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sexta-feira, 1 de julho de 2016

Portal do jornal Brasil Popular sofre sete ataques de hackers

Depois de sofrer o sétimo ataque, portal do Brasil Popular volta ao ar
Por Eduardo Ramos
O site do Jornal Brasil Popular sofreu, no último fim de semana, seu sétimo ataque de hackers. A invasão ocorreu um dia após a postagem da versão impressa, que saiu na sexta-feira, 24 de junho.
Com mensagens fascistas, o ataque é um claro descontentamento com a manchete do jornal, que mostra aquilo que a grande mídia esconde. A manchete principal, “Temer admite golpe”, relata o ato falho cometido pelo presidente interino, quando ele disse, em uma entrevista, que Dilma "utiliza o avião, ou utilizaria, para ir fazer campanha denunciando o golpe".
O jornal Brasil Popular, com tiragem de 20 mil exemplares, é distribuído gratuitamente a cada duas semanas, na rodoviária do Plano Piloto, em Brasília, e em vários outros pontos da cidade. E aos poucos começa a chegar a algumas capitais brasileiras, com a colaboração de distribuidores voluntários. 
Para ler a versão impressa na internet, clique aqui.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Romance: Jornalista propõe uma volta às raízes para reconstruir o futuro

Mover o passado para reescrever o futuro

“Móvel é o passado” conta a saga do recém aposentado, funcionário público, 60 anos, Ronaldo Teixeira, que a princípio se assusta com as incertezas da vida de pijama, ou seja, do futuro que o espera, e resolve mexer com o próprio passado, retornando à cidade natal, no interior de Minas Gerais, de onde saiu pela porta dos fundos há quarenta anos, para nunca mais voltar, ou dar notícias suas.
O livro conta uma história contemporânea, sem preocupação, no entanto, em situar o leitor em espaços e contextos geográficos, para, propositadamente, instigá-lo a trabalhar a imaginação e até a movimentar o seu próprio passado, enquanto viaja com o personagem principal.
O que ele descobre em seu regresso às origens, no reencontro com sua terra natal e com conterrâneos, é que o passado que ficou arquivado na gaveta mais remota de sua memória, não é aquele que as pessoas que lá ficaram, conhecendo-o ou não, construíram a seu respeito a partir de fragmentos, dentro de um contexto social perversamente conservador.
- Não nos damos conta de como aquilo que vivemos, em determinado momento de nossas vidas, pode perder a importância para nós mesmos, mas conservar relevância e influência para outras pessoas que sequer imaginamos que ainda existam ou que se lembrem de nós, tal como lembramo-nos, ou não, delas – diz São Pedro.
Com a volta ao passado, Ronaldo Teixeira reincorpora ou incorpora à sua vida um conjunto de personagens marcados por traços de caracteres diversificados, porém, na sua maioria, unidos por laços familiares.
Ele vai construindo assim relacionamentos não consentidos, reprimidos e ocultos, que se revelam na medida em que ele se torna um verdadeiro investigador de si e mergulha naquele universo que se identifica com ele mais do que imaginava.
- No princípio ele se assusta com o que começa a descobrir. Quando entende o que se passa, ele pensa em recuar. Mas instigado pela curiosidade e pelo próprio medo de fugir, levando dúvidas que o atormentariam para sempre, resolve encarar os fatos e se surpreende, ora positiva, ora negativamente – diz Joaquim São Pedro.
No meio daquele turbilhão de descobertas e emoções, Ronaldo se dá conta de que a volta à velha rotina, se acontecer e em que circunstância acontecerá, não se dará da mesma forma como quando partiu em busca do seu passado, incomodado que estava com o seu presente, e inquieto e ansioso por um futuro mais equilibrado e com emoções renovadas.

Joaquim é autor ainda do romance “Carugurací
 – Cidade Solidão” e do livro de contos “Amor de BR”.
Sobre o autor:
“Móvel é o passado” é o terceiro trabalho literário do jornalista Joaquim São Pedro, 58 anos. Mineiro de Cataguases, criado no Rio de Janeiro e radicado em Brasília há vinte e um anos.
Joaquim São Pedro participará da Feira do Livro de Brasília, que este ano acontecerá entre os dias 16 e 24 de julho, no Centro de Convenções. No dia 20, ele estará no stand da editora Arco Iris, numa parceria com a Outubro, autografando o seu livro.
Joaquim é autor ainda do romance “Carugurací – Cidade Solidão” e do livro de contos “Amor de BR”. Esta é, porém, a primeira parceria do autor com a Outubro edições, editora de Brasília, comandada pela jornalista e escritora Clara Arreguy.
- Fiquei muito feliz com o trabalho da Outubro, cuidadosa com tudo, desde a edição, com uma diagramação arejada, e acabamento de muito bom gosto. Acho que as pessoas que gostam de ler uma história, em ordem cronológica, com princípio, meio e fim, vão gostar e se identificar com a trajetória de um personagem que tem muito a ver com cada um de nós, quando sentimos inquietações e resolvemos mexer com algo em nossas vidas, neste caso, com o passado – diz o autor.

Ficha técnica:

Título: Móvel é o passado - Autor: Joaquim São Pedro
Editora: Outubro Edições.
Ano: 2016

sábado, 25 de junho de 2016

Depois de 176 anos, estúdio fotográfico mais antigo do mundo é fechado

Fonte: BokehThe Hyndu


Fundado em 1840, o estúdio Bourne and Shepherd, em Calcutá (Índia), o mais antigo do mundo ainda em funcionamento fechará suas portas. Ele acaba de perder uma batalha judicial pelo prédio original. O estúdio ficou conhecido por ter produzido retratos de conhecidas figuras religiosas da Índia, governantes e grandes celebridades do país como o vencedor do prêmio nobel de literatura Rabindranath Tagore e cineasta Satyajit Ray, ganhador de um Oscar.
Um dos grandes motivos alegados para a decadência final do estúdio foi a chegada da fotografia digital. “Como você pode esperar que um estúdio opere nesta geração onde todos estão clicando fotos de seus celulares e câmeras digitais?”, disse um funcionário do estúdio ao jornal The Hyndu. Antes disso ainda, em 1991, um incêndio não só complicou o estúdio financeiramente, mas destruiu preciosos registros históricos armazenados em forma de negativo.
O anúncio do encerramento de atividades se dá justamente uma semana após a exposição “Bourne and Shepherd: Figures in Time” (Bourne e Shepherd: Figuras do Tempo), em Deli, mostrando a história e de alta qualidade da produção realizada. O estúdio fotográfico leva o nome dos seus criadores, os britânicos Charles Shepherd e Samuel Bourne.
Na última década, o estúdio esteve envolvido em uma longa batalha judicial contra a Life Insurance Corporation of India (LIC), proprietária original do edifício. “Nós só tinhamos o edifício em locação e devido a um problema de espaço, e uma discrepância sobre o aluguel, eles queriam de volta. Abrimos um processo em 2002 e, finalmente, perdemos a batalha na justiça”, disse Jayant Gandhi, proprietário desde 1964. Agora, o futuro e legado do estúdio está nas mãos da LIC. Espera-se apenas que a instituição saiba preservar o legado histórico não só indiano, mas da fotografia mundial.

O “boom” das rádios comunitárias no Maranhão

Publicado originalmente em Jornal Pequeno
No Maranhão existem atualmente 158 rádios comunitárias autorizadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). De forma geral, essas rádios atuam em municípios que não possuem cursos superiores ou técnicos em Radialismo e mesmo aquelas que se localizam em São Luís geralmente estão instaladas em bairros da periferia, cujo número de profissionais da Comunicação é baixo.
As rádios comunitárias são um dos três tipos de rádios cuja atuação é permitida m território nacional. Elas consistem espaços democráticos de comunicação para pequenas comunidades, levando a elas informação, cultura, lazer e entretenimento. No Brasil, hoje as rádios comunitárias já respondem por cerca de 45% do total de rádios do país.
Como parte das ações de extensão da Faculdade Estácio de São Luís, a instituição desenvolve o Projeto de Extensão Capacitação para Radialistas Comunitários, que tem como público-alvo quem atua nas áreas de produção, locução e apresentação de programas. O curso envolve 10 rádios comunitárias do estado e os participantes foram indicados por intermédio da Associação Brasileira das Rádios Comunitárias (Abraço-MA). O projeto é gratuito e tem duração de quatro meses, com carga horária de 30 horas. Após o término das aulas, a intenção é que uma nova turma seja formada.
“Através da capacitação, as localidades onde estão as emissoras tendem a receber uma programação mais condizente com suas necessidades, com técnicas radiofônicas mais apuradas”, afirma Paulo Pellegrini, professor responsável por ministrar as aulas do projeto.
A proposta da pauta é mostrar o ambiente de algumas das rádios comunitárias (Verdes Mares e Tropical – São José de Ribamar; Cultura – Maiobão; Araruna – Cohatrac; Rádio Bacanga – Itaqui-Bacanga), assim como a capacitação dos radialistas desse setor. As aulas do Projeto de Extensão da Estácio serão encerradas na manhã deste sábado (25), quando os alunos apresentarão materiais produzidos durante o curso.

EBC: Governo interino cancela contratos e tira programas do ar

Por Miguel do Rosário, publicado anteriormente em Jornal GGN
 
Reproduzo abaixo nota de uma amiga jornalista, que está acompanhando de perto a destruição incrivelmente rápida pela qual vem passando a TV Brasil, a EBC e todo o sistema público de comunicação, com apenas algumas semanas de governo golpista.
 
***
 
Os ataques à comunicação pública não param. A EBC, empresa pública de comunicação, na qual estão rádios históricas no país, como a MEC AM do Rio de Janeiro – a primeira rádio brasileira, está tirando do ar programas que deixaram sua marca no rádio nacional. Um exemplo disso ocorreu na última quinta-feira, 16/06, quando foi ao ar o último ZoaSom, programa da ONG Criar Brasil que ia ao ar na MEC AM RJ e na Roquette-Pinto FM 94,1.
 
A saída do ZoaSom do ar tem um único motivo: a não renovação de contratos de muitos programas da grade, principalmente das rádios EBC (Empresa Brasil de Comunicação), devido ao que se chama de crise econômica mas que, sabemos, é bem mais uma crise política.
 
Programa pensado por jovens, o ZoaSom trazia para o debate temas que aliavam juventude e cidadania. Tudo isso feito de forma ampla, democrática, sincera. Dos debates mais quentes, como a legalização do aborto, até os mais “tranquilos”, como relacionamentos amorosos em tempos de internet, o programa trazia todos os lados possíveis para dentro da conversa. Isso sem falar do espaço para a música independente mostrar seu trabalho, fato raro dentro das rádios brasileiras, trabalho sempre privilegiado pelo ZoaSom. Mais de 300 músicos e bandas se apresentaram, ao vivo no programa, ao longo destes seis anos.
 
O fim do ZoaSom e a não renovação de contratos de diversos outros programas das rádios públicas do país representa apenas uma das pontas dos ataques à comunicação pública orquestrados pelo governo interino de Michel Temer. Ponta que se une aos argumentos daqueles que defendem o fim da TV Brasil, por exemplo. Com a retirada de programas da grade da EBC, perde-se, a cada dia, espaços de diálogo e de pluralidade nas conversas e produções. E, neste processo, a maior perda possível é a da população que acaba ficando cada dia mais refém de uma comunicação única, sem que sua voz seja ouvida e propagada.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

TST determina que EBC pague salário de Jornalista a repórter-cinematográfico


Reprter cinematogrfico recebe salrio de jornalista aps deciso do TST

Da Ascom do TST
Por unanimidade, a Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho condenou a Empresa Brasil de Comunicação S.A. - EBC a pagar a um repórter-cinematográfico diferenças salariais em relação ao cargo de jornalista. Apesar de o plano de carreira estabelecer salário inferior para repórteres-cinematográficos, os ministros decidiram pela equiparação porque a função é desempenhada por profissionais de jornalismo, conforme legislação específica.
O empregado afirmou que, em 2010, a EBC alterou o salário de repórter cinematográfico para valor abaixo do destinado aos jornalistas. No entanto, sustentou que o artigo , alínea j, do Decreto-Lei 972/1969, que regulamenta o trabalho do jornalista, incluiu sua atividade entre as atribuições da profissão. Disse ainda que a empresa, no concurso de 2011, igualou o salário dos dois cargos, mas não alterou a sua remuneração.
A EBC alegou a necessidade de aprovação em concurso para o empregado receber as vantagens do outro cargo, nos termos do artigo 37, inciso II, da Constituição Federal. Conforme a defesa, o processo seletivo de 2011 estabeleceu salários iguais porque houve exigência de nível superior para as duas funções, que, entretanto, envolvem atividades distintas.
O juízo de primeiro grau e o Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (DF/TO) indeferiram o pedido do repórter. Para o TRT, a isonomia salarial, prevista no artigo 461 da CLT, não se aplica ao caso, porque a reportagem cinematográfica, apesar de ser feita por jornalista, abrange tarefas distintas de outros ramos da profissão, como o jornalismo de produção textual ou fotográfica.
TST
No recurso ao TST, o repórter afirmou que possui registro de jornalista e que sua função é típica e exclusiva da profissão. Sustentou ainda que a EBC fez distinção contrária à lei ao enquadrá-lo como técnico.
O ministro Augusto César de Carvalho, redator do acórdão, votou no sentido de que a decisão regional violou o artigo , alínea j, do Decreto-Lei 972/1969. "Tendo o TRT registrado que a atividade do reclamante é de repórter cinematográfico, atividade legalmente prevista no rol de atribuições do jornalista, não há motivo para que perceba salário inferior ao pago aos jornalistas", concluiu.

domingo, 19 de junho de 2016

Opinião: Uma TV Brasil para os brasileiros

Por Alberto Perdigão*, publicado originalmente no jornal O Povodo Ceará



A TV Brasil foi a única emissora que acolheu, também, a perspectiva de um possível golpe, na cobertura das votações do acolhimento do processo de impeachment e do consequente afastamento da presidente Dilma. Colocou no ar o debate com defensores das duas versões, representantes de um governo sob suspeita e de uma oposição em vias de assumir interinamente a Presidência.

Cumpriu o seu papel como emissora pública, conforme previsto na Lei 11.652/2008 que criou a Empresa Brasil de Comunicação - EBC e a TV Brasil (artigos 2º I, II e III e 3º I, II e III), e de acordo com o manual de jornalismo da empresa (capítulo 1). 

Mas a emissora foi acusada de estar a serviço do governo que viria a ser afastado, em outras palavras, do PT.

O governo interino agiu de imediato. Destituir o presidente da EBC aos primeiros dias de um mandato que deveria ser de quatro anos, encerrou programas e o contrato com apresentadores, chegou a proibir a veiculação de uma entrevista com a presidente afastada. Fez o que fazem governos não republicanos e não democráticos, que se apropriam de emissoras estatais.

Ao desrespeitar a Lei da EBC, o governo da vez dá sinais de que rejeita um sistema público de comunicação que se paute pelo interesse coletivo. Ao atropelar decisões do Conselho Curador, instância decisória representativa da sociedade e do Estado, afirma seu descompromisso com a diversidade de temas e a pluralidade de vozes, que não se encontram na televisão privada.

Para o Conselho Curador e a Ouvidoria da EBC e para o movimento pela democratização da comunicação, os novos sinais transmitem a intenção de enfraquecer o sistema público de radiodifusão e, neste projeto, acabar com a TV Brasil como emissora pública.
Entendem que, ao contrário, a EBC já estava a precisar de mais independência financeira e de mais autonomia que a fortaleça diante de ameaças de quaisquer governos. E, penso eu, de uma mobilização social que a faça ser mais conhecida e desejada pelos seus verdadeiros donos, os brasileiros. 

*Jornalista, mestre em Políticas Públicas e Sociedade. Email: aperdigao13@gmail.com