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segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Que jornalismo é esse?

Os canais all news, como a Globo News, BandNews e CNN Brasil, suspenderam suas programações rotineiras de domingo e passaram a transmitir em tempo real, com reportagens e análises, o que ocorria na Capital Federal. Este não foi, contudo, o comportamento dos canais abertos, que por serem gratuitos, possuem uma audiência muito maior. 


Por Chico Sant’Anna*

Nos ensinam os bons manuais de Jornalismo, que notícia boa é aquela que traz um fato inusitado, de grande interesse na sociedade e que chega rápido aos cidadãos consumidores de informação – preferencialmente em tempo real. Também é sabido que o que potencializa os meios de comunicação é a amplitude da audiência. Quanto maior, melhor, pois isso gera prestigio e retorno publicitário. Entretanto, a maioria dos canais de televisão aberta do país ignorou o que acontecia na tarde de 8 de janeiro de 2023, quando uma turba de terrorista decidiu ocupar e depredar as sedes dos Três Poderes na Capital da República.

Jornais, revistas, agências de notícias nacionais e estrangeiras, portais informativos, prontamente enviaram seus profissionais para o front da notícia. Vários deles, em especial foto e cine jornalistas, foram alvo de agressões físicas perpetradas pelos terroristas. Os canais all news, como a Globo News, BandNews e CNN Brasil, suspenderam suas programações rotineiras de domingo e passaram a transmitir em tempo real, com reportagens e análises, o que ocorria na Capital Federal. 

Este não foi, contudo, o comportamento dos canais abertos, que por serem gratuitos, possuem uma audiência muito maior. Deixar de noticiar em tempo real sobre esse delicado tema é uma ação de desinformação. Milhões de brasileiros que não possuiam tv paga ficaram sem saber o que se passava em Brasília.

Portanto, levar a informação sobre aquele fato inusitado, de interesse de todos os cidadãos brasileiros, mais do que cumprir com a missão social do Jornalismo, era fazer jus às concessões que tais grupos econômicos receberam da sociedade.

Importantes emissoras privadas de canal aberto ignoraram em suas programações o ato terrorista que se desenrolava na Praça dos 3 Poderes. 

Canais abertos

Às 17 horas, quando o quebra-quebra terrorista já se desenrolava há pelo menos umas duas horas. As redes sociais estavam plenas de vídeos de autoria dos próprios terroristas e também das forças de segurança. Esse material foi usado por alguns meios de comunicação como forma de superar a impossibilidade de ter equipes no palco dos acontecimentos. Na telinha, a TV Bandeirantes exibia Mastechef, no SBT, o programa no ar era o da Eliana; e a Record difundia Hora do Faro. Mesmo a TV Globo, em seu canal aberto, demorou a priorizar esse conteúdo. Somente às 17h19 a emissora deixou de veicular o Domingão do Luciano Huck e decidiu transmitir simultaneamente o conteúdo de sua coirmã Globo News. Buscamos saber os motivos de tal comportamento editorial com os responsáveis sobre o comando dos departamentos de Jornalismo de cada uma dessas emissoras. Indagamos se foi uma opção editorial, compromissos publicitários ou dificuldades técnico-operacionais, mas reinou o silêncio como resposta.

Emissoras do Senado e da Justiça não alteraram suas programações de fim de semana. TV Brasil manteve a programação, mas inseriu boletins informativos.

Canais públicos

As três casas de Poder invadida por terroristas são detentoras de canais próprios de rádio e TV: TV Brasil, TVs Senado e Câmara, TV Justiça. Não tivemos a oportunidade de avaliar a programação da TV Câmara, mas no Senado e na Justiça é como se nada estivesse acontecendo lá fora. Numa Irônica coincidência, a TV Senado exibia o programa Que Brasil é esse? Na tela, não era nenhuma reportagem ou análise dos fatos que se desenrolavam. No lugar de comentários dos parlamentares, ação que poderia ser enviada por celulares, era exibida uma entrevista com Fafá de Belém. A ironia involuntária também se fez presente na programação da TV Justiça: estava no ar uma entrevista com o Procurador Geral da República, Augusto Aras, no programa "Interesse Público".

Apenas a TV Brasil, canal público da Empresa Brasileira de Comunicação – EBC, alterou o conteúdo pré-programado para o fim de semana. As alterações se deram por meio da inserção de flashes (boletins informativos). Não houve uma interrupção total, como o ocorrido na TV Globo. Entre 16 e 18 horas, a TV Brasil veiculava o filme Insônia. Mais uma ironia do destino.

Os canais públicos foram igualmente procurados. O departamento de Jornalismo da TV Brasil informou que está elaborando um relatório completo sobre a programação veiculada. Não explicou ainda a opção editorial adotada. A secretaria de Comunicação do Supremo Tribunal Federal não retornou nossos questionamentos sobre o comportamento editorial da TV Justiça. Já a diretora da secretaria de Comunicação do Senado, Érica Ceolin, informou que chegou a mobilizar equipes de jornalistas para cobrirem em tempo real o que ocorria no Senado Federal, mas que ao chegarem na sede do Senado, a polícia legislativa da Casa, por questões de segurança, não autorizou que os profissionais entrassem para pegar os equipamentos. Até mesmo o supervisor técnico de plantão teve que se retirar. O Senado possui um amplo sistema de câmeras, algumas robôs, instaladas nas salas de Comissões, e outras de segurança, internas e externas – inclusive uma no topo do Anexo 1 – que poderiam ser operadas à distância e ter suas imagens transmitidas. Entretanto, segundo Erica Ceolin, não foi possível, sequer adentrar as instalações da emissora que fica no subsolo do Anexo 2 e a opção foi informar a sociedade pelo site da Agência Senado de Notícias.

Questionamentos

Os canais de televisão são concessões públicas. O concessionário privado tem a obrigação de bem informar a sociedade. A não transmissão em tempo real dos acontecimentos terroristas na Esplanada dos Ministérios, obriga-nos ao questionamento semelhante ao que é feito sobre a ação das forças de segurança do governo do Distrito Federal. Houve incompetência ou foi conivência? Por que as emissoras detentoras de tecnologia de ponta, helicópteros, drones, antenas de micro-ondas, câmeras instaladas em motos, ignoraram o ocorrido, talvez o fato mais importante do país desde a redemocratização? A pandemia da Covid mostrou que até mesmo com celulares é possível prover uma cobertura dos fatos.

Para a coordenadora do sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF, Juliana Nunes, os episódios desse domingo evidenciaram a importância de se fortalecer a comunicação pública e governamental, bem como legislativa e judiciária. “Tudo para que a população seja devidamente informada e o patrimônio público, protegido. A sociedade brasileira precisa ter a correta dimensão dos crimes cometidos neste domingo” – complementa.

A história nos mostra que em vários momentos politicamente importantes do Brasil, as emissoras de televisão em transmissão aberta pecaram. Maior exemplo foi a campanha das Diretas Já e a reedição dos debates presidenciais entre Collor de Melo e Luís Inácio Lula da Silva. Algumas emissoras fizeram o mea culpa. Esperamos que o comportamento editorial adotado por diversos canais no fim de semana de 8 de janeiro não seja uma retomada do mau jornalismo. 

*Jornalista, documentarista, Doutor em Ciências da Informação e Comunicação, pela Universidade de Rennes 1, na França. Pesquisador associado ao Núcleo de Mídia e Política – Nemp, da Universidade de Brasília.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Fotografia: Duas exposições movimentam o fim de ano em Brasília

O social e o monumental de Brasília destacam-se em duas exposições fotográficas que animam o o fim de ano na Capital Federal.


Por Chico Sant'Anna

Duas exposição fotográficas, Além das Convicções e Novo Olhar sobre Brasília, revisitam nesse mês de dezembro os trabalhos dos expoentes do fotojornalismo de duas gerações de fotojornalistas da Capital Federal: Ivaldo Cavalcante e Ana Volpe. Os dois eventos tem entrada gratuita.

Além das Convicções propõe ser uma antevisão do futuro por meio das imagens do presente e do passado, exigindo um olhar despido de conceitos, rótulos e credo. Indo além das convicções, do que você tem “certeza”, Ivaldo Cavalcante explora uma realidade atemporal” – explica o curador Rafael Rodrigues.

Ela pode ser visitada, até o dia 22 de dezembro, na galeria Olho de Águia, em Taguatinga Norte, CNF 1, edifício Praiamar. 

O fotógrafo

O cearense de Crateús, Ivaldo Cavalcante, tem como marca registrada de seu trabalho, ao longo dos últimos 40 anos, o foco sobre o aspecto social, o underground de Brasília. 

Ivaldo gosta de registrar que à pouca distância dos palácios do poder, a injustiça social campea. Crianças, mulheres, trabalhadoras do sexo, o submundo das drogas... todos esses temas não escapam do enquadramento de Ivaldo Cavalcante que foi um dos primeiros fotógrafos brasileiros a conquistar o Prêmio Internacional Rei da Espanha de fotografia, em 1994. 

Novo Olhar sobre Brasília

Novo Olhar sobre Brasília está montada na galeria de arte do Quanto Café e traz os experimentos fotográficos de Ana Volpe. Abusando das lentes grandes angulares, das visões aéreas, Ana Volpe pretende revisitar os principais monumentos, construções e cenários da capital. Entre os locais retratados na mostra estão o Congresso Nacional, a Catedral Metropolitana, a Praça dos Três Poderes, os ipês da capital e até o famoso céu de Brasília.

Os registros foram feitos com o uso de tripé, câmera e nodal, que possibilitam sete cliques da área capturada. As fotos na exposição são o resultado da junção dessas imagens. Assim, é possível se obter paisagens em fotos em 360 graus, transformadas em figuras circulares As fotos estão impressas em "fine art", nas técnicas minimundi (com) ou equirretangular (também com fotos panorâmicas). Todas as imagens estarão à venda.

A fotógrafa

Ana Volpe é repórter-fotográfica e jornalista, com curso de curadoria de arte e curta-metragem em Barcelona, na Espanha. Ela também é graduada e pós-graduada em Artes visuais e trabalha na Agência Senado.

Todo esse trabalho pode ser apreciado até 15 de dezembro na galeria de arte do Quanto Café (CLN 103 Bl. A Lj.52), todos os dias da semana, das 8h até 21h.

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

UDF realiza oficina fotográfica

Foto-Grafia: Percepção, Diálogos e Sentidos: esse o nome da oficina que a UDF realiza em Brasília, sob a coordenação do professor da instituição, o fotógrafo Ângelo Dimitre Gomes Guedes, doutor em  Educação, Arte e História da Cultura. A programação acontece presencialmente, nos dias 23 e 26 de novembro e em 07 de dezembro. A ativididade é voltada para estudantes e profissionais de Comunicação, Publicidade, Jornalismo, Artes visuais, Fotografia, Cinema, bem como os aficionados pela imagem.   

A oficina tem como principal objetivo explorar a fotografia como uma forma de perceber, se expressar, compartilhar e transformar pontos de vista. No primeiro encontro, será feita uma introdução e uma contextualização ao tema, explorando, de forma interdisciplinar, referências artísticas relacionadas à fotografia, à percepção, ao imaginário e às narrativas visuais. O segundo encontro será uma saída fotográfica em que os participantes irão fotografar com os seus próprios equipamentos um local que ainda será definido, dentro da cidade de Brasília. O último encontro será a conclusão do processo, com leitura das imagens produzidas durante a saída fotográfica, diálogos sobre o tema e esclarecimento de dúvidas.  

Inscrições:  

As inscrições já foram abertas tanto para a comunidade interna quanto a externa a UDF. As vagas são limitadas. Formulário para inscrição disponível aqui, no site do projeto .  Serão disponibilizadas trinta vagas e o curso terá um total de seis horas com direito a certificado.

Serviço:  

Oficina Foto-Grafia: Percepção, Diálogos e Sentidos 

Data: 23 e 26 de novembro e 07 de dezembro  

Quem pode se interessar: Entusiastas por comunicação visual e arte de modo geral. Estudantes e profissionais de Comunicação, Publicidade, Jornalismo, Artes visuais, Fotografia, Cinema, Design e áreas afins talvez se interessem de maneira especial. Deste modo, a oficina pode se estabelecer como introdução, revisão ou complemento, dependendo do perfil do participante e do diálogo que se construirá no decorrer da oficina.  

Onde: Centro Universitário do Distrito Federal (UDF) - Sgas 903 - s/n LT52 Edhob, Brasília - DF, 70390-045

terça-feira, 18 de outubro de 2022

Livro: A política contada e cantada no cordel versus a grande mídia

Por Chico Sant'Anna


O momento não podia ser melhor. Período eleitoral, discussão sobre o voto dos nordestinos, um cenário perfeito para se lançar o livro Política e Literatura de Cordel - o folheto de política como mídia informativa alternativa, popular e contra-hegemônica. Em tempos de redes sociais, zap zap, o pesquisador e jornalista cearense, Alberto Perdigão, mergulhou nos folhetins da literatura de cordel que tratam de política. A obra discute a poesia-reportagem como alternativa à notícia do jornal e analisa as narrativas do cordel sobre o golpe que destituiu a presidente Dilma Rousseff

Política e Literatura de Cordel - o folheto de política como mídia informativa alternativa, popular e contra-hegemônica (RDS, 2022, 352 p.) será lançado, com a presença do autor, em Brasília, nesta sexta-feira (21), às 17 horas, na livraria Sebinho (Comércio Local Norte 406, bloco. C, loja 44). A obra reúne uma coletânea de 12 artigos resultantes de uma pesquisa inédita, realizada por Perdigão, durante os anos de 2016 e 2021.

Dois dos capítulos analisam a narrativa de oito folhetos de cordel de autores nordestinos, publicados durante o processo de destituição da presidente Dilma Rousseff. Nas poesias-reportagens da amostra, os poetas-repórteres optam pela versão de golpe, diferentemente da perspectiva de impeachment apresentada pela mídia convencional. A amostra está reproduzida na íntegra em um dos anexos do livro.

“São mistos de notícia e de editorial perfeitos na rima e na métrica, e impecáveisl do ponto de vista da narrativa jornalísitica”, afirma Perdigão. Os artigos foram publicados em anais de congressos e em revistas científicas. A obra homenageia três pesquisadores da literatura de cordel já falecidos, que contribuíram com a pesquisa do autor: Joseph Luyten, que morreu em 2016, Gilmar de Carvalho (2021) e Arievaldo Viana (2021).

O autor

Alberto Perdigão (Fortaleza, 1963) - jornalista, mestre em políticas públicas e sociedade, pesquisa o folheto informativo da literatura de cordel, com ênfase no folheto de política. Atua como editor, apresentador em programas de jornalismo popular, e como professor de comunicação comunitária e alternativa. É autor dos livros Comunicação Pública e TV Digital (EdUece, 2010 - dissertação de mestrado), Comunicação Pública e Inclusão Política (RDS, 2014 - artigos jornalísticos) e Únicos (Editora Radiadora, 2021 - poesias). 


Serviço:
Livro
- Política e Literatura de Cordel - o folheto de política como mídia informativa alternativa, popular e contra-hegemônica
Autor -  Alberto Perdigão - 
Contato WhatsApp - (85) 99988.8638.
Capa: Rafael Limaverde.
Ilustração da capa: Hamurábi Batista
Lançamento no DF - Livraria Sebinho (Comércio Local Norte 406, bloco. C, loja 44) sexta-feira (21), às 17h
ISBN: 978-65-88668-36-8

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Brasil é o 5º país com mais usuários de internet no mundo

O País é o líder na América Latina em número de internautas ativos, computadores fixos, tablets e notebooks perdem espaço para o celular.

Por Chico Sant'Anna 

 

Com mais de 165 milhões de usuários e a sexta sexta maior população do mundo - fica atrás do Paquistão -, o Brasil se encontra na 5ª posição do ranking mundial dos países com a maior quantidade de usuários de internet. 

Em termos de acesso à web perde somente da China (1 bilhão), Índia (658 milhões), Estados Unidos (307 milhões) e Indonésia (204 milhões). 

Dentre os brasileiros com acesso à web, 99% são via celular. É o que revela um estudo divulgado pela plataforma de desconto CupomValido.com.br com dados da Statista sobre os usuários de internet no mundo.

América Latina

No total, em todo o planeta, são mais de 5 bilhões de usuários de internet ativo pelo mundo. Ao levar em consideração somente os países da América Latina, a Argentina fica em 3ª posição com 38 milhões de usuários de internet. O México fica em 2ª posição, com 96 milhões. E o Brasil é o líder absoluto, com mais usuários que o 2º e o 3º colocados combinados.

Provedores mais usados

No Brasil, a NET (Claro NET) é o provedor de internet mais usados pelos brasileiros, com 22%. A Vivo está em segunda posição, com 16%. E a Claro em terceira com 14%. Em seguida fica a Oi, com 12%. A Brisanet, Cabo Telecom e Tim Live, possuem 3% de participação de mercado cada.

Por onde o brasileiro mais acessa a internet?

O celular é o aparelho preferido dos brasileiros acessarem a internet. Aproximadamente 99% dos usuários de internet no Brasil acessam pelo celular. 

Além do celular, 50% dos brasileiros acessam a internet via TV, principalmente, demando pelos serviços de streaming.

O Notebook e o Computador, ficam em terceira e quarta posição, respectivamente. Apesar de menores posições, a soma da porcentagem de Notebooks e Computadores, ainda representam uma grande fatia de quase 38%.

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Jornalista lança livro de poesias para enfrentar a intolerância

 

A poesia de Viviane Viana se afasta da semiótica fria, que fez com que o gênero se distanciasse do interesse dos leitores, para contar histórias de forma compreensível e atraente, com poemas fluidos e musicais. 

Em tempos marcados pela intolerância, chega ao mercado o livro de poesia Cada um sabe onde o poema aperta (Caravana Editorial), da escritora e jornalista Viviane Viana. Dividido em três partes – Traço, Laço e Estilhaço –, a autora constrói um percurso que começa com a apresentação de seu traçado poético, passa pela fase do envolvimento, em que abraça o leitor com seu lirismo, e o conduz aos “apertos” finais, conforme o título sugere.

A poesia de Viviane Viana se afasta da semiótica fria, que fez com que o gênero se distanciasse do interesse dos leitores, para contar histórias de forma compreensível e atraente, com poemas fluidos e musicais. Aliás, o livro ganhou contrato de publicação porque a autora foi selecionada numa chamada de poesia, espécie de concurso realizado por algumas editoras.

De acordo com a professora Ana Jurkiewicz, que assina a orelha da obra, “a autora é contundente na denúncia da miséria, da desumanização, dos preconceitos e é também delicada e divide com o leitor suas feridas, parte do subterrâneo de sua alma”.

O livro, que já está em pré-venda, será lançado no dia 19 de novembro, em Teresópolis, no Rio de Janeiro. Na semana seguinte, em 26/11, a autora fará uma performance na Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, que nesta edição retoma as ruas e praças da cidade.


Sobre a autora

A jornalista e poetisa Viviane (de Paula) Viana nasceu no Rio de Janeiro, em 1975. Morou em Madri, São Paulo, Brasília e Natal. Hoje, se divide entre a capital fluminense e a cidade serrana de Teresópolis. 

A produção literária impressina. Publicou o livro-box Tirando de Letra, voltado ao público infantojuvenil, e participou da antologia Travessia: literatura para atravessar o fascismo, também lançado neste ano. 

Como jornalista, atuou nas redações dos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, Tribuna do Norte e agência de notícias EFE. 

Foi coordenadora da TV Escola e ghostwriter de dois presidentes da República.


Palinha para os leitores

Poema “bolacha da privação”, que está no livro.


Bolacha da privação


dois quilos de barro

uma colher de manteiga

sal a gosto


junte tudo

prense com as mãos

deixe secar ao sol


a receita não tem mistério

incompreensível é a miséria 


Uênio não conheceu o brigadeiro

Uênio não sobreviveu à primeira infância


domingo, 11 de setembro de 2022

Cem anos da rádio cubana. O som de um país dentro da pele

Cem anos de transmissões continuadas, mais de 60 sendo – nas palavras de Fidel – «a artilharia pesada da Revolução». A rádio em Cuba é o som de um país dentro de sua pele.

Por Laura Mercedes Giraldez informacion@granmai.cu, publicado anteriormente em Prensa Latina

Está raiando o dia. Antes que seja posta no fogo a primeira cafeteira do dia, um lar se aproxima ao mundo exterior através do éter. Fora da hora, o dial indica que o pacto do motorista com a solidão do caminhão terminou. Ao mesmo tempo em que vigia a frigideira, alguém procura uma emissora à espera de sua novela favorita. Enquanto do outro lado da porta uiva o vento, em torno de uma rádio, as pessoas escutam novidades acerca da trajetória de um furacão. Com a esperança fixa no escopo desse meio de comunicação, um músico jovem espera sua estreia.

Desde que, em 22 de agosto de 1922, Luis Casas Romero e seu filho Luis Casas Rodríguez puseram no ar a primeira transmissão de rádio em Cuba, o cotidiano da Ilha maior das Antilhas abriu um espaço vital à radiodifusão.

Com uma emissora de reduzida potência, situada na rua Ánimas No. 99, a 2lc se converteu na emissora que, após as 21 horas, iniciava a sua programação musical, acompanhada pela informação da previsão do tempo. Única em nosso país, das primeiras no continente. Seríamos pioneiros também na locução feminina na América Latina: Zoila Casas Rodríguez aderiu à façanha familiar. Mais tarde legaríamos ao mundo a radionovela.

A rádio é a proximidade que se cria entre o locutor e seu ouvinte. É a intimidade do sussurro, a história que, através da palavra, penetra nas mentes, a voz acompanhante, a possibilidade de escutar imagens, os caminhos tresandados pelas pessoas.

Cem anos de transmissões continuadas, mais de 60 sendo – nas palavras de Fidel – «a artilharia pesada da Revolução». A rádio em Cuba é o som de um país dentro de sua pele.