia grega. A última barca do Diário Catarinense, o maior jornal do Estado, aconteceu no dia 21 de março e levou cerca de 20 profissionais da redação. Poucas pessoas souberam. A divulgação mais ruidosa do caso foi um e-mail do jornalista Célio Klein anunciando, aliviado, sua demissão após 25 anos de casa. Nela, ele se diz alegre por ter saído do jornal, mas expressa “profundo pesar pela situação”: “É muito grave e difícil não se ver outra saída que não a de abrir mão do trabalho do qual se gosta e ao qual se dedicou a maior parte da vida”. A carta prossegue: “Em uma empresa de comunicação, questionar, alimento do jornalismo, não é permitido. Em uma empresa de comunicação que tem a educação como bandeira, que implica justamente pensar de forma autônoma, pensar não é permitido. Em uma empresa de comunicação que exalta a democracia, vende a diversidade de opiniões, a participação dos leitores como case de ação, de sucesso, divergir não é permitido”.

Semanas depois, em abril, o jornal “A Crítica”, no Amazonas – um veículo da RCC (Rede Calderaro de Comunicação), que tem filiadas à Rede TV!, ao SBT e à Record. – demitiu aproximadamente 15 pessoas, entre repórteres, editores e fotógrafos do jornal impresso e do site. A repórter especial Elaíze Farias, vencedora do prêmio Imprensa Embratel 2013, foi uma das cortadas. “A justificativa oficial é de que o jornal acabou com esse cargo”, diz ela. “Não sei quais foram os critérios”.

Com quase 20 anos de experiência, Elaíze dedicou metade deste período a produções de reportagens sobre questões sociais e ambientais da região. Ela lembra de uma das últimas reportagens que fez, sobre um casal de índios matis que estava sendo acusado de tentar cometer ‘infanticídio’ contra seu filho doente em Manaus – o que foi completamente desmentido por eles. “Para conseguir entrevistar este casal, me desloquei de lancha pelo rio Solimões (uma hora) de Tabatinga até outro município, Benjamin Constant, e dali peguei um táxi-lotação (meia hora), viajando pela estrada até Atalaia do Norte, onde os índios matis estavam. Fiz o retorno de carona, na moto de um indígena, porque não havia mais táxi disponível entre Atalaia e Benjamin, até novamente voltar a Tabatinga. E precisava chegar antes das cinco da tarde, pois as lanchas que fazem a travessia do rio em Benjamin operam até neste horário. Ou seja, foi um gasto extra que precisei utilizar. Depois de uma jornada de oito dias, voltei a Manaus. Bom, é assim que se faz jornalismo na Amazônia”.

Para ela a maior preocupação é ter que deixar de realizar reportagens como essa. “Fiquei muito frustrada por, após a minha saída, estes temas terem ficado parados, na minha própria gaveta de pautas. Elas continuam guardadas, para quando eu tiver algum espaço e logística para viabilizar”.

Sobre o silêncio que cerca as demissões, Elaíze diz: “No geral, a notícia das demissões ficaram restritas ao boca-a-boca e às redes sociais – eu, por exemplo, fiz um comunicado pelo Facebook e por e-mail aos meus amigos, companheiros de luta, organizações sociais e fontes”, comenta. “Hoje se fala muito nas crises dos jornais impressos e na sua dificuldade de se adaptar aos novos tempos e às notícias publicadas nos portais de internet. O enigma é: a mídia vai se conseguir se reinventar, se ressignificar, para continuar sobrevivendo? Cabe a todos nós, os que estão dentro e os que estão fora das redações, passar a refletir”, acredita.

Para o pesquisador José Roberto Heloani, da FGV, a esperança é a de que os jornalistas comecem a ter maior consciência e maior interesse nessas questões. “É isso que chamo de luz no fim do túnel. E isso vai fazer com que as pessoas comecem a perceber que a saída não é individual. A saída é coletiva”. Neste ano, em São Paulo, houve pelo menos quatro casos de organização de jornalistas contra demissões: “O Vale” e “Bom Dia”, de São José dos Campos; do “Jornal da Cidade de Jundiaí”; do “Brasil Econômico”; e a dramática greve da pequena redação de “Caros Amigos”, que se autodenomina “a primeira à esquerda” que terminou com demissões e ações na Justiça (veja box).

O jornalista Audálio Dantas, que presidiu o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo na época do assassinato de Vladimir Herzog e foi o primeiro presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, tem uma avaliação mais pessimista. “Por mais que se lute, o panorama dos meios de comunicação concentrado em poucas mãos contribui para que as lutas sejam enfraquecidas”, diz Audálio, que considera a regulação da propriedade dos meios de comunicação essencial no debate sobre o futuro da profissão: “Há a necessidade de se regular, porque nós temos esse fenômeno: o sujeito faz o trabalho para o veículo impresso, a empresa faz uma adaptação do mesmo texto e o trabalho de um profissional é aproveitado em quatro meios”.

Nesse cenário, ele diz, não há mais distinção entre bons profissionais e medianos. “Antes os grandes jornais tinham esses cuidados de preservar os bons jornalistas. Hoje, não se distingue os profissionais e vão todos no mesmo diapasão”, observa Dantas, que identifica um ciclo vicioso para a profissão: para aproveitar o rendimento máximo – em termos quantitativos – as empresas mantêm o jornalista dentro da redação, fazendo matérias por telefone e por e-mail, o que resulta em um número maior de matérias, mas de pior qualidade. “A grande vítima, depois do jornalista, é a apuração. A qualidade da informação, que é o que garante historicamente a credibilidade, está prejudicada”.

Para os mais jovens, porém, a sensação é de que as mudanças são ainda mais profundas, como diz o jovem profissional, recém demitido do Estadão: “A justificativa [de cortes de papel e demissões] é a financeira. Se você acompanha o jornal, deve ter percebido que as editorias enxugaram, algumas sumiram… O jornal inteiro ficou menor. A sensação, dentro e fora da redação é de que o jornal está apenas adiando o seu fim”.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Crise: Turner Broadcasting corta 30% de seus funcionários na Europa, Oriente Médio e África.


Do Telaviva news

No que eufemisticamente chama de "reestruturação", a Turner Broadcasting System (TBS) internacional cortará 30% de seus funcionários na região EMEA (Europa, Oriente Médio e África.
A subsidiária da Time Warner opera versões das marcas mais fortes da Turner como CNN, TNT, Cartoon Network e Turner Classic Movies, bem como redes locais e empresas que oferecem mais de 100 canais em mais de 30 idiomas em 200 países ao redor do mundo. A TBS EMEA transmite 17 canais através de 53 feeds em 27 idiomas em mais de 100 territórios na Europa, Oriente Médio e África.
Da redução prevista de 30% na EMEA após a conclusão do processo, a Turner incluiu um efetivo aberto (de cargos que ficaram vagos e não estão sendo reocupados), além de demissões e outsourcing. Sugerindo maior consolidação, a Turner acrescentou que algumas funções que podem ser tratadas externamente com a mesma qualidade serão terceirizadas.
A TBS diz que os cortes são o resultado de uma "profunda e cuidadosa avaliação em toda a EMEA".
"Esta revisão nos obrigou a tomar algumas decisões difíceis, mas elas são absolutamente necessárias para colocar a Turner International na melhor posição possível para o crescimento futuro", revelou o recém nomeado presidente Gerhard Zeiler. "Maior responsabilidade e capacitação na gestão local levarão a processos simplificados em toda a organização, maior eficiência e redução de custos."

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Jornalistas demitidos na crise dão força à imprensa alternativa grega


Dos escombros da crise grega, um grupo de jornalistas, a maioria demitidos dos principais veículos de comunicação do país, envia sinais de socorro em inglês em rádios online, documentários, contas no Twitter e recém-lançados sites de notícias. Sem dinheiro e dependendo de voluntários, eles usam um modelo de negócios diferente para continuar trabalhando. O dinheiro vêm de cafés, pequenos restaurantes e ONGs.
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A corrente alternativa grega já pauta a cobertura de jornais de alcance mundial, como o britânicoThe Guardian, e inspira reportagens especiais sobre os efeitos de uma crise sem precendentes, como a que apresentou os casos de tortura policial contra militantes anarquistas. Eles tentam manter a Grécia em pauta no noticiário internacional e, especialmente, desfazer a imagem de um país de preguiçosos, ventilada pelos veículos conservadores europeus.   

O primeiro grande passo foi dado por Aris Chatzistefanou, um ex-repórter da popular rádio Skai. Demitido por não concordar com cortes em seu salário, ele ajudou a idealizar o documentário Debtocracy, que fala sobre a dívida grega. Em entrevista a Opera Mundi em abril deste ano, Chatzistefanou falou sobre sua experiência pessoal de deixar o universo do jornalismo diário para embarcar em alternativas antiausteridade.

Na esteira de Aris, a Radio Bubble é uma empreitada de militantes de diversos matizes da esquerda grega, em que curiosamente também há jornalistas demitidos da rede de rádio Skai. Com uma longa carta de princípios, que remete à carta de princípios éticos do sindicato de jornalistas gregos, a emissora online tem sua maior arma em uma hashtag no Twitter: #rbnews. A exemplo da primavera árabe, o grupo espera que a mudança venha do jornalismo cidadão.

“Somos apartidários, mas temos membros de vários grupos políticos, incluindo da Syriza [oposição de esquerda ao atual governo grego] e de anarquistas. Nossa receita vem de um café na rua Ippokrates [no bairro de estudantes de Exarchia], onde fazemos eventos e festas – apesar de os cafés já não serem uma boa fonte de renda durante a crise”, explicou Marina, uma colaboradora da rádio, a Opera Mundi.

A Radio Bubble não tem editor-chefe e todos os posicionamentos políticos são discutidos em reuniões semanais. “Temos uma coisa que ficou apagada por um longo tempo nas redações: alma. Nós discutimos, discordamos, chegamos a conclusões e a consensos. Encontramos um assunto ‘quente’ e vamos atrás. Queremos ver as coisas como outros não viram – nós não fazemos parte de uma indústria jornalística que faliu por causa de seu silêncio”, diz a rádio em sua carta de princípios.

O último “assunto quente” abordado pela Radio Bubble foram as privatizações de diversos setores do Estado grego desde a explosão da crise. “Fizemos esse trabalho com o apoio de uma ONG belga e estamos preparando uma tradução para o inglês”, contou Marina. O documento foi base para um especial na rádio, que aos poucos, com ajuda de voluntários, tenta reunir membros dos demais países europeus em crise: Portugal, Espanha, Irlanda e Itália.

“As notícias que ouvimos da Espanha hoje são exatamente as mesmas que ouvíamos na Grécia há um ano”, falou a jornalista grega. “Por isso queremos unir forças e trocar informações, porque o pior ainda está por vir.”

A Radio Bubble tem hoje 15 pessoas trabalhando em um “time principal” e pelo menos 20 pessoas em um “segundo círculo” de colaboradores. Ela acaba do colocar no ar os primeiros programas em inglês e francês, e aguarda tradutores para espanhol e português.

Exemplos

Marina, a colaboradora da Radio Bubble, não diz seu sobrenome com medo de possíveis retaliações no futuro. Ela afirma que somente com o aumento de iniciativas como a rádio, a Grécia não sairá de pauta na imprensa internacional – a única capaz de operar alguma mudança institucional no governo grego.

Para ela, há apenas um exemplo de bom jornalismo investigativo no país. Kostas Vaxevanis, editor da revista Hot Doc, publicou recentemente uma lista de gregos com contas no exterior. Os dados estavam em um pen drive, compilados pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e entregues ao governo grego pela presidente do órgão, Christine Lagarde. Os nomes nunca haviam sido expostos.
Vaxevanis chegou a ser preso após ter publicado a lista e, após enorme repercussão internacional, foi solto. O processo judicial, ainda em curso, mostra a dificuldade da Grécia em lidar atualmente com uma imprensa livre capaz de fazer tremer os alicerces do país. Sozinho, o editor da Hot Doc não mudará o cenário grego, mas uma legião de jornalistas segue o mesmo caminho.

O blog Keep Talking Greece, que surgiu após o movimento dos indignados em Atenas, é um deles, assim como de gregos expatriados que operam blogs à distância, como o Greek Crisis Now, em francês e baseado na Bélgica, que discute o país com um viés antropológico.

Do outro lado, a crise

Enquanto isso, na Avenida Akidimias, a sede do Sindicato dos Jornalistas de Jornais Diários Gregos é uma panela de pressão. Opera Mundi acompanhou em novembro a tensão que envolveu o novo pedido de blackout nas redações gregas por perdas nos planos de saúde. Na ocasião, havia uma clara divisão entre jornalistas, preocupados com a cobertura da crise no país, e a necessidade de entrar em greve e encorpar as manifestações antiausteridade.

É bastante clara, também, a resposta crítica da população em relação à imprensa tradicional grega. Com o país há quatro anos em queda livre, a confiança no jornalismo como vetor de mudanças desabou, refletida no tratamento por vezes ríspido da população grega com repórteres e cinegrafistas.

Nas manifestações que Opera Mundi acompanhou, não havia sinais de equipes de reportagem, a não ser as instaladas nas sacadas cinco estrelas do Hotel Grande Bretagne, em frente à Praça Syntagma e ao Parlamento.

O “Jornal dos Jornalistas”

No espectro político dos jornais diários gregos, todos são de raiz conservadora, à exceção de um, o Η ΕΦΗΜΕΡΙΔΑ ΤΩΝ ΣΥΝΤΑΚΤΩΝ, ou “Jornal dos Jornalistas”, recém-fundado a partir da extinção de um antigo jornal de centro-esquerda, o Eleftherotypia. “É um modelo diferente, em cooperativa”, explica Marina.

Com uma redação formada, basicamente, por ex-funcionários do Eleftherotypia, o “Jornal dos Jornalistas” pretende ser uma voz alternativa diária à crise grega. “Nosso trabalho surge em um momento em que uma grande parte da sociedade acredita que a mídia não é confiável por sua identificação com os interesses de seus donos e das autoridades”, diz o Jornal dos Jornalistas, em editorial de 20 de outubro deste ano. “Ele é nossa resposta à crise.”

Aberto a vozes plurais, ele pretende expor o lado humanitário da crise. “O Jornal dos Jornalistas quer ajudar a discutir a crise e confrontar ideias, sem dogmatismos e obsessões. Quer trazer à tona a humanidade que nos cerca e a solidariedade que nos humaniza”, encerra-se o editorial.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Espanha: crise já provoca demissões de Jornalistas

Publicado originalmente em http://www.telesurtv.net
 
El gremio de periodistas en España acusa al Gobierno de Mariano Rajoy de ejecutar numerosos contra trabajadores de empresas nacionales de radio y la televisión, por el simple hecho de criticar la política de austeridad impuesta sobre la sociedad para cumplir exigencias de la Unión Europea y refinanciar a los bancos.
El diario The Guardian reseña denuncias hechas por periodistas españoles, quienes denuncian haber sido cesanteados de la radio nacional RTVE y del canal de televisión, luego de ser interrogados sobre las duras medidas de austeridad que han dado lugar a manifestaciones masivas y huelgas de los trabajadores de diversos sectores.
El último caso polémico es el de la presentadora de RTVE Ana Pastor, quien señaló que quieren deshacerse de ella por el trabajo que hace sobre las medidas de recortes económicos.
El canal emitió una declaración el día sábado diciendo que Pastor se iba luego de rechazar una oferta de trabajo como presentadora de un programa nocturno. Sin embargo, ella afirmó que "el jefe de prensa me dijo que debíamos pensar en mi futuro. No quiso decir que estaba despedida, pero sí lo estaba”.
Pastor, conocida por sus entrevistas exclusivas, señaló que su despido demuestra claramente que a los políticos "no les gustan las entrevistas incómodas."
En junio de 2012, el Gobierno español reemplazó la cabeza de las noticias de RTVE, Fran Llorente, acusándolo de parcialidad política.
El empeoramiento de la crisis de la eurozona de la deuda ha aumentado los costos de financiación de España y el país está buscando un plan de rescate de la Unión Europea similar a la de Grecia recibió.
Las medidas de austeridad tienen el propósito de calificar a Madrid para recibir el préstamo de la troika europea, Banco Central Europeo, Unión Europea y Fondo Monetario Internacional.
Días atrás, la presidenta de la Federación de Asociaciones de Periodistas de España (Fape), Elsa González, estimó que para mediados de septiembre habrá unos ocho mil periodistas despedidos.
"Los periodistas están acosados por el paro y la precariedad a causa de una gestión nefasta (...) Hay varias televisoras y emisoras de radio con la espada de Damocles encima", expresó.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

EBC substituirá por concursados 140 profissionais contratados, 21 deles jornalistas

Publicado originalmente no Jornalistas & Cia

Em cumprimento ao estipulado na Lei 12.501, de 7/10/2011, 140 empregados da EBC desligam-se da empresa no próximo dia 30/6, sendo 21 jornalistas. Eles haviam sido contratados em cargos temporários e serão substituídos por empregados concursados. A medida atinge os quadros da empresa em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.
Além deles, outros nove se despedem da empresa nos próximos dias por decisão da 9ª Vara da Justiça Federal em Brasília, que em 28/5 intimou a EBC a anular, no prazo de 30 dias, a contratação dos empregados que ingressaram em 1990 na então Radiobrás (entre estes, dois são jornalistas e cinco radialistas).
Segundo a Gerência de Comunicação da EBC, a decisão é fruto de uma ação popular ajuizada por Edson Oliveira Vitorino perante a Justiça Federal. Embora a ação tenha sido julgada improcedente em 1ª instância, a decisão foi reformada em 2ª instância perante o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sendo mantida pelos Tribunais Superiores. Em ambos os casos, a EBC informa que fará as indenizações conforme determina a legislação.
Para  Lincoln Macário, presidente do Sindicato dos Jornalistas do DF, a situação na EBC é mais complexa do que se imagina: “Além dos profissionais previstos para deixar a empresa este mês, existem outros em situação indefinida, aguardando resolução da Justiça. E estes atingem a surpreendente marca de cerca de 200 funcionários, também da época da Radiobrás, mais os contratados pela Associação de Comunicação Educativa Roquette-Pinto (Acerp), no Rio de Janeiro, de acordo com a legislação da época”.
O Sindicato do DF está preparando um ofício para que a EBC se posicione com relação a esses funcionários. Vale lembrar que a empresa realizou em 25/9/2011 três concursos para o preenchimento de 537 vagas para profissionais de Comunicação e de outras áreas, 31 delas reservadas a portadores de deficiência, além de formar cadastro de reserva.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Diários Associados fecham dois jornais na Paraíba e demitem todos os jornalistas



Na quarta-feira (01/02), a direção dos Diários associados surpreendeu os jornalistas dos jornais O Norte e Diário da Borborema, na Paraíba, com o anúncio de demissão coletiva e fechamento dos dois veículos. O Sindicato dos Jornalistas do Estado emitiu nota oficial denunciando o fato e encaminhou medidas jurídicas em defesa dos interesses dos trabalhadores.
Na manhã de quarta-feira, sem nenhuma explicação, os profissionais dos jornais O Norte e Diário da Borborema foram comunicados de seus desligamentos das empresas e chamados para assinar a carta de aviso prévio. Segundo o presidente do Sindicato dos Jornalistas da Paraíba, Rafael Freire, este tratamento desrespeitoso foi o limiar de um processo de desmantelamento dos jornais que já vinha ocorrendo há algum tempo. “Houve um processo de demissões há alguns meses atrás e as direções dos dois jornais ficaram submetidas à gestão central dos Diários Associados em Recife”, diz. O sindicalista conta que desta vez foram demitidos aproximadamente 40 jornalistas.
Na nota oficial, emitida no dia 1º de fevereiro, o Sindicato dos Jornalistas e a Associação Paraibana de Imprensa condenaram o processo demissionário e o fechamento dos jornais. “A data de 1º de fevereiro de 2012 ficará marcada na história da imprensa paraibana como um dia de luto” diz a nota. “Nosso compromisso com a categoria dos jornalistas permanece e se renova em mais este momento crítico para a vida pessoal e profissional de tantos colegas. Estamos à disposição de todos para encampar as lutas necessárias e garantir que nenhum direito trabalhista seja ferido”, conclui o documento.
Diretores do Sindicato estiveram nas redações dos dois jornais para solidarizarem-se com os profissionais, orientando-os sobre os procedimentos necessários para assegurar seus direitos. Também buscaram o diálogo com as direções dos jornais. “Nos dois casos nos disseram que a situação é irreversível. Como já falaram anteriormente que passariam a apostar em mídias eletrônicas, o que se subentende é que poderão apostar na versão on line dos veículos, absorvendo apenas alguns profissionais”, relata Freire.“Este fato merece o protesto nacional da categoria, pois é mais um exemplo da insensibilidade patronal”, reagiu a vice-presidente da FENAJ, Maria José Braga. “É lamentável o fechamento de jornais na Paraíba. Além de desemprego para jornalistas e outros trabalhadores, significa também menos diversidade de informação para a população. Apoiaremos todas as ações do Sindicato”, completou.
O Sindicato acionou a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego da Paraíba. Uma mesa redonda com representantes da entidade, dos demitidos e da direção dos Diários Associados ficou agendada para o dia 7 de fevereiro, às 09h30, na sede da Superintendência.





terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Espanha: crise econômica provoca a demissão de quase 3 mil jornalistas

Da Associación de Prensa de Madrid

La cifra es reveladora. 2.663 periodistas han sido despedidos desde el inicio de la crisis a mediados de 2008, el equivalente a dos despidos diarios, tan solo en Madrid. Según datos del Observatorio de la Asociación de la Prensa de Madrid (APM) a ese grupo se unen 107 prejubilaciones y 148 reubicaciones en otros puestos. Y las malas noticias para el sector no se detienen: Se estima que decenas de profesionales verán afectada su situación laboral en el primer trimestre de 2012.
El Observatorio de la APM para el seguimiento de la crisis lleva anotados 51 cierres de medios, 17 expedientes de regulación de empleo (ERE) y 55 recortes en los meses de crisis. Recientemente se han sumado a la lista el cierre del diario ADN, de las revistas Don Balón y Pantalla Semanal, además del ERE del Grupo Tecnipublicaciones.
El informe también destaca el ERE en Prisa TV, donde “ se verán damnificados entre 600 o 700 profesionales por la vía de las externalizaciones”. Estas cifras no han sido tomadas en cuenta, ya que el recorte se llevará a cabo en su etapa final durante el primer trimestre de 2012. Se estima que durante el mismo período más de 200 trabajadores de Prisa Radio serán afectados por otro expediente de regulación de empleo.