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sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Fotografia: Duas exposições movimentam o fim de ano em Brasília

O social e o monumental de Brasília destacam-se em duas exposições fotográficas que animam o o fim de ano na Capital Federal.


Por Chico Sant'Anna

Duas exposição fotográficas, Além das Convicções e Novo Olhar sobre Brasília, revisitam nesse mês de dezembro os trabalhos dos expoentes do fotojornalismo de duas gerações de fotojornalistas da Capital Federal: Ivaldo Cavalcante e Ana Volpe. Os dois eventos tem entrada gratuita.

Além das Convicções propõe ser uma antevisão do futuro por meio das imagens do presente e do passado, exigindo um olhar despido de conceitos, rótulos e credo. Indo além das convicções, do que você tem “certeza”, Ivaldo Cavalcante explora uma realidade atemporal” – explica o curador Rafael Rodrigues.

Ela pode ser visitada, até o dia 22 de dezembro, na galeria Olho de Águia, em Taguatinga Norte, CNF 1, edifício Praiamar. 

O fotógrafo

O cearense de Crateús, Ivaldo Cavalcante, tem como marca registrada de seu trabalho, ao longo dos últimos 40 anos, o foco sobre o aspecto social, o underground de Brasília. 

Ivaldo gosta de registrar que à pouca distância dos palácios do poder, a injustiça social campea. Crianças, mulheres, trabalhadoras do sexo, o submundo das drogas... todos esses temas não escapam do enquadramento de Ivaldo Cavalcante que foi um dos primeiros fotógrafos brasileiros a conquistar o Prêmio Internacional Rei da Espanha de fotografia, em 1994. 

Novo Olhar sobre Brasília

Novo Olhar sobre Brasília está montada na galeria de arte do Quanto Café e traz os experimentos fotográficos de Ana Volpe. Abusando das lentes grandes angulares, das visões aéreas, Ana Volpe pretende revisitar os principais monumentos, construções e cenários da capital. Entre os locais retratados na mostra estão o Congresso Nacional, a Catedral Metropolitana, a Praça dos Três Poderes, os ipês da capital e até o famoso céu de Brasília.

Os registros foram feitos com o uso de tripé, câmera e nodal, que possibilitam sete cliques da área capturada. As fotos na exposição são o resultado da junção dessas imagens. Assim, é possível se obter paisagens em fotos em 360 graus, transformadas em figuras circulares As fotos estão impressas em "fine art", nas técnicas minimundi (com) ou equirretangular (também com fotos panorâmicas). Todas as imagens estarão à venda.

A fotógrafa

Ana Volpe é repórter-fotográfica e jornalista, com curso de curadoria de arte e curta-metragem em Barcelona, na Espanha. Ela também é graduada e pós-graduada em Artes visuais e trabalha na Agência Senado.

Todo esse trabalho pode ser apreciado até 15 de dezembro na galeria de arte do Quanto Café (CLN 103 Bl. A Lj.52), todos os dias da semana, das 8h até 21h.

domingo, 11 de agosto de 2013

Luis Humberto é tema de exposição do Museu da Fotografia Documental.

Texto enviado por Roberto Castello

O Museu da Fotografia Documental trás em sua primeira edição de fotógrafos convidados uma coletânea do aclamado fotografo Luis Humberto, um dos maiores nomes da fotografia nacional, em especial do fotojornalismo.
Formado em arquitetura pela universidade do Brasil, foi cofundador da Universidade de Brasília, fotografou profissionalmente para as revistas Veja, Quatro Rodas, Realidade. Isto É e Claudia. 
O fotografo é considerado uma referencia histórica no fotojornalismo Brasileiro e é mestre da contemporânea geração de fotojornalistas da Capital Federal.
Para visitar o trabalho fotográfico de Luiz Humberto, clique aqui.


Museu da Fotografia Documental (MFD) é uma experiência pioneira no reconhecimento da fotografia documental como ferramenta de reflexão para a fotografia brasileira e de determinados cenários socioculturais, econômicos e políticos do país.
O MFD é o primeiro web museu do Brasil voltado exclusivamente para a fotografia documental. A missão é difundir a fotografia documental como produto cultural.  tornar conhecida a fotografia documental, cujo principal valor é ilustrar uma determinada época de modo a permitir o entendimento futuro dos fatos que marcaram aquele tempo.A fotografia documental abrange diferentes aspectos da natureza humana e é fundamental para o resgate histórico e cultural de nosso passado.
Grande vencedor do XII Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, realizado em 2012, o Museu da Fotografia Documental é fruto do trabalho da Organização Terra Vermelha Cultural, uma instituição do terceiro setor sem fins lucrativos que tem por objetivo a difusão da fotografia como patrimônio cultural, histórico e da antropologia visual.
Fomentar a disponibilização de imagens sobre a vida e o modo de fazer do homem brasileiro é nosso objetivo principal. Elevar a fotografia ao status de documento é a razão do Museu da Fotografia Documental.

O MFD tem a intenção de criar o incitamento necessário para outras obras fotográficas documentais ainda não reveladas e podemos abrigar acervos fotográficos que estão sob a guarda de particulares e de organismos públicos e privados e que não encontram maneiras de apresentá-los ao grande público.

sábado, 22 de maio de 2010

Salvem o acervo fotográfico da Bloch Editores!!

Os Ministérios da Cultura e da Previdência poderiam fazer uma dobradinha especial e resgatar um dos acervos fotográficos mais bonitos e completos da história do país na segunda metade do século XX. Estou falando das fotos, slides, negativos da Bloch Editores que ilustraram revistas como a Manchete, Fatos & Fotos, Geográfica Universal, Amiga, Pais & Filhos, Ele & Ela, Agricultura Hoje, Tendências, Desfile, Céu, Engenharia Hoje e tantas outras.
Todo este acervo foi a leilão sem que houvesse interessados. Ou melhor, apenas uma pessoa se mostrou interessado em comprar este acervo calculado em 12 milhões de fotos,
cromos e negativos feitos por fotógrafos do quilate de Ronan Soares, Cláudio Alves, André Dussek (com estes três tive o prazer de trabalhar), Roberto Stuckert, hoje na Presidência da República (Alô Stuckert, dá um toque ai no Lula sobre isso!!!), Gervásio Baptista, Dettmar, dentre tantos outros. Nos tempos de ouro, a equipe de fotógrafos de Manchete ultrapassava a centena, espalhada entre o eixo Brasília-Rio-São Paulo, as sucursais nacionais e internacionais e free-lancers pelo mundo inteiro.



São fotos sobre quase tudo: atentado contra Carlos Lacerda na Rua Toneleiros, inauguração de Brasília, chegada do homem à Lua, abertura da Transamazônica, Serra Pelada. Em 1954, uma das capas que marcaram época foi a foto de Tancredo Neves chorando sobre o caixão de Getúlio Vargas.
Além dos funerais de Getúlio, lá também estão os de Francisco Alves, o Rei da Voz (1952), de Carmen Miranda (1955), as rebeliões fracassadas contra o governo JK: antes da posse, a bordo do navio Almirante Tamandaré (1955) e o levante de Jacareacanga, uma base na floresta amazônica, que estourou no sábado de Carnaval de 1956 e não durou muito.


No acervo estão os registros dos concursos de Miss Universo, inclusive a polegada a mais de Martha Rocha (1954), 12 Copas do Mundo de Futebol, inclusive a conquista da primeira Copa pela seleção brasileira em campos da Suécia (1958); o surgimento de dois movimentos que se tornariam sucesso até mesmo fora do país: a bossa nova (com suas principais estrelas, como João e Astrud Gilberto, Nara Leão, a dupla imortal Tom e Vinicius, Roberto Menescal e Ronaldo Bôscolie), o cinema novo, os festivais de cinema de Brasília.
Quem teve a oportunidade de trabalhar na Manchete, sabe que Adolpho Bloch tinha um insuperável padrão de exigência em relação as fotos, que chegava a assustar qualquer fotógrafo. Quado lá estagiei como repórter de texto, em 1977, a primeira lição que aprendi do meu então chefe, Sérgio Ross - ele também um fotógrafo de formação - foi: "aqui na Bloch o lead é a imagem, é a fotografia".

Bem, todo este acervo foi a leilão, com um lance mínimo de R$ 1.249.249,30 (um milhão duzentos e quarenta e nove mil duzentos e quarenta e nove reais e trinta centavos). A quantia arrecadada destina-se a pagar créditos trabalhistas devidos aos ex-empregados da Bloch. A expectativa era de que os interessados fossem empresas de comunicação, instituições de pesquisa, universidades, bibliotecas ou de preservação da memória, como o Arquivo Nacional. Mas nenhuma instituição deste perfil apareceu.
Como não houve interessados, o leilão foi aberto para ofertas do tipo ‘quem dá mais’. O advogado Luiz Fernando Fraga Barbosa ofereceu, então, R$ 300 mil. O lance foi aceito, mas de forma condicional, como manda a lei. Ou seja, a oferta está sujeita à aprovação das partes envolvidas: a Massa Falida, a
Justiça, que conduz o processo de falência, e o próprio representante da empresa falida. Indagado sobre o que faria com um acervo de milhões de cromos, negativos e ampliações fotográficas, Luiz Fernando foi vago e limitou-se a dizer que comprou ‘para a família’ e não confirmou se representava alguém ou algum grupo”.

Como a União, em especial a Receita Federal e a Previdência são uns dos maiores credores da extinta Bloch, o governo bem que poderia resgatar todo este acervo e abater da dívida que a Bloch tem com ele. Todo mundo sabe que a União não vai ver a cor do dinheiro da massa falida da Bloch, pois o filé mignon, a TV e a rede de rádios foi transferida para a Rede TV e para a Nova Brasil FM, sem que houvesse benefício aos credores,em especial os antigos trabalhadores e o contribuinte.
Desta forma, ao resgatar esta história documentada, que precisa de dispendiosos processos de conservação, a União estaria resgatando para a sociedade brasileira um pouco de sua história e, por que não dizer, de seus impostos.