Do M&M Online
O Internet Advertising Bureau e a PricewaterhouseCoopers divulgaram um relatório na terça-feira 30, informando que os investimentos em publicidade online em 2009 na Grã-Bretanha cresceram 4,2% em relação ao ano anterior. O setor sobreviveu à crise econômica e teve um segundo semestre positivo, permitindo que os investimentos chegassem ao número de 3,5 bilhões de libras, ou seja, U$5,3 bilhões de dólares.
Esse montante supera o desempenho do mercado como um todo, mesmo com uma taxa menor que a de 2008, que foi de 17,1%. Ainda assim foi melhor na comparação com o mercado de publicidade britânico em sua totalidade, que teve retração de 13% em 2009, segundo estimativa de dezembro da ZenithOptimedia. Essa mesma empresa previu uma queda de 2% para o mercado em 2010.
O percentual de crescimento está diretamente relacionado ao aumento da demanda por anúncios pagos baseados em buscas e vídeos. Os investimentos com banners e anúncios tradicionais de internet caíram, mas houve um aumento de 140% em anúncios em vídeo, filmes publicitários apresentados antes, depois ou durante um vídeo na internet.
Um espaço para os campos da Informação e da Comunicação e sobre eles abrir um debate com os leitores. Análises, artigos, avisos, concursos, publicações... Aqui você encontrará de tudo um pouco. Os textos poderão ser em português, espanhol, inglês ou francês.
domingo, 4 de abril de 2010
Publicidade: Brasil fechará 2010 como 6º maior da mídia mundial
Se considerados os investimentos em mídia, o Brasil ocupou em 2008 a oitava colocação, atrás justamente das sete maiores economias do mundo, de acordo com levantamento do bureau de mídia GroupM, que pertence ao grupo WPP, o maior do mercado publicitário.
E de acordo com as previsões mais recentes, o País deverá galgar mais duas posições até o final de 2010, ultrapassando Itália e França, ficando atrás apenas de, pela ordem, Estados Unidos, Japão, China, Alemanha e Reino Unido.
Clique aqui para ler a análise de executivos dos principais veículos sobre o desempenho da mídia no País em 2009 e as perspectivas para 2010.
O GroupW levantou ainda o investimento que se faz em mídia per capita, o que demonstra que o Brasil tem muito espaço para crescimento. Os Estados Unidos investiram em 2008 US$ 518 para cada cidadão do país, enquanto o Brasil ficou com US$ 64 por cabeça, um número que deve saltar para US$ 78 até o final de 2010. No Japão, a média per capita chegou a US$ 407, contra US$ 27 da China.
Mesmo sendo o terceiro maior mercado da publicidade, os asiáticos tem uma população de 1,3 bilhão, o que leva a média para baixo. Dentre os europeus, a Alemanha investe em média US$ 311, o Reino Unido outros US$ 343, a França US$ 256 e a Itália US$ 250.
No que tange à economia como um todo, dados da consultoria britânica Economist Intelligence Unit divulgados pelo jornal Folha de S. Paulo nesta semana mostraram que o Brasil voltou a ser a oitava maior do mundo, de acordo com o PIB em dólares de 2009, que chegou a US$ 1,53 trilhão. Em 2007, o país estava na 10ª posição, atrás de Espanha e Canadá, e em 2008 chegou ao nono lugar.
O ranking de PIB, segundo a Economist Intelligence Unit, é liderado por Estados Unidos, com US$ 14,26 tri, seguido por Japão (US$ 5,07 tri), China (US$ 4,91 tri), Alemanha (US$ 3,35 tri), França (US$ 2,68 tri), Reino Unido (US$ 2,19 tri) e Itália (US$ 2,12 tri). Atrás do Brasil estão Espanha, Canadá, Índia e Rússia.
Confira tabela com os investimentos em publicidade de 2008, 2009 e 2010 (em bilhões de US$).
2008
1º EUA – 157,633
2º Japão – 52,012
3º China – 35,223
4º Alemanha – 25,546
5º Reino Unido – 21,
6º França – 15,942
7º Itália – 14,863
8º Brasil – 13,125
2009 (Previsão)
1º EUA – 144,975
2º Japão – 49,184
3º China – 38,181
4º Alemanha – 23,831
5º Reino Unido – 18,596
6º França – 13,681
7º Brasil – 12,824*
8º Itália – 12,386
2010 (Previsão)
1º EUA – 138,752
2º Japão – 48,707
3º China – 42,771
4º Alemanha – 23,345
5º Reino Unido – 18,624
6º Brasil – 15,161
7º França – 13,056
8º Itália – 12,320
Fonte: Group M e Projeto Inter-Meios.
*Valor de 2009 fechado pelo Projeto Inter-Meios
E de acordo com as previsões mais recentes, o País deverá galgar mais duas posições até o final de 2010, ultrapassando Itália e França, ficando atrás apenas de, pela ordem, Estados Unidos, Japão, China, Alemanha e Reino Unido.
Clique aqui para ler a análise de executivos dos principais veículos sobre o desempenho da mídia no País em 2009 e as perspectivas para 2010.
O GroupW levantou ainda o investimento que se faz em mídia per capita, o que demonstra que o Brasil tem muito espaço para crescimento. Os Estados Unidos investiram em 2008 US$ 518 para cada cidadão do país, enquanto o Brasil ficou com US$ 64 por cabeça, um número que deve saltar para US$ 78 até o final de 2010. No Japão, a média per capita chegou a US$ 407, contra US$ 27 da China.
Mesmo sendo o terceiro maior mercado da publicidade, os asiáticos tem uma população de 1,3 bilhão, o que leva a média para baixo. Dentre os europeus, a Alemanha investe em média US$ 311, o Reino Unido outros US$ 343, a França US$ 256 e a Itália US$ 250.
No que tange à economia como um todo, dados da consultoria britânica Economist Intelligence Unit divulgados pelo jornal Folha de S. Paulo nesta semana mostraram que o Brasil voltou a ser a oitava maior do mundo, de acordo com o PIB em dólares de 2009, que chegou a US$ 1,53 trilhão. Em 2007, o país estava na 10ª posição, atrás de Espanha e Canadá, e em 2008 chegou ao nono lugar.
O ranking de PIB, segundo a Economist Intelligence Unit, é liderado por Estados Unidos, com US$ 14,26 tri, seguido por Japão (US$ 5,07 tri), China (US$ 4,91 tri), Alemanha (US$ 3,35 tri), França (US$ 2,68 tri), Reino Unido (US$ 2,19 tri) e Itália (US$ 2,12 tri). Atrás do Brasil estão Espanha, Canadá, Índia e Rússia.
Confira tabela com os investimentos em publicidade de 2008, 2009 e 2010 (em bilhões de US$).
2008
1º EUA – 157,633
2º Japão – 52,012
3º China – 35,223
4º Alemanha – 25,546
5º Reino Unido – 21,
6º França – 15,942
7º Itália – 14,863
8º Brasil – 13,125
2009 (Previsão)
1º EUA – 144,975
2º Japão – 49,184
3º China – 38,181
4º Alemanha – 23,831
5º Reino Unido – 18,596
6º França – 13,681
7º Brasil – 12,824*
8º Itália – 12,386
2010 (Previsão)
1º EUA – 138,752
2º Japão – 48,707
3º China – 42,771
4º Alemanha – 23,345
5º Reino Unido – 18,624
6º Brasil – 15,161
7º França – 13,056
8º Itália – 12,320
Fonte: Group M e Projeto Inter-Meios.
*Valor de 2009 fechado pelo Projeto Inter-Meios
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Curso “Cinema e Filosofia: Deleuze e a Imagem”
O Espaço Cultural Contemporâneo – ECCO, no âmbito do programa “Pausa Para Pensar”, lança o curso “Cinema e Filosofia: Deleuze e a Imagem”, com o professor João Lanari.
O curso é teórico, realizado por meio da análise e discussão de conceitos trabalhados por Giles Deleuze e conta com projeção de filmografia adequada ao tema.
A carga horária total é de 12 horas e as aulas serão de 15 de abril a 20 de maio, toda quarta-feira, de 19h30 às 22h.
Inscrições abertas e vagas limitadas, com emissão de certificados.
Maiores informações pelo telefone (61) 3327 2027 r. 25 ou 20, e cel 9964 2103, com André Ribeiro.
O curso é teórico, realizado por meio da análise e discussão de conceitos trabalhados por Giles Deleuze e conta com projeção de filmografia adequada ao tema.
A carga horária total é de 12 horas e as aulas serão de 15 de abril a 20 de maio, toda quarta-feira, de 19h30 às 22h.
Inscrições abertas e vagas limitadas, com emissão de certificados.
Maiores informações pelo telefone (61) 3327 2027 r. 25 ou 20, e cel 9964 2103, com André Ribeiro.
Venezuela: Chávez amplia acesso à internet e anuncia criação de seu blog
Do: Núcleo Piratininga de Comunicação
Alvo de críticas por um suposto projeto para limitar o acesso à internet, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi à televisão negar que pretende estabelecer censura no país. Segundo ele, o número de usuários de internet saltou de 273 mil para 1,5 milhão nos últimos nove anos.
"A notícia que percorre o mundo de que vamos acabar com a internet é falsa, assim como a de que vamos restringir o serviço. Temos uma estratégia central que é a transferência de poder para o povo”, disse Chávez, durante seu programa Alô Presidente.
O presidente afirmou ainda que serão abertos 24 novos centros de informação em todo o país. Atualmente há 668 centros no Projeto Infocentros. Chávez disse que esses centros têm capacidade para servir mais de 2 milhões de pessoas por ano. O presidente da Venezuela anunciou também a criação de um blog que será atualizado por ele mesmo, direto do Palácio Miraflores, para combater informações falsas que correm o mundo a respeito de seu governo. A intenção é “comunicar-se com milhões ― não somente com a Venezuela mas também com o mundo”.
Ainda não se sabe quando a página entrará no ar e qual será o endereço. O presidente venezuelano avalia que as redes sociais da internet servem de instrumento para que a direita do país engane o público.
Alvo de críticas por um suposto projeto para limitar o acesso à internet, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi à televisão negar que pretende estabelecer censura no país. Segundo ele, o número de usuários de internet saltou de 273 mil para 1,5 milhão nos últimos nove anos.
"A notícia que percorre o mundo de que vamos acabar com a internet é falsa, assim como a de que vamos restringir o serviço. Temos uma estratégia central que é a transferência de poder para o povo”, disse Chávez, durante seu programa Alô Presidente.
O presidente afirmou ainda que serão abertos 24 novos centros de informação em todo o país. Atualmente há 668 centros no Projeto Infocentros. Chávez disse que esses centros têm capacidade para servir mais de 2 milhões de pessoas por ano. O presidente da Venezuela anunciou também a criação de um blog que será atualizado por ele mesmo, direto do Palácio Miraflores, para combater informações falsas que correm o mundo a respeito de seu governo. A intenção é “comunicar-se com milhões ― não somente com a Venezuela mas também com o mundo”.
Ainda não se sabe quando a página entrará no ar e qual será o endereço. O presidente venezuelano avalia que as redes sociais da internet servem de instrumento para que a direita do país engane o público.
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Grupo português Ongoing compra os jornais do Grupo O Dia
Menos de três meses após a presidente do Grupo O Dia, Gigi de Carvalho, anunciar seu afastamento do cargo, em 13 de janeiro, o grupo português Ongoing comprou o parque gráfico e os jornais O Dia, Meia Hora e Campeão. Um negócio estimado em R$ 75 milhões. Após due diligence em curso, a previsão dos envolvidos é de que o negócio seja finalizado em dois meses.
Desde a morte de Ary de Carvalho em 2003 e o afastamento de seu braço direito Fernando Portella, o jornal O Dia vem perdendo espaço no mercado carioca em meio ao conflito entre as herdeiras Gigi, Eliane e Ariane de Carvalho.
Fundado nos anos 50 pelo ex-governador paulista Adhemar de Barros, foi através do governador fluminense Chagas Freitas que o jornal se consagrou no segmento popular. Em 1983, Ary Carvalho comprou o título e o fez viver seu melhor período nos 20 anos em que controlou o título, chegando a liderança de circulação no Rio de Janeiro.
As rádios MPB FM e FM O Dia, controladas pelas herdeiras do Grupo O Dia, não entraram no negócio com o Ongoing. Ariane continuará a frente da MPB FM, da qual é sócia controladora, enquanto as irmãs Gigi e Liane ficam com a FM O Dia, onde dividem o comando. Os jornais e a gráfica eram os únicos negócios que tinham as três como sócias.
O grupo Ongoing passou a atuar no País em outubro do ano passado, com o lançamento em São Paulo do jornal Brasil Econômico, que segue os moldes do seu principal título impresso do mercado português, o Diário Econômico. Outros alvos teriam sido a Gazeta Mercantil e o Jornal do Brasil, mas o caos financeiro no qual mergulharam os títulos desde que Nelson Tanure assumiu o controle esfriou o ânimo dos portugueses. Já com O Dia a negociação fluiu bem, facilitado pelo desejo das herdeiras em se desfazerem do negócio, conforme adiantou reportagem do M&M Online no dia 13 de janeiro (veja aqui).
Se, por um lado os títulos adquiridos pelo Ongoing têm pouca sinergia editorial com o Brasil Econômico, por outro a operação logística agora disponível no Rio de Janeiro pode ajudar o jornal de economia a aumentar sua presença junto ao público qualificado. Além disso, de posse dos jornais do Grupo O Dia, o Ongoing estudaria a viabilidade de lançar em São Paulo o popular Meia Hora, vendido atualmente no Rio por R$ 0,70 - o que poderia praticamente inaugurar um mercado inexistente na capital paulista, onde proliferaram os gratuitos, mas que tem rendido ótimos resultados em outras capitais brasileiras.
O Ongoing também mantém o plano de lançar um jornal em Brasília - tendo como referência o Washington Post. Embora tenha sido retardada - a previsão inicial era de início de circulação em maio -, a iniciativa pode agora ser agilizada, especialmente porque o negócio com o Grupo O Dia demonstra a disponibilidade de caixa dos empresários portugueses, que também não escondem seu interesse no mercado brasileiro de televisão - notícias de bastidores relatam encontros com a Band e a Rede TV, sendo mais frutíferos com a segunda.
Em Portugal, o Ongoing havia separado 120 milhões de euros para a compra do um terço da TVI, participação esta atualmente pertencentes ao Media Capital, sócio minoritário do negócio controlado pelo grupo espanhol Prisa. Entretanto, a entidade reguladora da comunicação social em Portugal condicionou a entrada do Ongoing na TVI à venda dos 20% que o grupo detém na SIC, concorrente da TVI. Diante do impasse em Portugal, o Ongoing tem mais disponibilidade de caixa para investir no Brasil.
Desde a morte de Ary de Carvalho em 2003 e o afastamento de seu braço direito Fernando Portella, o jornal O Dia vem perdendo espaço no mercado carioca em meio ao conflito entre as herdeiras Gigi, Eliane e Ariane de Carvalho.
Fundado nos anos 50 pelo ex-governador paulista Adhemar de Barros, foi através do governador fluminense Chagas Freitas que o jornal se consagrou no segmento popular. Em 1983, Ary Carvalho comprou o título e o fez viver seu melhor período nos 20 anos em que controlou o título, chegando a liderança de circulação no Rio de Janeiro.
As rádios MPB FM e FM O Dia, controladas pelas herdeiras do Grupo O Dia, não entraram no negócio com o Ongoing. Ariane continuará a frente da MPB FM, da qual é sócia controladora, enquanto as irmãs Gigi e Liane ficam com a FM O Dia, onde dividem o comando. Os jornais e a gráfica eram os únicos negócios que tinham as três como sócias.
O grupo Ongoing passou a atuar no País em outubro do ano passado, com o lançamento em São Paulo do jornal Brasil Econômico, que segue os moldes do seu principal título impresso do mercado português, o Diário Econômico. Outros alvos teriam sido a Gazeta Mercantil e o Jornal do Brasil, mas o caos financeiro no qual mergulharam os títulos desde que Nelson Tanure assumiu o controle esfriou o ânimo dos portugueses. Já com O Dia a negociação fluiu bem, facilitado pelo desejo das herdeiras em se desfazerem do negócio, conforme adiantou reportagem do M&M Online no dia 13 de janeiro (veja aqui).
Se, por um lado os títulos adquiridos pelo Ongoing têm pouca sinergia editorial com o Brasil Econômico, por outro a operação logística agora disponível no Rio de Janeiro pode ajudar o jornal de economia a aumentar sua presença junto ao público qualificado. Além disso, de posse dos jornais do Grupo O Dia, o Ongoing estudaria a viabilidade de lançar em São Paulo o popular Meia Hora, vendido atualmente no Rio por R$ 0,70 - o que poderia praticamente inaugurar um mercado inexistente na capital paulista, onde proliferaram os gratuitos, mas que tem rendido ótimos resultados em outras capitais brasileiras.
O Ongoing também mantém o plano de lançar um jornal em Brasília - tendo como referência o Washington Post. Embora tenha sido retardada - a previsão inicial era de início de circulação em maio -, a iniciativa pode agora ser agilizada, especialmente porque o negócio com o Grupo O Dia demonstra a disponibilidade de caixa dos empresários portugueses, que também não escondem seu interesse no mercado brasileiro de televisão - notícias de bastidores relatam encontros com a Band e a Rede TV, sendo mais frutíferos com a segunda.
Em Portugal, o Ongoing havia separado 120 milhões de euros para a compra do um terço da TVI, participação esta atualmente pertencentes ao Media Capital, sócio minoritário do negócio controlado pelo grupo espanhol Prisa. Entretanto, a entidade reguladora da comunicação social em Portugal condicionou a entrada do Ongoing na TVI à venda dos 20% que o grupo detém na SIC, concorrente da TVI. Diante do impasse em Portugal, o Ongoing tem mais disponibilidade de caixa para investir no Brasil.
Livro: a Globo e a ditadura, segundo Walter Clark
O livro “O Campeão de Audiência” é uma contribuição importante para a compreensão das relações muito especiais entre a TV Globo e o regime militar à sombra do qual floresceu. Além disso, mostra como o jogo de cumplicidade com o regime confundia-se com a luta interna pelo poder dentro da Globo, arbitrada por Roberto Marinho e envolvendo não apenas Clark e Boni, mas também o segundo escalão - Joe Wallach, Arce (José Ulisses Alvarez Arce) e, em especial, o diretor de jornalismo Armando Nogueira. O artigo é de Argemiro Ferreira.
Ainda que não tivesse sido esse o objetivo de sua autobiografia, na qual relatou há 19 anos a incrível trajetória que o transformara no todo-poderoso senhor, por mais de uma década, da quarta rede comercial de televisão do mundo, Walter Clark acabou por oferecer no livro - “O Campeão de Audiência”, tendo o jornalista Gabriel Priolli como co-autor, Editora Best Seller, 1991 - uma contribuição importante para a compreensão das relações muito especiais entre a TV Globo e o regime militar à sombra do qual floresceu. Além de rejeitar a conhecida imagem da emissora como uma espécie de porta-voz do “Brasil Grande” do ditador Médici, ele garantia nunca ter visto Roberto Marinho "se humilhar diante de quem quer que fosse, milico ou não, presidente da República ou não. Ao contrário, é uma altivez que fica sempre no limite da arrogância."
Clark referia-se à suposta independência do dono da Globo por "manter em torno de si homens de esquerda em cargos importantes" (citava Franklin de Oliveira, Evandro Carlos de Andrade e Henrique Caban) - inclusive depois que o SNI ampliou a pressão contra os dois últimos, com acusações contidas numa fita de vídeo que o dono da Globo fora convocado a assistir em companhia de Clark e Armando Nogueira. Explicitamente, admitia apenas que o regime "incomodava" a Globo, que enfrentou "o mesmo gosto amargo da censura, das intimidações, das impossibilidades que todo mundo sentiu: imprensa, rádio, televisão, as artes, a universidade, a cultura". Claramente na defensiva, o autor mostrava-se ressentido com os que o culpavam - na própria Globo, e mais até do que Marinho - pela submissão ao regime militar. Mas ao passar das opiniões subjetivas aos fatos concretos, acabava por confirmar o que pretendia desmentir: a docilidade das emissoras de televisão, em parte resultante do caráter precário das concessões de canais pelo governo, tinha uma longa história e já o atropelara antes, na TV Rio.
Essa emissora, na qual também foi autoridade máxima (com o título nominal de "diretor comercial"), Clark submeteu-se, sem reação, ao assalto dos lacerdistas - liderados pelo empresário Abrahão Medina, fazendo valer a condição de patrocinador de programas - no episódio da tomada do Forte de Copacabana, em 1964. Posteriormente, conseguiu o prodígio de entregar-se tanto ao governo estadual como ao federal, até mesmo depois do desafio do governador Carlos Lacerda ao presidente Castello Branco. Clark confessou ter retirado do ar programas de Carlos Heitor Cony e Roberto Campos para satisfazer o coronel Gustavo Borges, chefe de Polícia do Rio, que o chantageava com a ameaça de mudar o horário da novela “O Direito de Nascer”, líder de audiência.
Não por acaso, a experiência da Globo acabaria por extremar a tendência à acomodação, a ponto de Clark contratar um ex-diretor da Censura ("o Otati") para "ler tudo que ia para o ar" e, pior ainda, uma "assessoria especial" para cortejar o poder, formada pelo general Paiva Chaves, pelo civil linha dura Edgardo Manoel Erickson ("pelego dos milicos", conforme disse) e mais "uns cinco ou seis funcionários". O episódio que aparentemente o convenceu a ir tão longe chegava a ser cômico: um certo coronel Lourenço, do Dentel, tinha tirado a estação do ar em 1969, convocando Clark ao ministério da Guerra, porque Ibrahim Sued, na esperança de agradar ao Planalto, divulgara uma intriga plantada pelo grupo do general Jaime Portela, então na conspiração do "governo paralelo" juntamente com d. Yolanda Costa e Silva. Ibrahim foi preso e Clark aprendeu a lição depois de levar pito de um certo coronel Athos, "homem de Sílvio Frota".
Para ler o restante do artigo de Argemiro Ferreira, clique aqui
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sábado, 3 de abril de 2010
TV Digital: Espanha se despede de televisão analógica
Por Teresa Larraz, da Reuters/Brasil Online
MADRI (Reuters) - A Espanha deu adeus definitivo à televisão analógica e aderiu plenamente neste sábado à Televisão Digital Terrestre (TDT), depois de um longo processo de transição que começou há cinco anos e foi concluído com o desligamento dos nove últimos centros que transmitiam no sinal antigo.
A mudança, que o ministro da Indústria, Miguel Sebastián, chamou de "a Televisão de Todos" e permite aumentar o número de canais, melhorar a qualidade e oferecer novos serviços, foi produzido dois anos antes da data proposta pela Comissão Europeia.
Os habitantes de Gijón e Oviedo, em Astúrias; Santa Cruz de Tenerife e a ilha de La Palma, nas ilhas Canárias; e Salamanca e León, em Castilla e León, foram os últimos a entrarem nesta nova etapa, na qual a tecnologia digital é incorporada ao sinal de televisão.
"Estamos diante de uma semana histórica, como foi a chegada da televisão ou a imagem colorida", disse o ministro, na quarta-feira, quando foram apagadas as emissões analógicas em Madri, Barcelona e Sevilla.
A TDT permite passar de 6 a mais de 30 canais, oferece uma imagem de melhor qualidade, semelhante à do DVD, permite assistir à televisão em formato panorâmico, sem cortes nem faixas pretas, melhora a qualidade do som, e oferece novos serviços, como a seleção do idioma, com maior interatividade e teletexto digital.
MADRI (Reuters) - A Espanha deu adeus definitivo à televisão analógica e aderiu plenamente neste sábado à Televisão Digital Terrestre (TDT), depois de um longo processo de transição que começou há cinco anos e foi concluído com o desligamento dos nove últimos centros que transmitiam no sinal antigo.
A mudança, que o ministro da Indústria, Miguel Sebastián, chamou de "a Televisão de Todos" e permite aumentar o número de canais, melhorar a qualidade e oferecer novos serviços, foi produzido dois anos antes da data proposta pela Comissão Europeia.
Os habitantes de Gijón e Oviedo, em Astúrias; Santa Cruz de Tenerife e a ilha de La Palma, nas ilhas Canárias; e Salamanca e León, em Castilla e León, foram os últimos a entrarem nesta nova etapa, na qual a tecnologia digital é incorporada ao sinal de televisão.
"Estamos diante de uma semana histórica, como foi a chegada da televisão ou a imagem colorida", disse o ministro, na quarta-feira, quando foram apagadas as emissões analógicas em Madri, Barcelona e Sevilla.
A TDT permite passar de 6 a mais de 30 canais, oferece uma imagem de melhor qualidade, semelhante à do DVD, permite assistir à televisão em formato panorâmico, sem cortes nem faixas pretas, melhora a qualidade do som, e oferece novos serviços, como a seleção do idioma, com maior interatividade e teletexto digital.
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